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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Botecadas Libertadoras

Ao término da segunda rodada da fase de grupos, analisar a tábua de classificação simplesmente queima a retina ao percebermos algumas coisas:

- É um tanto óbvio que o Atlético Paranaense vai brigar com o The Strongest pelo segundo lugar. Embora o Furacão tenha batido os bolivianos na primeira rodada, a derrota para o Vélez traz um choque de realidade. Encarar o orgulho ferido do Universitario em duas partidas seguidas, ter uma revanche com um Vélez em busca de uma das melhores campanhas gerais e decidir a vaga na apavorante altitude de La Paz. Sem contar administrar o fator Imperador no banco de reservas. Tortura à vista.

- Botafogo parece ter entendido a cartilha da Libertadores. Brigar, lutar, entregar-se e ganhar em casa e tentar um empate fora. 

- O Lanús, campeão da surreal Sul-Americana de 2013 tem apenas um ponto. O matreiro O'Higgins lidera com 4 pontos, Cerro Porteño e Deportivo Cali na cola com 3. Vislumbro candidatos a engraçadinhos.

- Persiste a sina do Atlético Mineiro em protagonizar gols salvadores após o 85º minuto de jogo. Os triunfos das duas primeiras rodadas vieram a menos de 5 minutos para o final. A sorte parece ter crédito ilimitado no Galo. Cuidado com isso, rivais! 

- O grupo mais legal e imprevisível é o do Cruzeiro. Todos com 3 pontos. A tendência é o avanço celeste e de mais um. Pode sobrar para a Universidad de Chile, ex-Barcelona da América do Sul. Olho no Defensor, está em segundo e, no momento, livrando a cara do futebol do Uruguai.

- O Grêmio dita as ordens no grupo da morte e logo deve assegurar vaga nas oitavas. Nacional simplesmente decepcionante, duas derrotas. Vai ser lindo ver os jogos restantes de Newell's e Atlético Nacional, ambos com 3 pontos. Após a goleada sobre o Nacional, os argentinos assumiram o 2º lugar. O Newell's demonstra possuir um time um tanto superior, mas tudo é possível na Libertadores.

- Flamengo teve 5 minutos de consciência e venceu o Emelec. Respirou fundo, acordou para a vida e somou seus primeiros 3 pontos. Entraram de vez no torneio.

- O futebol uruguaio também chora (todos nos solidarizamos, melhor dizendo) pelo Peñarol. Lamentável. Um ponto, apenas, tal como o Deportivo Anzoátegui. Arsenal de Sarandí tem 3 e o Santos Laguna lidera com 6.  

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Coisa errada no lugar errado

Racismo há de ser um eterno tema polêmico. Ele existe e não é exclusividade dos estrangeiros. Aqui se pratica o racismo e demais práticas discriminatórias de todo gênero todos os dias, como se seguíssemos um script. É exagerar na hipocrisia não admitirmos que, ainda que por uma breve fração de segundo, deixamos a voz do preconceito - de qualquer gênero - falar mais alto. Porém, no esporte, o racismo é inadmissível.

Tenho uma opinião pouco ortodoxa sobre o racismo. Sinceramente, acredito que o racismo vai estar presente sempre. Não haverá uma redenção cristã mundial que aceitará o amor e o respeito entre os seres humanos. Daí cabe ao governo e legisladores criarem condições para que o racismo não torne o mundo corporativo e a sociedade em si segregadora como um todo. 

E não me falem de cotas. Ninguém vai conseguir me convencer que cotas na universidade para negros de baixa renda vai atenuar o problema. O sistema educacional é que precisa de reforma. A população carente é quem precisa ter condições de prosperar. Posso ser voto vencido, mas entendo que tal medida, no caso as cotas raciais, beiram uma institucionalização do racismo. O que seria evitado se o critério fosse meramente social. Cota para pobres, simples.

À parte as questões profundas de racismo na nossa rotina, no esporte não é possível admitir qualquer conduta discriminatória de qualquer maneira.

O esporte em primeiro lugar tem viés lúdico. Ele aproxima as pessoas, promove a interação, a socialização, a competição, a diversão. Por isso, não tem cabimento odiar o adversário pelo simples fato de ser negro. Odeie-o esportivamente porque ele é melhor, pior, mais rápido, mais lerdo, mais baixo, mais alto, mas não porque tem cor de pele diferente.

Quando adentramos no profissionalismo a coisa fica ainda pior.

É obrigação de toda e qualquer federação desportiva (não falo exclusivamente do futebol) que puna severamente o clube cuja torcida não se comporte dentro do fair play. Se o esporte serve para muitos como plataforma de mudança de vida e enriquecimento, além de mostrar que o que realmente importa é a competição, está faltando uma atitude das autoridades.

O que aconteceu com Tinga ontem, Balotelli e Boateng outro dia, e dentre tantos outros que vão até a Rússia, por exemplo, vai persistir até que a FIFA decida tratar a questão com a devida intolerância que o tema merece.

Multa e perda dos pontos da partida, multa e suspensão na competição por tal tempo, penas mais duras em caso de reincidência, não importa. O dinheiro que o futebol move tem que ficar em último plano diante de uma controvérsia tão latente.

Afinal, já que não é possível buscarmos alternativas imediatas para solução do problema dentro de nossa própria sociedade, o esporte deveria dar o primeiro exemplo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Botecadas

DIEGO COSTA - O atacante naturalizado espanhol só foi lembrado por Felipão quando a Espanha lhe ofereceu uma vaga no ataque da Fúria. É um ótimo jogador. É melhor que Fred e infinitamente superior à Jô e Damião e qualquer outro centroavante brasileiro em atividade. Mas sua convocação lá tem a concorrência de Fernando Torres (fase ridícula), Negredo (fase excelente), Pedro (queridinho da geral), Llorente e o experiente Villa. Deu azar de ter se machucado quando de sua primeira convocação oficial no final de 2013. Agora, vejo sua convocação em risco pois não foi testado na Seleção. Aliás, Marcos Senna foi campeão da Euro em 2008 na própria seleção espanhola e ficou fora do Mundial dois anos depois. Como toda escolha há um risco, Diego Costa pode ter jogado fora a presença na Copa deste ano. Se tivesse continuado "brasileiro" certamente estaria nos 23 escolhidos.

SAMPA SEM LIBERTADORES - Uma pena a Globo não brindar o Estado de São Paulo com a Libertadores, em que pese a ausência de paulistas no certame continental. Quem quiser acompanhar a saga de Flamengo, Botafogo, Atlético Paranaense, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Grêmio (grupo mais legal dessa edição cujos jogos começam amanhã, quinta) terá de recorrer à tv por assinatura. 

OS 23 - Concordo com o Gian Oddi, da ESPN, quando ele diz que já é possível definir quem não vai à Copa e esboça uma lista. Minhas apostas e divergências dos nomes propostos pelo blogueiro: 
3º goleiro - Victor.
4º zagueiro - Réver
Centroavantes - Fred e Jô
Meia/Atacante - Vejo Hernanes dentro. Willian está com um pé na Copa mas tem duas sombras: Kaká e Robinho. Se Felipão quiser um meia ou um atacante mais experimentado e rodagem europeia, Willian pode dançar nessa.

BOTAFOGO LIBERTADOR - O Fogão recebeu o San Lorenzo na sua estreia na fase de grupos. Mas nem mesmo o apoio papal ajudou os argentinos na empreitada ingrata de encarar o Botafogo no Maraca. Ferreyra e Wallyson (óbvio, sempre ele, bug da Liberta) fizeram os gols da vitória por 2 a 0. Assim, a Estrela Solitária começa a desafiar o além. Se for para acontecer algo, que seja finalmente a glória máxima! (Oremos). O Fogão está se mostrando um time muito guerreiro, organizado e letal. Tudo indica que deve ir longe, quartas-de-final no mínimo.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Mais pinceladas

Apenas para não perder o costume de meter o bedelho em qualquer assunto tampouco deixar o hábito das postagens cair, seguem novas pinceladas sobre alguns assuntos que pipocaram por aí nessa semana:


SUPERCLÁSSICO DAS AMÉRICAS - Um grande mico da organização do clássico entre Brasil e Argentina. O campo acanhado num local fora dos grandes centros boleiros dos hermanos prometia se transformar num caldeirão capaz de apimentar esta bela rivalidade. No entanto, a queda de energia, por pior e mais injusto que seja o acaso, mostra a falta de comprometimento das Federações em providenciar planos B para infortúnios desta natureza. 

