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sábado, 19 de maio de 2012

Análise de Elenco - Vasco

Finalmente o Brasileirão vai começar! Para coroar a chegada do campeonato nacional mais disputado do mundo (quem ousa duvidar?) analisaremos o 20º e último clube do Brasileirão-12. 

O Vasco da Gama, atual vice-campeão brasileiro, manteve a base da temporada passada. Fez uma campanha apagada no Campeonato Carioca e ainda vive na Libertadores. Tem um meio-campo bastante criativo e conta com um dos melhores zagueiros do Brasil, Dedé.

Vamos logo ao que interessa, vem Brasileirão! Vem Vasco!


GOLEIROS - Fernando Prass, Alessandro, Diogo Silva - Fernando Prass desembarcou no Vasco em 2009. Demorou um pouco a se firmar, mas quando pegou a camisa 1, não largou mais. É um grande goleiro. Experiente e dotado de bons reflexos, é uma das vozes de liderança no grupo. Mesmo alto, esbanja elasticidade e posiciona-se bem. Contudo, aparentemente não há reserva à altura. Mesmo não sendo mais garotos, nenhum dos dois reservas enchem os olhos e deixam o torcedor tranquilo quando Prass não está sob a meta. 

LATERAIS - Fagner, Thiago Feltri, Max, Dieyson - Fagner e Thiago Feltri, titulares, fazem uma boa dupla ofensiva. Ambos possuem estilos parecidos. São rápidos, habilidosos e apoiadores por vocação. Defensivamente são mais fracos e, pelo estilo de jogo, invariavelmente deixam suas brechas ao adversário. Nem de longe são ameaçados pelos reservas Max e Dieyson. Em que pese o Vasco ter opções no elenco que permitem improvisações eventuais, seria interessante buscar reforços para o setor, até em razão da baixa qualidade dos reservas.

ZAGUEIROS - Dedé, Douglas, Rodolfo, Renato Silva, Fabricio - A zaga do Vasco é emblemática. Dedé é anos-luz melhor que seus companheiros. Rápido, firme no desarme, ótimo posicionamento e antecipação, um verdadeiro monstro. Sem contar a força na bola aérea. Um dos melhores zagueiros brasileiros em atividade. Rodolfo e Renato Silva brigam por uma vaga ao seu lado. O histórico de ambos não fazem o torcedor cruz-maltino confiar cegamente neles. Contudo, no Vasco, têm jogado muito bem e superado suas limitações. Renato Silva é extremamente limitado. Sua para fazer o básico. Afobado, comete muitas faltas e constantemente erra o posicionamento. Mas tem sido regular até o momento. Rodolfo, ex-Fluminense, voltou do Leste Europeu para o Grêmio e não se firmou. Lesionou-se, não entrou bem e veio para o Vasco. Tecnicamente melhor que Renato Silva, ganhou confiança e seu futebol subiu de produção. Bom zagueiro, ao meu ver. Fabrício, ex-Flamengo, apareceu com muita pompa e jogando muito bem. Desarmava com precisão, botes certeiros, boa distribuição de jogo. Aí caiu. Começou a falhar grosseiramente. Passou por Palmeiras, Atlético-PR até aparecer no Vasco. Atualmente, na minha opinião, consegue ser pior que Renato Silva e é mera opção de banco.

VOLANTES - Nilton, Fellipe Bastos, Eduardo Costa, Allan, Romulo - Ainda que relativamente limitados e pareçam ruins a quem vê de fora, são atletas interessantes. Nilton é um bom cão de guarda. Raçudo, tem um potente chute e é um eficiente destruidor de jogadas. Eduardo Costa vive com uma lesão aqui outra ali mas seu futebol subiu de produção no Vasco e tem sido bastante útil tanto na marcação quanto na distribuição. Allan, que pode até quebrar um galho pela lateral, é um jovem muito promissor. Marca bem, é rápido e também apóia com muita qualidade. Fellipe Bastos e Romulo também possuem estilo parecido. Marcadores implacáveis, correm o campo todo e aparecem na distribuição do jogo e cooperam nas tramas ofensivas. 

MEIAS - Felipe, Juninho, Diego Souza, Diego Rosa, Chaparro, Abelairas, Carlos Alberto - O meio-campo ofensivo do Vasco é de encher os olhos. De cara, conta com 4 atletas experientes e extremamente habilidosos com a bola nos pés. A começar por Juninho Pernambucano, o homem com um talento ímpar na bola parada. Tem uma visão de jogo fora do comum e dita o rumo da meia-cancha como poucos. O mesmo vale para Felipe, que arma e finaliza com precisão. Sua canhota é capaz de tiros certeiros de fora da área, em bolas paradas e dar assistências açucaradas para qualquer atacante só ter o trabalho de ir para o abraço. Diego Souza, meio 8 ou 80, é o encarregado pela organização ligeira de jogadas. Usa sua força física e rapidez para tabelar e finalizar em gol em tramas mais dinâmicas. É um grande jogador, embora oscile muito ao longo de algumas partidas. Pode marcar 2 ou 3 gols numa partida e passar completamente despercebido por outra. Carlos Alberto, o jovem veterano, parece ter acordado para a vida e querer algo a mais. A habilidade que o consagrou continua ainda que o físico não mais o acompanhe. É um ótimo meia. Desde que focado e adestrado para cumprir função tática em campo. É plenamente capaz de organizar contra-ataques e aparecer na entrada da área para finalizar. Contudo, precisa se condicionar melhor e provar, de uma vez por todas, que está de volta ao futebol.

ATACANTES - Eder Luis, Alecsandro, Kim, Willian Barbio, Jonathan, Tenorio, Pipico - Precisa de reforços. Eder Luis destacou-se no Atlético-MG pela velocidade. Não é um driblador nato, mas explora muito bem sua velocidade tanto em contra-ataque quanto nas ultrapassagens. Entretanto, não tem cacoete de matador. Muito embora valha ressaltar que no Vasco tem feito mais gols, aparecido mais para concluir, o que nem sempre foi sua função. Alecsandro vive uma relação de amor e ódio com a torcida cruz-maltina mas, dentro do aceitável, cumpre bem seu papel. É um jogador de área e invariavelmente lá está para anotar seus tentos.  Não tem um físico de autêntico centroavante, mas desloca-se bem entre a zaga e costuma estar bem colocado nas finalizações. Então, de repente, não há bons reservas. Tenório lesionou-se e fica no estaleiro até o final da temporada. Kim é uma cópia mal tirada de Éder Luis. Não é tão rápido e tão participativo quanto o titular. Barbio e Pipico, na minha opinião, não passam de apostas para compor elenco. 

TÉCNICO - Cristóvão Borges - Era assistente de Ricardo Gomes no Vasco ano passado. Após o então treinador sofrer um AVC, Cristóvão assumiu o comando da equipe e chegou ao vice-campeonato nacional. Nada mau para uma primeira experiência como treinador. Manteve a base organizada por Ricardo Gomes e apenas deu seguimento no trabalho. Contudo, além de inexperiente, tem dado demonstrações de fraqueza. Tanto fraqueza tática quanto junto ao grupo. Cauteloso, tem receio de impor alguma ousadia - mesmo quando necessária. Por exemplo, ao revesar Juninho Pernambucano e Felipe no meio-campo. Suas decisões vira-e-mexe permeiam o seis por meia dúzia e geram alguns atritos no elenco. Pela qualidade do grupo, as circunstâncias podem mantê-lo ou o treinador pode sabotar a qualidade do grupo e, consequentemente, a si próprio.

ANÁLISE GERAL - Não se pode bater o olho neste Vasco e afirmar que é um time fraco ou limitado. Longe disso. A grande realidade é que, do meio para a frente, é um time muito perigoso. Tanto a qualidade dos volantes, que usualmente saem para o jogo, como o talento dos meias Felipe, Juninho e Diego Souza são determinantes para o sucesso do Vasco numa partida. Contudo, o time não tem boas peças de reposição nas laterais e, principalmente, no ataque. A defesa sem Dedé também não inspira muita confiança. Por ser um time voltado ao ataque, abre muitas brechas. Cristóvão tem tentado organizar melhor a equipe defensivamente. No entanto, acaba por travar e sabotar o principal ponto forte do time. 

RESULTADO - Ano passado o Vasco, mesmo campeão da Copa do Brasil, fez uma bela campanha no Brasileirão. Mas não vejo igual sorte nesta temporada. Entendo que a panela de pressão que se tornou a relação entre time - treinador - torcida pode complicar a equipe ao longo do campeonato. Ainda assim, merece o devido respeito e, creio eu, vai brigar por uma vaga na Libertadores.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Análise de Elenco - Sport

Penúltimo clube a ser visto em nossa minuciosa 'Análise de Elenco', o Sport foi o 4º colocado no Brasileirão da Série B em 2011 e voltou à Série A após dois anos longe da elite. Com a perda do titulo pernambucano para o rival Santa Cruz, alguns ajustes no elenco começaram a ser feitas. Diego Ivo, Reinaldo e o técnico Vágner Mancini chegam enquanto Marcelinho Paraíba se despede rumo ao Grêmio Barueri.

Vale dizer que jogar na Ilha do Retiro nunca é moleza. Lá, o Leão dá trabalho para muito time grande! Vejamos se o elenco também é forte como a Ilha do Retiro e nosso palpite sobre o futuro do Leão:


GOLEIROS - Magrão, Saulo, Matheus - Magrão é o titular e capitão do time. Experiente, defende o Leão desde 2005. Aos 35 anos, ainda mostra bom posicionamento e, sobretudo, reflexos apurados. É bastante elástico, dificilmente comete falhas toscas. Sem dúvida, um bom goleiro. Saulo, goleiro da base, é a grande aposta para o futuro. Com passagens pelas seleções de base, Saulo não sente a pressão e costuma corresponder quando exigido. 

LATERAIS - Diogo Goiano, Reinaldo, Julinho, Moacir, Renato, Renê - Os dois laterais mais conhecidos são Moacir pelo lado direito e Julinho pelo lado esquerdo. Moacir, que teve uma passagem relâmpago pelo Corinthians, viveu algumas contusões, não foi bem e acertou seu retorno. No Sport, acumula boas atuações. Como a ampla maioria dos laterais brasileiros, prima pelo apoio e não pela marcação. Julinho apareceu muito bem no Avaí em 2010. Rápido e habilidoso, também cruza e passa com qualidade. Sua vocação ofensiva acaba por escancarar avenidas a serem exploradas em suas costas. No Vasco não foi bem. Creio ser boa opção ao Leão. 

ZAGUEIROS - Ailson, Bruno Aguiar, César, Edcarlos, Montoya, Tobi, Wagner Silva, Willian Rocha, Diego Ivo - Muitos nomes razoáveis. Bruno Aguiar, ex-Santos, pouco apareceu no Peixe. Foi bem no Guarani. É um zagueiro sério, vigoroso que usa bem sua estatura na bola aérea. Edcarlos cresceu no São Paulo, onde viveu seu melhor momento, até a transferência para o Benfica. Sem sucesso, passou ainda por Fluminense, Cruzeiro, Grêmio e até ressurgir no Sport. Rebatedor, Edcarlos faz o simples com muita disposição. Aliás, é esforçadíssimo e só. Marca, corre, desarma aqui, falha ali. É um tanto estabanado e suas falhas geralmente são decorrentes de mau posicionamento. César é outro ícone no elenco. Está no clube desde 2008 e não é mau zagueiro. Também bastante alto, faz o estilo Bruno Aguiar mas com mais qualidade, ao meu ver. Tobi é outro bom defensor que pode atuar como volante. Bom e incansável marcador. Tive a oportunidade de acompanhar seu futebol no Juventus em 2005 e era um dos pilares da equipe que conquistou o Paulistão da Série A-2 naquele ano, atuando como volante. 

VOLANTES - Diogo, Germano, Hamilton, Marquinhos Paraná, Milton Junior, Naldinho, Rithely, Rivaldo - Diogo teve uma boa temporada no Fluminense em 2009. Depois caiu, perdeu espaço e busca retomar o rumo da carreira no Sport. Volante que faz o simples, sem encher os olhos. Compõe bem o meio campo, distribui com simplicidade. Germano, ex-Santos, está no Leão desde 2010. Teve boa passagem pelo futebol japonês, destacando-se pelos gols marcados. Chega bem no ataque, é verdade. Chuta muito forte e faz bom papel na marcação. Marquinhos Paraná, veterano e polivalente, pode fazer as vezes de lateral também. Bom jogador. É outro que faz do feijão-com-arroz seu cartão de visitas. Rende melhor atuando mais recuado. Rivaldo, ex-Palmeiras, foi praticamente expulso do Verdão pela (falta de) qualidade com a bola nos pés. É rápido, esforçado e ponto. Não cruza bem, não marca bem, não passa bem. 

