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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Todo carnaval tem seu fim

Os dois últimos dias de Copa não poderiam ser menos surreais que tudo aquilo que aconteceu no último mês por aqui. 

O mini-atropelamento promovido pela Holanda na disputa pelo terceiro lugar foi a última pá de cal sobre nossas cabeças. Incontestáveis 3 a 0 numa Seleção que se perdeu em algum lugar entre o segundo tempo da partida contra a Colômbia e o início do jogo com a Alemanha.

Novamente jogamos mal. O abatimento era esperado, óbvio. Contudo, um abatimento tamanho a ponto de permitir uma nova derrota sonora ninguém esperava. Cada um de nós esperava que se fosse para perder, que fosse lutando, jogando dignamente. Pfff...

À medida em que a Holanda abriu fáceis 2 a 0 ficou no ar a iminente goleada que não veio. Mortos e visivelmente perdidos, o Brasil sequer esboçou ameaçar o adversário. Outra partida ridícula para coroar um catado capaz de sofrer 10 gols e 2 jogos.

Enquanto cambaleamos à procura de um rumo e tentamos encontrar um remédio para essa doída ressaca, voltamos nossas atenções para a grande final. 

Para nossa alegria - ou sorte - a Alemanha confirmou o favoritismo virtual que a trouxe até aqui. 

Uma final tensa, bem (ou mal, a depender do ponto de vista) disputada. A Alemanha esteve muito abaixo de seu potencial real e contou com a proteção de todos os orixás baianos. Somente eles podem ter feito Higuaín perder um gol daqueles. Aliás, o que mais poderia explicar a bola de Messi ter triscado a trave e não ter entrado por milímetros? E aquela pane cerebral que Palácio sofreu na prorrogação justo na área, frente-a-frente com Neuer?

Surreal. A Argentina, que se resumia a Messi e mais 10, levava mais perigo efetivo àquela Alemanha moderna e letal. 

Mas história é história. Schürrle, bem limitado ao meu ver, depois de perder boa chance, puxou um ataque pela esquerda e cruzou. A pelota encontrou o gigante Götze, de assustadores 1,70m aproximadamente. Livre no meio da zaga, o garoto matou no peito e, de canhota, livrou nossa cara.

O gol de Götze premia o trabalho bem feito. Comprometimento e seriedade resgataram o futebol alemão. Prova disso foram as constantes presenças nas fases decisivas dos campeonatos que disputou. O investimento na base e consciência de que o resultado não virá a curto prazo. A manutenção da filosofia de jogo, de trabalho, desde a presença de Low como técnico a quase 10 anos até ver que Neuer, Lahm, Schweinsteiger, Özil, Podolski, Khedira, Klose, Kroos estão jogando juntos há um puta tempo. 

Götze botou um sorriso de alívio em nossa cara. A Alemanha nos havia imposto a maior vergonha de nossa história, ora! Esse feito corria o risco de ser potencializado com um eventual título argentino em solo brasileiro. Dá pra ter noção disso? 

O apito final tirou o peso de nossas costas, porém não o desgosto. Esse título alemão nos escancara o que está errado em nosso futebol e, ao mesmo tempo, indica a fórmula de como fazer as coisas de um modo decente, competente. 

Agora deixa eu dormir. Obrigado, Alemanha! Obrigado, Götze! 






quinta-feira, 10 de julho de 2014

Inexplicável

Eu ainda não sei o que aconteceu ou o que pensar. Dentro de uma derrota dessas, 7 a 1, é da nossa natureza buscar justificativas e explicações minimamente plausíveis para nos confortarmos. Na onda justiceira que passamos, a trupe de caça a culpados também está a postos. Até aqui, Felipão vem sendo o grande bode expiatório. Há tantos outros, é verdade. Mas é certo que não há muito o que ser dito, em que pese nossa eterna mania insistente de tentar.

O placar em si abre uma gama infindável de "se". Se o Neymar isso, se o Thiago Silva aquilo, se o Felipão escolhesse Fulano em vez de Beltrano, se o Fred não sei o que. Só que o resultado está aí e temos que trabalhar com o que temos. Isto posto, a primeira grande certeza - que só pode ser empiricamente comprovada com a bola rolando - é que Scolari cagou.

Num primeiro momento me iludi, confesso. Pensei que a entrada de Bernard, por mais improvável que fosse, talvez se configurasse a mais razoável considerando sua velocidade e habilidade serem as mais anos-luz próximas as de Neymar. A aposta de Felipão na manutenção da distribuição ofensiva e no modus operandi da defesa que, mesmo com a constante oscilação da equipe durante os jogos, bem ou mal, funcionava, me fez dar ao treinador 11 minutos de crédito.

O erro ganhou proporções astronômicas diante do óbvio ululante. A Alemanha era mais forte no meio-campo tanto tecnicamente quanto fisicamente. Além disso, isolou Bernard na ponta, largou Oscar sozinho no meio para marcar como não sabe e criar/apoiar como não conseguiu durante toda a Copa. Ou seja, quis manter a tática mudando a tática, o que nada mais é, em português claro, do que uma puta cagada. 

Toda essa conjuntura de más escolhas também passa pela inversão de posição de David Luiz. Isso pode explicar seu erro no primeiro gol alemão. Escanteio batido, a movimentação do cada-um-no-seu falha, Müller recebe sozinho e manda pro gol. Em seguida, uma série de erros em cadeia resultam numa goleada-relâmpago inacreditável.

Fernandinho erra a antecipação na jogada do segundo gol, Marcelo não dá combate, Maicon não acompanha Klose, gol. Cruzamento no setor de Marcelo, a bola atravessa o universo até encontrar Kroos livre. O defensável chute - já que Júlio César chega a tocar na bola - entra. De resto, como explicar os gols surgindo em progressão geométrica com direito a tabelinhas dentro da nossa área? Precisa falar do sexto gol e do chute despretensioso que culminou no sétimo? 

Oscar ainda teve a pachorra de fazer um gol. E o maldito costume nos obriga a chamá-lo de "gol de honra", é mole? 

Lá se vão quase dois dias do ocorrido e ainda não sei como reagir, o que pensar. Tudo parece demasiado simplório. Jogar a culpa toda no Felipão, na má jornada dos jogadores, na lesão do Neymar, no PT, nas estrelas. O Brasil tomou 7 a 1, em casa, a maior derrota da sua história, o meu Maracanazzo e eu realmente não sei por que isso aconteceu, como aconteceu ou mesmo como eu deveria reagir a isso.

Há um turbilhão de emoções que passeia entre a humilhação, a raiva, a incredulidade, a resignação até se perder num enorme vazio. Vai ver todos esses sentimentos se anulam com intuito de servir (ou pelo menos deveria servir) de incentivo para analisarmos definitivamente tudo que acontece no nosso futebol, identificarmos os pontos críticos e promover uma reformulação definitiva.

Quem sabe seja isso. Agora é o momento de buscar resgatar o futebol para que volte a ser mais futebol e menos business. Apontar, por exemplo e a princípio, onde estão os principais equívocos na formação dos jogadores e por que eles são tão mal desenvolvidos taticamente e, sobretudo, tecnicamente. Afinal, o caboclo só pensa em encher o rabo de dinheiro e jogar na Europa ao mesmo tempo que ele mal consegue chutar decentemente com ambas pernas. 

Lá no fundo sabemos que dentro desse jogo brutal de interesses negociais instalado ferozmente nos meandros boleiros tal ideia é mera utopia. No entanto, é preciso tomar alguma providência - aliás, qualquer providência - não somente para que outra humilhação dessas não se repita. Mas para que algo seja feito como prova de que aprendemos com as imbecilidades da vida e estamos realmente interessados em resgatar nossa dignidade futebolística perante o mundo. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A dois passos do paraíso

Estamos a dois jogos de conhecer o novo campeão mundial. Podemos levantar o hexa em casa e exorcizar o fantasma do Maracanazzo. Ou ver a Argentina conquistar o tri em nossas terras. Quem sabe o tetra alemão ou o título inédito da Holanda.

Pra variar, eis meus pitacos. E seja o que deus quiser.


BRASIL X ALEMANHA - Em meio a tantos palpites furados, minha aposta em ver o Brasil entre os quatro melhores se confirmou. Aos trancos e barrancos, aqui estamos. Perdemos Neymar. E não teremos o ótimo zagueiro Capitão Chorão, suspenso. Teremos (?) Fred, o instável Oscar, o imprevisível Hulk e sabe-se-lá-quem no lugar de Neymar. Talvez Bernard. Possivelmente William. Provavelmente Daniel Alves na lateral e Paulinho mantido no time formando uma trinca de volantes. Independente da escolha de Felipão, novamente o emocional, o psicológico dos jogadores e todas nossas velhas deficiências irritantes serão postas à prova contra os alemães. 

Alemanha. Ah, Alemanha. Regular, cirúrgica e bipolar. Capaz de golear Portugal, passar sufoco contra Gana, sofrer para bater a Argélia e eliminar a França de maneira protocolar. É uma Seleção segura, sólida. Mesmo quando deu asas à bipolaridade foi bem. Sua maior preocupação é se Lahm vai jogar na lateral ou no meio-campo, e onde ele jogar, vai corresponder. Isso lá é problema? Sem grandes astros mas com bons jogadores em cada posição. Vive um bom momento e chega fortalecida nessa semifinal. O triunfo sobre os franceses veio na boa, sem muita emoção. Levou alguma pressão no final, desperdiçou uns contra-ataques mas longe de ser uma partida cardíaca.

Estamos no limite. Fred pode desde desembestar a marcar 3 gols amanhã a repetir as atuações pífias de praxe. Dante é bom zagueiro, porém, nada paga o entrosamento de Thiago Silva e David Luiz. Minto, paga sim, pergunta lá pro PSG. Oscar fez aquele gol perdido contra a Croácia e só. E, sem Neymar, a reação da equipe em campo é inimaginável. A perda de força ofensiva, onde tudo passava pelo garoto, é evidente. Não duvido que o Brasil jogue para não perder. Jogue por uma bola. No contra-ataque, quem sabe. Por outro lado, lembro, mais uma vez, que a Alemanha está batendo na trave desde 2002. Será sua terceira semifinal de Copa do Mundo consecutiva. Perdeu as outras duas. Por essa sina maldita não me faz crer que a Alemanha novamente ficará fadada a disputar o terceiro lugar.