Mais bizarro ainda foi ouvir Andres Sanchez, diretor de Seleções, bradar que não haverá outro jogo motivo pelo qual o Brasil seria o campeão desta edição. Uma tosquice não se justifica com outra. Se a partida não se realizou por causa de a, b ou c, não é razoável apagar o histórico da competição. Ainda que em 2013, que se marque nova partida e decida o campeão em campo, onde os holofotes deveriam estar acesos.


ADRIANO - Quer dar a volta por cima, mas não se esforça um tiquinho. Tal como Jobson, acabou para o futebol. A cada falta ou desculpa esfarrapada o atacante se mostra mais doente e sem um pingo de respeito seja por quem for. Lamentável que outro grande jogador brasileiro tenha um final de carreira tão deprimente.


ATLÉTICO MINEIRO - Aquele pé atrás que todo torcedor tem com o Cuca cedo ou tarde aparece. Parece que o Galo teve um choque de realidade - ou apagão técnico - e parou de apresentar aquele futebol envolvente e arrasador que lhe valeu a ponta do Brasileirão por rodadas a fio. Agora, novamente um equipe dirigida pelo treinador sofre com a pressão dos momentos decisivos. Muito papo rolou há algumas rodadas, pactos foram feitos e tudo que se pode constatar é que o Atlético é o vice-líder 6 pontos atrás do Flu. Só falta vacilar e acabar perdendo a vaga na Libertadores...


ALEX - Ídolo no futebol turco, meia-esquerda de qualidade e talento indiscutíveis. Após colher os louros e uma boa grana na Turquia, novamente nos brindará com seu futebol. A tendência é que Coritiba, Cruzeiro ou Palmeiras levem o atleta pelo que desempenhou com essas camisas. Meu palpite é que Alex deve reforçar o Cruzeiro.


SCHUMACHER - Não precisava ter voltado à Formula 1. Porém, mais desnecessária ainda foi a forma como o ídolo foi tratado pela Mercedes. O anúncio da contratação de Hamilton para seu lugar deu clara impressão de que o ídolo foi enxotado da escuderia.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Palmeiras deu com os porcos n'água e deve cair.

Até a rodada passada eu não estava lá muito convicto quanto a uma queda do Palmeiras à Série B. Agora, depois da derrota do Verdão para o Vasco, de virada, e o anúncio da demissão de Luis Felipe Scolari mudei de ideia. Tudo leva a crer que o destino do Palmeiras é novamente disputar a segundona em 2013.

A limitação da equipe palestrina sempre foi evidente. Nem o título da Copa do Brasil foi capaz de sacudir os ânimos do elenco e recolocar o Verdão no caminho da regularidade no Campeonato Brasileiro. Porém, não acredito que a saída de Felipão é a melhor alternativa para tirar o Palmeiras da zona da degola.

Em primeiro lugar porque não há substituto à altura de Scolari. Podem procurar, não tem. Há inúmeras opções medianas, mas de mediano já basta o elenco. Aliás, é justamente o elenco o ponto fraco da equipe. Ainda que se tenha um talento aqui outro ali, a grande verdade é que o grupo palmeirense tem muito jogador "maomeno".

Luan, Márcio Araújo, João Vitor, e até Valdívia entram no grupo de quem não tem bola para vestir a camisa do Palmeiras. O coitado do torcedor se ilude com uma jogadinha de efeito aqui, uma boa partida acolá do chileno e perdoa cada lesão ou omissão de seu "ídolo". Engraçado que os demais citados se esforçam muito mais e não são minimamente reconhecidos. São limitados, mas tem algo próximo de vergonha na cara.

Daí jogar a culpa inteira nas costas de Felipão parece covardia. Claro que o treinador também carrega sua parcela, como por pedir a contratação de um punhado de atletas mais estranhos ainda e logo depois dispensá-los sem muito alarde nem tantos testes.

Degolar o treinador era a última cartada que o Palmeiras poderia se dar o luxo de arriscar faltando 14 rodadas para o final do Brasileirão e precisando de um desempenho digno de campeão para tirar os 7 pontos que separam a desgraçada vice-lanterna e a 16ª posição.

Contudo, repito, se o Palmeiras está desse jeito com Felipão eu não quero nem imaginar como pode terminar sem ele.  Diante de tamanha instabilidade, da falta de pulso da diretoria, de união, comprometimento e confiança do elenco, não vejo outra saída senão a queda. 


Uma Joia de menino

Eu me rendo. O Neymar é craque. Claro que está em um patamar inferior a outros tantos craques que atuam no futebol europeu. Tem muito a evoluir e, finalmente, poder ser comparado a tais astros. Mas é craque. A forma como carrega sozinho um enfraquecido Santos reflete quanto seu futebol transcende seus limitados adversários. Entretanto, apesar de craque, ainda se trata de uma jovem realidade de 20 anos e a forma como exploram seu potencial cada vez mais me parece um tanto imprudente. 

Dono de vencimentos estratosféricos, fruto da engenharia financeira santista aliada à parcerias e trocentos contratos de patrocínio, Neymar virou sinônimo de negócio. Aquele cabelo ridículo, o sorriso pronto, o jeitão moleque e descolado caíram no gosto do Brasil de tal forma que a credibilidade do produto só de estar ao lado do cara que faz aqueles malabarismos todos com a bola aumenta exponencialmente.

Para justificar tanto investimento, a "Joia" divide seu preciso tempo em treino, gravações de comercial, aparições aqui e acolá. Enfim, faz o diabo dentro e fora das quatro linhas. Descanso? Nem pensar. Senão aquele trocadinho maroto não pinga fim do mês.

Daí vem a Seleção e toma o menino emprestado. Quebra as pernas do Santos que vendeu a alma ao diabo para manter o garoto aqui, bota uma pressão infernal em seus ombros para que ele repita o mesmo nível das atuações com a camisa do Peixe, desgasta o atleta e devolve às vésperas de mais uma rodada do Brasileirão na qual Neymar terá que entrar e corresponder.

Se na Seleção Neymar nem sempre vai bem - ganhando algum destaque somente contra adversários de médios para ruins - no Santos ele é o cara e não tem conversa. Porém, é visível o cansaço que se percebe no garoto. A cada pique, a cada gol, viagem, amistoso, jogo oficial, comercial, o que for, dá pra sentir as mãos impiedosas de quem guia a carreira do garoto com mãos de ferro.

Fato é que cedo ou tarde o corpo do menino vai responder. Uma lesãozinha leve para ganhar umas duas semanas de descanso ou algo mais grave, que o prejudique por um ou dois meses. O pato será pago pelo Santos, evidente. Mas, caso isso aconteça (tomara que não), o que fazer com a parcela de culpa por tudo que cerca o atleta?

Passou da hora do Santos ser mais diligente com seu patrimônio, da Seleção em preservar Neymar de jogos caça-níquel e testá-lo em partidas que realmente o farão evoluir e ser a referência que precisamos e do próprio Neymar em compreender que precisa adequar melhor seus afazeres comerciais para simplesmente se permitir um merecido descanso.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Tecnologia já!

Rodada após rodada os sucessivos erros de arbitragem roubam parte do brilho destinado ao espetáculo do futebol. Embora as falhas dos apitadores não sejam exclusividade nossa, é aqui que as barbaridades vistas em campo envergonham qualquer brasileiro que se orgulha de ter nascido "no país do futebol". Para acabar com as polêmicas e o excesso de interferência humana no resultado das partidas, defendo que o futebol deveria escancarar suas portas à tecnologia com intuito de dar nova dinâmica e credibilidade ao seu jogo.

Na tentativa de reduzir o impacto humano no resultado das partidas, a FIFA ainda vê com ressalvas a utilização da tecnologia nas quatro linhas. No entanto, a entidade máxima do futebol já pensa em introduzir a bola com chip na tentativa de acabar com o terrível debate do "entrou ou não?". Só que é muito pouco. Se o futebol perdeu toda a essência de paixão e se transformou em um grande negócio, já passou da hora de revolucionar o esporte!

