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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Afinal, Timão.

SantoseCorinthiansSantoseCorinthiansSantoseCorinthiansSantoseCorinthiansSantoseCorinthians. Por vinte tortuosos dias só se falava nisso. Finalmente, o dia do duelo chegou. Escalei meu querido Doritos, umas Buds...só faltou "aqueeeeele" futebol.

Fato é que quem esperava um jogo equilibrado, movimentado, Neymar pra lá e pra cá. Paulinho, Alex e Sheik e Jorge Henrique defendendo e atacando como um time de basquete ficou na curtição dos Doritos e das Buds.

Mal a partida começou e o Corinthians tratou de deixá-la com sua cara. Especialmente quanto ao controle da redonda. Muitas trocas de passes, calma, inversões e logo perceberam que o miolo da cabeça-de-área do Santos era um convite para um samba que poderia render frutos. Já o Peixe saía afobado em velocidade. Ao chegar ao ataque, a bola queimava nos pés e a troca de passes era horrenda. 

Mesmo assim, aos dez minutos, uma falta perigosa em favor dos mandantes só assustou pela posição. Elano bateu e Cássio defendeu sem dificuldades. Depois disso, o Corinthians rodava a bola, rondava a área e o Santos afastava, tentava contra-atacar mas sem sucesso.

O Santos não era nem sombra daquele time encantador. E o Corinthians era bem o Corinthians que todos estão cansados de ver. 

Então, no 27º minuto de partida, aquele probleminha na cabeça-de-área custou caro ao Peixe. Por ali o Corinthians chegou e a trama ofensiva encontrou Emerson na entrada da área do lado esquerdo. Sheik teve uma tranquilidade espantosa para o momento. Parou a bola e mandou no ângulo esquerdo sem chances para Rafael. 

A superioridade no placar se mostrava justa pela postura do Corinthians em campo. Porém, tão logo o Timão abriu o placar já tratou de ficar fechadinho atrás para explorar os contra-ataques. Sem escolha, o Santos foi para cima. O domínio virtual mudou de lado e, aos 42 quase o Peixe iguala. Juan cruza da esquerda e, no bate-rebate, quase Elano iguala.

Na segunda etapa, o domínio mudou de lado. A proposta do Timão, já bem conhecida por toda a galáxia, era a mesma. Fechadinho atrás e contra-ataques quando desse. Ciente disso, Muricy sacou Elano, colocou Borges e acendia uma vela para Neymar aparecer no jogo. Sim, o craque estava estranhamente desaparecido.

O Santos cresceu e criou algumas boas chances. No início do segundo tempo, alguns cruzamentos causaram arrepios nos visitantes. Cássio começou a fazer intervenções pontuais quando exigido. 

Aos 12 minutos, o Timão teve uma chance de ouro e desperdiçou. O tão sonhado contra-ataque chega nos pés de Emerson. Era ele e Durval, mano a mano. Botou na frente, invadiu a área e se jogou. Não foi pênalti, nem nada e só o início de minutos intermináveis de sofrimento.

Para piorar, o mesmo Emerson fez o favor de mudar seus status de heroi para vilão. Entrada forte e desnecessária em Neymar lhe custou o 2º amarelo e o consequente cartão vermelho. No lance seguinte, o Santos quase empatou com Juan. Após cobrança de escanteio, o lateral pegou firme e Cássio fez ótima defesa.

A pressão do Santos ficou comprometida com a interrupção da partida em razão da falta de iluminação em parte do estádio. Nem mesmo a volta da luz trouxe de volta o bom futebol. O Peixe foi presa fácil da ótima e eficiente defesa do Timão e saiu derrotado em seu campo neste primeiro jogo. 

Não gosto de discutir justiça de placar. Justiça é bola na rede, é competência em fazer mais gols que o adversário e defender-se melhor. No entanto, para satisfazer quem prefere analisar o jogo sob o prisma justiceiro, em tese, o Santos merecia melhor sorte e ser premiado com o empate. Pronto. Prêmio de consolação dado. 

Espantou a postura de Neymar em campo. Mal conseguiu ser um bom coadjuvante. Embora o conjunto santista tenha subido de produção no segundo tempo, não foi aquele time envolvente que estamos habituados a ver. Isso se deve, em parte, ao Corinthians. A proposta defensiva do Timão, ou melhor, a forma como a equipe se compacta em campo é surpreendente. 

E foi o pragmatismo de Tite que fez o Corinthians arrancar a vitória na Vila na marra. Fez seu feijão-com-arroz e deixa a pulga atrás da orelha de quem agora reflete se a Vila Belmiro foi mesmo a melhor escolha, se Ganso deveria ir para o jogo, se isso, se aquilo. 

Vencer fora de casa e sem sofrer gols é um passo importantíssimo mas, sobretudo, firme rumo à classificação. Em que pese o Santos ter totais condições de reverter o quadro ora desfavorável, as circunstâncias provam justamente o contrário. 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Campo, campo meu...

A 16 dias do primeiro confronto entre Santos x Corinthians válido pelas semi-finais da Copa Libertadores uma polêmica rola solta: o local onde o Peixe exercerá seu mando de campo no jogo de ida.

Tudo começou no duelo contra o Vélez quando santistas tiveram sérias dificuldades na aquisição de ingressos para o jogo. Muitos sócios e torcedores ficaram de fora da emocionante partida que valeu a classificação do Peixe para mais uma fase decisiva da Libertadores.

Com a classificação, o apelo e a promessa de jogos pra lá de eletrizantes contra um dos seus maiores rivais deixaram o presidente santista com uma pulga atrás da orelha. Afinal, trata-se de excelente oportunidade de lucrar mais, ora. 

Contudo, a majoração significativa no valor do ingresso não é o bastante. Como dito, é um clássico, é a chance de impor ao rival mais um ano de fila. Para contar com maior apoio da torcida e maior renda a alternativa é sair da Vila Belmiro e vir a São Paulo mandar seu jogo.

Mas vale a pena?

O Morumbi comporta seus 60, 60 e poucos mil torcedores, campo amplo, gramado impecável e histórico recente favorável. Poderia ser uma boa. O estilo de jogo ofensivo e insinuante se desenrolaria melhor. Além disso, conhecendo Tite, atuar em um campo maior será crucial para abrir espaços no ferrolho do Timão. Porém, a arquibancada mais alta e distante da cancha desvirtua o conceito de "caldeirão", o que pode dar a impressão de atuar em campo neutro.

Pacaembu? Palco da final do ano passado é última das últimas alternativas. Afinal, é a casa do Corinthians. Além de conhecer bem o estádio, ainda que conte com a minoria da torcida, ali o Timão poderia se sentir mais confortável ainda.

A Vila Belmiro, casa natural do Santos, comporta aproximadamente 15 mil pessoas e tem a questão de ter muitos sócios para poucos lugares. Transferir o mando para a capital vai gerar revolta da mesma forma. No entanto, a troca, apesar de incômoda, pode ser a alternativa razoável para conseguir apoio maciço de seus adeptos.