Palpite: Brasil 0-2 Alemanha


HOLANDA X ARGENTINA - Não levava muita fé nessa Holanda aí. E eis que chegam novamente nas semifinais. Esbanjaram força na fase de grupos. No entanto, deram sinais de fraqueza nesse mata-mata. A bela virada contra o México mascara o mau jogo que fizeram. Já nas quartas, o contrário. A Holanda martelou, martelou, carimbou a trave três vezes, Navas fez 786 milagres, só que não teve jeito: precisou dos pênaltis para despachar a Costa Rica. 

A Argentina está diferente. Esperava-se que Messi seria o líder de um ataque avassalador, intimidador e insinuante, capaz de limpar a barra daquela defesa meio medonha que ostentam de uns bons anos pra cá. Mas, curiosamente, em que pese Messi estar sendo decisivo com passes ou gols, seu desempenho vem bem abaixo do que se esperava. Sim, dele esperávamos um pouco mais que gol ou assistência no final do jogo. Queríamos mais gols e jogadas desconcertantes. O ataque não encanta, ao passo que a defesa dá seus sustos mesmo sendo forçoso reconhecer sua eficiência. Os hermanos tiraram Suíça e Bélgica na conta do chá. Dois protocolares 1-0. 

O lance é que eu não acredito nessa defesa argentina. Permaneço com aquela impressão de que cedo ou tarde vão entregar a rapadura como foi exaustivamente levantado por vários profetas do apocalipse. A rigor, será o primeiro grande teste dessa zaga no Mundial contra um ataque veloz e perigoso, à atual maneira holandesa, claro. Messi vem atuando de maneira estranha. Parece recusar o protagonismo que lhe foi conferido por natureza, ao mesmo tempo em que segue genialmente decisivo. Por seu turno, a Holanda vem no velho estilo de quem se faz de morta para enganar o coveiro. Compacta atrás, perigosa na frente. Sei não, vem barulho grande aí. 

Palpite: Argentina 1-2 Holanda

O direito ao fracasso

Última semana de Copa. Passada a euforia dos jogos das quartas e já sentindo na pele a ansiedade pelas semifinais vejo que a aura de dúvidas e questionamentos que perambulou a Seleção durante todo o Mundial acaba por criar o clima perfeito para que o Brasil tenha o direito de perder, fracassar. Tudo isso, claro,  só nos foi possível enxergar graças à joelhada de Zuñiga. 

Todo nervosismo foi deixado de lado dentro do campo. Temporariamente. Paulinho herdou a vaga de Luiz Gustavo, suspenso, e Maicon veio reforçar a lateral no lugar de Daniel Alves. E Thiago Silva parecia predestinado à glória e redenção quando marcou logo aos 6 minutos. À frente do placar, a Seleção conseguiu de certo modo neutralizar bem as investidas cafeteras com sucesso.

David Luiz, de falta, um golaço, ampliou aos 22 do segundo tempo e, finalmente, parecia que o Brasil tinha se encontrado. Era aquela vitória para dar moral e passar aquele recado ao mundo de quem manda nessas bandas. Até mesmo aquele cartão amarelo bobo para o Capitão Chorão minutos antes não seria mais sentido.

Mas, àquela altura, perdido por 2, perdido por 10. A Colômbia se lançou ao ataque e o tal James Rodríguez diminuiu, de pênalti, aos 34. 

Dali em diante o Brasil não foi mais Brasil. Apesar da gana em se defender, os contra-ataques eram incrivelmente descoordenados, burros mesmo. Durante a eterna briga naqueles minutos infinitos de deus-nos-acusa, a bola se ofereceria para Neymar. Zuñiga chegou forte, por trás, para matar o lance potencialmente fatal. 

Enquanto Oscar carregava a bola inutilmente para o ataque até que a defesa colombiana desse cabo da situação, Neymar estava estendido no chão. Dessa vez não era mais uma valorização da falta, que passou impune. Não pela lei da vantagem, correta, mas bem que o juiz poderia ter voltado lá e levantado o amarelo pela truculência exagerada.

A fratura na terceira vértebra lombar tira Neymar da Copa. O jogo acabou, o Brasil classificou e não há mais Neymar. Malhar Zuñiga, além de burrice, é desvio de foco para nossos problemas. Falta feia mas de jogo. Acontece toda hora. Todo marcador brucutu vem e dá o tranco. O joelho levantado ou abaixado não importa. Era um contra-ataque, a bola vinha ali pronta a ser dividida, enfim. 

Não ter mais Neymar, único diferenciado do elenco, alimenta aquele sentimento esquecido 20 dias atrás de que não somos imbatíveis. Sabemos o quanto Fred é um cone inoperante no ataque, nos acostumamos a odiar os apagões de Oscar e a tremer nas bases a cada investida inimiga sobre nossos laterais. Lembramos de como Hulk é terrível nas finalizações e de não termos opções de qualidade para sanar esses problemas.

Assumimos um risco em depositar todas as fichas naquele profeta de bigode e no menino de moicano. Restou agora o papel de torcedores. De torcer para que Dante ou Henrique ou seja lá quem não diminua a qualidade de nossa ótima defesa e que William ou Bernard cumpram seus deverem a contento.

Por isso, a atmosfera de otimismo no hexa começa a preparar o cenário para uma queda. Honrosa, porém, lá no fundo, esperada.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Quartas de meudeusdocéu

Sexta e sábado vão rolar as quartas-de-final da Copa. E aqui vão os meus pitacos sobre os jogos:


BRASIL X COLÔMBIA

O Brasil fez das tripas coração para estar aqui. Aquela ilusória goleada sobre Camarões não foi capaz de fazer a equipe se encontrar e engrenar e passar confiança rumo ao hexa e choro e emoção e aquela coisa toda que tudo mundo tá careca de saber. Passou um aperto danado contra o Chile vindo a classificar-se nos pênaltis. Sem Luiz Gustavo, a preocupação de Felipão é em como ajustar a defesa contra o veloz - e eficiente - ataque colombiano. A tendência é que Paulinho volte ao time e, juntamente com Fernandinho, corram o meio inteiro para acompanhar a correria cafetera e tentar uma transição mais rápida, explorando espaços deixados nas subidas de Cuadrado, Zuñiga, Armero, James Rodríguez e cia. Mas não está descartada a entrada de Dante na zaga para liberar David Luiz para avançar como volante e fechar como zagueiro. Ou colocar Henrique para fazer essa função e manter David onde está. Um Felipão cheio de dúvidas, Oscar, Fred, Hulk e Daniel Alves na mira da torcida, equipe com emocional à flor da pele e jogando muito aquém de seu potencial, completamente refém de Neymar resume a situação atual da equipe.

A Colômbia é a única seleção que sobrou até o momento. Sobrou na primeira fase e despachou o Uruguai por 2 a 0 sem maiores dificuldades. Como dito, é um time veloz de franca vocação ofensiva. Levaram apenas dois gols até aqui, mas isso não sugere que seja uma defesa tão eficiente já que não foi lá muito bem posta à prova. Sofreu um gol de Costa do Marfim e outro do Japão, pra se ter uma ideia. Contudo, joga um futebol regular, com James Rodríguez voando (atual artilheiro isolado com 5 gols), ofensivo até a tampa e atravessa grande fase. Tudo isso contrasta com a falta de tradição e camisa em Copas do Mundo.

Palpite: Tentado a apostar na zebra cafetera, me rendo ao peso da camisa que enverga varal: Brasil 2-1 Colômbia


FRANÇA X ALEMANHA

A França veio desacreditada. Aí mostrou que seu ataque vai muito bem, obrigado, mesmo sem Ribéry e Nasri. O meio-campo muito bem organizado por Deschamps tem Cabaye e Matuidi equilibrando a defesa e auxiliando com competência o ataque. Contra a Nigéria, a vitória por 2 a 0 veio depois de muito martelar o gol africano. Não foi uma partida fácil ou favas contadas como parece. Entendo que vem motivada mas não encarou um grande desafio. Sofrer para derrotar a Nigéria e aquele empate modorrento com o Equador dão sinais de que os bleus não são lá muito confiáveis.

Quem começa a ser vista com desconfiança é a Alemanha. Embora conte com bons nomes em todas as posições e, ao meu ver, seja uma equipe bastante regular, sofreu demais para vencer a aguerrida Argélia. O triunfo por 2 a 1 veio somente na prorrogação. Deu alguma sopa para o azar mas foi melhor e, fosse mais competente, teria matado o jogo no tempo normal. A Alemanha mostrou força ao golear Portugal (mesmo que a qualidade de Portugal seja discutível e que a expulsão tenha contribuído para o resultado final, 4-0 foi um exagero de bola) e soube lidar com a pressão no empate bem jogado contra Gana e em ter nervos no lugar para despachar a Argélia. 

Palpite: Alemanha 1-0 França


HOLANDA X COSTA RICA

Um duelo surreal. A eterna Laranja Mecânica passeou na primeira fase em um grupo muito forte. 3 boas vitórias com direito a goleada sobre a Espanha. Contudo, suou sangue para eliminar o México. Perdia até os 42 do segundo tempo, quando Sneijder lembrou que tava tendo Copa e empatou. Nos 48, Huntelaar converteu pênalti sofrido por Robben, outro que tá arrebentando esse Mundial. Virada e amplo favoritismo contra a Costa Rica.  

Maior surpresa dessa Copa - mais até que a tal Melhor Geração Belga - a Costa Rica foi a foice do grupo da Morte, por mais surreal que isso pareça. Venceu Uruguai, Itália, amarrou um 0-0 com a Inglaterra e deu-se o luxo de testar o coração de seu torcedor. Ganhava da Grécia até os 45 do segundo tempo por 1 a 0, quando levou o empate. Com um a menos durante boa parte do segundo tempo, a Costa Rica segurou-se bem e eliminou os gregos nos pênaltis (5-3). Deu aulas magnas nessa Copa de organização, respeito, oportunismo e até cobrança de pênaltis. 

Palpite: A Melhor Geração Costarriquenha que me perdoe, mas eu não consigo imaginar essa zebra indo mais além. Holanda 3-0 Costa Rica.


