Neste domingo, Corinthians e São Paulo escreveram mais um capítulo da história do clássico Majestoso. Sem Alex, Liedson e Emerson poupados para a Libertadores, o Timão buscava a vitória para continuar na liderança. E o São Paulo, sem Rogério e sem Luís Fabiano, precisava vencer para manter o 1º lugar geral.
Todo clássico é movido por forças extra-campo. No caso de Corinthians x São Paulo as farpas das diretorias, as provocações entre as torcidas, e a freguesia tricolor são ingredientes que tornam o clássico bastante tenso emocionalmente.
O primeiro tempo foi inteiro do Corinthians. Logo aos 11 minutos, Jorge Henrique abre na esquerda para Fabio Santos, que rola para Danilo bater cruzado e Denis espalmar bonito para escanteio. Dez minutos depois, a superioridade do Timão aparece no placar. Jorge Henrique bate escanteio, e o criticado Danilo, ex-São Paulo, de cabeça inaugura o marcador.
A jogada expõe a fragilidade da defesa do São Paulo, que já não era lá essas coisas pelo chão, mesmo com a chegada de reforços. Além disso, vale destacar que Danilo ganhou de Casemiro e João Filipe no lance.
Mal taticamente e jogando fora de casa, o São Paulo era um morto vivo em campo. Lucas buscava jogo do seu jeito. Nem sempre conseguia produzir uma jogada perigosa. Jadson, discretíssimo, aparecia mais nas bolas paradas. O Tricolor errava muitos passes pelo meio, com Casemiro e Cícero praticamente sumidos. Willian José só apareceu na escalação e impedido. Cortez, mais uma vez, era a válvula de escape pelo lado esquerdo.
E o Timão administrava. Tocava bem a bola, explorava com velocidade os contra-ataques que, invariavelmente, terminavam com chuveirinho na área. A solidez do meio-campo impedia o São Paulo de criar jogadas de perigo.
Aos 36, quase o Timão amplia. Fabio Santos bate cruzado, Denis espalma para o meio da pequena área, caprichosamente a bola desvia de Elton e Cortez afasta.
Aos 43, finalmente, a primeira jogada de perigo do São Paulo. Jadson bate escanteio, Rhodolfo cabeceia e Ralf salva em cima da linha. No rebote, Cortez dribla Alessandro em velocidade, é derrubado e o juiz assinala o pênalti. Sem Luís Fabiano e Rogério Ceni, sobrou para Jadson. A contratação que chegou cheio de pompa, um meia de seleção, vencedor no emergente futebol ucraniano (e europeu, pois venceu a Liga Europa), foi para a cobrança e ISOLOU.
Sinceramente? Jogador profissional seguramente chuta uma bola desde uns 5-6 anos de idade. O gol tem, aproximadamente, 7,32 metros de largura por 2,44 de altura. Em outras palavras, na minha opinião, o profissional tem OBRIGAÇÃO de converter a cobrança. Pênalti não é nem nunca será uma loteria. É COMPETÊNCIA. Mais inadmissível ainda é isolar a cobrança!
Ainda deu tempo para Leandro Castan carimbar a trave esquerda de Denis e quase matar a partida ainda no primeiro tempo.
Na segunda etapa o jogo permaneceu o mesmo. O Corinthians mandava no jogo com propriedade, dando um quê de jogo-treino ao clássico. Ralf e Paulinho anulavam o meio de criação do São Paulo. Fabio Santos e Jorge Henrique infernizavam a zaga tricolor e Julio Cesar era mero espectador. Somente Cortez incomodava Alessandro, mas nada grave.
Pouco menos de 15 minutos e Leão faz suas apostas: saíram: Jadson, Casemiro e Willian José. Entraram Fernandinho, Maicon e Osvaldo. Menos de DEZ SEGUNDOS após as substituições e João Filipe assina sua carta de dispensa do time do São Paulo. Entrada desnecessária em Jorge Henrique no meio-campo e rua. Expulso direto, sem choro nem vela.
Leão, que apostou na sua improvisação na lateral-direita, já se arrependia pela segunda chance. Sem contar que já via o zagueiro com ressalvas desde a partida contra o Bahia, na virada sofrida, quando o beque pediu para sair alegando cansaço, depois de correr sem propósito durante boa parte daquele jogo.
Desesperado, o São Paulo saiu para o ataque de qualquer jeito. E Tite colocou seu time para jogar como gosta. Fechadinho e subindo na boa. Tanto que, além de bloquear a criação do adversário, deu-se o luxo de substituir "seis por meia dúzia", como Willian, apagado, por Gilsinho.
Aos 25 minutos, quase o Timão amplia. Alessandro aparece na direita, cruza rasteiro, a bola atravessa a área e a bola passa por Jorge Henrique. Aos 28, Paulinho limpa a marcação e bate ao lado do gol de Denis.
Sem organização, a torcida tricolor rezava por uma bola espírita e uma jogada iluminada de Fernandinho ou Osvaldo. Aos 30, o primeiro chute perigoso do São Paulo com Fernandinho para boa intervenção de Julio Cesar. O troco veio em seguida. Ralf dispara sozinho, se atrapalha com a bola e Paulo Miranda manda para escanteio.
Com pouco menos de 10 minutos para o final, o maestro Douglas reestreou pelo Timão e entrou no lugar de Danilo. O São Paulo, entregue e sem um pingo de organização das tramas ofensivas, parecia satisfeito com a derrota mínima. As substituições não surtiram o menor efeito, principalmente Fernandinho, que fazia o mesmo "o melhor e o pior" de sempre. Muita velocidade, muita habilidade, pouca objetividade, e utilização cerebral nula.
E foi isso. Vitória esmagadora do Timão por 1 a 0.
O resultado mostra o dedo de Tite, que mostra seu foco em montar um time espelhado no padrão de jogo da Libertadores. Uma equipe com muita pegada no meio-campo e que sabe aproveitar bem as oportunidades de gol. Com Alex, Emerson e Liedson, o rendimento tende a ser maior e credencia o Timão ao título da Libertadores.
E expõe a fragilidade do São Paulo. Muito bom no papel mas, no campo, sem organização e sem render o mínimo esperado. Além disso, prova a dependência de Luís Fabiano no ataque e da liderança de Rogério Ceni.
Agora, enquanto o Timão sonha tranquilo e começa a jornada rumo à América, o Tricolor dorme de cabeça quente e sonhando com Nilmar, atacante que poderia mudar a cara desse previsível ataque são-paulino.