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domingo, 7 de outubro de 2012

Messi 2 x 2 Cristiano Ronaldo

Barcelona e Real Madrid. Em qualquer lista de grandes times da atualidade, os eternos rivais sempre encabeçam qualquer início de resposta. Com relação aos melhores jogadores, algo semelhante ocorre. Messi, indiscutívelmente em primeiro, e logo depois Cristiano Ronaldo. Aí vem Xavi, Iniesta, Benzema, Di María e por aí vai. No clássico espanhol de hoje, ambos fizeram jus aos holofotes que recebem.

Nem sempre o equilíbrio prevalece nas partidas entre Barça e Real. A história recente mostra uma superioridade avassaladora dos catalães sobre os merengues. No entanto, nota-se que nos últimos duelos o Real Madrid tem conseguido ao menos equilibrar forças com o rival. 

Na partida de hoje, ficou provado porque se diz "o Barcelona de Messi" e o "Real Madrid de Cristiano Ronaldo". Ambos projetam seu futebol de uma forma esplêndida. No Camp Nou, empate por 2 a 2 com gols somente marcados pelos craques. 

São espetaculares. Provavelmente, Messi é o melhor jogador que já vi. Melhor que Ronaldo ou Romário. Ainda que eu defenda algum tipo de critério objetivo para determinar quem são os melhores de todos os tempos como se pudesse existir uma espécie de escala, Messi é incrível. Suas arrancadas, passes e arremates precisos seja com a bola rolando ou parada desafiam leis físicas e metafísicas.

Cristiano Ronaldo é veloz, habilidoso e, ao meu ver, tem um quê mais matador que o argentino. Gosto do seu estilo, embora não o veja melhor que a dupla brasileira mencionada. Por explorar demais sua imagem, ostentar alguma soberba, ganha a antipatia de alguns críticos. Mas é inegável que joga muita bola. Enquanto o português traduz seu talento em gols, gols e mais gols, eventualmente um passe aqui, uma jogada ali, Messi faz do conjunto da obra sua maior propaganda.

Não quero levantar aqui a bandeira em prol de um em detrimento de outro. Pode-se preferir um ao outro, sugerir que um esteja um patamar acima. Como eu mesmo acho que Messi realmente é "mais craque" que Cristiano Ronaldo. Contudo, amar um não implica em odiar o concorrente. 

Essa pressão da imprensa em idolatrar Messi e, invariavelmente, desmerecer o futebol do português sob um tosco argumento de que o gajo seria mais um "fruto do marketing" do que do futebol me parece um tanto injusta uma vez que Cristiano Ronaldo é o principal nome de uma das principais equipes do Mundo e justifica tal investimento.

Nesta tarde, o futebol me brindou com 90 minutos de uma rivalidade de excelente nível técnico. De equipes, de atletas e até de ideologias. Vi dois dos melhores jogadores que já acompanhei mostrarem do que são capazes. A única coisa que espero depois disso tudo é que continue assim e, se possível, com ambos em campo por muito tempo.

domingo, 25 de março de 2012

Regularidade 2 x 1 Sensação

Mais um domingo de clássico no moroso Paulistão. Desta vez, Corinthians e Palmeiras realizaram o dérbi paulistano no Pacaembu. O jogo colocou frente-a-frente a regularidade do Timão de Tite e o Verdão de Barcos, então líder invicto e sensação do Paulistão.

[Pago com a língua o que disse no amistoso do Palmeiras com o Ajax no início da temporada (ler mais aqui). O desempenho da "Famiglia Scolari" impressionava, embora, de fato, não convencesse tanto (dito aqui) ]


Em razão do falecimento de Chico Anysio, o Palmeiras entrou com nomes de personagens consagrados pelo humorista estampados nas costas dos jogadores. Atitude muito bacana do clube para o assumido palmeirense.

A partida começou quente com o Palmeiras tomando a iniciativa ofensiva. A pressão deu certo e Marcos Assunção, sempre ele,  colocou o Verdão em vantagem. Valdívia carrega e entrega para Assunção que arriscou a bomba de muuuuito longe. A bola bate na zaga e encobre Julio Cesar. Foi um belo gol, o tiro contou com desvio e tal. Mas não tirou muito a sensação de que o arqueiro corinthiano falhou.