ARGENTINA X BÉLGICA

Seguindo a filosofia do sofrer para avançar, a Argentina também empenhou parte da alma para classificar-se sem as penalidades. A vitória por 1 a 0 sobre a Suíça saiu dos pés de Di María aos 12 do segundo tempo da prorrogação. A Argentina ainda viu sua trave balançar no último lance de jogo. Ao longo dessa Copa a Argentina não foi a Argentina que se esperava. Em que pese as 4 vitórias, a dependência de Messi e os constantes sustos defensivos e apagões de Higuaín levantam a sobrancelha de todos para essa equipe.

A famigerada melhor geração belga chegou até onde se esperava. Mesmo com bons talentos individuais, não é um time empolgante, fica a sensação de que muito se falou e pouco se viu essa equipe fazer. Até fez uma boa partida contra os EUA mas também sofreu um tanto para avançar. Howard pegou até pensamento, porém não conseguiu evitar a queda americana por 2 a 1, todos os gols na prorrogação. 

Palpite: Argentina 2-1 Bélgica

segunda-feira, 30 de junho de 2014

À flor da pele

Tendo a FIFA já dado entrada no processo de transformar o duelo entre Brasil e Chile nas oitavas-de-final da Copa em cláusula pétrea no regulamento do Mundial, restou aos brasileiros esfregarem as mãos com a iminente quartas que se seguiriam.

Fui voto vencido. Pensava que seria um jogo tranquilo. Podia não ser aquela farra do boi com direito a goleada, mas uma vitória dentro do protocolo. Simplesmente não conseguia acreditar que a equipe chilena conseguiria abrir uma fenda na história das Copas e eliminar o todo-poderoso-Brasil em seu próprio quintal, diante de sua torcida e tudo o mais.

Eis que queimei a língua. Sampaoli e seu Chile Mecânico estiveram a poucos centímetros das quartas-de-final e de impor ao Brasil um vexame ainda mais imensurável que o famigerado Maracanazzo.

Quando David Luiz - ou o zagueiro chileno, tanto faz - abriu o placar com 18 minutos de jogo eu bem que respirei triunfante, confiante no meu palpite. Mas Hulk fez uma presepada daquelas uns 15 minutos depois. Devolveu errado uma bola no lado esquerdo e praticamente ligou o contra-ataque chileno. Sánchez recebeu livre na área e empatou.

Segundo tempo que deveria ser nosso, não foi. Júlio César começou a pagar as últimas parcelas de sua dívida com a nação ao fazer intervenções importantes. Bravo também mantinha o Chile no jogo com defesas não menos espetaculares. O improvável equilíbrio deu a tônica do jogo e criou um ambiente de tensão para a prorrogação.

Prorrogação atrai pênaltis. A prorrogação é aquela meia hora que antecede o momento mais sublime e cruel do futebol, salvo raras exceções. A epopeia vivida por 200 milhões de brasileiros e sei lá quantos outro milhões de chilenos quase acabou com vitória visitante se o chute de Pinilla fosse 5 ou 10 centímetros mais baixo. O tiro que abalou travessão e o coração da massa foi disparado aos 14 minutos do segundo tempo da tal prorrogação.

120 minutos de um Brasil tenso, encaixotado pela marcação chilena, incapaz de criar boa situações de gol. Oscar omisso, Fred - e depois Jô - mortos no comando de ataque, Hulk brigador mas sem qualidade para dividir as responsabilidades com Neymar. Seguir vivo na Copa seria ter que lidar com todos esses problemas por novos eternos 90 minutos. Mas cair agora seria um fracasso ainda mais retumbante. Que essas deficiências nos vitimem em momento mais apropriado, pode ser?

Teríamos que encarar pênaltis com todo esse pano de fundo. Não concordo com quem diz que pênalti é loteria. Entendo que é competência. É um tiro direto para o gol e só tem o goleiro lá. Chutar para fora, por exemplo, é o cúmulo do inaceitável. Foi o que William fez. O importante é manter os nervos no lugar e o Brasil, nós brasileiros, aliás, somos bastante emocionais.

Contudo, se ser emocional é bom, ser emotivo demais é ruim. E essa Seleção é mais emotiva que emocional. Sentir o nervosismo da situação é natural e o faz ligar o sinal de alerta, o deixa mais atento. Ver o elenco chorando à beira do campo minutos antes das cobranças foi desesperador. A postura de Thiago Silva, afastado da roda dos atletas, desolado, sentado em cima da bola e olhando para o nada foi a prova de que ele não tem a menor condição de ser o capitão desse time. Minto. De qualquer time.

Naqueles minutos em que os deuses do futebol confabulavam e definiam quem seriam os herois e vilões e o choro tupiniquim rolava solto enquanto Felipão elaborava a lista de batedores, tentei prestar atenção nesse cenário tão único.

O nervosismo dando lugar ao pânico. O choro copioso do goleiro Júlio César, do capitão Thiago Silva ter fugido da lista e ter se recusado a ser o eventual e imediato sexto batedor. Tantos líderes em campo mas tão poucos homens lá dentro a incentivar, dar força e transformar aquela tensão e confiança. Se eu fosse parte do time, só de ver o Thiago Silva, meu capitão, ali, naquele estado, eu me borraria.
  
Bom, o resto é história. Vencemos por 3 a 2. Júlio César defendeu duas, outra foi na trave. Ao término, mais choro. Agora, o momento mais adequado para esse tipo de desabafo.





sexta-feira, 27 de junho de 2014

Assim terminou a fase de grupos

A mais surreal das Copas encerra sua fase de grupos e entra no mata-mata. Vou resumir o que rolou nos grupos e, logo mais, sobe post com os pitacos das oitavas.


GRUPO A - Como era esperado, o Brasil fechou a primeira fase em primeiro. O empate contra o México foi um ponto fora da curva, porém, a goleada sobre Camarões com a entrada de Fernandinho no meio nos dá esperança em um futuro melhor. O México surpreendeu. Soube se reinventar e se mostrou um time compacto, inteligente e perigoso. No comando de Giovanni dos Santos e Peralta, com direito a Chicharito no banco, o México também somou 7 pontos. Na última rodada, mandou a Croácia de volta para casa com um imponente 3 a 1.

Balanço dos Palpites - Acertei o Brasil em 1º mas esperava 3 vitórias independente de circunstâncias especiais. Não contava com tamanha organização mexicana a trucidar a Croácia.

GRUPO B - A Holanda não deu chances para o Chile e confirmou a liderança com uma vitória por 2 a 0. La Roja controlou bem o jogo no primeiro tempo e boa parte do segundo, contudo, não conseguia criar boas chances. Já a eterna Laranja Mecânica defendeu-se bem e conectou bons contra-golpes. Encontrou um gol de cabeça e, no apagar das luzes, Robben puxou contra-ataque e serviu o companheiro para o segundo gol. Na outra partida que nada valia, a Espanha fez 3 a 0 na Austrália. Vitória que não apaga seu desempenho tosco, aquém do que se esperava de uma atual campeã.

Balanço dos Palpites: Não esperava uma Holanda tão sólida a ponto de liderar o grupo. Espanha fora foi só o segundo dos meus erros no meu bolão pessoal.

GRUPO C - Skol litrão do início ao fim, o grupo C consagrou a favorita Colômbia. Os cafeteros fizeram uma campanha impecável na primeira fase e apresentaram um futebol bastante interessante. Seus 9 gols em 3 jogos não foram obra do acaso. É um time rápido e bastante insinuante ofensivamente. James Rodríguez vem sendo o diferencial da equipe que perdeu Falcao García lesionado. Bom, na derradeira rodada, enquanto o Japão era goleado pela Colômbia, Costa do Marfim segurava como podia o empate com Grécia que lhe daria a classificação. Porém, aos 47 do segundo tempo, o árbitro viu pênalti em Samaras. Ficou a impressão de que o atacante grego tropeçou na própria falta de habilidade, se chutou e acabou cavando o pênalti. Ele mesmo bateu e colocou a improvável Grécia nas oitavas.

Balanço dos Palpites: Acertei a Colômbia em primeiro. Surpreenderam as 3 vitórias e a média redonda de 3 gols, além da competência ofensiva que já a coloca como adversária perigosa em uma eventual quartas-de-final. A Costa do Marfim estaria classificada não fosse o pênalti pra lá de mandrake convertido nos acréscimos. Bah.

GRUPO D - Aposentem o Grupo D! Depois de tantas surpresas e emoções, sério, tem que ser eternizado. A Costa Rica terminou surpreendentemente em primeiro. Contra tudo e todos, o maior bug dos bolões somou 7 pontos depois de vencer Uruguai, Itália e amarrar um 0-0 com a Inglaterra, esta sim a grande decepção do grupo. O Uruguai ressuscitou após a derrota na estreia e venceu Inglaterra, com show de Suárez, e bateu a Itália em jogo impróprio para cardíacos por 1 a 0. Assim, a Celeste avançou e entrou na rota do hexa.

Balanço dos Palpites: Ó...uma bosta! Acreditei no ataque inglês e caí do cavalo. Apostei que a Azzurra não repetiria uma campanha ruim em Copas e errei. Bem, Uruguai em segundo muitos podem ter acertado, mas Costa Rica em primeiro, ah, eu quero conhecer esse guru hoje milionário que quebrou sites de apostas!

GRUPO E - Enfim, um grupo que saiu relativamente dentro da normalidade. A França não apenas confirmou o favoritismo como mostrou um ataque bastante engraçadinho mesmo sem Ribéry. Benzema já fez 3 gols, vejam só. Em suma, a França bateu Honduras e Suíça com tranquilidade - 3-0 e 5-2, respectivamente - e cozinhou o desesperado Equador em banho-maria num raro bom jogo que acaba sem gols. A Suíça não repetiu a regularidade defensiva (levou 6 gols nesses 3 jogos) mas compensou com um ataque competente. Cumpriu seu papel ao vencer o Equador, de virada, por 2 a 1 e sapecar 3 em Honduras, que veio a passeio, pois também não foi páreo para os sul-americanos e terminou sem pontuar. 

Balanço dos Palpites: Finalmente um acerto em cheio! França jogando bem, ataque eficiente e meio-campo criativo. Suíça superior aos rivais mas não chega a empolgar a ponto de se credenciar como zebra.

