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segunda-feira, 7 de julho de 2014

O direito ao fracasso

Última semana de Copa. Passada a euforia dos jogos das quartas e já sentindo na pele a ansiedade pelas semifinais vejo que a aura de dúvidas e questionamentos que perambulou a Seleção durante todo o Mundial acaba por criar o clima perfeito para que o Brasil tenha o direito de perder, fracassar. Tudo isso, claro,  só nos foi possível enxergar graças à joelhada de Zuñiga. 

Todo nervosismo foi deixado de lado dentro do campo. Temporariamente. Paulinho herdou a vaga de Luiz Gustavo, suspenso, e Maicon veio reforçar a lateral no lugar de Daniel Alves. E Thiago Silva parecia predestinado à glória e redenção quando marcou logo aos 6 minutos. À frente do placar, a Seleção conseguiu de certo modo neutralizar bem as investidas cafeteras com sucesso.

David Luiz, de falta, um golaço, ampliou aos 22 do segundo tempo e, finalmente, parecia que o Brasil tinha se encontrado. Era aquela vitória para dar moral e passar aquele recado ao mundo de quem manda nessas bandas. Até mesmo aquele cartão amarelo bobo para o Capitão Chorão minutos antes não seria mais sentido.

Mas, àquela altura, perdido por 2, perdido por 10. A Colômbia se lançou ao ataque e o tal James Rodríguez diminuiu, de pênalti, aos 34. 

Dali em diante o Brasil não foi mais Brasil. Apesar da gana em se defender, os contra-ataques eram incrivelmente descoordenados, burros mesmo. Durante a eterna briga naqueles minutos infinitos de deus-nos-acusa, a bola se ofereceria para Neymar. Zuñiga chegou forte, por trás, para matar o lance potencialmente fatal. 

Enquanto Oscar carregava a bola inutilmente para o ataque até que a defesa colombiana desse cabo da situação, Neymar estava estendido no chão. Dessa vez não era mais uma valorização da falta, que passou impune. Não pela lei da vantagem, correta, mas bem que o juiz poderia ter voltado lá e levantado o amarelo pela truculência exagerada.

A fratura na terceira vértebra lombar tira Neymar da Copa. O jogo acabou, o Brasil classificou e não há mais Neymar. Malhar Zuñiga, além de burrice, é desvio de foco para nossos problemas. Falta feia mas de jogo. Acontece toda hora. Todo marcador brucutu vem e dá o tranco. O joelho levantado ou abaixado não importa. Era um contra-ataque, a bola vinha ali pronta a ser dividida, enfim. 

Não ter mais Neymar, único diferenciado do elenco, alimenta aquele sentimento esquecido 20 dias atrás de que não somos imbatíveis. Sabemos o quanto Fred é um cone inoperante no ataque, nos acostumamos a odiar os apagões de Oscar e a tremer nas bases a cada investida inimiga sobre nossos laterais. Lembramos de como Hulk é terrível nas finalizações e de não termos opções de qualidade para sanar esses problemas.

Assumimos um risco em depositar todas as fichas naquele profeta de bigode e no menino de moicano. Restou agora o papel de torcedores. De torcer para que Dante ou Henrique ou seja lá quem não diminua a qualidade de nossa ótima defesa e que William ou Bernard cumpram seus deverem a contento.

Por isso, a atmosfera de otimismo no hexa começa a preparar o cenário para uma queda. Honrosa, porém, lá no fundo, esperada.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Quartas de meudeusdocéu

Sexta e sábado vão rolar as quartas-de-final da Copa. E aqui vão os meus pitacos sobre os jogos:


BRASIL X COLÔMBIA

O Brasil fez das tripas coração para estar aqui. Aquela ilusória goleada sobre Camarões não foi capaz de fazer a equipe se encontrar e engrenar e passar confiança rumo ao hexa e choro e emoção e aquela coisa toda que tudo mundo tá careca de saber. Passou um aperto danado contra o Chile vindo a classificar-se nos pênaltis. Sem Luiz Gustavo, a preocupação de Felipão é em como ajustar a defesa contra o veloz - e eficiente - ataque colombiano. A tendência é que Paulinho volte ao time e, juntamente com Fernandinho, corram o meio inteiro para acompanhar a correria cafetera e tentar uma transição mais rápida, explorando espaços deixados nas subidas de Cuadrado, Zuñiga, Armero, James Rodríguez e cia. Mas não está descartada a entrada de Dante na zaga para liberar David Luiz para avançar como volante e fechar como zagueiro. Ou colocar Henrique para fazer essa função e manter David onde está. Um Felipão cheio de dúvidas, Oscar, Fred, Hulk e Daniel Alves na mira da torcida, equipe com emocional à flor da pele e jogando muito aquém de seu potencial, completamente refém de Neymar resume a situação atual da equipe.

