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sábado, 22 de setembro de 2012

ENTREVISTA: Ademir da Guia, o Divino, responde:

Tive a oportunidade de participar de um evento no qual esteve presente Ademir da Guia, o Divino, candidato a vereador no município de São Paulo.

Entre fotos e autógrafos, pedi que Ademir respondesse uma única pergunta. Simples, direta e, talvez, aquela que todos (palmeirenses ou não) estejam se fazendo rodada após rodada.


- Divino, na sua opinião, o Palmeiras cai?


No áudio abaixo, a resposta:





quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Gilson Kleina à la Celso Roth

Muito comum ouvir por aí que há técnicos que, de tão instáveis, já estão ameaçados de demissão logo após a assinatura do contrato. Celso Roth é o exemplo mais usado. Adilson Batista outro mais recente. A gracinha popular faz mais uma vítima: Gilson Kleina, ex-Ponte Preta, é o escolhido para comandar o Palmeiras.

O fato do treinador ter firmado contrato com o Verdão até o final de 2013 não significa dizer que cumprirá pelo menos metade do acordado. Gilson Kleina terá pela frente um desafio interessantíssimo que poderá, dentro de 1 ano e 3 meses, colocá-lo no rol dos ótimos treinadores do Brasil e abandonar o rótulo de treinador de times pequenos/médios.

Caso livre o Palmeiras da degola, faça uma campanha digna na Libertadores, conquiste o Paulistão (quem sabe!) ou até deixe o Verdão no G-4 em 2013 a vida de Kleina mudará para sempre, com certeza. Será visto com novos olhos. Ainda que repita as fórmulas usadas nos times pequenos, tudo no futebol gira em torno de resultados.

Agora, por outro lado, eu não acredito que Kleina siga no Palmeiras se a equipe cair para a Série B. Embora o treinador tenha feito um bom trabalho na Macaca, inclusive conquistando o acesso para a Série A, não creio que a diretoria manterá o bastão com ele. Digo isso porque tenho ouvido de muitos palmeirenses que o time já está pensando em 2013, mesmo se for degolado.

Chego a essa simples conclusão porque qualquer um sabe que a bola da vez era Jorginho, atualmente no Bahia. Meu palpite é que Jorginho assuma o Palmeiras caso venha a cair. Kleina foi contratado por ser barato, não ser um nome de impacto e pelo desempenho que a Ponte Preta teve durante essas duas temporadas em suas mãos.

Gilson Kleina depende não apenas de um milagre, mas de um desempenho formidável para se manter no Palmeiras e quebrar o preconceito do torcedor ao ouvir seu nome.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Palmeiras deu com os porcos n'água e deve cair.

Até a rodada passada eu não estava lá muito convicto quanto a uma queda do Palmeiras à Série B. Agora, depois da derrota do Verdão para o Vasco, de virada, e o anúncio da demissão de Luis Felipe Scolari mudei de ideia. Tudo leva a crer que o destino do Palmeiras é novamente disputar a segundona em 2013.

A limitação da equipe palestrina sempre foi evidente. Nem o título da Copa do Brasil foi capaz de sacudir os ânimos do elenco e recolocar o Verdão no caminho da regularidade no Campeonato Brasileiro. Porém, não acredito que a saída de Felipão é a melhor alternativa para tirar o Palmeiras da zona da degola.

Em primeiro lugar porque não há substituto à altura de Scolari. Podem procurar, não tem. Há inúmeras opções medianas, mas de mediano já basta o elenco. Aliás, é justamente o elenco o ponto fraco da equipe. Ainda que se tenha um talento aqui outro ali, a grande verdade é que o grupo palmeirense tem muito jogador "maomeno".

Luan, Márcio Araújo, João Vitor, e até Valdívia entram no grupo de quem não tem bola para vestir a camisa do Palmeiras. O coitado do torcedor se ilude com uma jogadinha de efeito aqui, uma boa partida acolá do chileno e perdoa cada lesão ou omissão de seu "ídolo". Engraçado que os demais citados se esforçam muito mais e não são minimamente reconhecidos. São limitados, mas tem algo próximo de vergonha na cara.

Daí jogar a culpa inteira nas costas de Felipão parece covardia. Claro que o treinador também carrega sua parcela, como por pedir a contratação de um punhado de atletas mais estranhos ainda e logo depois dispensá-los sem muito alarde nem tantos testes.

Degolar o treinador era a última cartada que o Palmeiras poderia se dar o luxo de arriscar faltando 14 rodadas para o final do Brasileirão e precisando de um desempenho digno de campeão para tirar os 7 pontos que separam a desgraçada vice-lanterna e a 16ª posição.

Contudo, repito, se o Palmeiras está desse jeito com Felipão eu não quero nem imaginar como pode terminar sem ele.  Diante de tamanha instabilidade, da falta de pulso da diretoria, de união, comprometimento e confiança do elenco, não vejo outra saída senão a queda. 


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Rapidinhas

Resolvi pegar uma nota aqui outra dali que pipocou na internet durante esses dois dias e comentar brevemente alguns assuntos:

- Onde o Palmeiras quer chegar com a contratação de Leandro "Bochecha"? Ok, a equipe precisa de um reserva para a lateral e se trata de um atleta experiente, vivido e com passagem de relativo sucesso pelo próprio Verdão. Contudo, se o Palmeiras está realmente desesperado e em busca de reforços para evitar o rebaixamento por não confiar inteiramente em seu elenco, que busque jogadores que irão fazer a diferença.

Repito: não acho o time do Palmeiras essa draga toda como gostam de pintar. Nem o time, nem os reservas principais. Apesar de ficar à mercê do departamento médico, creio que seria plenamente possível acertar a equipe e escapar da degola com relativa tranquilidade. Insisto na tese de que falta seriedade e comprometimento com o presente, em vez de seguir sonhando com a Libertadores-13.


- Gosto muito do Túlio Maravilha. Sério. O cara conhece a brincadeira e foi um matador de primeira. Agora, esse carnaval que está fazendo em busca do milésimo gol é um tanto humilhante diante de uma carreira tão rica. Porém, dou meu braço a torcer, se for verdade o que dizem a respeito de sua condição física, poderia reforçar o elenco profissional do Botafogo com um pé amarrado nas costas. 

O Fogão do dia para a noite perdeu Loco Abreu e Herrera. Ficou sem referência na área e não tinha um homem-gol à disposição. Elkesson é bom jogador, quebra um galho, mas é meia de origem. Então, por que não colocar o Túlio lá? O Botafogo já fez tanta coisa mais bizonha, como insistir no Jobson um punhado de vezes...


- Deivid foi contratado pelo Coritiba. De longe, é o melhor atacante do grupo. Vale lembrar que o Coxa foi castigado na final da Copa do Brasil 2011 por não saber aproveitar dignamente as chances ofensivas que teve. É uma equipe que cria muito, mas peca demais nas conclusões. Nem vale a pena entrar na discussão sobre a arbitragem da primeira partida. Os gols perdidos nos primeiros 30 minutos de jogo deveriam ser passíveis de treino extra no "paredão".


- Essa polêmica do MMA que circula sobre a sequência interminável de "arregadas", ao meu ver, não tem fundamento. Jon Jones fez certo ao recusar a luta contra Sonnen, já que o falastrão (para não dizer coisa pior) tomou dois coros do Anderson Silva na decisão dos médios. Então, não é razoável que tivesse uma chance de disputar outro cinturão logo de cara.

Machida e Shogun não abriram mão de seus descansos pós-combate e antecipar a preparação poderia acarretar riscos desnecessários aos atletas. Tanto de lesão como de preparo técnico. Afinal, Jones é um cara muito talentoso. Daí colocar Belfort ou seja lá quem fosse é um problema da organização e a escolha pelo brasileiro não me parece de todo mal. Boa jogada de Dana White, que aproveita a febre brasileira no esporte e vai arrecadar uns bons trocados.


