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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Liberta-me, por favor.

Quarta-feira foi a cerimônia de iniciação de um novo membro ao olimpo do campeões da Libertadores. Foi uma cerimônia tensa e que, por longos 90 e tantos minutos, deixou a dúvida no ar de quem seria o escolhido pelo conclave latino. A América clamava por um novo libertador e estava-se diante de dois times que realmente mereciam um trofeu para cada.

A um minuto de jogo, o Nacional Querido me carimba o poste cuervo. Que disparate! Uma jogada de extrema ousadia para um time que se notabilizou pela timidez ofensiva, deixando-a aflorar somente em situações extremamente pontuais ao longo de uma partida.

O Ciclón, tendo o Papa já estourado o terço após o precoce incidente, tentou colocar a redonda no chão e fazer valer a virtual superioridade técnica - que em termos de Libertadores não significa absolutamente nada - para buscar retomar o controle da situação ou mesmo de suas faculdades mentais.

No entanto, o que se via era um Nacional arisco, cheio de graça. Propuseram o jogo de maneira franca e deram-se o luxo de deferir tiros de fora da área de maneira até teimosa, como se tivessem de fazer a bola entrar na marra, o que é extremamente válido em uma final dessa magnitude. 

Ficou evidente que o fator cancha já tinha ido pras cucuias. O San Lorenzo batia cabeça no ataque e pouco produzia. O Nacional rondava a área adversária e, apesar do volume produzido, era pouco efetivo. Seria necessário um outro fator de desequilíbrio para resolver essa final. 

Em vez das triviais penalidades, optou-se pela imbecilidade. Na única vez no primeiro tempo que o Ciclón chegou com decência no ataque, o escanteio batido da direita encontrou Cateruccio na entrada da área na ponta esquerda. Do bico da grande área, o avante tenta alçar a bola na área. Coronel, na tentativa atabalhoada de interceptar, deixa os braços dançando no ar como um boneco de posto. Pênalti claro.

Ortigoza, que no olhômetro envergava uma bela camada de tecido adiposo pelo corpo, não bateu bem. Mas bem o bastante para deslocar Nacho Don e fazer o gol do título argentino. 

Foram preciso mais 45 minutos de aflição. Porém, em vez dos sustos constantes, a segunda etapa deu lugar a um Ciclón ciente do regulamento e da vantagem de se jogar em casa. A percepção dos meandros da Libertadores por Romagnoli ditou o rumo de um moroso final de partida com total controle pela banda de Boedo.

No duelo das camisetas sem lastro na Libertadores, venceu a que, talvez, merecesse um tanto a mais. É uma pena que os feitos desse Nacional Querido não puderam ser eternizados nessa edição. Quem sabe numa próxima. Agora, apenas se espera que o Papa se recupere bem após ter saído pela Santa Sé nu com fogo ateado ao corpo como uma maneira aceitável de extravasar e comemorar La Copa.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Por mais 90 minutos

Tudo que o homem médio quer da vida numa quarta-feira após um dia extenuante de trabalho é sentar em frente a televisão e assistir o futebol tranquilamente como se sua alma precisasse daqueles 90 minutos boleiros de alento para resistir bravamente até o fim de semana. Era tudo que eu queria ontem. Fui tolhido de exercer minha masculinidade por razões de força feminina, que me obrigava a buscá-la no aeroporto.

O maldito vôo chegava 21h. Nacional Querido e San Lorenzo começariam a batalha campal pela glória maior da Libertadores. Graças a um milagre dos céus, da Embraer, sei lá, consegui deixar Guarulhos pouco antes das 21:30. Com sorte, eu chegaria para o segundo tempo.

Adoro rádio. Adoro mesmo. Mas são todos uns desgraçados desinteressados no maior duelo da América. Todas as frequências apontavam para o mesmo modorrento Palmeiras x Avaí e a cada 5 horas lembravam-se de informar, em tom manifestamente inapropriado para a grandiosidade da partida, que o embate no Defensores del Chaco seguia 0-0.

Enquanto minha namorada discorria sobre a viagem, a audiência, o escritório, o céu, a terra, o luar, interrompeu seu monólogo para me fazer uma sugestão indecente: evitar a saída que claramente indicava SÃO PAULO-MARGINAL TIETÊ pois, segundo seu questionável conhecimento da geografia local e duvidoso senso de direção, havia uma outra saída adiante.

Óbvio que ela estava errada. Quando me vi diante de um comunicado formal da rodovia alertando que era o último retorno antes do pedágio percebi o equívoco que me tolhia sagrados minutos de futebol. Enquanto ajustava as coordenadas da nave para o caminho de casa, fiz um pacto com Cronos para que congelasse o tempo ou desse simbólicos 20 minutos de acréscimo para que, com o intervalo, eu pudesse me dar ao luxo de ver 45 minutos dessa final incrível.

Cansado, irritado, faminto, adentro o apartamento e corro para a televisão. 10 minutos do segundo tempo, 0-0. Corro na cozinha, deito uma meia dúzia de costelinhas no prato, espremo o limão de qualquer jeito por cima delas e volto para o quarto. Comida, futebol, puta merda, esqueci algo pra beber.

Jogo rolando e eu lá, confortável, mastiga aqui, vê a pelota correr pra lá e pra cá sem muito perigo para nenhuma das duas equipes. San Lorenzo del Papa melhor. Trabalha melhor a redonda, troca bons passes e circunda o campo de ataque com mais ousadia que os mandantes. O Nacional Querido seguia sua cartilha de defender-se muito e atacar somente quando insistentemente convidado.

Comer costelinha jamais será um ato limpo. A Libertadores também não é um torneio que se vence com um certificado da vigilância sanitária. E durante uma briga que eu travava com um pedaço de carne que insistia em não sair do osso eu olhava para outro ataque despretensioso dos cuervos. Os passes chegam à lateral e tome bola na área. Matos antecipa e de bate-pronto tira de Nacho Don.

Foi possível ouvir um grito ensandecido seguido de uma bateria de fogos na praça São Pedro. Tal fato é verídico porque ganhou eco nos Defensores del Chaco posto que somente se ouviam as gargantas argentinas no Paraguai. Larguei o osso resignado. Embora feliz pelo Papa, praguejei contra ele. Sabia que o San Lorenzo era melhor mas, caramba, era o Nacional Querido! Como não amar?

Terminei de comer e mantive os olhos nas tentativas desorganizadas do Nacional em tentar reverter o quadro de terror que se pintava. Os minutos passavam tão rápido quanto no carro uma hora atrás. Poucas ameaças paraguaias, contra-ataques eternos dos cuervos. Já iniciava colocar essa desgraça toda na conta dessa maldita viagem de trabalho que me fez perder não só 55-60 minutos de jogo, mas toda uma final sui generis.

45 minutos. Levo o prato na cozinha, balanço a cabeça negativamente e volto pro quarto. Entro no banheiro, encosto a porta e passo a divagar. Sou mestre em concentrar meus pensamentos em assuntos absolutamente aleatórios durante incontáveis horas. Começo a escovar os dentes já dando como certo o título cuervo. 

E estou lá pensando em algo tão importante como que gravata eu vou usar amanhã porque preciso acordar cedo para evitar o trânsito e que o San Lorenzo tanto merecia o título a ponto de ter o Papa como hincha e, puts, imagina só Ciclón e Real Madrid no Mundial, tal e coisa e eis que ouço ao fundo uma música. Uns tambores, um som estridente de algum ritual pagão sul-americano de uma tribo ainda a ser descoberta mas já familiar aos meus ouvidos. Corro para a tevê e vejo Júlio Santa Cruz - irmão de Roque - abraçado pelos seus companheiros.

Era um gol! Gol do Nacional Querido! Uma bola desesperada lançada na área acaba por se oferecer para Júlio completar para as redes e empatar o placar aos 48 minutos! O replay mostrava o tento da esperança em vários frames e, comemorei. Ergui a escova como um bastão, punhos cerrados e bradei um audível "IÉÉÉ!" alto o suficiente para que de 80 a 100% da espuma da minha boca fosse despejada entre minha camiseta e o chão do quarto.

O gol dá ao Nacional a esperança de jogar como gosta. Vai se defender ao extremo e atacar pontualmente desde que o San Lorenzo ofereça um latifúndio para tanto. Aos de Papa nem tudo está perdido. Os cuervos jogarão em casa, possuem um time mais técnico, mais equilibrado, com mais predicados e alternativas. São virtuais favoritos. Porém, estamos falando de Libertadores, d'A Libertadores. Previsões são meras especulações de uma gama infinita de possibilidades. Deito satisfeito. Haverá mais 90 minutos.


quinta-feira, 31 de julho de 2014

A surreal Libertadores da fé

La Copa chega ao seu final. Restam somente os últimos dois embates épicos que hão de consagrar um novo campeão. Uma inédita final para os participantes. Um frio estranho na barriga de vivenciar este momento tão esperado, almejado, mas não sem deixar de sentir algum remorso por ali estar, como se o panteão sagrado da América a ser gravado na base da taça mais emblemática do planeta fosse um louro maior que o próprio clube.

É realmente complicado escrever. Às vezes não percebemos que a história está acontecendo aí na nossa cara e simplesmente permitimos que isso passe batido para, somente no futuro próximo, percebermos a grandiosidade daquele momento então tão natural.

Tentei profetizar o apocalipse dizendo que não teríamos um campeão brasileiro. No entanto, jamais consideraria que nenhum de nós sequer alcançaria as semifinais com 4 equipes que nunca haviam chegado tão longe. 4 times que disputariam o direito de jogar sua primeira final de Libertadores. 4 times mais que azarões, zebras mesmo.

Quis o destino que os dois piores segundos colocados classificados para este surreal mata-mata despachassem seus rivais para travarem o duelo final da Libertadores. 

Surrealismo. Por certo a Libertadores-2014 criou toda a atmosfera favorável para que víssemos tudo aquilo que rolou na Copa Padrão FIFA e, agora, com o jarro já vazio, coloca na conta da fé de cada um dos finalistas.

A final entre Nacional Querido e San Lorenzo del Papa vai testar a fé de muito ateu fervoroso. Isso porque a maneira como essas equipes chegaram até aqui desafiou a lógica e em muitos momentos até a física.

Como explicar o gol que Herrera, do Defensor, perdeu? Embaixo das traves, goleiro batido, pequena área, 45 do segundo tempo e a bola caprichosamente explodir no travessão? É razoável dizer que o San Lorenzo bebeu na fonte alemã da Copa do Mundo para abrir um magro 5 a 0 no jogo de ida? Veem? São coisas bizarras convergindo para um mesmo fato: a final.

