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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Milagre do Galo

Conhecem a lenda do Galo de Barcelos, certo? Aquele galo português colorido, símbolo de sorte, felicidade, honestidade, etc e tal. Não? Bom, era uma vez a cidade de Barcelos e um crime misterioso que intrigava a população. Um peregrino foi acusado de ser o criminoso e de pronto foi condenado à forca. Enquanto tentava provar sua inocência, vislumbrou um galo assado sobre a mesa e bradou que era tão inocente a ponto de fazer o galo cantar. Pois quando ia ser enforcado, o galo levantou-se e cantou. Mas e a história do milagre do Galo de Itu, vocês conhecem?

Há uma semana, o Ituano nos pregou uma peça. Fez com que acreditássemos que poderia ser campeão paulista.  Evidente que qualquer homem médio partilhava das ponderações racionais de que o Santos era melhor time, tinha melhores opções, praticava um futebol mais insinuante de talento ofensivo avassalador e que dificilmente faria dois jogos abaixo da crítica.

Disposto a validar o protocolo, o Santos tratou logo de pressionar o Ituano desde os primeiros minutos de jogo. Para conter tanto ímpeto, o Ituano abriu a caixa de ferramentas e canalizou seu nervosismo em truculência. Então o juiz tratou de desequilibrar as forças para o lado santista e distribuiu 3 amarelos aos mais exagerados. Ciente da colaboração do árbitro, o Peixe também passou a distribuir suas cacetadas mas nem todas passaram pelo crivo amarelo do apitador.

O Ituano tentava sair no contra-ataques, porém só assustou em duas faltas alçadas na área as quais exigiu de Aranha intervenções arrepiantes em dois tempos, evitando o rebote dos sedentos avantes do Ituano. Lá pelos 30 da primeira etapa, o Peixe resolveu acelerar o ritmo e aumentar a pressão para cima dos visitantes.

Foi aí que novamente a estrela, digo, competência de Vagner começou a aparecer. Provavelmente abençoado por uma infinidade de galos, abriu seu repertório de milagres ao espalmar falta de Cícero, parar cabeçada de Damião com o peito e travar nova investida de Cícero pelo meio. 

Quando nada parecia dar certo, o juiz resolveu dar uma força. Cícero recebe na área, toma a falta e é assinalado o pênalti. Marcação correta se Cícero não estivesse 35 quilômetros impedido e voltava para receber o passe que culminou na penalidade. O próprio meia bateu e fez.

Na virada para o segundo tempo, o Ituano esboçou algum domínio da partida e deixou o Santos longe de seus domínios por uns 20 minutos. O Santos respondeu à ousadia interiorana com Rildo, que entrou no lugar de Thiago Ribeiro, servindo Geuvânio que desperdiçou dentro da área.

A partida ficou truncada até o final, embora o Ituano lidasse melhor com a pressão de ter que cozinhar o tempo e o placar sem se expor. Apesar de uma escapada ou outra de Rildo, foi novamente o Galo quem quase marcou com Anderson Salles em cobrança de falta. 

Nas últimas investidas das duas equipes, Rildo se atrapalhou ao invadir a área e jogou fora a última chance do Peixe. Aos 46 minutos, quando o Ituano preparava o último avanço, o juiz entendeu ser uma puta ideia não aplicar a lei da vantagem por preferir expulsar Cicinho. O lateral do Santos, provavelmente desinteressado em bater pênalti, deu um carrinho desnecessário no campo de ataque que lhe rendeu a expulsão e, assim, uma chuveirada mais tranquila no vestiário.

Se o Galo de Itu já havia realizado milagres ao evitar a vitória santista no tempo normal e que a atuação irregular o árbitro prejudicasse seus protegidos, faltava a consagração final. 

Nos pênaltis, a primeira série terminou empatada: Jackson, Marcelinho, Esquerdinha e Marcinho Aquele (isso, ex-Corinthians, Palmeiras, etc e tal) converteram. Ironicamente, Anderson Salles parou em Aranha. Pelo Peixe, Cícero, Alan Santos, David Braz e Gabriel guardam, enquanto Rildo carimbou a trave.

Nas cobranças alternadas, Jean Carlos e Arouca fizeram. Dener e Alisson também. Josa convertou para o Ituano. A história encerra que o zagueiro Neto foi para a bola e Vagner, esse Galo travestido de goleiro, defendeu e calou o Pacaembu. 

Ituano. Campeão Paulista de 2014.

 


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Iludir-se é preciso

Futebol é paixão, é talento, é emoção, é todo tipo de sentimento lindo de cantar em verso e prosa entre sorrisos e abraços de amigos ou ilustres desconhecidos numa propaganda qualquer. Esquecem que o futebol também é feito de ilusão. Sem dúvida nenhuma, é esse ingrediente que temperou e trouxe algum sabor às partidas finais de um tal Paulistão.

Quem parou para assistir ao primeiro duelo da final do Paulistão o fez por instinto, pela praxe de se sentar em frente à tevê às 16 horas. Silencioso, murmurou quão legal seria ver o simpático clube de Itu campeão Paulista mas já ciente de que iria ter que se contentar em ver o Santos dominar completamente a partida enquanto o Ituano esboçaria certa solidez defensiva configurando nada além do que uma honrosa resistência ao ataque adversário mas que, cedo ou tarde, sucumbiria diante da artilharia pesada dos Meninos da Vila. Ao final, todos se lembrariam que não se tratava propriamente de uma final. Era tão somente um protocolo.

Só que aos 20 minutos do primeiro tempo, Cristian acendeu o fogo da ilusão na mente de cada um de nós. A jogada fantástica, digna daqueles garotos a trajar branco, resulta na finalização cruzada do meia. Então uma enxurrada de pensamentos vem à tona. Coisas como "é só segurar" seguidas de "tomara que encaixem mais um contra-ataque" contrastaram com a ponderação de que "hmft, é cedo. Logo o Santos empata, vira e goleia". 

Tal consideração tomou força quando foi assinalado pênalti mandrake para o Santos apenas 15 minutos depois do gol. Lembranças de um aguerrido Guarani atropelado em duas partidas em 2012 deram o ar da graça.

Porém, Cícero, certamente em sinal de protesto ou confuso com qual modalidade de futebol exercia seu ofício, anotou um field goal de aproximadamente 59 quilômetros. Uma vez garantia a manutenção do placar, a televisão insistia a nos iludir com aquele resultado surreal.

O Peixe tentou de tudo. Oswaldo apelou para Rildo e Stéfano Yuri mas, inexplicavelmente, não seu certo. Inclusive, até permitiu algumas investidas dos rivais nos contra-ataques. O Ituano provou porque possui a melhor defesa do Paulistão e garantiu o 1 a 0. Ao mudar de canal, o mantra agora ensaiado mentalmente remetia ao Santo André que em 2010 chegou muito perto de realizar o milagre do título.

Domingo que vem o Ituano joga pelo empate. Se o Santos devolver a vitória por um gol de diferença, o jogo irá para os pênaltis. A qualidade e a regularidade do Santos dão a certeza de que a atuação fora do normal não deve se repetir. Que diga o São Caetano em 2007. Abriu 2 a 0 e na semana seguinte caiu pelo mesmo placar. 

A história ratifica que o triunfo dos bravos de Itu é uma ilusão. Mas o que tem? A verdade é que é possível.


domingo, 30 de março de 2014

Não haverá final

O Paulistão por uma vez mais não terá final. Haverá, conforme o protocolo, duas partidas a serem disputadas com algum nível subjetivo de equilíbrio mas o campeão está decidido. A união entre os Meninos da Vila e o bruxo Oswaldo de Oliveira levou o Santos à 6ª final de Paulistão consecutiva e ao 4º título. Sim, será isso. Ou fiquem com a ilusão de que teremos uma última e definitiva zebra nesse insano Campeonato Paulista.

A taça descerá a serra porque o Santos tem o melhor time, vive a melhor fase e tem no banco alguém que não só enxerga bem o jogo como está esbanjando sorte. É, sorte. Quando perguntado sobre o sucesso que teve na partida com suas alterações, limitou-se a dizer "sorte!" e sorrir como se piscasse para tela sugerindo ter certeza do que aconteceria após cada substituição.

Cícero chuta de fora da área, a bola desvia na defesa, trai o goleiro e abre o placar. O Penapolense ousa tentar modificar o destino ao empatar cobrando um pênalti bem estranho e virar o marcador após uma trapalhada de Aranha e David Braz. Então, Oswaldo, o bruxo, troca Gabriel por Rildo. Na primeira jogada dele, escapa pela esquerda e levanta na medida para Damião cumprimentar de cabeça e igualar o marcador.