Ao meu ver, o jogo tem que ser na Vila Belmiro. Casa é casa e ponto final. Jogar no Morumbi ou em qualquer outro lugar certamente não vai deixar o jogo com cara de "mando do Santos". Jogar na Vila lotada é a cara da Libertadores. Estádio acanhado, torcida em cima, com Neymar encapetado, então...

Mesmo analisando friamente o estilo de jogo das equipes e chegando à conclusão que a Vila Belmiro pode se tornar uma vilã para o Peixe, creio que a essa altura do campeonato o "fator casa" não pode ser suprimido mesmo às custas de um bom retorno financeiro.

Tite vai armar o time para não perder. Nas dimensões menores do glorioso Urbano Caldeira, o treinador do Timão pode conseguir mais êxito na tentativa de anular Neymar ou encurtar seu campo de atuação, é verdade.

Por seu turno, jogar no Morumbi pode dar a Neymar e Cia. os espaços esperados para organizarem tabelas, partirem em velocidade e cadenciarem a partida como bem entenderem. Sua torcida certamente ocupará muito bem o estádio e cumprirá seu papel tão bem quanto na Baixada.

Entretanto, ainda que lote as arquibancadas, os bolsos de grana e consiga alguns metros de campo a mais para jogar, ainda vejo com ressalvas transferir um jogo desta grandeza para qualquer outro estádio por mais familiarizado que esteja.

Rivalidade, Libertadores, pressão. Vale lembrar que o Santos tem nas mãos a chance de seguir rumo ao tetra inédito no âmbito nacional e eliminando um inimigo histórico e que segue na busca de seu primeiro caneco da principal competição internacional.

O Santos, grande time que é, não vai morrer se deixar de lucrar com essa partida especificamente. E outra, a Vila Belmiro não será palco de eventual final por não ter o mínimo de 40 mil lugares, logo, já será forçado a procurar outra casa. Portanto, Peixe, pelo bem o duelo, mandem essa partida na sua verdadeira casa!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Santos vai à semi!

Após a classificação emocionante do Corinthians ontem, o Brasil parou para ver o Santos. A derrota para o Vélez, na Argentina, por 1 a 0 deu à partida uma roupagem especial. O Peixe jogaria fora de sua zona de conforto contra um rival capaz de defender-se bem. 

Desde o início da partida o Santos foi para cima, fiel à sua filosofia de jogo. Encontrou um Vélez recuado e que explorava os contra-ataques sem desespero.  Todas as tramas ofensivas passavam por Neymar. O lado esquerdo foi exaustivamente acionado, porém, pouco produtivo. O Santos tinha grande volume de jogo mas criava poucas chances efetivas.

Na pressão, quem tem Neymar não perde as esperanças. Cedo ou tarde, o craque poderia aprontar das suas e tranquilizar a torcida. Dito e feito. Aos 39 minutos, Neymar invadia a área em velocidade pelo meio até ser derrubado pelo estabanado  Barovero que ignorou a bola e foi direto no corpo do atacante. Falta perigosa e cartão vermelho para o goleiro.

O tiro de Elano saiu ao lado. No entanto, a expulsão do goleiro forçou o Vélez a sacar Obolo, autor do gol argentino na partida de ida, para a entrada de Montoya. Com o final da primeira etapa, restava uma missão simples de fazer pelo menos um golzinho. Tinha Neymar, meio caminho andado, certo? Errado.

Mesmo recuado, quem surpreendeu foi o Vélez. Aos 8 minutos, Rafael quase foi surpreendido por um tiro despretensioso do meio-campo. Apesar de dominar o jogo, o Santos tinha sérias dificuldades em penetrar na defesa argentina. Para piorar, o Vélez sempre subia ao ataque com alguma gracinha, ainda que sem tanto perigo.

Aos 20 minutos, a sensação de "tudo ou nada" contaminou o time santista. Rentería entrou no lugar de Adriano. O Peixe era todo ataque e o Vélez desencanou de tentar prender a bola. Começaram os exageros na linha de fundo, cruzamentos, chuveirinhos. Neymar? Bem marcado, não conseguia driblar nem distribuir assistências.

Então, Muricy resolveu trocar Juan por Léo quando faltavam 17 minutos para o final do jogo. O ídolo do Peixe deu mais gás e mobilidade ao ataque. Dois minutos após a alteração, Kardec recebe cara-a-cara com Montoya e fez o impossível: chutou em cima do goleiro e desperdiçou A oportunidade. Um filme com Deivid e Diego Souza começou a passar na mente do torcedor santista.

Mas o Santos, que tinha Neymar apagado no segundo tempo, tinha também Léo. Aos 37 anos, Léo orquestrou a jogada que culminaria no precioso gol mínimo tão almejado. Recebeu na esquerda e passou para Ganso. Correu e tão logo recebeu na entrada da área, rolou para Kardec que, de canhota, não perdoou. 

Do céu ao inferno, Kardec mostrou porque Borges amarga a reserva. Salvou sua pele graças ao passe açucarado de Léo que, quem diria, incendiou a partida!

O Santos ainda permaneceu no ataque, mas sem sucesso. A defesa do Vélez não cometeu novo vacilo e, na medida do possível, fez partidas ótimas. Anulou Neymar, ora. E tudo seria decidido nos pênaltis.

Martínez abriu para o Vélez. Kardec não se mostrou disposto a bancar o Diego Souza ou Robben. Bateu e guardou. Canteros mandou por cima. Ganso, que jogou no sacrifício, fez partida muito abaixo do esperado em razão da lesão no joelho. Mesmo assim, não desperdiçou sua cobrança. Rafael, goleiro de excelente potencial, defendeu o tiro de Papa. Elano (quem diria?) bateu bem e ampliou a vantagem do Peixe.

Sebá, da família "Aquele" (ex-Corinthians), tinha que converter para manter o sonho argentino vivo de encarar o Boca nas semi-finais. Encheu o pé no meio do gol e guardou. Restando ainda duas cobranças, Léo veio para a quarta cobrança. 37 anos, 7-8 anos de Santos, mais de 400 jogos pelo clube e presente nas principais conquistas do Peixe. Responsabilidade recebida com a tranquilidade de quem sabe da importância daquela bola. Léo parte e carimba a classificação do Santos!

Vendo bem, não foi uma grande partida do Santos. Mesmo com um Vélez recuado, o domínio do jogo não foi suficientemente capaz de abrir grandes brechas na zaga adversária. Houve momentos em que o time abusou de bolas alçadas na área e jogadas pela linha de fundo bem bloqueadas pelos argentinos.

Foi bom ver o modo como Léo entrou e praticamente atuou como meia. Ótima opção para o segundo tempo em situações complicadas, como a de hoje. Com tabelas curtas e rápidas, o time encontrou uma brecha no ferrolho argentino e achou o gol. Conseguiram se virar mesmo sem Neymar em noite iluminada. E sem Ganso, baleado. 