Há um virtual favorito e tende a ser o San Lorenzo. O Papa não é o principal fator de desequilíbrio. Ter eliminado Grêmio e Cruzeiro com frieza e ter despachado o Bolívar com truculência acima do normal revelam uma equipe mais equilibrada e um tiquinho superior ao Querido Nacional. (Em tempo, a derrota por 1 a 0 na Bolívia sob o efeito do viagra deu-se de modo agradável e sem dramas)

Contudo, do outro lado está o desgraçadamente copeiro Nacional Querido. Se o San Lorenzo é um time grande (o único dos gigantes argentinos) sem La Copa, o Nacional paraguaio é um time médio. Hoje vive dias melhores mas, ainda assim, em tese, fica bem atrás de Olímpia, Cerro Porteño, Libertad, por exemplo.

Mas voltando. O Nacional tinha que ser pego pra estudo. Em casa, o time se organiza bem atrás e dá suas escapadelas no ataque. Conquista seus placares magros para que no segundo jogo simplesmente abdique do ataque para se defender por longos e cardíacos 90 minutos. Contra o Defensor não foi diferente. O time tomou sufoco do primeiro ao último minuto e segurou dignamente a derrota por 1 a 0.

Essa final é tão imprevisível quanto, sei lá, jogo do bicho. Nem por isso fico no muro. Aposto no San Lorenzo del Papa. Mas Seo Chico que me desculpe, sinto-me obrigado a torcer pelo Nacional Querido. 




quinta-feira, 24 de julho de 2014

La Copa de todas las Copas

Tão indefectível quanto meu portunhol é o fato desta Libertadores ser a mais surreal desde, pelo menos, 1992, tendo-se em conta a ampla pesquisa realizada pelo renomado Centro de Pesquisa e Estatística do Impedimento.

Embora ausentes a Rede OM Brasil, o Criciúma e Marcelo Bielsa, a Libertadores-2014 cativa por oferecer seus louros a um campeão inédito já em sede de semifinal. Vale dizer que nenhuma das quatro equipes havia chegado tão longe de modo que o vice terá um novo marco histórico a superar. 

Essas semifinais seguiram a política democrática da Conmebol em angariar novos sócios para seu clube de campeões. Com isso em mente, sentam-se à mesa de Justus a altitude boliviana, o Nacional Querido, o Papa e um uruguaio que não é nem Nacional, nem Peñarol. 

Confesso que nunca imaginei estar diante de uma competição na qual gostaria de ver os quatro campeões.

Bom, chega de papo furado. Terça e quarta foram disputados os jogos de ida. Se liguem no que rolou:


NACIONAL QUERIDO 2 x 0 DEFENSOR - Nada pode ser mais querido que o Nacional. Desde que debutou no mata-mata os paraguaios sorveram-se fartamente na fonte da copeirice. Tanto, mas tanto, que podem sonhar alto com o título. Nem mesmo a parada para a Copa foi capaz de abalar o excelente momento da defesa nacionalófila. Azar dos Violetas, pois o Nacional, como se não bastasse o busão Foz-Ciudad del Este estar devidamente estacionado em frente a área, soube ajustar seus ponteiros lá na frente. Prova disso é a vitória por 2 a 0 ter custado barato ao Defensor. Apesar da penca de gols perdidos, essa vantagem pode ser suficiente para levar o Nacional à final. 

Contudo, do outro lado tem uma equipe que já deu aula magna de artes cênicas ao fingir-se de morta e enganar o coveiro diante do The Strongest. Naquela ocasião deu-se exatamente o mesmo. Derrota lá por dois gols, devolução do resultado em casa, com a tomada da vaga nos pênaltis. O bom ataque violeta deu tilt nesta partida. De Arrascaeta esteve um pouco abaixo. Gedoz, o mais lúcido da equipe, carimbou a trave mas não teve forças para carregar outros 10 companheiros. Nem o talismã Nico Oliveira diminuiu a contagem. 

Não mudo meu palpite (Defensor), mas a consistência defensiva nacionalófila me fazem crer que já errei.


SAN LORENZO 5 x 0 BOLÍVAR - É possível afirmar com alguma segurança que a última equipe que abriu 5 ou mais gols na semifinal acabou campeã do torneio então em disputa. Em termos de Libertadores não dá para se cravar tal prognóstico, no entanto, podemos descer do muro com certo conforto e dizer o que salta aos olhos: O Papa está na final. 

Na busca de explicações para o atropelamento, fico com a versão extra-oficial emitida pela assessoria de imprensa do Sumo Pontífice a qual sugere que Seo Chico realizou uma novena excepcional ao longo daqueles 90 minutos, aparentemente com evidentes segundas intenções.

Goleadas, principalmente a essa altura do campeonato, ao meu ver, devem ser analisadas isoladamente uma vez que não se trata de praxe corriqueira. Todavia, não tem como não olhar para esse resultado, checar os demais convidados para esta festa VIP e ponderar que pode ter sido um sinal divino de atendimento aos pedidos de Francisco.


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Um novo Libertador

Para nossa alegria, a Libertadores ganhou um ingrediente espetacular nesta edição. Todos os quatro semifinalistas jamais venceram a competição. Sequer à final chegaram. Sim, há um novo Libertador entre nós. Porém, como identificá-lo?

Nas últimas temporadas foi fácil perceber o campeão dar mostra de sua predestinação. Como esquecer a linda triscada de dedo que Cássio deu na bola de Diego Souza, ou mesmo o pênalti defendido por Victor nos acréscimos?  

Agora, diante de tantas coincidências cósmicas, fica impossível apontar quem é o escolhido. Sem contar o fator janela de transferências que pode roubar algum destaque pontual das equipes.

Eis os jogos de volta e os motivos que credenciam cada um ao tão sonhado título. E palpites.


ARSENAL DE SARANDÍ 0 x 0 NACIONAL - O Nacional Querido novamente elimina um time argentino em solo hermano. Depois de despachar o Vélez, os paraguaios fecharam a casinha e suportaram a pressão do Arsenal garantindo, assim, presença nas semifinais da Libertadores. Apesar do franco domínio argentino, Nacho Don fez boas defesas e brecou o ímpeto dos mandantes. A meia-cancha nacionalófila controlou bem o jogo e não houve maiores sustos. O copeirismo está em alta nesse time. Defende-se bem, tem traços de qualidade nos contra-ataques e quando joga em casa não se furta a atacar.


DEFENSOR 1 x 0 ATLÉTICO NACIONAL - Outra aula de contra-ataque do Defensor contra o Atlético Nacional. Precisando reverter o placar de 2 a 0, os colombianos desandaram a atacar e pressionar e fazer tudo quanto manda o protocolo, mas sempre batendo no muro violeta. Mesmo em casa, o Defensor não mostrava muito interesse em atacar e apostava nas escapadas de Gedoz para levar o caos aos cafeteros. O segundo tempo foi todo do Atlético. No entanto, a Libertadores-14 está fadada a ser de um novo Libertador. Nos 42 minutos, quando tudo era desespero e pouca tática, o Defensor encaixou um belo contragolpe nos desestruturados colombianos e coube, de novo, a Nico Olivera jogar a última pá de cal no atrevido Atlético. 

O Defensor é o mais engraçadinho dos times que restaram. Porque fazem tudo com capricho. A defesa funciona de modo exemplar e o ataque é muito competente. O contra-ataque pela esquerda com Gedoz ou Pais à direita, com o auxílio de De Arrascaeta pelo meio leva perigo constante ao adversário. 


CRUZEIRO 1 x 1 SAN LORENZO - A banda do Papa segue viva! Eliminou o bipolar Cruzeiro em pleno Mineirão. É o grande carrasco brasileiro nessa edição. Antes, bateu como quis no Botafogo e judiou do Grêmio ao eliminá-lo nos penais. Razoável considerar que o Ciclón chegou até aqui pela sua presença de espírito, digamos, iluminada. Penso que o Sumo Pontífice realiza uma novena especial durante os 90 minutos que o San Lorenzo entra em campo pela Copa. Os argentinos não tem lá um ataque muito bom mas tem uma eficácia bem pontual. Vide o gol no jogo de ida. Pois, agora, menos de 10 minutos no relógio e Piatti anota o primeiro. Pouco depois deu-se o luxo de perder outro cara-a-cara com Fábio. E o que mais pode explicar a partida estar ainda 0 a 0, Marcelo Moreno arrematar de canela, a bola sair de Torrico, carimbar as duas traves e sair? O gol de Bruno Rodrigo na parte final do jogo só serviu para iludir quem foi ao jogo. Estava claro como a água que a vaga seria do San Lorenzo desde o início.

O San Lorenzo parece um time tosco, mas tem seus trunfos. O goleiro Torrico vive grande fase. Provavelmente, efeito da bênção papal em suas luvas. Que seja. A defesa morde bem. Tem em Mercier e Piatti os pilares do meio-campo. É uma equipe iluminada e também organizada.


BOLÍVAR 1 x 0 LANÚS - A Bolívia emplaca um semifinalista pela primeira vez! O Lanús tentou o que pode, dentro de suas possibilidades. Veja, tinha Santiago Silva (isso, o El Tanque) no ataque e tal. Porém, quem brilhou foi Marchesín. O arqueiro argentino novamente fez excelentes defesas, contudo, não conseguiu evitar que Arce (família Aquele. Ex-Corinthians) fizesse o gol da redenção boliviana aos 43 do segundo tempo. Bom lembrar que Izquierdoz fez o favor de dificultar ainda mais a vida do Lanús aos 13 da segunda etapa ao ser expulso. Enfim, é Bolívar nas semi!

A campanha do Bolívar é sublime e, sim, é candidata ao título. Foi líder do grupo que degolou o Flamengo. Nas oitavas, bateu o León, outro rival de grupo, com dois empates. Detalhe: 2 a 2 fora de casa e 1 a 1 em casa. Agora, elimina um time argentino e atual campeão da Sul-americana. É uma equipe que, óbvio, conta com a altitude como principal aliada. Todavia, fora de casa, também faz seus golzinhos e não é essa moleza toda que estamos costumados a pensar dos bolivianos.


DUELOS:

NACIONAL QUERIDO x DEFENSOR 
PALPITE: DEFENSOR 

SAN LORENZO x BOLÍVAR
PALPITE: SAN LORENZO (mas torcida pelo Bolívar)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Libertadores Vorazes

Venho falar da Libertadores. Das batalhas travadas pelos campos espalhados pela América do Sul não se tira nenhuma conclusão após o término desses primeiros 90 minutos, senão uma: é uma Libertadores especial.

Já havíamos alertado quanto à edição sui generis desse ano, todavia, é certo que depois dos jogos de ida desta semana aumenta-se a expectativa em relação a termos uma semi-final com representantes de países que há muito não lembram o que é erguer La Copa.

Há, sim, certa efervescência sobre a concreta possibilidade de paraguaios, uruguaios e até bolivianos conquistarem o título.