Com o gol, o Palmeiras passou a cadenciar mais o jogo. Bem na marcação, os comandados de Felipão conseguiam anular bem o ataque rival. Danilo não mostrava a estrela dos outros jogos, Liedson continuava a amargar o jejum de gols e Sheik não justificava a titularidade. 

Contudo, veio o segundo tempo. E acabou rápido. Foram precisos 6 minutos para o jogo mudar e praticamente dar-se por encerrado. A sorte sorriu para o Timão logo aos 3 minutos. Jorge Henrique levantou na área, no bate-e-rebate a bola pega na mão de Márcio Araújo e sobra para Paulinho estufar as redes.

No lance seguinte, nem o mais otimista corinthiano poderia acreditar no que estaria por vir. Nova bola alçada na área, Henrique vacila ao errar o tempo do lance e a pelota encontraria Liedson livre. Encontraria, pois Márcio Araújo novamente protagonizou o gol alvinegro e com um leve toque empurrou contra as próprias redes.

A virada abalou definitivamente os nervos dos invictos que perderam completamente o domínio do jogo. Aí a partida ficou do jeito que Tite gosta. Sheik e Jorge Henrique pelas pontas infernizavam em contra-ataques sempre perigosos. Valdívia fazia um bom jogo, porém Barcos não foi sombra do matador que se viu nos últimos jogos.

Felipão fez o que deveria fazer, mexer no time. Sacou Cicinho, João Vitor e Maikon Leite para as entradas de Pedro Carmona, Artur e Ricardo Bueno. Carmona ajudou mesmo sem ter sido efetivo. Artur não fez nada diferente de Cicinho. E Ricardo Bueno foi Ricardo Bueno. 

Tite colocou as barbas de molho e fez suas alterações mais para o fim do jogo quando trocou Danilo, Jorge Henrique e Liedson por Douglas, Gilsinho e Elton, que pouco apareceram. 

O segundo tempo atípico pelos gols relâmpagos do Timão colocou em xeque o rendimento palestrino no ataque. Sob pressão, o time não respondeu bem. Desconsidero até a tarde azarada de Márcio Araújo, carrasco da própria equipe nos lances capitais. A verdade é que o Palmeiras voltou do intervalo como quem já se considerava vencedor do clássico. Parecia subestimar o poder de reação do adversário. Pagou caro.

Tite apenas inverteu o posicionamento de Danilo, Sheik e Jorge Henrique para inacreditavelmente virar uma partida em surreais 6 minutos. Deu sorte? Muita. Só que novamente, com o placar favorável, continuou a praticar o melhor de seu jogo: defender bem e contra-atacar perigosamente. A frieza e a regularidade aumentam a moral do clube na luta pelo topo do Paulistão e para conseguir uma boa posição nas oitavas pela Libertadores.

Não fosse a sorte o Corinthians teria virado o jogo? Talvez. A julgar pela postura do Palmeiras no segundo tempo é provável. A acomodação nos primeiros minutos custou caro. Para quem ostentava uma bela marca invicta, o Verdão tropeçou de maneira imperdoável aos olhos da torcida. 

Já pelo lado do Timão, além de contar com sorte mostrou muita competência ao aproveitar as chances que teve e explorar o desespero do eterno rival em bons contra-ataques.

Destaques finais da partida: Pelo Corinthians, Danilo estava contido. Jorge Henrique e Sheik, ao meu ver, arrebentaram com Cicinho e Juninho. Paulinho foi o homem do jogo ao dominar o meio-campo. Já do lado verde, Assunção provou que apesar de não ser tão rápido ou de não marcar tão bem é imprescindível na meia-cancha palmeirense. Ricardo Bueno entrou e novamente não fez absolutamente nada. Barcos sumiu esta tarde. Carmona mostrou certo empenho. Acho que merece ser melhor testado.

O clássico não eleva o Corinthians a Barcelona. Nem rebaixa o desempenho do Palmeiras ao de um time medíocre. Todavia, a forma como o resultado foi construído acende a luz amarela em ambos. Um por exagerar na sorte. Outro por abusar dela.

domingo, 18 de março de 2012

O despertar tricolor por um voto de confiança.

Outro domingo de sol, calor e clássico em São Paulo. Nesta 14ª rodada tivemos no Morumbi um San-São de tirar o fôlego. A vitória do São Paulo por 3 a 2 com um jogador a menos e confirmada somente depois do gol chorado de Lucas aos 41 minutos do 2º tempo, e graças à excelente defesa de Denis em falta batida por Elano aos 47 selam um pacto de união entre equipe e torcida.