GRUPO F - A Argentina pegou uma baba e quase se complicou, apesar das três vitórias. Venceu de modo protocolar a Bósnia por 2 a 1. Depois, abandonou o juízo e abraçou a sorte. O Irã perdeu 2-3 grandes chances de marcar (belas intervenções de Romero) até Messi resolver o caos daquela hora e meia em um chute preciso de fora da área no 91º minuto de jogo. Por fim, mostrou por que seu ataque é bom e sua defesa é preocupante: 3 a 2 sobre a Nigéria, que ficaram com a segunda posição. Os africanos empataram com o Irã e classificaram por terem vencido a Bósnia na 2ª rodada. Aliás, os bósnios decepcionaram. No seu debute em Copas, apenas uma vitória sobre o Irã quando nada mais lhe valia.

Balanço dos Palpites: A patota de Dzeko, minha aposta, não prosperou. A Nigéria, mesmo classificada, abusou da bipolaridade ao não conseguir superar o Irã, vencer a Bósnia e fazer jogo duro contra a Argentina. Hermanos tranquilos e, a julgar o chaveamento, não é demais imaginá-los nas semifinais.     

GRUPO G - Deste bloco triunfou a Alemanha. Como esperado, os alemães lideraram o grupo alternando espetáculo e regularidade com apagões súbitos. Atropelou Portugal, empatou com Gana num eletrizante 2 a 2, empate germânico anotado por Klose, igualando a marca de Ronaldo na artilharia máxima das Copas com 15 gols. E venceu os EUA por 1 a 0. Muller, 4 gols, é o principal destaque. Portugal de Cristiano Ronaldo decepcionou. Não superou a traulitada da primeira rodada e o amargo empate por 2 a 2 com os EUA o obrigava a golear Gana para avançar. Não conseguiu. Gana, minha aposta a zebra caso esta resolvesse dar o ar da graça, também deu sopa para o azar. Foi assim que os EUA conseguiram a vaga. Bateram os africanos na estreia, somaram um ponto com nossos patrícios e a derrota para a Alemanha não lhe custou a merecida vaga.

Balanço dos Palpites: A Alemanha confirmou o favoritismo. Mesmo com alguns apagões em certos momentos da partida contra Gana, o ataque e a consistência de sua equipe garantiu o empate e reforça sua candidatura ao título. EUA surpreenderam novamente. Regulares, aplicados taticamente e oportunistas. 

GRUPO H - A Bélgica sobrou, claro. Contudo, não foi essa maravilha toda que se esperava. O time penou um bocado para bater Argélia, Rússia e Coréia do Sul. A defesa levou apenas um gol, ao passo que o ataque anotou apenas 4 tentos. Na Copa do Surrealismo não podia faltar outra surpresa. A Argélia goleou a Coréia por 4 a 2 e arrancou um empate por 1 a 1 contra a Rússia para avançar às oitavas. Rússia foi muito mal. A próxima sede da Copa mandou um time bem meia boca que conquistou irrisórios 2 pontos. A Coréia superou os russos e mandou ainda pior: apenas um ponto.

Balanço dos Palpites: Alá agiu e classificou o arretado time da Argélia. Não é uma equipe tão songa como parece. Já a Bélgica, bem, numa Copa onde tudo parece fora do lugar, foi um tiro que não saiu pela culatra.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A mais surreal das Copas

Há quem prefira chamar de "Copa da Zoeira", mas eu vejo essa Copa como a mais surreal que já vi. Faço esse post após a partida entre Costa Rica x Itália válida pela segunda rodada do grupo D e enquanto a França faz 3 a 0 na Suíça. Então, nada melhor que resumir o que rolou em cada grupo até aqui pra explicar o nível de surrealismo desse Mundial.


GRUPO A - Aqui tudo mais ou menos dentro da normalidade. O Brasil bateu a Croácia com uma força da arbitragem no segundo gol. Daí encarou o México e ficou no 0-0 graças ao goleiro Ochoa, que pegou até pensamento naquele jogo. A Croácia enfiou 4 em Camarões e, só se vencer o México na última rodada se classifica. O Brasil corre um risco remoto de ficar fora mas nem mesmo a má fase de alguns jogadores deve contribuir para isso. Brasil avança e México e Croácia que se resolvam.

GRUPO B - Tal como esperado, o Grupo B poderia reservar doses cavalares de emoção na mesma proporção do Grupo da Morte. E não decepcionou, culminando com a degola da atual campeã e favorita Espanha. O cartão de visitas foi dado pela Holanda com uma goleada humilhante - e de virada - sobre a Espanha, atual campeã. Impiedosos 5 a 1. Por sua vez, o Chile venceu a Austrália. Na segunda rodada, a Fúria repetiu a atuação desastrosa da estreia e perdeu por 2 a 0 para La Roja, que garantiu presença nas oitavas devendo ser, possivelmente e novamente, a adversária do Brasil nas oitavas, confronto este que a FIFA já estuda classificar como cláusula pétrea nos mundiais. A Holanda também está classificada após vencer a Austrália em um jogo eletrizante e cheio de viradas: 3 a 2. 

GRUPO C - No grupo mais surreal, a Colômbia reina soberana e classificada. Venceu Grécia e Costa do Marfim e estará nas oitavas-de-final. Na última rodada, todos podem se classificar. A Costa do Marfim venceu o Japão e está em segundo com 3 pontos. Os Samurais Azuis ficaram no 0-0 com a Grécia e ambos somam 1 ponto. Na última rodada, Japão x Colômbia, Grécia x Costa do Marfim. Se o africanos empatarem, o Japão precisa vencer por 2 gols para avançarem. Grécia classifica em caso de vitória e se o Japão não vencer a Colômbia. Muitas possibilidades em jogo.

GRUPO D - O GRUPO DO SURREALISMO EM PESSOA. Não, esqueçam a nomenclatura "Grupo da Morte". É Grupo do Surrealismo. A única equipe classificada aqui É A COSTA RICA. A Costa Rica simplesmente meteu 3 a 1, de virada, no Uruguai e acabou de vencer a Itália por 1 a 0 jogando melhor, inclusive. Merecido! Já é a maior surpresa dessa Copa! A decepção ficou a cargo da Inglaterra. Perdeu para a Itália e Uruguai ambas partidas por 2 a 1 e está eliminada. Vale dizer que na partida entre Uruguai e Inglaterra teve de tudo. Gol de Rooney (finalmente!), dois gols de Suárez, Álvaro Pereira nocauteado e brigando para não ser substituído, um show de coisas surreais, portanto. Na derradeira rodada, Uruguai x Itália fazem uma verdadeira final pelo muito provável SEGUNDO LUGAR DO GRUPO (a Costa Rica tem 3 gols de saldo, Itália tem 0 e Uruguai -1). Ou seja, italianos jogam pelo empate.   

GRUPO E - A França abriu 3 a 0 na Suíça e encaminha sua classificação. Mais tarde Equador e Honduras jogam pelo direito de pressionarem a Suíça na tabela. Na primeira rodada, suíços venceram equatorianos por 2 a 1, de virada e nos acréscimos em contra-ataque letal após o Equador desperdiçar ótima chance. Aqui, tudo mais ou menos dentro dos conformes.Ainda que perca, a Suíça ainda tem boa chance de classificar já que vai encarar Honduras na última rodada.

GRUPO F - A Argentina passou algum apuro mas venceu a Bósnia por 2 a 1, com gol de Messi. Irã e Nigéria fizeram um jogo terrível que não poderia ter outro placar senão 0-0. É possível que os palpites dados se concretizem. A Bósnia deve passar pela Nigéria e tudo indica que a Argentina fará uns 20 no Irã. Ou não.

GRUPO G - Outro ponto surreal foi a estreia de Alemanha e Portugal. Foi um massacre alemão e o placar de 4-0 ficou barato. Pepe foi expulso idiotamente ainda no primeiro tempo. Muller fez 3 gols. Foi um vareio e a prova de que a Alemanha vem forte. No outro jogo, os EUA surpreenderam e venceram Gana, nossa candidata maior a surpresa desse grupo. 2 a 1, mesmo depois de sofrerem muita pressão dos africanos. Vai entender.

GRUPO H - O grupo mais bunda dessa Copa começou com a Argélia marcando um gol na Bélgica. Contudo, os belgas viraram e venceram por 2 a 1 mantendo sua condição de favorita no grupo mas já tendo perdido o título de surpresa da Copa para a Costa Rica. No outro jogo, Rússia e Coréia do Sul ficaram no 1 a 1. Destaque para o frango espetacular engolido pelo goleiro russo.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Empate sensacionalista

Brasil 0-0 México. Um enfadonho empate sem gols frustrou a nação brasileira sedenta continuamente por espetáculo seguido de espetáculo. Mas não é o resultado em si que abre uma fresta de possibilidades negativas ao escrete canarinho. Brasil e torcida precisam de uma bela dose de simancol e acertar os ponteiros de sua ingrata relação.

Esse maldito costume de se criar uma grande expectativa em torno da Seleção em partidas contra adversários, digamos, mais modestos. Já passou da hora disso ser revisto, principalmente em se tratando de Copa do Mundo, torneio no qual o mais importante é, a princípio, classificar-se para a segunda fase. Um time esforçado e bem postado pode aprontar, isso é natural, não é propriamente uma zebra, embora a boa lógica indique o contrário, ou seja, que o Brasil tinha o dever moral de somar no mínimo 9 pontos nessa primeira fase.

Superada essa fenda na lógica futebolística nos deparamos com a realidade. Ao contrário do que dizem, creio que há uma meia dúzia de bobos no futebol mas o México não é mais um deles. O histórico recente mostra que são um adversário duro para nosso estrelado esquadrão. Então, o empate não foi de todo ruim.

Analisando o grupo também notamos que o risco de eliminação ou mesmo de perder a liderança não se mostra lá muito concreto e tem mais cara de profecia apocalíptica. A posição do Brasil ainda é relativamente confortável. Depende de si, joga em casa, tem um time melhor e Felipão não vai deixar que essa não-derrota vire um monstro para o elenco.

Preocupa a forma como alguns jogadores oscilam nesse time, casos de Oscar, Paulinho e Fred, principalmente. O meia vive de lapsos pontuais durante o jogo. Tem alguma coisa errada com Paulinho, ele não tá batendo aquela bola dos últimos dois anos. E Fred está guardando seus gols para as fases decisivas e enquanto isso fica de peso morto no ataque. Para piorar, ele não tem reserva. No mais, o time está redondo e supera essa instabilidade.

Precisamos ter consciência de que um jogo abaixo do normal pode acontecer em qualquer circunstância. E um tanto melhor que tenha sido agora. Antes esse susto agora do que mais tarde. É bom que o grupo sinta na pele a sensação de não ser imbatível.

