Mostrando postagens com marcador Corinthians. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Corinthians. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de janeiro de 2014

Eu gosto do Pato

Eu gosto do Pato. Jovem, rápido, ótimo arremate, experiente. Minha simpatia pelo atacante pode explicada por critérios friamente objetivos, não necessariamente tão pretéritos assim. Ele foi o vice-artilheiro do Corinthians em 2013 com 17 gols. O primeiro? Guerrero, com 18 tentos. Então, calma. A princípio, peguemos leve nas críticas.

Da ascensão meteórica no Internacional às seguidas lesões no Milan, Pato sempre se mostrou um atacante de excelente nível técnico. O estilo meninão de ser e tendo como únicas preocupações táticas correr, puxar contra-ataques, abrir espaços e finalizar fizeram o atacante ter bons momentos e acumular algumas convocações mas, por oscilar demais, jamais se firmou na Seleção.

Assim, surgiu o Corinthians como trampolim para o sucesso de Pato. O Timão precisava de um reforço de impacto na busca pelo bicampeonato da América e o atacante via no clube a chance de voltar a jogar bem e conseguir uma vaga no elenco que disputará a Copa do Mundo.

A euforia deu lugar às críticas. O jeito despreocupado, um tanto displicente, descompromissado de Pato não combinava com o Corinthians. Foi para o banco. Nessa eterna alternância, o desempenho do ataque alvinegro continuava pífio. Mas o alvo fixo das críticas era Pato. Romarinho é isso, Sheik aquilo, mas o Pato...ah, o Pato...

Vá lá que a torcida não quis enxergar o óbvio. Que Pato jamais faria o tipo "vida loca" no campo. Porém, o ápice da crise veio no pênalti batido contra o Grêmio. A maldita cavadinha que eliminou a equipe da Copa do Brasil. Instaurou-se o inferno.

Tite saiu. 2013 acabou. Veio Mano e o promissor 2014. Pato no banco. Lá, quieto. Nesse fim de semana, Mano testa o atacante. Ao seu lado, Sheik. E mais uma atuação discreta. Carimbou a trave, ouviu vaias, saiu para a entrada de Romarinho, mais vaias.

O Paulistão é o campeonato estadual menos pior do país. Mesmo assim tem uns times bizonhos na primeira divisão. Teoricamente, é obrigação ir bem todos os jogos e deixar as atuações mais controversas para os clássicos. Só que o problema do Corinthians está no ataque, não em Pato. Concentrar as críticas é errado, mas cada um que assuma sua responsabilidade.

Se Pato abandonasse só um pouco o estilo pop star e mostrasse algum traço de garra no campo, já aliviaria metade do peso que colocam em suas costas. E sua luta seria sua melhor defesa, independente da (in)competência do meio-campo ou do número de chances criadas. Romarinho ou Pato? Sheik ou Pato? Quem você escolhe? Disposto a se entregar minimamente em prol do time, Pato faria uma dupla explosiva com Guerrero.

Está nas mãos de Pato a escolha. Pode reagir, mostrar ter sangue nas veias ou se contentar a ser um Adriano da vida. Mais um a maltratar o futebol e a viver do nome ou do que foi um dia.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Seleção, Mundial e Sul-Americana

Para buscar a retomada da velha rotina e ao hobby de repartir um pouco o que penso sobre futebol, deixo umas pinceladas sobre alguns temas que surgiram esses dias:


CAI MANO, ENTRA FELIPÃO?

É possível que haja essa confirmação nesta quinta-feira. Felipão vem de trabalhos medianos. No Chelsea, foi esmagado. Nos cafundós-do-Judas nem vale a pena relevar, mas no Palmeiras conquistou uma Copa do Brasil com um time bom (ao meu ver) cujo elenco se mostrava bastante frágil. Abandonou o clube em meio a uma crise, deixou clima ruim nos vestiários e desmotivou grande parte do grupo. E ainda por cima vai ganhar a vaga de treinador da Seleção.

Há quem defenda que, às vésperas da Copa, o ideal é mesmo contar com algum treinador experiente e ciente de como as coisas funcionam no futebol brasileiro. Por isso Felipão derrubou todos os demais concorrentes de maneira tão fácil. Ganhará o apoio do também "macaco velho" Parreira, na coordenação técnica. Enfim, Abelão e Tite, em momento infinitamente melhor, deverão aguardar. Ou melhor, manter-se no topo por mais tempo. (Afinal, Muricy já teve dias melhores e pouco se lembrou dele em razão da oscilação de seu Santos).

Eu entendo que futebol, apesar de gerência, bastidores e tudo mais ainda é decidido dentro das quatro linhas. Logo, indispensável a contratação de um treinador de ponta e capaz de fazer a Seleção desempenhar-se bem. Melhor ainda se estiver em bom momento. Tite, Abelão, Guardiola, qualquer um. Mas Felipão, não.


CORINTHIANS X CHELSEA

Evidente que a lógica indica que este será o duelo na final do Mundial. Mesmo em péssima fase e sob nova direção, o Chelsea merece algum esboço de respeito. Idem Rafa Benítez. O treinador vivia bom momento no Liverpool quando perdeu o Mundial para o São Paulo. E estava na corda bamba quando venceu o torneio com a Internazionale em 2010. 

No entanto, o grande momento de Tite e do Corinthians pesam no otimismo. E com razão. Paulinho está jogando muita bola, Guerrero vai se firmando como centroavante e mesmo descompromissado o Timão quase chegou entre os 4 primeiros. 

Não acredito que o Chelsea será essa baba toda. Nem mesmo uma subliminar aversão que os europeus tem em relação a esse tipo de competição, uma vez que a partida terá projeção mundial, creio que os ingleses entrarão dispostos a apagar a imagem negativa que paira sobre a atual campeã da Champions League, virtualmente eliminada na edição desta temporada. Aliás, pode ser a primeira vez que um campeão é eliminado ainda na fase de grupos na temporada seguinte. 

Em suma, menos oba-oba e mais pés-no-chão para o Timão.


SÃO PAULO NA FINAL DA SUL-AMERICANA

A semi-final da Sul-Americana foi tensa para o São Paulo. No jogo de ida, empate por 1 a 1. Ainda há pouco, um novo empate no Morumbi - dessa vez sem gols - decretou a classificação do Tricolor para a final. 

Nos dois jogos a superioridade do São Paulo foi esmagadora. E nas duas partidas o Tricolor abusou das chances perdidas e brincou com a sorte. No Chile, marcou apenas 1 e levou outro em falha generalizada da zaga. No Morumbi, sucessivos erros de finalização e falta de tranquilidade nas conclusões quase comprometeram a classificação do time.

Agora, o Tricolor aguarda Tigre ou Millonarios. E acende uma vela para os argentinos. Pois assim foge dos colombianos, algozes de Palmeiras e Grêmio, e pode realizar a segunda partida da decisão em casa.

Contudo, não obstante a euforia da classificação, o desempenho da equipe contra LDU Loja e Universidad Católica no Morumbi deixou uma pulga atrás da orelha.

 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Pá-pum.

Tiro curto sobre algumas coisas que senti vontade de dizer mas sem me alongar demais:


- KAKÁ NA SELEÇÃO - De volta à Seleção após a fatídica derrota para a Holanda, Kaká não devia ser convocado. Não devia porque não joga e ponto. É impossível acreditar que o meia não venha sendo escalado por birra de Mourinho. A grande verdade é que Kaká joga bem contra times medíocres mas não repete boas atuações contra equipes mais gabaritadas. Além disso, se realmente estivesse em uma forma aceitável, dificilmente seria banco de nomes como Özil e Modric.


- LEANDRO CASTÁN NA SELEÇÃO - Bom zagueiro. Se ainda estivesse no Corinthians mereceria uma convocação para o "Superclássico das Américas". Porém, não vejo tanta bola assim no beque que justifique seu chamado. Aliás, sua convocação somente após a transferência para a Roma é bem estranha, não?


- JOBSON - Volta ao Botafogo e deve ter seu aproveitamento avaliado novamente. Ridículo. Se reintegrado, podem começar a contagem regressiva para a próxima polêmica.


- CORINTHIANS NO MUNDIAL - O adversário do Timão sai do confronto entre o campeão da África e o vencedor de Auckland City x campeão japonês. Dizem que houve comemoração por não ter pela frente o Monterrey. Piada, né? Os mexicanos, embora tenham uma seleção de respeito e ótimo retrospecto recente contra o Brasil, não são um bicho-de-sete-cabeças. Muito mais perigosos são os times africanos - vide Mazembe - e eventual campeão asiático, que caiu na chave do Chelsea. São equipes mais fortes fisicamente e geralmente contam atletas mais rápidos, que podem surpreender.  


- FULECO, AMIJUBI, ZUZECO - Um desses será o nome do mascote da Copa do Mundo no Brasil em 2014. Todos feios, para dizer o minimo.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Prazer, América! Eu sou o Corinthians!

Uma quarta atípica para a América, em especial para os brasileiros. Nos bares, padocas, no trabalho, no trânsito, no metrô, em qualquer lugar o único assunto que pairava era a grande final da Libertadores entre Corinthians x Boca. O relógio parecia querer impedir que as 21:50 chegassem. Mas nem o tempo pôde impedir o feito inédito - e épico por que não? - que estaria por vir.

Quarta, Libertadores e Corinthians. O que poderia sair fora do script? O Boca, tradicional rival argentino, dono de 6 taças e fama de carrasco de brasileiros vir até o Pacaembu e devolver com juros e correção a surpresa que levaram aos 40 do segundo tempo no gol de Romarinho? Impossível.

Com esse Corinthians de Tite, sim, impossível. Impecável e incontestável. Esses são os dois grandes adjetivos da conquista inédita da Copa Libertadores. Invicto, o Timão foi extremamente regular e levou o perfeccionismo ao pé-da-letra como manda o professor. 

O sistema defensivo que beira a perfeição, a cadência e tranquilidade no toque de bola e a velocidade no contra-ataque são as marcas registradas de um time humilde, voluntarioso e guerreiro. Tudo conspirou a favor do trabalho e da justiça como Tite comandou o grupo até o titulo.

Nem o primeiro tempo fraco de nulas oportunidades ofensivas tiraram a calma e mudaram o curso de algo que estava escrito nas estrelas. A mítica Libertadores 2012 derruba o Paulistão de 77 com dois gols do predestinado Emerson Sheik. Tricampeão brasileiro consecutivo, sendo o último deles já pelo Timão, Sheik chamou a responsabilidade e brilhou contra Santos e Boca. 