Agora, terão o Corinthians pela frente. Sem Ganso, a tendência é a entrada de Bernardo. Depois de hoje, Léo pode ser improvisado? Bem, parece uma variação tática com a cara do Muricy. Transição rápida para o ataque e um atleta interessante para tentar conter os avanços de Paulinho. Enfim, impossível saber.

Fato é que o futebol brasileiro será contemplado com essa grande partida. A regularidade e o pragmatismo do Timão frente o futebol envolvente e alegre do Peixe. A exemplo de 2000, o Corinthians terá um rival do seu estado nas semi-finais. Pode não ser o eterno inimigo verde, mas é o Santos. Ou melhor, é esse Santos. Alguém arrisca dizer quem irá à final? 




quinta-feira, 24 de maio de 2012

Paixão corinthiana

Paixão. Sentimento geralmente associado a amor, arroubos de euforia e atitudes impensadas. Também sinônimo de dor, sofrimento. Nesta quarta, o Corinthians recebeu o Vasco para decidir seu destino na Copa Libertadores. Após o empate sem gols em São Januário, o Timão dependia de uma vitória simples para avançar. Novo empate sem gols levava a partida aos pênaltis e empates com gols eram do Vasco. 

Mas nada na vida do Corinthians é simples. Nada é tranquilo, na maciota. Tudo exige uma quantidade significativa de...paixão. Hoje não foi diferente, ora. 

A partida toda foi bastante estudada e ambas equipes tiveram suas oportunidades de gol. No primeiro tempo, vantagem ligeira para os mandantes que tiveram grandes chances com Emerson e Paulinho, de cabeça. Não que o Vasco tenha ficado encolhido atrás, apenas não foi tão incisivo nas tramas ofensivas.

Na segunda etapa, sobrou paixão no Pacaembu para todos os lados. 

Ao trocar Thiago Feltri por Felipe, Cristóvão Borges dava um recado aos críticos de plantão e sinais de que faria o Vasco brigar de igual para igual com o Timão mesmo fora de casa. Tite não mexeu no time, mas logo aos 10 minutos exagerou no bate-boca com a arbitragem e foi expulso. Foi ver o jogo com a Fiel, curtir a paixão das arquibancadas.

O empate persistia e os ânimos começavam a se exaltar. Jogo truncado, nervoso. Defesas bem postadas e os goleiros faziam intervenções pontuais. Então, veio o 17º minuto de jogo e com ele o 1º lance crucial da partida. 

O Corinthians atacava. A bola parou em Alessandro no meio-campo. Quando o lateral bateu na bola, surge Diego Souza. Trava o chute e liga contra-ataque. Era Diego Souza, ele mesmo e mais ninguém contra Cássio e o gol. O meia avançou rapidamente, Cássio foi para a marca do pênalti e esperou. Diego veio e deu um tapinha na bola para o canto direito. Ágil e preciso, Cássio se estica, desvia a rota da bola que passa tirando tinta da trave. 

É impossível traduzir em palavras como foi o lance. É bizarro. Mais difícil ainda é imaginar como Diego Souza conseguiu tamanha proeza. Vejam o vídeo abaixo e tirem suas conclusões;


Ao meu ver, por maior que seja o mérito do ótimo goleiro Cássio, o vacilo é todo do meia. Diego Souza, com a qualidade que tem (ou dizem que esbanja) tinha obrigação de guardar a bola nas redes. Fosse de dedão, driblando o goleiro, encobrindo-o, enfim. Aliás, não só Diego Souza, QUALQUER UM que apareça naquela condição e desperdiça não merece perdão. É igual pênalti, tem que fazer e ponto.

No escanteio, Nilton subiu mais que a zaga do Timão e carimbou o travessão. 

Após esses lances fatídicos, o Vasco sumiu. E o Corinthians cresceu. Dominou o meio-campo e não mais foi assustado em nenhum momento. Começou a gostar do jogo, pressionar. Chuveirinho, jogada pelos flancos, troca de passes na entrada da área, tudo.

O Vasco se segurava como podia. Depois daquele lance, melhor que viessem logo os pênaltis. Contudo, o Timão não estava disposto a colocar o tabu de jamais ter sido eliminado pelo Vasco em mata-matas à prova. 

Tanta paixão, ou melhor, pressão deu resultado. Depois de tanto bater e voltar, surge um escanteio aos 42 minutos. Alex manda para a área e a bola encontra Paulinho que cabeceia bonito no canto sem chances para Fernando Prass.

Explosão nas arquibancadas. Tite é abraçado, o time se abraça e comemora o gol da classificação. Entregue, o Vasco só dependia de uma bola restando aproximadamente 5 minutos para acabar o jogo. Juninho ainda levantou na área mas Rômulo cabeceou para fora.

E foi só. Hoje, o Corinthians foi o velho Corinthians. Aquele time vibrante, da garra, da vontade, da superação, que luta até o fim. Defendeu-se bem e tomou sustos circunstanciais. Arrancou a vitória na marra para não depender de pênaltis e vê despontar um grande goleiro candidato a novo ídolo. Alcança as semi-finais do torneio com moral, confiante e vendendo paixão.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Agora ou nunca mais?

"Se o Timão não ganhar a Libertadores esse ano, esquece! Nunca mais!" "Olha os times que sobraram! Se o Tricolor não levar essa Copa do Brasil, nunca mais!" O tabu de jamais ter vencido tais torneios faz os torcedores de Corinthians e São Paulo reduzirem suas chances a tais extremismos.

O Timão teve boas chances em 2003, o quinteto Carlos Alberto-Roger-Ricardinho-Tevez-Nilmar em 2006, Ronaldo em 2010-2011. Resultado: Duas eliminações para o River Plate,  uma para o Flamengo e outra para o Tolima.

Já o São Paulo foi eliminado pelo Corinthians em 2002, que faria uma final "tranquila" contra um desconhecido Brasiliense. No ano seguinte, caiu para o Goiás nas quartas-de-final. Após sete anos disputando a Libertadores, caiu para o Avaí na edição 2011 também nas quartas.

Coincidentemente, ambas competições encontram-se nas quartas-de-final. Enquanto o Timão recebe o Vasco precisando de uma vitória simples para avançar em razão do empate sem gols conquistado em São Januário. Por seu turno, o Tricolor abriu 2 a 0 frente o Goiás e decide a vaga no Serra Dourada.

As circunstâncias parecem favoráveis para ambos. O Corinthians tem um time extremamente organizado e experiente. Tem plenas condições de fazer, pelo menos, dois gols e se dar o luxo de sofrer um. E o São Paulo pode até perder por um gol de diferença que estará classificado. Sem contar que, se encontrar um gol na casa do adversário, obrigará o Esmeraldino a fazer 4 gols para sonhar com classificação.

O problema é a sequência. O destino do Timão passa por Santos, talvez Vélez ou até mesmo Libertad ou Universidad de Chile. O panorama ideal é sonhar com as eliminações de Fluminense e Santos e aguardar Libertad ou Universidad de Chile, teoricamente mais fracos, para ter um argentino na final: Vélez ou Boca, pois o cruzamento argentino seria direcionado nas semi-finais.