Já que o amor à camisa ficou escondido em algum lugar do passado e o futebol passou a ser regido pelo business puro e simples, todas as medidas deveriam ser tomadas para preservar o jogo. Em outras palavras, chega de discutir se foi falta ou não, pênalti ou não, bola dentro ou fora, impedimento ou condição legal. A tecnologia deveria invadir o futebol e acabar com qualquer indício de mutreta no placar.

O melhor exemplo que consigo trazer para sustentar minha ideia é o futebol americano. Há um limite de desafios aos técnicos de cada time para rever jogadas em que contestam uma falta, todas as jogadas de ponto são revistas para verificar se houve alguma irregularidade, enfim, e nem por isso deixa de ser divertido e emocionante. Apesar de toda parafernalha, ainda sobra espaço para uma polêmica aqui e outra ali.

Ou seja, é plenamente possível incorporar certas medidas dentro do futebol. Qual o problema em rever um impedimento após a conclusão do lance, caso o árbitro não tenha marcado? Desafiar um pênalti marcado contra, sendo que o zagueiro claramente corta somente a bola e o atacante simula o choque? Se vai acabar com a malandragem "boa" do futebol, por outro lado, vai derrotar a "ruim" que ultimamente predomina nos campos.

Posso ser voto vencido ou corrente minoritária nessa empreitada, porém, sinto-me envergonhado ao ver quantos e quantos lances, jogadas ou faltas extremamente mal marcadas seja por falta de preparo dos juízes, seja por incompetência ou má-fé mesmo. Todos erram, inclusive atletas e árbitros. Mas os únicos que não podem pagar o preço da falha são o placar e os torcedores.





domingo, 12 de agosto de 2012

Vexame indiscutível.

Chega ao fim os Jogos Olímpicos de Londres 2012. Entre surpresas e decepções, o Brasil bate recorde de medalhas em uma edição (17 ao todo, sendo 3 de ouro) e termina em uma amarga 22ª posição no quadro geral. A colocação indigesta tem justificativa na ponta da língua de qualquer torcedor: o vexame que as seleções masculinas de futebol e vôlei proporcionaram.

A primeira fase do futebol olímpico foi o prenúncio de que havia algo estranho no ar, só não notou quem não quis. Prematuramente, a toda-poderosa Espanha e o aguerrido Uruguai deram adeus à competição ainda na fase de grupos. Disposta a encerrar o tabu dourado, a Seleção Brasileira garimpava sua trilha rumo ao sonho com ótimo aproveitamento ofensivo e grandes sustos defensivos.

Há alguns anos o vôlei é nossa segunda principal modalidade esportiva. Os resultados obtidos em quadra tanto pelos homens quanto pelas mulheres enchem o coração brasileiro de orgulho e esperança em tempos de Olimpíadas. Sob a batuta do iluminado José Roberto Guimarães, as meninas levaram o bicampeonato olímpico. Cabia a Bernardinho guiar os meninos à glória máxima também.

No caso do futebol, quando duas das três claras favoritas ao título caíram assim, sem mais nem menos, sem que nem por quê, duvido se houve algum brasileiro que não tivesse pensado "Esse ano é nosso!". Se 2012 é o ano do fim - e isso acaba justificando resultados e títulos dos mais improváveis - o ouro sonhado desde sempre estava cada vez mais tangível. No entanto, a derrota do Brasil para o México foi na contramão da lógica e apenas ratificou o tabu olímpico.

Durante a ressaca do fracasso da paixão nacional, o domingo amanheceu lindo, com sol, céu aberto e Bernardinho, Giba e Cia. vencendo a Rússia por 2 sets a 0. Subitamente, o Brasil travou. Pura e simplesmente parou de jogar. Perdeu o 3º set, depois o 4º e sofreu uma virada história no tie break com direito a massacre: 15 a 9.

É covardia comparar o nível de investimento, cobrança e expectativas em torno das duas modalidades. Porém, inegável dizer que se tratam de dois vexames vergonhosos. Reduzir essas derrotas especificamente à singela máxima de que no esporte "se ganha e se perde", ao meu ver, desvia o foco de quem clamorosamente fracassou.

Com 2 sets a 0 de vantagem e 21 a 18 no placar, o vôlei masculino tão experiente não teve a tranquilidade necessária para administrar a vantagem. Tampouco suporte psicológico e tático para resistir ao arsenal russo no 4º set. Entregue, o Brasil não ofereceu resistência no 5º e decisivo set. Parou. Amarelou, literalmente.

Já o futebol masculino não fez uma má partida, muito menos um mal torneio olímpico. Embora a seleção mexicana tenha se defendido com primor e explorado com competência os contra-ataques, o Brasil criou, tentou, finalizou (mal, verdade seja dita), até esboçou um mínimo de vontade. Abusou das falhas individuais e péssimas escolhas táticas defensivas do treinador.  Resultado: por pensar que poderia vencer de qualquer maneira, novamente o Brasil tropeça na própria soberba.

Humildade. Entendo que faltou humildade para ambas equipes. Humildade para virar uma bola de cada vez, sem pensar na euforia do pódio. Humildade para organizar melhor o time no aspecto defensivo. Humildade para ser mais coerente nas escalações, substituições e convocações. Humildade em reconhecer que, do outro lado da quadra e do campo, havia uma seleção igualmente disposta a matar ou morrer pelo ouro.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ah, Botafogo...

Para mim, o Botafogo é o time mais emblemático do Brasil. No papel, um time muito interessante, embora sofra de séria deficiência defensiva. Do meio para a frente, uma equipe insinuante, rápida. Mas não tem jeito. Ou as coisas cismam em acontecer ao Botafogo, ou o Botafogo quer que as coisas aconteçam com ele.

Restando 4 rodadas para o final do turno, o Fogão deu mostras de ser um time capaz de grandes vitórias, viradas espetaculares e refugar em jogos-chave ou perder pontos para equipes mais modestas. Em suma, quando se acha que vai, não vai. 

Culpar o frágil miolo de zaga ou a limitação dos laterais, bem como do sistema defensivo, parece simplório demais. Crucificar o treinador beira o extremismo. No entanto, são evidentes as brechas que a equipe deixa ao adversário. Sem contar que a responsabilidade pelo baixo aproveitamento nas partidas decisivas merece ser dividida com a comissão técnica.

Contudo, como dito, de nada adianta montar um quarteto, um quinteto ou sexteto fantástico e continuar com uma zaga que, com todo respeito ao Fabio Ferreira e ao Antonio Carlos, beira a mediocridade. Já que a dupla vive exposta, o que o Botafogo espera para ajustar o sistema defensivo? Realmente se crê piamente que o ataque é a melhor defesa ou a desorganização na retaguarda é mantida para justificar a fama sofredora da torcida?

Por mais que o objetivo do jogo seja o gol e quem marca mais ganha a partida, hoje, não sofrer gols tem sido a estratégia adotada para se sonhar mais alto. Estão aí Chelsea e Corinthians que não nos deixa mentir. 

Ver o Renato, ótimo volante que apareceu no Santos de Robinho e Diego, carregando piano sem um parceiro minimamente capaz de auxiliá-lo no trabalho sujo é lamentável. 

Acompanhar o Botafogo virou missão ingrata diante de tanta instabilidade que o clube insiste em atrair. Viradas, vitórias espetaculares e surpreendentes ficam em segundo plano após cada tropeço em casa ou derrotas em "jogos de 6 pontos".

A derrota para o Palmeiras expõe bem essa dualidade da Estrela Solitária. Jogou para frente, para vencer e esqueceu de que a partida é disputada por duas equipes. Bem postado, o Verdão não encontrou dificuldades em fazer o resultado nem mesmo com a pressão sofrida em determinados momentos do jogo.

Apagão após apagão, o Botafogo assume publicamente sua condição de coadjuvante e de cavalo paraguaio que não condiz com sua história. Por outro lado, a sina de levar o sofrimento aos seus torcedores se apresenta mais forte a cada ano. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ovelha negra

Foi dada a largada à Copa Sul-Americana, a ovelha negra do calendário brasileiro. O discurso otimista de dirigentes no início da temporada fica em segundo plano com a chegada do Brasileirão. Disputado como ele só, após 13 rodadas já temos um panorama razoável de quem vai brigar pelo que. No entanto, mover forças para o torneio sul-americano pode significar aumentar o temor do rebaixamento ou minar as chances de título. 