Os argentinos não viram a cor da bola. Acuados, procuravam um erro da melhor defesa do Brasil. Cássio foi um mero expectador. Quando exigido, limitou-se a praticar defesas simples, pontuais. Pudera, aquela contra o Vasco cara-a-cara com Diego Souza já valeu por todo o torneio. Talvez ali o destino tenha dado uma pista de quem seria o campeão.

Impecável, incontestável, justo. O Corinthians entra para a galeria dos campeões da Libertadores com a competência e aplausos de todos não somente pela invencibilidade, mas pela forma como respeitou o torneio, os adversários e em nenhum momento traiu seu jeito de jogar.

Disciplina, marcação, voluntariedade. Tite moldou o Corinthians à Libertadores e deu aula à América de como se jogar futebol. 2012 foi só o começo.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

90 minutos

Brasil e Argentina pararam por 90 minutos para ver o primeiro duelo da final da Libertadores. Boca Juniors x Corinthians. Duas torcidas imensas, apaixonadas e que carregam o amor e o ódio de seus países. Enquanto os hermanos ostentam 6 títulos da competição mais importante do continente, o Timão segue na perseguição implacável ao seu primeiro triunfo.

Como todo jogo decisivo, foi um jogo tenso. Ambos times tiveram suas chances de gol aqui e acolá. Importante dizer que o Corinthians, mesmo sob a pressão da mítica La Bombonera, não se comportou como um visitante amedrontado. Fiel ao seu estilo, defendeu-se muito bem e arriscou seus contra-ataques tal como era possível.

O segundo tempo reservou toda dose de emoção que o primeiro insistiu em reprimir. O gol chorado de Roncaglia depois de mãozada de Chicão na bola, que bateu na trave, e sobrou para o beque xeneize foi o início do que poderia ser a derrocada corinthiana no jogo.

No entanto, o Timão foi heroico e não só suportou a pressão do Boca como alcançou o empate em gol do novo talismã da Fiel, Romarinho. O garoto que até anteontem estava no Bragantino, ontem fez os dois gols da vitória alvinegra contra o rival Palmeiras e hoje foi o encarregado de reavivar o sonho do título inédito ao marcar um golaço. Recebeu de Sheik e, de cavadinha, mandou para as redes, sem dó nem piedade: 1 a 1.

A igualdade persistiu até o final da partida. A sorte sorriu para o Corinthians que ainda viu Viatri carimbar o travessão e Cvitanich, sem a sorte de Neymar, vir a bola bater em si e sair pela linha de fundo.

1 a 1. Igual. Sem gol qualificado, sem vantagem de resultados iguais, nada. Tudo rigorosamente igual. A tese do "nada está ganho" ganha força entre os rivais, que direcionam toda sua fé no Boca e em sua tradição na Libertadores. Afinal, não é para menos: os hermanos levantaram 3 Libertadores contra Brasileiros em território tupiniquim (Palmeiras/2000, Santos/2003 e Grêmio/2007). 

Porém, do outro lado, há Tite, treinador em estado de graça, há o time de melhor sistema defensivo do Brasil, há jogadores experientes, um elenco interessante e, sobretudo, competente. Tudo isso arrancou um empate precioso sobre a equipe mais perigosa da América. 

Óbvio que nada está definido. Contudo, é inegável que o feito do Corinthians o credencia ao título muito mais que o tradicional clube argentino. Se nesses primeiros noventa minutos o placar indicou o empate, ao meu ver, não restam dúvidas de que o Timão saiu vencedor dessa batalha. 

Se o sonho já era possível (ler aqui), agora está a apenas 90 minutos de se tornar realidade.
  

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Como devia ser

Um dia após mais uma quarta-feira decisiva no futebol brasileiro a sensação era de alívio pois tudo saiu como deveria ter saído. Os deuses do futebol agiram e fizeram justiça com as próprias mãos. Se Muricy consagrou a máxima "a bola pune", ontem não foi bem assim.

No Pacaembu, o jogo que interessava. O Corinthians recebeu o Santos para o segundo duelo pelas semi-finais da Libertadores. A vantagem conquistada na Vila Belmiro era ótima, porém relativamente frágil. Tite, coerente, postou o Timão da velha forma. Atrás, fechadinho e saindo perigosamente no contra-ataque. Avançando só na maciota. Ao Peixe só restava o ataque, claro. Tanto que Muricy tratou de barrar Elano e colocar Borges. 

Como toda partida decisiva, a tensão dirimiu o ritmo do jogo. Ao meu ver, impossível dizer que houve pleno domínio de uma das equipes. Houve bons momentos de ambos lados. O Santos proporcionalmente tomou mais sustos, aliás. Mesmo assim, abriu o placar num gol chorado de Neymar aos 35 minutos do primeiro tempo.

O sonho do tetra ficou mais longe logo aos 2 minutos da segunda etapa. Alex cobrou falta venenosa, a bola encontrou Danilo, o predestinado, que não perdoou. O Mr. Libertadores mais uma vez foi decisivo e calou de uma vez por todas seus ferrenhos críticos. 

Foi um empate assustadoramente justo. O Santos não justificou em nenhum momento por que merecia o segundo gol. O Timão, por seu turno, repetiu a fórmula sólida e precisamente cirúrgica para avançar na Libertadores. Tite, Corinthians e torcida esfregam as mãos. A final vem aí e o título é plenamente tangível. 

Em Curitiba, o jogo de fundo. O São Paulo foi até o Paraná encarar o Curitiba sonhando com a vaga na final e o título inédito da Copa do Brasil. A vitória magra por 1 a 0 conquistada no Morumbi dava ao Tricolor a vantagem do empate.

Só que o Coxa, mais uma vez, mostrou o mesmo futebol envolvente do ano passado quando chegou à final da mesma Copa do Brasil contra o Vasco. Mantida a base, o trabalho de Marcelo Oliveira continua rendendo seus frutos. Quem mostrou toda sua força também foi o Couto Pereira e a torcida, simplesmente fantásticos.

Vale lembrar que o Coritiba terminou a partida no Morumbi com um atleta a menos e jogando melhor que o São Paulo. Perdeu depois de um golaço de Lucas em jogada individual, mas dominou grande parte do jogo.  O inconveniente foi resolvido para a partida de volta. Os deuses não deixaram a injustiça prevalecer novamente e trataram de dar ao Coritiba uma pitada a mais de sorte à sua competência.

Aos 28 minutos do primeiro tempo, Emerson, bom zagueiro, abriu o placar. E aos 16 da etapa complementar explorou a péssima noite do Tricolor para garantir sua vaga sem sustos com um gol de cabaça do "gigante" Everton Ribeiro. Do alto dos seus 1,65 sai a classificação para mais uma final de Copa do Brasil. 

Apático e perdido, o São Paulo foi mais do mesmo. A culpa é plenamente distribuível em partes iguais. Da diretoria ao último reserva o fracasso acumulado ao longo desses últimos 3-4 anos escancara uma crise então tratada veladamente. Reforços, sucessivas trocas de técnico, reformulações e nada fez o Tricolor resgatar um mínimo de raça.

No entanto, o mérito é todo do Coritiba já que não tem nada a ver com isso. Provou por A + B que futebol se ganha no campo e pode conquistar o título que escapou por pouco ano passado. 



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Afinal, Timão.

SantoseCorinthiansSantoseCorinthiansSantoseCorinthiansSantoseCorinthiansSantoseCorinthians. Por vinte tortuosos dias só se falava nisso. Finalmente, o dia do duelo chegou. Escalei meu querido Doritos, umas Buds...só faltou "aqueeeeele" futebol.

Fato é que quem esperava um jogo equilibrado, movimentado, Neymar pra lá e pra cá. Paulinho, Alex e Sheik e Jorge Henrique defendendo e atacando como um time de basquete ficou na curtição dos Doritos e das Buds.

Mal a partida começou e o Corinthians tratou de deixá-la com sua cara. Especialmente quanto ao controle da redonda. Muitas trocas de passes, calma, inversões e logo perceberam que o miolo da cabeça-de-área do Santos era um convite para um samba que poderia render frutos. Já o Peixe saía afobado em velocidade. Ao chegar ao ataque, a bola queimava nos pés e a troca de passes era horrenda. 

Mesmo assim, aos dez minutos, uma falta perigosa em favor dos mandantes só assustou pela posição. Elano bateu e Cássio defendeu sem dificuldades. Depois disso, o Corinthians rodava a bola, rondava a área e o Santos afastava, tentava contra-atacar mas sem sucesso.

O Santos não era nem sombra daquele time encantador. E o Corinthians era bem o Corinthians que todos estão cansados de ver. 

Então, no 27º minuto de partida, aquele probleminha na cabeça-de-área custou caro ao Peixe. Por ali o Corinthians chegou e a trama ofensiva encontrou Emerson na entrada da área do lado esquerdo. Sheik teve uma tranquilidade espantosa para o momento. Parou a bola e mandou no ângulo esquerdo sem chances para Rafael. 

A superioridade no placar se mostrava justa pela postura do Corinthians em campo. Porém, tão logo o Timão abriu o placar já tratou de ficar fechadinho atrás para explorar os contra-ataques. Sem escolha, o Santos foi para cima. O domínio virtual mudou de lado e, aos 42 quase o Peixe iguala. Juan cruza da esquerda e, no bate-rebate, quase Elano iguala.

Na segunda etapa, o domínio mudou de lado. A proposta do Timão, já bem conhecida por toda a galáxia, era a mesma. Fechadinho atrás e contra-ataques quando desse. Ciente disso, Muricy sacou Elano, colocou Borges e acendia uma vela para Neymar aparecer no jogo. Sim, o craque estava estranhamente desaparecido.

O Santos cresceu e criou algumas boas chances. No início do segundo tempo, alguns cruzamentos causaram arrepios nos visitantes. Cássio começou a fazer intervenções pontuais quando exigido. 

Aos 12 minutos, o Timão teve uma chance de ouro e desperdiçou. O tão sonhado contra-ataque chega nos pés de Emerson. Era ele e Durval, mano a mano. Botou na frente, invadiu a área e se jogou. Não foi pênalti, nem nada e só o início de minutos intermináveis de sofrimento.

Para piorar, o mesmo Emerson fez o favor de mudar seus status de heroi para vilão. Entrada forte e desnecessária em Neymar lhe custou o 2º amarelo e o consequente cartão vermelho. No lance seguinte, o Santos quase empatou com Juan. Após cobrança de escanteio, o lateral pegou firme e Cássio fez ótima defesa.