- O problema do São Paulo é aquele sistema defensivo sofrível e a diretoria insiste em focar em reforços para o ataque. Ganso é um meia de talento indiscutível e de temperamento misterioso. Ou seja, pode ser uma grande contratação, mas, no momento, é desnecessária. Jadson, bem ou mal, vai acumulando assistências e subindo de produção pouco a pouco. Evidente que o meia santista e o atual camisa 10 tricolor podem jogar juntos. Porém, ao meu ver, seria um suicídio tático na parte defensiva, que já fica bastante exposta com dois volantes e um meia que mais fica do que vai.

Ney Franco teria que fazer um milagre para acertar o sistema defensivo sem prejudicar o rendimento da possível dupla de armadores. Ou provar que a melhor defesa é o ataque.


- Adriano, mais uma vez, vai decepcionando quem tanto apostou nele. Eu fico decepcionado com quem ainda aposta em sua recuperação.

sábado, 1 de setembro de 2012

Abra os olhos, Palmeiras!

Há dez anos o filme se repetia. Lembro de ver um Palmeiras com alguma qualidade individual, jogadores renomados, consagrados, mas uma equipe que não conseguia deslanchar. Vieram derrotas, empates, as vitórias passaram a se tornar artigos de luxo e então, quando as rodadas finais do Brasileirão 2002 se aproximavam, logo bradavam: "cai nada!" "olha a camisa!" "Palmeiras! Uma hora ganha!" Só que não ganhou. 

Para essa geração mais recente, na qual me incluo, a queda do Palmeiras foi um grande marco para o futebol, pois mostrava que um clube grande tem totais condições de ser rebaixado caso não apresente minimamente os fundamentos básicos em campo.

Adeus para aquela balela de que a camisa pesa. Vale lembrar que naquele mesmo campeonato o Botafogo caiu junto com o Verdão. Pior, foi o lanterna, e ficou a 3 pontos de sair. (quatro, se levarmos em conta critérios de desempate). O Palmeiras? Antepenúltimo, 1 ponto atrás do Paraná, 22º colocado.

Bacana notar que nos anos seguintes houve uma reação em cadeia com o rebaixamento de outros times de expressão, como: Grêmio, Atlético Mineiro, Corinthians e Vasco.

E o Palmeiras 2012 lembra alguma coisa do Palmeiras 2002. Não era um time exatamente ruim. Ninguém acreditava piamente que o Verdão seria rebaixado assim, sem mais nem menos. Mas, como diz Muricy Ramalho, a bola pune.

Se falta seriedade no trabalho, se os atletas já estão se imaginando na Libertadores-13 curtindo a extensa ressaca do título da Copa do Brasil, se o grupo está rachado, não importa. O ponto crítico é reconhecer já que o Palmeiras é candidato forte ao rebaixamento.

Quanto antes o Palmeiras acordar e perceber que está a 4 pontos do Bahia, 16º colocado e primeiro fora da zona da degola, melhor. O equilíbrio e a dificuldade do Brasileirão mostram que não é simples fazer acontecer uma arrancada excepcional como o Fluminense conseguiu em 2009.

Aliás, depois do Bahia, o Coritiba está mais dois pontos à frente. Ou seja, não basta simplesmente escapar da 17ª posição, é distanciar da zona ou passar mais 18 rodadas com o fantasma do rebaixamento na cola.

Agora, Palmeiras, não há fórmula ou esquema tático para resolver tal problema. Há coração.



(OBS: 2002 foi o último campeonato do formato híbrido. Primeira fase de pontos corridos em turno único e mata-mata envolvendo os 8 melhores colocados. Inclusive, o campeonato contava com 26 equipes. Hoje, o Brasileirão conta com somente 20 clubes.)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Por um futuro melhor

Há anos o torcedor do Palmeiras esperava um Título. É, maiúsculo assim. A lembrança da Libertadores de 1999 e o Paulistão de 2008 apenas atormentavam a ânsia por um triunfo nacional decente. Finalmente, o sofrimento acabou na noite desta quarta-feira. O Palmeiras é campeão da Copa do Brasil de 2012 e carimba presença na Libertadores-2013!

Tal como o rival na Libertadores, o Palmeiras fez uma campanha irretocável nesta Copa do Brasil e terminou a competição invicto. Felipão deu nova demonstração de sua 'copeirice' e conquistou pela 4ª vez o torneio.  

Pobre Coritiba. Novamente fez bela participação, chegou pelo segundo ano consecutivo à final, partida decisiva em casa, fez uma senhora festa e, de novo, foi derrotado por uma equipe que soube aproveitar melhor seus pontos fracos: a defesa e a displicência nas finalizações.

Por toda Copa do Brasil, o Palmeiras foi Palmeiras e, sobretudo, um retrato fiel do que Felipão é capaz de fazer. Tirar de um elenco razoável um bom time, organizado e extremamente competitivo. A Copa do Brasil permite que Scolari faça o que adora: trancar sua equipe atrás, travar o adversário e sair no contra-ataque. 

Durante os 180 minutos desta final, o duelo verde teve o Coritiba no comando ofensivo e um cauteloso Palmeiras aguardando o melhor momento de avançar. A produção do ataque do Coxa impressionava na mesma proporção em que os atletas insistiam em desperdiçar boas chances de gol.

A bola parada, velha e fiel companheira, comprou a briga com o Palmeiras e resolveu agir. Responsável pelos dois gols na partida de ida, ameaçou trair seu mestre Assunção quando Ayrton marcou belo gol de falta e abriu o placar para o Coritiba.

Contudo, Palmeiras é Palmeiras e Felipão é Felipão. Num jogo de pontuais oportunidades de gol, o Coritiba mal teve fôlego para comemorar. Assunção e a bola parada logo se entenderam e eis que a redonda encontra a cabeça do predestinado e tão criticado Betinho. 

A igualdade no placar forçava o Coxa a fazer mais 3 gols. No Palmeiras de Felipão? Impossível! 

Título, vaga na Libertadores e esperança em retomar o gosto pelas conquistas. Paz entre time e torcida. Prêmio ao trabalho de Felipão, que realizou um pequeno milagre e levantou um caneco quando todos mais duvidavam da capacidade do Verdão. 

Daqui em diante o que não pode ocorrer é a acomodação. Deixar a ambição morrer pode transformar o Palestra numa equipe que vive de conquistas-cometas. O clube, entendo eu, tem a obrigação de reduzir a qualquer custo os conflitos políticos internos e, de imediato, convencer Felipão a permanecer no time, no mínimo, até o ano que vem. Libertadores vem aí e o maior inimigo estará lá, tal como em 99 e 2000. Ao meu ver, o treinador é peça fundamental tanto quanto Assunção ou Henrique.

Mas hoje é comemoração. E à parte a festa mais que merecida, o Palmeiras tem nas mãos uma oportunidade única em voltar a se tornar um protagonista no cenário do futebol brasileiro e, quem sabe, internacional. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O canto do porco

Vibrante e eficiente. Esse é o Palmeiras da Copa do Brasil. Desorganizado e displicente. O mesmo Palmeiras, mas do Campeonato Brasileiro. Enquanto curte a expectativa de erguer uma taça após 4 anos de jejum, amarga a lanterna da principal competição nacional. No meio do tiroteio, Felipão já anunciou que sai no final do ano. Ou seja, neste cruel 2012, o Palmeiras dá seu canto de cisne com Scolari.

Há quem diga que o mal do Palmeiras seja o Felipão. Outros defendem que a diretoria é a maior culpada pelo momento do time. Os problemas financeiros construídos pelas gestões anteriores também encontram quem levante sua bandeira. Fato é que: ruim com Scolari, pior sem ele.