Daí o camisa 9 desperdiçou alguns milhões de chances. Quantidade suficiente para Oswaldo promover a entrada de Stéfano Yuri no lugar do badalado centroavante. Certamente como oferenda a algum demônio ou entidade pagã a habitar os arcabouços de Urbano Caldeira, pois logo o primeiro contato da bola no garoto de nome controverso resulta no gol da virada e, por conseguinte, da classificação do título.

Em seguida, as atenções foram direcionadas ao Pacaembu, palco de Palmeiras x Ituano onde se esperava a classificação verde e sua confirmação como virtual campeão. Entretanto, os reflexos da bruxaria santista foram vistos serra acima quando, logo antes do apito inicial, notou-se que Valdívia emprestava sua habilidade ao banco de suplentes.

O Palmeiras martelou boa parte do primeiro tempo parando no arqueiro Wagner, provavelmente um vodoo nas mãos de Oswaldo de Oliveira. Lá pelas tantas da primeira etapa as coisas começaram a desandar. Uma pancada tirou Alan Kardec da partida. Kleina optou por Vinícius, claro.

Na virada para a segunda etapa, outra baixa. Fernando Prass teve que dar lugar a Bruno. Ainda que o Ituano ostentasse a periculosidade de um hamster, ter Bruno sob as traves é sempre razão para não ficar tranquilo.

Sem o Mago, Bruno César era o cérebro e, por incrível que pareça, o coração da equipe. Correu, chutou, tentou de tudo e mais um pouco para ajudar o time. Mas precisava de Valdívia, que entrou aos 25 minutos no lugar de um tal de Mendieta. Todavia, o chileno precisou de 6 minutos para ser amarelado e mostrar toda sua falta de interesse em mudar o panorama do jogo, já extremamente favorável aos visitantes.

À medida que o cronômetro avançava, assim o Palmeiras se postava em campo e mais espaços aos contra-ataques eram cedidos. Depois de um punhado de investidas sem cálculo prévio, um rapaz de vermelho rasga pela direita e toca no meio. O tiro bate na zaga e se oferece para Marcelinho. O atacante atravessou uns 4 países no cooper até chegar livre e solitário na bola para bater colocado tirando de Bruno, o amaldiçoado, enquanto todos os palestrinos em campo tentavam bloquear o chute na base do olhar.

Eis a pequena diferença entre o vexame e a decepção. O Palmeiras decepcionou. Havia muita expectativa mas foi traído pela noite ruim em uma decisão em partida única, pela ausência física ou espiritual de alguns atletas, enfim.

Resta agora o protocolo. Dois jogos-treino separam o Santos do 21º título paulista. Após a impecável campanha da primeira fase e da demonstração de força no mata-mata, é certo que, de uma vez por todas, o Santos não permitirá que a zebra roube seu triunfo.








sexta-feira, 28 de março de 2014

Visita à academia

Ninguém entrou em campo mais pressionado que o Palmeiras. Após deleitar-se com as eliminações de Corinthians e São Paulo, viu o Santos atropelar a Ponte Preta e precisava a todo custo evitar uma decepção retumbante em pleno centenário. Deu-se que nos protocolares 90 minutos que correram contra o Bragantino, o Verdão cumpriu a contento e com louvor sua missão, despachou a Massa Bruta com um seguro 2 a 0 e mira uma final eletrizante com o Santos, tal como nos tempos de Academia.

O Santos de Pelé tinha rivais pontuais nos anos 60 e início da década de 70. Para ficar nos mais badalados, o Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes, e o Palmeiras. A Primeira Academia que já contava com Ademir da Guia, o Divino, Dudu, Djalma Santos e por aí vai. Portanto, aqui em São Paulo, se havia uma equipe que conseguia medir forças com o melhor time do Estado, era o Palmeiras.

Não restam dúvidas que o Peixe é o melhor time de SP. Nem mesmo Damião conseguiu engessar as engrenagens de uma equipe rápida, envolvente e bem compactada quando atacada. Garotos como Alan Santos e Alisson contam com a experiência de um incansável Arouca e de Cícero, que encontrou sua grande fase no Santos. Gabriel não deixa Damião dormir tranquilo na titularidade e é opção quando Thiago Ribeiro não vai vem. Geuvânio já se torna indispensável pelo talento na organização ou finalização das tramas ofensivas. Tudo isso bem azeitado pelo repaginado Osvaldo de Oliveira.

Entretanto, do outro lado está o Palmeiras a carregar o fardo da história, o verde da camisa e um rancor que vai sendo libertado em doses homeopáticas após uma temporada de expiação na Série B. Falta um grande jogo, falta um título, uma demonstração de poder em meio a tanta efervescência emocional. 

Kleina faz um trabalho deveras satisfatório. Classificou muito bem a equipe. Venceu tranquilamente o São Paulo, deu mostras de reação ao empatar com o Corinthians, e perdeu o duelo e a melhor campanha para o Santos quando mais nada importava naquele momento. Valdívia em 2 meses já jogou mais que o ano passado inteiro. Está mais participativo e útil do que nunca. Kardec está em uma fase tão iluminada quanto seu nome. Wesley volta a apresentar regularidade. Ou seja, mais uma vez, só o Palmeiras pode tumultuar a vida do Santos.

Nunca é demais lembrar que o Campeonato Paulista está tão manjado que o Santos deve alcançar sua 6ª final consecutiva. Desde 2009, o Peixe entregou dois troféus ao Corinthians e ficou com outros três. O último campeão antes do monopólio preto e branco foi verde, em 2008. 

A essa altura do campeonato, considerando que todas as surpresas já deram o ar da graça, a final será Santos x Palmeiras, com favoritismo do Santos mas, agora, uma forte tendência de título ao Palmeiras abre-se no horizonte disposta a quebrar tabus, superar zebras, favoritos e lavar sua honra. Em nome da Academia.





quinta-feira, 27 de março de 2014

Ademílson, o profeta do vexame

14 minutos do segundo tempo. Muricy saca Pabón e lança Ademílson. Se o São Paulo até aquele momento já superava etapas rumo à eliminação, esta alteração praticamente sacramentou a queda precoce do São Paulo contra o bravo Penapolense. Acréscimos. A bola se oferece para Ademílson. O atacante chega cheio de vontade, mete a canhota nela e isola. Pênaltis? Mera formalidade. O São Paulo teria que cair porque é um time ruim e tem um elenco limitado, restrito a uma meia dúzia de bons jogadores que, no conjunto, não são capazes de fazer nada além do que incentivar o torcedor namorar com a expectativa e casar com a decepção.

Qualquer homem médio que acompanha futebol percebe que há no meio do futebol jogadores simplesmente incapazes de exercer aquele ofício. Estranhos no ninho. Tem uma cacetada deles por aí. Nesse São Paulo que inicia muito bem sua segunda temporada de desilusões, o vexame tem uma a cara de... Ademílson.

Ademílson deve ser um bom sujeito. Um cidadão de respeito. Quiçá, um bom companheiro com um ar engraçado graças àquele bigodinho controverso. Entretanto, começo a desconfiar do amor platônico que diretoria e comissão técnica sentem pelo Henry de Cotia. Impressiona o nível de inutilidade do atacante cujas boas partidas não contabilizam uma mão cheia.

Quando se olha para o banco e sua primeira opção é o Ademílson é evidente que seu time está à beira de uma catástrofe. Pior que isso é analisar o elenco e constatar com aquele ar reflexivo que os jogadores ali presentes não são exatamente ruins. Porém, o óbvio salta aos olhos: o time é horroroso. Esse paradoxo do elenco razoável para bom virar um time ridículo jamais será respondido.

Muricy Ramalho viveu uma primavera de alguns bons jogos ano passado, salvou o time do rebaixamento e elevou o astral da torcida. De repente, o time é eliminado humilhantemente pela Ponte Preta na Sul-Americana e toma um choque de realidade. Em seguida, sobram discursos contemporizadores de relativizar o óbvio ululante. E nada foi feito para mudar esse quadro!

O São Paulo 2014 é um clone mal tirado da equipe do ano passado. Volantes limitados, sistema defensivo frouxo, uma baciada de jogadores esforçados mas essencialmente ruins, privilégio que não alcança somente nosso amigo Ademílson. Não se vê nesse grupo um mínimo traço de qualidade, de tranquilidade e elegância no trato com a redonda seja ganhando, seja perdendo. É apenas um time ruim em ação sem uma solução imediata.

Seria possível direcionar a corneta a Muricy e questioná-lo por que ele insiste em fazer o time jogar tanto para frente quando o meio-campo não morde deixando a defesa extremamente e constantemente exposta. Cadê os três zagueiros, aquela bagunça na meia-cancha onde todo mundo marcava? A cadência aliada à velocidade ao sair para o ataque? O São Paulo virou um motim de 11 jogadores sem saber como e quem marcar nem como organizar uma trama ofensiva decente.