Se serve de consolo, vamos considerar que o Brasil só não venceu porque o goleiro Ochoa viveu uma noite iluminada e bateu o recorde de pontuação do Cartola! Mesmo com a boa atuação da defesa do México, foi Ochoa quem garantiu o zero no placar. A má pontaria dos avantes mexicanos também contribuiu para o 0-0, bom que se diga.

Imprensa, torcida e equipe precisavam desse baque. Percebemos que temos problemas internos e precisamos de outras alternativas já que jogar no Neymar e esperar que ele resolva não é um método 100% eficaz. Se vai reforçar o meio, se vai colocar o Willian, efetivar o Bernard, cara, cabe ao Felipão resolver. E a nós torcer, sem criar o mito de que a Seleção tem que golear um jogo sim o outro também. O que vale é a vitória, é pontuar. Em seguida, as classificações ao longo da rota da Taça. Jogo bonito hoje é bônus, pô! O que vale é ganhar e levar o caneco!

Venceremos Camarões e estaremos nas oitavas, em primeiro, como manda o figurino. Fiquem tranquilos e reservem as cornetas para os mata-matas.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ainda não estreamos

Olá, meu nome é Gabriel, tenho 26 anos e tenho um problema de disfunção erétil emocional com a Seleção Brasileira. 

Sei quando isso aconteceu, mas deixe eu ir do começo, tá bem? Eu era garoto, tinha 6 anos e o Brasil disputava a Copa de 94. É bem daí as minhas primeiras memórias futebolísticas. Eu poderia dizer que lembro bem onde vi cada jogo do Brasil naquela campanha, dos gols, coisa e tal.

Então o Brasil ganhou o tetra. Tava na casa da minha madrinha e, cara, foi um troço louco. Fogos, todo mundo gritando na rua, uma parada que eu nunca vou esquecer do alto daquela laje. Foi empatia à primeira vista. Um time que vencia! Um time imbatível.

Só que logo depois vieram os Jogos Olímpicos de 96. Eu ainda tenho cravado na minha retina a hora que o Kanu entra na área e fulmina nosso sonho dourado que perdura até hoje. Perder para a Nigéria? Assim, de virada? Quem é Nigéria? Foi um baque forte. Eu parei de torcer pra Seleção ali. É, parei.

Lembro em 98 eu azucrinando minha mãe por causa da minha alegriazinha com a vitória da França. Passei a viver do amor ao clube e ter na Seleção um símbolo de ódio, de decepção. Flertei com a Azzurra, ensaiei apoio aos nosso rivais argentinos pela vontade com que jogavam, enfim, perambulei mundo afora sempre desafiando o Brasil.

Em 2002 não foi diferente. Porém, não nutria mais ódio pela Seleção. Era indiferença. Quer dizer, se perdesse, um tanto melhor. Já aborrecente, passei a receber aquele turbilhão de informações sobre dinheiro, transferências e Europa, falta de comprometimento e chinelinhos. Isso me fez desanimar e não mais ver na Seleção um símbolo interessante para torcer. Quem eu ia zoar se o Brasil ganhasse? Não tem graça, todos ganham. Eu não vou cruzar com um alemão, um argentino, na padaria e dar uma aquela aloprada camarada.

Eu não consegui vibrar com a campanha do penta. Simplesmente não consegui. Vencemos e tal mas eu não via motivo para celebrar. 

Então chegamos a 2006. Nesse ponto eu havia aceitado que o futebol é o que faz meu coração bater e passei a curtir mais os jogos da Seleção, contudo, sempre com a corneta rente à boca e de olhos sedentos à procura de um bode expiatório.

Perdemos. Aquele quadrado mágico era realmente escroto. Não consigo acreditar até agora que o Parreira bancou um time com Kaká, Adriano, Ronaldinho e Ronaldo.

Mas veio 2010. Rapaz, eu amava aquela Seleção! Sim, eu reconquistei meu amor à amarelinha com Dunga e aquele time marrento. Era insano. Dunga só não ganhou o ouro olímpico. Enfileirou Copa das Confederações, Copa América, deu show nas Eliminatórias, fez o diabo! E batia de frente com a imprensa, convocava jogadores estranhos mas, por incrível que pareça, dava certo! O time respondia!

Aquela equipe era aguerrida! Marcava demais, saía pro jogo e, sobretudo, resolvia! Era Seleção de decisão! Não tinha tempo ruim. Entrava lá e sentava o pau em quem quer que fosse. Enjoamos de bater na Argentina, vencemos todas as campeãs do mundo, era simplesmente show!

Só que veio a Copa de 2010, as saídas erradas de Júlio César, a expulsão de Felipe Melo, os gols de Sneijder e a consequente eliminação. Dunga, óbvio, foi demitido injustamente. E eu passei a perseguir a Seleção novamente. Não era justo! Essa pressão desgraçada da imprensa, da politicagem da CBF, de quem quer que fosse. Caramba, olha nosso cartel! Ele tá pagando por um jogo!

Mano Menezes fez aquele trabalho tosco de transição e quando começou a fazer alguma coisa aparentemente certa, foi degolado para o retorno de Felipão. Felipão e seu estilo familiar. Com Parreira e Murtosa como escudeiros e tudo que tem direito. Mesmo em má fase tá lá o velho bigode a nos dar confiança.

E eu me vi numa sinuca. Copa no Brasil. Um técnico que gosto, mesmo tendo vindo de um trabalho que não justificasse sua presença ali. Jogadores de nível controverso, como Hulk, na titularidade. Gosto desse tipo de coisa. Mas...e carisma? Cativa-me, Brasil!

Estamos a um longo caminho de nos acertarmos, Brasil. Aquele arremate caprichosamente preciso de Neymar, o pênalti mandrakíssimo convertido por ele, o bico do Oscar...foi uma vitória! Eu gostei. Eu torci, de verdade. Eu comprei a ideia de te apoiar mesmo sendo contra o Mundial aqui e toda roubalheira desenfreada que gerou. 

Só que, Brasil, me escuta. Olha esse grupo. Não me iluda. Não se iluda. Não nos iludamos. Estrearemos somente nas oitavas. E, lá, Brasil, lá eu estarei contigo.





quarta-feira, 11 de junho de 2014

GRUPO H - Bélgica, Argélia, Rússia e Coréia do Sul

Finalmente chegamos ao último grupo! Infelizmente, o grupo mais tosco da Copa. O sorteio tem dessas coisas. Uns com muito e outros com tão pouco. O nível de competitividade aqui é bem baixo. Entretanto, se serve como consolo, é o grupo que reserva a maior candidata a surpresa da Copa. Trata-se da Bélgica.

A seleção belga é disparada a melhor desse grupo e deve avançar com um pé nas costas. Além de ser muito superior, tem uma geração promissora - muitos nomes certamente se repetirão por mais uma ou duas Copas - e pode complicar a vida de quem vier lá do grupo G nas oitavas. Conquistou sua passagem para o Brasil com relativa facilidade ao liderar seu grupo nas Eliminatórias deixando pra trás Sérvia e Croácia.

É uma equipe bem equilibrada com ótimos talentos em todas as posições. Na meta, Courtois, de apenas 22 anos, já desponta como um dos melhores goleiros do mundo. A zaga não é refém do veterano Van Buyten. Vermaelen, Kompany e Vertonghen cuidam bem do setor.

Da meia-cancha em diante desfilam jogadores jovens mas que já contam com vasta bagagem internacional tanto pela seleção como pelos seus clubes onde figuram constantemente na titularidade. Destacam-se Witsel, Mirallas, De Bruyne, Fellaini, Lukaku, o garoto Januzaj (pronuncia-se "Ianuzái"), todos eles liderados pelo astro Eden Hazard, do Chelsea.

Tudo indica que a Bélgica vai sobrar na primeira fase e tem uma chance razoável de alcançar as quartas-de-final.

A Rússia surge como principal postulante à segunda vaga do grupo. Apesar do elenco todo atuar no endinheirado e controverso futebol russo, os russos não precisaram de repescagem para vir à Copa. Quem ficou em segundo naquele grupo foi Portugal, que teve que bater a Suécia para se classificar.

Os principais nomes desse aguerrido time russo são o goleiro Akinfeev, Denisov, Zhirkov, Dzagoev e o experiente atacante Kerzhakov. A confiança na qualidade do time faz com que Capello se permita abrir mão dos experientes Arshavin, Pogrebnyak e Pavlyuchenko para esta Copa.

Longe de ser espetacular como a Bélgica, a Rússia se dá o luxo de montar um time capaz de sobreviver à fase de grupos e figurar nas oitavas.

Quem sonha surpreender novamente é a Coréia do Sul. Desde aquela roubalheira desenfreada que culminou no 4º lugar na Copa de 2002 a seleção coreana tem se mostrado um adversário traiçoeiro. Em 2006 caiu na primeira fase, um ponto atrás da França, 2ª melhor do grupo naquela ocasião. Já em 2010, caiu nas oitavas para o Uruguai.

A representatividade do futebol coreano ficou mais difícil desde a aposentadoria de Park Ji-Sung. Heung-Min Son surge como um novo ícone. Aos 21 anos, o atacante atua pelo Bayer Leverkusen, sendo o clube alemão o melhorzinho dentre os demais times onde seus companheiros atuam.

O futebol asiático sempre há de ser visto com alguma ressalva, mas dessa vez não deve oferecer resistência frente a Bélgica e Rússia.

Mais ignorada que farelo de pão, a Argélia chega para compor o grupo. Há alguns destaques que merecem um breve registro: os zagueiros Ghoulam e Mesbah, o atacante Feghouli e o jovem Bentaleb. No entanto, a Argélia é bem fraquinha embora tenha seu elenco alguns atletas atuando na Itália, Espanha e Inglaterra.

Sejamos francos, o nível do grupo é realmente meio bizarro e a probabilidade de zebra da zebra aqui é pouquíssimo provável.


PALPITE
1º - Bélgica
2º - Rússia


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Grupo G

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terça-feira, 10 de junho de 2014

GRUPO G - Alemanha, Portugal, Gana e Estados Unidos

Rapaz, esse grupo G é um dos mais engraçadinhos dessa Copa! Há um traço de grupo da morte embora tal característica não esteja muito evidente. Isso porque temos a sempre favorita Alemanha e sua geração de altíssimo nível. Além dela, Portugal de Cristiano Ronaldo, ora pois; a melhor seleção africana dentre as qualificadas; e o ascendente futebol norte-americano. Dar-se-ão brigas boas aqui.