A pressão do Santos ficou comprometida com a interrupção da partida em razão da falta de iluminação em parte do estádio. Nem mesmo a volta da luz trouxe de volta o bom futebol. O Peixe foi presa fácil da ótima e eficiente defesa do Timão e saiu derrotado em seu campo neste primeiro jogo. 

Não gosto de discutir justiça de placar. Justiça é bola na rede, é competência em fazer mais gols que o adversário e defender-se melhor. No entanto, para satisfazer quem prefere analisar o jogo sob o prisma justiceiro, em tese, o Santos merecia melhor sorte e ser premiado com o empate. Pronto. Prêmio de consolação dado. 

Espantou a postura de Neymar em campo. Mal conseguiu ser um bom coadjuvante. Embora o conjunto santista tenha subido de produção no segundo tempo, não foi aquele time envolvente que estamos habituados a ver. Isso se deve, em parte, ao Corinthians. A proposta defensiva do Timão, ou melhor, a forma como a equipe se compacta em campo é surpreendente. 

E foi o pragmatismo de Tite que fez o Corinthians arrancar a vitória na Vila na marra. Fez seu feijão-com-arroz e deixa a pulga atrás da orelha de quem agora reflete se a Vila Belmiro foi mesmo a melhor escolha, se Ganso deveria ir para o jogo, se isso, se aquilo. 

Vencer fora de casa e sem sofrer gols é um passo importantíssimo mas, sobretudo, firme rumo à classificação. Em que pese o Santos ter totais condições de reverter o quadro ora desfavorável, as circunstâncias provam justamente o contrário. 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Campo, campo meu...

A 16 dias do primeiro confronto entre Santos x Corinthians válido pelas semi-finais da Copa Libertadores uma polêmica rola solta: o local onde o Peixe exercerá seu mando de campo no jogo de ida.

Tudo começou no duelo contra o Vélez quando santistas tiveram sérias dificuldades na aquisição de ingressos para o jogo. Muitos sócios e torcedores ficaram de fora da emocionante partida que valeu a classificação do Peixe para mais uma fase decisiva da Libertadores.

Com a classificação, o apelo e a promessa de jogos pra lá de eletrizantes contra um dos seus maiores rivais deixaram o presidente santista com uma pulga atrás da orelha. Afinal, trata-se de excelente oportunidade de lucrar mais, ora. 

Contudo, a majoração significativa no valor do ingresso não é o bastante. Como dito, é um clássico, é a chance de impor ao rival mais um ano de fila. Para contar com maior apoio da torcida e maior renda a alternativa é sair da Vila Belmiro e vir a São Paulo mandar seu jogo.

Mas vale a pena?

O Morumbi comporta seus 60, 60 e poucos mil torcedores, campo amplo, gramado impecável e histórico recente favorável. Poderia ser uma boa. O estilo de jogo ofensivo e insinuante se desenrolaria melhor. Além disso, conhecendo Tite, atuar em um campo maior será crucial para abrir espaços no ferrolho do Timão. Porém, a arquibancada mais alta e distante da cancha desvirtua o conceito de "caldeirão", o que pode dar a impressão de atuar em campo neutro.

Pacaembu? Palco da final do ano passado é última das últimas alternativas. Afinal, é a casa do Corinthians. Além de conhecer bem o estádio, ainda que conte com a minoria da torcida, ali o Timão poderia se sentir mais confortável ainda.

A Vila Belmiro, casa natural do Santos, comporta aproximadamente 15 mil pessoas e tem a questão de ter muitos sócios para poucos lugares. Transferir o mando para a capital vai gerar revolta da mesma forma. No entanto, a troca, apesar de incômoda, pode ser a alternativa razoável para conseguir apoio maciço de seus adeptos.

Ao meu ver, o jogo tem que ser na Vila Belmiro. Casa é casa e ponto final. Jogar no Morumbi ou em qualquer outro lugar certamente não vai deixar o jogo com cara de "mando do Santos". Jogar na Vila lotada é a cara da Libertadores. Estádio acanhado, torcida em cima, com Neymar encapetado, então...

Mesmo analisando friamente o estilo de jogo das equipes e chegando à conclusão que a Vila Belmiro pode se tornar uma vilã para o Peixe, creio que a essa altura do campeonato o "fator casa" não pode ser suprimido mesmo às custas de um bom retorno financeiro.

Tite vai armar o time para não perder. Nas dimensões menores do glorioso Urbano Caldeira, o treinador do Timão pode conseguir mais êxito na tentativa de anular Neymar ou encurtar seu campo de atuação, é verdade.

Por seu turno, jogar no Morumbi pode dar a Neymar e Cia. os espaços esperados para organizarem tabelas, partirem em velocidade e cadenciarem a partida como bem entenderem. Sua torcida certamente ocupará muito bem o estádio e cumprirá seu papel tão bem quanto na Baixada.

Entretanto, ainda que lote as arquibancadas, os bolsos de grana e consiga alguns metros de campo a mais para jogar, ainda vejo com ressalvas transferir um jogo desta grandeza para qualquer outro estádio por mais familiarizado que esteja.

Rivalidade, Libertadores, pressão. Vale lembrar que o Santos tem nas mãos a chance de seguir rumo ao tetra inédito no âmbito nacional e eliminando um inimigo histórico e que segue na busca de seu primeiro caneco da principal competição internacional.

O Santos, grande time que é, não vai morrer se deixar de lucrar com essa partida especificamente. E outra, a Vila Belmiro não será palco de eventual final por não ter o mínimo de 40 mil lugares, logo, já será forçado a procurar outra casa. Portanto, Peixe, pelo bem o duelo, mandem essa partida na sua verdadeira casa!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Paixão corinthiana

Paixão. Sentimento geralmente associado a amor, arroubos de euforia e atitudes impensadas. Também sinônimo de dor, sofrimento. Nesta quarta, o Corinthians recebeu o Vasco para decidir seu destino na Copa Libertadores. Após o empate sem gols em São Januário, o Timão dependia de uma vitória simples para avançar. Novo empate sem gols levava a partida aos pênaltis e empates com gols eram do Vasco. 

Mas nada na vida do Corinthians é simples. Nada é tranquilo, na maciota. Tudo exige uma quantidade significativa de...paixão. Hoje não foi diferente, ora. 

A partida toda foi bastante estudada e ambas equipes tiveram suas oportunidades de gol. No primeiro tempo, vantagem ligeira para os mandantes que tiveram grandes chances com Emerson e Paulinho, de cabeça. Não que o Vasco tenha ficado encolhido atrás, apenas não foi tão incisivo nas tramas ofensivas.

Na segunda etapa, sobrou paixão no Pacaembu para todos os lados. 

Ao trocar Thiago Feltri por Felipe, Cristóvão Borges dava um recado aos críticos de plantão e sinais de que faria o Vasco brigar de igual para igual com o Timão mesmo fora de casa. Tite não mexeu no time, mas logo aos 10 minutos exagerou no bate-boca com a arbitragem e foi expulso. Foi ver o jogo com a Fiel, curtir a paixão das arquibancadas.

O empate persistia e os ânimos começavam a se exaltar. Jogo truncado, nervoso. Defesas bem postadas e os goleiros faziam intervenções pontuais. Então, veio o 17º minuto de jogo e com ele o 1º lance crucial da partida. 

O Corinthians atacava. A bola parou em Alessandro no meio-campo. Quando o lateral bateu na bola, surge Diego Souza. Trava o chute e liga contra-ataque. Era Diego Souza, ele mesmo e mais ninguém contra Cássio e o gol. O meia avançou rapidamente, Cássio foi para a marca do pênalti e esperou. Diego veio e deu um tapinha na bola para o canto direito. Ágil e preciso, Cássio se estica, desvia a rota da bola que passa tirando tinta da trave. 

É impossível traduzir em palavras como foi o lance. É bizarro. Mais difícil ainda é imaginar como Diego Souza conseguiu tamanha proeza. Vejam o vídeo abaixo e tirem suas conclusões;


Ao meu ver, por maior que seja o mérito do ótimo goleiro Cássio, o vacilo é todo do meia. Diego Souza, com a qualidade que tem (ou dizem que esbanja) tinha obrigação de guardar a bola nas redes. Fosse de dedão, driblando o goleiro, encobrindo-o, enfim. Aliás, não só Diego Souza, QUALQUER UM que apareça naquela condição e desperdiça não merece perdão. É igual pênalti, tem que fazer e ponto.

No escanteio, Nilton subiu mais que a zaga do Timão e carimbou o travessão. 

Após esses lances fatídicos, o Vasco sumiu. E o Corinthians cresceu. Dominou o meio-campo e não mais foi assustado em nenhum momento. Começou a gostar do jogo, pressionar. Chuveirinho, jogada pelos flancos, troca de passes na entrada da área, tudo.

O Vasco se segurava como podia. Depois daquele lance, melhor que viessem logo os pênaltis. Contudo, o Timão não estava disposto a colocar o tabu de jamais ter sido eliminado pelo Vasco em mata-matas à prova. 

Tanta paixão, ou melhor, pressão deu resultado. Depois de tanto bater e voltar, surge um escanteio aos 42 minutos. Alex manda para a área e a bola encontra Paulinho que cabeceia bonito no canto sem chances para Fernando Prass.

Explosão nas arquibancadas. Tite é abraçado, o time se abraça e comemora o gol da classificação. Entregue, o Vasco só dependia de uma bola restando aproximadamente 5 minutos para acabar o jogo. Juninho ainda levantou na área mas Rômulo cabeceou para fora.

E foi só. Hoje, o Corinthians foi o velho Corinthians. Aquele time vibrante, da garra, da vontade, da superação, que luta até o fim. Defendeu-se bem e tomou sustos circunstanciais. Arrancou a vitória na marra para não depender de pênaltis e vê despontar um grande goleiro candidato a novo ídolo. Alcança as semi-finais do torneio com moral, confiante e vendendo paixão.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Agora ou nunca mais?

"Se o Timão não ganhar a Libertadores esse ano, esquece! Nunca mais!" "Olha os times que sobraram! Se o Tricolor não levar essa Copa do Brasil, nunca mais!" O tabu de jamais ter vencido tais torneios faz os torcedores de Corinthians e São Paulo reduzirem suas chances a tais extremismos.