Sim, acabei de resumir todo o jogo de ontem em um parágrafo. O São Paulo pouco produziu, aceitou a marcação do adversário que, se tivesse 2% mais de capricho, qualidade ou capacidade intelectual teria repetido o feito da Macaca meses atrás. 

O fato de decidir sua sorte nos pênaltis após um empate sem gols somente potencializa o grau de mediocridade do time. Luis Fabiano morto entre a marcação; Ganso lá no meio querendo bater o recorde de tempo cochilado em campo e o de passes errados; Osvaldo, o de sempre, muita correria sem qualquer esboço de qualidade, buscou exaustivamente a mesma jogada do gol de Rodrigo Caio contra o Corinthians. E Ademílson, que dispensa comentários.

Aliás, coitado do Rodrigo Caio. Assumiu-se zagueiro, titular incontestável e, se não bastasse a cota de sustos por partida resolveu dar o ar da graça nas penalidades. Com a mesma qualidade do meia Oscar, parou no goleiro. A jovialidade lhe traiu. Quis assumir uma responsabilidade que, a essa altura, deveria estar nos pés de Álvaro Pereira, um dos que melhor tratam a bola nesse time e ausentou-se do rol de cobradores iniciais. 

Não vai ser a entrada de Pato que vai resolver. Nem a volta de Souza à volância. Basta lembrar que terão a companhia dos Denílsons, Maicons, Paulos Mirandas, Wellingtons da vida. O São Paulo não tem um grupo bom o bastante para elevar a produção da equipe, é fato. Enquanto não resolve seu problema que já ganha contornos crônicos, o Morumbi viverá de lapsos pontuais em campo até que venha o momento da substituição: ergue-se a placa, Ademílson vem aí. 



















domingo, 23 de março de 2014

A pegadinha do regulamento

O burburinho tomou conta do clássico entre Santos x Palmeiras neste domingo. O Peixe bateu o Verdão por 2 a 1 e ficou com a melhor campanha geral do Paulistão. Mais que a vantagem de decidir as finais em casa estava em jogo uma possível fuga do São Paulo nas semi-finais. Quem perdesse poderia ter caminho facilitado até a final. Assim, o Palmeiras seria o grande beneficiado com a derrota. Porém, o regulamento indica que não é bem assim.

A fórmula intrigante do Paulistão-14 e as campanhas irregulares de São Paulo e Corinthians, em tese, premiaram o Palmeiras, segundo colocado geral dessa primeira fase. Uma derrota pontual, justa e conveniente para o Santos nesta última rodada estenderia um tapete vermelho no caminho do Verdão até a final.

Nas quartas, os líderes de cada grupo enfrentarão seus respectivos segundos. Temos, então: São Paulo x Penapolense; Botafogo x Ituano; Santos x Ponte Preta; e Palmeiras x Bragantino.

Nas semi-finais, a melhor campanha encara a pior dentre os classificados. Se os jogos forem decididos dentro dos 90 minutos com a vitória dos primeiros colocados Santos x São Paulo devem brigar por uma vaga, enquanto o Palmeiras simplesmente confirma sua vaga na final contra Botafogo ou Ituano.

Leiam o parágrafo anterior novamente.

"Se os jogos forem decididos dentro dos 90 minutos com a vitória dos primeiros colocados".

Observem que o São Paulo terminou a primeira fase com 27 pontos. Botafogo e Ituano com 28. 

Agora vamos destacar o regulamento do Paulistão:

"Art. 10 - Nas partidas da fase de quartas de final e fase semifinal, o Clube que tiver obtido a melhor campanha na somatória de todas as fases anteriores, realizará a partida na condição de mandante. 
Parágrafo Único. Entende-se por melhor campanha, para efeitos deste Artigo, o quanto disposto no Artigo 14, Parágrafo 3º deste REC."

Os critérios de desempate na forma do art. 14:

"Art. 14 - Ocorrendo igualdade em pontos ganhos entre 02 (dois) ou mais Clubes aplicam-se sucessivamente, na primeira fase, os seguintes critérios técnicos de desempate:

a) Maior número de vitórias;
b) Maior saldo de gols;
c) Maior número de gols marcados;
d) Menor número de cartões vermelhos recebidos;
e) Menor número de cartões amarelos recebidos;
f) Sorteio público na sede da FPF.

§ 1º - No caso de haver empate nas partidas da fase de quartas de final e semifinal da Competição, a partida será decidida através de disputa de pênaltis, conforme procedimento estabelecido nas regras do jogo de futebol, tal como definidas pela International Football Association Board - IFAB.

§ 2º - Aplicam-se, no caso de igualdade por pontos ganhos na fase final da Competição, os critérios do caput deste artigo, até a alínea “b”, somente na fase em questão. Persistindo a igualdade a partida do returno será decidida através de disputa de pênaltis, conforme procedimento estabelecido nas regras do jogo de futebol, tal como definidas pela International Football Association Board - IFAB.

§ 3º - Entende-se por melhor campanha, o maior número de pontos ganhos acumulado pelo Clube, seguindo, se necessário, a ordem de critérios de desempate prevista no caput deste artigo, considerando-se todas as fases da Competição."

Vamos supor que o São Paulo vença o Penapolense. Somará 3 pontos totalizando 30. Se Botafogo e Ituano empatarem vão decidir nos penais e vaga e computar apenas um ponto indo a 29. Vencer nos pênaltis não garante três pontos como uma vitória "normal". Além disso, o regulamento indica que será levado em conta a somatória de pontos das fases anteriores.

O parágrafo primeiro define que o empate levará a decisão aos pênaltis. Empate. E os empates valem um ponto. Isso está no Regulamento Geral do Paulistão, artigo 11:

"Art. 11 - Nas Competições oficiais, salvo disposição em contrário estabelecida nos  respectivos RECs, serão atribuídos: 
I. 3 (três) pontos por vitória; 
II. 1 (um) ponto por empate. 
Parágrafo Único - Os critérios de desempate constarão dos RECs. "

Não há nada no regulamento específico que contabilize três ponto a uma vitória nos pênaltis, principalmente depois de frisar que o resultado de uma partida decidida nos pênaltis é um empate.

Neste raciocínio, zebras fora, é certo que Palmeiras ou Santos estará na final. Se Botafogo e Ituano empatarem, o Peixe assegura a 6ª final consecutiva. Caso os líderes de cada grupo confirmem o favoritismo nos 90 minutos protocolares, teremos o Palmeiras na final. 




segunda-feira, 17 de março de 2014

Grafite, in memoriam

Craque e ídolo são termos cruelmente banalizados atualmente, principalmente o primeiro. No entanto, para ser ídolo não é preciso talento igual ao de um craque. Basta ser raçudo. Ou sortudo. Ou oportunista. Ou eficiente. Ou engraçado. Ou grosso. Ou gordinho. Não importa, há infinitas variantes. Mas, infelizmente, tão importante quanto ser ídolo é não ser o vilão, o judas, o Grafite.

2004. Paulistão. O Corinthians jogava sua permanência na elite do futebol paulista dependendo somente de si. Recebeu a Portuguesa Santista e perdeu. Ao mesmo tempo, orava para que o São Paulo não perdesse para o Juventus. Do contrário, seria rebaixado. O Tricolor venceu o Moleque Travesso com dois gols de Grafite e salvou o rival. 

O atacante sofreu certa perseguição por ter demonstrado aplicação acima do normal em uma partida tão especial para a torcida. A chance de rebaixar o rival e impor tal humilhação contagiava a todos os demais rivais em conjunto. Grafite foi profissional, guardou seus gols, fez seu papel e somente veio a reencontrar a paz com as arquibancadas após muitos outros gols e boas atuações.

No entanto, seu feito jamais foi esquecido. Lembrar seu nome traz à tona o surreal episódio, muito mais marcante que sua convocação para a Copa do Mundo em 2010.

2014. Paulistão. Corinthians faz campanha irregular e precisa vencer seus dois duelos e torcer por pelo menos um tropeço do Ituano. Foi encarar a já classificada Penapolense e empatou. Ao mesmo tempo, torcia para o São Paulo segurar o Ituano para que pudesse sonhar com a classificação. Eis que o Tricolor perdeu em casa e o Timão está eliminado do Paulistão.

Por mais que sejam atiradas pedras nos bizarros regulamentos do Paulistão, gostei desta fórmula. A divisão por grupos sem que os seus integrantes joguem entre si acirra a briga pela classificação de maneira saudável. Evitando-se os confrontos diretos, cabe à própria equipe cumprir seu papel se quiser seguir na competição. Já para efeitos de rebaixamento, as 4 piores no geral que sejam despachadas para a A-2. Justo o bastante, convenhamos.

Se o intuito era que as melhores campanhas gerais fossem às quartas-de-final não haveria por que estabelecer a divisão por grupos. É um tanto óbvio. Pois bem.