MEIAS - Anderson Paraíba, Jackson, Thiaguinho - Com a saída do meia/atacante Marcelinho a criação ficou órfã. Literalmente. Thiaguinho é o mais conhecido tendo em vista ter atuado no Botafogo e no Fluminense. Coadjuvante, deveria ser mais participativo. Já coleciona um bom número de jogos com a camisa do Leão motivo pelo qual realmente deve chamar a responsabilidade pela criação e ditar o rumo do meio-campo. Quanto aos garotos Anderson Paraíba e Jackson chega a ser injusto deixar sob seus pés o fardo de reger a meia-cancha. Precisa de reforços urgentemente. 

ATACANTES - Jael, Jheimy, Marquinhos, Roberson, Ruan, Willians, Felipe Azevedo - É um ataque muito rápido, de muita movimentação mas muito jovem. O principal nome é Jael, o Cruel. Rodou alguns clubes e nunca se firmou como titular absoluto. É bom jogador, mas é muito irregular. Conclui com frieza e é bom brigador na área. Marquinhos, ex-Inter, despontou como promessa mas perdeu espaço. Foi bem no Avaí e desembarcou no Sport. Rápido, dribla em velocidade e finaliza bem. Destaque para a visão de jogo, inclusive. Jheimy é outra boa opção para o ataque e fez bom Campeonato Pernambucano. Emprestado pelo Atlético-MG, pode ser útil ao longo da temporada. Felipe Azevedo, ex-Ceará, fez um bom Brasileirão-11 e ficou famoso após os 3 gols marcados contra o Grêmio, no Olímpico. É um jogador rápido de finalização apurada e muito oportunista.

TÉCNICO - Vágner Mancini - Por coincidência já foi retratado aqui no blog quando analisamos a equipe do Cruzeiro. Repetir que o considero um treinador fraco é chutar cachorro morto, visto que Mancini chega após mais uma demissão no currículo. Pior do que a limitação tática, técnica, etc., é o momento psicológico. Fugir dos holofotes de Rio, São Paulo, Minas pode ajudar o treinador a se reciclar, ter a oportunidade de fazer um trabalho mais regular. 

ANÁLISE GERAL - Não é um time ruim. É limitado, porém aguerrido. Tem na zaga e no meio-campo jogadores raçudos, de muita pegada e que fazem o simples. Não vão ser o Barcelona de Pernambuco e encantar o Brasil. Chegam da Série B com o intuito de sonhar alto? Sim. Mas tem que pensar em permanecer em primeiro lugar. Além de pegador, tem laterais e atacantes velozes que podem dar canseira em muita defesa grande. Contudo, perdeu Marcelinho, pilar principal de toda a equipe, especialmente na organização ofensiva. Além disso, os meias e atacantes são muito jovens. Ou seja, precisa se reforçar com atletas mais experientes para aguentar a pressão de um campeonato do gabarito de um Brasileirão, independente de posição na tabela. Experiência é fundamental.  Outra coisa: o técnico é fraco. Claro que o eventual mau rendimento do time não será culpa exclusiva dele, mas poderá ser responsabilizado pelo histórico recente.

RESULTADO - O elenco é limitado mas tem lá seu valor, principalmente pela força na marcação e velocidade na saída para o ataque. Contudo, a falta de experiência à frente e o comando técnico discutível me fazem crer que o Sport não deverá ir além da Zona Intermediária, correndo risco de brigar para não cair se não abrir o olho.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Análise de Elenco - São Paulo

Semana decisiva em nosso espaço "Análise de Elenco"! Faltam apenas 3 equipes e 5 dias para o início do tão aguardado Campeonato Brasileiro.

Hoje temos pela frente o São Paulo Futebol Clube, seis vezes campeão nacional. Sob a batuta de Leão, a equipe fez uma boa primeira fase do Paulistão e caiu diante do poderoso Santos. Na Copa do Brasil, segue vivo, e encara o Goiás nas quartas-de-final do torneio. Embora tenha passado por bons apuros na fase anterior contra a Ponte Preta.

Ultimamente, viveu algumas polêmicas no elenco com o afastamento de Paulo Miranda, e tem sofrido com o departamento médico um tanto congestionado. No entanto, crise é palavra proibida pelos lados do Morumbi. Na busca pelo hepta e pelo título inédito da Copa do Brasil, vamos tentar medir a força do elenco tricolor para 2012:


GOLEIROS - Rogério Ceni, Denis, Leo, Leonardo - Lesionado, o líder, capitão, goleiro e artilheiro Rogério Ceni desfalca a equipe até julho/agosto, ou seja, meia temporada longe da meta Tricolor. Mesmo às vésperas da aposentadoria, Rogério ainda esbanja qualidade. A experiência sob as traves ainda é crucial em seu posicionamento e segurança. Sua qualidade com os pés também é notória. Não somente pelos gols, mas pela reposição rápida e precisa da bola. Invariavelmente contra-ataques saem de seus pés. Contudo, resta saber como voltará da grave lesão no ombro. Denis herdou a condição de titular respaldado por boas atuações quando exigido. Porém, alternou grandes intervenções com falhas grotescas. Não demonstra insegurança, mas deixou a torcida com um pé atrás, especialmente após a falha contra o Santos, na semi-final do Paulistão. Que fique claro que Denis não é mau goleiro. Há muito a evoluir e pode até vir a suceder Ceni. Entretanto, precisa ser mais regular e assustar menos.

LATERAIS - Douglas, Piris, Cortez, Henrique Miranda - O ponto fraco da equipe há alguns anos. Para esta temporada chegaram Douglas e Piris. O paraguaio veio com a pompa de ter feito atuações razoáveis pelo Cerro Porteño ao marcar Neymar. De fato, não é dos melhores apoiadores. Só que defensivamente também não é lá essas coisas. É esforçado e só. Deixa muitas brechas pelo setor e nem sempre é efetivo nos desarmes. Douglas, ex-Goiás, entrou na equipe recentemente e agradou. Rápido, tornou-se boa opção à frente. Atrás, também peca na marcação. Mas é mais útil que o rival de posição. O lado esquerdo tem dono: Cortez, ex-Botafogo, chegou e tomou conta do setor. Encheu os olhos da torcida com sua disposição física, chegada ao ataque e presença defensiva. É mais regular atrás, ainda que o ataque seja sua vocação. Ao meu ver, não é ainda aquele Cortez do Botafogo, falta produzir mais ofensivamente, criar chances mais claras de gol. Porém já fez a torcida tricolor esquecer a péssima passagem de Juan no clube. Obs: O garoto Henrique Miranda, promessa da base, é pouco aproveitado, vive cercado de convocações e deixa o São Paulo sem um bom reserva imediato, obrigando o time a improvisar.

ZAGUEIROS - Rhodolfo, Paulo Miranda, Edson Silva, João Filipe, Luiz Eduardo - Setor regular. Rhodolfo está anos-luz acima dos companheiros. Alto, rápido, firme no desarme e no jogo aéreo e um dos líderes do time. É o pilar da zaga. O problema é encontrar um parceiro. Edson Silva, ex-Figueirense, começou a temporada, mostrou segurança, seriedade e bom posicionamento inclusive ofensivo. É mais troncudo, menos ágil, rebatedor. Perdeu espaço para Paulo Miranda, que se mostrou um desastre. Estabanado, posiciona-se mal consequentemente marca mal e acaba cometendo faltas e pênaltis desnecessários. Cartões infantis também vão no pacote. Foi afastado, reintegrado e deve voltar a assombrar a torcida. João Filipe caiu em desgraça com Leão após o fraco desempenho no clássico com o Corinthians. Na minha opinião, opção razoável. Alto e rápido, poderia ser mais útil não fossem as trapalhadas no posicionamento e na saída de jogo. 

VOLANTES - Wellington, Fabrício, Denílson, Rodrigo Caio, Casemiro - Wellington começou bem a temporada e era um dos mais regulares do time. Contudo, sofreu uma séria lesão no joelho e é baixa certa para o decorrer da temporada. Um leão na marcação, precisa aprimorar a saída de jogo, principalmente o passe. Denílson está de malas prontas para voltar ao Arsenal. Não teve um bom 2011 mas nesta temporada subiu de produção e supriu a ausência de Wellington com competência. Fabrício chegou e praticamente não jogou. Constantemente lesionado, era para ser sinônimo de raça e liderança no meio-campo tricolor, carente de pegada. Rodrigo Caio é jovem e mostrou ter qualidade na marcação. Entretanto, precisa ganhar mais massa e experiência para se tornar um verdadeiro coadjuvante no elenco. Casemiro vive uma relação de amor e ódio com a torcida. Qualidade indiscutível com a bola nos pés e disposição discutível em campo. Visão de jogo apurada, lançamentos precisos e alguma displicência na marcação e na composição defensiva. Se jogasse com um pouco mais de garra, teria condições de ser tornar ídolo.

MEIAS - Lucas, Cícero, Cañete, Maicon, Jadson - Lucas dispensa apresentações. O status de segunda grande promessa do futebol brasileiro é justa. Habilidoso, rápido, voluntarioso. Abusado. A bem da verdade Lucas também tem abusado da habilidade e muitas vezes passa por fominha. Por jogar na direita entrando em diagonal pelo meio, precisa aprimorar a perna esquerda, que lhe deixa na mão em algumas tramas ofensivas. Cícero foi a grata surpresa da temporada. Ora mais avançado ora mais recuado, Cícero é o ponto de equilíbrio do meio-campo. Bom no apoio e na marcação, eficiente na distribuição do jogo e opção para bolas paradas. Maicon, ex-Figueirense, pouco apareceu. Deveria fazer função parecida com a de Cícero pela direita mas por não ter a mesma qualidade, perdeu espaço e virou opção. Cañete é outro que está no estaleiro desde quando chegou em 2011 e não se sabe como voltará. A julgar pelo que mostrou no Boca, pode ser útil e boa opção a Lucas, pois também faz o estilo rápido-habilidoso na articulação do ataque. Por fim, Jadson. Contratado para ser o sonhado meia que a torcida há anos aguardava, Jadson ainda busca ritmo de jogo. Na base das bolas paradas, já é o principal assistente do time. Entretanto, não conseguiu justificar o alto investimento. Com atuações regulares, Jadson parece tímido na armação das jogadas. Ainda não acertou o ponto certo entre cadenciar e acelerar o jogo. Sem seu toque refinado, o São Paulo sobrecarrega Lucas e Cícero, além de exagerar nas investidas em velocidade de Fernandinho. Ou seja, Jadson precisa adaptar-se o quanto antes ao time pois veio para ser o cérebro do ataque tricolor.

ATACANTES - Luis Fabiano, Fernandinho, Osvaldo, Willian José, Rafinha, Ademílson - Luis Fabiano. Recuperado das lesões, Luis Fabiano voltou! Continua o mesmo matador implacável que estamos acostumados. Com a mesma garra que o consagrou, Fabuloso assumiu a condição de capitão e segue infernizando as zagas com seus dribles curtos e finalizações precisas. Fernandinho é o homem da velocidade. Ao meu ver, rápido, habilidoso e pouco inteligente. É boa opção, mas muitas vezes corre demais, repete a velha jogada na linha de fundo e desperdiça bons contra-ataques. Osvaldo, reserva velocista, é um "Fernandinho destro". Willian José, embora mais limitado, fez um bom Paulistão no lugar de Luis Fabiano e anotou 11 gols. Pode não ser uma Brastemp mas mostrou ser bom reserva. Completam o grupo os garotos Rafinha e Ademilson. Aliás, Ademilson é tido como grande promessa para o ataque e em breve pode começar a ter mais chances no ataque tricolor.

TÉCNICO - Emerson Leão - Ultrapassado, obsoleto, motivador, teimoso. É possível encontrar infinitos adjetivos a Emerson Leão. Merece destaque que, mesmo após o grande período longe dos campos, foi novamente o grande responsável pelo resgate do São Paulo. Abalou o grupo e fez com que o time fosse novamente vibrante em campo. Conseguiu armar um São Paulo rápido e mortal no ataque. Contudo, precisa encaixar Jadson na equipe de um modo em que o meia consiga render o esperado. Outro ponto crítico em seu trabalho é o sistema defensivo. A zaga já não é lá essas coisas, sem um sistema de marcação no meio decente, a defesa mostra-se bastante vulnerável.