Observem:


NACIONAL 1 x 0 ARSENAL DE SARANDÍ - O Nacional Querido ficou todo assanhado com a primeira participação nos mata-matas da Libertadores! Em casa, bateu o Arsenal, também debutante nessa guerra campal pós-grupos por 1 a 0, gol de Orué. Um placar magro para ambos. Os paraguaios mereciam melhor sorte, uma vitória mais elástica. Criaram um bom punhado de oportunidades tendo inclusive desperdiçado um pênalti. Pelo lado argentino houve também um bocado de investidas nos contra-ataques que poderiam ter culminado no providencial empate. A partida de volta na Argentina será outra prova de fogo ao copeirismo de ambos. Enquanto o Nacional Querido resguarda-se na vantagem do empate, Martín Palermo terá de ministrar uma aula magna de Libertadores para que seu Arsenal siga vivo na Copa e não seja outra vítima paraguaia, né, Vélez?


ATLÉTICO NACIONAL 0 x 2 DEFENSOR - O jogo mais alucinante e atraente das quartas-de-final teve um resultado improvável. Mais que improvável, implacável. A Libertadores tem dessas coisas. Em uma partida que o Atlético Nacional atacou impiedosamente, foi vitimado por dois contra-ataques mortais que podem ter que custado a eliminação. Era sabido que são dois times leves, com dois-três jogadores de frente que tratam a redonda com o devido respeito. Pelo lado cafetero, Cárdenas, Cardona e Duque espezinharam o quanto puderam a defesa uruguaia. Fechadinho, o ferrolho uruguaio só ameaçou no primeiro tempo em dois tiros perigosos do brasileiro Gedoz. De Arrascaeta não estava em um dia inspirado. Já a segunda etapa foi toda colombiana. A trave foi sua maior traiçoeira impedindo dois tentos. E em duas escapadas, o ataque violeta foi letal. Pais, de cabeça, e Olivera (depois de receber, tropeçar, cair, levantar e chutar) deram ao Defensor o privilégio de até perder o jogo de volta em casa por um gol de diferença.


SAN LORENZO 1 x 0 CRUZEIRO - Na conta do chá, Los de Papa venceram o Cruzeiro por 1 a 0. Novamente é possível colocar o triunfo na conta da benção papal ou no fator casa, pois o ataque propriamente dito não merece predicados de destaque. Apesar de controlarem boa parte do jogo, pouco ameaçaram Fábio. Nas três grandes chances, uma entrou e as outras duas pararam no arqueiro da Raposa. Bipolar como de praxe, o Cruzeiro dá outra dose cavalar de sopa para o azar. Pouco incisivo e alterando os seguidos erros em cada contra-ataque com alguma frouxidão na marcação. O placar é reversível. Contudo, cautela. Assim também era para o Grêmio.


LANÚS 1 x 1 BOLÍVAR - Catarse na Bolívia. O Lanús, sob a batuta de Schelotto, começou em cima dos visitantes ciente de que teria que vencer para não ter que passar por maiores infortúnios na altitude de La Paz. Abriram o placar logo aos 7 minutos com Benítez, mas pararam por aí. O Bolívar foi se soltando e novamente mostrou qualidade no desenrolar do jogo. Sofreu alguma pressão, porém administrou com a sabedoria de quem sabe que pode reverter o prejuízo em sua casa, alguns milhões de pés acima do nível do mar. Lá pelos quarenta e acréscimos, sabe-se-lá-o-que passou pela cabeça do meia Ferreira. Pegou a bola e, provavelmente com intuito de isolá-la longe o bastante para que o árbitro encerrasse logo a peleja depois do tiro de meta, mandou um canudo de longe. O tirambaço foi certeiro no gol. Marchesín, bom goleiro, ainda chega a tocá-la sem nada interferir seu destino. Sim, amigos, a Bolívia está perto de emplacar um dos seus entre os 4 melhores do continente.


Pelo panorama apresentado, o Brasil (leia-se Cruzeiro) não merece levar o título mais uma vez, ainda que isso custe um feito inédito na história da competição. Nosso representante sequer merece persistir na competição pelo que se prontificou a jogar ao longo do torneio. 

A invasão argentina nas quartas, com 3 times, tem entre eles o San Lorenzo. Seria bacana ver banda do Papa libertadora da América. Porém, foram os hermanos os últimos a erguerem o trofeu antes da hegemonia brasileira (Estudiantes, 2009).

Os últimos triunfos de Paraguai e Uruguai vieram, respectivamente, com o Olímpia em 2002 e Nacional no longínquo ano de 1988. Colombianos ainda se recordam do feito do Once Caldas em 2004. Bolivianos? Zero conquistas.

Finalmente uma Libertadores realmente imprevisível!

Semana que vem saem os semifinalistas. Depois disso, parada para a Copa do Mundo. Que pena.

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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Era uma vez na América

2014. Há pouco perdemos Luciano do Valle. E a Morte parece ter retornado de sua hibernação disposta a ceifar mais algumas vidas pelos campos da América Latina. Como vimos, Lanús x Bolívar já estavam certos nas quartas-de-final. Mas ainda restavam pelejas a serem disputadas América Latina adentro.

Sem Boca, sem River, mas 3 argentinos nas quartas. Apenas 2 campeões dentre os 8 classificados, as quatro melhores campanhas da primeira fase já eliminadas, somente um brasileiro. Não tem jeito: essa Libertadores é a mais imprevisível e surreal dos últimos anos.

VÉLEZ SARSFIELD 2 x 2 NACIONAL - Debutante na segunda fase da Libertadores, o Nacional Querido plagiou La Puente Negra e protagonizou a maior zebra dessa edição. A magra vitória conquistada no Paraguai permitia que o Nacional jogasse pelo empate em solo hermano. E assim foi. O Vélez pressionou de todas as formas, mas esbarrou no bem postado time paraguaio. Defendia com garra e buscava prender a bola no ataque para gastar o precioso tempo. Nos quinze minutos finais o jogo pegou fogo. Os argentinos abrem o placar aos 29. Quatro minutos depois, o Nacional iguala de pênalti. Com um jogador a menos, o Vélez anota o segundo e ainda precisava de outro para avançar. Porém, no último lance, com outro atleta expulso e o goleiro no ataque para buscar o gol da classificação, os argentinos sofrem um contra-ataque letal que culminou no empate paraguaio e em mais uma eliminação precoce e, de certo modo, vexatória.


UNIÓN ESPAÑOLA 0 x 1 ARSENAL DE SARANDÍ - Unión Española e Arsenal fizeram um jogo bastante parelho. Um duelo muito interessante, principalmente pelos treinadores envolvidos. Sierra montou um time bem chato pelo lado chileno, só que não soube superar a própria bipolaridade tampouco explorar dignamente o fator casa. Já os argentinos esbanjaram raça e disposição, ou seja, o mínimo que se espera de uma equipe que tenha Martín Palermo na casamata. Braghieri, aos 21 da segunda etapa, fez um gol à feição dos bons tempos de seu treinador e garantiu a classificação argentina às quartas.


ATLÉTICO MINEIRO 1 x 1 ATLÉTICO NACIONAL - No confronto mais atrativo dessa fase em nossa análise, o Galo caiu no próprio Horto. Precisou de apenas 20 minutos para Fernandinho abrir o placar. Havia tempo de sobra para buscar reverter o marcador. Entretanto, faltou sorte e tranquilidade para superar os cafeteros que assustaram e obrigaram Victor a intervenções importantes novamente. Quando tudo parecia levar aos pênaltis ou ao segundo gol do Galo, no 43º minuto do segundo tempo, Cardona cruzou, Victor espalmou mal, para o meio, e deixou a bola na medida para Duque chegar empurrando para as redes e encerrar o sonho do bicampeonato. Tardelli, substituído, reclamou bastante de ter sido substituído. Levir sacou Fernandinho quando este fazia uma partida aceitável. Bom, parece claro que o técnico já inicia seu trabalho no Galo em crise e sob a desconfiança geral após tal atrito e eliminação.


DEFENSOR 2 x 0 THE STRONGEST - nos pênaltis: 4 a 2 para o Defensor. - A dupla De Arrascaeta e Gedoz segue impossível e ganhou um aliado na expedição pela América: Oliveira. Tinham uma missão ingrata de reverter a derrota por dois gols na altitude boliviana. Foi na segunda etapa que tudo aconteceu. De Arrascaeta recebeu, invadiu a área, driblou o goleiro e mandou para as redes. Menos de 5 minutos depois, Oliveira acertou belo chute de fora da área e igualou o placar agregado. Nas penalidades, 4 a 2 para os uruguaios e fim do sonho boliviano de ter outro representante nas quartas-de-final.


GRÊMIO 1 x 0 SAN LORENZO - nos pênaltis: 4 a 2 para o San Lorenzo - Só há um responsável pela classificação do San Lorenzo e esse alguém é Mario Bergoglio, vulgo Papa. O Grêmio foi muito superior, criou chances infinitas, pressionou, perdeu gols (Barcos, em noite terrível, perdeu duas grandes chances) e batia de frente na barreira invisível erguida pelo Sumo Pontífice alguns mil quilômetros pra lá do oceano. Em um momento de vacilo papal, Rodriguinho cruzou e a bola encontrou a cabeça de Dudu. Gol do Grêmio a pouco menos de 10 minutos do fim. Foi inevitável a decisão do destino de ambos parar na marca da cal. E aí, brilhou fé hermana. Barcos e Maxi Rodríguez pararam em Torrico, os argentinos converteram todos os tiros e avançam às quartas.

CERRO PORTEÑO 0 x 2 CRUZEIRO - Chiqui Arce flertou forte com as quartas. Muito forte. Uma pena que do outro lado estava o Cruzeiro. Ao longo da Libertadores, a Raposa se mostrou extremamente bipolar. Nessa fase não foi diferente. Não restava outra escolha ao Cruzeiro senão atacar. E ao Cerro, travar o jogo ao seu bel prazer. Lá pelos 32 do segundo tempo, os gandulas já gozando licença prêmio e tal, Bruno Rodrigo é expulso. Armou-se o cenário para mais um paraguaio nas quartas. Eis que a sorte resolve sorrir e solucionar o transtorno maldito que inexplicavelmente acomete o clube mineiro. Dedé, 3 minutos depois, acha um gol de cabeça e tumultua o final do jogo. O jogo de gato e rato havia se invertido a 10 minutos do fim. Então, devidamente atordoados e precisando do gol que levaria a disputa para os pênaltis, o Cerro se lançou ao ataque. Não apenas fracassou como viu Dagoberto dar o golpe de misericórdia aos 48 minutos e manter a Raposa no torneio.


QUARTAS DE FINAL:

DUELO: NACIONAL x ARSENAL DE SARANDÍ - O Nacional Querido surpreendeu pela luta e aplicação em campo. Defende-se com dedicação e o modo simplório como avança é revestido de alguma eficiência. O Arsenal é todo entrega e disposição. Longe de ser um time de primor técnico, aposta no principal ingrediente para triunfar na Copa: raça. 