Seu estilo turrão e explosivo casou direitinho com os ânimos exaltados da colônia palestrina. O casamento perfeito teve direito a muitos títulos, inclusive a Copa Libertadores de 1999. Na ressaca dos esquadrões montados pela Parmalat, Felipão montou um Palmeiras aguerrido e de muita qualidade no trato da redonda.

Agora, sem Junior na esquerda ou Alex no meio, o treinador retorna às origens para formar um time copeiro na essência. Técnica? Não, obrigado. Daqui para frente, o que conta é coração e competência.

A Copa do Brasil reflete o tipo de torneio que Felipão adora. Qualquer time minimamente organizado e com vibração pode levar a melhor. Pseudo-retranqueiro, Scolari posta bem seu time atrás e aposta na bola parada de Assunção e na velocidade de Luan e Maikon Leite para a bola chegar até Barcos e dele para o gol. Fórmula simples. Mata-mata é assim, fazer o que?

Curioso é que os titulares que fazem do simples uma grande magia na Copa do Brasil sofrem no Brasileirão. As formações tiveram somente alterações pontuais - quando tiveram - e o mesmo time capaz de bater o Grêmio em pleno Olímpico conquistou somente DOIS pontos em DEZOITO disputados. Surreal, até mesmo para o Palmeiras.

Tapando o sol com a peneira, o porco volta seus olhos para o que realmente interessa. 4 anos sem título, sendo que o último troféu foi o Estadual sem graça é animador. No banco, um Felipão à espera de um triunfo recente para repaginar seu vitorioso currículo. Um treinador que não precisa provar mais nada pra ninguém, muito embora seus últimos trabalhos não tenham sido empolgantes.

Só que todo carnaval tem seu fim. Para não morrerem abraçados, Palmeiras e Felipão são cúmplices na tentativa de modificar presente e futuro às vésperas da dolorosa despedida. A tensão em ver aquele time limitado sem a energia de Felipão deixa uma interrogação no ar para os próximos anos. 

O título pode recolocar Palmeiras no eixo. O vice pode afundar o clube na agonia em que vive há algumas temporadas. Mesmo assim, está longe de ser candidato forte a rebaixamento. Não é medíocre como pintam e nem aquela maravilha toda do início do ano. Mas é o Palmeiras com Felipão e na Copa do Brasil. Juntos, podem encerrar dignamente uma história que já teve seus dias melhores. 




segunda-feira, 18 de junho de 2012

Ídolos

A invasão do futebol pela trupe de empresários e grupos de investimentos trucidaram os últimos resquícios de amor à camisa colocando valores exorbitantes de transferências e salários acima de qualquer sentimento que o atleta possa cogitar sentir. Diante de um cenário que molda o pensamento do jogador a buscar o quanto antes uma transferência ao exterior e obsta o surgimento de ídolos, os termos "ídolo" e "craque" foram perigosamente banalizados.

Levando-se em conta que é mais razoável compreender quando uma jovem promessa realmente desponta e eleva-se ao status de craque, prefiro focar na questão da relação ídolo x torcida. Aliás, esta sabe bem como e quem ungir como ídolo. Contudo, em um universo dinâmico como o futebol, prefiro classificar os ídolos em duas categorias: os ídolos históricos e os ídolos passageiros.

No primeiro grupo encontram-se os principais jogadores responsáveis por marcos e glórias do clube. Para figurar neste seleto rol a primeira condição indispensável é ter conquistado títulos. Óbvio que me refiro a títuloS, no plural, e faço um adendo: títulos de expressão.

Superada a primeira condicionante pode-se aplicar alguns fatores relativizantes, por exemplo, número de jogos com a camisa do time, número de gols marcados. Enfim, fatores secundários que justifiquem direta e claramente por que aquele sujeito foi tão importante para aquela agremiação. O vínculo de identificação também é imprescindível.

Por outro lado, e já entrando na realidade do futebol brasileiro, há os ídolos passageiros. Aqueles jogadores que ficam lá suas 3-4 temporadas no time, mal conquistam títulos (por vezes nenhum, ou um ou dois em caráter regional e olhe lá - logo, praticamente sem expressão), não alcançam marcas expressivas, mas cativou a torcida seja por sua habilidade, seus gols, sua irreverência, seu gênio, enfim. Um belo dia são negociados, dali uns anos bate a saudade, voltam e a lua-de-mel entre jogador e torcida novamente é restabelecida.

O que deve ficar claro até aqui, e talvez muitos já tenham compreendido, é que o ídolo passageiro, a rigor, não é um ídolo propriamente dito. Usa-se o termo, muito embora não o seja. Ele é o ícone de um tempo, mas não um ídolo consagrado. A polêmica surge quando se colocam todos - históricos e passageiros - no mesmo cesto.

Talvez os melhores exemplos para ilustrar a questão sejam Kaká e Valdívia, eternamente vinculados a São Paulo e Palmeiras, respectivamente. É possível enquadrar o meia merengue como um ídolo efetivo da história tricolor? Na minha opinião, hoje, não. Aparição meteórica, título Rio-São Paulo, aquele Super Paulistão estranho de 2002, um punhado de grandes atuações, uma porção de eliminações e foi-se para o Milan. Que legado deixou em seu favor senão as lembranças de um tempo em que o São Paulo era conhecido como "time de pipoqueiro"?

E Valdívia? Chegou, arrebentou, ganhou o Paulistão de 2008, saiu para as Arábias e voltou sem apresentar o mesmo futebol. Seus chutes no ar, polêmicas e uma boa atuação aqui outra ali conferem um green card para figurar junto a Marcos, Evair, Edmundo etc? Repito: não. Com a grandeza que o Palmeiras ostenta, não é crível que um jogador tão instável e de currículo tão pobre possa ser endeusado como é. O palestrino precisa de títulos grandiosos, e da conquista destes seus ídolos naturalmente brotem.

Quem vive uma situação delicada é Luis Fabiano. Com 141 gols, é o oitavo maior artilheiro da história do São Paulo. Sonha superar a marca de Serginho Chulapa que lidera com 242 tentos. Porém, mais do que a artilharia, tenta ingressar no palco de ídolos pelos títulos. De que adianta ser o maior artilheiro se tudo que se tem são duas conquistas regionais mequetrefes?

Títulos ficam tatuados na memória do torcedor. No fundo, pouco importa quem fez mais jogos, mais gols, ficou mais tempo no comando da equipe. No frigir dos ovos, contam-se as conquistas, os triunfos, os troféus. O reconhecimento de quem é lembrado como um vencedor dura para sempre não sendo preciso a ajuda de um almanaque.








sexta-feira, 15 de junho de 2012

São Paulo com um pé na final. Palmeiras virtualmente classificado.

A grande fase do futebol paulista não se reflete somente na Libertadores com Corinthians x Santos disputando uma vaga na final. A Copa do Brasil também pode ter um clássico paulistano em sua final. Palmeiras e São Paulo venceram as partidas de ida e jogam por empates para avançarem à decisão.

Na quarta, o Verdão fez bonito. Foi até o Sul encarar o Grêmio de Luxemburgo e Kleber. Quando a partida encaminhava para um truncado empate sem gols, a estrela palestrina brilhou. Mazinho aos 41 e Barcos aos 45 minutos do segundo tempo decretaram o triunfo por 2 a 0 e praticamente garantiram sua vaga na finalíssima.

Nesta noite, o São Paulo recebeu o perigoso Coritiba e passou apuros. Mais ainda quando Paulo Miranda novamente comprometeu o rendimento da equipe ao ser expulso por uma voadora estúpida aos 13 da segunda etapa. O Coxa era mais organizado e chegava com perigo. Conseguiu até carimbar o travessão de Denis. Mas, Lucas, em linda jogada individual, marcou um golaço aos 44 minutos do segundo tempo e salvou o Tricolor de um tropeço em casa.

