Sábado tive a infeliz ideia de acompanhar ao amistoso entre Palmeiras x Ajax, no Estádio do Pacaembu. O que podia ser divertido e interessante do ponto de vista futebolístico transformou-se em um programa de índio em pouco menos de 40 minutos.
Não é novidade para ninguém que o Palmeiras atravessa sérios problemas administrativos, seja financeiramente, seja organizacionalmente. Porém, espanta a capacidade que sua apaixonada torcida tem em piorar uma situação já bastante crítica.
O incidente com Vagner Love, a novela Kleber e as sucessivas manifestações nem um pouco pacíficas deixaram o clima no Palestra Itália realmente insuportável. A dificuldade em contratar reforços não espanta diante de um cenário tão sombrio.
À margem de tudo isso, o Verdão recebeu o Ajax e jogou na cara da sua torcida qual será a tônica da temporada: mais sofrimento. A dificuldade em trocar 5 passes consecutivos e chegar com perigo ao ataque não é justificada somente pelo adversário ser um grande (hoje nem tanto) time europeu. A técnica de mais da metade do elenco alvi-verde sequer é questionável, chega a ser duvidosa mesmo.
A sorte ditou o rumo da partida. O Ajax desperdiçou, pelo menos, duas ótimas oportunidades no primeiro tempo. O Palmeiras 2012 buscou a estratégia de 2011 para surpreender e quase Marcos Assunção anotou de falta. No segundo tempo houve sutil melhora palestrina. Mas a afobação e a bem postada defesa holandesa impedia as tramas ofensivas.
Valdívia foi péssimo. O estreante Juninho deixou a desejar. Henrique não estava em uma tarde feliz. Para piorar, muitas vezes os volantes adversários carregavam a bola com tranquilidade da intermediária defensiva à ofensiva. Era uma brincadeira de mau gosto.
Quando tudo parecia perdido para um horrível empate sem gols, o Palmeiras saiu para o ataque, escancarando o meio-campo. No final da partida, Deola incorporou o Santo aposentado e fez duas excelentes intervenções. Era o fim? Não.
No último suspiro do relógio, Luan escapa pela esquerda e levanta na área. A bola cruza quase toda a extensão da área, o goleiro não sai, o zagueiro vacila e Pedro Carmona aparece para cabecear e salvar o sábado de aproximadamente 25 mil palmeirenses.
O gol tira o amargo do empate mas não disfarça o que houve durante todo o jogo. Felipão pode escalar o time como quiser. Com esse elenco, vai ter que jogar fechadinho e rezar. Muito.