Nesse contexto, é bom que se diga que o Corinthians foi garimpando sua eliminação ao longo do Paulistão. Não se esqueça que o Timão precisava vencer e não venceu. Convém refrescar a memória: o Corinthians ficou 6 rodadas sem vencer tendo conquistado irrisórios 2 empates. Daí transferir a culpa para quem quer que seja é o cúmulo da irresponsabilidade. 

E o São Paulo? Bem, é verdade no futebol tudo é possível. Toda sorte de teorias conspiratórias são válidas para que torcedores, dirigentes, jogadores e treinadores depositem sua crença e tirem parte da culpa que carregam.

Também é certo que o São Paulo tinha tanto apetite em vencer esse jogo quanto Walter tem por frutas e verduras. Mas a oscilação é uma marca registrada desse São Paulo bipolar. Capaz de vencer o próprio Corinthians e fazer jogo duro com o Santos, porém, ser dominado pelo Palmeiras e encontrar extrema dificuldade cognitiva contra adversários da estirpe de um São Bernardo.

Pode-se exaltar a postura de jogo do Ituano, culpar a chuva, a limitação patológica de Ademílson no trato com a bola, a irregularidade de Ganso, a fragilidade do sistema defensivo, a hilária apresentação de Luis Ricardo como boneco de posto. Estão aqui presentes um mar de justificativas para perceber que o São Paulo não venceria o Ituano por mais que quisesse.

Muito será dito. Acusações variadas serão feitas. Debates intermináveis e inconclusivos serão realizados. Ficará no ar o "se". Se o São Paulo vencesse ou empatasse, ainda haveria tempo para uma reviravolta na última rodada, e mais isso, e mais aquilo, patati, patatá. 

Disso tudo, creio que apenas uma coisa seja certa: não existirão mais Grafites.



segunda-feira, 10 de março de 2014

Apenas um grande jogo

Corinthians 2 x 3 São Paulo. Cinco gols em um clássico sugerem um jogão digno da grandeza dos envolvidos. E, de fato, foi uma grande partida. Com requintes surreais do início ao fim, quando o árbitro encerrou o jogo a única certeza que ali se extraía era que o triunfo tricolor colocava ponto final a um jejum de mais de um ano sem vitórias em clássicos. Só e nada além disso.

A pane tricolor nos 10 minutos iniciais culminou com um golaço contra do zagueiro Antonio Carlos. De letra, o beque completou cruzamento de Luciano e inaugurou a atividade paranormal da tarde.

O gol fez o São Paulo sair para o jogo e dominar a posse de bola. Porém, quanto mais a bola rodava no ataque, menos objetividade havia nas conclusões. Isso muito se deve porque o Timão abdicou de explorar os contra-ataques para direcionar seus esforços exclusivamente no âmbito defensivo.

Foi quando no 38º minuto de jogo foi possível ver uma fenda no céu que distorceu o tempo e o espaço a ponto de mudar a ordem então vigente dentro das quatro linhas. A bola encontrou Ganso na entrada da área. Subitamente, desafiando as leis da obviedade, Ganso desfere um tiro de canhota. O trajeto cruzado encontra o ângulo e iguala o clássico.

Ao final do primeiro tempo, Mano Menezes conseguiu ser expulso por ter exagerado nas reclamações com o árbitro, com seu time que teria que voltar a atacar, com a falta de sorte em sofrer um gol de um meia que nunca chuta a gol, com a ausência de Jadson, dentre outras frustrações quaisquer. 

O festival de surrealidades persistiu na segunda etapa. 

Logo aos 5 minutos, Douglas, simplesmente o recordista histórico de cornetadas de seus próprios adeptos, tira dois jogadores do Timão da jogada, liga Pabón na direita que cruza para Luis Fabiano completar. Virada tricolor!

Sem Mano no banco e atrás no placar, o Corinthians arregaçou as mangas e foi lá se assanhar no ataque. No minuto seguinte, quase Luciano iguala o marcador. Mas aos 14 minutos não teve jeito. Guerrero, que entrou no lugar de Renato Augusto, invadiu a área pela esquerda, bateu para o meio e, de novo ele, Antonio Carlos, amaldiçoado da tarde, tira de Rogério e empata para o Timão.

Faltando 30 minutos para o final era de se prever uma pressão dos mandantes em fazer valer o tabu e impor mais uma derrota ao rival, freguês histórico. Contudo, a partida curtiu bons momentos de um lá e cá bem interessante que deixava a torcida crente estar diante de um possível gol, embora o Tricolor se postasse de uma maneira um pouco mais segura que o habitual.

E o gol saiu. Dos pés rápidos e tortos de Osvaldo que tantas vezes sacrificaram boas oportunidades de gol saiu um cruzamento da esquerda que atravessou a grande área para encontrar a cabeça de um improvável Rodrigo Caio no bico da pequena área, à sombra de Uendel. O cabeceio cruzado vence os 4,85m de Cássio e salva o companheiro de zaga do linchamento pós-Majestoso. 

Quinze minutos protocolares depois, o fim de uma grande partida que terminou nem tão saborosa para um e nem tão amarga para outro.

Dois pontos separam Ituano e Corinthians. Entre esses dois pontos, o São Paulo. Domingo que vem o Tricolor recebe o Ituano. E o Corinthians vai visitar o Penapolense. Dificilmente o Tricolor vai tropeçar em casa novamente, especialmente diante de uma circunstância dessa. Em prol das relações cordiais que foram retomadas com a troca Jadson x Pato, é de se esperar um novo "efeito Grafite" que culmine na classificação do Timão. Claro, desde que o Corinthians faça sua parte - o que deve ocorrer.

Com isso, pelo lado do São Paulo há de ser celebrado o fim do jejum e o empenho da equipe em um clássico mesmo nas condições mais adversas. No mais, se não fosse o tropeço do Ituano contra o quase rebaixado Atlético Sorocaba (1x1, em Itu) certamente o resultado do Majestoso teria implicações bem mais traumáticas ao Timão.






quinta-feira, 6 de março de 2014

Domingo no Pacaembu

Na guerra travada em todos os campeonatos o pior inimigo e o principal aliado vem das arquibancadas. Geralmente os duelos entre clube e torcida são travados com alguma parcimônia durante o primeiro semestre reservando uma generosa dose de truculência para os meses finais do ano, quando nada mais resta senão o rancor pela acumulação de maus resultados. Quis o destino que a 3 rodadas do término da primeira fase do Paulistão, Corinthians e São Paulo se enfrentassem com possibilidade concreta de negociar com seus adeptos um dos pactos mais importantes que as partes podem selar: um voto de confiança.

Domingo no Pacaembu. Tricolor bipolar, ê, José. Timão em ascensão, ê, João. Tricolor já tá lá, ê, José. E o Timão ainda não, ê João. 

Não é necessário criar mais versinhos para saber que o desenlace da história tende a ser trágico, tal como a canção. É só olhar a tabela, ver os jogos que faltam, fazer as contas e perceber onde o desejo da torcida repousa.

Animado e em ascensão, o Corinthians parece ter engolido seco o mau começo de Paulistão, a invasão e as polêmicas extra-campo para se reinventar e lutar por um espaço nas quartas-de-final. Para tanto, precisa vencer e torcer por tropeços de Botafogo e, principalmente, do Ituano para beliscar uma vaga.  

Jadson azeitou a meia-cancha, Luciano mostrou estrela e Bruno Henrique reparte o serviço sujo com Ralf e Guilherme, Cléber deu estabilidade à zaga. Embora Jadson não entre em campo como parte da bizarra negociação que envolveu a troca do meia e Pato é inegável que o Timão tem um conjunto mais harmonioso. Por mais bagunçado que esteja o ambiente é possível ver algum equilíbrio nesse grupo.

Tem uns buracos nos flancos, pois é. Só que também tem alternativas, como: Sheik, Renato Augusto, Romarinho, Danilo. Enfim, até dá para seguir no embalo dos bons resultados, derrotar o São Paulo e fungar mais fundo no cangote do Ituano. Mano sabe que vai ter que deixar de lado o retranqueirismo dos clássicos porque precisa desesperadamente dessa vitória.

Já o São Paulo vive de um bipolarismo irritante. Está classificado mas não tem o primeiro lugar garantido. Ataque e defesa batem cabeça constantemente. Parece que não conseguem funcionar bem simultaneamente. Entretanto, o que mais aflige sua torcida - à parte o futebol de oscilação - é o pífio desempenho nos clássicos e jogos decisivos.

A última vez que o Tricolor venceu um clássico foi em 2012, justamente contra o Corinthians, naquela que seria a última vez que o Ganso fez um grande jogo. Daí em diante acumularam-se derrotas e empates modorrentos. Acrescente a eliminação na semi da Sul-Americana para a Ponte e, pronto, tem-se um caldeirão de insatisfação curtida rodada após rodada.