O Timão teve boas chances em 2003, o quinteto Carlos Alberto-Roger-Ricardinho-Tevez-Nilmar em 2006, Ronaldo em 2010-2011. Resultado: Duas eliminações para o River Plate,  uma para o Flamengo e outra para o Tolima.

Já o São Paulo foi eliminado pelo Corinthians em 2002, que faria uma final "tranquila" contra um desconhecido Brasiliense. No ano seguinte, caiu para o Goiás nas quartas-de-final. Após sete anos disputando a Libertadores, caiu para o Avaí na edição 2011 também nas quartas.

Coincidentemente, ambas competições encontram-se nas quartas-de-final. Enquanto o Timão recebe o Vasco precisando de uma vitória simples para avançar em razão do empate sem gols conquistado em São Januário. Por seu turno, o Tricolor abriu 2 a 0 frente o Goiás e decide a vaga no Serra Dourada.

As circunstâncias parecem favoráveis para ambos. O Corinthians tem um time extremamente organizado e experiente. Tem plenas condições de fazer, pelo menos, dois gols e se dar o luxo de sofrer um. E o São Paulo pode até perder por um gol de diferença que estará classificado. Sem contar que, se encontrar um gol na casa do adversário, obrigará o Esmeraldino a fazer 4 gols para sonhar com classificação.

O problema é a sequência. O destino do Timão passa por Santos, talvez Vélez ou até mesmo Libertad ou Universidad de Chile. O panorama ideal é sonhar com as eliminações de Fluminense e Santos e aguardar Libertad ou Universidad de Chile, teoricamente mais fracos, para ter um argentino na final: Vélez ou Boca, pois o cruzamento argentino seria direcionado nas semi-finais.

Tendo-se em conta que a Copa do Brasil invariavelmente degola favoritos, o São Paulo, virtual favorito em seu lado da chave do mata-mata, terá pela frente Coritiba ou Vitória. Sem dúvida, equipes mais modestas. Mas só no papel. São bastante aguerridas e dispostas ofensivamente. Projetando eventual final, a probabilidade é que Grêmio ou Palmeiras disputem uma vaga na decisão.

Mas, na prática, a teoria é outra.

Independente de cruzamentos, uma coisa é certa e beira o clichê: futebol só se resolve nas quatro linhas. Óbvio que o Corinthians tem um grande time para sonhar com o título. Da mesma forma o São Paulo, mesmo com suas limitações defensivas. Só que do outro lado sempre haverá outra equipe tão competente quanto.

Esse reducionismo a 8 ou 80 apenas contribui para inflar os nervos da torcida, e desta para o time, gerando uma eterna pressão sobre o clube durante essa competição.

A expectativa e a ansiedade em erguer um título inédito é natural. Entretanto, a forma como Corinthians e São Paulo as alimentam durante a Copa Libertadores e a Copa do Brasil, respectivamente, influencia diretamente suas pretensões no torneio.

Enquanto durar essa pressão doentia em torno desses campeonatos a torcida pode tirar o cavalo da chuva e desencanar do caneco. Para quem acredita em energia negativa, eu tenho lá minhas crenças que tamanha expectativa pode até virar contra o time, transformar-se em algo extremamente prejudicial. O apoio jamais deve transcender e desaguar em neura, obsessão.

Título jamais será obrigação. É decorrência de trabalho, competência, comprometimento. E uma pitada de sorte, claro.





sábado, 19 de maio de 2012

Botequeiros falam sobre Libertadores, Copa do Brasil e Champions League

Fala Galera!!!!

Gravamos um podcast especial com os botequeiros de plantão Gabriel Casaqui e Luis Cesar para falarmos dos campeonatos nacionais e internacionais que rolaram durante a semana e os nossos palpites sobre Bayern e Chelsea. Será que alguém acertou no "chutometro" quem iria vencer a partida e conquistar o título???? Essa edição também contou com a participação especial da nossa orientadora no curso de locução do Senac Santana, Fabianna Ribeiro, locutora e apresentadora da Jovem Pan FM.

Entrem e ouçam os nossos comentários. Vocês concordam com o que falamos durante o nosso podcast??? Participe conosco e deixem seus comentários....


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sem estresse.

Libertadores e Corinthians estão unidos pelo estresse. A fase de grupos é retiro espiritual perto do que o mata-mata reserva. Por mais confortável que seja determinado resultado, enquanto a bola não parar de rolar haverá uma eterna faca em seu pescoço.

Nesta noite, em duelo válido pelas oitavas-de-final, o Corinthians tinha que lutar contra o nervosismo de jamais ter ganho o torneio e contra a ansiedade em buscar os gols para construir um resultado seguro. O empate sem gols conquistado no Equador era ótimo. 

No entanto, um inesperado empate com gols daria a vaga ao Emelec, que já havia operado dois pequenos milagres ao bater o Flamengo e conquistar sua vaga sobre o Olimpia com gols nos acréscimos. A julgar pela atuação regular dos comandados de Tite, esperava-se controle do meio-campo, poucos sustos e chegadas constantes no ataque.

Por sorte, o Timão nem deu oportunidade para sua torcida preparar os terços. Demorou somente 6 minutos para perceberem que o ponto fraco do Emelec era o lado direito. Alex lançou Emerson, que cruzou para a área. A zaga vacilou, Fabio Santos brigou como um centroavante e abriu o placar. Fácil como no videogame.

Desfeita a adversidade no placar, esperava-se que o Timão começasse a jogar como gosta. Colocar a bola embaixo do braço e trabalhá-la como bem entender. Não foi bem assim. O gol acordou os equatorianos e até os 20 minutos ameaçaram incomodar o clube paulista. Porém, quando atacado, defendia-se bem encurtando espaços e, logo ao recuperar a bola, já buscava lançar Willian e Emerson para puxar os contra-ataques.

Nitidamente o Corinthians parecia ter pisado no freio tão logo abriu o placar. Aquele ar de "vou resolver quando eu quiser" tomou força quando Paulinho recebeu na área, dominou bonito e bateu forte para linda defesa de Dreer. No lance seguinte, exploraram o frágil lado direito do adversário com Emerson cruzando para Willian antecipar-se à marcação mas bater por cima.

Então o jogo ficou morno. Limitado, o Emelec não sabia como atacar. Muito superior, o Corinthians tropeçava no preciosismo para concluir suas tramas ofensivas. Contudo, o que qualquer alma no Pacaembu sabia era que  o segundo gol tinha que sair o quanto antes. Correr o risco de levar um gol besta e bater aquele desespero em ter que virar o jogo era um pensamento de arrepiar. Um golzinho do Emelec significaria mais um ano na fila.

Se o lado direito defensivo era precário, o ofensivo mostrou-se insinuante. Ainda que um tanto desorganizados, os equatorianos ensaiavam chuveirinhos por ali. O máximo que conseguiram foi pseudo-assustar a torcida com alguns escanteios ou bolas alçadas na área. No mais, mais do mesmo. 

Quando o Emelec sonhava crescer no jogo, o Corinthians lhe dava um cascudo para acordar. Aos 40, Danilo é lançado e ajeita de cabeça para Paulinho, livre, escorar na trave. Foi o retrato do primeiro tempo. Um Corinthians regular, seguro, mas displicente nas finalizações. Cássio? Mero espectador. 

Para a segunda etapa, uma baixa: Edenílson machucou e Alessandro entrou. Seis por meia dúzia. O Emelec voltou à procura de um gol e sonhando em repetir a sorte defensiva dos primeiros 45 minutos. Logo no primeiro minuto, Chicão faz jogada perigosa na entrada da área. Na cobrança, Cássio espalma pancada de Valencia e tranquiliza a torcida.

Cinco minutos mais tarde, Paulinho cruza da direita e Alex, sozinho no meio da área, erra o voleio e isola. Mais lúcido, os equatorianos começaram a se arriscar mais. Embora não criassem chances concretas de gol e exigissem intervenções de Cássio, rodeavam os flancos de maneira inconveniente.

Estranhamente, o Corinthians recuou. Abriu um pequeno abismo entre o meio-campo e o ataque de tal maneira que os contra-ataques saíam um tanto capengas. Emerson e Willian, pilares do ataque, estavam muito distantes um do outro. Para piorar, Danilo não estava em noite iluminada. Alex, mesmo pouco produtivo, aparecia para tentar alguma coisa.

Nem o irritante pragmatismo de Tite foi capaz de instigar o Emelec. Pelo contrário, só corroborou a naturalidade com a qual sua equipe joga. Aos 16, a primeira escapada decente do segundo tempo. Claro, pela esquerda. Danilo avança, cruza para o meio, Emerson faz o corta-luz e Paulinho invade a área, se atrapalha e perde a bola. 

Três minutos depois, o Timão finalmente resolveu a parada. Em cobrança de falta, Chicão levanta na área e encontra Paulinho para, sem marcação, desviar para o gol. 2 a 0, sem susto, sem nervosismo. 

Daí em diante é história. O Emelec saiu desesperado e sequer conseguiu uma finalização decente. Desta vez, pelo menos testou as saídas de gol de Cássio, que respondeu bem em todas elas. Para mim, impressionou seu posicionamento e a segurança que transmite. Isso contrasta bastante com o clima de Libertadores e tal frieza é indispensável para a posição.

Deu tempo para Alex receber de Danilo e bater cruzado para vencer Dreer e dar números finais à partida: 3 a 0, repita-se, sem sustos, sem nervosismo.

Fato é que essa vitória tranquila diz muito sobre o Corinthians e, ao mesmo tempo, pouco face o nível do adversário. Uma equipe forte no meio-campo e com um ataque perigosíssimo. Estável, regular, segura. Tem as laterais como ponto fraco e exagera na retranca e na cautela quando atua fora de casa. 

Esbanjou tranquilidade e competência para construir o resultado diante de um rival tosco. E é aqui que mora o perigo. Não era um placar complicado de reverter e o adversário era simplesmente ridículo ofensivamente. Mesmo com muitas virtudes, a impressão final depois da classificação às quartas-de-final é a de que o Corinthians ainda não foi devidamente testado no torneio. 

Vasco? Sim, este pode causar algum estresse.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Corinthians e São Paulo vivos.

Nesta fria quarta-feira, Corinthians e São Paulo entraram em campo para exorcizar o fantasma da eliminação do Paulistão. Enquanto o Tricolor enfrentou o algoz do Timão, a Ponte Preta, o Corinthians foi até o Equador encarar o Emelec.

Não foram grandes partidas. Mas tiveram suas doses de emoção.