Tendo-se em conta que a Copa do Brasil invariavelmente degola favoritos, o São Paulo, virtual favorito em seu lado da chave do mata-mata, terá pela frente Coritiba ou Vitória. Sem dúvida, equipes mais modestas. Mas só no papel. São bastante aguerridas e dispostas ofensivamente. Projetando eventual final, a probabilidade é que Grêmio ou Palmeiras disputem uma vaga na decisão.

Mas, na prática, a teoria é outra.

Independente de cruzamentos, uma coisa é certa e beira o clichê: futebol só se resolve nas quatro linhas. Óbvio que o Corinthians tem um grande time para sonhar com o título. Da mesma forma o São Paulo, mesmo com suas limitações defensivas. Só que do outro lado sempre haverá outra equipe tão competente quanto.

Esse reducionismo a 8 ou 80 apenas contribui para inflar os nervos da torcida, e desta para o time, gerando uma eterna pressão sobre o clube durante essa competição.

A expectativa e a ansiedade em erguer um título inédito é natural. Entretanto, a forma como Corinthians e São Paulo as alimentam durante a Copa Libertadores e a Copa do Brasil, respectivamente, influencia diretamente suas pretensões no torneio.

Enquanto durar essa pressão doentia em torno desses campeonatos a torcida pode tirar o cavalo da chuva e desencanar do caneco. Para quem acredita em energia negativa, eu tenho lá minhas crenças que tamanha expectativa pode até virar contra o time, transformar-se em algo extremamente prejudicial. O apoio jamais deve transcender e desaguar em neura, obsessão.

Título jamais será obrigação. É decorrência de trabalho, competência, comprometimento. E uma pitada de sorte, claro.





sábado, 19 de maio de 2012

Botequeiros falam sobre Libertadores, Copa do Brasil e Champions League

Fala Galera!!!!

Gravamos um podcast especial com os botequeiros de plantão Gabriel Casaqui e Luis Cesar para falarmos dos campeonatos nacionais e internacionais que rolaram durante a semana e os nossos palpites sobre Bayern e Chelsea. Será que alguém acertou no "chutometro" quem iria vencer a partida e conquistar o título???? Essa edição também contou com a participação especial da nossa orientadora no curso de locução do Senac Santana, Fabianna Ribeiro, locutora e apresentadora da Jovem Pan FM.

Entrem e ouçam os nossos comentários. Vocês concordam com o que falamos durante o nosso podcast??? Participe conosco e deixem seus comentários....


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sem estresse.

Libertadores e Corinthians estão unidos pelo estresse. A fase de grupos é retiro espiritual perto do que o mata-mata reserva. Por mais confortável que seja determinado resultado, enquanto a bola não parar de rolar haverá uma eterna faca em seu pescoço.

Nesta noite, em duelo válido pelas oitavas-de-final, o Corinthians tinha que lutar contra o nervosismo de jamais ter ganho o torneio e contra a ansiedade em buscar os gols para construir um resultado seguro. O empate sem gols conquistado no Equador era ótimo. 

No entanto, um inesperado empate com gols daria a vaga ao Emelec, que já havia operado dois pequenos milagres ao bater o Flamengo e conquistar sua vaga sobre o Olimpia com gols nos acréscimos. A julgar pela atuação regular dos comandados de Tite, esperava-se controle do meio-campo, poucos sustos e chegadas constantes no ataque.

Por sorte, o Timão nem deu oportunidade para sua torcida preparar os terços. Demorou somente 6 minutos para perceberem que o ponto fraco do Emelec era o lado direito. Alex lançou Emerson, que cruzou para a área. A zaga vacilou, Fabio Santos brigou como um centroavante e abriu o placar. Fácil como no videogame.

Desfeita a adversidade no placar, esperava-se que o Timão começasse a jogar como gosta. Colocar a bola embaixo do braço e trabalhá-la como bem entender. Não foi bem assim. O gol acordou os equatorianos e até os 20 minutos ameaçaram incomodar o clube paulista. Porém, quando atacado, defendia-se bem encurtando espaços e, logo ao recuperar a bola, já buscava lançar Willian e Emerson para puxar os contra-ataques.

Nitidamente o Corinthians parecia ter pisado no freio tão logo abriu o placar. Aquele ar de "vou resolver quando eu quiser" tomou força quando Paulinho recebeu na área, dominou bonito e bateu forte para linda defesa de Dreer. No lance seguinte, exploraram o frágil lado direito do adversário com Emerson cruzando para Willian antecipar-se à marcação mas bater por cima.

Então o jogo ficou morno. Limitado, o Emelec não sabia como atacar. Muito superior, o Corinthians tropeçava no preciosismo para concluir suas tramas ofensivas. Contudo, o que qualquer alma no Pacaembu sabia era que  o segundo gol tinha que sair o quanto antes. Correr o risco de levar um gol besta e bater aquele desespero em ter que virar o jogo era um pensamento de arrepiar. Um golzinho do Emelec significaria mais um ano na fila.

Se o lado direito defensivo era precário, o ofensivo mostrou-se insinuante. Ainda que um tanto desorganizados, os equatorianos ensaiavam chuveirinhos por ali. O máximo que conseguiram foi pseudo-assustar a torcida com alguns escanteios ou bolas alçadas na área. No mais, mais do mesmo. 

Quando o Emelec sonhava crescer no jogo, o Corinthians lhe dava um cascudo para acordar. Aos 40, Danilo é lançado e ajeita de cabeça para Paulinho, livre, escorar na trave. Foi o retrato do primeiro tempo. Um Corinthians regular, seguro, mas displicente nas finalizações. Cássio? Mero espectador. 

Para a segunda etapa, uma baixa: Edenílson machucou e Alessandro entrou. Seis por meia dúzia. O Emelec voltou à procura de um gol e sonhando em repetir a sorte defensiva dos primeiros 45 minutos. Logo no primeiro minuto, Chicão faz jogada perigosa na entrada da área. Na cobrança, Cássio espalma pancada de Valencia e tranquiliza a torcida.

Cinco minutos mais tarde, Paulinho cruza da direita e Alex, sozinho no meio da área, erra o voleio e isola. Mais lúcido, os equatorianos começaram a se arriscar mais. Embora não criassem chances concretas de gol e exigissem intervenções de Cássio, rodeavam os flancos de maneira inconveniente.

Estranhamente, o Corinthians recuou. Abriu um pequeno abismo entre o meio-campo e o ataque de tal maneira que os contra-ataques saíam um tanto capengas. Emerson e Willian, pilares do ataque, estavam muito distantes um do outro. Para piorar, Danilo não estava em noite iluminada. Alex, mesmo pouco produtivo, aparecia para tentar alguma coisa.

Nem o irritante pragmatismo de Tite foi capaz de instigar o Emelec. Pelo contrário, só corroborou a naturalidade com a qual sua equipe joga. Aos 16, a primeira escapada decente do segundo tempo. Claro, pela esquerda. Danilo avança, cruza para o meio, Emerson faz o corta-luz e Paulinho invade a área, se atrapalha e perde a bola. 