ANÁLISE GERAL - O elenco é bom. No entanto, o time é regular. É instável demais. Sem Jadson, a organização ofensiva fica capenga. Lucas e Fernandinho nas pontas dão velocidade, criam boas jogadas mas, algumas vezes, são individualistas demais. Como dito, o sistema defensivo é frouxo. É pouco pegador, talvez em razão das lesões que acometeram os principais marcadores do grupo. As laterais, pelas características de Cortez e Douglas, abrem pequenas avenidas para os adversários explorarem. Em linhas gerais, o ataque é ótimo, mas a defesa é bastante frágil.  

RESULTADO - Para ganhar o Campeonato Brasileiro é preciso um bom time e um bom elenco. A irregularidade do São Paulo pode minar suas pretensões como ocorreu nas temporadas anteriores. Todavia, com Leão no comando, se superar as limitações defensivas, pode esperar algo mais esta temporada. Ao meu ver, a falta de pegada no meio-campo vai sabotar o time. Por isso, arrisco dizer que a Libertadores é o destino tricolor em 2012.

domingo, 6 de maio de 2012

Análise de Elenco - Santos

O Brasileirão está chegando e nossa "Análise de Elenco" está prestes a alcançar o 20º clube. Restam somente 4 clubes a serem servidos e o de hoje é todo especial.

Finalista do Paulistão, atual campeão da Copa Libertadores, atual bicampeão estadual, o Santos é o time do momento desde 2010 quando levou Paulistão e Copa do Brasil. Ano passado, repetiu a dose regional e reconquistou a América. Perdeu o Mundial, mas e daí? Tem Ganso, tem Neymar - disparado o melhor jogador brasileiro em atividade - tem um elenco de qualidade e um técnico de ponta. 

Em suma, parafraseando Milton Neves, hoje, "torcer para o Santos é uma grande moleza".  


GOLEIROS - Aranha, Rafael, Vladimir, Gabriel Gasparotto - Às vésperas de completar 22 anos, Rafael é, ao meu ver, o goleiro do futuro da Seleção. Titular do Peixe desde o segundo semestre de 2010, já computa uma Libertadores no currículo. Jovem, ainda tem muito a evoluir. Contudo, o semblante sério, o bom posicionamento e os reflexos apurados transmitem segurança sob as traves. Aranha, ex-Ponte, talvez seja um dos melhores goleiros reservas à disposição. Mesmo à sombra do garoto, também tem qualidade. Ainda que visivelmente acima do peso, Aranha colaborou no triunfo sobre o São Paulo que colocou o time na final do Paulistão. Experiente, não sente a pressão por substituir o titular e faz partidas regulares, sem sustos. Vladimir, 3º goleiro, fecha o setor pouco aparecendo.


LATERAIS - Crystian, Fucile, Juan, Léo, Maranhão, Paulo Henrique - Bons nomes. A emblemática lateral-direita que perdeu os improvisados Danilo e Pará, hoje parece arrumada. Fucile chegou e deu estabilidade. Não enche os olhos, porém não compromete. Não é um primor no apoio tampouco um defensor nato. Regular, apenas. Maranhão, que vive uma onda titular, tem aparecido bem. Melhor à frente, claro. Defensivamente preocupa. Juan, ex-São Paulo, também ajeitou o lado esquerdo. Como a maioria dos bons laterais-esquerdos brasileiros, muito bom no apoio e uma lástima na defesa. A passagem apagada pelo São Paulo fez Juan subir de produção no Santos. Não é aquele Juan do Flamengo, mas melhorou consideravelmente. Léo, veterano, ainda tem lenha para queimar. Pouca, é verdade. Experiente e parte das principais conquistas o Peixe, o ídolo só perde para Juan na parte física. Técnica, tem de sobra. 


ZAGUEIROS - Bruno Rodrigo, Durval, Edu Dracena, Jubal, Rafael Caldeira, Vinícius - Boa, porém carente. Dracena, capitão, e Durval são os titulares. Bons zagueiros, sem dúvida. No chão e no alto, firmes no desarme, jogam com seriedade e posicionam-se bem. Ponto fraco: um tanto lentos. Precisam de proteção porque, se saírem cara-a-cara com o velocista adversário, um abraço. Bruno Rodrigo, reserva imediato, não faz feio. Embora inferior aos titulares, não costuma falhar quando exigido. A questão é que falta mais alguém no grupo. Por mais qualidade que os três garotos tenham, é necessário alguém mais experiente para fortalecer o setor.  


VOLANTES - Adriano, Henrique, Alan Santos, Alison, Anderson Carvalho, Arouca, Gerson Magrão - Ótimos. Adriano, um carrapato na marcação. Faz o trabalho sujo do time que mais encanta o Brasil ofensivamente. Arouca encontrou no Santos o time que precisava para seu talento florescer de vez. Ao aprimorar a marcação, tornou-se um dos melhores volantes do Brasil. Corre o campo todo, marca, distribui o jogo e aparece bem o ataque. Ótimo jogador. Henrique, ex-Cruzeiro, é grande opção. Tem estilo semelhante ao de Arouca. Marca e sai para o jogo. Bom reserva, sem sombra de dúvidas. Gerson Magrão pode, inclusive, atuar na lateral-esquerda. Ainda sem jogar, pouco se sabe de suas atuações pelo Dínamo de Kiev. Se lembrar aquele que saiu do Cruzeiro, bom reforço. 


MEIAS - Breitner, Elano, Felipe Anderson, Ibson, Paulo Henrique Ganso, Pedro Castro, Bernardo - De cara, Ganso, o meia mais cerebral do Brasil. Visão de jogo ímpar, coloca a bola onde quer. Finaliza pouco, eis algo que poderia aperfeiçoar. No entanto, seu passe preciso e as tabelas inteligentes que articula compensam quaisquer deficiências. Elano e Ibson duelam pela vaga ao seu lado. Para mim, Elano é a melhor opção. Além de participar efetivamente das tramas ofensivas, fecha bem na marcação. Compõe bem o meio-campo, dá equilíbrio. E pega bem na bola, outro ponto que lhe é favorável. Ibson, que pode deixar o time rumo ao Flamengo, melhorou em 2012. Mais participativo esta temporada, também é notado pela qualidade na armação e nos arremates. Entretanto, sem a eficiência defensiva de Elano. Bernardo, ex-Vasco, chega para ser opção de velocidade e habilidade na articulação. É outro que ainda não atuou e espera-se que repita as atuações do clube carioca. Felipe Anderson, garoto da base, fecha o grupo e é opção semelhante a de Bernardo. 


ATACANTES - Alan Kardec, Borges, Neymar, Dimba, Renteria, Tiago Alves - Neymar ponto. Pela obediência à proposta do post saliento os fatos notórios e já sabidos de cor e salteado. Rápido, habilidoso, mortal. Dribla com facilidade e arremata com precisão. Frio. Decisivo. E alegre. Sem ele o Santos perde muito, por melhor que seja seu elenco. Borges vive péssima fase. Ao meu ver, é limitado. Contudo, reconheço que protege bem a bola e faz bom pivô. Artilheiro do Brasileirão passado, desnecessário ressaltar que é um grande matador. Só que a bola precisa chegar redonda. Faz mais o estilo oportunista que brigador. Tanto que é facilmente anulável. Alan Kardec está em grande fase. Alto e rápido, deu mobilidade ao ataque que ficava preso à inércia de Borges. Tem feito gols importantes, como no empate contra o Inter, no Beira-Rio, pela Libertadores. Renteria chegou e pouco atuou. Não lembrou aquele bom atacante do Inter. Dimba, outra promessa da base, é opção ainda a evoluir.

TÉCNICO - Muricy Ramalho - Ótimo treinador. Tricampeão brasileiro pelo São Paulo, também levou o caneco pelo Fluminense em 2010. Chegou ao Santos em 2011 e já levou Paulistão e Libertadores. No Peixe, não está tão irritadiço como nos tempos de Morumbi. Também abandonou as famigeradas "muricyces", aquela invencionice que só o treinador entendia ou julgava interessante. Muricy foi uma das melhores contratações do Santos nos últimos anos. O fantástico time de 2010 dava show, porém sofria gols com a mesma facilidade que os fazia. Sem abrir mão de uma boa marcação, Muricy provou que sabe jogar bonito, para frente, sem descuidar da defesa. Explora o máximo do talento ofensivo de sua equipe e posiciona bem os jogadores para defender. 

ANÁLISE GERAL - Ótimos jogadores em todas as posições. De um goleiro jovem - e já experiente - a um ataque composto pela maior promessa do futebol brasileiro, o Peixe tem um elenco "santástico". De urgente, falta um reforço para a zaga, No mais, boas reposições para volante, meio, ataque. Até para as laterais quebra-se um galho! É uma equipe que ataca incrivelmente bem e defende-se com segurança. Muricy, excelente treinador, faz boas leituras de jogo e tem subsídios para efetuar boas substituições. Sobretudo, é um time maduro, focado e acostumado à decisões. 

RESULTADO - A maré do Santos está em alta e sabe-se lá onde vai parar. Não é somente pelo fato de contar com Neymar. É ter o jovem craque e toda uma gama de atletas que auxiliam a Joia a arrebentar partida após partida. Como dito, é uma equipe regular e madura. Portanto, impossível não credenciá-la ao título nacional.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Análise de Elenco - Portuguesa

Na sequência da seção 'Análise de Elenco', falemos do time que encantou e decepcionou o Brasil em questão de meses. Campeã da Série-B ano passado, a Portuguesa ganhou o apelido de "Barcelusa" pelo ótimo futebol apresentado na campanha do título. Um futebol ofensivo, repleto de tabelas, gols...

Mas veio 2012 e, inexplicavelmente - nem tanto assim, talvez - o futebol envolvente desapareceu. Com a saída de peças importantes, a Lusa não repôs o elenco com qualidade e surpreendentemente terminou rebaixada no Paulistão-12.

A queda culminou com o afastamento de alguns atletas do elenco sob a estranha alegação de "falta de comprometimento" (que nesta análise serão considerados integrantes, para efeito de eventual reaproveitamento) e na saída de Jorginho (embora este tenha pedido as contas). Em suma, céu nebuloso pelos lados do Canindé. Vamos radiografar o elenco para verificar até onde pode a Lusa se superar neste Brasileirão:


GOLEIROS - Weverton, Tom, Rodrigo Calaça - Problemas. Weverton é muito bom goleiro. Um dos grandes destaques do time campeão ano passado, Weverton chegou a barrar o emprestado Bruno, hoje titular do Palmeiras. Está envolvido em uma polêmica atualmente. Por ter assinado um pré-contrato com o Atlético-PR, foi afastado alguns jogos em razão da negociação. Rodrigo Calaça entrou e foi um fiasco. Falhou constantemente, não passou segurança alguma e Jorginho voltou com Weverton à posição. Não se sabe se conseguirá a anulação do pré-contrato e permanecer na Lusa. A única certeza é que se sair, é necessário contratar com urgência.

ZAGUEIROS - Diego, Rogério, Renato, Leandro Silva, Gustavo - Limitados. Gustavo, afastado, viria como bom reforço para o setor. A experiência de quem foi coadjuvante em Palmeiras, Cruzeiro, Vasco e Botafogo poderia ser de grande valia para a Lusa. Rogério viveu bom momento ao lado de Mateus, negociado com o Cruzeiro. Não é técnico como o antigo parceiro mas, ao meu ver, não deve para outros zagueiros médios de "time grande". Joga sério e com raça. Costuma aparecer bem nas bolas aéreas. Renato, criado nas bases do Corinthians, após alguns empréstimos chega à Lusa para ganhar, finalmente, uma boa sequência de jogos. Muito jovem, mas bem regular, ainda tem muito a evoluir. Diego e Leandro Silva fecham o setor.