É bem verdade que a volância tricolor não cumpre dignamente seu papel defensivo e não colabora na evolução da equipe até o ataque. No entanto, surge uma oportunidade de fazer as pazes com a torcida. Luis Fabiano aparentemente bem fisicamente e reencontrando as redes com frequência, Pabón encaixou bem no ataque, Álvaro Pereira agregou à transição e a motivação extra: é possível eliminar o Corinthians. 

Caso o Tricolor vença o Majestoso e perca seu jogo seguinte, coincidentemente contra o Ituano, que está rigorosamente um ponto na frente do Timão, elimina o alvinegro do Paulistão.

Se tem uma coisa que pode acalmar os ânimos da torcida são-paulina é levar o caos ao rival. Se tem uma coisa que pode acalmar a Fiel é uma vitória seguida da classificação. A definição da cota de confiança ou tolerância a ser administrada até o final da temporada pelas torcidas tem data para ser conhecida: Domingo no Pacaembu. 





domingo, 2 de março de 2014

Festa do Interior

Carnaval, folia, alegria, marchinhas e nada como o interior do Estado para curtir esse clima festivo longe da panela de pressão de São Paulo. E é lá mesmo que tem algumas cidades presenteadas com um futebol de primeira e que vem dando o que falar aqui na capital. 

No grupo A, o pior dos 4 disparado, o Penapolense divide a liderança do grupo com o São Paulo. O grande destaque é Alexandro, atacante que já anotou 5 tentos no Paulistão. A julgar pela instabilidade do Tricolor, a primeira posição só vai ser decidida na última rodada. Pode não ser um primor de time, porém, é bem organizadinho e, se confirmar a liderança, vai decidir em casa as quartas-de-final com totais condições de surpreender o São Paulo.

O grupo B foi premiado com um equilíbrio bastante sui generis. O grupo do Corinthians tem uma dupla peralta do interior a roubar uma vaga que, dentro das CNTP, deveria ser do Timão. Enquanto os rapazes da capital somam 17 pontos, mesma quantidade dos meninos ousados do Audax, o Botafogo de Ribeirão Preto conta 22 pontos. Logo atrás vem o Ituano com 21.

Bom, o Tricolor de Ribeirão tem em seu elenco o experiente Leandro Gianecchini e o goleiro Renan, aquele alemãozinho que explodiu no Avaí, foi para o Corinthians e, bem, taí no Botafogo. Nenhum deles é titular, mas nem por isso o time é ruim. Pelo contrário, Wagner Lopes armou um time que sabe explorar as duas melhores táticas boleiras: fechar a casinha e atacar com competência. Mike, atacante, também tem 5 gols no torneio.

Já Itu também vive bons momentos com seu clube. Com Doriva "Aquele" (ex-volante do São Paulo) na casamata, o Galo de Itu flerta maliciosamente com as quartas-de-final. Marcinho Aquele (ex-Furacão, Corinthians, Palmeiras, etc) e Cristian, meia ex-Palmeiras, aquele de cabelo enroladinho, são opções no elenco cujos destaques são o beque Anderson Salles e o atacante Rafael Silva com óbvios 5 gols cada.

O grupo C alijou a Portuguesa da disputa das primeiras posições e deixou o Santos dar as cartas sem dificuldades. Ponte Preta e São Bernardo brigam pela segunda posição. Favorita a confirmar a vaga, a Macaca, apesar das baixas que seu elenco sofreu ao término da temporada passada, conseguiu manter a estrutura que quase levou a Sul-Americana. Tem um punhado de Aqueles em seu elenco, como: Adrianinho e Bida, no entanto o destaque é o ex-menino da vila Alemão, artilheiro do time com evidentes 5 gols.

Por fim, o melhor grupo do Paulistão vê Rio Claro e Bragantino duelarem pela vice-liderança. Apenas dois pontos separam os engraçadinhos, com vantagem para os azuis de Rio Claro. Embora tenha no grupo os rodados Alex Bruno e Alex Afonso, quem se destaca é o meia Léo Costa, autor de 7 gols e atual artilheiro do Paulistão!

E pelo lado do sempre perigoso Bragantino brilha o treinador Marcelo Veiga, no comando da Massa Bruta desde 1900 e nada. Lincom, Léo Jaime e Cesinha são os encarregados em levar o caos às defesas adversárias enquanto um meio-campo voluntarioso busca atazanar a vida do rival. Aposto na regularidade do Braga, apesar da grata surpresa de Rio Claro.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Algo no ar

São Paulo e Santos empataram por 0 a 0. Um resultado justo posto que os times exageraram na incompetência ofensiva. Porém, deixa uma pontinha de esperança a um esfacelado São Paulo que ainda necessita de ajustes.

Sem vencer um clássico desde o final de 2012 (aquele 3 a 1 contra o Corinthians, com dois de Maicon e boa atuação de Ganso), o São Paulo entrou em campo de olho bem aberto para não tomar aquela surra que o Santos aplicou no mesmo Corinthians umas semanas atrás. Ganso no banco, Douglas e Paulo Miranda na titularidade, Pabón, Osvaldo e Luis Fabiano para se virarem.

E o Peixe, arrumadinho, veio tinindo para impor mais um revés ao rival. Cícero, Thiago Ribeiro, Geuvânio e Damião apenas na espreita por uma oportunidade de festejar no Morumbi mais uma vez.

Parecia que o Santos seria o dono do jogo. A pressão foi feroz. Aos 8 minutos, Ceni sai jogando errado e salva o tiro de Cícero. No rebote, Rodrigo Caio trava Damião. Haja coração. O Santos tinha volume, sufocava o Tricolor e o desespero já tomava conta das arquibancadas.

No entanto, nos minutos que se seguiram, o São Paulo inexplicavelmente cresceu. Mudou de postura e teve atitude de quem é o mandante da partida. Por seu turno, o Santos passou a ver o São Paulo jogar e esboçar escapadelas eventuais.

Após equilibrar o meio-campo, veio o lance capital do jogo. Aos 17, Luis Fabiano é acionado, invade a área, é derrubado, pênalti, mas pera. Assinalado impedimento. O inferno chega ao Morumbi pelo apito da arbitragem. A condição de Luis Fabiano era legal. Pouco depois, Osvaldo é acionado, evita a saída da bola mas o auxiliar dá o lateral para o Santos. Realmente a arbitragem pecou demais no primeiro tempo.

A partida pegou fogo. Antonio Carlos e Paulo Miranda levaram perigo em arremates de fazer inveja a todos os atacantes do Tricolor juntos. Damião poderia dar o troco com juros, mas foi travado quando certamente colocaria a bola na casinha.

Quem contava com a superação dos Meninos da Vila, enganou-se. O São Paulo voltou mordendo tal como no primeiro tempo. Aranha mostrou elasticidade em arremates perigosos de Maicon e Pabón. Claro que quem não faz, corre o risco de tomar. Damião cabeceou envenenadamente e Rogério fez grande intervenção. 

O jogo terminou a mil. Em cobrança de falta, Rogério isolou. Gabriel levou perigo em chute que bateu na rede pelo lado de fora. E, finalmente, a redenção da arbitragem. Rildo recebeu, invadiu a área e foi derrubado. Pênalti claro. Entretanto, o atacante estava impedido e o juiz corretamente anulou a jogada. No mais, os últimos minutos foram reservados para inúmeros erros de passe em cada trama ofensiva.

À parte as reclamações de ambos os lados, teve-se a impressão de que o São Paulo foi ligeiramente superior. E também mostrou que o Santos sabe se defender e ser perigoso nos contra-ataques. Não foi um puta resultado para nenhum deles, principalmente para o Tricolor, que ainda espera por Pato para melhorar o ataque e pela ressurreição de Ganso, em coma futebolístico desde 2012. Ou 2011, que seja.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Botecadas

JADSON 2 x 0 PATO - Jadson abriu o placar na disputa com Pato sobre quem se deu melhor na troca de clube. Mal chegou, o meia fez uma boa partida no empate com o Palmeiras último domingo e foi determinante na virada do Corinthians sobre o Oeste. Depois de rasgar elogios ao apoio diferenciado da torcida, deu lindo passe para a conclusão de Romarinho e fez um belo gol em petardo de fora da área. Enquanto isso, Pato fez um discurso protocolar em sua apresentação e só entra em campo mês que vem. A ver...


ILUMINADO E INVICTO - Vitória, vitória, vitória, empate, empate, vitória. O Palmeiras ainda não sabe o que é perder em 2014. Ontem, coube ao espirituoso Alan Kardec marcar outro tento para garantir o triunfo verde contra o Ituano no Pacaembu. No mais, Felipão tinha o dever cívico de chamá-lo para um teste. Assim como Hernane Brocador e Walter Gordinho. Atacante vive de gol e não existe gol feio. Feio é não fazer gol. 


