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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Resistência

Não há clube paulista mais querido e charmoso que o Juventus. Não adianta querer ser clubista, nenhum time pode superar a atmosfera familiar que paira na Rua Javari. Em um tempo no qual o futebol é invadido por grandes investimentos, parcerias, empresários e tantas outras coisas tão somente relacionadas a dinheiro, o Juventus ainda resiste à sua maneira. 

O Moleque Travesso não dá o ar da graça na elite do futebol paulista desde 2008. Passou a perambular a A-3 do Paulistão desde 2010. Esboçou uma reação ao subir à A-2 ano passado mas logo foi devolvido à Terceirona. Talvez o calvário grená encontre resposta no fato das diretorias seguintes terem achado uma boa estratégia trocar os esquadrões campeões da A-2 em 2005 e da Copa Federação Paulista em 2007 por elencos recheados de jovens e demais atletas de talento controverso ou sui generis. Só pode ser isso.

Nesta tarde o Juventus recebeu o Votuporanguense pela 2ª rodada do Paulistão A-3. Pega-se a escalação e não se conhece ninguém. Uma baciada de jovens e nenhum "Aquele" para servir de chamariz. Do outro lado, idem. Embora o time do interior tenha apostado em atletas com rodagem. Uma equipe com média etária de 26 anos e jogadores que vieram dos quatro cantos do Brasil.

Primeiro tempo correu sem maiores pretensões. Em São Paulo faz um calor desgraçado e a qualidade da pelada batida pelos jogadores - que já não era minimamente promissora - tornou-se praticamente insustentável até o intervalo. 

Só que o segundo tempo foi ótimo! O canoli surtiu efeito e o Juventus voltou em cima, pressionando o Votuporanguense, que até ali fechava bem a casinha mas passou a vacilar perigosamente lá atrás. Foi assim que o Moleque Travesso bateu uns dois-três escanteios praticamente seguidos.

Subitamente a arquibancada passou a sentir o cheiro do gol. O Moleque Travesso dominava, era pouco ameaçado e passou a criar chances clamorosas de gol. Em uma delas, Dudu Mineiro invadiu a área sozinho e ao tirar do goleiro, tirou do gol também. Fernandinho foi acionado duas vezes na esquerda e mandou as duas para fora.

Só que o árbitro achou uma boa ideia fazer uma pausa para a água. Pobre, Juve, mal sabia o que viria.

No retorno, o Votuporanguense acertou a festa do caqui que sua defesa havia se transformado e passou a orquestrar contra-ataques assanhados para cima dos, literalmente, moleques. 

Enquanto o jogo tomava contornos de deus-nos-acuda, Derli, melhor jogador de fato e de direito da meia-cancha grená - e tenho cá comigo que não faria feio em qualquer time da primeira divisão de qualquer campeonato - foi substituído. Não sei se foi cansaço, se foi uma lesão ou se foi apenas um estiramento cerebral do treinador Serginho.

Aos 37 minutos, falta perigosa para o Votuporanguense. Ir à Javari permite que o torcedor tente filmar com alguma qualidade os lances de bola parada na ilusão de que vai ter um gol eternizado em vídeo. Pois bem, pego o celular e estou lá falando com um coroa qualquer sobre a falta. Ele me alerta sobre algum defeito na barreira. Eu acrescento com um comentário meteorológico cretino "o sol tá na cara dele!". E ambos acertamos. A bola passa da barreira, o goleiro vai mal no lance e é gol.




Mais uma vez a torcida deixa a Javari cabisbaixa. O Juventus jogando como nunca e perdendo como sempre. Essa tem sido a impressão cravada na retina da Mooca. O time vai, joga, tenta, mesmo sendo ridículos tecnicamente e ainda que tenha dominado a partida por uma fração de segundo ou tenha desperdiçado um gol, o deus cristão boleiro só castiga o nosso gol.

Agora já não importa. Perdemos. Mas haverá outros jogos. E neles haverá moleques dispostos a fazerem a famigerada travessura. Claro que podemos ser as vítimas, nos acostumamos a ver o feitiço virar contra o feiticeiro. A amargar castigos depois de cada arte feita. Mas eu disse que não importa. Enquanto a Javari estiver em pé, teremos torcida. Os que gritam, os que apoiam, os que xingam, os que se calam e rezam mantras ao roer as unhas. Mas lá estarão e é assim que o Juventus resiste. 


domingo, 16 de setembro de 2012

Luto grená

Este domingo marcou o fim do futebol na Mooca em 2012. O Juventus deu adeus à Copa Paulista ainda na primeira fase e agora aguarda ansiosamente por um 2013 de melhor sorte, quando disputará a Série A-2 do Campeonato Paulista.

O sentimento é de luto. Uma tristeza absoluta que deságua em uma ponta de revolta. A rigor, o Juventus precisava de somente 3 pontos nas últimas quatro rodadas. Ou seja, uma vitória simples em casa garantia a equipe na segunda fase do torneio.

No entanto, recebeu o Palmeiras B e perdeu: 2 a 1. Na rodada seguinte foi visitar o São Bernardo, e perdeu de novo: 2 a 1. Então veio a penúltima rodada e um confronto direto contra o Audax, na Javari. Nova derrota: 3 a 0. 