LATERAIS - Luis Ricardo, Ivan, Marcelo Cordeiro, Raí, Alê - Luis Ricardo era atacante, fazia lá seus golzinhos, mas se encontrou na lateral. Sem brincadeira, considero-o um dos melhores do Brasil. Não faz feio na marcação, ainda que não seja seu forte, apoia com qualidade e velocidade. Bom jogador! Marcelo Cordeiro é outro que me agrada bastante. Rápido e habilidoso, é arma para contra-ataques e tramas ofensivas. Pelo estilo, também peca na marcação. Ao meu ver é outro bom jogador que sempre ficou à sombra de outros um tanto melhores. Kleber no Inter, Cortez no Botafogo são dois exemplos de laterais-esquerdos acima da média que ofuscavam o rendimento de Cordeiro. Enquanto ele se recupera de lesão, Raí atua no setor e não tem ido mal não. Ivan, jovem da base, é opção para o lugar de Luis Ricardo.

VOLANTES - Guilherme, Léo Silva, Bruninho, Wilson Matias, Boquita - Regulares. A cabeça-de-área tornou-se um problema após a saída de Ferdinando e Ademir Sopa. Léo Silva não repete as boas atuações dos citados. Boquita, ex-Corinthians, é versátil. Pode jogar mais recuado ou mais avançado na meia. Particularmente, não o considero mau jogador. Contudo, apesar do bom chute, erra muitos passes. Wilson Matias chegou do Inter após a queda para no Paulistão. Depois da passagem apagada pelo Colorado, Wilson ainda se adapta à Lusa e não tem feito más partidas. Melhorou a qualidade da marcação e do passe na meia cancha. Guilherme é alvo da cobiça do Timão. Fez uma ótima temporada 2011, assim como toda a equipe. Bem na marcação e no apoio, tem boa presença física e distribui bem o jogo.

MEIAS - Henrique, Maylson, Jean Mota, Michael, Diego Souza - Três atletas estão dentre os afastados. Diego Souza, aquele ex-Palmeiras; Michael, também ex-Palmeiras e Santos, que pode atuar na lateral inclusive; e Maylson, meia promissor ex-Grêmio. Contesto a qualidade e o rendimento de Diego Souza. Agora, Michael pela polivalência e Maylson pela habilidade e velocidade poderiam trazer mais-valia ao grupo. Dos efetivamente aproveitáveis sobrou Henrique. Cria da própria base de Lusa, é um meia interessante. Rápido, habilidoso e bastante participativo. Boa arma para abrir brechas na defesa adversária.

ATACANTE - Vandinho, Rodriguinho, Ananias, Ricardo Jesus, Wilson Junior - Vandinho está entre os afastados. No currículo, empréstimos apagados por São Paulo e Flamengo. A fama de matador fica escondida diante de tantos clubes que já visitou. Ao que parece, ou tem problemas de adaptação ou é ruim mesmo. Ananias é o motorzinho do ataque. Pode atuar mais recuado e jogar como Henrique. Ricardo Jesus foi o 3º artilheiro da Série-B em 2011 pela Ponte Preta. Contratado para ser o homem-gol da Lusa, o centroavante é um tanto irregular. É capaz de fazer dois gols no jogo e desperdiçar outras dezenas. Rodriguinho, segundo atacante e ex-Fluminense, fecha o setor.

TÉCNICO - Geninho - Campeão Brasileiro em 2001 com o Atlético-PR. Eis o feito da carreira do experiente treinador. Experiência. Isso é tudo que Geninho tem a oferecer para uma Lusa em crise. Médio. Não banca o 'Professor Pardal' mas está longe de ser um estrategista nato. Desde 2004 tem uma média de dirigir 2 clubes por ano. Nem sempre pelo bom trabalho. Invariavelmente por não mais conseguir bons resultados. Pelas circunstâncias, é possível que Geninho possa organizar a Portuguesa, porém, não há material humano que o faça traçar grandes planos. Ou seja, se não fizer milagre, está com a corda no pescoço.

ANÁLISE GERAL - É bem verdade que a Lusa 2012 mudou consideravelmente em relação à Barcelusa 2011. As saídas de Mateus, Marco Antonio e Edno aliadas à falta de planejamento da diretoria em trazer reforços de qualidade começaram a render prejuízos logo no primeiro semestre. O elenco tem alguns valores individuais, principalmente nas laterais, ao meu ver. Falta mais pegada no meio, mais um meia de criação e outro matador que seja opção a Ricardo Jesus. A chegada de Geninho às vésperas do Brasileirão não é de todo animador. O time será montado às pressas e a base de muita pressão.

RESULTADO - Se no Paulistão não foi capaz de ficar entre os 8 melhores, como esperar algo melhor na principal competição do país? A inesperada queda no estadual, a saída de Jorginho e as ameaças a Guilherme compõem o turbulento cenário que Candinho, novo diretor de futebol, e Geninho terão que contornar para manter a Lusa na Série-A. Ou seja, brigará feio para não cair.


sábado, 21 de abril de 2012

Análise de Elenco - Ponte Preta

Estaduais entrando na reta final e com eles nossa seção 'Análise de Elenco' também vai chegando ao fim. No clima das quartas-de-final do Paulistão que começam neste domingo, mais um clube paulista será protagonista aqui n'O Boteco.

A Ponte Preta, recém-promovida à Série A, fez a 8ª melhor campanha do Paulistão e vai encarar o Corinthians. Pode não ser a Macaca de outros tempos, mas costuma vender caro suas derrotas. Mostrou estrela na Copa do Brasil ao despachar o Atlético-GO nos pênaltis e vai encarar outra potência estadual no torneio, o São Paulo.

Se o destino no Paulistão e na Copa do Brasil tendem a ser a eliminação diante dos favoritos grandes de São Paulo, vejamos se o torcedor pode sonhar alto no segundo semestre:


GOLEIROS: Lauro, Bruno Fuso, Felipe, Reynaldo - Lauro, que apareceu para o futebol na própria Ponte, estava no Inter. No Colorado, nunca foi unanimidade. No entanto, quem é unanimidade no gol do Inter hoje? Enfim, experiente, alto, Lauro não faz feio. Só que falha com muita frequência. É capaz de uma partida espetacular e outra pífia. Não é regular e não transmite "aquela" segurança. Bruno ganhou a posição recentemente e teve boa atuação na partida que classificou a Macaca às oitavas-de-final da Copa do Brasil. O trunfo sobre o Atlético-GO deu moral e Bruno não compromete sob as traves, embora ainda não tenha demonstrado ser acima da média.

ZAGUEIROS - Diego Sacoman, Ferron, Gian, Wescley - Rodada. Diego Sacoman, cria do Corinthians, destacou-se no Ceará. Ágil e bastante técnico, também é forte no jogo aéreo. Gian apareceu bem no Ipatinga em 2008 e foi campeão da Série B no Vasco na temporada seguinte. É mais limitado, mas compõe bem o setor. Wescley e Ferron ao meu ver, estão mais abaixo e são opções mais preocupantes. Como dito, são zagueiros rodados, porém é preciso reforços urgentes no setor.

LATERAIS - Cicinho, Renan, Guilherme, Uendel - Sinceramente, não vejo grande potencial nas laterais da Macaca. Contudo, esse Uendel, lateral-esquerdo, é muito bom lateral. Forte no apoio, rápido e habilidoso, é uma arma constante nas investidas ofensivas da Ponte. Já os demais jogadores, ao meu ver, são simplesmente regulares.

VOLANTES - Agenor, João, Lucas, Sandro Silva, Xaves, Somália, Willian Magrão - Há alguns nomes interessantes. Xaves, ex-Atlético Mineiro, não é mau marcador. Supre a limitação técnica com bastante disposição e força na marcação. Agenor veio do Atlético-GO e é um jogador regular em todos os sentidos. Não compromete e nem se trata de um grande craque. Compõe bem e auxilia bem na distribuição de jogo. Somália, aquele ex-Botafogo e da lorota do sequestro, não é mau jogador. Corria o meio-campo durante todo o jogo e participava bem tanto atrás como na frente. Magrão veio do Grêmio com status mas não se firmou. É bom volante, principalmente na marcação. Encontrou alguma dificuldade neste início de temporada e tem atuado na zaga. Embora não renda o esperado, creio que seria o homem ideal a compor o meio da Macaca. João Paulo é outra opção interessante.

MEIAS - Caio, Enrico, Renato Cajá, Gerson, Márcio Diogo, Nadson, Nikão, Tony - É um meio-campo bastante leve e criativo. Enrico e Renato Cajá tiveram experiências no Rio sem muito sucesso, mas são meias bastante incisivos, podendo até atuar como segundo atacante. Cajá é o grande nome do time. Rápido e homem das bolas paradas, dá o tom do ataque da Ponte. Caio é aquele meia que fez um bom Brasileirão 2010 pelo Avaí. Cadencia bem o jogo e arremata com qualidade. Nikão veio do Atlético-MG e acumula alguns empréstimos por Vitória e Bahia. Vai compor elenco. 

ATACANTES - Roger, Bruno Nunes, Charles, Leandrão, Maranhão, Rodrigo Pimpão, Rossi - Não são uma Brastemp mas tem alguma qualidade. Leandrão, ex-Inter, é um centroavante nato. Alto, referência na área e frio nas conclusões. Pimpão, ex-Vasco, após uma passagem pelo Japão chega para dar velocidade na articulação do ataque. E tem Roger, prata da casa que passou por São Paulo, Palmeiras, Vitória e até o rival Guarani. Tem faro de gol e protege bem a bola. Não vejo tanta bola no Roger, mas impressiona como seu futebol rende com a camisa da Ponte. 

TÉCNICO - Gilson Kleina - É um treinador relativamente jovem (44 anos), com certa experiência em times do 2º ou 3º escalão do futebol brasileiro. Tem feito um bom trabalho na Ponte, clube onde está desde o ano passado. Conquistou o acesso, classificou a equipe para a segunda fase do Paulistão e está nas oitavas-de-final da Copa do Brasil com um grupo de qualidade discutível. Mostra qualidade na montagem dos times e dá sinais de que em breve pode ter uma chance em um clube de ponta. Vale lembrar que recusou convite do Fluminense para ser "técnico tampão" até a chegada de Abel Braga.

ANÁLISE GERAL - Ao meu ver, o grupo é mediano. A zaga precisaria de, no mínimo, mais um nome de qualidade. Não há reservas capazes de passar confiança no miolo defensivo. As laterais também são sofríveis. O meio-campo conta alguns nomes interessantes, porém, resta esperar como Kleina vai organizar o time extraindo o melhor de suas qualidades. Se acertar e povoar o meio, pode sobreviver e permanecer na Série A, já que a zaga não inspira confiança nenhuma. Por fim, o ataque tem poucos valores. A esperança é que o conjunto e o sistema ofensivo consagre os bons centroavantes Leandrão e Roger.

RESULTADO - Por ter sido recém-promovida e contar com um grupo de jogadores rodados mas que não vingaram em clubes maiores, em tese, trata-se de um time médio. Será preciso verificar como a equipe responderá nos duelos contra os principais clubes do Brasil. Entretanto, a realidade é que, num primeiro momento, a Macaca briga para não cair e o que vier é lucro. 

sábado, 14 de abril de 2012

Análise de Elenco - Palmeiras

Entrando na reta final da seção "Análise de Elenco", chegou o momento de discutirmos um dos clubes mais tradicionais do Brasil. Octacampeão nacional, o Palmeiras não vence o Brasileirão desde o bicampeonato em 93-94. Nos últimos anos, afundado em crises políticas e em atrito constante com a torcida, o Verdão tem sofrido para emplacar resultados expressivos.

Para apagar a imagem de "cavalo paraguaio" e cansado do papel de coadjuvante que vem exercendo, o Verdão apresentou alguma melhora esta temporada. No amistoso contra o Ajax fiquei com a impressão de que o time dificilmente emplacaria (ler mais aqui). Contudo, o que se viu foi uma melhora significativa promovida pela chegada de reforços pontuais e um bom trabalho de Scolari na compactação da equipe.

Ainda que a impressionante marca de 22 partidas de invencibilidade tenha sido quebrada justamente no clássico contra o Corinthians, única partida na qual a equipe realmente sofreu um apagão (relembre aqui), o Verdão correspondeu bem nos confrontos contra São Paulo (eletrizante empate) e Santos (virada espetacular).

Embora tenha caído de produção e possa ficar fora do G4 do Paulistão, Felipão fez o Palmeiras ser novamente visto com respeito pelos adversários e será pedra no sapato de quem o enfrentar nas quartas-de-final do Estadual. E a Copa do Brasil que aguarde, pois aí vem o Palmeiras!