BARÇA SEMPRE BARÇA - O badalado Manchester City recebeu o Barcelona no primeiro confronto válido pelas oitavas-de-final da Champions League. E, novamente, o Barça foi Barça. Ainda que se discuta o pênalti em - e convertido por -  Messi (milimetricamente fora da área, ao meu ver), os 2 a 0 fora de casa praticamente carimba a classificação catalã. Vale lembrar: Neymar entrou no segundo tempo e deu passe para Daniel Alves anotar o segundo já no apagar das luzes. Não será dessa vez que os citizens alcançarão a glória máxima, que ainda vivem seus dias de Chelsea. 


BI À VISTA - O futebol alemão até o ano passado vivia uma era pipoqueira ao extremo.Desgraça iniciada em 2002, na final que todos os brasileiros lembram saudosamente. Tanto a seleção como os clubes simplesmente desaprenderam a erguer troféus. Depois de tanta pancada, a escrita parece ter sido quebrada com o Bayern de Munique. Atual campeão da Champions, o clube alemão luta para chegar a sua terceira final consecutiva. Importante destacar que, caso avance até a final, seria a quarta decisão em cinco edições. E é possível! O Bayern foi até Londres despachar o Arsenal por 2 a 0 e, tal como o Barcelona, também deixou a classificação bem encaminhada. 


COLCHONEROS MANDAM RECADO - No duelo entre um Milan em busca de identidade contra um empolgado Atlético de Madrid, eu acreditava que o peso da camisa e o histórico italiano na competição fariam a diferença, ainda que o virtual favoritismo pendesse para o lado espanhol. Ledo engano. Diego Costa calou o San Siro e deixou os colchoneros próximos das quartas. O confronto segue aberto, mas a tendência é a presença do aguerrido Atlético.



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quites

O Palmeiras tinha uma chance de ouro. Era só vencer o rival e deixar o clima lá ainda um pouco mais insuportável. Mas, do outro lado, o Timão contava com o retorno de jogadores importantes e poderia bater o Verdão para ganhar uma semana de sossego e uma pitada de paz para colocar as coisas nos eixos devidos. Só que no duelo do que queria ganhar contra o que não podia perder, não deu outra: empate.

Bem que o Corinthians tentou. Tentou mesmo. Foi até ligeiramente superior que o Palmeiras. Ou a pontaria falhou (né, Guerrero?) ou esbarrou em Prass diversas vezes. Jadson fez o que se esperava dele. Deu uns passes, tentou se movimentar e manteve a mesma discrição dos tempos de São Paulo. Bruno Henrique foi mais competente na marcação e distribuição da redonda. Até Cássio fez intervenções pontuais sem sustos. 

Enquanto o Timão ia na inércia da torcida, o Palmeiras respondia como dava, ainda que isso custasse alguns hectares de campo livre para o contra-ataque alvinegro. 

Foi no segundo tempo que o jogo realmente começou. O Timão organizou uma blitz baseada naquela boa e velha estratégia do "cada um pega o seu e seja o que deus quiser" com tanta competência que foi premiado com o gol de Romarinho (quem mais seria?) aos 15 minutos. Era para ser o terceiro já que o autor do gol e seu amigo peruano desperdiçaram duas chances clamorosas (CARSUGHI, Claudio).

Na jogada, Fagner tabelou com Guilherme e a zaga do Palmeiras para cruzar certeiro para Romarinho, que aproveitou a sesta da defesa palestrina para invadir a pequena área e desviar para as redes de Prass. 

Isso bastou para que incentivar Kleina a tentar reorganizar o Palestra e tentar responder na base do "perdido por um, perdido por 2 ou 3, não mais que isso". O talismã Marquinhos Gabriel, Mendieta e o insosso Diogo foram os sorteados para mudar o destino do jogo. 

Vendo o panorama favorável e também um tanto traiçoeiro, Mano Menezes não resistiu àquela vontade louca que lhe dá em trancar o time para assegurar aquele resultado benéfico por algumas horas mais. Porém, quando se pretende reforçar o sistema defensivo com Cachito Ramirez e Jocinei, desculpa, cara, mas você tá fazendo isso errado.

Então a bola cai com Diogo. O atacante caminha, olha, aperta os olhos como se não acreditasse em tanto espaço e tantas possibilidades de arriscar uma jogada que opta pela mais ousada: alça a bola na área. O esperto Alan Kardec percebe que o cruzamento veio na medida, deixou Felipe brincando sozinho na marca do pênalti e cabeceou sem chances para Cássio.

Um empate justo. O Corinthians mereceria a vitória se não pagasse com dois pontos o receio em excesso de seu comandante. E, como eu gosto de dizer, merecimento é bola na rede. Assim, méritos a Kleina, a Kardec, a Diogo e a Prass, claro, pelo resultado providencial.

 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Tensa tradição

Há quase cem anos é assim. A cidade para, o Estado todo volta sua atenção para o campo onde Corinthians e Palmeiras uma vez mais medirão forças e até o Brasil observa de soslaio o que vai sair daquele furdunço todo. É o que move o mundo. O futebol é feito desses grandes duelos entre rivais históricos. Amanhã não será diferente.

Parte da pimenta do primeiro dérbi de 2014, ano do centenário da ala verde do clássico, reside justamente na ascensão meteórica palestrina que escalou a Série B de bondinho e abre a temporada com 6 vitórias e 1 empate no Paulistão.

Verdade seja dita, o Palmeiras até agora só empurrou o bebum da ladeira. Até o Choque-Rei foi vencido com segurança digna de jogo treino. Mas é um time que prova a cada jogo que veio perturbar a paz dos rivais espalhados pelo território nacional.

Ainda sem contar com Bruno César, o Palmeiras vem com aqueles 11 rapazes que estão dando ao torcedor algum motivo para sorrir e sonhar. A fase é boa, a confiança está lá em cima e isso é completamente irrelevante quando a bola começar a rolar.

Principalmente porque do outro lado está o maior rival e, para piorar, em fase assumidamente desgraçada.

O Corinthians é a grande decepção do Paulistão até agora. Conseguiu a proeza de ostentar a última posição no seu grupo.O poderoso Botafogo de Ribeirão Preto perdeu dois jogos e lidera com honrosos 16 pontos. O Ituano chega em segundo com 12, enquanto XV de Piracicaba e o ousado Audax somam 10 pontos. Aí vem o Timão com SETE.

Não bastasse o terror no futebol, a torcida resolveu se organizar e ir ao CT fazer uma roda de oração e ministrar uma palestra de auto-ajuda. O resultado veio logo em seguida. Paulo André foi para a China e Pato trocado por Jadson. Sem contar Ibson que foi para a Itália e o Vasco que acolheu Douglas. Mas o bom futebol ainda não deu as caras.

São 5 jogos sem vitória. Sou daqueles que acreditam em ação dos astros às avessas. Creio naquelas máximas do tipo: "quanto mais se perde, mais próximo da vitória se está". É por isso que há uma razoável possibilidade de vitória alvinegra no dérbi.

É! Veja, Romarinho é carrasco do Palmeiras, Bruno Henrique e Jadson devem jogar. Guilherme vive bom momento, Ralf é um monstro na marcação. Até o Renato Augusto vai deixar o departamento médico por meia hora pra ajudar em campo! Si se puede! 

Bom, é amanhã. Possíveis consequências: 

- Um empate não vai manchar o bom retrospecto do Palmeiras, que será observado - e cobrado - bem de perto pelo universo inteiro esse ano. No mais, não deixará o Corinthians em estado pior ao que já se encontra.

- Vitória do Palmeiras: Palestrinos em êxtase embora cautelosos pois é só a primeira fase de um Paulistão momentaneamente modorrento, bando de loucos em desgraça.

- Vitória do Corinthians: Início da superação do Timão, bota a quinta marcha até o mata-mata e seja o que deus quiser. Palmeiras em retiro espiritual para contestar o que estava dando certo até 90 minutos antes.

Deve ser isso. Há uma grande expectativa de que tudo aconteça. Inclusive nada. 





domingo, 2 de fevereiro de 2014

100%

A manutenção dos 100% de aproveitamento do Palmeiras veio de forma incontestável. O triunfo por 2 a 0 sobre o São Paulo foi construído com frieza sádica e atuação competente de Valdívia e Lúcio. Como suspeitávamos, o Verdão não veio a passeio nesta temporada.

Após protocolares 15 minutos de estudo e respeito, o Palmeiras viu que poderia dominar o jogo e assim o fez. Ao perceber que Ganso estava muito concentrado buscando compreender a hipótese do Gato de Schrödinger, Ademilson e Osvaldo eram apenas velocistas desprovidos de inteligência e que a única válvula de escape era Álvaro Pereira, comandante Kleina soube explorar os flancos e deixar que o Mago cuidasse do resto.