Sejamos francos e deixemos um pouco de lado a nem tão batida assim tese de que o "futebol é uma caixinha de surpresas": O Palmeiras praticamente garantiu sua vaga. O São Paulo vai sofrer mais 90 minutos e tende a avançar, dada a vantagem conquistada.

Já vivemos demais sobre o muro em muitos aspectos. Minha proposta aqui é cutucar, arriscar, manifestar minha opinião, meu pensamentos, meus achismos sem ter tanto compromisso com o discurso polido e politicamente correto de quem ama colocar um "e se" em qualquer hipótese.

Óbvio que há situações em que a cautela merece ser levada em conta, como é o caso do Tricolor, que venceu por somente 1 a 0. Leva a vantagem do empate e de não ter sofrido gol em casa. Tratando-se de um clube com a grandeza e qualidade do São Paulo, sem dúvida é uma missão ingrata. Mas o Coritiba, ao meu ver, mesmo mais fraco em relação à campanha que culminou no vice da própria Copa do Brasil em 2011, pelo que apresentou esta noite pode surpreender.

Tivesse um pouco mais de qualidade no ataque, mais capricho na organização ou nas conclusões e o Coxa poderia ter feito, pelo menos, dois gols. Incontáveis vezes finalizou em posição frontal ao gol e falhou. No Couto Pereira, se repetir a atuação de hoje e acertar pequenos detalhes ofensivos, pode vencer, levar o jogo aos penais, ficar com vaga, até.

Bem diferente é a situação do Palmeiras. Derrotou o copeiro Grêmio em pleno Olímpico por uma significativa diferença de 2 gols. E sem levar nenhum. Ou seja, os gaúchos terão que vir arrancar a vaga do colo do Verdão. Pior ainda é ver que no banco está Felipão, que sabe como poucos fazer seu time jogar bem trancadinho e dificultando cada movimento do adversário.

Pela consistência com a qual o Palmeiras atua na Copa do Brasil, ainda que sua defesa não seja aquele paredão intransponível, a vaga está assegurada. No entanto, já não se pode dizer o mesmo do instável São Paulo, que insiste em dar sopa para o azar e brincar com a própria sorte. O magro placar feito em casa reserva emoção aos tricolores.

Por fim, só para não dizer que fiquei no muro quanto a um palpite para a final, cravo o clássico Choque-Rei na decisão!

terça-feira, 8 de maio de 2012

O porco subiu no telhado.

Desmanche não. Reformulação. É um termo mais pomposo e menos traumático para referir-se àquelas mudanças providenciais no elenco. O Palmeiras, que deixou bem encaminhada sua classificação às quartas-de-final da Copa do Brasil, passa por uma. A 12 dias do início do Brasileirão, seis atletas já saíram (o que comprometeu consideravelmente nossa Análise de Elenco, veja aqui) e nada de reposição. Sinal amarelo piscante pelos lados do Palestra...

Tinga, Gerley, Fernandão, Ricardo Bueno, Chico e Pedro Carmona foram os escolhidos para puxar a fila. Se o intuito era deixar o elenco mais enxuto, a diretoria acertou em cheio. Agora, se a ideia era substituir peças não muito boas por outras melhores não é o que parece até aqui.

Felipe, que estava no Mogi, volta de empréstimo. Mazinho e Fernandinho vieram do Oeste. Com todo o respeito aos recém-chegados, o Palmeiras hoje precisa de alguém que chegue, vista a camisa e resolva. Pá-pum! Para ontem. 

Podem surpreender e calar todos que observam suas qualidades com canto de olho? Sim. Só que uma coisa não tira a necessidade de outra. São rapazes que se destacaram em agremiações menores e, de repente, caem de para-quedas num clube grande, de torcida e diretoria apaixonadas sendo que ambas, invariavelmente, perdem o controle ou a noção em suas manifestações.

É bem verdade e merece a devida consideração que o momento financeiro do clube não permite extravagâncias. E isso, apesar de ir de encontro ao que disse acima, obriga o Verdão a fazer suas apostas. Só que me chama atenção o clube ter dispensado alguns atletas que, ao meu ver, seriam perfeitamente úteis dentro do elenco.

Fernandão, grandalhão, pouca mobilidade, referência na área. Pode não ter a estrela de um Washington e, mesmo contestado e na reserva, marcou 3 gols no Paulistão. Um deles na virada contra o Santos. No aperto, joga ele na área! Segura até o final da temporada ou até encontrar alguém melhor, com as mesmas características.

Chico, volante, cabeça-de-área, alto, pegador. Limitado? Com certeza. Mas era alguém! Aumentava a pegada no meio e ajudava na bola aérea. Foi pouco aproveitado, foi inconstante quando entrou, mas era alguém!

Além de Fernandão e Chico, estaria propenso a segurar Carmona no elenco nem que fosse para dar uma derradeira chance. Ele é tão pior assim que Felipe? No mais, concordo com os afastamentos.

Belluzzo arrombou os cofres do Palmeiras? Sim. Mas gastou com Valdívia, Kleber, Muricy, Diego Souza, Vagner Love. Por que não deu certo? A defesa era ruim? Não havia reposição? Boicote do elenco? Sei lá, escolham uma desculpa aí.

Tirone herdou o clube falido e, na sua única manobra mais ousada, foi traído pelo acaso. Ah, Wesley...que hora para se lesionar! Em seguida, eliminação para o Guarani. Pronto. Caos.

E no meio do turbilhão, sobrou voltar os olhos para a política do "bom e barato" - também conhecida como "peloamordedeus dê certo" - foi a única saída para buscar controlar a crise. 

Vale lembrar que o time do Palmeiras continua competitivo. Contudo, o elenco está perigosamente fragilizado, principalmente o meio-campo. Sem grandes opções, só resta aguardar o início do Brasileirão, a vinda de mais um ou outro reforço e ver quais surpresas esses jogadores preparam para a torcida.

(Em tempo: Mantenho o palpite. Palmeiras, mesmo com forte tendência a ficar na zona intermediária, vai brigar por uma vaga na Libertadores)









segunda-feira, 23 de abril de 2012

Quem perdeu mais, Corinthians ou Palmeiras?

A sova que Guarani e Ponte Preta aplicaram em Palmeiras e Corinthians, respectivamente, deixou a questão não tão óbvia no ar.

O Palmeiras viveu seus 20 e tantos jogos de invencibilidade. De repente, após a derrota para o rival na primeira fase, quando tomou 2 gols em três minutos, a equipe perdeu o chão. Tanto que terminou a primeira fase em 5º lugar.

Pior do que ser o único grande do Estado a não mandar seu confronto em casa, seu presidente votou a favor da divisão igual a mandantes e visitantes em detrimento da opção 60%-40% para o vencedor. Caiu mal para sua gestão. Preferiu receber mais 10% (que deve implicar numa verba mínima) em vez de sugerir um mínimo de apoio ao seu time.

A derrota por 3 a 2 para o Guarani colocou o trabalho de Felipão em xeque. Ao meu ver, embora o treinador tire leite de pedra, vencer o Bugre não deveria ser um bicho-de-sete-cabeças para o Palmeiras. O sistema defensivo foi muito mal, principalmente o lado esquerdo, que era a menina dos olhos do time. 

Teria Deola falhado no gol olímpico de Fumagalli? Sim. Bola na pequena área é do goleiro. Perdeu o tempo da bola, se atrapalhou, se distraiu, enfim, há um leque de opções a serem escolhidas. Mas que falhou, falhou. 