PALPITE: ARSENAL

DUELO: ATLÉTICO NACIONAL x DEFENSOR - Disparado o melhor jogo dessas quartas-de-final. De um lado, Cardona e Cárdenas. Do outro, De Arrascaeta e o brasileiro Gedoz. Times que jogam para frente. Jogam e deixam jogar. Os meias trabalham bem, em que pese o ataque em si pecar constantemente nas finalizações. 

PALPITE: ATLÉTICO NACIONAL

DUELO: SAN LORENZO x CRUZEIRO - O instável e longe de ser confiável Cruzeiro sobrevive. Terá pela frente a dura parada de encarar um time literalmente abençoado. Óbvio que o time brasileiro é superior no elenco, na técnica, no papel, no tudo. Mas a Libertadores não admite tamanha bipolaridade com picos preocupantes de apatia. Se tiver aprendido a lição da fase de grupos e do susto das oitavas, avança. Não sei se será o bastante para brecar o poder da fé.

PALPITE: SAN LORENZO

DUELO: LANÚS x BOLÍVAR - Último boliviano vivo tem um time enjoado. Explora a altitude com competência e se mostra abusado fora dela. Foi líder do grupo do Flamengo, só pra lembrar. Tem pela frente o atual campeão da Sul-Americana que foi se encontrando no decorrer da competição. 

PALPITE: LANÚS

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Oitavas-de-final da Libertadores-14 parte I

O calendário dividiu as oitavas-de-final em três semanas. Assim, os confrontos de volta serão disputados semana que vem. Dessas pendências, deixo meu pitaco. No entanto, já se conhece um duelo de quartas-de-final.


NACIONAL 1 x 0 VÉLEZ SARSFIELD - A melhor campanha da Libertadores foi castigada aos 41 minutos do segundo tempo quando nada mais se esperava do jogo. O embate entre paraguaios e argentinos parecia fadado ao 0 a 0 graças ao mal súbito que acometeu os avantes de modo a impedir finalizações decentes. Embora o Vélez não tenha se apresentado de todo mal - Pratto principalmente já que carimbava cada movimentação ofensiva - surpreendeu a disposição e a insistência do Nacional, premiado com a vitória. O protocolo indica que é um resultado reversível e que o Vélez acordará para a vida e seguirá na Copa. No entanto, ano passado o mesmo Vélez tinha pela frente uma tal Ponte Preta em casa e uma vitória simples lhe bastava. O resto é história.

Palpite: Vélez Sarsfield.


ARSENAL DE SARANDÍ 0 x 0 UNIÓN ESPAÑOLA - Em casa, o tinhoso Arsenal de Sarandí não conseguiu superar a mais tinhosa ainda Unión Española. O placar persistiu no zero a zero e abre uma cortina cinzenta para a partida de volta no Chile. Sabemos bem do que os comandados de Sierra podem fazer. (certo, Botafogo?). Contudo, luta e entrega não faltarão para quem tem Martín Palermo na casamata.

Palpite: Arsenal.


ATLÉTICO NACIONAL 1 x 0 ATLÉTICO MINEIRO - Foi uma aula de Libertadores por parte dos colombianos. E outra de como não se portar no torneio pelo lado brasileiro. O Galo ficou encurralado por 90 intermináveis minutos recusando-se veementemente a explorar o lado de lá do campo. Autuori conseguiu a proeza de castrar uma equipe cuja principal virtude era a vocação ofensiva. No primeiro tempo, à exceção de um tiro de Tardelli, disparado do bico na pequena área cuja trajetória caprichosamente atravessou a boca do gol e saiu perigosamente, o Galo limitou-se em se defender. A segunda etapa foi totalmente cafetera. Victor terminou a partida com 3 milagres e 187 intervenções importantes. Quando Autuori achou uma boa ideia mudar o time, promoveu as entradas de Guilherme e Marion. Aliás, este no 40º minuto obrigou o goleiro colombiano a também mostrar serviço e salvar o tento injusto que se desenhava. E justamente quando o Galo melhorou um pouco, Cárdenas costurou pela direta, trouxe para a canhota e, de fora da área, soltou o pé para vencer Victor no apagar das luzes.

Esse time do Atlético é bom. É encardido. Chato. Tem força, presença ofensiva, mas pecam demais na hora de finalizar. Evidente que o Atlético Mineiro tem totais condições de reverter. Porém, precisa reagir, lembrar que joga uma Libertadores! A apresentação dessa partida liga o sinal amarelo por lá. Preocupa porque expõe como o trabalho de Cuca parece ter regredido com a filosofia de cadenciar o jogo com Autuori*. O Galo esteve simplesmente catatônico e terá pela frente um time que, bem ou mal, também sabe agredir.

Palpite: Atlético Nacional
*Obs: O Galo agiu rápido. Demitiu Autuori e anunciou Levir Culpi para seu lugar. Ou seja, se não classificar, já estará ameaçado.


THE STRONGEST 2 x 0 DEFENSOR - Essa fase do futebol boliviano surpreende. Estão a explorar como nunca o fator altitude. O lance é que o jogo de volta é no Uruguai. E o Defensor deu algumas demonstrações de que, dentro das CNTP, é um time casca grossa. Os meninos De Arrascaeta e Gedoz são capazes de infernizar até monges tibetanos. A parada é dura, mas estamos na Libertadores, ora!

Palpite: Defensor


SAN LORENZO 1 x 0 GRÊMIO - A banda do Papa está em festa! Pelo visto, a reza forte do Sumo Pontífice rende frutos! Em um jogo bem disputado dentro do padrão Libertadores, o Ciclón larga na frente. Apesar de toda entrega e disciplina, o Grêmio não conseguiu superar a barreira divina que revestia os argentinos. Tanto é verdade que Barcos conseguiu até desperdiçar um tiro livre indireto. Isso. Falta dentro da pequena área, barreira na risca do gol e o Pirata isolou a bola bizarramente. Foi a primeira derrota dos gaúchos na Libertadores e veio no pior momento possível. Após nadar de braçada na primeira fase, o Grêmio se choca feio contra a parede e se vê obrigado a vencer. Sem contar que se sofrer gols terá que ganhar por 2 gols de diferença. Dá pra passar? Dá. Mas não sei não. O Papa não está para brincadeira.

Palpite: San Lorenzo


CRUZEIRO 1 x 1 CERRO PORTEÑO - Um belo time. Um belo esquadrão. Não, não se trata do simpático Juventus. É o estrelado Cruzeiro. Cheio de jogadores, opções, alternativas e bipolaridade quando adentra gramados latinos em busca de sua terceira taça. Depois uma conturbada fase de grupos, a Raposa recebia o velho Cerro Porteño no Mineirão disposta a não mais repetir as oscilações dos últimos jogos. Bem que tentou, mas não resistiu e caiu na velha tentação de brincar de gato e rato. Romero então resolveu apimentar a brincadeira e abriu o placar para os paraguaios. Dali até os 47 do segundo tempo viu-se o Cruzeiro a pressionar e o Cerro a defender-se como podia e não podia. Pois no 3º minuto de acréscimo, quando a única tática existente era a do "chutão para área e seja o que deus quiser" a bola se oferece para Samudio. A redonda caprichosamente passa pelo meio das pernas de um defensor antes de estufar as redes e empatar o jogo.

Sejamos francos: é um gol que não muda absolutamente nada na vida do Cruzeiro. Se perde por 1 a 0, jogaria para vencer, com a obrigação de anotar pelo menos um gol. E tal obrigação ainda persiste já que o empate por 0 a 0 classifica o Cerro. Enfim, esse time paraguaio não é bobo, mas também não me parece lá muito esperto.

Palpite: Cruzeiro.


LANÚS  x SANTOS LAGUNA - Primeiro jogo: Lanús 2-1 Santos Laguna. Segundo jogo: Santos Laguna 0-2 Lanús. Argentinos sobraram nas oitavas e despacharam o último mexicano intruso na América do Sul. O Lanús é uma equipe em franca ascensão. Após um mau início, recuperou-se, terminou em segundo no grupo e eliminou com relativa tranquilidade a terceira melhor campanha geral. Os mexicanos caíram demais nos últimos jogos e pagaram com a classificação. Sob comando de Schelotto, o Lanús papou a Sul-Americana ano passado e sonha forte com La Copa.

LEÓN x BOLÍVAR - Primeiro jogo no México: 2-2. Volta: 1-1. Ou seja, Bolívar nas quartas-de-final. Incrível o desempenho dos bolivianos nesta Libertadores. Sempre fadados a somar uns 4 pontos quando muito e graças à altitude, eles entraram forte nessa edição da Liberta. O Bolívar encaminhou sua classificação ao trazer um empate por 2 a 2 no México. Em casa, mesmo tendo saído atrás no placar, foi buscar a classificação destinada a ser sua. É um time bem engraçadinho no ataque, embora o meio campo deixe alguns latifúndios a serem explorados. 

Duelo das quartas: Lanús x Bolívar.







sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Morte despertou. Quem será o Libertador?

Vejo essa Libertadores revestida de uma dose a mais de emoção do que nos últimos anos. A Morte, uma das principais deusas do torneio, permitiu uma imensidão de possibilidades dentro de cada grupo prolongando a vida de muita gente até a derradeira rodada. Retardou sadicamente a definição dos grupos e teve que fazer hora extra para definir quem seria poupado de seu chamado. Com isso, a luta contra a foice divina e pela sobrevivência na Copa reservou grandes duelos, catapultou os índices de infartos esta semana e, finalmente, ungiu os 16 classificados às oitavas-de-final.


GRUPO 1 - O já classificado Vélez recebeu o Universitario e derrotou os peruanos por 1 a 0. Com 15 pontos, os argentinos confirmam o favoritismo e a sina de sempre fazerem uma fase de grupos soberba. Na outra partida, a Morte fez a primeira vítima brasileira. O Atlético Paranaense viu-se obrigado a não perder na altitude boliviana contra o The Strongest, aniversariante do dia. Saiu atrás no placar mesmo após intervenções milagrosas de Weverton e chegou a empatar com gol de Adriano, o Imperador. Sim, você não leu errado. Mas não fez um bom segundo tempo. Levou o segundo gol, pouco criou, sentiu demais a altitude e não conseguiu o gol da classificação. Destaco os bolivianos que esbanjaram copeirismo nessa primeira fase e terminaram com 10 pontos acumulados. Já o Vélez dispensa apresentações.