Para mim, a Alemanha divide com o Brasil a condição de principal postulante ao título. Todavia, meu palpite pessoal tende a apostar mais num título alemão que brasileiro pelo histórico recente de ambas seleções. Explico. Enquanto o Brasil enfileirou 3 finais seguidas entre 94 e 2002, com direito a dois títulos, a Alemanha desde 2002 acumulou fracassos e vive uma fase desgraçadamente pipoqueira cujo início ocorreu justamente na final que valeu o penta canarinho.

Daquela final em diante, a Alemanha terminou em 3º no Mundial em 2006, realizado em seus domínios. Perdeu a Euro-08 para uma Espanha que ainda esboçava sua copeirice no cenário internacional. Repetiu o 3º lugar na Copa-2010 e também fechou a Euro-12 na terceira colocação. Apenas para constar, o último título mundial da Alemanha data de 1990.

Há doze anos a Alemanha vem apresentando um futebol extremamente vistoso, de franca mentalidade ofensiva mas tem falhado constantemente nos momentos decisivos, o que causa estranheza ante a tradição e força do futebol alemão. Nesse contexto, acredito que quanto mais se perde, mais próximo da vitória se está. Sim, creio que a Alemanha está prestes a novamente figurar no posto de campeã do mundo. 

(O Brasil é favorito por tudo aquilo que disse na análise do grupo A. Pelo fator casa, equipe, etc. e tal. Mas, em que pese as quedas sucessivas nas quartas-de-final em 06 e 2010, ter conquistado 2 títulos tão recentemente me fazem apostar que um terceiro triunfo não virá tão cedo assim. Com relação à Argentina, aquele probleminha defensivo pode selar sua sorte quando se deparar com uma seleção do calibre dessa alemã)

Voltando. A Alemanha tem um time excelente de ponta a ponta. Neuer no gol, Hummels e Boateng na zaga e do meio pra frente eu teria que falar uns 300 nomes pra ser justo. Schweinsteiger, Götze, Ozil, Muller, etc., etc., etc. À propósito, olho em Klose! O veterano centroavante tem a chance de se tornar o maior artilheiro em Copas do Mundo caso anote dois gols. O posto atual é de Ronaldo, com 15 gols. O alemão tem um a menos que o brasileiro.

Uma pena foi o corte do meia Reus, que fez uma temporada ótima com o Borussia Dortmund. Contudo, nem mesmo essa baixa deixa a Alemanha menos favorita.

Em busca de um lugar ao sol, Portugal deposita suas fichas no momento iluminado de Cristiano Ronaldo. O fantástico ano de 2013 lhe rendeu o posto de melhor jogador do mundo pela segunda vez e sua temporada culminou com o título da Champions League com o Real Madrid. Porém, o gajo teve atuação discreta na final, embora tenha anotado um gol de pênalti. Isso se deve ao evidente esgotamento físico a que foi submetido durante esse tempo.

Mesmo refém da condição de Cristiano Ronaldo, Portugal tem em seu grupo uma meia dúzia de jogadores que podem auxiliá-lo na missão de levar a seleção lusa o mais longe possível. A boa fase de Pepe e Coentrão dão alguma estabilidade lá atrás, ao passo que Moutinho, Meireles, Postiga, Nani e Varela são as melhores opções para as lides ofensivas.

Portugal tem um time bom, ponto. Não é uma Brastemp, é apenas uma seleção competitiva. Com ou sem Cristiano Ronaldo as chances de Portugal alcançar as semi-finais me parecem um tanto utópicas. Mas vão engrossar, fazer jogo duro, o que é bom para a Copa, sem sombra de dúvidas.

Agora entro nos reais motivos que justificam a graça do grupo.

Gana é uma seleção perigosa. Em 2006, chegou às oitavas num grupo que também tinha os EUA. Caiu para o Brasil naquela ocasião. 4 anos mais tarde, Gana protagonizou uma das paradas mais surreais que eu vi em Copas do Mundo.

Quartas-de-final. Gana e Uruguai empatavam por 1 a 1. No último minuto do segundo tempo da prorrogação falta para os africanos. Bola alçada na área. Começa um fuzuê danado na área uruguaia. Muslera, goleiro Celeste, sai mal. A bagunça persiste. Eis que surge uma cabeçada certeira e o atacante Suárez, na linha do gol, espalma no puro reflexo e evita o gol. Pênalti. NO ÚLTIMO MINUTO DA PRORROGAÇÃO, PÊNALTI. Toda a África agora reunida em Gana, última seleção viva do continente e prestes a ser uma das 4 melhores da competição. Tudo nos pés de Gyan. Ele corre, bate e CARIMBA O TRAVESSÃO. A bola vai embora. A partida vai para os pênaltis e o Uruguai vence, com direito a cavadinha de Loco Abreu para colocar a Celeste na semi-final.

Essa história mostra que se não fosse a bisonha defesa de Suárez, Gana teria sido semi-finalista 4 anos atrás. Seria uma das quatro melhores seleções daquela Copa, portanto. E não é uma seleção de todo ruim, pelo contrário. Traz para esse Mundial peças presentes naquele dia fatídico e uma equipe que conta com jogadores de bom nível.

Capitaneados por Essien, Muntari e Kevin-Prince Boateng (irmão do zagueiro Boateng da Alemanha - aliás, vão se enfrentar novamente na fase de grupos, tal como em 2010), merecem atenção o próprio atacante Gyan, Ayew, os meias Atsu e Asamoah e o zagueiro Mensah. 

Não acredito que Portugal vá perder sua vaga para Gana. Mas, porém, contudo, todavia, há uma chance razoável de Gana aprontar e ir lá meter o bedelho na segunda fase.

Restam os Estados Unidos. Chegam com sede de vingança. Como dito, caíram no grupo de Gana em 2006 e perderam por 2 a 1. Na última Copa, foram eliminados pelos ganeses nas oitavas pelo mesmo placar. Para 2014, os EUA não empolgam.

A grande surpresa é a ausência de Donovan, grande astro do futebol norte-americano. Assim, os destaques ficam por conta do veterano goleiro Howard, o zagueiro Beasley e os atacantes Dempsey e Altidore. 

A MLS tem investido no futebol local com a constante contratação de veteranos para promover o futebol local. Isso desde Pelé quando atuou pelo Cosmos. É possível notar a evolução dos norte-americanos. Em 2009 chegaram à final da Copa das Confederações e o Brasil tomou um suadouro desgraçado para virar o jogo e sagrar-se campeão.

Talvez se não caísse num grupo tão traiçoeiro os EUA tivessem uma perspectiva melhor. Mas quando se tem Alemanha, Portugal e Gana pela frente, o futuro não parece muito animador para essa seleção.


PALPITE
1º - Alemanha
2º - Portugal 

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segunda-feira, 9 de junho de 2014

GRUPO F - Argentina, Bósnia, Irã e Nigéria

O grupo do bilhete premiado. A sorte sorriu para a Argentina de Messi, infelizmente. Os hermanos foram contemplados com um grupo fácil e um cruzamento que, dentro das CNTP, os colocam diretamente nas quartas-de-final.

Nunca é demais lembrar que a Argentina não se resume a Messi. Da volância em diante há um verdadeiro desfile de qualidade. Mascherano, Di María, Agüero, Lavezzi, Higuaín. E olha que Tevez e Pastore não foram lembrados. Ou seja, é inegável que quando eles tiverem a posse de bola todo cuidado do mundo será pouco.

Seus pontos fracos residem na defesa e no gol. Seus defensores, laterais e goleiros não são lá essas coisas. Não há nenhum nome que cause frisson e imponha respeito assim de cara. Dessa forma, a Argentina terá que dobrar sua atenção e esforços defensivos para superar tais deficiências. Raça, como de praxe, não faltará.

Sem dúvida é uma das grandes favoritas ao título. Porém, repito, os flancos e o miolo da zaga podem entregar a rapadura. 

Enquanto os argentinos sorriem à toa, o restante do grupo se coça para conquistar a segunda vaga.

A grande favorita a ir até as oitavas é a Bósnia, do astro Dzeko, centravante do Manchester City.

Dzeko é um atacante de muita presença de área e frieza nas conclusões. Quem divide o protagonismo da Seleção com ele é o meia Pjanic e o atacante Ibsevic. Já os demais perambulam basicamente pelo futebol alemão, italiano e turco.

Não é o fato de ser favorita a uma das vagas que faz da Bósnia um bicho-de-sete-cabeças. Basta lembrar que ela disputa sua classificação com Irã e Nigéria, seleções bem mais inferiores. Todavia, vale registrar que a Bósnia classificou-se em primeiro do seu grupo nas Eliminatórias da UEFA superando a Grécia no saldo de gols: 24 a 8!

Aparentemente é uma equipe que, quando ataca, não se faz de rogada. Entretanto, complicado avaliar a real qualidade de sua defesa. Em se tratando de primeira fase, parece seguro afirmar que tem um conjunto mais sólido que suas demais concorrentes o que a credencia às oitavas-de-final.

Basta saber que uma delas é o Irã. Nem se eles trouxerem armas nucleares e químicas terão um time suficientemente poderoso para alcançar as oitavas-de-final. Para dificultar ainda mais sua empreitada, a maioria esmagadora de seu elenco atua no desconhecido futebol iraniano. Enfim, que desfrutem da viagem ao Brasil e divirtam-se da melhor maneira que puderem.

Já a Nigéria pode se permitir sonhar. Sonhar mas nada além disso. É quem pode, em tese, medir forças com a Bósnia e tentar conquistar uma boquinha na segunda fase.

Contudo, a Nigéria já teve times melhores. Os tempos de Kanu, Amokachi, Babangida, Ikpeba, Okocha e West já foram. A realidade dessa Nigéria-2014 passa por Mikel, Onazi, Moses e só. E esses três nem de longe limpam a chuteira dos ídolos mencionados. 

Ano passado foi possível ver bem o nível do selecionado africano. Na Copa das Confederações de 2013, caiu no grupo de Espanha, Uruguai e Taiti. Fez o desfavor de golear impiedosamente os amadores do Taiti e pagou caro quando confrontou a realidade: derrotas para Espanha e Uruguai e adeus à competição.