Três minutos depois, o Timão finalmente resolveu a parada. Em cobrança de falta, Chicão levanta na área e encontra Paulinho para, sem marcação, desviar para o gol. 2 a 0, sem susto, sem nervosismo. 

Daí em diante é história. O Emelec saiu desesperado e sequer conseguiu uma finalização decente. Desta vez, pelo menos testou as saídas de gol de Cássio, que respondeu bem em todas elas. Para mim, impressionou seu posicionamento e a segurança que transmite. Isso contrasta bastante com o clima de Libertadores e tal frieza é indispensável para a posição.

Deu tempo para Alex receber de Danilo e bater cruzado para vencer Dreer e dar números finais à partida: 3 a 0, repita-se, sem sustos, sem nervosismo.

Fato é que essa vitória tranquila diz muito sobre o Corinthians e, ao mesmo tempo, pouco face o nível do adversário. Uma equipe forte no meio-campo e com um ataque perigosíssimo. Estável, regular, segura. Tem as laterais como ponto fraco e exagera na retranca e na cautela quando atua fora de casa. 

Esbanjou tranquilidade e competência para construir o resultado diante de um rival tosco. E é aqui que mora o perigo. Não era um placar complicado de reverter e o adversário era simplesmente ridículo ofensivamente. Mesmo com muitas virtudes, a impressão final depois da classificação às quartas-de-final é a de que o Corinthians ainda não foi devidamente testado no torneio. 

Vasco? Sim, este pode causar algum estresse.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Corinthians e São Paulo vivos.

Nesta fria quarta-feira, Corinthians e São Paulo entraram em campo para exorcizar o fantasma da eliminação do Paulistão. Enquanto o Tricolor enfrentou o algoz do Timão, a Ponte Preta, o Corinthians foi até o Equador encarar o Emelec.

Não foram grandes partidas. Mas tiveram suas doses de emoção.

O Corinthians travou um duelo contra os próprios nervos. Suportou o esforçado catado equatoriano sem se expor tanto. Poderia até ter arriscado mais. 

Motivado pela torcida, o Emelec atacava como podia. Deu ótima contribuição para testar Cássio, novo titular da meta corinthiana. É bem verdade que carimbou o travessão do clube paulista. E que o Timão voltou nervoso para o segundo tempo. Que o diga Jorge Henrique, expulso. 

Só que os equatorianos são muuuuito limitados. A partida de volta tem tudo para ser tranquila. Com Pacaembu lotado, Cássio mais leve em relação à estreia e os pés de Liédson calibrados o Corinthians atropela e fica na espreita para ver quem sai de Vasco x Lanús (vitória cruz-maltina por 2 a 1, em São Januário, com direito a golaço de Diego Souza).

A impressão que ficou da partida morna de hoje é que o Corinthians deu sopa para o azar. Deixou um time infinitamente inferior gostar do jogo. Parecia preguiça em impor seu ritmo cadenciado, trabalhar as jogadas com calma. Tivesse o adversário um tiquinho assim a mais de qualidade e o Timão poderia ter cavado a própria cova.

Após a expulsão de Jorge Henrique era rezar para o jogo acabar logo e resolver em São Paulo. Deu certo. Todavia, grande parte dos pequenos sustos de hoje são evitáveis e os vejo atrelados muito mais ao nervosismo do que à displicência propriamente dita. Como dito em outros posts, atenção!

E o Tricolor foi até Campinas encarar a Ponte Preta. 

Horas antes da partida, a diretoria comunica o afastamento do então titular e intocável Paulo Miranda. Ficou um clima azedo no ar, uma espécie de mal entendido. A princípio, não se esperava uma reação negativa por parte do elenco. De Leão, talvez. 

Depois de um primeiro tempo bastante movimentado, com chances e bolas na trave de ambos os lados, com ligeiro domínio tricolor, a Ponte acordou. A Macaca simplesmente dominou a segunda etapa e chegou ao gol com Roger. 

Visivelmente abalados, abatidos o time do São Paulo não encontrou forças para esboçar reação. Poucas chances criadas, um pênalti não marcado em Luis Fabiano, muito nervosismo e pouco futebol. Aliás, após a partida, Fabuloso disse que o grupo sentiu o baque do afastamento do zagueiro e reconheceu a má atuação. Dica para o desempenho relapso desta noite?

Na coletiva, Leão sutilmente mostrou sua insatisfação, no entanto, sem fazer estardalhaço. Por fim, preferiu fazer o discurso otimista de que é possível reverter o resultado.


Ao meu ver, a missão do Corinthians é mais tranquila. Caldeirão, vitória simples garante, ou seja, vivinho da silva. Basta controlar a ansiedade e o nervosismo, chaves para quem quer chegar longe na Libertadores.

Já a parada do São Paulo é mais ingrata. Precisa de dois gols para avançar, não pode sofrer gol, precisa controlar os problemas internos e a pressão de também correr atrás de um título inédito. Ainda que no caso do São Paulo a pressão seja por uma conquista qualquer, pois não dá as caras desde 2008.

Terminarão como o ditado "entre mortos e feridos todos se salvaram"?




sexta-feira, 20 de abril de 2012

Soy loco por ti!

Acabou o período de testes cardíacos dos torcedores. Encerrada a segunda fase da Libertadores, conhecemos os 16 times mais competentes do continente que se enfrentarão nas oitavas-de-final da competição e colocarão à prova os corações sul-americanos.

Ao meu ver, a grande decepção da fase de grupos foi o Flamengo. A Universidad Católica, pela tradição, também fez feio num grupo relativamente tranquilo. Outro que decepcionou foi o vice-campeão Peñarol, último no seu grupo com somente 4 pontos conquistados. 

Mas chega  de desgraça, hora de falar de coisa boa! É um novo campeonato que se desenha. Esqueçam prognósticos, lógicas, etc., Afinal, isso é Libertadores! 

(dividi o post ao meio para delimitar as chaves e deixar claro quem se enfrentam nas quartas e nas semi-finais.) 


FLUMINENSE x INTERNACIONAL - Os cariocas fizeram a melhor campanha da primeira fase. Os colorados só se classificaram graças à fraqueza do grupo e a uma ajudinha do Santos. O Fluminense apresenta um futebol muito bom e possui um ataque fora de série. A defesa não é ruim, mas o sistema defensivo como um todo deixa a desejar. Entendo que falta pegada no meio-campo e há lapsos defensivos preocupantes. O Inter ainda respira as conquistas de 06 e 2010 e aposta na 'copeirice' para seguir. Sente saudades absurdas de Oscar na criação. O time é instável. Dominou o primeiro tempo da partida contra o Santos, no Beira-Rio, mas foi dominado no segundo. Não viu a cor da bola contra o Juan Aurich. Ou seja, problemas graves no time gaúcho.

Palpite: Fluminense. 