GRUPO 2 - Depois de ceifar o Furacão da Libertadores, a Morte foi dar cabo do Botafogo. Outrora favorito, o Fogão caiu em desgraça ao não fazer a lição de casa contra a Unión Española. Foi obrigado a decidir a vaga na Argentina contra o San Lorenzo do Papa. Os argentinos entraram em campo com a faca nos dentes sabendo que havia por ali alguma chance, ainda que remota, de avançarem às oitavas. Para isso, precisava vencer, torcer contra o Independiente Del Valle, ou golear o Botafogo para superar o saldo de gols dos equatorianos, caso eles vencessem. Isso sem esquecer da dose extra de preces que o Sr. Bergoglio teria que empenhar em favor do Ciclón. Assim, Papa e Morte entraram num acordo de cavalheiros. A Morte daria cabo do Botafogo e o Papa cuidaria do saldo de gols. Afinal, O San Lorenzo massacrou o Botafogo por inapeláveis 3 a 0, resultado que classificou os argentinos graças ao resultado surpreendentemente surreal de Unión Española e Independiente del Valle, no Chile. 5 a 4 para os equatorianos visitantes indesejáveis. Então, chilenos em primeiro com 9 pontos e argentinos em segundo com 8. Unión avança sob os olhos da descrença e da bipolaridade. San Lorenzo chega respeitado e, sobretudo, respaldado.


GRUPO 3 - No grupo mais imprevisível da Libertadores onde todos poderiam avançar, campo e camisa fizeram a diferença. O Cerro Porteño fez valer o fator casa para bater o Deportivo Cali em um eletrizante 3 a 2. Já o Lanús deve dar todo o bicho do jogo ao goleiro Marchesin. No Chile, o O'Higgins precisava vencer para avançar. Porém, o arqueiro do Lanús pegou pensamento e até um pênalti aos 41 minutos do segundo tempo garantindo o 0 a 0. Assim, o Cerro ficou na ponta com 10 pontos e Lanús em segundo com 8.


GRUPO 4 - O Atlético Mineiro sobrou no grupo mesmo apresentando um futebol bem abaixo daquele que o consagrou ano passado. Com Autuori na casamata, o Galo se transformou em um time mais pragmático e menos instintivo. A transição no comando técnico não atrapalhou a campanha da primeira fase: líder com 12 pontos (3 vitórias e 3 empates). O último triunfo (1 a 0, gol de Jô) custou a cabeça dos venezuelanos do Zamora já que o Nacional do Paraguai bateu o Independiente Santa Fé por 3 a 2. Assim, os queridos paraguaios conquistaram o 8º ponto, a 2ª posição e o direito de seguir sonhando com a Copa.


GRUPO 5 - O grupo 5 ficou marcado pela ressurreição do Cruzeiro na competição. E tal ressurgimento passa pelo fraquejo da Universidad de Chile. La U liderava ao término da 4ª rodada, mas veio o Cruzeiro lhe fazer mal. O Cruzeiro na La U e o Defensor a liderar. Última jornada obrigava os chilenos a buscarem a vitória Andes abaixo, contra os serelepes uruguaios do Defensor lá na região da Plata, que tinham ainda o benefício de empatar a peleja. Era certo que o Cruzeiro iria golear o Real Garcilaso e roubar uma vaga, então, a vitória era obrigatória pelo lado chileno. Contudo, os uruguaios aproveitaram o fator regulamento, amarraram o 1 a 1 que lhes assegurava a liderança com 11 pontos e assim foi. Coube, então, aos brasileiros cobrirem o Garcilaso de gols. 3 a 0 foi mais que o suficiente para deixar a Raposa na confortável segunda posição com 10 pontos. O Cruzeiro ganha novo ânimo, mas demonstrou que não é essa Brastemp toda. E atenção à dupla Arrascaeta e Gedoz do Defensor. A zoeira parece não ter limites para esses dois.


GRUPO 6 - Seguindo seu ritual macabro, a Morte fez uma parada em seu terreno, a famigerada casa 6. Sabia-se que, sabe-se lá por que motivo, poupou o Grêmio de qualquer penitência antecipada. Assim como degolou o Nacional do Uruguai logo no sorteio da chave. Foi esse confronto entre o já classificado e o já morto que fechou a chave. Nova vitória do Grêmio por 1 a 0 que lhe valeu a segunda melhor campanha geral com 14 pontos. Na Argentina, o confronto que valia a vida. O Newell's Old Boys entrou em campo podendo empatar com o Atlético Nacional. Mas a noite era cafetera. Vitória incontestável dos colombianos por 3 a 1 em atuação desgraçada da zaga argentina. O Nacional toma a vaga dos leprosos e mostram força, principalmente fora de casa como pode se ver.


GRUPO 7 - Como dito, a Morte estava com tudo e muita prosa. Para encerrar seus trabalhos nesta fase, optou por dizimar outro brasileiro da Copa. Ao Flamengo bastava encher o Maracanã e bater o León para avançar. Porém, os rubro-negros sabem bem o que significa decidir uma vaga em casa contra um time mexicano. Conta-se que havia um pouco de Cabañas em cada jogador do León no triunfo mexicano por 3 a 2 no mesmo Maraca abarrotado. Na outra partida do bloco, o Bolívar também explorou a altitude para vencer o Emelec por 2 a 1 e surpreendentemente terminar em 1º do grupo com 11 pontos, um a mais que o León.


GRUPO 8 - Por estas bandas, a Morte já havia dado seu recado. Todavia, evitou que o Santos Laguna ostentasse a melhor de todas as campanhas. Os mexicanos foram até a Argentina encarar o Arsenal e os hermanos venceram por 3 a 0. Nada que mudasse suas posições. Santos Laguna em primeiro com 13 pontos e Arsenal em segundo com 12. Um melancólio Peñarol ficou no 1 a 1 com o Deportivo Anzoátegui e nada mais merece ser comentado a respeito disso.




OITAVAS-DE-FINAL

Trabalho feito, a Morte assim dispôs os duelos na seguinte ordem da tábua de mata-mata:


Nacional x Vélez Sarsfield                                      
 x                                                                              
Arsenal de Sarandí x Unión Española                      

 X                                                                            

Atlético Nacional x Atlético Mineiro                
 x                                                                        
The Strongest x Defensor                                  
________________________________

San Lorenzo x Grêmio
 x
Cruzeiro x Cerro Porteño

X

Lanús x Santos Laguna
 x
León x Bolívar






sexta-feira, 4 de abril de 2014

Salve-se quem puder.

Encerrada a 5ª rodada Libertadores. Conhecidos os primeiros classificados às oitavas-de-final, ratificou-se algumas decepções anunciadas. Agora, há apenas 3 pontos em jogo para cada equipe. O caos e o deus-nos-acuda ditarão as regras dos últimos 90 minutos de fase de grupos que assim ficaram:


GRUPO 1 - A rodada promoveu uma bela zoeira aqui que nem saberia por onde começar. Só sei que o The Strongest deu uma aula prática de copeirice e como se jogar uma Libertadores. Tudo começou com a vitória do Vélez sobre o Atlético Paranaense que garantiu os argentinos nas oitavas. O Furacão desperdiçou seu último jogo em casa e manteve 9 pontos. Daí os bolivianos foram enfrentar os morimbundos do Universitario. Surrealmente os peruanos abriram 3 a 1. Mas, mais surrealmente ainda, o The Strongest buscou o empate aos 44 do segundo tempo que lhe valeu o 7º ponto. Eis que na última rodada, o Furacão vai subir os milhões de metros de altitude precisando simplesmente não perder para o tinhoso Strongest de Escobar, aquele paraguaio que já perambulou pelo interior de São Paulo.


GRUPO 2 - Não há dúvida. Aqui o critério de desempate será as orações do Papa. A Morte saiu do grupo 6 para entregar seu cartão aos integrantes do bloco 2. Tudo começou pela via crucis do San Lorenzo ao purgatório. A sorte sorria aos argentinos até os acréscimos da partida contra o Independiente del Valle, no Equador. Venciam até o surgimento de um pênalti convertido pelos mandantes que tirou 2 preciosos pontos dos argentinos. O empate deixou ambas equipes com 5 pontos. Ah, o lanterna é justamente o San Lorenzo que, graças ao Botafogo, ainda pode sonhar com a classificação.

Aproximadamente 40 mil pessoas testemunharam a tragédia que se passou com o Botafogo na noite de quarta no Maracanã. Era receber o Unión Española, vencer, carimbar vaga para as oitavas e relaxar na última rodada. Todavia, o Fogão não conseguiu superar a retranca chilena, tampouco a limitação patológica de Henrique no comando de ataque, em que pese ter dominado 100% da partida. Para piorar, em uma das raras aparições no ataque, os visitantes acharam um pênalti que resultou no gol da classificação dos comandados de Sierra (Aquele). 

Na última rodada, os classificados chilenos receberão um esperançoso e também vivo Independiente. Por seu turno, o San Lorenzo receberá o Botafogo com a obrigação de vencer, além de rezar pelo Unión. Os brasileiros jogam pelo empate desde que o Independiente não vença por 3 gols de diferença. 


GRUPO 3 - Uma reviravolta espetacular que mantém os 4 integrantes com chances palpáveis de avançar. O Lanús, então lanterna até os idos da 3ª jornada, renasceu e além de vencer o Cerro Porteño, tomou-lhe a liderança com 7 pontos (saldo de gol +1), embora os paraguaios estejam em segundo com a mesma pontuação e zero gols de saldo. Deportivo Cali e O'Higgins ficaram no 1 a 1. Os cafeteros igualaram os 7 pontos dos líderes, mas tem saldo de 1 gol negativo. E os chilenos contam 6 pontos. Na derradeira rodada, O'Higgins recebe o Lanús, que só precisa empatar para seguir. E o Cerro recebe o Deportivo. Ambos precisam da vitória, óbvio. Mas os paraguaios podem avançar com um empate desde o Lanús faça sua parte.


GRUPO 4 - Esperava-se que o Atlético Mineiro sobrasse no grupo a ponto de ficar com uma das duas melhores campanhas gerais, no mínimo. Nem mesmo os altos e baixos do Galo o impediu de classificar-se antecipadamente. Segurou um suado empate contra o Independiente Santa Fé, na Colômbia, atingiu 9 pontos e novamente participará da roleta russa das oitavas-de-final. O Zamora derrotou o Nacional e ocupa o segundo lugar com 7 pontos. Paraguaios e colombianos ficam com 5 e sonham com a próxima fase.

A derradeira jornada reserva algumas possibilidades interessantes. Atlético x Zamora e Nacional x Independiente. Bem, um empate pode classificar o Zamora, desde que o vencedor do outro jogo seja o Nacional e que este não vença por mais de 3 gols de diferença. Aliás, os venezuelanos podem avançar até se perderem, caso paraguaios e colombianos empatem. No mais, vitória do Galo carimba o passaporte de quem vencer a outra partida.

GRUPO 5 - A Morte também aproveitou a rodada de passeio para fazer uma visitinha ao grupo 5 e resolveu dar sua contribuição maligna para o duelo final entre Defensor e La U, no Uruguai. Uruguaios lideram a patota com 10 pontos após a vitória sobre o Real Garcilaso lá na altitude peruana. A Universidad de Chile ainda sustenta bravamente a segunda colocação (9 pontos), mas entrou para o seleto grupo de risco da Libertadores, ou seja, aqueles times que precisam se coçar na última rodada se quiserem permanecer vivos na Copa.