Nem a extinta Copa Mercosul, que fazia as vezes de Sul-Americana, ficava tão para escanteio. Isso mostra o quanto o prestígio internacional foi jogado para escanteio sem dó, tudo para valorizar nosso equilibrado campeonato nacional.

Entretanto, vejo falta de maturidade dos clubes ao recusar a adoção da Sul-Americana como objetivo em suas respectivas temporadas. Entre se matar para chegar entre os 4 primeiros no Brasileirão, prefiro ficar em  15º e ser campeão da Sul-Americana. Terei um título internacional, vaga na Libertadores e deixarei minha torcida satisfeita.

Em tese, trata-se de um torneio menos tenso que a Libertadores e mais tranquilo que a Copa do Brasil. Logo, não consigo entender por que os clubes desistem de ganhar umas milhas de viagem internacional para dar murro em ponta de faca no Brasileirão, infinitamente mais imprevisível e complicado.

Apesar dos notórios perigos existentes em torno do Brasileirão, convenhamos, não demanda muito esforço estacionar na zona intermediária na tabela. Portanto, insisto, por que privilegiar o Brasileirão?

Se é uma questão da emissora que transmite os jogos, grana, patrocínio, digam de uma vez por todas. Mas esse papinho de desmerecer a Sul-Americana é discurso derrotista de time incompetente para disputar de maneira digna ambas competições.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Avenida Tricolor

Tal como a novela das 8 - e não vem ao caso discutir se começa as 9 ou seja lá que horário - o São Paulo vive uma fase dramática. O folhetim tricolor retrata um clube gerenciado por um folclórico presidente sedento pelo poder e por títulos, porém sofre para controlar a crise que assola sua Instituição. Recheada de drama, intrigas e uma comédia com uma pitada de pastelão, nessa novela só há vilões.

Há quatro anos sem título e fora da Libertadores desde 2011, os últimos dois anos do São Paulo foram patéticos. Nem reformulação no elenco, tampouco as sucessivas demissões de treinadores foram capazes de orientar o time a retornar ao caminho das glórias.

A partir daí é possível identificar que o primeiro grande vilão da história é a diretoria. Adeus, planejamento! Adeus, clube diferenciado! Daqui para frente é tudo para ontem.  

Não bastasse amargar o jejum de conquistas, teve que engolir a seco as conquistas dos rivais ainda no primeiro semestre de 2012. 

Então, entra em ação a torcida, claramente dividida entre organizados e "comuns", protesta, cobra, esperneia. Com justiça. Entretanto, sua atitude não é bem digerida pelo elenco, que responde mal após as críticas disparadas das arquibancadas. 

Só que o elenco, embora interessante no papel, não é capaz de formar um conjunto minimamente respeitável, o que gera a insatisfação dos líderes do elenco. Em especial, Luis Fabiano. A união entre a frustração por um time capenga e a pressão da torcida faz com que Luis Fabiano consiga se tornar cada vez mais ídolo e, na mesma proporção, odiado.

Contrariado com as críticas - justas, a rigor - o centroavante já deu declarações dissimuladas quanto a sua permanência no Morumbi. Postura dúbia de quem é idolatrado, faz juras de amor ao clube, luta, deixa a alma em campo - o que, até aqui, não devia ser mais do que obrigação - mas não aceita estar no mesmo barco dos demais. 

Em meio a tudo isso, as partidas. Reina a instabilidade no plano tático e a irregularidade no aproveitamento. 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, independente da formação padrão ou de quem está à beira do campo algo parece conspirar contra o São Paulo que insiste em cometer erros crassos de posicionamento, de fundamentos básicos e ter sérios déficits de atenção, na zaga principalmente.

Tais deficiências dão margem à comédia. Afinal, os rivais sempre podem esperar uma agradável surpresa vindo dos subalternos de Juvenal. 

Não deixa mentir a derrota por 4 a 3 para o lanterna do campeonato. Por certo, o placar mascara o que foi a partida. Decorridos 45 minutos, a partida já estava liquidada. Os dois gols paulistas na segunda etapa criam uma ilusória impressão de raça e disposição inexistentes em grande parte desse grupo de jogadores.

É possível contar nos dedos quem se desdobra para tornar a Avenida Tricolor algo mais agradável, contudo, a falta de colaboração profissional dentro de um esporte essencialmente passional faz com que todos sejam taxados como vilões. 

Só que, como toda novela, sempre rola aquele final meio sem-graça, manjado. O grupo se une, mobiliza torcedores, faz uns bons joguinhos aqui outros ali, cria aquela expectativa. Aí acaba em 5º ou 8º só para, no ano seguinte, repetir o ciclo.









segunda-feira, 18 de junho de 2012

Ídolos

A invasão do futebol pela trupe de empresários e grupos de investimentos trucidaram os últimos resquícios de amor à camisa colocando valores exorbitantes de transferências e salários acima de qualquer sentimento que o atleta possa cogitar sentir. Diante de um cenário que molda o pensamento do jogador a buscar o quanto antes uma transferência ao exterior e obsta o surgimento de ídolos, os termos "ídolo" e "craque" foram perigosamente banalizados.

Levando-se em conta que é mais razoável compreender quando uma jovem promessa realmente desponta e eleva-se ao status de craque, prefiro focar na questão da relação ídolo x torcida. Aliás, esta sabe bem como e quem ungir como ídolo. Contudo, em um universo dinâmico como o futebol, prefiro classificar os ídolos em duas categorias: os ídolos históricos e os ídolos passageiros.

No primeiro grupo encontram-se os principais jogadores responsáveis por marcos e glórias do clube. Para figurar neste seleto rol a primeira condição indispensável é ter conquistado títulos. Óbvio que me refiro a títuloS, no plural, e faço um adendo: títulos de expressão.

Superada a primeira condicionante pode-se aplicar alguns fatores relativizantes, por exemplo, número de jogos com a camisa do time, número de gols marcados. Enfim, fatores secundários que justifiquem direta e claramente por que aquele sujeito foi tão importante para aquela agremiação. O vínculo de identificação também é imprescindível.

Por outro lado, e já entrando na realidade do futebol brasileiro, há os ídolos passageiros. Aqueles jogadores que ficam lá suas 3-4 temporadas no time, mal conquistam títulos (por vezes nenhum, ou um ou dois em caráter regional e olhe lá - logo, praticamente sem expressão), não alcançam marcas expressivas, mas cativou a torcida seja por sua habilidade, seus gols, sua irreverência, seu gênio, enfim. Um belo dia são negociados, dali uns anos bate a saudade, voltam e a lua-de-mel entre jogador e torcida novamente é restabelecida.

O que deve ficar claro até aqui, e talvez muitos já tenham compreendido, é que o ídolo passageiro, a rigor, não é um ídolo propriamente dito. Usa-se o termo, muito embora não o seja. Ele é o ícone de um tempo, mas não um ídolo consagrado. A polêmica surge quando se colocam todos - históricos e passageiros - no mesmo cesto.

Talvez os melhores exemplos para ilustrar a questão sejam Kaká e Valdívia, eternamente vinculados a São Paulo e Palmeiras, respectivamente. É possível enquadrar o meia merengue como um ídolo efetivo da história tricolor? Na minha opinião, hoje, não. Aparição meteórica, título Rio-São Paulo, aquele Super Paulistão estranho de 2002, um punhado de grandes atuações, uma porção de eliminações e foi-se para o Milan. Que legado deixou em seu favor senão as lembranças de um tempo em que o São Paulo era conhecido como "time de pipoqueiro"?

E Valdívia? Chegou, arrebentou, ganhou o Paulistão de 2008, saiu para as Arábias e voltou sem apresentar o mesmo futebol. Seus chutes no ar, polêmicas e uma boa atuação aqui outra ali conferem um green card para figurar junto a Marcos, Evair, Edmundo etc? Repito: não. Com a grandeza que o Palmeiras ostenta, não é crível que um jogador tão instável e de currículo tão pobre possa ser endeusado como é. O palestrino precisa de títulos grandiosos, e da conquista destes seus ídolos naturalmente brotem.