O primeiro tempo foi inteiro Tricolor. Há muito não se via um São Paulo tão envolvente e dominante em um clássico. Não tardou a abrir o placar com Casemiro logo aos 8 minutos de jogo. O tiro de canhota de fora da área desviou na cabeça de Edu Dracena e estufou as redes do Peixe. Casemiro e Cícero ainda perderam grandes oportunidades de ampliar o placar. 1 a 0 foi pouco em razão de tantas boas jogadas criadas.

Mas veio a segunda etapa para mudar tudo que se tinha visto até então. Muricy sacou Ibson e colocou Elano, que sempre faz grandes jogos contra o São Paulo. Foram precisos menos de 10 minutos para a partida ganhar emoção e contornos dramáticos. Aos 5, Elano bateu escanteio, Denis, que fazia um bom e seguro jogo, espalmou fraco e a bola encontrou Edu Dracena sozinho na linha do gol para igualar o marcador.

No lance seguinte, Rodrigo Caio, então suposto lateral-direito e carrapato de Neymar, tomou o segundo amarelo e foi para o chuveiro. Uma perda considerável pois fazia uma ótima partida na marcação da Joia. Muricy logo tirou Adriano para colocar Felipe Anderson. E a expulsão fez Leão trocar Jadson, discreto para variar, por Piris. Pior que deu certo.

Quando tudo parecia questão de tempo para o Santos construir sua vitória, o São Paulo achou um gol. Em ótimo contra-ataque orquestrado pela dupla Lucas-Luís Fabiano, a tabelinha resultou em passe longo do meia para a área. Ao chegar na bola, Fabuloso põe na frente e é derrubado por Rafael. A imprudência e a afobação do goleiro no lance resultaram na penalidade convertida por Luís Fabiano: 2 a 1 com 25 minutos ainda a serem jogados.

Dez minutos mais tarde e Alan Kardec, que entrou no lugar do lateral Paulo Henrique Soares, encontrou Neymar sozinho no meio da zaga tricolor. O atacante recebeu, limpou Denis e mandou para o gol. Tudo igual no placar e maré para Peixe!

Assustado, Leão substitui Luís Fabiano pelo zagueiro Edson Silva. 

Talvez fosse mera questão de tempo para a partida terminar empatada ou o Santos virar o jogo. Porém, o mais improvável aconteceu. Aos 41, Lucas recebeu na direita, invadiu a área e viu Cortez livre. O cruzamento rasteiro veio na perna 'ruim' do lateral e de direita carimbou a trave. No rebote, a sorte. A bola cai nos pés de Lucas e deles para o gol. 

Ainda deu tempo para Elano bater falta frontal ao gol de Denis. O chute vem baixo e o goleiro faz ótima intervenção para se redimir da falha no 1º tento santista e segurar o placar. São Paulo 3 x 2 Santos.

Era a vitória que a torcida do São Paulo tanto queria. A equipe finalmente mostrou um mínimo de garra e disposição em buscar reverter um quadro desfavorável. Houve superação e entrega. Com isso, finalmente, o time mostra aos adeptos que merecem um voto de confiança. Inclusive Lucas, que começava a ser visto com certa desconfiança pelo desempenho mostrado até aqui e pelos recentes atritos com o treinador Emerson Leão. 

A derrota, na prática, não faz a menor diferença para o Peixe. Contudo, ao meu ver, expõe que não é um time imbatível. A facilidade como o Santos foi dominado na primeira etapa é algo raro de se ver. Um pouquinho de organização tática e disciplina na marcação podem anular Neymar e Ganso. Por outro lado, prova que, quando quer, o time vai lá e complica. O revés pode até entrar na conta do azar. Mas a displicência não passou longe não.

Por fim, um destaque negativo: a arbitragem. Foi desproporcional. Amarelou a defesa inteira do Santos (6 cartões amarelos ao todo) e distribuiu 3 para o São Paulo, sendo 2 para Rodrigo Caio, expulso, e um para Cicero. Não que o Tricolor não merecesse outros tantos. Mas o zagueiro Durval e o goleiro Rafael escaparam de um merecido cartão vermelho. Durval acertou um carrinho feio em Lucas, que partia rumo ao gol. E Rafael era o último homem no pênalti em Luís Fabiano. Puniria lá pela violência e cá pela clara oportunidade de gol. 






domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um autêntico CHOQUE-Rei.