Isso porque sucumbiu novamente diante do Cruzeiro. A traulitada tomada no Mineirão por 5 a 1 não foi tão traumática quanto os 2 a 0 sofridos no Estádio Nacional. Vendeu caro sua classificação antecipada e trouxe o Cruzeiro de volta à briga. Os mineiros foram a 7 pontos e, na última rodada, terão pela frente o já eliminado Real Garcilaso, no Mineirão. De se esperar a classificação da Raposa em virtude do clima de revanche vingança pelo incidente racista com Tinga e pela derrota logo na estreia do torneio, fatores que, aliados à qualidade cruzeirense e ao clima de decisão criam certa expectativa em torno de uma goleada sobre os peruanos. Porém, de bom tom ressaltar as combinações:

O negócio é o seguinte: Defensor (+6 gols de saldo) joga pelo empate. Caso o Defensor perca por um gol, o Cruzeiro (+3) terá que vencer por pelo menos 2 gols para igualar o saldo e eventualmente tomar-lhe a vaga. Se uruguaios e chilenos empatarem, La U só avança se o Cruzeiro não vencer pois tem 3 gols negativos na conta.


GRUPO 6 - O Grêmio foi encarar o Atlético Nacional sabendo que o Newell's havia dizimado o Nacional por 4 a 2 e alcançado a virtual liderança da chave com seus mesmos 8 pontos. Também sabia que os colombianos precisavam desesperadamente da vitória pois, além de ostentarem 7 pontos, terão o Newell's pela frente lá na Argentina. No entanto, o Tricolor Imortal mostrou que não veio nessa Libertadores a passeio. Mesmo fora de casa, venceu os cafeteros por 2 a 0 e garantiu presença nas oitavas, além de dar uma baita ajuda aos argentinos. Enquanto o Grêmio fará um duelo de compadres contra o finado Nacional, o Newell's joga em casa e com o direito de empatar com o Atlético Nacional. 


GRUPO 7 - Um tumulto muito interessante acá. De cara se percebe o nível de surrealidade do grupo quando nos deparamos com o Bolívar a capitanear o bloco com 8 pontos. Isso depois de, sabe-se-lá-como, vencer o León, lá no México. Os mexicanos caíram para segundo, estagnados nos 7 pontos. Mas eis que surge um companheiro para o León. O Flamengo derrotou o Emelec, no Equador, por 2 a 1. Alecsandro, de pênalti, abriu o placar. No segundo tempo, os mandantes igualaram. Então, Negueba recebe livre na esquerda e descola lançamento primoroso para Paulinho, aos 47 do segundo tempo, deixar o Mengão a uma vitória simples diante do León para seguir adiante na Liberta. Ainda que os brasileiros joguem em casa, são os mexicanos quem trazem a vantagem do empate. Na outra partida, cabe ao Emelec a missão ingrata de ter que derrubar o Bolívar do alto daqueles infinitos pés de altitude. Só a vitória pode classificar os equatorianos. 


GRUPO 8 - Eis o primeiro grupo que sabemos os dois classificados. O Santos Laguna tratou de por termo à primavera que o Peñarol ensaiava e, com um sonoro 4 a 1, assegurou a 1ª posição. Por sua vez, o Arsenal foi à Venezuela garantir sua classificação com um triunfo sobre o Deportivo Anzoátegui por 3 a 1.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Formigam as mãos

Finalizada a 4ª jornada da fase de grupos da Libertadores, muitas mãos iniciaram o processo de formigamento. Em breve virá a falta de ar e um certo desconforto no peito. Não, não é um ataque cardíaco. É a Libertadores a duas rodadas de definir seus classificados às oitavas-de-final.


GRUPO 1 - Atlético Paranaense e Vélez Sarfield assumiram a ponta com 9 pontos. Enquanto o Furacão deitou o porrete no Universitario novamente, os argentinos devolveram a derrota para os bolivianos e deixaram o The Strongest lá 3 pontos atrás. O Atlético não está garantido, mas a vantagem conforta. Bom que se lembre: agora recebe o Vélez e depois vai encarar a altitude. 

GRUPO 2 - Sofrimento e Botafogo, como separá-los? Impossível. A vitória apertada por 1 a 0 deixou os brasileiros na ponta com 7 pontos. Só que o Unión Española resolveu trollar o Sumo Pontífice. Os chilenos venceram o San Lorenzo por 1 a 0, subiram para segundo (6 pontos) e jogaram os argentinos para a lanterna fazendo certamente o Papa cometer alguns pecados verbais e outros tantos em pensamento. Tanto o San Lorenzo como o Independiente Del Valle somam 4 pontos e, sim, permanecem vivos. Obs: Se o Fogão derrotar os chilenos na próxima rodada carimba passaporte para as oitavas! Oremos.

GRUPO 3 - Qualquer coisa pode sair daqui. Em meio à confusão, o Cerro Porteño bateu o O'Higgins por 2 a 1, foi a 7 pontos e tomou a liderança. Já o Lanús lembrou que a Libertadores já havia começado e conquistou sua primeira vitória. Bateu o Deportivo Cali por 2 a 0 e ameaça postular uma vaga nas oitavas. Os colombianos permanecem na vice-liderança com 6, os chilenos ainda sustentam a terceira colocação com 5 e daí encostam os argentinos com 4. 

GRUPO 4 - O Atlético Mineiro segue tranquilo na liderança em que pese ter empatado em casa com o Nacional, do Paraguai. Os oito pontos dos mineiros contrastam os 5 dos paraguaios, que são vigiados de perto por Independiente Santa Fé e Zamora. Ambos empataram e foram a 4 pontos. 

GRUPO 5 - Aqui encontramos um brasileiro refém da Libertadores. Bom, inicia-se com a vitória da Universidad de Chile sobre o Real Garcilaso, lanterna com os mesmos 3 pontos desde a primeira rodada quando derrotou o Cruzeiro. O resultado fez os chilenos ostentarem 9 pontos e a liderança absoluta do bloco. Coube ao Defensor fazer as vezes de time uruguaio copeiro que se preze e botar a faca no pescoço dos brasileiros. Não bastasse a vitória na semana passada, os uruguaios assombraram o Mineirão na noite de ontem. Estava 2 a 0 para o Cruzeiro e tudo encaminhava para um término de jogo razoável para a Raposa. Mas o guri Gedoz e Zeballos, este no último suspiro de jogo, igualaram o marcador e deixou o Defensor com 3 preciosos pontos de vantagem. Defensor 7 x 4 Cruzeiro. O amargo empate sob vaias da torcida ao apito final pode sabotar a moral cruzeirense. Na próxima rodada, os mineiros vão visitar a La U, equipe goleada no Mineirão e certamente sedenta de vingança, enquanto os uruguaios vão até as alturas de Cusco. Vexame tupiniquim à vista.

GRUPO 6 - A morte parece estar planejando algum tipo de entrada triunfal na última rodada deste grupo. Isso porque o Tricolor Gaúcho achou um surreal empate na Argentina contra o Newell's aos 47 do segundo tempo e simplesmente tirou a ceifadora de cena neste momento. Contudo, como dito, ela virá cedo ou tarde. Os gaúchos, com 8 pontos, vão visitar o serelepe Atlético Nacional, vice-líder com 7 depois de impor mais uma derrota nas costas de um irreconhecível Nacional que soma um mísero ponto. O Newell's possui 5 pontos e respira. Uma vitória põe o Grêmio nas oitavas. Só uma hecatombe pode tirar o Grêmio das oitavas. É isso.

GRUPO 7 - Outro brasileiro sob risco. O Flamengo desgraçou-se. Semana passada jogou fora dois pontos contra o Bolívar. Agora, derrota para os bolivianos. Para piorar, os brasileiros assumiram a lanterna com 4 pontos e catapultaram o Bolívar para a terceira posição que acumula 5 pontos, além muita ambição. Lá em cima, o León devolveu a derrota para o Emelec e roubou a liderança dos equatorianos. 7 pontos para os mexicanos contra 6 do Emelec. Situação delicada do Mengão que terá que somar pontos fora de casa para continuar sonhando com o mata-mata.

GRUPO 8 - Enfim uma novidade! É verdade que o Santos Laguna atropelou o pobre Deportivo Anzoátegui por 3 a 0 consolidando-se como melhor time da Libertadores até o momento com (in)expressivos 10 pontos. Todavia, o Peñarol resolveu dar o ar da graça! Venceu o Arsenal, de virada, e soma 4 pontos sendo apenas 2 atrás dos argentinos vice-líderes. Se a camiseta mandou certo o recado, a morte deve passar por aqui também. 



sexta-feira, 14 de março de 2014

A América pulsa

Finda a 3ª rodada da Libertadores e o panorama que se apresenta não é nada alentador a brasileiros, exceção feita a Atlético Mineiro.

Pelo bem da competição a maioria dos grupos buscaram manter uma organização semelhante à de uma suruba no escuro. Tentemos visualizar como a balbúrdia se apresenta no momento:


GRUPO 1 - 3 times repartem a liderança com 6 pontos. Bullying desumano sobre o Universitario, único time da Libertadores a não conseguir somar um maldito ponto sequer. Em primeiro, o The Strongest com 2 gols pró e somente mais um jogo na altitude de La Paz (justamente o último contra o Atlético Paranaense). Nesta rodada, enfiou 2 a 0 no segundo colocado, o sempre perigoso Vélez, que contabiliza 1 gol na conta e 2 jogos pendentes em sua cancha. E na espreita está o Furacão. Saldo zerado graças à vitória por 1 a 0 sobre o Universitario lá no Peru. Porém, terá os dois próximos jogos em casa. Si se puede.  

GRUPO 2 - O Botafogo foi apresentado à derrota pelo Independiente del Valle, no Equador. Por essas coisas que só acontecem ao Botafogo, a derrota por 2 a 1 não tirou a ponta do grupo dos cariocas. Porém, agora tem dupla companhia: os mesmos 4 pontos são contabilizados por equatorianos e pelo abençoado San Lorenzo, que empatou em casa contra a Unión Española e desperdiçou a chance de tomar a liderança do grupo. O caos está instaurado pois os lanternas chilenos somam 3 pontos. Para o Fogão só interessa vencer os dois próximos duelos consecutivos em casa para chegar confortável para a última rodada contra os argentinos em território hermano.

GRUPO 3 - Bater o olho na tábua de classificação do grupo 3 é achar curioso o Lanús ostentar a lanterna com 1 ponto conquistado. Não é surpreendente o Deportivo Cali ter imposto a segunda derrota seguida aos argentinos e assumido a liderança soberana com 6 pontos. Em segundo lugar vem o chileno O'Higgins que vacilou feio esta rodada. Vencia o famigerado Cerro Porteño por 2 a 0 mas permitiu o empate paraguaio. Agora, os chilenos tem 5 e paraguaios 4 pontos. 