A Colômbia é a única seleção que sobrou até o momento. Sobrou na primeira fase e despachou o Uruguai por 2 a 0 sem maiores dificuldades. Como dito, é um time veloz de franca vocação ofensiva. Levaram apenas dois gols até aqui, mas isso não sugere que seja uma defesa tão eficiente já que não foi lá muito bem posta à prova. Sofreu um gol de Costa do Marfim e outro do Japão, pra se ter uma ideia. Contudo, joga um futebol regular, com James Rodríguez voando (atual artilheiro isolado com 5 gols), ofensivo até a tampa e atravessa grande fase. Tudo isso contrasta com a falta de tradição e camisa em Copas do Mundo.

Palpite: Tentado a apostar na zebra cafetera, me rendo ao peso da camisa que enverga varal: Brasil 2-1 Colômbia


FRANÇA X ALEMANHA

A França veio desacreditada. Aí mostrou que seu ataque vai muito bem, obrigado, mesmo sem Ribéry e Nasri. O meio-campo muito bem organizado por Deschamps tem Cabaye e Matuidi equilibrando a defesa e auxiliando com competência o ataque. Contra a Nigéria, a vitória por 2 a 0 veio depois de muito martelar o gol africano. Não foi uma partida fácil ou favas contadas como parece. Entendo que vem motivada mas não encarou um grande desafio. Sofrer para derrotar a Nigéria e aquele empate modorrento com o Equador dão sinais de que os bleus não são lá muito confiáveis.

Quem começa a ser vista com desconfiança é a Alemanha. Embora conte com bons nomes em todas as posições e, ao meu ver, seja uma equipe bastante regular, sofreu demais para vencer a aguerrida Argélia. O triunfo por 2 a 1 veio somente na prorrogação. Deu alguma sopa para o azar mas foi melhor e, fosse mais competente, teria matado o jogo no tempo normal. A Alemanha mostrou força ao golear Portugal (mesmo que a qualidade de Portugal seja discutível e que a expulsão tenha contribuído para o resultado final, 4-0 foi um exagero de bola) e soube lidar com a pressão no empate bem jogado contra Gana e em ter nervos no lugar para despachar a Argélia. 

Palpite: Alemanha 1-0 França


HOLANDA X COSTA RICA

Um duelo surreal. A eterna Laranja Mecânica passeou na primeira fase em um grupo muito forte. 3 boas vitórias com direito a goleada sobre a Espanha. Contudo, suou sangue para eliminar o México. Perdia até os 42 do segundo tempo, quando Sneijder lembrou que tava tendo Copa e empatou. Nos 48, Huntelaar converteu pênalti sofrido por Robben, outro que tá arrebentando esse Mundial. Virada e amplo favoritismo contra a Costa Rica.  

Maior surpresa dessa Copa - mais até que a tal Melhor Geração Belga - a Costa Rica foi a foice do grupo da Morte, por mais surreal que isso pareça. Venceu Uruguai, Itália, amarrou um 0-0 com a Inglaterra e deu-se o luxo de testar o coração de seu torcedor. Ganhava da Grécia até os 45 do segundo tempo por 1 a 0, quando levou o empate. Com um a menos durante boa parte do segundo tempo, a Costa Rica segurou-se bem e eliminou os gregos nos pênaltis (5-3). Deu aulas magnas nessa Copa de organização, respeito, oportunismo e até cobrança de pênaltis. 

Palpite: A Melhor Geração Costarriquenha que me perdoe, mas eu não consigo imaginar essa zebra indo mais além. Holanda 3-0 Costa Rica.


ARGENTINA X BÉLGICA

Seguindo a filosofia do sofrer para avançar, a Argentina também empenhou parte da alma para classificar-se sem as penalidades. A vitória por 1 a 0 sobre a Suíça saiu dos pés de Di María aos 12 do segundo tempo da prorrogação. A Argentina ainda viu sua trave balançar no último lance de jogo. Ao longo dessa Copa a Argentina não foi a Argentina que se esperava. Em que pese as 4 vitórias, a dependência de Messi e os constantes sustos defensivos e apagões de Higuaín levantam a sobrancelha de todos para essa equipe.

A famigerada melhor geração belga chegou até onde se esperava. Mesmo com bons talentos individuais, não é um time empolgante, fica a sensação de que muito se falou e pouco se viu essa equipe fazer. Até fez uma boa partida contra os EUA mas também sofreu um tanto para avançar. Howard pegou até pensamento, porém não conseguiu evitar a queda americana por 2 a 1, todos os gols na prorrogação. 

