A sova que Guarani e Ponte Preta aplicaram em Palmeiras e Corinthians, respectivamente, deixou a questão não tão óbvia no ar.
O Palmeiras viveu seus 20 e tantos jogos de invencibilidade. De repente, após a derrota para o rival na primeira fase, quando tomou 2 gols em três minutos, a equipe perdeu o chão. Tanto que terminou a primeira fase em 5º lugar.
Pior do que ser o único grande do Estado a não mandar seu confronto em casa, seu presidente votou a favor da divisão igual a mandantes e visitantes em detrimento da opção 60%-40% para o vencedor. Caiu mal para sua gestão. Preferiu receber mais 10% (que deve implicar numa verba mínima) em vez de sugerir um mínimo de apoio ao seu time.
A derrota por 3 a 2 para o Guarani colocou o trabalho de Felipão em xeque. Ao meu ver, embora o treinador tire leite de pedra, vencer o Bugre não deveria ser um bicho-de-sete-cabeças para o Palmeiras. O sistema defensivo foi muito mal, principalmente o lado esquerdo, que era a menina dos olhos do time.
Teria Deola falhado no gol olímpico de Fumagalli? Sim. Bola na pequena área é do goleiro. Perdeu o tempo da bola, se atrapalhou, se distraiu, enfim, há um leque de opções a serem escolhidas. Mas que falhou, falhou.
Essas pequenas coisinhas que se juntam formam uma bola de neve perigosa. Sistema defensivo ruim, técnico caro, falta de resultado, falha de Fulano, Beltrano, picuinhas políticas internas...o clima no Palmeiras é carregado por natureza. Agora, alcança um nível insuportável.
As crises internas refletem em campo de modo angustiante para qualquer um que acompanha o Palestra, infelizmente. O Palmeiras, nesta altura da temporada, creio que perde duas coisas: prestígio e respeito. Não deixa de ser um time grande, ainda que se esforce para não querer ser assim considerado. Contudo, não dá sinais de que luta para sair desta situação vexatória.
A Copa do Brasil ou uma boa campanha no Brasileirão podem apagar tal imagem? Não. Chega de boas campanhas, campanhas regulares ou aceitáveis. Mais do que nunca, o Palmeiras depende de títuloS. Plural.
Já o Corinthians também caiu por 3 a 2. No entanto, foi derrotado em casa. Fez um irreconhecível primeiro tempo quando foi dominado pela Ponte Preta. A Macaca trouxe uma proposta óbvia e, por incrível que pareça, deu certo.
Em que pese o mérito do clube campineiro ser louvável, ficou aquele gostinho de que o Timão só perdeu por (mais) uma tarde infeliz de seu goleiro.
Reproduzirei alguns comentários que teci em outros blogs de jornalistas renomados: Goleiro médio não serve para time grande. A verdade é bem essa, Julio César é mediano. É elástico, tem bons reflexos, mas falha constantemente em lances bobos. Ora rebate chutes defensáveis, ora erra o tempo da bola, calcula mal o chute, o salto, a saída de gol.
Não importa se é ético, se é de grupo, se é terrão, se é Corinthians. Júlio César teve todas as chances do mundo no gol do Timão para provar que a camisa 1 está em boas mãos. Entretanto, não consegue nem se convencer que é o melhor para tal posto.
Teve boas atuações no título brasileiro ano passado? Sim, com certeza. Mas o caneco deriva muito mais do ótimo sistema defensivo desenvolvido por Tite do que de suas intervenções.
Às vésperas do início do mata-mata da Libertadores, a conclusão que chego é que, pelas circunstâncias, o Corinthians perdeu mais na derrota para a Ponte do que o Palmeiras contra o Guarani. Embora a derrota sirva de lição para as partidas em casa e tenha vindo "em boa hora", o Timão ganha uma imensa interrogação sob as traves num momento crucial do torneio.
Defendo a substituição para o bem ou para o mal. Goleiro em má fase é um risco constante. Para piorar, Júlio César não tem grife, tampouco está em alta cota com a torcida. O momento propicia uma troca sem traumas. O risco existe com ou sem a troca. A troca dá o benefício do pensamento positivo, do "pode dar certo".
Além disso, ao substituir o goleiro cria-se uma potencial justificativa para eventual fracasso. O mesmo risco que Júlio César corre de ser o bode expiatório, o substituto será cobrado para ser, no mínimo, superior ao antigo queridinho.
Barrar o goleiro que já está habituado à pressão que sofre desde quando assumiu a titularidade pode queimá-lo? Certamente. Entretanto, deve-se ter em mente que o que está em jogo é o CLUBE, o TIME, e NÃO O JOGADOR. Caráter não ganha jogo. Talento e capacidade, sim, fazem a diferença. Infelizmente, as falhas cruciais em partidas importantes pesam contra o atual titular.
Por fim, deixo um questionamento: Qual dos rivais vai conseguir reverter o prejuízo primeiro?