Mais um domingo de sol, calor e clássico no Campeonato Paulista. Na senegalesca Presidente Prudente, Palmeiras e São Paulo disputaram um eletrizante Choque-Rei.

Com Lucas, que rendeu uma baita dor de cabeça à Juvenal Juvêncio nos últimos dias para liberá-lo, o Tricolor buscava reabilitação após a derrota no clássico contra o Corinthians. Aliás, jogar clássico tem sido motivo de muita preocupação no Morumbi. Nos últimos dois anos, poucas vitórias e uma série de atuações desastrosas.

Pelo lado palestrino, uma vitória poderia coroar a evolução do trabalho de Felipão, que ainda molda o Palmeiras à espera de Valdívia, Roman e, provavelmente, Wesley. Embalado com o triunfo sobre o Peixe no mesmo estádio, o Verdão contava com a bola parada e Barcos para surpreender.

E foi a bola parada, tão temida pelo instável São Paulo, que inaugurou o placar logo aos 5 minutos. Para variar, o Palmeiras alcança o gol valendo-se deste expediente. Já o Tricolor aproveitou a oportunidade para sofrer mais um gol desta modalidade. Falta na entrada da área pelo lado direito. Assunção e Daniel Carvalho no lance. Denis arma a barreira para cobrir o seu canto esquerdo. Daniel vem na bola, bate por fora da barreira, rasteiro e a bola morre no canto defendido por Denis.

Presumo existirem duas regras básicas universais para goleiros: 1-) bola na pequena área é dele; e 2-) tomar gol de falta no canto que você opta defender é falha estúpida. Denis falhou e comprometeu o início de jogo do São Paulo. Leão deve ter esboçado ligeiro sorriso. Explico já já.

Até a parada técnica, com uns 20 minutos de bola rolando aproximadamente, o jogo ficou meio morno. Na volta, o Tricolor melhorou. Lucas era o principal nome do time, embora jogasse praticamente sozinho. Jadson e Cícero estavam mais sumidos. Casemiro aparecia bem na frente com arremates de fora da área.

Aos 30 minutos, o São Paulo iguala o marcador. Casemiro avança pela esquerda e cruza para Cícero completar. A fase artilheira do meia contrasta com seu rendimento contestável na meia cancha. Contudo, novamente o Tricolor voltou a vacilar.

Pouco depois do gol, 7 minutos para ser mais exato, Barcos recebe na área. Paulo Miranda escorrega, Piris entra seco na jogada acreditando que o atacante chutaria. Ledo engano. Leve corte para a esquerda e chute firme para as redes: Verdão 2 x 1 Tricolor. Então, Leão deve ter feito uma cara de "não disse"? Agora explico o motivo para tais reações.

Vale lembrar que o treinador já se manifestou sobre a necessidade de querer mais uma opção para a lateral-direita e andou dizendo que gostaria de contar com mais um goleiro. Pois é. A diretoria foi atrás do promissor Douglas, detalhe: mesmo lesionado. Contudo, resolveu bancar Denis, reserva imediato de Ceni, que até o momento não havia demonstrado insegurança.

Porém, após dois jogos com falhas da dupla, a torcida reza para que o Reffis não falhe novamente e coloque Douglas em campo o mais rápido possível. Enquanto isso, a paciência com Denis vai se esgotando na medida em que a volta de Rogério parece cada vez mais distante. Entretanto, antes de crucificar o arqueiro é preciso calma. Sempre que entrou o arqueiro não comprometeu. Fez, inclusive, boas atuações. Pode ser apenas uma fase ruim, não pode?

Questionamentos à parte, Leão sacou Jadson, discretíssimo, e voltou com Fernandinho para o segundo tempo. Novamente o camisa 10 Tricolor deixou a desejar e, sinceramente, começo a desconfiar do seu potencial. Felipão manteve a formação vencedora e já que tinha o placar favorável, era só administrar.

O São Paulo melhorou um pouco. O Palmeiras trabalhava a bola à busca do contra-ataque perfeito e rondava a área, sem muito perigo. Errava passes ou se afobava e acabava perdendo a bola. E olha que Denilson à frente da área do São Paulo não era um cão-de-guarda que impunha medo.