O Corinthians travou um duelo contra os próprios nervos. Suportou o esforçado catado equatoriano sem se expor tanto. Poderia até ter arriscado mais. 

Motivado pela torcida, o Emelec atacava como podia. Deu ótima contribuição para testar Cássio, novo titular da meta corinthiana. É bem verdade que carimbou o travessão do clube paulista. E que o Timão voltou nervoso para o segundo tempo. Que o diga Jorge Henrique, expulso. 

Só que os equatorianos são muuuuito limitados. A partida de volta tem tudo para ser tranquila. Com Pacaembu lotado, Cássio mais leve em relação à estreia e os pés de Liédson calibrados o Corinthians atropela e fica na espreita para ver quem sai de Vasco x Lanús (vitória cruz-maltina por 2 a 1, em São Januário, com direito a golaço de Diego Souza).

A impressão que ficou da partida morna de hoje é que o Corinthians deu sopa para o azar. Deixou um time infinitamente inferior gostar do jogo. Parecia preguiça em impor seu ritmo cadenciado, trabalhar as jogadas com calma. Tivesse o adversário um tiquinho assim a mais de qualidade e o Timão poderia ter cavado a própria cova.

Após a expulsão de Jorge Henrique era rezar para o jogo acabar logo e resolver em São Paulo. Deu certo. Todavia, grande parte dos pequenos sustos de hoje são evitáveis e os vejo atrelados muito mais ao nervosismo do que à displicência propriamente dita. Como dito em outros posts, atenção!

E o Tricolor foi até Campinas encarar a Ponte Preta. 

Horas antes da partida, a diretoria comunica o afastamento do então titular e intocável Paulo Miranda. Ficou um clima azedo no ar, uma espécie de mal entendido. A princípio, não se esperava uma reação negativa por parte do elenco. De Leão, talvez. 

Depois de um primeiro tempo bastante movimentado, com chances e bolas na trave de ambos os lados, com ligeiro domínio tricolor, a Ponte acordou. A Macaca simplesmente dominou a segunda etapa e chegou ao gol com Roger. 

Visivelmente abalados, abatidos o time do São Paulo não encontrou forças para esboçar reação. Poucas chances criadas, um pênalti não marcado em Luis Fabiano, muito nervosismo e pouco futebol. Aliás, após a partida, Fabuloso disse que o grupo sentiu o baque do afastamento do zagueiro e reconheceu a má atuação. Dica para o desempenho relapso desta noite?

Na coletiva, Leão sutilmente mostrou sua insatisfação, no entanto, sem fazer estardalhaço. Por fim, preferiu fazer o discurso otimista de que é possível reverter o resultado.


Ao meu ver, a missão do Corinthians é mais tranquila. Caldeirão, vitória simples garante, ou seja, vivinho da silva. Basta controlar a ansiedade e o nervosismo, chaves para quem quer chegar longe na Libertadores.

Já a parada do São Paulo é mais ingrata. Precisa de dois gols para avançar, não pode sofrer gol, precisa controlar os problemas internos e a pressão de também correr atrás de um título inédito. Ainda que no caso do São Paulo a pressão seja por uma conquista qualquer, pois não dá as caras desde 2008.

Terminarão como o ditado "entre mortos e feridos todos se salvaram"?




segunda-feira, 23 de abril de 2012

Quem perdeu mais, Corinthians ou Palmeiras?

A sova que Guarani e Ponte Preta aplicaram em Palmeiras e Corinthians, respectivamente, deixou a questão não tão óbvia no ar.

O Palmeiras viveu seus 20 e tantos jogos de invencibilidade. De repente, após a derrota para o rival na primeira fase, quando tomou 2 gols em três minutos, a equipe perdeu o chão. Tanto que terminou a primeira fase em 5º lugar.

Pior do que ser o único grande do Estado a não mandar seu confronto em casa, seu presidente votou a favor da divisão igual a mandantes e visitantes em detrimento da opção 60%-40% para o vencedor. Caiu mal para sua gestão. Preferiu receber mais 10% (que deve implicar numa verba mínima) em vez de sugerir um mínimo de apoio ao seu time.

A derrota por 3 a 2 para o Guarani colocou o trabalho de Felipão em xeque. Ao meu ver, embora o treinador tire leite de pedra, vencer o Bugre não deveria ser um bicho-de-sete-cabeças para o Palmeiras. O sistema defensivo foi muito mal, principalmente o lado esquerdo, que era a menina dos olhos do time. 

Teria Deola falhado no gol olímpico de Fumagalli? Sim. Bola na pequena área é do goleiro. Perdeu o tempo da bola, se atrapalhou, se distraiu, enfim, há um leque de opções a serem escolhidas. Mas que falhou, falhou. 

Essas pequenas coisinhas que se juntam formam uma bola de neve perigosa. Sistema defensivo ruim, técnico caro, falta de resultado, falha de Fulano, Beltrano, picuinhas políticas internas...o clima no Palmeiras é carregado por natureza. Agora, alcança um nível insuportável.

As crises internas refletem em campo de modo angustiante para qualquer um que acompanha o Palestra, infelizmente. O Palmeiras, nesta altura da temporada, creio que perde duas coisas: prestígio e respeito. Não deixa de ser um time grande, ainda que se esforce para não querer ser assim considerado. Contudo, não dá sinais de que luta para sair desta situação vexatória.

A Copa do Brasil ou uma boa campanha no Brasileirão podem apagar tal imagem? Não. Chega de boas campanhas, campanhas regulares ou aceitáveis. Mais do que nunca, o Palmeiras depende de títuloS. Plural. 

Já o Corinthians também caiu por 3 a 2. No entanto, foi derrotado em casa. Fez um irreconhecível primeiro tempo quando foi dominado pela Ponte Preta. A Macaca trouxe uma proposta óbvia e, por incrível que pareça, deu certo. 

Em que pese o mérito do clube campineiro ser louvável, ficou aquele gostinho de que o Timão só perdeu por (mais) uma tarde infeliz de seu goleiro. 

Reproduzirei alguns comentários que teci em outros blogs de jornalistas renomados: Goleiro médio não serve para time grande. A verdade é bem essa, Julio César é mediano. É elástico, tem bons reflexos, mas falha constantemente em lances bobos. Ora rebate chutes defensáveis, ora erra o tempo da bola, calcula mal o chute, o salto, a saída de gol.

Não importa se é ético, se é de grupo, se é terrão, se é Corinthians. Júlio César teve todas as chances do mundo no gol do Timão para provar que a camisa 1 está em boas mãos. Entretanto, não consegue nem se convencer que é o melhor para tal posto. 

Teve boas atuações no título brasileiro ano passado? Sim, com certeza. Mas o caneco deriva muito mais do ótimo sistema defensivo desenvolvido por Tite do que de suas intervenções. 

Às vésperas do início do mata-mata da Libertadores, a conclusão que chego é que, pelas circunstâncias, o Corinthians perdeu mais na derrota para a Ponte do que o Palmeiras contra o Guarani. Embora a derrota sirva de lição para as partidas em casa e tenha vindo "em boa hora", o Timão ganha uma imensa interrogação sob as traves num momento crucial do torneio.

Defendo a substituição para o bem ou para o mal. Goleiro em má fase é um risco constante. Para piorar, Júlio César não tem grife, tampouco está em alta cota com a torcida. O momento propicia uma troca sem traumas. O risco existe com ou sem a troca. A troca dá o benefício do pensamento positivo, do "pode dar certo".

Além disso, ao substituir o goleiro cria-se uma potencial justificativa para eventual fracasso. O mesmo risco que Júlio César corre de ser o bode expiatório, o substituto será cobrado para ser, no mínimo, superior ao antigo queridinho.

Barrar o goleiro que já está habituado à pressão que sofre desde quando assumiu a titularidade pode queimá-lo? Certamente. Entretanto, deve-se ter em mente que o que está em jogo é o CLUBE, o TIME, e NÃO O JOGADOR. Caráter não ganha jogo. Talento e capacidade, sim, fazem a diferença. Infelizmente, as falhas cruciais em partidas importantes pesam contra o atual titular.

Por fim, deixo um questionamento: Qual dos rivais vai conseguir reverter o prejuízo primeiro?

domingo, 22 de abril de 2012

Paulistão 12 - Quartas-de-final

Finalmente o Paulistão começou! Começou e, para alguns, já terminou.

Após exaustivas 19 rodadas, a fase do "mata" começou. Mata porque as quartas-de-final e as semi-finais do Paulistão são decididas em somente uma partida. Como toda decisão de partida única, a zebra sempre fica a postos querendo aparecer. Neste Paulistão ela deu o ar da graça e tirou logo dois dos grandes favoritos ao título. 

Vale dizer que a moda de termos gols nos minutos finais foi seguida. Nas partidas deste domingo, 4 gols marcados nos últimos 5 minutos.

Enfim, abaixo uma breve resenha sobre os quatro confrontos, quem pega quem nas semi-finais do torneio e o palpite do blog:


CORINTHIANS 2 x 3 PONTE PRETA - Olha a zebra aí. Ou melhor, a macaca. A Ponte aprontou para cima do favorito Corinthians e eliminou o Timão em pleno Pacaembu. Foi uma partida madura da Macaca. Ocupou bem os espaços, travou as investidas do Timão e armou a equipe para explorar os contra-ataques. A proposta escancaradamente defensiva deu certo. Porém, contou com a colaboração direta do goleiro Julio César. Willian Magrão abriu o placar após cobrar falta de longe e o arqueiro aceitar o tiro. A bola passou no curto espaço que havia entre ele e a trave. Falha feia nº 1. Quando o Timão melhorava na partida, veio a ducha de água fria. Uendel recebeu na esquerda e mandou a área. Roger antecipou-se à marcação e desviou fora do alcance de Julio César. No segundo tempo só deu Corinthians. Na base da pressão, Willian diminuiu aos 29 minutos em chute cruzado. Porém, novamente Julio César contribuiu com o adversário. Depois de bater mal um tiro de meta, Rodrigo Pimpão foi lançado na esquerda. Enquanto o goleiro saía desesperado, Pimpão bateu por baixo e só não morreu na rede porque Ralf tentou afastar. Em vão. Já havia ultrapassado a risca e a Ponte ganhava fôlego para suportar os últimos minutos. Até parece. No minuto seguinte, Alex recebeu de frente para o gol e mandou no ângulo de Bruno. A bola bateu na trave direita e entrou sem chances para o bom goleiro da Ponte. A dramática partida terminou com a heroica classificação da Ponte que, embora não tenha tido maior volume de jogo, seguiu seu roteiro à risca de maneira muito competente. Aproveitou as oportunidades que teve e, mesmo sofrendo 2 gols, defendeu-se bem. O revés acende parcialmente a luz amarela no Timão. Ainda que esta derrota seja mais uma a ser colocada na conta de seu goleiro mediano, joga na cara da equipe que é preciso mais atenção a detalhes em jogos decisivos.