Essas pequenas coisinhas que se juntam formam uma bola de neve perigosa. Sistema defensivo ruim, técnico caro, falta de resultado, falha de Fulano, Beltrano, picuinhas políticas internas...o clima no Palmeiras é carregado por natureza. Agora, alcança um nível insuportável.

As crises internas refletem em campo de modo angustiante para qualquer um que acompanha o Palestra, infelizmente. O Palmeiras, nesta altura da temporada, creio que perde duas coisas: prestígio e respeito. Não deixa de ser um time grande, ainda que se esforce para não querer ser assim considerado. Contudo, não dá sinais de que luta para sair desta situação vexatória.

A Copa do Brasil ou uma boa campanha no Brasileirão podem apagar tal imagem? Não. Chega de boas campanhas, campanhas regulares ou aceitáveis. Mais do que nunca, o Palmeiras depende de títuloS. Plural. 

Já o Corinthians também caiu por 3 a 2. No entanto, foi derrotado em casa. Fez um irreconhecível primeiro tempo quando foi dominado pela Ponte Preta. A Macaca trouxe uma proposta óbvia e, por incrível que pareça, deu certo. 

Em que pese o mérito do clube campineiro ser louvável, ficou aquele gostinho de que o Timão só perdeu por (mais) uma tarde infeliz de seu goleiro. 

Reproduzirei alguns comentários que teci em outros blogs de jornalistas renomados: Goleiro médio não serve para time grande. A verdade é bem essa, Julio César é mediano. É elástico, tem bons reflexos, mas falha constantemente em lances bobos. Ora rebate chutes defensáveis, ora erra o tempo da bola, calcula mal o chute, o salto, a saída de gol.

Não importa se é ético, se é de grupo, se é terrão, se é Corinthians. Júlio César teve todas as chances do mundo no gol do Timão para provar que a camisa 1 está em boas mãos. Entretanto, não consegue nem se convencer que é o melhor para tal posto. 

Teve boas atuações no título brasileiro ano passado? Sim, com certeza. Mas o caneco deriva muito mais do ótimo sistema defensivo desenvolvido por Tite do que de suas intervenções. 

Às vésperas do início do mata-mata da Libertadores, a conclusão que chego é que, pelas circunstâncias, o Corinthians perdeu mais na derrota para a Ponte do que o Palmeiras contra o Guarani. Embora a derrota sirva de lição para as partidas em casa e tenha vindo "em boa hora", o Timão ganha uma imensa interrogação sob as traves num momento crucial do torneio.

Defendo a substituição para o bem ou para o mal. Goleiro em má fase é um risco constante. Para piorar, Júlio César não tem grife, tampouco está em alta cota com a torcida. O momento propicia uma troca sem traumas. O risco existe com ou sem a troca. A troca dá o benefício do pensamento positivo, do "pode dar certo".

Além disso, ao substituir o goleiro cria-se uma potencial justificativa para eventual fracasso. O mesmo risco que Júlio César corre de ser o bode expiatório, o substituto será cobrado para ser, no mínimo, superior ao antigo queridinho.

Barrar o goleiro que já está habituado à pressão que sofre desde quando assumiu a titularidade pode queimá-lo? Certamente. Entretanto, deve-se ter em mente que o que está em jogo é o CLUBE, o TIME, e NÃO O JOGADOR. Caráter não ganha jogo. Talento e capacidade, sim, fazem a diferença. Infelizmente, as falhas cruciais em partidas importantes pesam contra o atual titular.

Por fim, deixo um questionamento: Qual dos rivais vai conseguir reverter o prejuízo primeiro?

domingo, 22 de abril de 2012

Paulistão 12 - Quartas-de-final

Finalmente o Paulistão começou! Começou e, para alguns, já terminou.

Após exaustivas 19 rodadas, a fase do "mata" começou. Mata porque as quartas-de-final e as semi-finais do Paulistão são decididas em somente uma partida. Como toda decisão de partida única, a zebra sempre fica a postos querendo aparecer. Neste Paulistão ela deu o ar da graça e tirou logo dois dos grandes favoritos ao título. 

Vale dizer que a moda de termos gols nos minutos finais foi seguida. Nas partidas deste domingo, 4 gols marcados nos últimos 5 minutos.

Enfim, abaixo uma breve resenha sobre os quatro confrontos, quem pega quem nas semi-finais do torneio e o palpite do blog:


CORINTHIANS 2 x 3 PONTE PRETA - Olha a zebra aí. Ou melhor, a macaca. A Ponte aprontou para cima do favorito Corinthians e eliminou o Timão em pleno Pacaembu. Foi uma partida madura da Macaca. Ocupou bem os espaços, travou as investidas do Timão e armou a equipe para explorar os contra-ataques. A proposta escancaradamente defensiva deu certo. Porém, contou com a colaboração direta do goleiro Julio César. Willian Magrão abriu o placar após cobrar falta de longe e o arqueiro aceitar o tiro. A bola passou no curto espaço que havia entre ele e a trave. Falha feia nº 1. Quando o Timão melhorava na partida, veio a ducha de água fria. Uendel recebeu na esquerda e mandou a área. Roger antecipou-se à marcação e desviou fora do alcance de Julio César. No segundo tempo só deu Corinthians. Na base da pressão, Willian diminuiu aos 29 minutos em chute cruzado. Porém, novamente Julio César contribuiu com o adversário. Depois de bater mal um tiro de meta, Rodrigo Pimpão foi lançado na esquerda. Enquanto o goleiro saía desesperado, Pimpão bateu por baixo e só não morreu na rede porque Ralf tentou afastar. Em vão. Já havia ultrapassado a risca e a Ponte ganhava fôlego para suportar os últimos minutos. Até parece. No minuto seguinte, Alex recebeu de frente para o gol e mandou no ângulo de Bruno. A bola bateu na trave direita e entrou sem chances para o bom goleiro da Ponte. A dramática partida terminou com a heroica classificação da Ponte que, embora não tenha tido maior volume de jogo, seguiu seu roteiro à risca de maneira muito competente. Aproveitou as oportunidades que teve e, mesmo sofrendo 2 gols, defendeu-se bem. O revés acende parcialmente a luz amarela no Timão. Ainda que esta derrota seja mais uma a ser colocada na conta de seu goleiro mediano, joga na cara da equipe que é preciso mais atenção a detalhes em jogos decisivos.


GUARANI 3 x 2 PALMEIRAS - O confronto mais parelho das quartas-de-final terminou com a classificação também homérica do Guarani. O Palmeiras contava com o retorno de Luan e deixava Valdívia no banco. Nada que significasse maior poderio ofensivo. Depois de um primeiro tempo bastante truncado com chances perdidas dos dois lados, a segunda etapa naturalmente ganhou emoção visto que a igualdade levava aos pênaltis. E põe emoção nisso! Apenas 9 minutos após a bola voltar a rolar 3 gols foram marcados. Aos 6, Fumagalli fez um golaço. Olímpico. Simples assim. Bateu o córner da esquerda, a bola bate no 2º pau e morreu na rede. No lance seguinte, escapada de Oziel pela direita que cruzou para Fabinho só empurrar para o gol. A resposta do Palmeiras foi imediata. Luan bate cruzado e Marcos Assunção completa o rebote. 2 a 1 e dá-lhe drama! A partida continuou lá e cá, ambos times com suas chances de gol. O Verdão da capital pressionava enquanto o Bugre era mais comedido no avanço. Contudo, o Palmeiras não conseguiu vencer o relógio e o nervosismo. Aos 45 minutos, bola boba perdida pelo lado esquerdo sobrou para Oziel orquestrar outro contra-ataque pela direita. O cruzamento atravessou a área e encontrou Fabinho, sozinho, que deu a vaga ao Bugre. Deu tempo para Henrique diminuir para o Palmeiras e dar números finais ao placar: 3 a 2. Apesar da insistência no jogo pelos flancos e nas bolas cruzadas, Vadão conseguiu bloquear bem a criação palestrina e levou o Bugre às semi-finais. O Palmeiras mostrou sérios problemas defensivos e limitação no meio-campo. As laterais tão elogiadas, foram o calcanhar de aquiles de equipe. Juninho teve uma noite para esquecer. O miolo de zaga deixou os atacantes do Bugre invadirem sem incômodo. Felipão terá trabalho para o Brasileirão...