BOCA JUNIORS x UNIÓN ESPAÑOLA - O tradicional Boca foi o segundo colocado no grupo do Fluminense. No confronto com os brasileiros, uma vitória para cada lado na cada do adversário. O Boca só não parece o mesmo de outrora pelo conjunto ou por não ter ficado em evidência nas últimas Libertadores. Mas a camisa pesa e a equipe é bem organizada. Tem nomes interessantes como Clemente Rodriguez, Ledesma, Schiavi (sim, aquele), e Cvitanich. Os chilenos do Unión foram os líderes do grupo que despachou os conterrâneos da Católica e não continha equipes efetivamente perigosas. Dificilmente vão surpreender.

Palpite: Boca. 


DEPORTIVO QUITO x UNIVERSIDAD DE CHILE - Na onda da LDU, o Deportivo Quito tenta seguir o bom rumo do futebol equatoriano. Limitados, apostam na força física e na velocidade para avançar. Do outro lado, a Universidad de Chile curte a onda de ser o Barcelona da América do Sul com um futebol bastante envolvente, ofensivo e interessante. 

Palpite: Universidad de Chile.


CRUZ AZUL x LIBERTAD - Time do presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, o Libertad costuma fazer boas participações na Libertadores. Atrevido, marca bem e ataca sem medo. No entanto, embora o Cruz Azul não seja o melhor representante mexicano no momento, já foi finalista da competição em 2001, quando perdeu nos pênaltis para o Boca. É o confronto mais imprevisível das oitavas, na minha opinião.

Palpite: Libertad


_______________________(divisão de chave das oitavas) __________________________


CORINTHIANS x EMELEC - Segunda melhor campanha da Libertadores, o Timão chega maduro para o mata-mata. Nos últimos jogos, o aproveitamento ofensivo melhorou sem prejudicar o domínio do meio-campo e dos jogos como um todo. Amplo favorito. O Emelec foi o responsável pela eliminação do Flamengo após duas viradas sensacionais. A primeira, em casa, contra o próprio Flamengo. Outra, no Paraguai, ao fazer o gol da vitória sobre o Olímpia aos 47 do segundo tempo. 

Palpite: Corinthians


VASCO x LANÚS - O Vasco sobreviveu no grupo de Libertad e Nacional (URU) e ficou na segunda colocação do grupo. Vai enfrentar um dos classificados do grupo do Flamengo. A superioridade técnica do Vasco é esmagadora. Talvez, até o conjunto seja bastante superior ao dos argentinos. A tendência é que o Vasco tenha dificuldades, mas avance, pois os argentinos são bastante irregulares. Mesmo aguerridos, são capazes de golear (como fizeram contra o Olímpia, 6 a 0) ou serem derrotados sem resistência (como ocorreu contra o próprio Flamengo, por 3 a 0).

Palpite: Vasco


BOLÍVAR x SANTOS - Um prêmio a Neymar e Cia. A sensação do Brasil vai encarar um dos piores times, senão o pior, dentre os 16 classificados. A única dificuldade será a altitude na partida de ida, local onde os mandantes podem impor alguma residência. Fora isso, o Santos deve passear nesta fase, com novos shows de Neymar, Ganso e Cia.

Palpite: Santos


NACIONAL DE MEDELLÍN x VÉLEZ SARSFIELD - Tal como Libertad x Cruz Azul, este duelo é outro sem um claro favorito. Os colombianos do Nacional mostraram muita força física e disposição ao atacar, em que pese serem estabanados defensivamente. O Vélez, como todo time argentino, cresce nos mata-matas da Libertadores. Organizado e bom no contra-golpe. Porém, conquistou a liderança com somente 12 pontos. Traduzindo, é infinitamente melhor em casa e passa sérios apuros fora dela.


Palpite: Vélez

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Esse deveria ser o Corinthians

Corinthians, Deportivo Táchira, Cruz Azul e Nacional (PAR). Desde o sorteio do grupo já se sabia que o Timão era nome certo nas oitavas-de-final da Libertadores. E, na despedida da primeira fase, o Corinthians surrou impiedosamente os venezuelanos do Táchira mostrando um futebol que destoou de tudo que apresentou neste primeiro semestre. O show encantou a torcida. Só espero que esta não tenha saído enganada.

6 a 0 são incontestáveis. Danilo abriu de cabeça escorando cruzamento sozinho da Silva na área. Paulinho e Liédson tabelaram todo o campo de ataque até o volante concluir como um autêntico centroavente. Jorge Henrique bateu cruzado e fez o 3º. Emerson fuzilou e anotou o 4º. Liedson perdeu pênalti, que aproveitou o rebote para aumentar para 5. E deu tempo para Douglas, em novo pênalti, fechar o placar. 

Uma goleada desse tamanho não exatamente demonstra como um time é forte. Ao meu ver, deixa muito mais claro como o adversário foi/é medíocre. No entanto, novamente os méritos de Tite e seus comandados estão reservados. Amplo domínio da partida, muita pegada, finalizações, variações, um espetáculo de partida. Realmente, a Libertadores é um sonho possível.

Contudo, esse comportamento agressivo no ataque bem como este aproveitamento absurdo não é a tônica do trabalho de Tite. Acostumado às magras, suadas, porém, seguras vitórias, a torcida viu hoje um Corinthians que há muito não via. É justamente por isso que o jogo de hoje não deve ser levado em conta para o mata-mata. 

Ganhou, valeu, 3 pontos, 2ª melhor campanha da primeira fase, uhu! Maravilha! Agora é esperar o adversário e voltar ao pragmatismo. Vai falar que vai ser diferente? Não estou defendendo a retranca, só que a natureza de Adenor não permitirá esta postura ousada. A equipe continuará firme no meio, sólida na defesa e comedida no ataque. Vai agredir no momento certo, sem exaltar-se ou sair em debandada sem planejamento. Tudo bonitinho, nos mínimos detalhes. Bola com fulano ali, que passa para o outro acolá e assim por diante.

O excesso de cautela pode ser o grande vilão de um mata-mata de Libertadores. Embora atue com segurança, sem sair da zona de conforto, o Timão de Tite sofre alguns preocupantes sustos. Na vitória contra o Cruz Azul a equipe vencia com tranquilidade os mexicanos por irrisórios 1 a 0 e quase levaram o empate aos 43 do segundo tempo. Percebem? 

É uma estabilidade esquizofrênica, pois a equipe domina o jogo todo e depois corre o risco de ter que chorar as mágoas no pós-jogo julgando-se azarada. Nas atuais circunstâncias, o Corinthians tem que sobrar nos quesitos competência e talento porque o aproveitamento da equipe não permite contar com o boi da sorte.

De uma vez por todas, ou o Corinthians adota postura semelhante a da partida de hoje para dominar o jogo e aproveitar as chances de gol ou então pode se preparar para voltar ao Playstation.



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Pinceladas

INTERNACIONAL 1-1 SANTOS - Ficou barato pelas circunstâncias. Muriel teve uma noite inspirada e salvou o Inter de um resultado pior. Os colorados marcaram de falta com Nei e dominaram todo o primeiro tempo. O Santos melhorou no segundo tempo. Muricy brilhou ao trocar Fucile por Alan Kardec, que empatou o jogo. Por pouco não virou o placar. Ganso e Damião foram discretos. Neymar conseguiu expulsar Moledo e infernizou a zaga colorada. Pode perder a segunda posição do grupo para o The Strongest e, caso isso aconteça, além de vencer o Juan Aurich, fora de casa, vai precisar de uma mãozinha do Peixe para avançar. 