GUARANI 3 x 2 PALMEIRAS - O confronto mais parelho das quartas-de-final terminou com a classificação também homérica do Guarani. O Palmeiras contava com o retorno de Luan e deixava Valdívia no banco. Nada que significasse maior poderio ofensivo. Depois de um primeiro tempo bastante truncado com chances perdidas dos dois lados, a segunda etapa naturalmente ganhou emoção visto que a igualdade levava aos pênaltis. E põe emoção nisso! Apenas 9 minutos após a bola voltar a rolar 3 gols foram marcados. Aos 6, Fumagalli fez um golaço. Olímpico. Simples assim. Bateu o córner da esquerda, a bola bate no 2º pau e morreu na rede. No lance seguinte, escapada de Oziel pela direita que cruzou para Fabinho só empurrar para o gol. A resposta do Palmeiras foi imediata. Luan bate cruzado e Marcos Assunção completa o rebote. 2 a 1 e dá-lhe drama! A partida continuou lá e cá, ambos times com suas chances de gol. O Verdão da capital pressionava enquanto o Bugre era mais comedido no avanço. Contudo, o Palmeiras não conseguiu vencer o relógio e o nervosismo. Aos 45 minutos, bola boba perdida pelo lado esquerdo sobrou para Oziel orquestrar outro contra-ataque pela direita. O cruzamento atravessou a área e encontrou Fabinho, sozinho, que deu a vaga ao Bugre. Deu tempo para Henrique diminuir para o Palmeiras e dar números finais ao placar: 3 a 2. Apesar da insistência no jogo pelos flancos e nas bolas cruzadas, Vadão conseguiu bloquear bem a criação palestrina e levou o Bugre às semi-finais. O Palmeiras mostrou sérios problemas defensivos e limitação no meio-campo. As laterais tão elogiadas, foram o calcanhar de aquiles de equipe. Juninho teve uma noite para esquecer. O miolo de zaga deixou os atacantes do Bugre invadirem sem incômodo. Felipão terá trabalho para o Brasileirão...


Semi-final: Guarani x Ponte Preta. 

Palpite: O dérbi campineiro promete. Ao derrubarem o dérbi da capital, Guarani e Ponte atraem os holofotes para uma semi-final digna de anos 70-80. O Bugre leva ligeira vantagem por jogar em casa. Vadão faz um trabalho excepcional no Guarani e conta com lado direito muito bom, além da experiência de Fumagalli e do oportunista Fabinho. Nome a nome, a Ponte tem um time mais interessante. Tanto que foi recém-promovida à Série-A do Brasileirão e terá o São Paulo pela frente na Copa do Brasil. Ambos estão em momento ótimo, mas apostarei no fator momento e no diferencial do mando de campo: Guarani. 

OBS: A expectativa que envolve o dérbi campineiro tem uma preocupação por trás: violência. Invariavelmente o clássico maior de Campinas é repleto de violência, mortes e incidentes entre as torcidas. Esperamos que a partida transcorra normalmente, com a devida segurança.


SÃO PAULO 4 x 1 BRAGANTINO - No sábado, o São Paulo inaugurou as quartas-de-final e classificou-se sem sustos. A goleada sobre o Bragantino foi construída na base de muita velocidade e bom aproveitamento nas finalizações. O grande destaque da partida foi Luis Fabiano, autor de dois gols, sendo um deles numa primorosa cobrança de falta. Além disso, o matador tricolor perdeu um pênalti e tomou um bobo cartão amarelo que o suspende para o confronto das semi-finais. Fernandinho e Osvaldo fecharam a conta. Destaque para as assistências de Jadson para Fernandinho e de Casemiro para o segundo gol de Fabuloso. Passes precisos para as finalizações. No mais, não há muito que se alongar. O resultado traduz a superioridade do São Paulo no duelo. No entanto, o gol do Bragantino nasceu em bola alçada na área. O Tricolor precisa ter mais atenção nesse tipo de lance. 


SANTOS 2 x 0 MOGI MIRIM - Passeio discreto do Santos. Foi uma partida burocrata, sem qualquer ameaça à superioridade do Peixe. Logo aos 22 da primeira etapa, Neymar fez lindo lançamento que encontrou a cabeça de Maranhão na entrada da área. O cabeceio cruzado enganou o goleiro e fez a alegria do Peixe. No segundo tempo, Neymar fez das suas. Recebeu pela direita, driblou a zaga do Mogi como quis e tocou no canto para fechar o placar. Agora, antes de decidir uma vaga na final, encara o Bolívar na altitude no duelo de ida válido pelas oitavas-de-final da Libertadores.


Semi-final: São Paulo x Santos.
Palpite: O Tricolor não terá Luis Fabiano. O Peixe irá à Bolívia encarar a altitude pela Libertadores. Será o duelo de um São Paulo desfalcado contra um Santos possivelmente baleado pela desgastante viagem. Ao meu ver, mesmo ciente da falta que Fabuloso faz ao ataque do São Paulo, vale ressaltar que o time baseia seu ataque na velocidade. Fernandinho, Osvaldo e Lucas podem infernizar a zaga do Santos, não tão veloz. E tem Willian José, que não é a mesma coisa, mas já anotou 10 gols no Paulistão. Do outro lado, há Neymar, Ganso, Muricy e Cia., a força do conjunto, do entrosamento, enfim, indiscutivelmente fazem a diferença. Bom, já que clássico é clássico e vice-versa, ainda que Leão faça um bom trabalho no comando do SPFC, os vacilos defensivos não serão perdoados. Santos avança.


Enquanto aguardamos ansiosamente o próximo domingo, recomendo a seção "Análise de Elenco" na qual já passaram os seguintes clubes: Corinthians, Palmeiras, Ponte Preta.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Soy loco por ti!

Acabou o período de testes cardíacos dos torcedores. Encerrada a segunda fase da Libertadores, conhecemos os 16 times mais competentes do continente que se enfrentarão nas oitavas-de-final da competição e colocarão à prova os corações sul-americanos.

Ao meu ver, a grande decepção da fase de grupos foi o Flamengo. A Universidad Católica, pela tradição, também fez feio num grupo relativamente tranquilo. Outro que decepcionou foi o vice-campeão Peñarol, último no seu grupo com somente 4 pontos conquistados. 

Mas chega  de desgraça, hora de falar de coisa boa! É um novo campeonato que se desenha. Esqueçam prognósticos, lógicas, etc., Afinal, isso é Libertadores! 

(dividi o post ao meio para delimitar as chaves e deixar claro quem se enfrentam nas quartas e nas semi-finais.) 


FLUMINENSE x INTERNACIONAL - Os cariocas fizeram a melhor campanha da primeira fase. Os colorados só se classificaram graças à fraqueza do grupo e a uma ajudinha do Santos. O Fluminense apresenta um futebol muito bom e possui um ataque fora de série. A defesa não é ruim, mas o sistema defensivo como um todo deixa a desejar. Entendo que falta pegada no meio-campo e há lapsos defensivos preocupantes. O Inter ainda respira as conquistas de 06 e 2010 e aposta na 'copeirice' para seguir. Sente saudades absurdas de Oscar na criação. O time é instável. Dominou o primeiro tempo da partida contra o Santos, no Beira-Rio, mas foi dominado no segundo. Não viu a cor da bola contra o Juan Aurich. Ou seja, problemas graves no time gaúcho.

Palpite: Fluminense. 


BOCA JUNIORS x UNIÓN ESPAÑOLA - O tradicional Boca foi o segundo colocado no grupo do Fluminense. No confronto com os brasileiros, uma vitória para cada lado na cada do adversário. O Boca só não parece o mesmo de outrora pelo conjunto ou por não ter ficado em evidência nas últimas Libertadores. Mas a camisa pesa e a equipe é bem organizada. Tem nomes interessantes como Clemente Rodriguez, Ledesma, Schiavi (sim, aquele), e Cvitanich. Os chilenos do Unión foram os líderes do grupo que despachou os conterrâneos da Católica e não continha equipes efetivamente perigosas. Dificilmente vão surpreender.

Palpite: Boca. 


DEPORTIVO QUITO x UNIVERSIDAD DE CHILE - Na onda da LDU, o Deportivo Quito tenta seguir o bom rumo do futebol equatoriano. Limitados, apostam na força física e na velocidade para avançar. Do outro lado, a Universidad de Chile curte a onda de ser o Barcelona da América do Sul com um futebol bastante envolvente, ofensivo e interessante. 

Palpite: Universidad de Chile.


CRUZ AZUL x LIBERTAD - Time do presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, o Libertad costuma fazer boas participações na Libertadores. Atrevido, marca bem e ataca sem medo. No entanto, embora o Cruz Azul não seja o melhor representante mexicano no momento, já foi finalista da competição em 2001, quando perdeu nos pênaltis para o Boca. É o confronto mais imprevisível das oitavas, na minha opinião.

Palpite: Libertad


_______________________(divisão de chave das oitavas) __________________________


CORINTHIANS x EMELEC - Segunda melhor campanha da Libertadores, o Timão chega maduro para o mata-mata. Nos últimos jogos, o aproveitamento ofensivo melhorou sem prejudicar o domínio do meio-campo e dos jogos como um todo. Amplo favorito. O Emelec foi o responsável pela eliminação do Flamengo após duas viradas sensacionais. A primeira, em casa, contra o próprio Flamengo. Outra, no Paraguai, ao fazer o gol da vitória sobre o Olímpia aos 47 do segundo tempo. 

Palpite: Corinthians


VASCO x LANÚS - O Vasco sobreviveu no grupo de Libertad e Nacional (URU) e ficou na segunda colocação do grupo. Vai enfrentar um dos classificados do grupo do Flamengo. A superioridade técnica do Vasco é esmagadora. Talvez, até o conjunto seja bastante superior ao dos argentinos. A tendência é que o Vasco tenha dificuldades, mas avance, pois os argentinos são bastante irregulares. Mesmo aguerridos, são capazes de golear (como fizeram contra o Olímpia, 6 a 0) ou serem derrotados sem resistência (como ocorreu contra o próprio Flamengo, por 3 a 0).