Enfim, ainda que passar pelo Irã seja certo, a Nigéria não parece ser forte o suficiente para superar a Bósnia nesse grupo.


PALPITE
1º - Argentina
2º - Bósnia

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

GRUPO E - Suíça, Equador, França e Honduras

Um grupo skol litrão às avessas. Chama a atenção o fato de que a cabeça-de-chave do grupo é a Suíça e não a França. Isso porque a FIFA se baseia em seu ranking de seleções para definir quem serão os cabeças-de-chave e, à época, a Suíça estava à frente da Seleção Francesa.

Bom, é um grupo de virtual equilíbrio mas sem a roupagem de um grupo da morte. No frigir dos ovos é de se esperar que as equipes europeias triunfem nesse bloco.

Sempre favorita, a França terá a baixa do craque feioso Ribéry. Além dele, Nasri, meia habilidoso do Manchester City, não foi convocado pelo técnico Didier Deschamps. A ausência desses dois atletas já indica uma equipe com déficit considerável no setor ofensivo.

Para compensar tal carência, a Seleção Francesa aposta alto nos gols de Benzema, centroavante do Real Madrid. Além disso, investe pesado no meio-campo que conta com Pogba, Cabaye e Matuidi. A defesa também merece respeito. Os jovens Varane e Mangala aliados à experiência de Evra e Sagna garantem que os Bleus seguirão uma pedra no sapato de quem cruzar seu caminho.

Outra Seleção chatinha de se encarar é a Suíça. Antes de tudo, uma curiosidade. A Suíça já conseguiu o feito surreal de ter sido eliminada de uma Copa sem levar nenhum gol. Em 2006, a equipe se classificou em primeiro lugar com 4 gols marcados e nenhum sofrido. Aliás, por coincidência, também tinha a França naquele grupo. Nas oitavas, foi eliminada pela Ucrânia nos pênaltis, após empate por 0-0 no tempo normal e prorrogação.

Em 2010 novamente se classificou para a Copa. Contudo, caiu na primeira fase. Nem por isso o desempenho defensivo deixou de ser destaque. Só levou um gol.

Ou seja, o ataque pode não ser lá essas coisas, porém é inegável que é um time que sabe como se defender. Liderada por Lichtsteiner e Senderos, a Suíça concentra seus jogadores basicamente entre Itália e Alemanha, como Behrami (Napoli) e o veloz Shaqiri (Bayern de Munique).

Vale dizer que esse time chato bateu o Brasil ano passado em amistoso realizado na Basileia por 1 a 0, gol contra da Daniel Alves. Creio que tá mais que mostrado como é que eles devem se apresentar em campo.

Nadando contra a maré vem o Equador. 

É muito complicado apostar no Equador como eventual surpresa porque o time não é lá essas coisas. Quer dizer, em se tratando de América do Sul o Equador vira-e-mexe emplaca uma campanha razoável e se classifica para a Copa. Para este ano, contou com a ausência do Brasil e fase ridícula do Paraguai para assegurar sua vaga.

Para se ter uma noção, o zagueiro Erazo mal figura no banco de reservas do Flamengo e tá lá convocadinho da Silva, percebem? O grande nome dessa Seleção é Antonio Valencia, meia-atacante do Manchester United. De resto, é só a nata da desconhecida boleiragem equatoriana.

Pior ainda é tentar dizer alguma coisa sobre Honduras. Não adianta tentar defender o pobre catado hondurenho usando como desculpa a Copa América de 2001 quando eliminaram uma tal Seleção Brasileira por humilhantes 2 a 0. É um time ruim e ponto.

Entre atletas escondidos pelo submundo do futebol (tipo o paraguaio e o norte-americano), Figueroa, García, Espinoza e Palacios atuam em modestas equipes do futebol inglês. Ou seja, tal como a Costa Rica, vai ser a mãe do grupo.


PALPITE:
1° - França
2° - Suíça

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quarta-feira, 4 de junho de 2014

GRUPO D - Uruguai, Costa Rica, Inglaterra e Itália

Grupo D. O autêntico Grupo da Morte. Aqui é onde o filho chora e o Mundo inteiro vê. A composição desse grupo leva três seleções que já foram campeãs da Copa. A parte mais interessante vem agora: Daqui possivelmente sairá o adversário do Brasil nas quartas-de-final.

Há o choque entre seleções tradicionais, duras na queda e detentoras de 7 títulos ao todo. Serão partidas muito interessantes e todos tem o dever cívico de acompanhar esse grupo de perto.

A primeira regra para definir quem vai às oitavas passa pela moribunda Costa Rica. Quem realmente quiser seguir vivo na Copa tem a obrigação de vencer seu duelo com essa seleção. A explicação é simples: a Costa Rica perto dessas outras tem nível parecido de um time participante da Copa Kaiser (tradicional torneio de futebol amador).

É um tanto óbvio que quem conseguir a proeza de não vencer a Costa Rica, vai acabar eliminado. Mas há outro detalhe: o saldo de gols. Não basta ganhar da Costa Rica. Tem que enfiar uma tonelada de gols. 5, 6, 8, infinitos gols. Afinal, dada a dificuldade que Itália, Inglaterra e Uruguai terão nos confrontos entre si, o saldo de gols pode ser determinante para classificar às oitavas.

O Uruguai, protagonista do tal Maracanazzo em 1950 que lhe valeu seu segundo título, tem um time extremamente encardido. O espírito aguerrido não se confunde com seguidos chutões e botinadas. Basta lembrar que a Celeste terminou em 4º lugar na Copa em 2010 e conquistou a Copa América em 2011.

Falemos da qualidade dessa equipe. Sobra experiência já que o Uruguai manteve parte considerável do elenco participante das campanhas mencionadas acima. Qualidade também não falta. Óscar Tabárez montou uma equipe bem equilibrada que se defende com decência e trata a pelota com respeito na frente.

A defesa conta com Godín, ótimo zagueiro e parceiro do Miranda no Atlético de Madrid, além de Lugano. Há também jogadores versáteis que podem auxiliar a volância como Maxi Pereira e Álvaro Pereira. Entretanto, os principais destaques dessa equipe não vivem grande momento. O trio formado por Forlán, Suárez e Cavani preocupa. Forlán, veterano, não está no seus melhores dias. Suárez fez uma temporada espetacular com o Liverpool mas ainda se recupera de lesão. Já Cavani foi bem na França embora tenha vivido à sombra de Ibrahimovic no Paris Saint-Germain. 

Bom, se todos estiverem 100%, o Uruguai tem boas chances de fazer um belo fuzuê nesse grupo.

Enquanto isso, a Itália chega para essa Copa em uma eterna reformulação e ainda em busca de reencontrar sua identidade perdida em 2006, ano do seu tetracampeonato. Em 2010, conseguiu ser eliminada ainda na fase de grupos. Detalhe: não era um grupo com dificuldade semelhante a este. Sucumbiu diante de Paraguai, Nova Zelândia e Eslovênia. Simplesmente ridículo.

Mas chegou 2014. Ano novo, Copa nova e alguns velhos conhecidos. Um repertório de veteranos e demais jogadores na casa dos 30 vem ao Brasil tentar recolocar a Itália nos eixos neste Mundial. No gol, Buffon segue titular absoluto. A defesa conta com uma trinca de zagueiros da Juventus: Barzagli, Bonucci e Chiellini. A meia-cancha terá os marcadores De Rossi e Thiago Motta (brasileiro naturalizado italiano) e Pirlo para organizar o rodízio de pancadas e distribuir a redonda pelo campo, além de ser peça fundamental na bola parada. No ataque, a esperança se resume a Balotelli. 

Resumindo, a Itália sempre leva pra Copa um time experiente que joga um futebol mais pegado, de marcação mais firme. Só que esse ano a Azzurra está refém de seus volantes. Não há um meia como era Totti, que fazia o elo com o ataque decentemente. Sequer há um segundo atacante mais espertinho que quebre um galho e ajude na armação. Fato é que o setor ofensivo italiano vive uma entressafra. Não há nessa geração atletas que podem gerar alguma euforia na torcida e preocupação nos adversários.

Portanto, a Itália chega com camisa, tradição, marcação, Balotelli e pronta para um deus-nos-acuda miserável para não repetir o vexame da Copa passada.

Para apimentar o caldeirão do bloco D, temos a Inglaterra.

O futebol inglês rivaliza com o espanhol qual é o mais bacana de ser ver no momento. A Terra da Rainha proporciona uma rivalidade e uma concentração financeira que deixa a Premier League mais interessante. Em La Liga, tudo acaba se resumindo a Barcelona e Real Madrid, salvo uma ou duas vezes na década quando surge um Atlético de Madrid da vida a mudar esse cenário previsível.

Mas vamos ao que interessa. A Inglaterra tem um time muito bom e muito equilibrado. Há alguma deficiência nos flancos e alguma incerteza com relação à zaga. No entanto, do meio pra frente é um time a se observar com carinho.

Os veteranos e excelentes meias Gerrard e Lampard terão a ajuda de uma meninada bem disposta na organização do meio-campo, como Wilshere e Milner. O ataque fica sob responsabilidade de Rooney, claro. Felizmente, dessa vez o dublê de Shrek terá Sterling e Sturridge, dupla de avantes do Liverpool, para auxiliá-lo com a devida competência.

O English Team certamente será um páreo duro como sempre foi. Um time bem consciente na ocupação dos espaços com saída rápida para o ataque. 

Levo em conta uma série de pequenos fatores para dar meu palpite. Não creio que o Uruguai vá repetir a excelente forma que apresentou 4 anos atrás. Além disso, a condição física duvidosa de Forlán e Suárez e a qualidade questionável de seus suplentes não me fazem crer que a Celeste tumultuará as bancas de apostas. Também duvido que a Itália repetirá o desempenho medonho da última Copa. Um fracasso retumbante é perdoável, já o segundo em sequência me soa demasiado surreal. Por fim, a Inglaterra tem um time mais arredondado, um ataque explosivo e costuma ser figurinha carimbada nos mata-matas.


PALPITE
1º - Inglaterra
2º - Itália

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terça-feira, 3 de junho de 2014

Grupo C - Colômbia, Grécia, Costa do Marfim e Japão

Eis o grupo mais skol litrão da Copa. O preciso conceito consagrado pelo ex-meia e hoje filósofo da bola Perdigão (ex-Inter e Corinthians) sintetiza bem o que esperar desse grupo tão surreal.