A classificação que parecia certa virou um drama, pois obrigava o Juventus (5º colocado, 20 pontos) a vencer para garantir sua classificação sem depender de uma combinação simples de resultados. A derradeira partida seria contra o líder Atlético Sorocaba fora de casa. Já classificado, o Atlético pouparia boa parte dos titulares. Além disso, Audax (3º, 21 pontos) e Grêmio Osasco (4º, 20 pontos) iriam se enfrentar. Ou seja, até um empate poderia colocar o Juventus na segunda fase caso o Audax vencesse o Osasco.

Porém, o Juventus sequer conseguiu cumprir seu papel. Após um começo empolgante na competição, a equipe simplesmente se perdeu. Os primeiros tempos dos jogos mostravam um time desorganizado, afobado e, principalmente, desatento defensivamente. Aquelas três derrotas consecutivas muito se devem às apresentações pífias nos primeiros 45 minutos de jogo.

Não obstante a limitação evidente da equipe, o treinador Luiz Carlos Ferreira muitas vezes sabotou o time ao sacar o único meia efetivamente criativo disponível no elenco grená (Elvis) e, em suas variações táticas sacrificava Romarinho, meia rápido e habilidoso que era o trunfo ofensivo do time. Por muitas vezes foi possível acompanhar o franzino meia-atacante improvisado na lateral-direita, por exemplo.

A goleada sofrida em Sorocaba por 4 a 1 para o mistão do Atlético é de dar pena. Quando se pensava que o Juventus novamente reencontraria o caminho dos acessos por meio de títulos ou campanhas gloriosas, ocorre esse inexplicável apagão.

Meu depoimento vai além do fato de ser morador da Mooca. Hoje, torço para o Juventus não mais como "aquele time simpático do meu bairro". Adentrar a Javari e ver um grupo de torcedores focados em apoiar o time como se organizados fossem e reparar que as arquibancadas familiares andam bem mais cheias que há 9 anos mostra a importância e a tradição do Juventus no futebol. 

Na Javari é onde me encontro com o futebol puro e simples. O esporte na sua essência. Ali, durante 90 minutos, sinto-me um pouco responsável em tentar manter viva a história e a chama grená que alegra a Mooca e o futebol, óbvio. 

Quando não é possível vencer, reconhecemos prontamente uma exibição aguerrida, digna. Tal reconhecimento é comum de se notar enquanto os jogadores, cabisbaixos, são timidamente aplaudidos e acenam durante a descida para os vestiários.

Mas, hoje, isso de nada importa. O Juventus perdeu e o ano acabou.
 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A essência do futebol

"Ódio eterno ao futebol moderno". Esse é o lema de uma das torcidas mais apaixonadas de São Paulo. À margem de toda revolução comercial que tomou conta do esporte, o Clube Atlético Juventus é um sopro de saudosismo no coração da Mooca.


O tradicional clube paulista iniciou sua jornada na Copa Paulista 2012 contra o São Bento na acolhedora Javari. Domingo de sol gelado mobilizou bairro e torcedores para apoiar a equipe grená rumo à taça que confere ao campeão uma vaga na Copa do Brasil 2013, ano em que o clube irá disputar a 2 ª divisão do Paulistão.


Sob forte influência argentina, o Setor 2 - atrás de um dos gols - é o encarregado de apoiar a equipe durante os 90 minutos. E viver um dia de cada vez. Os tempos daquele Moleque Travesso forte deram lugar a formações limitadas, que ora brigam pelo acesso, ora para não cair. Mas em nenhum momento a torcida se omite. Como diz um de seus cânticos, "ganhando ou perdendo estou sempre contigo".

Independente do placar, lá está a torcida a fazer sua festa. Deram de ombros quando o São Bento abriu o placar num chorado gol de cabeça. O gol acordou a equipe grená que passou a rondar o gol adversário com mais frequência. Chegou a carimbar a trave, no que seria um belo gol contra por parte dos visitantes, porém a primeira etapa terminou 1 a 0.

O segundo tempo foi todo grená. Na batuta do camisa 10 Élvis e de um interessante lateral-direito, camisa 2, que sabe deus qual será o nome dele, o Juventus pressionou, pressionou, e esbarrava na bem postada defesa do São Bento. Quando a superava, encontrava o acrobático goleiro adversário a praticar intervenções pontuais.

A agonia somente acabou aos 39 minutos. Rafael recebeu lindo passe na área e, cara-a-cara com o goleiro, não perdoou. Encheu o pé e incendiou a Javari! Contudo, o empate não era o bastante para quem resolveu encarar a friaca paulistana logo cedo. 5 minutos depois a arbitragem assinala pênalti a favor do Juventus.

Se a arbitragem era horrível até ali tal reclamação não passou de um detalhe. As faltas invertidas e mal marcadas ficaram esquecidas depois que Didi deslocou o goleiro e explodiu a Mooca de alegria. Juventus 2 x 1 São Bento, virada espetacular e a felicidade estampada em quem vai à Javari com uma única preocupação: vencer este jogo.