(Palpite: vai classificar porque o Santos vai vencer o The Strongest para conseguir uma posição melhor dentre os primeiros colocados)


EMELEC 3-2 FLAMENGO - Há uma semana analisamos o elenco do Flamengo para o Brasileirão (veja aqui) e novamente o rubro-negro insiste em querer contrariar nosso prognóstico. O culpado tem culpa: Joel Santana. A falta de tato para a Libertadores não devia ser tão latente no experiente e folclórico treinador. Novamente a defesa apresentou graves falhas principalmente nas bolas alçadas na área. Foram dois gols por este expediente e um de pênalti, aos 45 do segundo tempo. Contudo, quando o placar ainda anotava 1-2 para o Flamengo, Joel teve a brilhante ideia de sacar Deivid e colocar o zagueiro Gustavo. O resto é história. Agora, o Flamengo depende de um pequeno milagre. Tem que vencer o Lanús e torcer por um empate entre Olimpia x Emelec.

(Palpite: A "sorte" do Flamengo é que o Emelec chega ao Paraguai para enfrentar o Olimpia também sonhando com a classificação, o que pode criar problemas para os mandantes no último jogo. Sinceramente, eu acredito nesse milagre.)


HORIZONTE 1-3 PALMEIRAS - O Verdão tomou um susto ao sair atrás no placar mas virou e carimbou vaga para as oitavas-de-final da Copa do Brasil. Leandro Amaro fez dois e Maikon Leite, que entrou no decorrer da partida, salvaram o Palmeiras do mico de ter que fazer o jogo de volta. Barcos esteve apagado e foi substituído. Wesley também não fez nada que justificasse o investimento em seu futebol. Mas mais importante que tudo isso é o pulso de Felipão no time. Troca sem medo de ser feliz e aposta alto na busca pelo melhor resultado. Pode não fazer o Palmeiras ser visto como a menina dos olhos, mas faz com que a equipe chegue, no mínimo, devidamente respeitada.


KAKÁ - Titular do Real Madrid no duelo de volta pelas quartas-de-final contra o Apoel, Kaká foi bem novamente. Depois de decidir o primeiro jogo ao entrar, fazer gol e dar passe, o meia novamente fez bom jogo e ainda marcou um golaço na goleada por 5 a 2. Pouco a pouco Kaká recondiciona o preparo físico e mostra no campo que pode ser útil à Seleção. De fato, há uma vaga em aberto no meio-campo. Pode aproveitar a irregularidade de Ganso e o descaso de Ronaldinho para crescer com Mano. Ao meu ver, é a dose de cadência, experiência e lucidez que o meio-campo canarinho precisa.



quinta-feira, 22 de março de 2012

Um sonho possível.

"Corinthians na Libertadores é igual o programa Chaves: todo mundo já sabe o que vai acontecer, mas sempre assiste novamente porque é engraçado". "Raspadinha do Corinthians: Se aparecer 'Libertadores' você vai à padaria e troca por um sonho". Piadinhas não faltam sobre o calcanhar de aquiles do Timão, único grande de São Paulo a não ter em sua galeria a taça continental. Contudo, após a vitória sobre o Cruz Azul nesta quarta por 1 a 0, fica cada vez mais clara a impressão de que a gozação pode estar com os dias contados.

Enquanto a imprensa desce a lenha no time que vence mas não encanta, pouco se repara na forma como o Corinthians tem construído suas vitórias. É um time sólido, compacto e, o mais importante, entrosado. A manutenção da base campeã brasileira em 2011 aliada à chegada de reforços pontuais para compor o grupo foi a saída mais viável que Tite encontrou para desbravar a América.

O pragmatismo do treinador tem tudo para dar certo. A campanha no Paulistão é muito boa mesmo escalando uma equipe mista na maioria dos jogos. Entretanto, o que mais impulsiona a caminhada rumo ao sonhado título é a surreal consistência defensiva. Ao todo são 18 jogos (14 pelo Paulistão e 4 pela Libertadores), 23 gols marcados e somente 10 sofridos. Se o ataque não enche os olhos, a defesa ofusca o continente.

Recentemente fiz a análise do elenco do Timão para o Brasileirão (clique aqui) e, além de constatar o óbvio ululante que o time seria postulante ao bicampeonato, ressaltei que o time conta com muitas opções. Ter muitos atacantes deveria pressupor um aproveitamento ofensivo maior. No entanto, contraditoriamente o que mais aparece é o dedo de Tite ao trancar o time e saborear as vitórias sob doses homeopáticas.

Na partida desta quarta-feira, o Corinthians mandou do começo ao fim. Um lance aqui outro ali dos mexicanos e só. Controle, posse de bola, tramas ofensivas, chutes, volume de jogo, marcação...foi mis um banho tático do Timão sobre o Cruz Azul. O magro resultado não traduziu a superioridade do time na partida. Sem entrar no mérito de que "o que conta mesmo é o gol", jogo a jogo o Corinthians se mostra cada vez mais e mais favorito.

Crucificar a produção ofensiva e criticar o eficientíssimo sistema defensivo, pilar das seguras atuações, para mim, é não querer reconhecer a força evidente de quem entrou na Libertadores para enfim disputá-la como se deve. 

A participação contínua do torneio traz a malícia. O empata fora-ganha em casa está sendo seguido à risca. Sem encantar, sem comprometer, no melhor estilo Libertadores. Os sustos deram lugar à segurança. O medo transformou-se em esperança. Por mais que se fale nas qualidades de Fluminense, Santos e Inter, nenhum deles encarou um sistema defensivo como o do Corinthians*. E, em uma Libertadores, a defesa pode ser o principal trunfo rumo ao título. Taí o Once Caldas-2004 que não me deixa mentir.


*Vale lembrar que na 12ª rodada do Paulistão, o Santos venceu o Corinthians por 1 a 0, na Vila Belmiro. Nesta oportunidade, o Timão poupou alguns titulares. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Pontos de vista

Os duelos de Corinthians, Santos e Vasco pela Libertadores abrem margem para um pensamento óbvio, porém, intrigante. Para tudo na vida podemos olhar pelo lado otimista e pessimista. Na Libertadores, isso não é diferente. Os grupos dos brasileiros em questão, sob uma análise fria, podem variar do tranquilo a uma cilada numa fração de segundo.

O Timão passou sérios apuros contra o então inofensivo Deportivo Tachira. Fora de casa é verdade. Porém, da mesma forma que foi surpreendido pelo perigosíssimo futebol venezuelano, é possível perder alguns preciosos pontos em casa para o indigesto futebol mexicano, por exemplo. O Cruz Azul, frise-se, estreou com vitória sobre o Nacional do Paraguai jogando fora de casa. Considerando que o pobre Nacional está com a faca no pescoço tal qual o Tachira, que também não tem nada a perder, o grupo ganhou emoção e tensão.