Mas logo aos 10 minutos, a jogada que deixou o jogo realmente emocionante. Cortez recebe na esquerda, tenta o drible e Cicinho deixa o braço no lateral tricolor. Pênalti discutível, mas infantil. Por mais que o movimento do palestrino tenha sido meramente para girar o corpo, o braço denuncia a irregularidade. Willian José pegou a bola e não decepcionou. Bateu firme e igualou o marcador: 2 a 2.

Seis minutos mais tarde, Cícero, de falta, carimba o travessão de Deola. Na resposta, Maikon Leite isola tiro da entrada da área. Até a parada técnica, o São Paulo foi melhor, teve mais controle da bola e volume de jogo. Quando o Palmeiras chegou no ataque, tropeçava nas próprias pernas. Não era difícil rodear a área adversária, no entanto, as finalizações e os passes deixavam a desejar.

Leão trocou Casemiro por Rodrigo Caio. Felipão tirou Daniel Carvalho e colocou Patrik. 

Então Willian José protagonizou o 3º gol palmeirense. Não, não foi contra. 25 minutos da segunda etapa, Lucas escapa pela direita e encontra o centroavante livre. Era dominar, avançar e bater. Mas o autor do 2º gol tricolor errou o tempo da bola, o domínio e sua equipe pagou com o placar. No minuto seguinte, bola alçada na área, pane na alta zaga do São Paulo e a bola encontra o matador Barcos. Segundo dele no jogo e Verdão na frente: 3 a 2. 

Os Deuses do Futebol estavam impossíveis esta tarde e operaram um milagre. O canhoto Fernandinho, notório jogador de velocidade e corte seco, aquele que eu canso de dizer que é habilidoso, rápido e pouco inteligente, recebeu na esquerda, avançou e soltou a bomba de perna direita. A bola viajou firme no canto esquerdo de Deola. Belo gol Tricolor e tudo igual no placar: 3 a 3. 

A resposta palestrina não tardou. Marcos Assunção cobrou falta perigosa para boa intervenção de Denis. Cada descida era motivo de esperança e agonia para ambas torcidas. Deola fez duas boas defesas em falta cobrada por Lucas e cabeceio de Paulo Miranda. Felipão substituiu João Vitor por Chico e Maikon Leite por Ricardo Bueno. Com pouco menos de 5 minutos para o final, qualquer coisa podia acontecer.

Contudo, não aconteceu. A igualdade prevaleceu em um clássico realmente muito bom. Jamais um 3 a 3 será tosco. A partida refletiu o melhor da bola parada e cruzamentos palestrinos e do rendimento ofensivo tricolor. Por outro lado, confirma a péssima fase defensiva do São Paulo. Um meio-campo sem pegada e uma zaga em frangalhos com sérios problemas nas bolas aéreas preocupam demais.

No Verdão, entre reclamações sobre o pênalti e lamentações pelo gol espírita de Fernandinho, a zaga cochilou no gol de Cícero e o meio-campo precisa de acertos. Wesley pode ser a peça que falta para equilibrar a marcação e melhorar a qualidade do passe no setor, resta torcer por sua contratação. Entre mortos e feridos, se serve de consolo, o resultado manteve a invencibilidade da equipe no Paulistão.




domingo, 12 de fevereiro de 2012

Pitacos do Majestoso

Neste domingo, Corinthians e São Paulo escreveram mais um capítulo da história do clássico Majestoso. Sem Alex, Liedson e Emerson poupados para a Libertadores, o Timão buscava a vitória para continuar na liderança. E o São Paulo, sem Rogério e sem Luís Fabiano, precisava vencer para manter o 1º lugar geral.

Todo clássico é movido por forças extra-campo. No caso de Corinthians x São Paulo as farpas das diretorias, as provocações entre as torcidas, e a freguesia tricolor são ingredientes que tornam o clássico bastante tenso emocionalmente. 

O primeiro tempo foi inteiro do Corinthians. Logo aos 11 minutos, Jorge Henrique abre na esquerda para Fabio Santos, que rola para Danilo bater cruzado e Denis espalmar bonito para escanteio. Dez minutos depois, a superioridade do Timão aparece no placar. Jorge Henrique bate escanteio, e o criticado Danilo, ex-São Paulo, de cabeça inaugura o marcador. 

A jogada expõe a fragilidade da defesa do São Paulo, que já não era lá essas coisas pelo chão, mesmo com a chegada de reforços. Além disso, vale destacar que Danilo ganhou de Casemiro e João Filipe no lance. 