GOLEIROS - Bruno, Deola, Pegorari, Raphael Alemão, Fábio - A escola palmeirense de goleiros é sensacional. Não me recordo de olhar para o gol verde e achar o arqueiro médio. Com a aposentadoria de Marcos, Deola segue na titularidade. Não tem a mesma estrela do ídolo eterno, mas está acima da média nacional. Bons reflexos, boa saída de gol, Deola falha muito pouco e não transmite insegurança sob as traves. Bruno é um bom reserva. Contudo, nunca conseguiu uma boa sequência de jogos para se firmar. Atrás de Marcos e Deola, Bruno até foi emprestado para a Lusa ano passado, mas não atuou pelo clube do Canindé. Assim, pela notória falta de ritmo, cria-se certa desconfiança natural. Quanto aos garotos, destaca-se Raphael Alemão, tido como próxima grande promessa para o gol palestrino.

LATERAIS - Cicinho, Artur, Juninho, Gerley - Muito bons! Cicinho apoia, passa e distribui o jogo com a qualidade de um meia-direita, embora seja um tanto deficiente na marcação. Artur chegou no clube e deu à Felipão uma melhor alternativa defensiva. Artur mostrou ser perigoso na bola aérea e bom posicionamento. O lado direito está bem servido. Já o esquerdo conta com Juninho, ex-Figueirense, e Gerley não é um bom substituto. Juninho é rápido, habilidoso e participa efetivamente das tramas ofensivas, ora com assistências, ora com gols. Ataca melhor mas não faz feio quando recompõe defensivamente.

ZAGUEIROS - Henrique, Luciano Amaro, Román, Thiago Heleno, Maurício Ramos, Wellington - Estáveis. Com Thiago Heleno afastado por lesão, Leandro Amaro tem sido titular ao lado de Henrique. Foram uma boa dupla, ainda que Leandro Amaro não passe confiança alguma, ao meu ver. Um tanto estabanado, comete alguns erros bobos de posicionamento ou de tempo de bola. Subiu de produção, mas, particularmente, não gosto dele. Henrique é muito bom. Seguro, técnico, bom cabeceio e desarme, é 70% da defesa. Román chegou esta temporada e tem sido opção de banco. Não jogou tanto, prefiro não arriscar dizendo que deve ser, no mínimo, melhor que Amaro. Maurício Ramos eu entendo que seria a melhor opção para a dupla com Henrique. Embora seja mais lento, não deixava a desejar nos desarmes, no posicionamento e até na presença no jogo aéreo.

VOLANTES - Márcio Araújo, Wesley, Marcos Assunção, Chico, João Vitor - À parte a contusão grave que o recém-chegado Wesley, era um bom reforço. Não era tudo isso que a imprensa pintou, porém era um baita reforço para o meio. Marca bem, apoia bem, rápido. Enfim, ficou para o ano que vem. Entendo que Felipão mas milagre com volantes limitados. Márcio Araújo, regular, sobra em disposição física. Corre o campo todo, a partida inteira. Marca bem, mesmo estando longe de ser um grande nome da posição. Chico dificilmente atua. Poderia ser um bom cão-de-guarda. Alto, bom marcador, pode inclusive atuar de 3º zagueiro. É visto com ressalvas. João Vitor subiu muito de produção. É a versão piorada do Wesley e faz algo parecido com o que Márcio Araújo faz, só que pelo lado direito. Marca, distribui, auxilia o ataque. Discreto, joga para o time. Faz o feijão-com-arroz sem encher os olhos. Por fim, o interminável Marcos Assunção. Não tem o vigor físico de outrora. Ou seja, não é mais um marcador exímio ou um apoiador nato. No entanto, posiciona-se muito bem e usa a experiência para ora marcar, ora cadenciar o jogo na meia-cancha palestrina. Passes, lançamentos e, sobretudo, a bola parada fazem de Assunção peça fundamental nesse meio-campo.

MEIAS - Valdívia, Tinga, Pedro Carmona, Patrik, Daniel Carvalho - Valdivia, ídolo chileno, joga uma, duas e para. Joga mais algumas e para. Seu retorno ainda é algo emblemático para o palmeirense. Quando joga, mostra o que já se sabe dele. Habilidoso, bom passador, organiza bem o ataque, arrisca alguns chutes. Não faz feio. 100%, é um dos melhores meias do Brasil, com certeza. Daniel Carvalho foi uma grata surpresa. Vindo do Atlético-MG, a ex-promessa do Inter deu nova pitada de qualidade no meio. Apesar da notória limitação física, Daniel Carvalho tem um passe apurado e uma boa visão de jogo. Além de bater na bola com qualidade. Diante das ausências de Valdívia, Carvalho não faz o torcedor sentir-se órfão em campo. Entretanto, não há bons reservas. Entendo que Carmona poderia ser o meia a entrar e mudar uma partida. Rápido, habilidoso...mas tem alguma dificuldade no passe e na conclusão. Patrik se esforça, mas não tem virtudes que igualam Daniel ou Valdívia. Tinga, que ora atua mais recuado, ora mais avançado, perdeu espaço e pode ser negociado.

ATACANTES - Maikon Leite, Ricardo Bueno, Fernandão, Luan, Vinícius, Barcos - Poucas opções de qualidade. Barcos, o Pirata, conquistou a simpatia da torcida durante o Paulistão. Jogador simples, posiciona-se bem e conclui com frieza tanto pelo alto como pelo chão. Além da qualidade na finalização, também faz um bom pivô e boas tabelas em torno da área adversária. Maikon Leite é o homem da velocidade. Rápido, puxa contra-ataques e abre espaços na zaga inimiga. Precisa apurar mais a finalização. Luan, lesionado, era titular pela função tática que desempenhava. Mesmo sendo atacante, recuava para compor o meio e saída em velocidade para o ataque. Sacrificado pela tática imposta pelo treinador, é alvo constante de críticas da torcida por não fazer o básico como atacantes: finalizar com qualidade. Ricardo Bueno e Fernandão são ruins. Fernandão ainda teve um lapso de ídolo quando fez um gol em sua estreia justo contra o Corinthians. Colaborou ao anotar outro contra o Santos. Contudo, as atuações irregulares podem não segurá-lo do grupo. Vinícius, promessa, ainda precisa ser melhor testado. 

TÉCNICO - Luiz Felipe Scolari - Felipão já viveu seus melhores dias. Conquistou a América com Grêmio e Palmeiras, e o Mundo ao comandar a Seleção do Pentacampeonato. Depois da ótima passagem pela Seleção Portuguesa, Scolari não foi bem no Chelsea e fez seu pé-de-meia no Usbequistão. Voltou ao Palmeiras e ainda luta para conseguir um bom elenco e fazer o time brigar efetivamente por títulos. É ótimo treinador, no entanto, sofre com a falta de jogadores de qualidade no grupo palestrino. Ao meu ver, dentro da limitação do elenco, Felipão tira leite de pedra e faz um trabalho aceitável. Experiente, motivador, mesmo com a tendência defensiva consegue armar ataques perigosos.

ANÁLISE GERAL - Vejo o Palmeiras com um grande trunfo: Felipão. Apesar do momento instável, Scolari fez o time jogar bem e ser respeitado durante boa parte do Estadual e está mais vivo do que nunca na Copa do Brasil. Defensivamente, o time não é ruim. Entendo que falta um melhor nome para compor a zaga mas, na essência, é segura e regular. Bons laterais. Todavia, para o Brasileirão, creio que faltam melhores opções para a criação ofensiva e para o ataque. Valdívia se lesiona demais, Daniel Carvalho não tem o preparo físico de juvenil. Sem eles, não há quem possa quebrar um galho. Não há substituto à altura. Barcos idem. Enquanto Luan e Maikon Leite podem até, de certo modo, serem equivalentes, não há outro matador como o Pirata. 

RESULTADO - O futebol consiste em uma simples lógica: gols. A ausência de peças de melhor qualidade pode custar caro ao Palmeiras. Contudo, Felipão tem conseguido dar compactação ao time. Se emplacar boa regularidade defensiva e aproveitar bem as oportunidades na frente, pode surpreender. Mesmo sem vislumbrar bons reservas, vejo o Palmeiras brigando diretamente por uma vaga na Libertadores dificilmente algo além disso. 


Esse foi o Verdão. Para acompanhar mais Análises de Elenco, basta verificar onde seu time está na ordem alfabética ou clicar aqui.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Análise de Elenco - Náutico

Dando seguimento à saga na qual desmistificamos os 20 elencos que disputarão o Brasileirão-12, viajamos a Pernambuco para analisar o time do Náutico. Desde 2009 o Estado não tinha representantes na Série-A. Curiosamente, Náutico e Sport, que foram rebaixados naquele ano, retornam juntos à elite do futebol nacional.

Em primeiro lugar, peço desculpas pela precariedade do post. Confesso, o Náutico superou o Figueirense no quesito dificuldade em buscar informações sobre o elenco. O site oficial, aparentemente, não está devidamente atualizado. Busquei alternativas, como outros sites sobre o clube e até a versátil Wikipédia. Fato é que há muitos atletas desconhecidos.

A campanha mediana no Campeonato Pernambucano, torneio no qual ocupa a 4ª colocação com 35 pontos (12 pontos atrás do líder Sport), não diz muito sobre a real força do time, que sofreu bastante com dispensas e más reposições. Vale destaque que, ao menos, o Náutico ainda vive na Copa do Brasil e enfrentará o Fortaleza na 2ª fase. Páreo duro!

Enfim, vamos logo checar o que o Timbu prepara para o Brasileirão:


GOLEIROS - Gideão, Rodrigo Carvalho e Felipe - Depois de perder Gledson, o time busca alguém para ocupar a camisa 1 com qualidade. O novo contratado para a posição é bem conhecido aqui por São Paulo. Felipe, ex-Santos, era titular do Peixe até perder a posição para Rafael. Durante uma polêmica com torcedores, foi chamado de "mão de alface". Começou bem, mas começou a falhar toscamente e naturalmente perdeu espaço. Na minha opinião, não faz jus a este apelido. Mas está longe de ser um paredão. Teve uma boa campanha no rebaixado Avaí. 

ZAGUEIROS - Diego Bispo, Cesinha, Ronaldo Alves, Ronaldo Conceição, Marlon, Gustavo - Os Ronaldos chegaram do Inter. Conceição mal jogou pelo Colorado. Alves apareceu bem ao lado de Moledo mas também sofreu algumas lesões e perdeu espaço. Não são zagueiros ruins. Rebatedores, úteis. A cara do futebol nordestino, de zagueiros mais vigorosos. Marlon, ex-Flamengo, não vingou no Rio, porém, está se saindo bem na zaga do Timbu. Cesinha, ex-Santo André e Vasco, chega para dar mais força e experiência ao setor. Boa contratação.

LATERAIS - Marquinho, João Ananias, Jefferson, Wellington - Marquinho surgiu na Ponte Preta, passou pelo futebol carioca, Vasco e Fluminense, inclusive, e agora chega ao Náutico para mostrar serviço. Pouco destaque pelos clubes onde passou. Já Jefferson jogou pelo Palmeiras e foi alvo de uma chuva de críticas pelas péssimas atuações. Extremamente limitado. 

VOLANTES - Auremir, Derley, Elicarlos, Lenon, Souza, Helder, Ramirez - Derley, mais uma cria do Inter,  apareceu bem mas não teve muitas oportunidades em razão do elenco lá estar repleto de jogadores para o setor. Elicarlos fez boas temporadas pelo Cruzeiro, no entanto, é simplesmente regular. Não enche os olhos e, ao meu ver, não compromete. Compõe bem defensivamente e distribui com simplicidade. Souza despontou no Palmeiras e colecionou empréstimos por Ponte Preta e São Caetano. Sinceramente, não acho mal jogador. Volante voluntarioso, bom preparo físico, coopera bastante no combate na meia-cancha. Lenon, mesmo vindo do Flamengo, pouco notei seu futebol.

MEIAS - Eduardo Ramos, Ramon, Cascata, Phillip - Dois meias chamam a atenção. Eduardo Ramos, ex-Corinthians, cansou de sofrer lesões e acumular empréstimos. Jogador mediano. Contudo, fez bons jogos pelo Sport, que rendeu a transferência para o Timbu, e o rendimento continuou subindo. Bom passe, municia bem o ataque e tem boa bola parada. Ramon surgiu no Atlético Mineiro junto com Tchô, diziam ser dois meias fabulosos e promissores para o futebol brasileiro. Pois é, balela. Ramon também passou apagado pelo Timão, tentou a vida no CSKA, voltou para o Brasil, foi emprestado algumas vezes e eis que chega no Náutico. A "ciganice" faz seu desempenho ser altamente questionável. Entretanto, é inegável que trará mais-valia ao plantel do Timbu, além de habilidade e velocidade.