Por outro lado, Corinthians é Corinthians. Tem a força do Pacaembu, uma equipe compacta (ainda que dê alguns sustos defensivamente, principalmente nas frágeis laterais) e tradicionalmente não passa apuros na fase de grupos. A neura que fique para o mata-mata. Até lá, céu azul e sonho vivo.

Quem pode ter entrado em verdadeiras sinucas de bico foram Santos e Vasco. O Peixe jogou fora três pontos ao perder para o poderosíssimo The Strongest. Seu grupo ainda conta com Internacional e Juan Aurich. O Inter tem um ótimo time, tal como o Santos. Tropeço tanto lá como cá não será surpresa. E ai? Na pior das hipóteses sobram 3 jogos para conquistar 3 vitórias e sonhar com a classificação. 

Se o The Strongest tiver tanta sorte como teve contra o Peixe, pode pregar mais peças. Aí o grupo vai ficando cada vez mais embolado...embolado...até acharmos "normal" constatar que Santos ou Inter podem morrer logo nesta primeira fase...

O lado pessimista assusta, né?

E o Vasco, então? Perdeu em casa para o Nacional, do Uruguai, tradicional tricampeão da América. Time copeiro que sempre figura nas fases decisivas. Ainda terá pela frente o Libertad, bom time paraguaio, que também sempre aparece longe na Libertadores. Sem contar que é a equipe de coração de Nicolás Leóz, presidente da Conmebol. Ou seja, a arbitragem pode favorecer os paraguaios neste ponto do torneio. E o Alianza Lima, do Peru, teoricamente inofensivo.

A sorte vascaína é que o Libertad tomou a dianteira e venceu seu segundo jogo (bateu o Nacional no Uruguai por 2 a 1). Se derrotar o Alianza, em São Januário, alivia a péssima estreia e iguala pontos com o segundo colocado. Contudo, a tabela é a vilã dos cariocas. O Vasco decidirá seus dois últimos jogos fora de casa...

Flamengo e Fluminense estão em chaves razoáveis. Os rubro-negros tem Emelec, Olimpia e Lanús. Aliás, contra este último, empatou jogando na Argentina. Sinceramente, nem forçando a barra consigo ver dificuldade para o Mengo nesta fase. 

Já o Fluminense, apesar da vitória em casa contra o Arsenal, argentino, ainda reencontrará o Boca Juniors. Dois hermanos no grupo deixa o sinal amarelo ligado, pelo menos até a terceira rodada, SE tudo der certo. Entretanto, também vislumbro o Tricolor nas oitavas.

Bom, resumindo, na minha opinião, o Vasco é o único brasileiro que não se classifica. Agora, na pior hipótese pessimista, Corinthians, Santos e Inter tiram no palitinho quem vai ser o outro vacilão para dar adeus ao sonho do título.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Obsessão

A Copa Libertadores é a febre de todos os clubes sul-americanos. No entanto, a cobiça é tanta que muitos clubes depositam nela sua razão de viver. Reconquistá-la remete ao prazer único de ser o dono da América Latina, de ir ao Mundial medir forças com o campeão europeu, à soberba no papo de bar. Um sentimento doce e sublime de uma glória que perdura ao longo dos tempos. Conquistá-la é o objetivo de quem busca conhecer essa sensação. E na obsessão pela glória eterna, perdem a cabeça. O Corinthians se encaixa justamente aqui.

O Timão sofre a sina de ser o único time grande de São Paulo que ainda não conquistou o campeonato mais importante da América. Com isso, a cada participação do clube no torneio, aumentam as expectativas em torno daquilo que pode ser o maior marco em sua história. Feito mais marcante, talvez, que o título paulista de 77, para os saudosistas. E a cada fracasso aumenta o desejo em tê-lo.

Após a eliminação para o Flamengo em 2010, em pleno Pacaembu, e o "Tolimazzo" em 2011, novamente o Corinthians está classificado para a sonhada Copa. Para tentar realizar o sonho do título, manteve a base campeã brasileira e não trouxe nenhum reforço de peso. Estratégia ousada.

Porém, não acredito que 2012 seja o ano da redenção corinthiana no torneio. E baseio minha opinião em três linhas básicas de argumentação: concorrência/elenco, vivência do clube e ansiedade. 

Sabe-se que a Libertadores é um torneio bastante atípico que permite o time mais aguerrido bater a equipe mais técnica, até aí nenhuma novidade. Porém, não vejo o conjunto do Corinthians melhor que os demais postulantes brasileiros ao título. Em comparação com Fluminense, Santos e Inter, vejo o Timão um degrau abaixo, mesmo tendo um time muito bom.

Notem que eu utilizei a expressão "time" e não "elenco". Não considero o elenco do Corinthians essa maravilha como gostam de pintar. Considero apenas o ataque um diferencial. No mais, elenco numeroso que tem lá sua qualidade, mas nada de espetacular. Ou Morais, Moradei e Vitor Júnior são ótimo reservas que seriam titulares em qualquer equipe do país? Nenhum deles substitui Alex, Danilo, Willian ou quem quer que seja à altura. O rendimento do time sempre cai consideravelmente quando perde uns dois titulares, disparidade que não deveria ficar tão evidente. 

A partir do elenco faço o gancho com a ansiedade. Embora conte com jogadores vividos, somente três jogadores do atual grupo sabem o que é conquistar a América: Alex, Danilo e Fabio Santos. Ou seja, por mais experientes que sejam, a ansiedade pode tomar conta de quem não venceu o torneio ou não está habituado a disputá-lo.

E quando digo "vivência do clube" é a forma como a equipe disputa a Libertadores. Da atual edição, Santos e Inter realmente respiram a alma da Copa, da postura em campo até o apoio da torcida. Vasco e Flamengo já a conquistaram e esperam reacender a chama do torneio em seus adeptos. Já Fluminense e Corinthians se desesperam a cada edição seja em campo, seja nas arquibancadas. Sequer é incomum as manifestações impacientes da torcida logo no intervalo. 

Por mais que a Libertadores exija atenção diferenciada, não pode ser tratada como o anel do "Senhor dos Anéis". Pregar aqui a tranquilidade seria dizer o cúmulo do óbvio. Não se trata de calma. É ter em mente que disposição e atenção são as chaves para o sucesso. Nunca que uma Libertadores será tranquila. "Libertar" a América é guerra. Cruzar a América Latina requer nervos de aço contra todo tipo de adversário: estádios precários, torcida rente ao campo, juízes pressionados, pedradas no ônibus...

Para mim, o segredo para suportar tudo isso é simples: manter o foco, a atenção. Reverter o nervosismo da situação em oportunidades de gol e marcar bem o adversário. Em todas as eliminações do Corinthians, principalmente as derrotas no Pacaembu, ou o nervosismo tomou conta ou faltou atenção. Tô mentindo? Resta esperar para saber se o Timão finalmente aprendeu a lição.