GRUPO 4 - Nadando de braçada, o Atlético Mineiro lidera com 7 pontos e está seguro na primeira posição. É infinitamente superior aos rivais e já está virtualmente classificado. Trouxe do Paraguai um ponto contra o Nacional Querido e abriu 4 de vantagem para os últimos do grupo. O dito empate elevou o Nacional ao segundo lugar (4 pontos) superando o Independiente Santa Fé, que foi derrotado pelo Zamora e trouxe os venezuelanos de volta à Libertadores. Essa briga pela segunda vaga há de ser bem interessante.

GRUPO 5 - Para alegria do Galo, o Cruzeiro está em maus lençóis e corre risco de ficar fora. Por mais que tenha dois duelos em casa dos três restantes, importante considerar que, hoje, a Raposa estaria eliminada. Eis aqui um grupo no qual a classificação provavelmente virá pela análise do saldo de gols. Defensor e Universidad de Chile dividem a liderança com 6 pontos. Uruguaios em vantagem com 4 gols pró de saldo. A goleada sofrida ante o Cruzeiro deixa La U com preocupantes -2 gols em conta. Na rabeira, mineiros (+1) e Real Garcilaso (-3) com 3 pontos.

GRUPO 6 - O Grêmio só não está tão bem quanto o Atlético Mineiro posto habitar o grupo de morte e as circunstâncias o obrigarem a dormir com um olho fechado e outro bem aberto. Empatou em casa com o Newell's consolidando-se na ponta com 7 pontos. Nada mau. Só que os argentinos estão em segundo com 4 pontos e 3 gols na carteira. E o engraçadinho Atlético Nacional também tem 4 pontos embora esteja devendo dois gols. Eis que o Grêmio terá agora 2 jogos fora justamente contra os famintos rivais que distam protocolares 3 pontos ou, como preferirem, uma vitória. E o Nacional jogou fora dois pontos e a chance de iniciar uma revolução no grupo. Vencia os cafeteros lá na Colômbia por 2 a 0. Os mandantes jogaram toda a partida com um jogador a menos - graças a uma expulsão relâmpago - mas reagiram e Bocanegra fez os dois tentos que valeram o suado empate.

GRUPO 7 - O Flamengo parece ser o brasileiro em situação mais delicada. Empatou com o Bolívar no Maracanã. Lá, já havia vencido o Emelec. Portanto, 4 pontos em dois jogos em casa. Resta apenas um em três, logo, vai ter que buscar pontos América afora. (Ah, isso significa ter que capinar pontos na altitude). No mais, aquela derrota pouco pesou ao Emelec porque os equatorianos fizeram a lição de casa duas vezes e lideram com 6 pontos. Com os mesmos 4 pontos do Flamengo vem o León. No entanto, os mexicanos terão 2 duelos em casa dos três a serem feitos. E o Bolívar conquista seu 2º ponto sustentando a utopia de conseguir uma vaga.

GRUPO 8 - Por fim, o grupo mais chato da Libertadores. Santos Laguna lidera com 7 pontos. O Arsenal de Sarandí na cola com 6 pontos. Anos-luz atrás, Deportivo Anzoátegui tem 2 pontos e, pausa. O Nacional estar comendo o pão que o diabo amassou desde o sorteio pode ser consideravelmente aceitável. Entretanto, o Peñarol em um grupo desse ter somado apenas um ponto é a grande decepção da competição.  

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Botecadas Libertadoras

Ao término da segunda rodada da fase de grupos, analisar a tábua de classificação simplesmente queima a retina ao percebermos algumas coisas:

- É um tanto óbvio que o Atlético Paranaense vai brigar com o The Strongest pelo segundo lugar. Embora o Furacão tenha batido os bolivianos na primeira rodada, a derrota para o Vélez traz um choque de realidade. Encarar o orgulho ferido do Universitario em duas partidas seguidas, ter uma revanche com um Vélez em busca de uma das melhores campanhas gerais e decidir a vaga na apavorante altitude de La Paz. Sem contar administrar o fator Imperador no banco de reservas. Tortura à vista.

- Botafogo parece ter entendido a cartilha da Libertadores. Brigar, lutar, entregar-se e ganhar em casa e tentar um empate fora. 

- O Lanús, campeão da surreal Sul-Americana de 2013 tem apenas um ponto. O matreiro O'Higgins lidera com 4 pontos, Cerro Porteño e Deportivo Cali na cola com 3. Vislumbro candidatos a engraçadinhos.

- Persiste a sina do Atlético Mineiro em protagonizar gols salvadores após o 85º minuto de jogo. Os triunfos das duas primeiras rodadas vieram a menos de 5 minutos para o final. A sorte parece ter crédito ilimitado no Galo. Cuidado com isso, rivais! 

- O grupo mais legal e imprevisível é o do Cruzeiro. Todos com 3 pontos. A tendência é o avanço celeste e de mais um. Pode sobrar para a Universidad de Chile, ex-Barcelona da América do Sul. Olho no Defensor, está em segundo e, no momento, livrando a cara do futebol do Uruguai.

- O Grêmio dita as ordens no grupo da morte e logo deve assegurar vaga nas oitavas. Nacional simplesmente decepcionante, duas derrotas. Vai ser lindo ver os jogos restantes de Newell's e Atlético Nacional, ambos com 3 pontos. Após a goleada sobre o Nacional, os argentinos assumiram o 2º lugar. O Newell's demonstra possuir um time um tanto superior, mas tudo é possível na Libertadores.

- Flamengo teve 5 minutos de consciência e venceu o Emelec. Respirou fundo, acordou para a vida e somou seus primeiros 3 pontos. Entraram de vez no torneio.

- O futebol uruguaio também chora (todos nos solidarizamos, melhor dizendo) pelo Peñarol. Lamentável. Um ponto, apenas, tal como o Deportivo Anzoátegui. Arsenal de Sarandí tem 3 e o Santos Laguna lidera com 6.  

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Botecadas

DIEGO COSTA - O atacante naturalizado espanhol só foi lembrado por Felipão quando a Espanha lhe ofereceu uma vaga no ataque da Fúria. É um ótimo jogador. É melhor que Fred e infinitamente superior à Jô e Damião e qualquer outro centroavante brasileiro em atividade. Mas sua convocação lá tem a concorrência de Fernando Torres (fase ridícula), Negredo (fase excelente), Pedro (queridinho da geral), Llorente e o experiente Villa. Deu azar de ter se machucado quando de sua primeira convocação oficial no final de 2013. Agora, vejo sua convocação em risco pois não foi testado na Seleção. Aliás, Marcos Senna foi campeão da Euro em 2008 na própria seleção espanhola e ficou fora do Mundial dois anos depois. Como toda escolha há um risco, Diego Costa pode ter jogado fora a presença na Copa deste ano. Se tivesse continuado "brasileiro" certamente estaria nos 23 escolhidos.

SAMPA SEM LIBERTADORES - Uma pena a Globo não brindar o Estado de São Paulo com a Libertadores, em que pese a ausência de paulistas no certame continental. Quem quiser acompanhar a saga de Flamengo, Botafogo, Atlético Paranaense, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Grêmio (grupo mais legal dessa edição cujos jogos começam amanhã, quinta) terá de recorrer à tv por assinatura. 

OS 23 - Concordo com o Gian Oddi, da ESPN, quando ele diz que já é possível definir quem não vai à Copa e esboça uma lista. Minhas apostas e divergências dos nomes propostos pelo blogueiro: 
3º goleiro - Victor.
4º zagueiro - Réver
Centroavantes - Fred e Jô
Meia/Atacante - Vejo Hernanes dentro. Willian está com um pé na Copa mas tem duas sombras: Kaká e Robinho. Se Felipão quiser um meia ou um atacante mais experimentado e rodagem europeia, Willian pode dançar nessa.

BOTAFOGO LIBERTADOR - O Fogão recebeu o San Lorenzo na sua estreia na fase de grupos. Mas nem mesmo o apoio papal ajudou os argentinos na empreitada ingrata de encarar o Botafogo no Maraca. Ferreyra e Wallyson (óbvio, sempre ele, bug da Liberta) fizeram os gols da vitória por 2 a 0. Assim, a Estrela Solitária começa a desafiar o além. Se for para acontecer algo, que seja finalmente a glória máxima! (Oremos). O Fogão está se mostrando um time muito guerreiro, organizado e letal. Tudo indica que deve ir longe, quartas-de-final no mínimo.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Pela quina

Apesar de acreditar que alguma força cósmica há de evitar que o Brasil faça a quina na loteria continental, as classificações de Botafogo e Atlético Paranaense potencializam consideravelmente as chances de termos novamente um libertador brasileiro.

A começar pela ressurreição do Furacão que foi dado como morto por duas vezes e foi salvo pela maldita marca da cal em ambas vezes. O Sporting Cristal apegava-se ao 1 a 1 que lhe dava a vaga à fase grupos. Porém, um pênalti convertido por Éderson 50º minuto de jogo levou a decisão para as cobranças de pênaltis. 

Nos pênaltis, o Furacão precisava fazer seu gol e contar com a incompetência peruana em outras duas batidas. Isso para levar aos tiros alternados. E os deuses do futebol quiseram que assim fosse e muito mais. Era para o Atlético classificar e se unir a The Strongest, Universitario e Vélez no grupo 1 da Libertadores.

Enquanto o festival de surrealidades rolava solta na Vila Capanema, o Botafogo foi escoltado por 50 mil torcedores cientes do risco em ver algo que somente poderia acontecer com eles. Não há surpresa geral da nação ao dizer que os cariocas foram capazes de eliminar o modesto Deportivo Quito e ganhar o direito de disputar mais seis jogos internacionais.

Contudo, os ouvidos ficam ouriçados ao saber que o Botafogo simplesmente destruiu os equatorianos com imponentes 4 a 0. E uma coincidência uniu os artilheiros da noite. 3 gols de Wallyson, atacante que nasceu para a competição (foi o artilheiro em 2011 quando caiu com o Cruzeiro de Cuca para o Once Caldas nas oitavas, com 7 gols), e outro de Henrique, ex-São Paulo, destaque no mundial sub-20 no mesmo ano.

Com isso, os seis brasileiros estarão lá. Ainda que o futebol só se resolva no campo, é óbvio que uns transparecem maior favoritismo que os demais, casos evidentes de Cruzeiro e Atlético Mineiro. Uma simulação feita no olhômetro indica que há real possibilidade de termos, no mínimo, duas equipes na semi-final (ou um finalista, como preferirem).

Para apimentar a teoria da conspiração: Após quatro títulos enfileirados do Independiente entre 72-75 a Argentina quase faturou a 5ª Copa consecutiva. Coube ao Cruzeiro bater o River Plate e quebrar a hegemonia hermana. Opa, um argentino na final.

Seja como for, é hora de colocar a estatística à prova.




sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A Natural Libertadores

Libertadores. Não tem campeonato no universo que tenha um nome mais imponente. Deixem a Champions League, os astros e suas pompas organizacionais de fora. Falo de Libertadores. O campeonato dos campos acanhados, da pressão, da catimba, do suor, do sangue, das lágrimas. La Copa não é jogada. É conquistada. E logo nos primeiros jogos de sua primeira fase já deixou botafoguenses e atleticanos com o coração na boca.