ATACANTES - Rodrigo Tiuí, Siloé, Rogério, Piauí, Henrique, Dorielton, Leo Santos - O ataque tem sido inconstante. Todos os nomes, para mim, são desconhecidos e de potencial altamente duvidoso. Até mesmo Rodrigo Tiuí, ex-Fluminense e Santos, que se destacou pela velocidade nunca foi lá essas coisas. O setor precisa de reforços urgentes. Sem Kieza, matador do Timbu, a equipe ainda busca uma referência.

TÉCNICO - Levi Gomes (interino) - Nesta semana, Waldemar Lemos foi dispensado. Em praticamente 11 meses no cargo, ajudou o Timbu a subir, mas não resistiu à série de 6 jogos sem vitórias. Nenhum comentário a tecer sobre o interino, ou mesmo sobre qualquer especulação em torno de substituto. 

ANÁLISE GERAL - Pouco jogadores conhecidos. Os poucos jogadores conhecidos são regulares, médios. A diretoria decapitou o técnico a pouco mais de um mês do Brasileirão e terá que reformular seriamente o elenco se quiser sobreviver na principal competição nacional.

RESULTADO - Elenco pobre, limitado, sem técnico e, ao meu ver, com rumo certo: a zona da degola. Vai brigar para não cair.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Análise de Elenco - Internacional

Quis o acaso - e a ordem alfabética - que o Internacional seja o próximo time a ser posto na mesa d'O Boteco. Após o lado azul, vamos ao lado vermelho do Rio Grande do Sul.

Lembrando que o Inter segue vivo na luta por uma vaga na Libertadores e, a exemplo do maior rival, também busca superação no 2º turno do Campeonato Gaúcho. Tem um dos melhores elencos um dos técnicos mais cobiçados do país.

Vamos logo ao que interessa, eis o elenco colorado para o Brasileirão-12:


GOLEIROS - Renan, Muriel, Agenor, Alisson - Médios. Coincidentemente, todos formados na base do clube. Coincidentemente, todos razoáveis. Renan despontou como grande promessa mostrando um talento incrível sob as traves, sobretudo pela segurança que passava em suas atuações. No entanto, após ser negociado com o Valencia, perdeu espaço, foi repassado ao Xerez e retornou ao Inter muito abaixo de quando saiu. Instável e falhando muito, o gol do Inter passou a ser um grande ponto de interrogação desde a saída de Clemer. Muriel e Agenor curtem a onda de instabilidade e brigam em pé de igualdade com a ex-promessa. Muriel tem se dado melhor. Porém, não é um grande goleiro. Tem lá seu valor, mas está longe de passar segurança e ser uma unanimidade na torcida. Agenor não está longe dos rivais de posição. Ou seja, setor meramente mediano.

ZAGUEIROS - Bolívar, Índio, Rodrigo Moledo, Dalton, Romário - Boas opções. Bolívar e Índio são os mais experientes do grupo. Mais lentos, primam pela disposição e raça ao combater os avantes adversários. Alternam a titularidade conforme a situação. Embora não estejam na melhor forma, Índio ainda está em alta com a torcida. Bolívar não repetiu as boas atuações que o consagraram no bicampeonato da América (06-10) e já entrou na mira da torcida pelas fracas atuações. Ao meu ver, ainda assim é bom zagueiro e compõe bem o grupo. Moledo é outro monstro na zaga. Alto, forte e firme nos desarmes. Bom posicionamento e no jogo aéreo. Dalton e Romário são zagueiros promissores com passagens pelas Seleções de base. Podem ser úteis.

LATERAIS - Kleber, Fabrício, Lima, Nei - Nei é o dono da lateral-direita sem reserva à altura. Não é mau lateral, muito pelo contrário. Diante da escassez de bons nomes, Nei faz do Inter um privilegiado em contar com um especialista na posição. Rápido, ótima na bola parada e nos cruzamentos, Nei apoia bem e defende na mesma proporção. Pode não ter nível de seleção, mas também não compromete. Kleber reina do lado esquerdo. Cruzamentos sempre venenosos, prima pela qualidade no apoio ao ataque. Passa bem a bola e participa bem nas tramas ofensivas. Não marca tão bem, embora componha bem o setor defensivamente. Fabrício, que veio da Portuguesa, é bom reserva para Kleber. Muito veloz e perigoso no ataque, peca pela qualidade defensiva, funcionamento melhor como ala.

VOLANTES - Bolatti, Elton, Fransérgio, Guiñazu, Josimar, Sandro Silva - Pegadores. Bolatti veio da Fiorentina para unir-se aos hermanos D'alessandro, Guiñazu e Dátolo (recém-contratado). Marcação e posicionamento ótimos à frente da área e não faz feio na distribuição do jogo. Guiñazu, mesmo aos 33 anos, esbanja raça e disposição na marcação. Um leão no meio-campo colorado. Fransérgio chegou do Atlético-PR e, embora seja mais limitado, não é mau jogador. Elton tem aparecido bem e mostrado qualidade para compor o grupo. Sandro Silva, ex-Palmeiras, veio do Málaga ano passado. Considero-o ótima opção seja para os 11 iniciais, seja como reserva imediato. Além de marcar com qualidade, usa seu vigor físico para comparecer bem no ataque. Faz o feijão-com-arroz que todo técnico gosta e a torcida aprova.

MEIAS - D'Alessandro, Dátolo, Jajá, João Paulo, Oscar, Tinga, Zé Mário - Simplesmente ótimos. D'Alessandro, 'enjoado' meia argentino, habilidoso e catimbeiro, arma e finaliza como poucos. É o termômetro da equipe na criação. Dátolo chega para melhorar - e como! - o passe na meia-cancha. Fecha bem na marcação e também participa ativamente das tramas ofensivas. Tinga, experiente ídolo colorado, já não tem a mesma disposição para atuar como volante. Tem jogado mais avançado, mais próximo ao ataque. A qualidade no passe e nos deslocamentos continuam acima da média. Mesmo sem o vigor físico que o consagrou em 2006 na campanha do 1º título da Libertadores, Tinga ainda é peça de qualidade no meio-campo. Oscar é um meia incrivelmente talentoso com passagens pela Seleções de base. Dono de ótimo passe, visão de jogo apurada e remates certeiros, vive o imbróglio jurídico decorrente da sua saída do São Paulo. Faz imensa falta na armação. Por fim, Jajá, aos 26 anos já é um cigano da bola. Coleciona passagens por diversos clubes no exterior e este no Flamengo em 2007. Alto, mostrou ser rápido, ágil e muito bom nas conclusões. Boa contratação!

ATACANTES - Dagoberto, Gilberto, Marcos Aurélio, Leandro Damião, Jô - Dagoberto chegou do São Paulo esta temporada. Rápido e habilidoso, Dagoberto é um jogador de ciclos. Alterna grandes fases com direito a gols, assistências e ser protagonista do time, com períodos de forte descaso e comodismo na equipe. Parece que joga quando quer. Dá indícios de que é um talento desperdiçado. Ao mesmo tempo que é bom jogador, é relapso. Leandro Damião é o homem-gol colorado. Ótimo posicionamento e faro de gol apurado, Damião tem sido constantemente convocado para a Seleção Brasileira. Apesar de centroavante, desloca-se com facilidade e faz um bom pivô, boas tabelas pela área. Jô despontou no Corinthians e chegou como opção para o banco de Damião. Limitado, atualmente enfrenta alguns problemas disciplinares. O Inter venceu a concorrência do Corinthians e trouxe Gilberto, destaque do Santa Cruz. É um bom jogador. Rápido, arremata bem. É boa opção para o grupo. Marcos Aurélio fez seu nome no Coritiba. Rápido e inteligente, participa ativamente no ataque. Finaliza bem e arma bem o jogo. Atualmente está encostado, embora, na minha opinião, seja mais interessante tê-lo no banco do que Gilberto ou Jô.

TÉCNICO - Dorival Junior - Bom técnico. Dorival viveu a melhor fase de sua carreira até o momento no Santos em 2010 quando montou uma das equipes mais ofensivas e produtivas do Brasil. Levou o Paulistão e a Copa do Brasil daquele ano. Arma bem suas equipes, não teme em fazer alterações e não tem tiques retranqueiros. Mais experiente, pode encontrar no Inter a evolução que precisa para ser um técnico de ponta no cenário nacional.

ANÁLISE GERAL - Entendo que o Inter, ao lado do Corinthians, tem as melhores opções para o meio-campo do Brasil. Todo o elenco é equilibrado à exceção do gol. Zaga sólida, laterais equilibradas, meio pegador e criativo, ataque produtivo. Diante de tantos times "médios", o Inter pode encontrar na regularidade e qualidade do seu grupo o trunfo para, finalmente, triunfar no Brasileirão.

RESULTADO - Os colorados podem comemorar, pois a fase continua melhor que a do eterno rival. Vai brigar pelo título.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Análise de Elenco - Grêmio

Agora no Boteco iremos checar o lado azul do Rio Grande do Sul. O Grêmio não fez uma boa Taça Piratini (1º turno do Campeonato Gaúcho) e caiu nas semi-finais para o Caxias. Enquanto encaminha sua classificação para as finais da Taça Farroupilha, também move forças para voltar à Libertadores via Copa do Brasil. O próximo adversário na competição é o Ipatinga.

Mal começou o ano e o Tricolor Imortal já trocou de treinador (relembre aqui). Luxemburgo assume o posto deixado por Caio Junior e procura, além de colocar o Grêmio nos eixos, reencontrar os títulos que o consagraram como um dos melhores técnicos do Brasil.

Antes de analisar a equipe gremista, dedicamos o post de hoje ao ex-zagueiro Airton Pavilhão, um dos maiores ídolos do clube, que faleceu na tarde desta terça-feira. 


GOLEIROS - Busatto, Victor, Marcelo Grohe, Matheus - Victor, titular, já colecionou algumas convocações para a Seleção, porém, perdeu espaço no grupo canarinho. É bom goleiro, passa bastante segurança. Contudo, recentemente tem falhado com alguma frequência. Fase ruim à parte, cumpre bem seu papel. Tem potencial para projetar-se novamente como um dos principais goleiros do país. Grohe, reserva imediato, segue a tônica da maioria dos suplentes de qualquer time brasileiro. Não tem a mesma qualidade do camisa 1, mas não deixa a desejar. Busatto e Matheus, jovens, tem talento e podem despontar em breve.

LATERAIS - Edilson, Gabriel, Pará, Mario Fernandes, Julio Cesar - Bons nomes. A começar por Mário Fernandes, grande talento da lateral-direta, também pode atuar como zagueiro-central. É ótimo jogador! Marca bem, tem bom posicionamento e, mesmo não sendo seu forte, comparece relativamente bem no apoio. Gabriel não é mau jogador, porém tem sofrido com a falta de ritmo e sucessivas lesões. Peca na marcação mas apoia bem. Pela esquerda, Julio Cesar reina na posição. Rápido e habilidoso, rende melhor como ala, pois também tem alguma deficiência na marcação. Pará pode atuar em ambas laterais e até improvisado no meio-campo como volante. É limitado e esforçado. No Grêmio, sua disposição pode cativar alguns adeptos.

ZAGUEIROS - Grolli, Vilson, Saimon, Naldo, Pablo, Werley - Já foi melhor. Há poucos anos a zaga gremista tinha Réver, Léo, Rafael Marques. Hoje, é um setor mais fragilizado e irregular. Por vezes, Gilberto Silva é deslocado da cabeça-da-área para dar mais qualidade à posição. Muitos testes tem sido feitos para encontrar o miolo ideal. Naldo, ex-Cruzeiro, ao meu ver, é o melhor disparado. E olha que chovem críticas sobre ele! Vilson e Saimon são úteis, entretanto, como todo o setor, alternam bons jogos com alguns vacilos. Werley tem sido testado e não tem empolgado. Complicado apontar se é uma falha individual dos beques ou do sistema defensivo como um todo. Preocupa bastante.