Quem vive uma situação delicada é Luis Fabiano. Com 141 gols, é o oitavo maior artilheiro da história do São Paulo. Sonha superar a marca de Serginho Chulapa que lidera com 242 tentos. Porém, mais do que a artilharia, tenta ingressar no palco de ídolos pelos títulos. De que adianta ser o maior artilheiro se tudo que se tem são duas conquistas regionais mequetrefes?

Títulos ficam tatuados na memória do torcedor. No fundo, pouco importa quem fez mais jogos, mais gols, ficou mais tempo no comando da equipe. No frigir dos ovos, contam-se as conquistas, os triunfos, os troféus. O reconhecimento de quem é lembrado como um vencedor dura para sempre não sendo preciso a ajuda de um almanaque.








terça-feira, 12 de junho de 2012

Mano na forca

Dias após a sova que o Brasil levou da Argentina por 4 a 3 com direito a show de Messi, autor de 3 belos gols, li por aí que Mano Menezes teria ganho uma sobrevida pelas condições nas quais a derrota foi construída. Tradução subliminar: após desperdiçar uma Copa América, vai ter crédito para gastar em um eventual fracasso nas Olimpíadas e, ainda assim, chegar "inteiro" no tão esperado Mundial em nosso solo tão amado. Só podem estar curtindo com a minha cara!

Hoje não pretendo cornetar ausências, escalação, variações táticas. Darei uma colher de chá para esse assunto por enquanto.

Contudo, não adianta. Antes de começar a dizer qualquer coisa sobre a Seleção vejo-me obrigado a abrir parêntesis e, in memoriam, rezar meu mantra ranzinza e saudosista em homenagem aos tempos do professor Dunga e repetir pela enésima vez o quanto aquele senhor, vítima do maldito folclore demissionista do nosso futebol, foi importante para o resgate do brio e do respeito pela camisa amarela. Fecha parênteses.

Desabafo feito, lá vai o Brasil defender a pátria contra nossos indesejáveis vizinhos. Sob o pretexto de entrosar a equipe que vai aos Jogos Olímpicos vimos uma zaga jovem e pouco confiável, continuamos sofrendo com a lateral-direita, e permanecemos à espera da dupla de volantes perfeita para sustentar nosso incrível arsenal ofensivo.

Faz um, toma dois, vai lá e faz mais dois e toma mais dois. Que jogo, hein? Reações espetaculares de ambos os lados, uma partida emocionante de dar orgulho até no lado derrotado. Porém, eu não me incluo nesse ponto.

Ficar orgulhoso com derrota virou dogma exclusivo para os escretes de 82 e 86. No mais, sempre que perdeu  um Judas foi malhado. Verdade seja dita, não houve outro elenco que comoveu tanto quanto aqueles. Mas enfim, se a queda nas quartas-de-final na Copa América para o Paraguai e as derrotas para a seleção principal da Argentina (duas vezes), França e Alemanha não são suficientes para credenciar alguém a Judas, a Olimpíada tem a obrigação de cumprir tal papel.

Em respeito à nossa cultura em imputar a desgraça alcançada dando-se nome aos bois, a cabeça de Mano Menezes já deve ser devidamente posicionada na guilhotina para ser devidamente arrancada sob qualquer hipótese, salvo - e somente neste caso - se conquistar o tão sonhado ouro olímpico. 




quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Seleção Brasileira e eu.

"Eu não gosto da Seleção Brasileira". É essa frase que grita em minha mente quando acompanho algum jogo da Seleção. Eu não consigo ter a mínima empolgação para torcer. Não me animo em ver "a pátria de chuteiras" desfilando seu futebol. Esse arroubo de patriotismo ao ver o escrete canarinho em campo, infelizmente, talvez, não me comove.

Busco na memória quando minha aversão pelo escrete canarinho começou e lembro de quando era ainda bem menino e vi a Seleção Olímpica de 1996 ser eliminada pela Nigéria. Óbvio que não recordo detalhes, mas lembro bem de ver o gol de Kanu e aquele clima de velório tomar conta do país. Pô, eu, no alto dos meus 8 anos sabia bem quem era o Brasil e quem era a Nigéria. Perder para a NIGÉRIA? Sacanagem! 

Engraçado. Em 1994, com 6 anos eu vi o Brasil ser tetracampeão mundial. Algumas imagens dessa Copa me marcaram bastante. Juro que se eu forçar um pouco sou capaz de lembrar, pelo menos, alguma coisinha de cada partida daquela vitoriosa campanha. Comemorei com minha família na casa da minha madrinha o feito inédito. Fogos, gritaria, sensacional!

Eu não tinha a mínima noção de tática. Para mim, importava ganhar. Se o time ganhasse era bom e estava de bom tamanho. Aquela formação de 94 que era limitada, amarrada e tão criticada despertou meu amor pelo futebol de resultado. Arte? Que mané arte! Eu quero ganhar!

E veio 1996. Depois disso, lembro de ter comemorado ironicamente a derrota para a França. É, eu ainda estava de mal do Brasil, time bobão. A partir dos anos 2000 comecei a amadurecer minha observação de futebol, a curtir mesmo a parada e em 2002 eu não tinha mais aquela birra infantil, era desdém. Não me preocupava em torcer contra. Não ia comemorar se ganhasse nem acharia de todo ruim se perdesse.

Hoje, vendo bem, aquele time tinha Felipão, que levou o time na unha construído na base do meu querido 3-5-2 (ou 7-0-3, como queiram) era composto por atletas que realmente jogavam com vontade, com culhões. Scolari peitou o país, levou quem quis e fez com que sua "família" repetisse o feito do desconfiado esquadrão do tetra.

Minha indiferença persistiu nos anos seguintes, mesmo com o penta. Ah, uma observação com cara de exceção. A Seleção somente ganhava meu apoio incondicional nos duelos contra a Argentina. No mais, tanto fazia. Afinal de contas, se o Brasil ganha, quem perde? Vou tirar sarro de quem? E quando ganha, todos ganham, ora. Não tem graça. Não me apetece.

Até que em 2006 veio o papo de Parreira e o quadrado mágico. E aquele time capenga. Muita farra na concentração, muito desinteresse, o início dos problemas físicos de Ronaldo e Adriano. E a porcaria de quadrado mágico. Parreira, técnico que admiro muito, deve ter sido forçado a escalar o time daquela forma, ninguém me tira isso da cabeça. O meio todo aberto, sem pegada, meio desorganizado, displicente. E o desdém voltou. Com aquele time especificamente eu, lá no fundinho, torci contra. Sentia-me ofendido, sem brincadeira.

Foi quando tive um surto de patriotismo. Quando Dunga assumiu o comando da Seleção e começou a colecionar massacres contra a Argentina e outras potências com um time recheado de atletas renegados, contestados, porém, besuntados no óleo da hombridade e esbanjando garra e disposição comecei a ver a Seleção com outros olhos.

O triste fim de Dunga, um vencedor com a Amarelinha seja dentro ou à beira das quatro linhas, fulminado pela ridícula cultura brasileira em se demitir treinador em razão de uma derrota inesperada (Oi? Em mata-mata de Copa a única coisa que se espera é a vitória?!) novamente me deixou órfão. 

Agora, sob a batuta de Mano, vejo o fantástico futebol brasileiro surrar o mediano time dos EUA. Vejo o rebelde Oscar jogar muita bola, Neymar e Marcelo infernizarem a zaga adversária pelo lado esquerdo. Hulk garimpar seu espaço jogando com eficiência. Torço o nariz para Damião e sua falta de tranquilidade nas conclusões ou de habilidade em fazer algo diferente do que ficar plantado no meio da zaga adversária, e com esse lado direito que parece ser o ponto fraco da esmagadora maioria dos clubes brasileiros.

Vem à tona o lance de Copa no Brasil. De construção dos estádios, dos investimentos que serão feitos, da corrupção em torno das verbas destinadas a tais fins. E fico mais puto em pensar em corrupção e toda aquela zona que fazem com o meu dinheiro. Paro e lembro que a Seleção de 70, eternamente cultuada pelo futebol apresentado, foi pano de fundo para a ditadura militar. Começo a enlouquecer ao estabelecer que o próprio futebol em si faz parte do maldito pão-e-circo que subliminarmente nos é distribuído.