Palpite: Argentina 2-1 Bélgica

terça-feira, 3 de junho de 2014

Grupo C - Colômbia, Grécia, Costa do Marfim e Japão

Eis o grupo mais skol litrão da Copa. O preciso conceito consagrado pelo ex-meia e hoje filósofo da bola Perdigão (ex-Inter e Corinthians) sintetiza bem o que esperar desse grupo tão surreal.

A cabeça-de-chave foi a Colômbia (2ª colocada nas Eliminatórias). Ter o selecionado cafetero na posição 1 do grupo abre com chave de ouro a caixa de Pandora presente na ala C da Copa do Mundo. Na sequência, Grécia, Costa do Marfim e Japão. Todas essas Seleções colecionam participações em Copas do Mundo sempre na condição de coadjuvante e nada além disso. Aliás, estão mais para figurantes de Malhação. 

No entanto, essa Copa permitirá que duas delas avancem até as oitavas sob a famigerada condição de zebra que lhes conferem o direito de tentar chocar o Mundo. Afinal, seus respectivos adversários virão do grupo D, ainda a ser visto de perto, mas, já adianto, se alguma Seleção do grupo C chegar às quartas-de-final será uma surpresa e tanto.

Tenho comigo alguma certeza de que, ao final do sorteio dos grupos, Valderrama teria se esbaldado de sambar. A Colômbia tem uma equipe bastante interessante revestida de traços de alegria e ousadia no ataque.

A grande baixa é Falcao García. O centroavante não se recuperou de lesão e está cortado do Mundial. Mesmo assim, os cafeteros contam com um conjunto respeitável e experiente. Na ausência de seu matador, os nomes a serem vistos de perto atendem por Guarín, Cuadrado, James Rodríguez, Jackson Martínez. O elenco ainda conta com o irreverente Pablo Armero, ex-lateral do Palmeiras (clique para lembrar dele).

Assim, a Colômbia chega com uma zaga rodada, uma meia-cancha obreira e um ataque bastante rápido. Ao meu ver, deve ser o bastante para obter uma das duas vagas às oitavas.

Restam, portanto, outras 3 equipes para mais uma vaga.

Minha favorita é a Costa do Marfim. O futebol africano pode ser resumido a muita força e velocidade. Todavia, no time da Costa do Marfim é possível vislumbrar alguma qualidade graças à presença de jogadores diferenciados e experientes.

O veterano artilheiro Drogba merece respeito. Assim como Yaya Touré, um dos melhores meias em atividade. Além deles, Gervinho, Kalou e Kolo Touré são outras peças que acrescentam algum diferencial em relação aos rivais de grupo.

Mesmo tendo sido abençoadas com um grupo relativamente nivelado que permite almejar a classificação, considero Grécia e Japão os azarões dos azarões nesse bloco e não acredito que irão adiante na Copa.

A Seleção Grega não preza pela ofensividade. É uma equipe de clara vocação defensiva destinada a explorar contra-ataques com qualidade discutível. Nas Eliminatórias, ficaram em segundo de seu grupo, empatados com a Bósnia. Em 10 jogos, 8 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Porém, chama a atenção os 12 gols marcados e apenas 4 sofridos.

Mesmo tendo atuado diante de equipes bem mais modestas (ou medíocres, como preferirem) é um dado a ser relevado. Enfim, na repescagem os gregos bateram a Romênia pelo placar agregado (jogo de ida + jogo de volta) de 4 a 2. 

A merecerem algum destaque, fiquemos com o zagueiro Sokratis, o veteraníssimo meia Karagounis e Samaras e Mitroglou para o ataque.

Acho pouco provável que esse ferrolho espartano venha a segurar o ataque de Colômbia ou Costa do Marfim.

Da mesma forma que reputo improvável que o Japão surpreenda. A menos que tragam alguma engenhoca tecnológica que transformem seus atletas em verdadeiros transformers boleiros.

É indiscutível que o futebol japonês evoluiu consideravelmente. Basta notar que, embora grande parte dos 23 convocados atue em casa, uma boa meia-dúzia perambula pela Europa, especialmente no disputado futebol alemão.

Contudo, não é o bastante para credenciar o Japão a uma das duas vagas. Em que pese ter uns dois ou três talentos na parte ofensiva, como Honda, Kagawa e Okazaki, o sistema defensivo deixa a desejar. Prova disso foi o desempenho na Copa das Confederações ano passado. Por mais que tenha tido lapsos e equiparado forças em alguns momentos nos jogos contra México e Itália, não resistiu. Voltou para casa com 3 derrotas na mala. 

Após bater nos Samurais Azuis, assopro. Tem mais chances de eventualmente ficar com uma vaga que a Grécia.


PALPITE:
1º - Colômbia
2º - Costa do Marfim

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