VOLANTES - Fernando, Gilberto Silva, Leo Gago, Souza, Felipe Guedes - Carente. Dos principais nomes, Fernando, jovem promessa, é um leão na marcação. Realmente o menino joga muita bola. Desarmes e disposição ímpares. O veterano Gilberto Silva não é mais o mesmo, mas ainda dá um banho em quem está no grupo. Inclusive vai quebrar um galho na zaga. Líder, faz da experiência e da regularidade as plataformas para manter-se no time. Leo Gago veio do Coritiba e considero bom jogador. Voluntarioso e dono de um potente chute, pode surpreender nos tiros de fora de área e nas bolas paradas. Marca bem e distribui bem o jogo. Faz o feijão-com-arroz sem mais nem menos. 

MEIAS - Marco Antonio, Marquinhos, Bertoglio, Felipe Nunes - Faltam opções melhores. Marco Antonio, cria do São Paulo, fez uma boa temporada 2011 pela "Barcelusa". Chegou no Grêmio para melhorar a criação e a distribuição do jogo no meio-campo Imortal. Ainda não justificou sua contratação, apesar de ter um bom passe e também pegar bem na bola. O experiente Marquinhos nunca foi "aquele" protagonista por onde passou. Ainda assim é uma das peças mais lúcidas e interessantes da meia-cancha. Considero-o tão irregular quanto Marco Antonio, embora tenha mais "estrela" que o recém-chegado e consiga decidir um jogo aqui outro ali. Bertoglio, por fim, mal desembarcou no Olímpico e já conquistou os torcedores. Seu estilo rápido e aguerrido aliado às boas atuações logo conquistaram a torcida.

ATACANTES - André Lima, Kléber, Miralles, Marcelo Moreno, Leandro - Bom setor. Uma fatalidade tirou Kléber dos gramados por cerca de 4 meses. O tornozelo quebrado interrompeu uma série de boa atuações do Gladiador com a camisa Tricolor. Esbanjava seu estilo brigador e anotava seus gols. Perdia outros tantos, é verdade, mas o ataque ficava em evidência. Grande contratação e grande perda. Marcelo Moreno foi outra contratação cirúrgica para o setor. Rápido e oportunista, o boliviano deixou o ataque mais leve e mais perigoso. Com o retiro forçado de Kléber, é o principal nome do ataque. André Lima já viveu melhores dias. Centroavante médio, não chega a ser medíocre, mas está longe de ser um matador espetacular. Reserva razoável. Miralles não está longe de André Lima. Leandro, promessa, é veloz e sabe abrir espaços na zaga adversária. Boa alternativa para contra-ataques. 

TÉCNICO - Vanderlei Luxemburgo - Um dos melhores técnicos que o Brasil já viu não atravessa bom momento. Acumulou alguns fracassos e polêmicas por onde passou. Bem verdade, tem vivido os Estaduais conquistados, especialmente o Mineiro com o Galo em 2010 e o Carioca com o Flamengo em 2011***. Pode-se ver pelo lado positivo e dizer que foi o último tricampeão Paulista, tendo em vista que também levantou o caneco com o Santos em 2006 e 2007, e Palmeiras em 2008. Não fosse uma tendência a querer atacar de 'manager' e Luxemburgo não teria se sabotado tanto. Mesmo assim, ainda o considero um treinador acima da média. No entanto, não vejo liga entre seu estilo e a escola do Grêmio.

ANÁLISE GERAL - O time é mediano. Minto. O elenco é mediano. É possível fazer um time bastante competitivo. A zaga e o sistema defensivo como um todo é fraco, precisa de reforços e reparos urgentes. O meio-campo também precisa de ajustes para acertar a criação. Só o ataque e a lateral equilibrada escapam da chuva de críticas. Luxemburgo não tem muito material humano para fazer o torcedor sonhar tão alto.

RESULTADO - Diante de tantas limitações, ou o Grêmio se reforça - e bem - para o Brasileirão ou vai ficar pela zona intermediária, palpite aqui do blog. 

***corrigido após a intervenção providencial de Douglas Nacif.

Para acompanhar mais Análises de Elenco basta clicar aqui. Lembrando que a seção está sendo elaborada em ordem alfabética.

sábado, 31 de março de 2012

Análise de Elenco - Fluminense

Campeão em 2010, 3º colocado em 2011, um ataque avassalador, um camisa 9 capitão-artilheiro-líder-ídolo-tudo, o único 100% na Copa Libertadores até o momento e campeão da Taça Guanabara. Em suma, Fluminense.

Há dois anos o futebol carioca está em ascensão. O Brasileirão foi para o Rio em 2009 e 2010, no ano passado, emplacaram 3 clubes dentre os 4 primeiros. E o Fluminense é quem aproveita a maré boa para sonhar alto. Aposta suas fichas na Libertadores com um elenco bem servido em todas os setores. No banco, Abel comanda uma das equipes mais endinheiradas do país, que investe pesado acreditando no retorno.

Vejamos a fundo o que o Fluminense reserva para o Brasileirão:


GOLEIROS - Diego Cavalieri, Ricardo Berna, Klever e Leo - Cavalieri, revelado no Palmeiras, é o titular. Após uma fracassada passagem pelo Liverpool, desembarcou nas Laranjeiras para assumir a instável camisa 1. Depois de um forte rodízio na titularidade e um início abaixo da crítica, Cavalieri deu a volta por cima e mostra a segurança que o destacou no futebol. Não há dúvida que é um bom goleiro. Bons reflexos, bom posicionamento. Tem alguma dificuldade na saída de gol, comete alguns deslizes mas evoluiu, o gol está bem protegido. Berna já viveu seus dias de heroi. E de vilão. No banco, de longe faz sombra a Cavalieri. Para o banco, serve. 

LATERAIS - Bruno, Thiago Carleto, Stéfano, Carlinhos, Wallace - Bruno, recém-chegado do Figueirense, não faz a torcida sentir saudades de Mariano. Compõe bem e auxilia o ataque com qualidade. Regular, não compromete. Wallace, promessa de Xerém, é visto como o "Marcelo da direita", em alusão ao lateral-esquerdo do Real Madrid, cria da base do Flu. Pelo lado esquerdo, Carleto e Carlinhos brigam pela vaga. Carleto surgiu bem no Santos, passou apagado pela Espanha, não se firmou no São Paulo e começou bem no Tricolor Carioca. Rápido e portador de um potente chute de canhota, apenas peca pela falta de vocação defensiva. Carlinhos é mais equilibrado, mas também prega alguns sustos na defesa. Aparece bem no ataque e recompõe melhor.

ZAGUEIROS - Gum, Leandro Euzébio, Anderson, Digão, Elivélton, Márcio Rosário - Paredão. Todos altos e fortes, verdadeiros muros. Uns mais rápidos e lúcidos. Outros mais limitados. Mas todos puxados para o estilo rebatedor e fortes no jogo aéreo. Gum e Leandro Euzébio eram titulares. Faziam uma dupla sólida, embora batessem cabeça uma vez ou outra. Anderson chegou do Atlético-GO e ganhou uma vaga. Com muita raça e disciplina tática, desarma com precisão e se posiciona bem. Esses três estão um degrau acima dos reservas. Márcio Rosário e Digão não inspiram tanta confiança, mas não destoam tanto do trio titular. Vejo bem postada essa zaga do Tricolor.

VOLANTES - Jean, Diguinho, Edinho, Fábio, Ewerton, Valencia - Edinho e Valencia são os carrapatos, encarregados pelo trabalho sujo da marcação. Edinho pode até ser recuado para atuar como zagueiro, eventualmente. São bons marcadores. Entretanto, apenas bons. Nada além disso. O colombiano é uma versão mais rápida de Edinho e que sai com mais qualidade. No mais, são bem parecidos. Jean, ex-São Paulo, fez de tudo um pouco e não se especializou em nada. Volante de formação, tem boa saída de jogo, mas sem tanto vigor na marcação. Os tempos de improvisação na lateral do clube paulista mostraram sua deficiência na marcação e falta de efetividade no apoio. Tem sérios problemas de finalização de fora-da-área, trunfo importante para volantes. Diguinho. Eu, particularmente, gosto dele. Faz o simples: desarma bem e sai para o jogo com simplicidade. 

MEIAS - Deco, Thiago Neves, Lanzini, Souza, Wágner, Wellington Nem, Lucas Patinho - A criação mora aqui. Deco, mesmo sem o vigor físico da juventude, dá o tom da meia-cancha. Passa a bola e cadencia o jogo como poucos. Thiago Neves é formidável. Apoiador perigosíssimo nos tiros de fora da área, na bola parada, nas rápidas tabelas e movimentações ao redor da intermediária adversária. Sua perna esquerda não cansa de fazer estrago. Wellington Nem voltou após boa temporada no Figueirense. Rápido e habilidoso, é útil ao abrir espaços na zaga rival. Wágner é uma versão mais lenta de Thiago Neves. Explodiu no Cruzeiro e ainda não encontrou a bola que o despontou em Minas. Todavia, tem características parecidas, como a qualidade no passe, no chute e na bola parada. Lanzini é um promissor meia argentino que fica em segundo plano diante da qualidade dos companheiros. Costuma ser opção de banco e nem sempre consegue dar novo tom ao jogo. Souza anda esquecido, mas é muito útil. Polivalente, pode atuar como ala e segundo volante. Habilidoso, também é boa opção para bolas paradas, principalmente nos cruzamentos. 

ATACANTES - Fred, Rafael Sóbis, Rafael Moura, Araújo, Matheus Carvalho, Samuel - Grandes opções. Fred dispensa comentários. É o grande nome deste guerreiro Fluminense. Goleador, capitão e ídolo, sua regularidade encontra-se nas atuações em alto nível. Sóbis, grande segundo atacante, parte para cima da zaga e finaliza com frieza. Rápido, puxa contra-ataques e costuma organizar boas jogadas de ataque. Rafael Moura, o He-Man, não faz feio mesmo no banco. Autêntico homem de área, usa sua força para se posicionar bem na área e concluir com qualidade. Boa referência para jogadas aéreas. Araújo, veterano, é segundo atacante que pode até atuar mais recuado. Distribui bem o jogo e também finaliza bem, embora esteja mais abaixo que os primeiros companheiros. 

TÉCNICO - Abel Braga - Campeão da Libertadores e do Mundo com o Inter em 2006, Abel provou que é bom treinador. Arma bem seus times, embora tenha uns tiques de Joel e queira travar a vocação ofensiva desta máquina de atacar que é o Fluminense. Está fazendo um ótimo trabalho no Tricolor Carioca. Apesar das cobranças da torcida, o time joga muito bem, não compromete e corresponde bem sob pressão. 

ANÁLISE GERAL - Só de ler os nomes já se nota que a parte ofensiva é extremamente perigosa. Com meias criativos e atacantes finalizadores por vocação, o Fluminense dificilmente não vai marcar um gol. O miolo de zaga agrada. É sólido e joga sério, sem sustos. Vejo certa falta de pegada no meio campo e um sistema defensivo fragilizado em razão disso e do cacoete ofensivo da lateral esquerda. No entanto, nada absurdamente preocupante. Ajustes podem solucionar esse problema.

RESULTADO - O momento que o Fluminense atravessa é especial. Tem elenco e qualidade para ir longe. Vai brigar pelo título.


Gostaram? Vejam outras análise de equipes clicando aqui.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Análise de Elenco - Flamengo

Agora na mesa d'O Boteco chegou a vez de apreciarmos o time brasileiro com maior torcida. O clube da massa, do amor, das crises, das confusões, de vexames, de viradas, de glórias, de tudo um muito. Exagero, afinal, "isso é Mengão!"

Flamengo é Flamengo. A força da torcida é capaz de embalar o time de maneira pouco vista, dando poder descomunal inclusive a equipes médias. Ultimamente, o amor e o ódio convivem. A chegada de Love, a Libertadores e a esperança em contar com Adriano em breve mobilizam a torcida favoravelmente. Porém, a instabilidade de Ronaldinho, os vacilos em casa, um meio-campo fragilizado e uma zaga ainda capenga frustram a apaixonada torcida.

Até o momento, o Flamengo foi derrotado nas semi-finais da Taça Guanabara mas está na briga por uma vaga nas finais da Taça Rio. O Botafogo lidera seu grupo com 13 pontos seguido de perto pelo rubro-negro e pelo Macaé, com 12 pontos. Campanha regular assim dizendo. Já na Libertadores, o Mengo segue bem vivo na luta pelo bi. Seu grupo está embolado mas há grandes chances de classificação.