Foi assim que saiu o primeiro gol. Falta em Valdívia. Bola alçada na área, a zaga tricolor acertou o deixa-que-eu-deixo e viu o Mago cabecear sozinho para as redes. Daí em diante foi só administrar. Leandro e Wesley causando calafrios em cada arranque e o São Paulo carente de algum lampejo milagroso para ao menos chutar a gol. Sem sucesso.

A segunda etapa foi cruel. Kleina fechou a casinha e seus constantes contra-ataques davam a impressão que a equipe não só controlava o jogo mas pressionava o já nervoso São Paulo. Ainda que a partida tenha ficado demasiado amarrada e sem chances grandes chances de gol, o Palmeiras logo tratou de resolver logo a parada e evitar emoções maiores.

O lado direito da defesa do São Paulo é o roteiro mais atraente para qualquer adversário que quer sair vencedor do duelo. Foi por ali que Kardec invadiu a área e enquanto desviava de alguns transeuntes sofreu um belo pênalti de letra assinado por Rodrigo Caio. Pênalti marcado e o árbitro poupou o beque são-paulino do merecido cartão vermelho e o time de uma possível goleada. O atacante dispensou a ajuda do além e converteu a cobrança. 2 a 0 e olé no Pacaembu.

Não foi uma partida brilhante mas era a vitória que o Palmeiras precisava. Jogando de maneira séria, segura que dá ao torcedor alguma esperança na temporada. O time respondeu em campo que é capaz! E, além de atrair holofotes da euforia, coloca o spot da desconfiança no Morumbi que segue com graves problemas defensivos tanto no miolo de zaga quanto na volância.






quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Guerrero errou

Prefiro interpretar a goleada aplicada pelo Santos sobre o Corinthians por 5 a 1 de outra forma. Exaltar méritos de um time e elencar trocentos erros do adversário não me parece justo o bastante para a construção de um placar que, via de regra, é composto por uma noite atípica de ambos lados. A questão é não se deixar enganar pelas circunstâncias e ser realista quanto à qualidade de cada time.

Até a página dois é possível concordar quando Guerrero afirma que o Corinthians tem o melhor time de São Paulo. Para mim, é um tanto evidente. No papel, o Corinthians tem um bom time, equilibrado e com peças interessantes de reposição. Porém, o atacante faz a ressalva "mas temos de demonstrar no campo". (a matéria tá aqui)

Pato atravessa um momento terrível, Sheik já se procura uma árvore para morrer tranquilo, Romarinho, Douglas e Rodriguinho tem qualidade mas não empolgam como antes. Diego Macedo e Uendel não são laterais fora-de-série. Sobra a soberba. O que no papel é bom precisa de treino, disposição e dedicação para se tornar o melhor no campo.

Eis o segredo do Santos. Um elenco repleto de jovens, um treinador esbanjando motivação e fome. Uma equipe que reconhece sua condição e dela tira sua motivação para superar-se dentro quatro linhas. Bruno Peres é o novo Roberto Carlos? O Geuvânio virou a solução para o lado direito do ataque da seleção depois de nos refrescar a memória quanto ao que era um drible da vaca? Não e não. 

Futebol é para ser jogado e quem decide não é a equipe que tiver mais jogadores renomados. Daí decorre o principal erro de Guerrero no clássico de ontem. Ao receber de Romarinho, achou uma boa ideia fazer uma caminhada com a bola até a área, ganhar um tranco e sofrer um pênalti. Antes tivesse dominado direito para finalizar ou chutado direto, pois o desarme de Gustavo Henrique (puta zagueiro!) foi preciso.

O Corinthians não é o pior, o Santos não é o melhor. Não há motivo para maiores empolgações ou decepções. É um sinal dos deuses do futebol que, invariavelmente, fazem todos os prognósticos errarem.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Eu gosto do Pato

Eu gosto do Pato. Jovem, rápido, ótimo arremate, experiente. Minha simpatia pelo atacante pode explicada por critérios friamente objetivos, não necessariamente tão pretéritos assim. Ele foi o vice-artilheiro do Corinthians em 2013 com 17 gols. O primeiro? Guerrero, com 18 tentos. Então, calma. A princípio, peguemos leve nas críticas.

Da ascensão meteórica no Internacional às seguidas lesões no Milan, Pato sempre se mostrou um atacante de excelente nível técnico. O estilo meninão de ser e tendo como únicas preocupações táticas correr, puxar contra-ataques, abrir espaços e finalizar fizeram o atacante ter bons momentos e acumular algumas convocações mas, por oscilar demais, jamais se firmou na Seleção.

Assim, surgiu o Corinthians como trampolim para o sucesso de Pato. O Timão precisava de um reforço de impacto na busca pelo bicampeonato da América e o atacante via no clube a chance de voltar a jogar bem e conseguir uma vaga no elenco que disputará a Copa do Mundo.

A euforia deu lugar às críticas. O jeito despreocupado, um tanto displicente, descompromissado de Pato não combinava com o Corinthians. Foi para o banco. Nessa eterna alternância, o desempenho do ataque alvinegro continuava pífio. Mas o alvo fixo das críticas era Pato. Romarinho é isso, Sheik aquilo, mas o Pato...ah, o Pato...

Vá lá que a torcida não quis enxergar o óbvio. Que Pato jamais faria o tipo "vida loca" no campo. Porém, o ápice da crise veio no pênalti batido contra o Grêmio. A maldita cavadinha que eliminou a equipe da Copa do Brasil. Instaurou-se o inferno.

Tite saiu. 2013 acabou. Veio Mano e o promissor 2014. Pato no banco. Lá, quieto. Nesse fim de semana, Mano testa o atacante. Ao seu lado, Sheik. E mais uma atuação discreta. Carimbou a trave, ouviu vaias, saiu para a entrada de Romarinho, mais vaias.

O Paulistão é o campeonato estadual menos pior do país. Mesmo assim tem uns times bizonhos na primeira divisão. Teoricamente, é obrigação ir bem todos os jogos e deixar as atuações mais controversas para os clássicos. Só que o problema do Corinthians está no ataque, não em Pato. Concentrar as críticas é errado, mas cada um que assuma sua responsabilidade.

Se Pato abandonasse só um pouco o estilo pop star e mostrasse algum traço de garra no campo, já aliviaria metade do peso que colocam em suas costas. E sua luta seria sua melhor defesa, independente da (in)competência do meio-campo ou do número de chances criadas. Romarinho ou Pato? Sheik ou Pato? Quem você escolhe? Disposto a se entregar minimamente em prol do time, Pato faria uma dupla explosiva com Guerrero.

Está nas mãos de Pato a escolha. Pode reagir, mostrar ter sangue nas veias ou se contentar a ser um Adriano da vida. Mais um a maltratar o futebol e a viver do nome ou do que foi um dia.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Roleta paulista

Dos renegados campeonatos estaduais, o Paulistão nem de longe chega a ser empolgante como o vizinho carioca. Ainda que tenha sofrido uma repaginada na edição de 2014, 15 intermináveis rodadas só servirão para definir os rebaixados e quais serão as equipes do interior agraciadas com o direito de ir às finais e, assim, de fato, surpreender. Mas todo mundo sabe que os holofotes sempre estarão voltados para os quatro grandes do Estado.

Um desempenho bom no Estadual não significa nada. Até o título pode virar prêmio de consolação se não vier a tiracolo o Brasileirão, a Copa do Brasil, Sul-Americana ou uma vaga na Libertadores que seja. Mas, pela primeira vez em muito tempo, o quarteto fantástico paulista está fora do cobiçado torneio continental. Então, o Paulistão prepara o terreno para uma verdadeira guerra de cego usando foice.

O Palmeiras, recém-promovido à elite do Brasileirão e preocupado em fazer um bom ano centenário, saiu garimpando o mercado e trouxe um punhado de jogadores para abastecer a base interessante montada em 2013. Vale destacar as chegadas do veterano Lúcio, com passagem bizonha pelo rival São Paulo, e de atletas que tiveram desempenho regular na última temporada, casos de Diogo, Marquinhos Gabriel e William Matheus. No mais, apenas ilustres desconhecidos e jogadores que voltam de empréstimo (Mazinho Messi Black entre eles).

Agora sob a batuta de Oswaldo de Oliveira e com Leandro Damião no ataque, o Santos ainda protagoniza algumas novelas no mercado. Vargas, Bruno Uvini, Lucas Lima seguem negociando com o Peixe. Com contratações pontuais, o melhor time paulista no Brasileirão passado vai brigar pela SEXTA final consecutiva e, quem sabe, igualar o São Paulo em número de conquistas estaduais.