Palpite: Vasco


BOLÍVAR x SANTOS - Um prêmio a Neymar e Cia. A sensação do Brasil vai encarar um dos piores times, senão o pior, dentre os 16 classificados. A única dificuldade será a altitude na partida de ida, local onde os mandantes podem impor alguma residência. Fora isso, o Santos deve passear nesta fase, com novos shows de Neymar, Ganso e Cia.

Palpite: Santos


NACIONAL DE MEDELLÍN x VÉLEZ SARSFIELD - Tal como Libertad x Cruz Azul, este duelo é outro sem um claro favorito. Os colombianos do Nacional mostraram muita força física e disposição ao atacar, em que pese serem estabanados defensivamente. O Vélez, como todo time argentino, cresce nos mata-matas da Libertadores. Organizado e bom no contra-golpe. Porém, conquistou a liderança com somente 12 pontos. Traduzindo, é infinitamente melhor em casa e passa sérios apuros fora dela.


Palpite: Vélez

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Esse deveria ser o Corinthians

Corinthians, Deportivo Táchira, Cruz Azul e Nacional (PAR). Desde o sorteio do grupo já se sabia que o Timão era nome certo nas oitavas-de-final da Libertadores. E, na despedida da primeira fase, o Corinthians surrou impiedosamente os venezuelanos do Táchira mostrando um futebol que destoou de tudo que apresentou neste primeiro semestre. O show encantou a torcida. Só espero que esta não tenha saído enganada.

6 a 0 são incontestáveis. Danilo abriu de cabeça escorando cruzamento sozinho da Silva na área. Paulinho e Liédson tabelaram todo o campo de ataque até o volante concluir como um autêntico centroavente. Jorge Henrique bateu cruzado e fez o 3º. Emerson fuzilou e anotou o 4º. Liedson perdeu pênalti, que aproveitou o rebote para aumentar para 5. E deu tempo para Douglas, em novo pênalti, fechar o placar. 

Uma goleada desse tamanho não exatamente demonstra como um time é forte. Ao meu ver, deixa muito mais claro como o adversário foi/é medíocre. No entanto, novamente os méritos de Tite e seus comandados estão reservados. Amplo domínio da partida, muita pegada, finalizações, variações, um espetáculo de partida. Realmente, a Libertadores é um sonho possível.

Contudo, esse comportamento agressivo no ataque bem como este aproveitamento absurdo não é a tônica do trabalho de Tite. Acostumado às magras, suadas, porém, seguras vitórias, a torcida viu hoje um Corinthians que há muito não via. É justamente por isso que o jogo de hoje não deve ser levado em conta para o mata-mata. 

Ganhou, valeu, 3 pontos, 2ª melhor campanha da primeira fase, uhu! Maravilha! Agora é esperar o adversário e voltar ao pragmatismo. Vai falar que vai ser diferente? Não estou defendendo a retranca, só que a natureza de Adenor não permitirá esta postura ousada. A equipe continuará firme no meio, sólida na defesa e comedida no ataque. Vai agredir no momento certo, sem exaltar-se ou sair em debandada sem planejamento. Tudo bonitinho, nos mínimos detalhes. Bola com fulano ali, que passa para o outro acolá e assim por diante.

O excesso de cautela pode ser o grande vilão de um mata-mata de Libertadores. Embora atue com segurança, sem sair da zona de conforto, o Timão de Tite sofre alguns preocupantes sustos. Na vitória contra o Cruz Azul a equipe vencia com tranquilidade os mexicanos por irrisórios 1 a 0 e quase levaram o empate aos 43 do segundo tempo. Percebem? 

É uma estabilidade esquizofrênica, pois a equipe domina o jogo todo e depois corre o risco de ter que chorar as mágoas no pós-jogo julgando-se azarada. Nas atuais circunstâncias, o Corinthians tem que sobrar nos quesitos competência e talento porque o aproveitamento da equipe não permite contar com o boi da sorte.

De uma vez por todas, ou o Corinthians adota postura semelhante a da partida de hoje para dominar o jogo e aproveitar as chances de gol ou então pode se preparar para voltar ao Playstation.



domingo, 25 de março de 2012

Regularidade 2 x 1 Sensação

Mais um domingo de clássico no moroso Paulistão. Desta vez, Corinthians e Palmeiras realizaram o dérbi paulistano no Pacaembu. O jogo colocou frente-a-frente a regularidade do Timão de Tite e o Verdão de Barcos, então líder invicto e sensação do Paulistão.

[Pago com a língua o que disse no amistoso do Palmeiras com o Ajax no início da temporada (ler mais aqui). O desempenho da "Famiglia Scolari" impressionava, embora, de fato, não convencesse tanto (dito aqui) ]


Em razão do falecimento de Chico Anysio, o Palmeiras entrou com nomes de personagens consagrados pelo humorista estampados nas costas dos jogadores. Atitude muito bacana do clube para o assumido palmeirense.

A partida começou quente com o Palmeiras tomando a iniciativa ofensiva. A pressão deu certo e Marcos Assunção, sempre ele,  colocou o Verdão em vantagem. Valdívia carrega e entrega para Assunção que arriscou a bomba de muuuuito longe. A bola bate na zaga e encobre Julio Cesar. Foi um belo gol, o tiro contou com desvio e tal. Mas não tirou muito a sensação de que o arqueiro corinthiano falhou.

Com o gol, o Palmeiras passou a cadenciar mais o jogo. Bem na marcação, os comandados de Felipão conseguiam anular bem o ataque rival. Danilo não mostrava a estrela dos outros jogos, Liedson continuava a amargar o jejum de gols e Sheik não justificava a titularidade. 

Contudo, veio o segundo tempo. E acabou rápido. Foram precisos 6 minutos para o jogo mudar e praticamente dar-se por encerrado. A sorte sorriu para o Timão logo aos 3 minutos. Jorge Henrique levantou na área, no bate-e-rebate a bola pega na mão de Márcio Araújo e sobra para Paulinho estufar as redes.

No lance seguinte, nem o mais otimista corinthiano poderia acreditar no que estaria por vir. Nova bola alçada na área, Henrique vacila ao errar o tempo do lance e a pelota encontraria Liedson livre. Encontraria, pois Márcio Araújo novamente protagonizou o gol alvinegro e com um leve toque empurrou contra as próprias redes.

A virada abalou definitivamente os nervos dos invictos que perderam completamente o domínio do jogo. Aí a partida ficou do jeito que Tite gosta. Sheik e Jorge Henrique pelas pontas infernizavam em contra-ataques sempre perigosos. Valdívia fazia um bom jogo, porém Barcos não foi sombra do matador que se viu nos últimos jogos.

Felipão fez o que deveria fazer, mexer no time. Sacou Cicinho, João Vitor e Maikon Leite para as entradas de Pedro Carmona, Artur e Ricardo Bueno. Carmona ajudou mesmo sem ter sido efetivo. Artur não fez nada diferente de Cicinho. E Ricardo Bueno foi Ricardo Bueno. 

Tite colocou as barbas de molho e fez suas alterações mais para o fim do jogo quando trocou Danilo, Jorge Henrique e Liedson por Douglas, Gilsinho e Elton, que pouco apareceram. 

O segundo tempo atípico pelos gols relâmpagos do Timão colocou em xeque o rendimento palestrino no ataque. Sob pressão, o time não respondeu bem. Desconsidero até a tarde azarada de Márcio Araújo, carrasco da própria equipe nos lances capitais. A verdade é que o Palmeiras voltou do intervalo como quem já se considerava vencedor do clássico. Parecia subestimar o poder de reação do adversário. Pagou caro.

Tite apenas inverteu o posicionamento de Danilo, Sheik e Jorge Henrique para inacreditavelmente virar uma partida em surreais 6 minutos. Deu sorte? Muita. Só que novamente, com o placar favorável, continuou a praticar o melhor de seu jogo: defender bem e contra-atacar perigosamente. A frieza e a regularidade aumentam a moral do clube na luta pelo topo do Paulistão e para conseguir uma boa posição nas oitavas pela Libertadores.

Não fosse a sorte o Corinthians teria virado o jogo? Talvez. A julgar pela postura do Palmeiras no segundo tempo é provável. A acomodação nos primeiros minutos custou caro. Para quem ostentava uma bela marca invicta, o Verdão tropeçou de maneira imperdoável aos olhos da torcida. 

Já pelo lado do Timão, além de contar com sorte mostrou muita competência ao aproveitar as chances que teve e explorar o desespero do eterno rival em bons contra-ataques.

Destaques finais da partida: Pelo Corinthians, Danilo estava contido. Jorge Henrique e Sheik, ao meu ver, arrebentaram com Cicinho e Juninho. Paulinho foi o homem do jogo ao dominar o meio-campo. Já do lado verde, Assunção provou que apesar de não ser tão rápido ou de não marcar tão bem é imprescindível na meia-cancha palmeirense. Ricardo Bueno entrou e novamente não fez absolutamente nada. Barcos sumiu esta tarde. Carmona mostrou certo empenho. Acho que merece ser melhor testado.

O clássico não eleva o Corinthians a Barcelona. Nem rebaixa o desempenho do Palmeiras ao de um time medíocre. Todavia, a forma como o resultado foi construído acende a luz amarela em ambos. Um por exagerar na sorte. Outro por abusar dela.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um sonho possível.

"Corinthians na Libertadores é igual o programa Chaves: todo mundo já sabe o que vai acontecer, mas sempre assiste novamente porque é engraçado". "Raspadinha do Corinthians: Se aparecer 'Libertadores' você vai à padaria e troca por um sonho". Piadinhas não faltam sobre o calcanhar de aquiles do Timão, único grande de São Paulo a não ter em sua galeria a taça continental. Contudo, após a vitória sobre o Cruz Azul nesta quarta por 1 a 0, fica cada vez mais clara a impressão de que a gozação pode estar com os dias contados.

Enquanto a imprensa desce a lenha no time que vence mas não encanta, pouco se repara na forma como o Corinthians tem construído suas vitórias. É um time sólido, compacto e, o mais importante, entrosado. A manutenção da base campeã brasileira em 2011 aliada à chegada de reforços pontuais para compor o grupo foi a saída mais viável que Tite encontrou para desbravar a América.

O pragmatismo do treinador tem tudo para dar certo. A campanha no Paulistão é muito boa mesmo escalando uma equipe mista na maioria dos jogos. Entretanto, o que mais impulsiona a caminhada rumo ao sonhado título é a surreal consistência defensiva. Ao todo são 18 jogos (14 pelo Paulistão e 4 pela Libertadores), 23 gols marcados e somente 10 sofridos. Se o ataque não enche os olhos, a defesa ofusca o continente.