Semi-final: Guarani x Ponte Preta. 

Palpite: O dérbi campineiro promete. Ao derrubarem o dérbi da capital, Guarani e Ponte atraem os holofotes para uma semi-final digna de anos 70-80. O Bugre leva ligeira vantagem por jogar em casa. Vadão faz um trabalho excepcional no Guarani e conta com lado direito muito bom, além da experiência de Fumagalli e do oportunista Fabinho. Nome a nome, a Ponte tem um time mais interessante. Tanto que foi recém-promovida à Série-A do Brasileirão e terá o São Paulo pela frente na Copa do Brasil. Ambos estão em momento ótimo, mas apostarei no fator momento e no diferencial do mando de campo: Guarani. 

OBS: A expectativa que envolve o dérbi campineiro tem uma preocupação por trás: violência. Invariavelmente o clássico maior de Campinas é repleto de violência, mortes e incidentes entre as torcidas. Esperamos que a partida transcorra normalmente, com a devida segurança.


SÃO PAULO 4 x 1 BRAGANTINO - No sábado, o São Paulo inaugurou as quartas-de-final e classificou-se sem sustos. A goleada sobre o Bragantino foi construída na base de muita velocidade e bom aproveitamento nas finalizações. O grande destaque da partida foi Luis Fabiano, autor de dois gols, sendo um deles numa primorosa cobrança de falta. Além disso, o matador tricolor perdeu um pênalti e tomou um bobo cartão amarelo que o suspende para o confronto das semi-finais. Fernandinho e Osvaldo fecharam a conta. Destaque para as assistências de Jadson para Fernandinho e de Casemiro para o segundo gol de Fabuloso. Passes precisos para as finalizações. No mais, não há muito que se alongar. O resultado traduz a superioridade do São Paulo no duelo. No entanto, o gol do Bragantino nasceu em bola alçada na área. O Tricolor precisa ter mais atenção nesse tipo de lance. 


SANTOS 2 x 0 MOGI MIRIM - Passeio discreto do Santos. Foi uma partida burocrata, sem qualquer ameaça à superioridade do Peixe. Logo aos 22 da primeira etapa, Neymar fez lindo lançamento que encontrou a cabeça de Maranhão na entrada da área. O cabeceio cruzado enganou o goleiro e fez a alegria do Peixe. No segundo tempo, Neymar fez das suas. Recebeu pela direita, driblou a zaga do Mogi como quis e tocou no canto para fechar o placar. Agora, antes de decidir uma vaga na final, encara o Bolívar na altitude no duelo de ida válido pelas oitavas-de-final da Libertadores.


Semi-final: São Paulo x Santos.
Palpite: O Tricolor não terá Luis Fabiano. O Peixe irá à Bolívia encarar a altitude pela Libertadores. Será o duelo de um São Paulo desfalcado contra um Santos possivelmente baleado pela desgastante viagem. Ao meu ver, mesmo ciente da falta que Fabuloso faz ao ataque do São Paulo, vale ressaltar que o time baseia seu ataque na velocidade. Fernandinho, Osvaldo e Lucas podem infernizar a zaga do Santos, não tão veloz. E tem Willian José, que não é a mesma coisa, mas já anotou 10 gols no Paulistão. Do outro lado, há Neymar, Ganso, Muricy e Cia., a força do conjunto, do entrosamento, enfim, indiscutivelmente fazem a diferença. Bom, já que clássico é clássico e vice-versa, ainda que Leão faça um bom trabalho no comando do SPFC, os vacilos defensivos não serão perdoados. Santos avança.


Enquanto aguardamos ansiosamente o próximo domingo, recomendo a seção "Análise de Elenco" na qual já passaram os seguintes clubes: Corinthians, Palmeiras, Ponte Preta.

sábado, 14 de abril de 2012

Análise de Elenco - Palmeiras

Entrando na reta final da seção "Análise de Elenco", chegou o momento de discutirmos um dos clubes mais tradicionais do Brasil. Octacampeão nacional, o Palmeiras não vence o Brasileirão desde o bicampeonato em 93-94. Nos últimos anos, afundado em crises políticas e em atrito constante com a torcida, o Verdão tem sofrido para emplacar resultados expressivos.

Para apagar a imagem de "cavalo paraguaio" e cansado do papel de coadjuvante que vem exercendo, o Verdão apresentou alguma melhora esta temporada. No amistoso contra o Ajax fiquei com a impressão de que o time dificilmente emplacaria (ler mais aqui). Contudo, o que se viu foi uma melhora significativa promovida pela chegada de reforços pontuais e um bom trabalho de Scolari na compactação da equipe.

Ainda que a impressionante marca de 22 partidas de invencibilidade tenha sido quebrada justamente no clássico contra o Corinthians, única partida na qual a equipe realmente sofreu um apagão (relembre aqui), o Verdão correspondeu bem nos confrontos contra São Paulo (eletrizante empate) e Santos (virada espetacular).

Embora tenha caído de produção e possa ficar fora do G4 do Paulistão, Felipão fez o Palmeiras ser novamente visto com respeito pelos adversários e será pedra no sapato de quem o enfrentar nas quartas-de-final do Estadual. E a Copa do Brasil que aguarde, pois aí vem o Palmeiras!


GOLEIROS - Bruno, Deola, Pegorari, Raphael Alemão, Fábio - A escola palmeirense de goleiros é sensacional. Não me recordo de olhar para o gol verde e achar o arqueiro médio. Com a aposentadoria de Marcos, Deola segue na titularidade. Não tem a mesma estrela do ídolo eterno, mas está acima da média nacional. Bons reflexos, boa saída de gol, Deola falha muito pouco e não transmite insegurança sob as traves. Bruno é um bom reserva. Contudo, nunca conseguiu uma boa sequência de jogos para se firmar. Atrás de Marcos e Deola, Bruno até foi emprestado para a Lusa ano passado, mas não atuou pelo clube do Canindé. Assim, pela notória falta de ritmo, cria-se certa desconfiança natural. Quanto aos garotos, destaca-se Raphael Alemão, tido como próxima grande promessa para o gol palestrino.

LATERAIS - Cicinho, Artur, Juninho, Gerley - Muito bons! Cicinho apoia, passa e distribui o jogo com a qualidade de um meia-direita, embora seja um tanto deficiente na marcação. Artur chegou no clube e deu à Felipão uma melhor alternativa defensiva. Artur mostrou ser perigoso na bola aérea e bom posicionamento. O lado direito está bem servido. Já o esquerdo conta com Juninho, ex-Figueirense, e Gerley não é um bom substituto. Juninho é rápido, habilidoso e participa efetivamente das tramas ofensivas, ora com assistências, ora com gols. Ataca melhor mas não faz feio quando recompõe defensivamente.