Acaba o jogo. O Brasil goleia os EUA por 4 a 1. Um pênalti duvidoso, um gol de cabeça em falha da zaga e do goleiro, outros dois em belas tramas ofensivas. Sofreu um gol evitável. Um jogo agradável de se ver, bem movimentado. O juiz apita. Termino o post, atualizo o blog e vou dormir esperançoso. Agora, só faltam 7 dias para o Brasileirão voltar.






quarta-feira, 23 de maio de 2012

Agora ou nunca mais?

"Se o Timão não ganhar a Libertadores esse ano, esquece! Nunca mais!" "Olha os times que sobraram! Se o Tricolor não levar essa Copa do Brasil, nunca mais!" O tabu de jamais ter vencido tais torneios faz os torcedores de Corinthians e São Paulo reduzirem suas chances a tais extremismos.

O Timão teve boas chances em 2003, o quinteto Carlos Alberto-Roger-Ricardinho-Tevez-Nilmar em 2006, Ronaldo em 2010-2011. Resultado: Duas eliminações para o River Plate,  uma para o Flamengo e outra para o Tolima.

Já o São Paulo foi eliminado pelo Corinthians em 2002, que faria uma final "tranquila" contra um desconhecido Brasiliense. No ano seguinte, caiu para o Goiás nas quartas-de-final. Após sete anos disputando a Libertadores, caiu para o Avaí na edição 2011 também nas quartas.

Coincidentemente, ambas competições encontram-se nas quartas-de-final. Enquanto o Timão recebe o Vasco precisando de uma vitória simples para avançar em razão do empate sem gols conquistado em São Januário. Por seu turno, o Tricolor abriu 2 a 0 frente o Goiás e decide a vaga no Serra Dourada.

As circunstâncias parecem favoráveis para ambos. O Corinthians tem um time extremamente organizado e experiente. Tem plenas condições de fazer, pelo menos, dois gols e se dar o luxo de sofrer um. E o São Paulo pode até perder por um gol de diferença que estará classificado. Sem contar que, se encontrar um gol na casa do adversário, obrigará o Esmeraldino a fazer 4 gols para sonhar com classificação.

O problema é a sequência. O destino do Timão passa por Santos, talvez Vélez ou até mesmo Libertad ou Universidad de Chile. O panorama ideal é sonhar com as eliminações de Fluminense e Santos e aguardar Libertad ou Universidad de Chile, teoricamente mais fracos, para ter um argentino na final: Vélez ou Boca, pois o cruzamento argentino seria direcionado nas semi-finais.

Tendo-se em conta que a Copa do Brasil invariavelmente degola favoritos, o São Paulo, virtual favorito em seu lado da chave do mata-mata, terá pela frente Coritiba ou Vitória. Sem dúvida, equipes mais modestas. Mas só no papel. São bastante aguerridas e dispostas ofensivamente. Projetando eventual final, a probabilidade é que Grêmio ou Palmeiras disputem uma vaga na decisão.

Mas, na prática, a teoria é outra.

Independente de cruzamentos, uma coisa é certa e beira o clichê: futebol só se resolve nas quatro linhas. Óbvio que o Corinthians tem um grande time para sonhar com o título. Da mesma forma o São Paulo, mesmo com suas limitações defensivas. Só que do outro lado sempre haverá outra equipe tão competente quanto.

Esse reducionismo a 8 ou 80 apenas contribui para inflar os nervos da torcida, e desta para o time, gerando uma eterna pressão sobre o clube durante essa competição.

A expectativa e a ansiedade em erguer um título inédito é natural. Entretanto, a forma como Corinthians e São Paulo as alimentam durante a Copa Libertadores e a Copa do Brasil, respectivamente, influencia diretamente suas pretensões no torneio.

Enquanto durar essa pressão doentia em torno desses campeonatos a torcida pode tirar o cavalo da chuva e desencanar do caneco. Para quem acredita em energia negativa, eu tenho lá minhas crenças que tamanha expectativa pode até virar contra o time, transformar-se em algo extremamente prejudicial. O apoio jamais deve transcender e desaguar em neura, obsessão.

Título jamais será obrigação. É decorrência de trabalho, competência, comprometimento. E uma pitada de sorte, claro.





segunda-feira, 21 de maio de 2012

Pipoca, Who?

Dias depois da final da UEFA Champions League ainda busco algo interessante a dizer sobre a partida. É difícil encontrar palavras ou pontos cruciais que culminaram no título do Chelsea sobre o virtual favorito Bayern de Munique. E, mesmo depois de muito pensar, a única coisa que me vem à tona é uma sigela pergunta: Quem é o pipoca agora?

O Chelsea era um chato coadjuvante até a aparição de Roman Abramovich em sua vida. Comprou o clube em 2003 e transformou o Blues em uma das grandes potências do futebol mundial. Entretanto, em que pese sempre ter formado esquadrões respeitáveis, as conquistas ainda ficavam restritas à Inglaterra. Por incontáveis vezes colecionou eliminações. Na temporada 07-08 o título escorreu pelos seus pés ao perder para o Manchester United nos pênaltis.

Quando o universo conspirava contra o Chelsea e sua eterna sina de amarelão no âmbito internacional, a sorte lhe sorriu. A temporada irregular culminou com a demissão de André Villas-Boas. Roberto di Matteo assume com a ingrata missão de reverter dolorosos 3 a 1 sofridos contra o Napoli, no jogo de ida pelas oitavas-de-final.

Veio a superação. Virada sobre os italianos por 4 a 1. Daí em diante despacharam o Benfica e o poderoso Barcelona. O estilo pragmático do futebol de resultado, de muita marcação, contra-ataques e bolas paradas eram a receita básica e primitiva da equipe.

Na final, o Bayern. Dono do palco da final, do ataque mais insinuante, das grandes promessas do futebol alemão, da velocidade, da precisão. No duelo dos desfalques, o Chelsea realmente acabou com sua zaga seriamente comprometida. Sem contar perder Ramires, o motorzinho da meia-cancha. O Bayern nem tanto, mas o ataque sempre foi seu diferencial.

A partida foi exatamente o que todos esperavam: ataque x defesa. E os goleiros, Cech e Neuer, foram do céu ao inferno. Quando Müller abriu o placar aos 38 minutos para o Bayern, os discursos e rótulos de pipoca estavam prontos a serem distribuídos. Cech errou o tempo da bola, da defesa e aceitou a cabeçada de Müller. Para o chão, a bola quica e encobre o monstro tcheco de 1,97.

Terry, que perdeu o pênalti que poderia ter dado o título em 2008, vacilou feio e foi expulso contra o Barcelona. Quase sabotou a classificação para a final e, por estar fora do duelo, sua parcela de culpa também estava reservada. E Drogba? Perdeu pênaltis decisivos pela Costa do Marfim e fazia uma partida discreta até os 44 do segundo tempo, quando resolveu se tornar o grande protagonista de decisão.

Escanteio certeiro, cabeçada certeira e Neuer, com a mão um tanto mole, não consegue defender o tiro do atacante. Empate dramático e o filme da pipoca continua. A briga pelo indesejável troféu segue acirrada. Disputa estranha.

Na prorrogação, Drogba roubou a cena novamente: comete pênalti infantil em Ribéry. Robben foi para a bola com o peso de já ter convertido contra o Real. E ter perdido outros tantos decisivos. Como contra o Borussia ou contra o Liverpool quando vestia a camisa do Chelsea. Pois é, o holandês partiu e Cech  redimiu-se da falha no gol de Müller e defendeu. Drogba curtiu isso.

O futebol alemão que sofre sucessivas derrotas desde 2002, inclusive com o próprio Bayern na final da Liga em 2010, apagou. Vieram os pênaltis. Neuer fez sua parte. Defendeu o tiro de Mata e converteu uma cobrança. Cech defendeu a cobrança de Olic e viu Schweinsteiger mandar na trave. Então, quis o destino que Drogba, perdedor de tantos pênaltis decisivos, acertasse um tiro seco no canto para dar ao Chelsea o tão sonhado título europeu.