Recentemente fiz a análise do elenco do Timão para o Brasileirão (clique aqui) e, além de constatar o óbvio ululante que o time seria postulante ao bicampeonato, ressaltei que o time conta com muitas opções. Ter muitos atacantes deveria pressupor um aproveitamento ofensivo maior. No entanto, contraditoriamente o que mais aparece é o dedo de Tite ao trancar o time e saborear as vitórias sob doses homeopáticas.

Na partida desta quarta-feira, o Corinthians mandou do começo ao fim. Um lance aqui outro ali dos mexicanos e só. Controle, posse de bola, tramas ofensivas, chutes, volume de jogo, marcação...foi mis um banho tático do Timão sobre o Cruz Azul. O magro resultado não traduziu a superioridade do time na partida. Sem entrar no mérito de que "o que conta mesmo é o gol", jogo a jogo o Corinthians se mostra cada vez mais e mais favorito.

Crucificar a produção ofensiva e criticar o eficientíssimo sistema defensivo, pilar das seguras atuações, para mim, é não querer reconhecer a força evidente de quem entrou na Libertadores para enfim disputá-la como se deve. 

A participação contínua do torneio traz a malícia. O empata fora-ganha em casa está sendo seguido à risca. Sem encantar, sem comprometer, no melhor estilo Libertadores. Os sustos deram lugar à segurança. O medo transformou-se em esperança. Por mais que se fale nas qualidades de Fluminense, Santos e Inter, nenhum deles encarou um sistema defensivo como o do Corinthians*. E, em uma Libertadores, a defesa pode ser o principal trunfo rumo ao título. Taí o Once Caldas-2004 que não me deixa mentir.


*Vale lembrar que na 12ª rodada do Paulistão, o Santos venceu o Corinthians por 1 a 0, na Vila Belmiro. Nesta oportunidade, o Timão poupou alguns titulares. 

sábado, 10 de março de 2012

Análise de Elenco - Corinthians

Dando seguimento ao raio-x dos elencos que disputarão o Brasileirão-12, vamos ao atual campeão Corinthians. 

Para defender o título e reforçar o elenco campeão nacional poucos reforços chegaram. Ainda assim, é um elenco muito competitivo. Prova disso é a liderança isolada do Paulistão e a campanha segura, até o momento, na Libertadores. As recentes apresentações apáticas, de vitórias magras, pouco animadoras não parecem tirar o sono de Tite, preocupado em montar um time frio, calculista e com uma defesa intransponível. No Paulistão são 13 jogos e apenas 5 gols sofridos.

Vamos checar o que o Timão tem para assustar tanto os adversários.


GOLEIROS - Julio Cesar, Cássio, Danilo Fernandes - Julio Cesar é o titular. Fruto do "Terrão", o camisa 1 não é unanimidade. Está longe de ser um mau goleiro. No entanto, também não é espetacular. Alterna bons jogos com falhas grotescas em jogos de relativa importância. Os números da defesa são mais decorrentes do sistema defensivo como um todo do que de suas intervenções sob as traves. Cássio veio do PSV esta temporada. Com passagem pelo Grêmio e convocado para a Seleção, ainda não foi efetivamente testado. Pela experiência internacional, presume-se ter qualidade. Só que se não consegue barrar nem quem não é unânime sua técnica passa a ser alvo de questionamento. Danilo Fernandes, outro jovem da base, alterna o banco com Cássio.

LATERAIS - Alessandro, Fabio Santos, Ramon, Welder, Denner - O veterano Alessandro é o titular do lado direito. É regular. Faz o feijão-com-arroz. Ocasionalmente, prega sustos defensivos. Welder, reserva imediato, é rápido e voluntarioso. Razoável. Já do lado esquerdo reina Fabio Santos. Reina porque não tem sombra. Limitado, tem uma boa bola parada e participa bem das tramas ofensivas. Contudo, também costuma abrir avenidas para os adversários no seu setor. Ramon, que veio do Vasco, jogava tão bem lá que não dá para entender como ele não ganhou a titularidade. Ou melhor, como caiu tanto de rendimento. Veloz, ótimo apoio...Verdade seja dita, Ramon é mais um sem vocação defensiva. E com Tite no banco, ai de quem não marcar.

ZAGUEIROS - Chicão, Leandro Castán, Paulo André, Wallace, Marquinhos, Antonio Carlos, Felipe - Setor seguro. Aos poucos, Chicão retoma a boa fase na zaga. Técnico, bola parada apurada. Porém, meio lento. Castán incorporou bem o "estilo Corinthians". Muita raça, muita disposição, alto, bom no jogo aéreo, sem medo de dar bicuda. Paulo André faz o estilo Chicão, e considero muito bom jogador. Sempre que entra costuma ir bem. Até faz um golzinho aqui outro ali. Wallace é mais limitado, mas não chega a comprometer. Marquinhos e Antonio Carlos, garotos da base, começam a vivenciar o elenco profissional e mostraram potencial. Fiquemos de olho! 

VOLANTES - Gomes, Paulinho, Ralf, Edenílson, Ramirez, Willian Arão - Ralf e Paulinho são a melhor dupla de volantes do Brasil. Ralf é um marcador implacável, além de ser alto e muito forte. Paulinho alia marcação à velocidade e boa chegada ao ataque. Faz muito bem a transição defesa-ataque. Edenílson é o primeiro reserva. Falta entrosar um pouco mais, ser um pouco menos afobado, mas é outro que não chega a comprometer. O peruano Ramirez lembra bastante a forma como Paulinho joga. Ao meu ver, quando entrou deu conta do recado. Arrisca com perigo da entrada da área. Gomes e Arão, ambos do "Terrão", completam o elenco. Não devem ser muito utilizados em razão da polivalência de outros atletas de meio-campo.

MEIAS - Alex, Danilo, Douglas, Vitor Junior, Giovanni, Matheus - Todos os meias canhotos do Brasil estão no Corinthians, não é possível. 3 ótimas opções para a meia-esquerda. Danilo, experiente, ótimo passe e participa muito bem em clássicos e jogos decisivos. Ultimamente tem chegado mais ao ataque, inclusive feito mais gols. Alex, para mim, é um dos melhores meias do país, em que pese não estar em boa fase. Ataca bem, compõe bem defensivamente, chute forte, cruzamento bom...os anos que jogou de lateral no Inter foram determinantes para sua qualidade no meio se destacar. Douglas é outro meia cerebral. Cadencia bem o jogo, organiza jogadas, chega para finalizar. Um autêntico "10". Foi o grande nome do Timão nas campanhas da Série B em 2008, Paulistão e Copa do Brasil, ambos em 2009. Vitor Junior chegou depois de boa temporada no Atlético-GO. Vai ficar no elenco e dificilmente vai jogar. Isso porque também há extrema versatilidade em alguns atacantes, como abordaremos agora.

ATACANTES - Adriano, Bill, Emerson, Jorge Henrique, Willian, Gilsinho, Liedson, Elton, Zizao - No papel, ótimas opções. Algumas, na prática, nem tanto. Adriano pouco jogou, não se compromete em aprimorar a forma física, não se ajuda. De expressivo, fez aquele gol memorável contra o Atlético-MG ano passado. Nesta temporada, fez uma boa partida contra o Botafogo, anotando o tento da vitória. É notório que sua técnica ficou seriamente abalada. Hoje, não é peça fundamental do elenco e dificilmente ajudará efetivamente em eventuais decisões. Esqueçam a velha máxima "em forma e focado, Adriano é Imperador". Ela não voltará mais. Sheik é ótimo atacante. Passa bem a bola, é frio nas conclusões, protege bem, sabe tabelar, realmente um ótimo atacante. Liédson, o Levezinho, é um matador nato. Outro que mescla velocidade e qualidade no chute como poucos. Élton fez uma boa temporada no Vasco, oscilou, voltou e parou no Timão. É bom centroavante. Ao contrário de Liédson, Élton "tem um que" de Washington. Faz pivô, referência na área. Embora não finalize como Liédson, é boa opção ao longo da temporada. Willian e Jorge Henrique fazem o "trabalho sujo". Mais recuados, auxiliam o meio-campo na marcação e são os alvos  para os rápidos contra-ataques. Não são tão habilidosos, mas a velocidade contribui para que suas funções ganhem destaque no campo. Para encerrar, nada a declarar sobre o chinês.

TÉCNICO - Tite - Bom treinador. Pode-se até enquadrar no ótimo, mas seria temerário demais. Arma equipes de forma brilhante. Projeta seu time em campo para marcar. Marca muito! Defende incrivelmente bem. Põe até os atacantes para colaborar. Não está errado. Errado é pautar seu jogo somente nisso. Para a Libertadores - quem sabe - pode até vingar. Contudo, quando precisa sair mais para o jogo, a equipe não parece responder. Vai mais no embalo da arquibancada que pela engenharia técnica do treinador. É provável que o Corinthians tenha muitos atacantes justamente para compensar esse excesso de "defensividade" do time. Apertou? Há quem possa mudar a característica do jogo. Outro ponto que vejo positivo em Tite: não demonstra medo em substituir. Jogo tá ruim? Põe um meia mais incisivo ou um atacante veloz/hábil. Precisa segurar? Tira o centroavante e põe mais um goleiro. Coisas assim. Ano passado quando o time viveu uma fase levemente turbulenta, não vislumbrava um mínimo de "culpabilidade" em Tite. Sempre tentou adequar a equipe às circunstâncias. Enfim, bom treinador.

ANÁLISE GERAL - Impressiona a qualidade do sistema defensivo, que não fica limitado somente à Ralf-Paulinho e os zagueiros. A equipe atua para defender e, quando ataca, não se afoba. Trabalha bem a bola, roda bem o jogo, não fica adstrita somente a um tipo de jogada, tem atletas capazes de mudar a partida  individualmente. Ressalte-se ainda a tranquilidade mesmo sob placares adversos. Enfim, é uma das equipes mais maduras do futebol brasileiro. 

RESULTADO - Por ter uma das maiores e mais apaixonadas torcidas do país e um elenco rico como este é impossível não credenciar o Corinthians à renovação do título nacional. Ao contrário de outros times, com bons elencos e rendimentos abaixo da crítica, o Timão de Tite é regular e entra forte no Brasileirão. Briga pelo título.