A cabeça-de-chave foi a Colômbia (2ª colocada nas Eliminatórias). Ter o selecionado cafetero na posição 1 do grupo abre com chave de ouro a caixa de Pandora presente na ala C da Copa do Mundo. Na sequência, Grécia, Costa do Marfim e Japão. Todas essas Seleções colecionam participações em Copas do Mundo sempre na condição de coadjuvante e nada além disso. Aliás, estão mais para figurantes de Malhação. 

No entanto, essa Copa permitirá que duas delas avancem até as oitavas sob a famigerada condição de zebra que lhes conferem o direito de tentar chocar o Mundo. Afinal, seus respectivos adversários virão do grupo D, ainda a ser visto de perto, mas, já adianto, se alguma Seleção do grupo C chegar às quartas-de-final será uma surpresa e tanto.

Tenho comigo alguma certeza de que, ao final do sorteio dos grupos, Valderrama teria se esbaldado de sambar. A Colômbia tem uma equipe bastante interessante revestida de traços de alegria e ousadia no ataque.

A grande baixa é Falcao García. O centroavante não se recuperou de lesão e está cortado do Mundial. Mesmo assim, os cafeteros contam com um conjunto respeitável e experiente. Na ausência de seu matador, os nomes a serem vistos de perto atendem por Guarín, Cuadrado, James Rodríguez, Jackson Martínez. O elenco ainda conta com o irreverente Pablo Armero, ex-lateral do Palmeiras (clique para lembrar dele).

Assim, a Colômbia chega com uma zaga rodada, uma meia-cancha obreira e um ataque bastante rápido. Ao meu ver, deve ser o bastante para obter uma das duas vagas às oitavas.

Restam, portanto, outras 3 equipes para mais uma vaga.

Minha favorita é a Costa do Marfim. O futebol africano pode ser resumido a muita força e velocidade. Todavia, no time da Costa do Marfim é possível vislumbrar alguma qualidade graças à presença de jogadores diferenciados e experientes.

O veterano artilheiro Drogba merece respeito. Assim como Yaya Touré, um dos melhores meias em atividade. Além deles, Gervinho, Kalou e Kolo Touré são outras peças que acrescentam algum diferencial em relação aos rivais de grupo.

Mesmo tendo sido abençoadas com um grupo relativamente nivelado que permite almejar a classificação, considero Grécia e Japão os azarões dos azarões nesse bloco e não acredito que irão adiante na Copa.

A Seleção Grega não preza pela ofensividade. É uma equipe de clara vocação defensiva destinada a explorar contra-ataques com qualidade discutível. Nas Eliminatórias, ficaram em segundo de seu grupo, empatados com a Bósnia. Em 10 jogos, 8 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Porém, chama a atenção os 12 gols marcados e apenas 4 sofridos.

Mesmo tendo atuado diante de equipes bem mais modestas (ou medíocres, como preferirem) é um dado a ser relevado. Enfim, na repescagem os gregos bateram a Romênia pelo placar agregado (jogo de ida + jogo de volta) de 4 a 2. 

A merecerem algum destaque, fiquemos com o zagueiro Sokratis, o veteraníssimo meia Karagounis e Samaras e Mitroglou para o ataque.

Acho pouco provável que esse ferrolho espartano venha a segurar o ataque de Colômbia ou Costa do Marfim.

Da mesma forma que reputo improvável que o Japão surpreenda. A menos que tragam alguma engenhoca tecnológica que transformem seus atletas em verdadeiros transformers boleiros.

É indiscutível que o futebol japonês evoluiu consideravelmente. Basta notar que, embora grande parte dos 23 convocados atue em casa, uma boa meia-dúzia perambula pela Europa, especialmente no disputado futebol alemão.

Contudo, não é o bastante para credenciar o Japão a uma das duas vagas. Em que pese ter uns dois ou três talentos na parte ofensiva, como Honda, Kagawa e Okazaki, o sistema defensivo deixa a desejar. Prova disso foi o desempenho na Copa das Confederações ano passado. Por mais que tenha tido lapsos e equiparado forças em alguns momentos nos jogos contra México e Itália, não resistiu. Voltou para casa com 3 derrotas na mala. 

Após bater nos Samurais Azuis, assopro. Tem mais chances de eventualmente ficar com uma vaga que a Grécia.


PALPITE:
1º - Colômbia
2º - Costa do Marfim

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segunda-feira, 2 de junho de 2014

GRUPO B - Espanha, Holanda, Chile e Austrália

É um grupo da Morte. Quando usarem essa expressão para referirem-se ao grupo D, podem encher a boca pra falar que aqui no bloco B há um esconderijo da dita-cuja, pronta a levar precocemente algum descuidado. Sabemos que a Morte tem diversas facetas. Alerto sobre isso nos posts da Libertadores. Assim, um campeonato com uma fase curta de grupos e um mata-mata frenético potencializa as chances da foice cantar solta desde o início. 

De cara, uma observação. Daqui sai o rival do Brasil nas oitavas-de-final. Tendo-se em conta que o Brasil deve ser o 1º colocado no seu grupo, seu adversário nas oitavas será o segundo colocado desta chave. Anotem isso.

Comecemos então pela Espanha. Todo mundo sabe quem ela é. Ganhou a Copa do Mundo em 2010 e tomou um baile nosso na final da Copa das Confederações ano passado. Isso não significa que a Fúria virou uma teta. Pelo contrário, a Espanha segue forte e favorita ao bicampeonato.

A Espanha construiu uma equipe sólida cuja base vem desde 2008, quando levantou a Eurocopa. Em 2012, já campeã do Mundo, revalidou o caneco europeu. Em linhas gerais, só faltou a Copa das Confederações para essa geração espanhola multicampeã.

Pois bem, tanto os 11 iniciais quanto os suplentes são praticamente os mesmos que levantaram a taça 4 anos atrás. Uma equipe perigosíssima e, acima de tudo, entrosada. 

O tal Diego Costa, centroavante brasileiro naturalizado espanhol, foi convocado. Terminou a temporada baleado e está fazendo tratamento para chegar inteiro para a Copa. Se estiver 100%, puta atacante. Melhor que o Fred e o Jô juntos, fácil.

A patota do Barcelona segue presente no selecionado espanhol. Conta com Piqué (isso, o marido da Shakira) na zaga, Xavi, Iniesta (autor do gol do título em 2010) e Cesc Fábregas (responsável por shows, festas e eventos culturais na concentração. Sim, a piada era um mau necessário).

Nomes como Xabi Alonso, Sérgio Ramos, Javi Martínez e David Silva agregam valor a essa Seleção, franca favorita ao título. Eu não levo muita fé nos reservas para o ataque. Villa tá velho, Pedro é um eterno talismã mas nunca uma solução e Fernando Torres, bem, o próprio nome indica sua função.

Quem divide o favoritismo da chave ao lado da Fúria é a Holanda, vice-campeã em 2010 e nossa carrasca nas quartas-de-final daquela Copa.

A Laranja Mecânica fez uma campanha soberba nas Eliminatórias. Classificou-se em primeiro com 9 vitórias e um empate em um grupo cujos rivais mais complicados atendiam por Turquia e Romênia. A mamata que pegou nas Eliminatórias teve seu preço na Euro-12. Foi eliminada ainda na primeira fase após 3 derrotas para Dinamarca, Alemanha e Portugal.

É uma Holanda bastante mudada com relação ao selecionado do Mundial passado, principalmente do meio para trás. A estrutura defensiva passa por jogadores que atuam no próprio futebol holandês e um ou outro a perambular pelo submundo do futebol inglês.

Os grandes destaques dessa versão 2014 da Holanda são o carniceiro De Jong (se esqueceu, clique para lembrar) tá no time juntamente com os experientes Sneijder, Robben e Van Persie. Do meio para a frente mantém a tradição de ser um time perigoso, só essa defesa que não aspira muita confiança. É uma Holanda bem mais apagada em relação aos times que apresentaram em 94, 98 e até 2010.

Cabe ao Chile aproveitar essa geração mais modesta dos holandeses.

A Morte pode encontrar no Chile um refúgio para degolar uma virutal favorita européia, senão vejamos:

Sob o comando de Jorge Sampaoli, o Chile vai levar alguns conhecidos nossos, a saber: Mena (Santos), Aránguiz (Internacional), Valdívia (Palmeiras). O treinador também convocou Johnny Herrera, o Super-Boy, aquela goleiro ridículo que jogou no Corinthians em 2006. Pois é, pelo que consta o arqueiro da Universidad de Chile vive fase boa o bastante para figurar no grupo da Roja para essa Copa.

A defesa não é lá essas coisas, porém a meia-cancha e o ataque não bastante explosivos. Grande parte do elenco atua na Europa, especialmente na Itália e Espanha. Implica dizer que estão acostumados a atuar sob forte marcação, além de sair para o jogo em velocidade. 

Uma boa exibição da seleção chilena passa basicamente por 4 jogadores: Vidal, ótimo volante da Juventus recupera-se de lesão e gera alguma apreensão quanto ao seu físico no Mundial; Aránguiz, outro volante obreiro capaz de correr o campo todo, marcar e aparecer lá na frente para dar uma força; Vargas, atacante com passagem recente pelo Grêmio, preza pela velocidade e habilidade mas não necessariamente pela eficiência; e do bom centroavante do Barcelona Alexis Sánchez.

O Chile tem um time engraçadinho e briga forte com a Holanda por essa segunda vaga. A favor dos chilenos há a mística de estarem fadados a encarar o Brasil nas oitavas (vide 98 e 2010, por exemplo). Entretanto, apesar da torcida pela seleção sul-americana creio que os europeus avançam.

Correndo por fora vem a Austrália. 

Deixou de disputar as eliminatórias da Oceania porque, convenhamos, não dava graça. Não havia rivais interessantes. Apenas para situar, o campeão das eliminatórias da Oceania disputa uma vaga na Copa contra o pior classificado de algum outro continente a ser definido por sorteio.

Não há dúvida que perto das 3 é a mais fraca. Os intermináveis Tim Cahill e Mark Bresciano foram convocados e de conhecidos mesmo são só esses. Se jogassem com cangurus talvez levassem mais perigo e tivessem mais chances de surpreender. 


Palpite:
1º - Espanha
2º - Holanda

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