Resumo da ópera, o Chelsea perde a virgindade e conquista sua primeira Champions League. A vitória do pragmatismo sobre o show. Uma lição de futebol principalmente no âmbito tático. Finda o estigma de pipoqueiro e, definitivamente, começa a ser respeitado internacionalmente.

Sobrou para o Bayern e para o futebol alemão a dor de mais uma perda. Mais uma. Bayer Leverkusen em 2002, Bayern em 2010 e 2012, Seleção Alemã vice no Mundial de 02 e 3º em 06 e 2010. Vice da Euro-08. Por mais tradicional que seja, a frieza abandonou a Alemanha, crucificada em tantas decisões.  

A Euro-12 e a Copa do Mundo no Brasil em 2014 são os próximos desafios. Sinceramente? Por já ter chegado tão perto tantas vezes, creio que o azar deve bater mais cedo ainda em sua porta e amargar um jejum ainda maior. É, Alemanha...quem te viu, quem te vê...

terça-feira, 8 de maio de 2012

O porco subiu no telhado.

Desmanche não. Reformulação. É um termo mais pomposo e menos traumático para referir-se àquelas mudanças providenciais no elenco. O Palmeiras, que deixou bem encaminhada sua classificação às quartas-de-final da Copa do Brasil, passa por uma. A 12 dias do início do Brasileirão, seis atletas já saíram (o que comprometeu consideravelmente nossa Análise de Elenco, veja aqui) e nada de reposição. Sinal amarelo piscante pelos lados do Palestra...

Tinga, Gerley, Fernandão, Ricardo Bueno, Chico e Pedro Carmona foram os escolhidos para puxar a fila. Se o intuito era deixar o elenco mais enxuto, a diretoria acertou em cheio. Agora, se a ideia era substituir peças não muito boas por outras melhores não é o que parece até aqui.

Felipe, que estava no Mogi, volta de empréstimo. Mazinho e Fernandinho vieram do Oeste. Com todo o respeito aos recém-chegados, o Palmeiras hoje precisa de alguém que chegue, vista a camisa e resolva. Pá-pum! Para ontem. 

Podem surpreender e calar todos que observam suas qualidades com canto de olho? Sim. Só que uma coisa não tira a necessidade de outra. São rapazes que se destacaram em agremiações menores e, de repente, caem de para-quedas num clube grande, de torcida e diretoria apaixonadas sendo que ambas, invariavelmente, perdem o controle ou a noção em suas manifestações.

É bem verdade e merece a devida consideração que o momento financeiro do clube não permite extravagâncias. E isso, apesar de ir de encontro ao que disse acima, obriga o Verdão a fazer suas apostas. Só que me chama atenção o clube ter dispensado alguns atletas que, ao meu ver, seriam perfeitamente úteis dentro do elenco.

Fernandão, grandalhão, pouca mobilidade, referência na área. Pode não ter a estrela de um Washington e, mesmo contestado e na reserva, marcou 3 gols no Paulistão. Um deles na virada contra o Santos. No aperto, joga ele na área! Segura até o final da temporada ou até encontrar alguém melhor, com as mesmas características.

Chico, volante, cabeça-de-área, alto, pegador. Limitado? Com certeza. Mas era alguém! Aumentava a pegada no meio e ajudava na bola aérea. Foi pouco aproveitado, foi inconstante quando entrou, mas era alguém!

Além de Fernandão e Chico, estaria propenso a segurar Carmona no elenco nem que fosse para dar uma derradeira chance. Ele é tão pior assim que Felipe? No mais, concordo com os afastamentos.

Belluzzo arrombou os cofres do Palmeiras? Sim. Mas gastou com Valdívia, Kleber, Muricy, Diego Souza, Vagner Love. Por que não deu certo? A defesa era ruim? Não havia reposição? Boicote do elenco? Sei lá, escolham uma desculpa aí.

Tirone herdou o clube falido e, na sua única manobra mais ousada, foi traído pelo acaso. Ah, Wesley...que hora para se lesionar! Em seguida, eliminação para o Guarani. Pronto. Caos.

E no meio do turbilhão, sobrou voltar os olhos para a política do "bom e barato" - também conhecida como "peloamordedeus dê certo" - foi a única saída para buscar controlar a crise. 

Vale lembrar que o time do Palmeiras continua competitivo. Contudo, o elenco está perigosamente fragilizado, principalmente o meio-campo. Sem grandes opções, só resta aguardar o início do Brasileirão, a vinda de mais um ou outro reforço e ver quais surpresas esses jogadores preparam para a torcida.

(Em tempo: Mantenho o palpite. Palmeiras, mesmo com forte tendência a ficar na zona intermediária, vai brigar por uma vaga na Libertadores)









segunda-feira, 23 de abril de 2012

Quem perdeu mais, Corinthians ou Palmeiras?

A sova que Guarani e Ponte Preta aplicaram em Palmeiras e Corinthians, respectivamente, deixou a questão não tão óbvia no ar.

O Palmeiras viveu seus 20 e tantos jogos de invencibilidade. De repente, após a derrota para o rival na primeira fase, quando tomou 2 gols em três minutos, a equipe perdeu o chão. Tanto que terminou a primeira fase em 5º lugar.

Pior do que ser o único grande do Estado a não mandar seu confronto em casa, seu presidente votou a favor da divisão igual a mandantes e visitantes em detrimento da opção 60%-40% para o vencedor. Caiu mal para sua gestão. Preferiu receber mais 10% (que deve implicar numa verba mínima) em vez de sugerir um mínimo de apoio ao seu time.

A derrota por 3 a 2 para o Guarani colocou o trabalho de Felipão em xeque. Ao meu ver, embora o treinador tire leite de pedra, vencer o Bugre não deveria ser um bicho-de-sete-cabeças para o Palmeiras. O sistema defensivo foi muito mal, principalmente o lado esquerdo, que era a menina dos olhos do time. 

Teria Deola falhado no gol olímpico de Fumagalli? Sim. Bola na pequena área é do goleiro. Perdeu o tempo da bola, se atrapalhou, se distraiu, enfim, há um leque de opções a serem escolhidas. Mas que falhou, falhou. 

Essas pequenas coisinhas que se juntam formam uma bola de neve perigosa. Sistema defensivo ruim, técnico caro, falta de resultado, falha de Fulano, Beltrano, picuinhas políticas internas...o clima no Palmeiras é carregado por natureza. Agora, alcança um nível insuportável.

As crises internas refletem em campo de modo angustiante para qualquer um que acompanha o Palestra, infelizmente. O Palmeiras, nesta altura da temporada, creio que perde duas coisas: prestígio e respeito. Não deixa de ser um time grande, ainda que se esforce para não querer ser assim considerado. Contudo, não dá sinais de que luta para sair desta situação vexatória.

A Copa do Brasil ou uma boa campanha no Brasileirão podem apagar tal imagem? Não. Chega de boas campanhas, campanhas regulares ou aceitáveis. Mais do que nunca, o Palmeiras depende de títuloS. Plural. 

Já o Corinthians também caiu por 3 a 2. No entanto, foi derrotado em casa. Fez um irreconhecível primeiro tempo quando foi dominado pela Ponte Preta. A Macaca trouxe uma proposta óbvia e, por incrível que pareça, deu certo. 

Em que pese o mérito do clube campineiro ser louvável, ficou aquele gostinho de que o Timão só perdeu por (mais) uma tarde infeliz de seu goleiro. 

Reproduzirei alguns comentários que teci em outros blogs de jornalistas renomados: Goleiro médio não serve para time grande. A verdade é bem essa, Julio César é mediano. É elástico, tem bons reflexos, mas falha constantemente em lances bobos. Ora rebate chutes defensáveis, ora erra o tempo da bola, calcula mal o chute, o salto, a saída de gol.

Não importa se é ético, se é de grupo, se é terrão, se é Corinthians. Júlio César teve todas as chances do mundo no gol do Timão para provar que a camisa 1 está em boas mãos. Entretanto, não consegue nem se convencer que é o melhor para tal posto. 

Teve boas atuações no título brasileiro ano passado? Sim, com certeza. Mas o caneco deriva muito mais do ótimo sistema defensivo desenvolvido por Tite do que de suas intervenções. 