São Paulo e Corinthians pouco se mexeram no mercado. Sem vencer o Paulistão desde 2005, o Tricolor até agora trouxe o lateral-direito Luis Ricardo e deve apostar na base que quase foi rebaixada no Brasileirão passado. Já o Timão, agora com Mano Menezes no comando, trouxe Uendel, lateral-esquerdo ex-Ponte Preta, e está prestes a anunciar o volante Bruno Henrique e o lateral-direito Fagner para buscar trazer novo ânimo ao elenco que conquistou o mundo há duas temporadas.

Feito esse blá blá blá dos grandes, chama atenção o fato de que desde 2009 ou dá Corinthians ou dá Santos. A política do café-com-leite alvinegra desperta todo tipo de especulação e superstição em torno possível campeão deste ano.

Cravar que o vencedor será o empolgado Verdão, que não levanta o caneco desde 2008, ou o São Paulo de Muricy Ramalho conforta pela exceção que quebra a regra recente, mas não parece uma aposta certeira. Santos e Corinthians ainda esboçam alguma solidez mesmo com novos treinadores. E não há se esquecer que todo ano tem aquele time do interior engraçadinho que apronta e faz um barulho até as finais.

Bom, sabemos que a Federação Paulista já entregou a arma na mão do macaco. 

Saberemos o sorteado em 13.04.2014. 




domingo, 13 de maio de 2012

Paulistão 12 - Final (2º jogo - Santos 4 x 2 Guarani)

Missão ingrata a do Guarani. Ter que reverter os 3 a 0 da primeira partida era pouco animador. Ainda mais depois de ver o Peixe aplicar impiedosos 8 a 0 sobre o Bolívar - com o detalhe que tinha perdido o primeiro jogo por 2 a 1. Se servia de estímulo, essa semana tivemos algumas viradas expressivas. Porém, em nenhum caso um time mais modesto era o protagonista do milagre.

Como derrotar o Santos? Como derrotar esse Santos? Atacar, rezar para não sofrer gol e realmente ter um aproveitamento infinito nas finalizações. Basicamente, era isso que o Bugre precisava. Quebrar o equilíbrio dos times de Muricy ou encontrá-los em um dia ruim é bastante raro. Hoje, não foi diferente.

Simplesmente 1 minutos após a bola rolar, 1º ataque do Santos, 1º gol. Neymar serve Elano na direita que cruza para Alan Kardec entrar de carrinho e complicar só mais um bocado as coisas para o Guarani. 

A mil, o Guarani achou o empate 3 minutos mais tarde. Danilo Sacramento invadiu pela esquerda e bateu cruzado. Rafael falhou, soltou nos pés de Fabinho que desviou para as redes. Jogo empatado e ainda tenso para o Bugre.

Apenas quatro minutos após o gol de Fabinho, Paulo César de Oliveira deu sua contribuição desnecessária ao Santos ao ver toque voluntária de mão de Fabio Bahia dentro da área. Pênalti que Neymar, ex-mau cobrador, converteu com categoria. Ao meu ver, por ser curta a distância entre a bola e o braço do jogador, além de não se vislumbrar chance real e concreta de gol, não era caso para reconhecimento da infração. Enfim.

Parênteses: Os últimos pênaltis de Neymar, especialmente os contra São Paulo e Guarani, foram batidos da forma que considero ideal. Sem gracinhas, forte, e no alto. Improvável o goleiro buscar. Enfim, outro fundamento no qual o jovem craque já aprimorou em sua meteórica ascensão. 

Só que o primeiro tempo estava longe de acabar. Mostrando hombridade, o Guarani foi em busca do empate aos 16 minutos. Fabinho cruzou, a zaga vacilou e a bola encontrou Bruno Mendes para tirar de Rafael e igualar o marcador. Não fossem os gols sofridos e podia-se dizer que o Bugre estava quase lá.

Ainda na primeira etapa, o Guarani subiu de produção e perdeu, pelo menos, outras duas boas chances. O Santos ficou mais preso e encontrou alguma dificuldade em atacar. No entanto, defendeu-se bem e superou os apagões defensivos. 

Veio os 45 minutos finais e em vez de notarmos aquele Bugre insinuante e ousado, vimos o Santos voltar como quem diz: "Bom, agora chegou nossa vez de brincar!". E só deu Peixe!

Aos 26 minutos, o golpe fulminante. Juan faz linda jogada pela esquerda e rola para Neymar, artilheiro do Paulistão, soltar o pé para anotar o 3º do Peixe. Explode o Morumbi! O show continua! Jogadas de efeito, 'olé' vindo das arquibancadas e caneco já assegurado.

No último lance da partida, o tiro de misericórdia. Alan Kardec recebe cara-a-cara com Emerson, pedala bonito e fecha a conta: 4 a 2. 

Título justo do melhor time. Melhor time não somente pelo campeonato, mas pela qualidade de cada atleta que entra e não deixa a orquestra destoar. Inclusive, a qualidade do grupo já foi retratada aqui

Neymar? Repito: O Brasil não é mais páreo para ele. Se quiser evoluir, é preciso encarar as forças europeias. Evoluir, ganhar mais corpo e, mais experiente, quem sabe ser na Seleção o craque que é no Santos. 

Por fim, defendo que as comparações com Pelé a respeito de sua permanência no Santos é injusta visto que desproporcionais. Com 20 anos, Pelé já tinha decidido uma Copa para o Brasil. Em seu tempo, o futebol era mais bruto, mais emocional e a qualidade das equipes eram superiores. Mesmo as menores. Então, sendo Neymar um jovem craque, deve ser encarado como tal. Jamais equiparado a Pelé. E, por enquanto, sequer comparável a Messi. 








domingo, 6 de maio de 2012

Paulistão 12 - Final (1º jogo - Guarani 0 x 3 Santos)

Domingo de final no Paulistão e em muitos estaduais Brasil adentro. 

Guarani e Santos foram os mais competentes este ano e chegaram para uma inesperada final. Inesperada por parte do Bugre, claro. Mas, sobretudo, uma final justa. Quer dizer, justa até a página dois. Afinal, a decisão da FPF em colocar ambas partidas no Morumbi tirou força considerável principalmente do Guarani em buscar equilibrar o confronto. 

Bom, a julgar pelo potencial de cada clube o triunfo santista era questão de tempo. Otimistas pregavam que o Bugre poderia complicar a vida do Peixe em ambos jogos. Já os mais xiitas apostavam que o Santos já colocaria uma mão na taça hoje. 

Infelizmente, foi o que aconteceu. O placar é incontestável. O suposto domínio campineiro em meados do primeiro tempo sucumbiu com o tiro de Ganso aos 42 minutos da primeira etapa. Até o gol, a única grande jogada de perigo criada pelo Santos foi em cobrança de falta de Elano aos 2 minutos de bola rolando que encontrou o travessão.

A primeira etapa, em tese, foi do Guarani. Marcou bem, anulava as ações ofensivas do Peixe e vinha para o ataque como dava. Sentiu demais a ausência da Oziel na direita e Fumagalli na articulação. Para piorar, perdeu o zagueiro Neto, um dos destaques do time, também lesionado. Tivesse um pouco mais de qualidade e tranquilidade poderia ter aberto o placar com Medina, aos 15 minutos.

No mais, o Bugre era muito coração, muita correria para pouca organização. Tranquilo, o Santos defendia-se de maneira competente e avançava sem afobação. Foi assim que chegou ao gol. Neymar escapa pela esquerda e toca para o meio. Arouca protege e Ganso, da entrada da área, começa a reger o show.

O segundo tempo reservava mais Santos, mais Neymar e menos Guarani. A sina do Bugre estava selada e foi facilmente possível perceber isso logo no primeiro lance. Bruno Recife recebe na esquerda e solta o pé. Aranha salta, defende com um braço, faz que vai no canto e...na trave! Pronto. Azedou de vez.

Elano bate outra falta no capricho e Emerson manda para escanteio. Pressão do Santos. Guarani passa a errar passes bobos e não se encontra ofensivamente. Era a deixa que o Peixe queria. Aos 20, Juan dá passe açucarado para Ganso, que invade a área e é desarmado pelo bote do goleiro Emerson. Mas a estrela de Neymar começou a brilhar. No rebote, o craque bate cruzado e amplia: 2 a 0.

Pane em Campinas, festa na Baixada. Perdido em campo, o Guarani não conseguia ameaçar Aranha nem em sonho. E viu o campeonato cair no colo do Santos no finalzinho da partida. Aos 46, Neymar novamente recebe na esquerda, limpa dois marcadores e fulmina alto, sem chances para Emerson. 

Três a zero. Três vezes Santos, o virtual tricampeão paulista.


(Ainda sobre o Santos, você pode conferir a 'Análise de Elenco' do Peixe clicando aqui. Confira!)