ZAGUEIROS - Henrique, Luciano Amaro, Román, Thiago Heleno, Maurício Ramos, Wellington - Estáveis. Com Thiago Heleno afastado por lesão, Leandro Amaro tem sido titular ao lado de Henrique. Foram uma boa dupla, ainda que Leandro Amaro não passe confiança alguma, ao meu ver. Um tanto estabanado, comete alguns erros bobos de posicionamento ou de tempo de bola. Subiu de produção, mas, particularmente, não gosto dele. Henrique é muito bom. Seguro, técnico, bom cabeceio e desarme, é 70% da defesa. Román chegou esta temporada e tem sido opção de banco. Não jogou tanto, prefiro não arriscar dizendo que deve ser, no mínimo, melhor que Amaro. Maurício Ramos eu entendo que seria a melhor opção para a dupla com Henrique. Embora seja mais lento, não deixava a desejar nos desarmes, no posicionamento e até na presença no jogo aéreo.

VOLANTES - Márcio Araújo, Wesley, Marcos Assunção, Chico, João Vitor - À parte a contusão grave que o recém-chegado Wesley, era um bom reforço. Não era tudo isso que a imprensa pintou, porém era um baita reforço para o meio. Marca bem, apoia bem, rápido. Enfim, ficou para o ano que vem. Entendo que Felipão mas milagre com volantes limitados. Márcio Araújo, regular, sobra em disposição física. Corre o campo todo, a partida inteira. Marca bem, mesmo estando longe de ser um grande nome da posição. Chico dificilmente atua. Poderia ser um bom cão-de-guarda. Alto, bom marcador, pode inclusive atuar de 3º zagueiro. É visto com ressalvas. João Vitor subiu muito de produção. É a versão piorada do Wesley e faz algo parecido com o que Márcio Araújo faz, só que pelo lado direito. Marca, distribui, auxilia o ataque. Discreto, joga para o time. Faz o feijão-com-arroz sem encher os olhos. Por fim, o interminável Marcos Assunção. Não tem o vigor físico de outrora. Ou seja, não é mais um marcador exímio ou um apoiador nato. No entanto, posiciona-se muito bem e usa a experiência para ora marcar, ora cadenciar o jogo na meia-cancha palestrina. Passes, lançamentos e, sobretudo, a bola parada fazem de Assunção peça fundamental nesse meio-campo.

MEIAS - Valdívia, Tinga, Pedro Carmona, Patrik, Daniel Carvalho - Valdivia, ídolo chileno, joga uma, duas e para. Joga mais algumas e para. Seu retorno ainda é algo emblemático para o palmeirense. Quando joga, mostra o que já se sabe dele. Habilidoso, bom passador, organiza bem o ataque, arrisca alguns chutes. Não faz feio. 100%, é um dos melhores meias do Brasil, com certeza. Daniel Carvalho foi uma grata surpresa. Vindo do Atlético-MG, a ex-promessa do Inter deu nova pitada de qualidade no meio. Apesar da notória limitação física, Daniel Carvalho tem um passe apurado e uma boa visão de jogo. Além de bater na bola com qualidade. Diante das ausências de Valdívia, Carvalho não faz o torcedor sentir-se órfão em campo. Entretanto, não há bons reservas. Entendo que Carmona poderia ser o meia a entrar e mudar uma partida. Rápido, habilidoso...mas tem alguma dificuldade no passe e na conclusão. Patrik se esforça, mas não tem virtudes que igualam Daniel ou Valdívia. Tinga, que ora atua mais recuado, ora mais avançado, perdeu espaço e pode ser negociado.

ATACANTES - Maikon Leite, Ricardo Bueno, Fernandão, Luan, Vinícius, Barcos - Poucas opções de qualidade. Barcos, o Pirata, conquistou a simpatia da torcida durante o Paulistão. Jogador simples, posiciona-se bem e conclui com frieza tanto pelo alto como pelo chão. Além da qualidade na finalização, também faz um bom pivô e boas tabelas em torno da área adversária. Maikon Leite é o homem da velocidade. Rápido, puxa contra-ataques e abre espaços na zaga inimiga. Precisa apurar mais a finalização. Luan, lesionado, era titular pela função tática que desempenhava. Mesmo sendo atacante, recuava para compor o meio e saída em velocidade para o ataque. Sacrificado pela tática imposta pelo treinador, é alvo constante de críticas da torcida por não fazer o básico como atacantes: finalizar com qualidade. Ricardo Bueno e Fernandão são ruins. Fernandão ainda teve um lapso de ídolo quando fez um gol em sua estreia justo contra o Corinthians. Colaborou ao anotar outro contra o Santos. Contudo, as atuações irregulares podem não segurá-lo do grupo. Vinícius, promessa, ainda precisa ser melhor testado. 

TÉCNICO - Luiz Felipe Scolari - Felipão já viveu seus melhores dias. Conquistou a América com Grêmio e Palmeiras, e o Mundo ao comandar a Seleção do Pentacampeonato. Depois da ótima passagem pela Seleção Portuguesa, Scolari não foi bem no Chelsea e fez seu pé-de-meia no Usbequistão. Voltou ao Palmeiras e ainda luta para conseguir um bom elenco e fazer o time brigar efetivamente por títulos. É ótimo treinador, no entanto, sofre com a falta de jogadores de qualidade no grupo palestrino. Ao meu ver, dentro da limitação do elenco, Felipão tira leite de pedra e faz um trabalho aceitável. Experiente, motivador, mesmo com a tendência defensiva consegue armar ataques perigosos.

ANÁLISE GERAL - Vejo o Palmeiras com um grande trunfo: Felipão. Apesar do momento instável, Scolari fez o time jogar bem e ser respeitado durante boa parte do Estadual e está mais vivo do que nunca na Copa do Brasil. Defensivamente, o time não é ruim. Entendo que falta um melhor nome para compor a zaga mas, na essência, é segura e regular. Bons laterais. Todavia, para o Brasileirão, creio que faltam melhores opções para a criação ofensiva e para o ataque. Valdívia se lesiona demais, Daniel Carvalho não tem o preparo físico de juvenil. Sem eles, não há quem possa quebrar um galho. Não há substituto à altura. Barcos idem. Enquanto Luan e Maikon Leite podem até, de certo modo, serem equivalentes, não há outro matador como o Pirata. 

RESULTADO - O futebol consiste em uma simples lógica: gols. A ausência de peças de melhor qualidade pode custar caro ao Palmeiras. Contudo, Felipão tem conseguido dar compactação ao time. Se emplacar boa regularidade defensiva e aproveitar bem as oportunidades na frente, pode surpreender. Mesmo sem vislumbrar bons reservas, vejo o Palmeiras brigando diretamente por uma vaga na Libertadores dificilmente algo além disso. 


Esse foi o Verdão. Para acompanhar mais Análises de Elenco, basta verificar onde seu time está na ordem alfabética ou clicar aqui.

domingo, 25 de março de 2012

Regularidade 2 x 1 Sensação

Mais um domingo de clássico no moroso Paulistão. Desta vez, Corinthians e Palmeiras realizaram o dérbi paulistano no Pacaembu. O jogo colocou frente-a-frente a regularidade do Timão de Tite e o Verdão de Barcos, então líder invicto e sensação do Paulistão.

[Pago com a língua o que disse no amistoso do Palmeiras com o Ajax no início da temporada (ler mais aqui). O desempenho da "Famiglia Scolari" impressionava, embora, de fato, não convencesse tanto (dito aqui) ]


Em razão do falecimento de Chico Anysio, o Palmeiras entrou com nomes de personagens consagrados pelo humorista estampados nas costas dos jogadores. Atitude muito bacana do clube para o assumido palmeirense.

A partida começou quente com o Palmeiras tomando a iniciativa ofensiva. A pressão deu certo e Marcos Assunção, sempre ele,  colocou o Verdão em vantagem. Valdívia carrega e entrega para Assunção que arriscou a bomba de muuuuito longe. A bola bate na zaga e encobre Julio Cesar. Foi um belo gol, o tiro contou com desvio e tal. Mas não tirou muito a sensação de que o arqueiro corinthiano falhou.