Às vésperas do início do mata-mata da Libertadores, a conclusão que chego é que, pelas circunstâncias, o Corinthians perdeu mais na derrota para a Ponte do que o Palmeiras contra o Guarani. Embora a derrota sirva de lição para as partidas em casa e tenha vindo "em boa hora", o Timão ganha uma imensa interrogação sob as traves num momento crucial do torneio.

Defendo a substituição para o bem ou para o mal. Goleiro em má fase é um risco constante. Para piorar, Júlio César não tem grife, tampouco está em alta cota com a torcida. O momento propicia uma troca sem traumas. O risco existe com ou sem a troca. A troca dá o benefício do pensamento positivo, do "pode dar certo".

Além disso, ao substituir o goleiro cria-se uma potencial justificativa para eventual fracasso. O mesmo risco que Júlio César corre de ser o bode expiatório, o substituto será cobrado para ser, no mínimo, superior ao antigo queridinho.

Barrar o goleiro que já está habituado à pressão que sofre desde quando assumiu a titularidade pode queimá-lo? Certamente. Entretanto, deve-se ter em mente que o que está em jogo é o CLUBE, o TIME, e NÃO O JOGADOR. Caráter não ganha jogo. Talento e capacidade, sim, fazem a diferença. Infelizmente, as falhas cruciais em partidas importantes pesam contra o atual titular.

Por fim, deixo um questionamento: Qual dos rivais vai conseguir reverter o prejuízo primeiro?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Depois o Botafogo reclama...

"Tem coisas que só acontecem com o Botafogo". Quem nunca ouviu essa frase? Essa e outras tantas atribuídas ao Botafogo - e tão emblemáticas quanto a ora tomada de exemplo - fazem o leitor esboçar aquele sorriso leve, balançar suavemente a cabeça de maneira afirmativa como quem diz "é verdade...". Mas, espera.  O Botafogo reclama, esperneia, ("chora", de acordo com os rivais) mas, pô, pede para protagonizar uma situação "peculiar".

Não quero revirar resultados, derrotas ou coisas do tipo. Quero ir um pouco mais além. O assunto é batido porém creio ser o momento de dar um basta: Jobson. Ou o Botafogo gosta de sofrer e fazer papel de ridículo, ou não tem mais amor-próprio.

O referido atleta já foi tema de post aqui no blog (relembre aqui) e, novamente, ele aparece na mídia envolto a uma história "mal explicada". Desta vez, veicula-se que Jobson foi afastado após uma discussão com o fisiologista, na qual questionava o procedimento que, pelo que li, seria realizado por todo o grupo.

Vou repetir: veicula-se que Jobson foi afastado após uma discussão com o fisiologista, na qual questionava o procedimento que, pelo que li, seria realizado por todo o grupo. 

Bom, se o problema não foi atraso, não foram drogas, não foi tumulto e o atacante vai pagar o pato por uma "discussãozinha cotidiana". Ao meu ver, essa história está mal contada. Não quero aqui passar a mão na cabeça de Jobson e cultuar a insubordinação no ambiente de trabalho.

Entretanto, qualquer um sabe que jogador de futebol é profissionalmente diferenciado. Ou eles realmente merecem a mordomia toda que recebem?! Chama os envolvidos, dá o esporro e volta para o campo, ponto. 

Por outro lado, se esse episódio está mascarando alguma outra conduta ou evento que "passou despercebido", passou da hora do Botafogo agir. Desde a primeira passagem Jobson tem sido um jogador extremamente problemático, daí pergunto: insistir para quê?! 

A postura esquizofrênica dos clubes em insistirem em atletas descompromissados é insana, e o privilégio não é só do Botafogo. Adriano, Carlos Alberto, Jobson, peloamordedeus, vão atrás de alguém na várzea, na base, em escolinhas de futebol Brasil afora e tragam 500 jogadores no lugar deles. Um de qualidade eu garanto que encontram! Apostem em gente que VALHA A PENA ou que, pelo menos, VALORIZEM a oportunidade que tem.

Quantos brasileiros não sonham em calçar umas chuteiras, vestir a camisa de qualquer clube e batalhar o pão no campo? Eu me sinto ofendido no lugar desses caras. Ver que gente, ora talentosa, simplesmente abre mão do privilégio que a vida lhes trouxe.

Não gostaria de retomar esse assunto novamente. No entanto, também não posso simplesmente ignorá-lo, pois me revolta ver clubes sendo coniventes com maus profissionais. Uma vez que o esporte reflete diretamente na sociedade, que exemplo times de futebol dão ao permitir tamanha anarquia? Esqueceram que o futebol é um elemento social brasileiro. Lá residem o lazer, a paixão e o sonho de muitos cidadãos. 

Pensem nisso, ok?


(Botafoguense - e a quem interessar- confira também a Análise de Elenco do Fogão e qual nosso palpite para o futuro da Estrela Solitária para o Brasileirão-12 clicando aqui)

(Sobre as frases que mencionei no início do post, aqui há outros exemplos)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Pinceladas

INTERNACIONAL 1-1 SANTOS - Ficou barato pelas circunstâncias. Muriel teve uma noite inspirada e salvou o Inter de um resultado pior. Os colorados marcaram de falta com Nei e dominaram todo o primeiro tempo. O Santos melhorou no segundo tempo. Muricy brilhou ao trocar Fucile por Alan Kardec, que empatou o jogo. Por pouco não virou o placar. Ganso e Damião foram discretos. Neymar conseguiu expulsar Moledo e infernizou a zaga colorada. Pode perder a segunda posição do grupo para o The Strongest e, caso isso aconteça, além de vencer o Juan Aurich, fora de casa, vai precisar de uma mãozinha do Peixe para avançar. 

(Palpite: vai classificar porque o Santos vai vencer o The Strongest para conseguir uma posição melhor dentre os primeiros colocados)


EMELEC 3-2 FLAMENGO - Há uma semana analisamos o elenco do Flamengo para o Brasileirão (veja aqui) e novamente o rubro-negro insiste em querer contrariar nosso prognóstico. O culpado tem culpa: Joel Santana. A falta de tato para a Libertadores não devia ser tão latente no experiente e folclórico treinador. Novamente a defesa apresentou graves falhas principalmente nas bolas alçadas na área. Foram dois gols por este expediente e um de pênalti, aos 45 do segundo tempo. Contudo, quando o placar ainda anotava 1-2 para o Flamengo, Joel teve a brilhante ideia de sacar Deivid e colocar o zagueiro Gustavo. O resto é história. Agora, o Flamengo depende de um pequeno milagre. Tem que vencer o Lanús e torcer por um empate entre Olimpia x Emelec.

(Palpite: A "sorte" do Flamengo é que o Emelec chega ao Paraguai para enfrentar o Olimpia também sonhando com a classificação, o que pode criar problemas para os mandantes no último jogo. Sinceramente, eu acredito nesse milagre.)


HORIZONTE 1-3 PALMEIRAS - O Verdão tomou um susto ao sair atrás no placar mas virou e carimbou vaga para as oitavas-de-final da Copa do Brasil. Leandro Amaro fez dois e Maikon Leite, que entrou no decorrer da partida, salvaram o Palmeiras do mico de ter que fazer o jogo de volta. Barcos esteve apagado e foi substituído. Wesley também não fez nada que justificasse o investimento em seu futebol. Mas mais importante que tudo isso é o pulso de Felipão no time. Troca sem medo de ser feliz e aposta alto na busca pelo melhor resultado. Pode não fazer o Palmeiras ser visto como a menina dos olhos, mas faz com que a equipe chegue, no mínimo, devidamente respeitada.


KAKÁ - Titular do Real Madrid no duelo de volta pelas quartas-de-final contra o Apoel, Kaká foi bem novamente. Depois de decidir o primeiro jogo ao entrar, fazer gol e dar passe, o meia novamente fez bom jogo e ainda marcou um golaço na goleada por 5 a 2. Pouco a pouco Kaká recondiciona o preparo físico e mostra no campo que pode ser útil à Seleção. De fato, há uma vaga em aberto no meio-campo. Pode aproveitar a irregularidade de Ganso e o descaso de Ronaldinho para crescer com Mano. Ao meu ver, é a dose de cadência, experiência e lucidez que o meio-campo canarinho precisa.