Chega de lenga-lenga, vamos ver o que o Flamengo traz para o Brasileirão:


GOLEIROS - Felipe, Paulo Victor, César e Marcelo Carné - Bons goleiros. Felipe, polêmico e um tanto circense em suas defesas, protege bem o gol rubro-negro. Transmite segurança, catimba bem o jogo e, apesar de colecionar alguns rebaixamentos, firmou-se como um dos melhores goleiros do país. Paulo Victor  não é um mau reserva. Mas também não faz nada de extraordinário. Contudo, o garoto César tem futuro. Por coincidência, assisti à final da Copa São Paulo ano passado entre Flamengo e Bahia, com vitória rubro-negra por 2 a 1 e César encheu meus olhos. Mostrou um talento impressionante sob as traves. Olho nele! 

ZAGUEIROS - David Braz, Welinton, Frauches, Gustavo, González, Marllon - A zaga é boa, mas as pixotadas recentes, especialmente contra o Olímpia, no Engenhão, quando abriu 3 a 0 e permitiu a reação dos visitantes deixam o torcedor com uma pulga atrás da orelha. David Braz e Welinton foram uma dupla alta, vigorosa e forte na bola aérea. González, da Seleção Chilena, chegou para dar mais experiência e estabilidade ao setor composto por muitos jovens. Outro bom zagueiro. Os demais compõem o elenco sem a qualidade dos titulares, além de serem bem mais jovens. Por mais promissores que sejam, há juventude demais no miolo de zaga.

LATERAIS - Léo Moura, Galhardo, Digão, João Felipe, Junior Cesar, Magal, Rodrigo Alvim - Outro setor de qualidade. Léo Moura pela direita e Junior Cesar na esquerda são velozes e apoiam muito bem. Deixam a desejar um pouco na marcação e ocasionalmente abrem algumas avenidas, mas compensam pela disposição e presença ofensiva. Galhardo e Magal, respectivos reservas, são úteis. Entretanto, quebram um galho somente a curto prazo, ou seja, não comprometem enquanto durar uma suspensão por cartão, por exemplo. 

VOLANTES - Airton, Maldonado, Luiz Antonio, Muralha, Lorran, Rômulo, Williams - Todos inteiros são ótimos. Airton na proteção da zaga é um monstro. Alto, forte e pegador. Exagera na força em alguns momentos, é verdade. Williams, o carrapato. Desarma demais e sai para o jogo com simplicidade. Carrega o piano na meia-cancha. Maldonado já viveu melhor fase. Mais velho, vive no estaleiro e joga pouco. Muralha e Luiz Antonio, garotos, vão se acostumando a figurar no time principal e evoluem passo a passo. 

MEIAS - Renato Abreu, Adryan, Bottinelli, Camacho, Kleberson, Thomás - A versatilidade de meias e volantes que ora podem atuar mais recuados, ora mais avançados não esconde a dependência da equipe dos lampejos de Ronaldinho, que tem atuado mais à frente. Renato Abreu ajuda tanto na marcação quanto na distribuição do jogo, sem contar a qualidade na bola parada e nos arremates de fora da área. Bottinelli se esforça, contudo não é um meia cerebral. Conduz bem e chega bem no ataque mas é um tanto instável. Adryan e Thomás, promessas da base, são dois meias talentosos. Só que não tem suporte suficiente para assumir uma responsabilidade na qual ainda não é o momento adequado de aguentarem. Entradas esporádicas na equipe podem engrandecer os garotos e melhorar o rendimento da equipe. Kleberson vive situação parecida com a de Maldonado, todavia, tem mais estrela. Quando está em condições, rende bem e colabora positivamente para a equipe. Mostra que ainda tem lenha para queimar.

ATACANTES - Deivid, Diego Maurício, Negueba, Lucas, Ronaldinho, Vagner Love - Apesar dos altos e baixos de Ronaldinho e Deivid, não merecem ser subestimados. Ronaldinho, que já foi melhor do Mundo duas vezes, é craque. Embora seja um tanto desleixado, meio relapso dando a impressão de que joga quando quer, é diferenciado. O futebol brasileiro permite que seu talento desequilibre qualquer partida. Deivid, centroavante, é um matador em mau momento. Conhece bem da área, finaliza com qualidade, mas também desperdiça gols com frequência. O último vacilo do atacante até rendeu post especial (clique aqui). Ao contrário do que a torcida flamenguista canta e enaltece, o Flamengo não está na figura de Adriano. Está em Vagner Love. Sempre envolto a uma bela farra e uma polemicazinha o Artilheiro do Amor nunca deixou a desejar no campo. No Flamengo, vira protagonista de praticamente todas as tramas ofensivas, seja convertendo gols ou preparando jogadas. Atua bem tanto como segundo atacante quanto mais centralizado na área. Ótimo jogador. Negueba e Diego Maurício também equivalem à Adryan e Thomás. Promessas que  aos poucos são lançados no time titular, jogam nos mistões para poupar titulares, enfim. Contudo, ao meu ver, são bem limitados.

TÉCNICO - Joel Santana - Considero Joel um bom treinador. Sua mágica prancheta e seu jeitão de paizão falam bem com o elenco. Dificilmente Joel perde o controle do grupo. Entende muito de futebol. O problema é seu estilo. Mal comparando, é uma versão carioca do Tite. Trava o time e não consegue explorar o máximo do potencial ofensivo dos jogadores à disposição. Isso o sabotou no Cruzeiro, por exemplo. Além disso, a falta de títulos expressivos também pesa contra o treinador.

ANÁLISE GERAL - A base do Flamengo está em meia-cancha bem servida que alia experiência, força e qualidade na criação. O meio-campo equilibrado dá suporte ao ataque que conta com dois craques. As laterais também fazem a diferença. Contudo, o sistema defensivo deixa um pouco a desejar embora conte com boas peças. 

RESULTADO - O conjunto do Flamengo é forte e merece respeito. Mesmo instável, se embalar no Brasileirão, a torcida se encarrega de manter o time no topo. Há de se ressaltar o bom momento do futebol carioca com 3 representantes na Libertadores após terem ficado entre os 5 primeiros no Brasileirão. Pelo equilíbrio do elenco e pela evolução nos últimos campeonatos nacionais, não vejo o Flamengo fora da briga pelo título.

Seu time já passou pelo Boteco? Confira aqui as outras análises já feitas e que venha o Brasileirão!

sábado, 24 de março de 2012

Análise de Elenco - Figueirense

Chegou a vez do Figueirense entrar na roda d'O Boteco! No primeiro ano após o acesso conquistado em 2010, uma campanha sensacional em 2011 que levou à 7ª colocação com 58 pontos, somente 3 abaixo da zona da Libertadores, o Figueira luta para seguir evoluindo.

Trocou o comando técnico (saiu Jorginho e veio o ex-lateral-esquerdo Branco) e, a princípio, o trabalho do novo treinador agrada. No Campeonato Catarinense, a equipe venceu o primeiro turno e até o momento divide a liderança do segundo turno com o Joinville.

Por outro lado, perdeu peças importantes (praticamente meio time) como o lateral-esquerdo Juninho para o Palmeiras, os meias Maicon para o São Paulo e Wellington Nem, que retornou ao Fluminense, os zagueiros Edson Silva e Roger Carvalho. Enfim, será que o Figueira repete o desempenho do ano passado?


GOLEIROS - Ricardo, Wilson, Neto - Wilson, 5 anos de clube, titular, ídolo e, acima de tudo, um bom goleiro. Sempre bem posicionado e com reflexos apurados, Wilson falha muito pouco e tem grande desempenho sob as traves. Contudo, os reservas Ricardo e Neto não fazem sombra ao camisa 1. Portanto, sua ausência vai causar espanto.

LATERAIS - Helder, Leonardo Rodrigues, Pablo, Guilherme, Saldívar - A dupla que chegou de Minas saiu na frente pelas laterais. Pablo, ex-Cruzeiro, e Guilherme, ex-Galo, são os melhores mesmo. No entanto, em que pese serem os melhores, não significa que são acima da média. Saíram de clubes de maior projeção para ganhar experiência no emergente futebol do Figueirense. Saldívar ainda é uma incógnita. Helder surgiu no Grêmio e fez um bom Brasileirão-08, apesar dos altos e baixos. Passou por Bahia e Sertãozinho. Pode ser útil.  Não tenho informações consistentes sobre Leonardo Rodrigues.

ZAGUEIROS - João Paulo, Canuto, Fred, Guti - Uma zaga nova. A saída de Edson Silva e Roger Carvalho ainda não foi sentida, pois o Estadual não testa efetivamente o potencial desses atletas. Fred e Canuto chegaram esta temporada e começaram no time principal. A dupla agradou, até em razão da boa campanha até o momento. João Paulo, reserva imediato, pouco apareceu até o momento. Guti, vindo da base, fecha o setor como opção no elenco.

VOLANTES - Jackson, Coutinho, Túlio, Ygor, Sandro, Toró - Muita pegada. Túlio, ex-Botafogo, Corinthians e Grêmio, é limitado, mas é reconhecido pela raça, disposição e, digamos, virilidade na marcação. Ygor, cria do futebol carioca, passou por Vasco e Fluminense, passou apagado pela Lusa até parar no Figueirense. Bom marcador. Não é um primor e nem deixa a desejar. Faz sua parte com simplicidade. Mas não preza pela saída de jogo. Toró, também cria do Rio, foi bem no Fluminense e teve melhor fase no Flamengo, quando foi recuado para volante. Rápido, marca bem e tem qualidade no apoio. Um bom motor no meio-campo do Figueira.

MEIAS - Fernandes, Roni, Pittoni, Botti, Luiz Fernando, Deretti, Doriva, Guilherme Lazaroni - Carente. Fernandes é o principal articulador do time. O 10 toma conta da armação, das bolas paradas, da organização do ataque. Faz com muita competência, diga-se. Roni, recém-chegado, faz um bom início de temporada. Mostra velocidade, qualidade no passe, no arremate. Ótima opção. Doriva tem jogado mais recuado e feito a transição defesa-ataque. Botti, outro recém-chegado, tem aparecido bem quando entra na equipe. Não é um setor fraco, mas tem poucas boas opções. 

ATACANTES - Héber, Aloísio, Júlio César, Niell, Pottker - Interessantes. Júlio César, centroavante, fez um ótimo Brasileirão-11 e quase parou no Corinthians. Forte e frio nas finalizações, é o mais importante do ataque. Aloísio tem jogado bem. Nesta temporada colocou o próprio Júlio César em segundo plano. Alia velocidade e qualidade nas conclusões. Boa opção também. Niell, o baixinho argentino, apareceu no Argentinos Jrs., ano passado, ao fazer dois gols no Fluminense. Detalhe: de cabeça. "Enjoado" como todo atacante hermano, é rápido, abusado e tenta compensar a falta de estatura com muita garra e disposição. No momento, é a melhor opção de banco.

TÉCNICO - Branco - Ex-coordenador técnico do Fluminense, Branco desembarcou no Figueirense para provar a primeira experiência como técnico. Assume o lugar deixado por Jorginho, ex-parceiro de Dunga na Seleção Brasileira. Incógnita total. É inexperiente no comando. Porém, é boleiro. Vivenciou Copas e situações que ajudam a aproximar a realidade que viveu ao trato com os atletas. O começo de temporada é animador, empolga, mas não se pode criar expectativas demais com relação a isso. Até porque, como se sabe, os Estaduais são a pior armadilha para um time.

ANÁLISE GERAL - O time não é ruim. É limitado, porém, organizado. Prova disso é esse começo de ano proveitoso embora sob comando de um novo treinador. O meio campo defensivo é pegador. A meia de criação é mais contida. O setor defensivo como um todo é novo, carece de entrosamento e de boa apresentações contra equipes melhores. Em suma, o time precisa ser melhor testado. Certezas, apenas 3: Wilson, Fernandes e Júlio César.

RESULTADO - O Campeonato Catarinense é substancialmente fraco. O desempenho do Figueirense ser acima da média não enche os olhos de quem vê de fora. Por isso não há como medir a real força desta equipe que é completamente nova. A estrutura deixada pelo time que chegou ao honroso 7º lugar do Brasileirão não existe mais. Branco, o inexperiente treinador, inicia um trabalho literalmente "do zero" com um grupo renovado. Ao meu ver, esses fatores (desmanche + reformulação de elenco e de comando técnico) comprometem a evolução de um trabalho que havia sido muito bom em 2011. Assim, vejo dificuldades ao Figueirense em 2012 e, com este elenco, vai brigar para não cair.