Mal taticamente e jogando fora de casa, o São Paulo era um morto vivo em campo. Lucas buscava jogo do seu jeito. Nem sempre conseguia produzir uma jogada perigosa. Jadson, discretíssimo, aparecia mais nas bolas paradas. O Tricolor errava muitos passes pelo meio, com Casemiro e Cícero praticamente sumidos. Willian José só apareceu na escalação e impedido. Cortez, mais uma vez, era a válvula de escape pelo lado esquerdo.

E o Timão administrava. Tocava bem a bola, explorava com velocidade os contra-ataques que, invariavelmente, terminavam com chuveirinho na área. A solidez do meio-campo impedia o São Paulo de criar jogadas de perigo.

Aos 36, quase o Timão amplia. Fabio Santos bate cruzado, Denis espalma para o meio da pequena área, caprichosamente a bola desvia de Elton e Cortez afasta. 

Aos 43, finalmente, a primeira jogada de perigo do São Paulo. Jadson bate escanteio, Rhodolfo cabeceia e Ralf salva em cima da linha. No rebote, Cortez dribla Alessandro em velocidade, é derrubado e o juiz assinala o pênalti. Sem Luís Fabiano e Rogério Ceni, sobrou para Jadson. A contratação que chegou cheio de pompa, um meia de seleção, vencedor no emergente futebol ucraniano (e europeu, pois venceu a Liga Europa), foi para a cobrança e ISOLOU.

Sinceramente? Jogador profissional seguramente chuta uma bola desde uns 5-6 anos de idade. O gol tem, aproximadamente, 7,32 metros de largura por 2,44 de altura. Em outras palavras, na minha opinião, o profissional tem OBRIGAÇÃO de converter a cobrança. Pênalti não é nem nunca será uma loteria. É COMPETÊNCIA. Mais inadmissível ainda é isolar a cobrança!

Ainda deu tempo para Leandro Castan carimbar a trave esquerda de Denis e quase matar a partida ainda no primeiro tempo.

Na segunda etapa o jogo permaneceu o mesmo. O Corinthians mandava no jogo com propriedade, dando um quê de jogo-treino ao clássico. Ralf e Paulinho anulavam o meio de criação do São Paulo. Fabio Santos e Jorge Henrique infernizavam a zaga tricolor e Julio Cesar era mero espectador. Somente Cortez incomodava Alessandro, mas nada grave.

Pouco menos de 15 minutos e Leão faz suas apostas: saíram: Jadson, Casemiro e Willian José. Entraram Fernandinho, Maicon e Osvaldo. Menos de DEZ SEGUNDOS após as substituições e João Filipe assina sua carta de dispensa do time do São Paulo. Entrada desnecessária em Jorge Henrique no meio-campo e rua. Expulso direto, sem choro nem vela.

Leão, que apostou na sua improvisação na lateral-direita, já se arrependia pela segunda chance. Sem contar que já via o zagueiro com ressalvas desde a partida contra o Bahia, na virada sofrida, quando o beque pediu para sair alegando cansaço, depois de correr sem propósito durante boa parte daquele jogo.

Desesperado, o São Paulo saiu para o ataque de qualquer jeito. E Tite colocou seu time para jogar como gosta. Fechadinho e subindo na boa. Tanto que, além de bloquear a criação do adversário, deu-se o luxo de substituir "seis por meia dúzia", como Willian, apagado, por Gilsinho. 

Aos 25 minutos, quase o Timão amplia. Alessandro aparece na direita, cruza rasteiro, a bola atravessa a área e a bola passa por Jorge Henrique. Aos 28, Paulinho limpa a marcação e bate ao lado do gol de Denis.

Sem organização, a torcida tricolor rezava por uma bola espírita e uma jogada iluminada de Fernandinho ou Osvaldo. Aos 30, o primeiro chute perigoso do São Paulo com Fernandinho para boa intervenção de Julio Cesar. O troco veio em seguida. Ralf dispara sozinho, se atrapalha com a bola e Paulo Miranda manda para escanteio.

Com pouco menos de 10 minutos para o final, o maestro Douglas reestreou pelo Timão e entrou no lugar de Danilo. O São Paulo, entregue e sem um pingo de organização das tramas ofensivas, parecia satisfeito com a derrota mínima. As substituições não surtiram o menor efeito, principalmente Fernandinho, que fazia o mesmo "o melhor e o pior" de sempre. Muita velocidade, muita habilidade, pouca objetividade, e utilização cerebral nula.