As derrotas brasileiras seguiram o script da Conmebol, partidas pegadas e placares com diferença mínima de gols. O Botafogo perdeu para o Deportivo Quito por 1 a 0 e o Atlético Paranaense foi derrotado pelo Sporting Cristal por 2 a 1. Semana que vem, no Brasil, ambos saberão quem continuará suas batalhas América Latina adentro.

Um pouco de mais do mesmo: o placar está aberto e tanto Atlético, abençoado pelo gol marcado fora de casa, como Botafogo tem totais condições de evitarem o efeito Tolima. 

Porém, não será tarefa fácil. Culpa da própria Libertadores e seu processo de brasileirização que iniciou nos anos 90. Agora, há mais ou menos 10 anos, a Conmebol adotou uma política democrata permitindo triunfos de equipes que jamais tinham tido o privilégio de desbravar o continente, casos de Once Caldas, Internacional, LDU, Corinthians, Atlético Mineiro.

Acredito que após 4 conquistas consecutivas dificilmente o libertador deste ano será brasileiro. Ainda que nossas equipes, no papel (sempre bom lembrar), sejam mais interessantes que as dos nossos vizinhos. É possível que o Big Brother perceba nossa audácia e resolva agir contra nosso futebol.

Conspirações à parte, espera-se que a foice da arbitragem chicana só cante a partir das oitavas-de-final em diante. Até lá, Darwin será o responsável por consagrar quem segue na guerra. 

Por fim, palpites. Um brasileiro deve cair. Quero acreditar na superação do bom time do Botafogo, mas algo me diz que vai acontecer uma daquelas coisas que só acontecem com o Botafogo. Já o Furacão, a menos que algo dê errado na sua controversa maneira de iniciar uma temporada, deve avançar. 

Mas deixemos que Darwin trabalhe em paz.  

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Prazer, América! Eu sou o Corinthians!

Uma quarta atípica para a América, em especial para os brasileiros. Nos bares, padocas, no trabalho, no trânsito, no metrô, em qualquer lugar o único assunto que pairava era a grande final da Libertadores entre Corinthians x Boca. O relógio parecia querer impedir que as 21:50 chegassem. Mas nem o tempo pôde impedir o feito inédito - e épico por que não? - que estaria por vir.

Quarta, Libertadores e Corinthians. O que poderia sair fora do script? O Boca, tradicional rival argentino, dono de 6 taças e fama de carrasco de brasileiros vir até o Pacaembu e devolver com juros e correção a surpresa que levaram aos 40 do segundo tempo no gol de Romarinho? Impossível.

Com esse Corinthians de Tite, sim, impossível. Impecável e incontestável. Esses são os dois grandes adjetivos da conquista inédita da Copa Libertadores. Invicto, o Timão foi extremamente regular e levou o perfeccionismo ao pé-da-letra como manda o professor. 

O sistema defensivo que beira a perfeição, a cadência e tranquilidade no toque de bola e a velocidade no contra-ataque são as marcas registradas de um time humilde, voluntarioso e guerreiro. Tudo conspirou a favor do trabalho e da justiça como Tite comandou o grupo até o titulo.

Nem o primeiro tempo fraco de nulas oportunidades ofensivas tiraram a calma e mudaram o curso de algo que estava escrito nas estrelas. A mítica Libertadores 2012 derruba o Paulistão de 77 com dois gols do predestinado Emerson Sheik. Tricampeão brasileiro consecutivo, sendo o último deles já pelo Timão, Sheik chamou a responsabilidade e brilhou contra Santos e Boca. 

Os argentinos não viram a cor da bola. Acuados, procuravam um erro da melhor defesa do Brasil. Cássio foi um mero expectador. Quando exigido, limitou-se a praticar defesas simples, pontuais. Pudera, aquela contra o Vasco cara-a-cara com Diego Souza já valeu por todo o torneio. Talvez ali o destino tenha dado uma pista de quem seria o campeão.

Impecável, incontestável, justo. O Corinthians entra para a galeria dos campeões da Libertadores com a competência e aplausos de todos não somente pela invencibilidade, mas pela forma como respeitou o torneio, os adversários e em nenhum momento traiu seu jeito de jogar.

Disciplina, marcação, voluntariedade. Tite moldou o Corinthians à Libertadores e deu aula à América de como se jogar futebol. 2012 foi só o começo.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

90 minutos

Brasil e Argentina pararam por 90 minutos para ver o primeiro duelo da final da Libertadores. Boca Juniors x Corinthians. Duas torcidas imensas, apaixonadas e que carregam o amor e o ódio de seus países. Enquanto os hermanos ostentam 6 títulos da competição mais importante do continente, o Timão segue na perseguição implacável ao seu primeiro triunfo.

Como todo jogo decisivo, foi um jogo tenso. Ambos times tiveram suas chances de gol aqui e acolá. Importante dizer que o Corinthians, mesmo sob a pressão da mítica La Bombonera, não se comportou como um visitante amedrontado. Fiel ao seu estilo, defendeu-se muito bem e arriscou seus contra-ataques tal como era possível.

O segundo tempo reservou toda dose de emoção que o primeiro insistiu em reprimir. O gol chorado de Roncaglia depois de mãozada de Chicão na bola, que bateu na trave, e sobrou para o beque xeneize foi o início do que poderia ser a derrocada corinthiana no jogo.

No entanto, o Timão foi heroico e não só suportou a pressão do Boca como alcançou o empate em gol do novo talismã da Fiel, Romarinho. O garoto que até anteontem estava no Bragantino, ontem fez os dois gols da vitória alvinegra contra o rival Palmeiras e hoje foi o encarregado de reavivar o sonho do título inédito ao marcar um golaço. Recebeu de Sheik e, de cavadinha, mandou para as redes, sem dó nem piedade: 1 a 1.

A igualdade persistiu até o final da partida. A sorte sorriu para o Corinthians que ainda viu Viatri carimbar o travessão e Cvitanich, sem a sorte de Neymar, vir a bola bater em si e sair pela linha de fundo.

1 a 1. Igual. Sem gol qualificado, sem vantagem de resultados iguais, nada. Tudo rigorosamente igual. A tese do "nada está ganho" ganha força entre os rivais, que direcionam toda sua fé no Boca e em sua tradição na Libertadores. Afinal, não é para menos: os hermanos levantaram 3 Libertadores contra Brasileiros em território tupiniquim (Palmeiras/2000, Santos/2003 e Grêmio/2007). 

Porém, do outro lado, há Tite, treinador em estado de graça, há o time de melhor sistema defensivo do Brasil, há jogadores experientes, um elenco interessante e, sobretudo, competente. Tudo isso arrancou um empate precioso sobre a equipe mais perigosa da América. 

Óbvio que nada está definido. Contudo, é inegável que o feito do Corinthians o credencia ao título muito mais que o tradicional clube argentino. Se nesses primeiros noventa minutos o placar indicou o empate, ao meu ver, não restam dúvidas de que o Timão saiu vencedor dessa batalha. 

Se o sonho já era possível (ler aqui), agora está a apenas 90 minutos de se tornar realidade.
  

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Como devia ser

Um dia após mais uma quarta-feira decisiva no futebol brasileiro a sensação era de alívio pois tudo saiu como deveria ter saído. Os deuses do futebol agiram e fizeram justiça com as próprias mãos. Se Muricy consagrou a máxima "a bola pune", ontem não foi bem assim.

No Pacaembu, o jogo que interessava. O Corinthians recebeu o Santos para o segundo duelo pelas semi-finais da Libertadores. A vantagem conquistada na Vila Belmiro era ótima, porém relativamente frágil. Tite, coerente, postou o Timão da velha forma. Atrás, fechadinho e saindo perigosamente no contra-ataque. Avançando só na maciota. Ao Peixe só restava o ataque, claro. Tanto que Muricy tratou de barrar Elano e colocar Borges. 

Como toda partida decisiva, a tensão dirimiu o ritmo do jogo. Ao meu ver, impossível dizer que houve pleno domínio de uma das equipes. Houve bons momentos de ambos lados. O Santos proporcionalmente tomou mais sustos, aliás. Mesmo assim, abriu o placar num gol chorado de Neymar aos 35 minutos do primeiro tempo.

O sonho do tetra ficou mais longe logo aos 2 minutos da segunda etapa. Alex cobrou falta venenosa, a bola encontrou Danilo, o predestinado, que não perdoou. O Mr. Libertadores mais uma vez foi decisivo e calou de uma vez por todas seus ferrenhos críticos. 

Foi um empate assustadoramente justo. O Santos não justificou em nenhum momento por que merecia o segundo gol. O Timão, por seu turno, repetiu a fórmula sólida e precisamente cirúrgica para avançar na Libertadores. Tite, Corinthians e torcida esfregam as mãos. A final vem aí e o título é plenamente tangível. 

Em Curitiba, o jogo de fundo. O São Paulo foi até o Paraná encarar o Curitiba sonhando com a vaga na final e o título inédito da Copa do Brasil. A vitória magra por 1 a 0 conquistada no Morumbi dava ao Tricolor a vantagem do empate.

Só que o Coxa, mais uma vez, mostrou o mesmo futebol envolvente do ano passado quando chegou à final da mesma Copa do Brasil contra o Vasco. Mantida a base, o trabalho de Marcelo Oliveira continua rendendo seus frutos. Quem mostrou toda sua força também foi o Couto Pereira e a torcida, simplesmente fantásticos.

Vale lembrar que o Coritiba terminou a partida no Morumbi com um atleta a menos e jogando melhor que o São Paulo. Perdeu depois de um golaço de Lucas em jogada individual, mas dominou grande parte do jogo.  O inconveniente foi resolvido para a partida de volta. Os deuses não deixaram a injustiça prevalecer novamente e trataram de dar ao Coritiba uma pitada a mais de sorte à sua competência.

Aos 28 minutos do primeiro tempo, Emerson, bom zagueiro, abriu o placar. E aos 16 da etapa complementar explorou a péssima noite do Tricolor para garantir sua vaga sem sustos com um gol de cabaça do "gigante" Everton Ribeiro. Do alto dos seus 1,65 sai a classificação para mais uma final de Copa do Brasil. 

Apático e perdido, o São Paulo foi mais do mesmo. A culpa é plenamente distribuível em partes iguais. Da diretoria ao último reserva o fracasso acumulado ao longo desses últimos 3-4 anos escancara uma crise então tratada veladamente. Reforços, sucessivas trocas de técnico, reformulações e nada fez o Tricolor resgatar um mínimo de raça.

No entanto, o mérito é todo do Coritiba já que não tem nada a ver com isso. Provou por A + B que futebol se ganha no campo e pode conquistar o título que escapou por pouco ano passado.