E foi isso. Vitória esmagadora do Timão por 1 a 0. 

O resultado mostra o dedo de Tite, que mostra seu foco em montar um time espelhado no padrão de jogo da Libertadores. Uma equipe com muita pegada no meio-campo e que sabe aproveitar bem as oportunidades de gol. Com Alex, Emerson e Liedson, o rendimento tende a ser maior e credencia o Timão ao título da Libertadores.

E expõe a fragilidade do São Paulo. Muito bom no papel mas, no campo, sem organização e sem render o mínimo esperado. Além disso, prova a dependência de Luís Fabiano no ataque e da liderança de Rogério Ceni. 

Agora, enquanto o Timão sonha tranquilo e começa a jornada rumo à América, o Tricolor dorme de cabeça quente e sonhando com Nilmar, atacante que poderia mudar a cara desse previsível ataque são-paulino.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

73 mortos no Egito. E vem mais por ai...

Final da Champions League de 1984. Roma. Roma x Liverpool. Vitória inglesa nos pênaltis. Derrota inglesa na violência que sofreu em terras italianas.

Final da Champions League de 1985. Hysel. Liverpool x Juventus. Vitória italiana por 1 a 0. Derrota italiana nas arquibancadas no episódio conhecido como "Tragédia de Hysel". Para os hooligans, valeu a revanche.

Campeonato Egípcio 2012. Port Said. Al Masry x Al Ahly. Os visitantes estavam invictos no torneio. Resultado: Masry 3 x 1 Ahly, 73 mortos e mais de mil feridos (de acordo com o portal globo.com). 

Sinceramente, não sei sob quais circunstâncias essa partida se deu. As informações que colhi em sites e blogs dizem que a partida ganhou proporções preocupantes após a negligência policial no estádio, bem como às declarações afiadas de dirigentes e jogadores do Al Masry.

Só sei de uma coisa: Isso não vai ficar por isso mesmo. Sim, cedo ou tarde vai ter troco. 

Aqui no Brasil é desnecessário mencionar os problemas que os clássicos geram. A estratégia capitaneada pelo São Paulo em reduzir a cota de ingressos aos visitantes ao mínimo de 10% não tem nada a ver em reduzir a violência. 

Todavia, acredito que tal medida ameniza os conflitos em torno do estádio. Só que as organizadas agendam seus tumultos em outros pontos da cidade e descarregam sua selvageria no que estiver ao redor. Nem é preciso falar em revanche. Os confrontos parecem inerentes às "instituições".

Por essa sensação de guerra civil em cada clássico é que nunca vivenciei um in loco. Só tevê, bar, rádio. No campo? Nem em sonho. No fundo, até prefiro ir a jogos menores, como aqueles contra times toscos do Paulistão para levar o filhão de 6 anos ver o time vencer e aumentar a empatia pelo clube. 

Há quem diga que só briga quem quer. Não é bem o que parece. Cada vez mais é comum ver demonstrações mais estúpidas envolvendo a paixão por futebol. Enquanto a violência no futebol for uma triste realidade cultural tupiniquim não acredito que o número de vítimas decorrentes dos clássicos irá diminuir. 

Claro, envolve uma mudança de mentalidade das torcidas, empenho e investimento na educação do torcedor como cidadão, além da colaboração eficiente da Polícia. 

Mas enquanto o mundo ideal não chega, restar rezar para que eventos lamentáveis como esses não se repitam.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Clássicos marcantes de São Paulo

Hoje é aniversário da Cidade de São Paulo. Para celebrar seu 458º ano de vida, seleciono os clássicos mais marcantes que acompanhei envolvendo seus três principais clubes.


PALMEIRAS x CORINTHIANS: 
Palmeiras 3 (5) x (4) 2 Corinthians - Semi-final da Copa Libertadores de 2000. Simplesmente impossível não mencionar. Na partida de ida, vitória do Timão por eletrizantes 4 a 3. Na volta, o Verdão deu o troco e, pela igualdade no saldo de gols, o jogo foi para os pênaltis. E aí o mito de São Marcos começou a surgir. Na última cobrança, Marcos defende o tiro de Marcelinho e classifica o Palmeiras para a decisão.   

Corinthians 2 x 2 Palmeiras - Final do Campeonato Paulista de 1999 - Outro jogo marcado na história pelas "embaixadinhas do Edílson". No primeiro jogo, Timão passeia por 3 a 0. Na finalíssima, o empate garantia o título, quando Edílson teve a "brilhante" ideia de fazer umas embaixadinhas na lateral e colocar a bola atrás do pescoço. Confusão generalizada e taça para o Timão.


SÃO PAULO x CORINTHIANS: 
São Paulo 3 x 1 Corinthians - Final do Campeonato Paulista de 1998 - O São Paulo havia perdido o primeiro jogo por 2 a 1. Para a partida de volta, contou com o retorno de Raí, que mal treinou com o time e foi para o campo. Resultado: vitória tricolor com dois gols do meia.

Corinthians 3 x 2 São Paulo - Semi-final do Campeonato Brasileiro de 1999 - No primeiro jogo das semi-finais do Brasileirão-99, o Timão se vinga de Raí. Dida defende dois pênaltis batidos pelo eterno camisa 10 do Morumbi. Na partida seguinte, um empate selou a classificação do Timão, futuro campeão.


PALMEIRAS x SÃO PAULO
São Paulo 2 x 1 Palmeiras - Oitavas-de-final da Copa Libertadores de 2006 - O São Paulo vencia a partida por 1 a 0 e encaminhava sua classificação, pois empatou o primeiro jogo por 1 a 1. Contudo, o Verdão igualou e cresceu no jogo com a expulsão de Leandro (SPFC). Só que o improvável aconteceu. Foi marcado um pênalti para o São Paulo que foi convertido por Rogério Ceni. Detalhe: teve que cobrar duas vezes por causa de uma paradinha.

Palmeiras 2 x 0 São Paulo - Semi-final do Campeonato Paulista de 2008 - Uma semi-final bastante farta em detalhes surreais. No primeiro jogo, vitória do São Paulo por 2 a 1, com um gol de Adriano. Tudo normal não fosse o detalhe que foi de mão. Precisando reverter o quadro, o Verdão fez o resultado, eliminou o Tricolor e seguiu firme na campanha do título. No intervalo deste jogo, um misterioso gás teria sido espalhado no vestiário do São Paulo, atrapalhando o desempenho dos atletas na segunda etapa. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Chega né?

Árdua foi a batalha para conseguir ver o grande clássico Real Madrid x Barcelona. De um lado, um fanático por futebol. Do outro, uma conexão de internet duvidosa e transmissões de qualidade discutível (ah, maldito streaming!). Mesmo assim foi possível ver boa parte do jogo. Reclamações à parte, vamos "directo al grano", como diriam na minha terra.

"Dirigentes do Real cogitam pedir a proibição da posse de bola do Barcelona no clássico"

É uma boa manchete, não? Certamente isso deve passar pela cabeça de muitos madridistas. 2x1 para o Barça (e poderia ter sido muito mais).

Mourinho tentou montar uma equipe baseada totalmente no contra-ataque, com pelo menos 8 jogadores esperando o adversário no campo de defesa. Tática perigosa, pois demanda um esforço físico muito grande e, consequentemente, o desgaste aparece.

Não deu outra: no primeiro tempo os merengues conseguiram abrir o placar em bela jogada de Cristiano Ronaldo (único jogador que tentou algo ofensivamente pelo seu time). No segundo tempo, aos 9 minutos, Puyol conseguiu empatar o jogo de cabeça (grande calcanhar de Aquiles do Real, há algum tempo), numa falha clamorosa de Pepe.  Aos 30, Messi (que estava discreto - para os padrões dele, claro) deu um passe magistral para Abidal selar a vitória do time que foi infinitamente superior ao seu rival na etapa final.

Ficou claro também que a equipe de Madrid não sabe perder. Pepe foi o símbolo disso. Bateu o jogo inteiro e teve a covardia de pisar na mão de Messi enquanto ele estava no chão. O árbitro fez que não viu e o zagueiro saiu no lucro. Tais atitudes são equivalentes a de uma criança birrenta, dona da bola, que a leva embora quando a situação não é favorável. Claro que os caras devem estar cheios de aguentar esse insuportável time catalão, mas nada justifica isso.


Não resta outra alternativa ao Real a não ser continuar tentando. Condições de vencer existem. Se pararem de assumir o clássico como uma batalha contra um inimigo mortal, fica mais fácil.


Fotógrafo flagrou o momento em que Pepe chegava ao vestiário.