Com o gol, o Palmeiras passou a cadenciar mais o jogo. Bem na marcação, os comandados de Felipão conseguiam anular bem o ataque rival. Danilo não mostrava a estrela dos outros jogos, Liedson continuava a amargar o jejum de gols e Sheik não justificava a titularidade. 

Contudo, veio o segundo tempo. E acabou rápido. Foram precisos 6 minutos para o jogo mudar e praticamente dar-se por encerrado. A sorte sorriu para o Timão logo aos 3 minutos. Jorge Henrique levantou na área, no bate-e-rebate a bola pega na mão de Márcio Araújo e sobra para Paulinho estufar as redes.

No lance seguinte, nem o mais otimista corinthiano poderia acreditar no que estaria por vir. Nova bola alçada na área, Henrique vacila ao errar o tempo do lance e a pelota encontraria Liedson livre. Encontraria, pois Márcio Araújo novamente protagonizou o gol alvinegro e com um leve toque empurrou contra as próprias redes.

A virada abalou definitivamente os nervos dos invictos que perderam completamente o domínio do jogo. Aí a partida ficou do jeito que Tite gosta. Sheik e Jorge Henrique pelas pontas infernizavam em contra-ataques sempre perigosos. Valdívia fazia um bom jogo, porém Barcos não foi sombra do matador que se viu nos últimos jogos.

Felipão fez o que deveria fazer, mexer no time. Sacou Cicinho, João Vitor e Maikon Leite para as entradas de Pedro Carmona, Artur e Ricardo Bueno. Carmona ajudou mesmo sem ter sido efetivo. Artur não fez nada diferente de Cicinho. E Ricardo Bueno foi Ricardo Bueno. 

Tite colocou as barbas de molho e fez suas alterações mais para o fim do jogo quando trocou Danilo, Jorge Henrique e Liedson por Douglas, Gilsinho e Elton, que pouco apareceram. 

O segundo tempo atípico pelos gols relâmpagos do Timão colocou em xeque o rendimento palestrino no ataque. Sob pressão, o time não respondeu bem. Desconsidero até a tarde azarada de Márcio Araújo, carrasco da própria equipe nos lances capitais. A verdade é que o Palmeiras voltou do intervalo como quem já se considerava vencedor do clássico. Parecia subestimar o poder de reação do adversário. Pagou caro.

Tite apenas inverteu o posicionamento de Danilo, Sheik e Jorge Henrique para inacreditavelmente virar uma partida em surreais 6 minutos. Deu sorte? Muita. Só que novamente, com o placar favorável, continuou a praticar o melhor de seu jogo: defender bem e contra-atacar perigosamente. A frieza e a regularidade aumentam a moral do clube na luta pelo topo do Paulistão e para conseguir uma boa posição nas oitavas pela Libertadores.

Não fosse a sorte o Corinthians teria virado o jogo? Talvez. A julgar pela postura do Palmeiras no segundo tempo é provável. A acomodação nos primeiros minutos custou caro. Para quem ostentava uma bela marca invicta, o Verdão tropeçou de maneira imperdoável aos olhos da torcida. 

Já pelo lado do Timão, além de contar com sorte mostrou muita competência ao aproveitar as chances que teve e explorar o desespero do eterno rival em bons contra-ataques.

Destaques finais da partida: Pelo Corinthians, Danilo estava contido. Jorge Henrique e Sheik, ao meu ver, arrebentaram com Cicinho e Juninho. Paulinho foi o homem do jogo ao dominar o meio-campo. Já do lado verde, Assunção provou que apesar de não ser tão rápido ou de não marcar tão bem é imprescindível na meia-cancha palmeirense. Ricardo Bueno entrou e novamente não fez absolutamente nada. Barcos sumiu esta tarde. Carmona mostrou certo empenho. Acho que merece ser melhor testado.

O clássico não eleva o Corinthians a Barcelona. Nem rebaixa o desempenho do Palmeiras ao de um time medíocre. Todavia, a forma como o resultado foi construído acende a luz amarela em ambos. Um por exagerar na sorte. Outro por abusar dela.

domingo, 18 de março de 2012

Supreende mas não convence.

Início do ano fui ao Pacaembu acompanhar o amistoso entre Palmeiras x Ajax (leiam aqui - aliás, foi o primeiro post deste blog) e saí com a clara sensação de que o Verdão não teria um ano muito promissor. No entanto, o que se vê após 14 rodadas do Paulistão é uma equipe completamente diferente daquela que disputou o sofrido amistoso.

Com sutis alterações, Felipão ganhou reforços interessantes para o decorrer da temporada. Chegou o zagueiro Román, que ainda não provou muita coisa mas acrescenta; Juninho deu à lateral-esquerda uma outra cara; Artur fez três gols nos três primeiros jogos com a camisa verde, mostrou qualidade no jogo aéreo e passou a ameaçar Cicinho, então titular indiscutível; Daniel Carvalho superou a desconfiança quanto ao seu peso e mobilidade mostrando que é capaz de orquestrar bem a meia ofensiva da equipe; Valdívia aos poucos retoma o bom futebol; por fim, Barcos é o novo ídolo recente da torcida. Frio nas conclusões e demonstrando muita garra em campo, o Pirata é cada vez mais querido pelos palestrinos, órfãos de Marcos.

Contudo, como disse acima, foram-se apenas 14 rodadas do Paulistão. Ter um desempenho notável aqui é bastante relativo. Para um time grande não passa de mera obrigação. Impressiona o fato da equipe ostentar uma invencibilidade de 16 jogos (computados aqui o amistoso e a partida de ida da Copa do Brasil) e dentre essas partidas estarem os clássicos contra Santos (virada sensacional nos minutos finais) e o empate eletrizante contra o São Paulo.

Ou seja, não é um time que afinou ou se apequenou nos jogos mais importantes. Só que o oba-oba em torno do Verdão começa a ganhar contornos exagerados. Repito: é apenas a primeira fase do Paulistão. Nas quartas, um dia mais azarado e adeus invencibilidade, campeonato, etc. O mesmo vale para a Copa do Brasil.

Pode ser que esse desempenho acima do normal se confirme no Brasileirão. Ou não. Vai saber. O registro que realmente entendo ser pertinente é de que ainda é muito cedo para classificar o Palmeiras como time a ser batido. Outras equipes vivem um momento mais estável e transmitem mais segurança com a bola nos pés, como o Santos, o Corinthians e o Fluminense.

(O fato de estarem na Libertadores é secundário, ok? As apresentações pelos torneios continental e estadual retratam bem meu posicionamento.)

Então, por enquanto, o Palmeiras há de se contentar, no máximo, com o título de "sensação do 1º semestre" e olhe lá.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"MOP" é uma facada na paixão do torcedor.

Paixão. Sentimento que tem o ingrato peso de ser sinônimo de amor e sofrimento. Curiosamente, ambas sensações envolvem o coração do torcedor de modo que todas as manifestações do pobre apaixonado beiram seus extremos. Ou ama ou odeia, simples assim. Agora, para apertar o peito dos fanáticos por futebol, está na moda um tal de "MOP", sigla que significa "my own player". 

A sistemática é bem simples. É um fundo destinado ao público (torcedores de determinado time) que compram cotas (valores fixados pela gerência do fundo) para auxiliar seu clube do coração a fechar a contratação de certo atleta. De acordo com o MOPBR (www.mopbr.com.br), caso a negociação não seja confirmada, quem investiu na compra de cotas será devidamente ressarcido. 

O Palmeiras busca por este expediente reunir fundos da torcida para bancar o meia Wesley. Vamos por partes. Wesley é bom, mas não é a mistura de Falcão e Cerezo para tanta engenharia e falatório acerca de sua contratação. Ainda que seu futebol fosse a peça perfeita para Felipão organizar de vez o time, é preciso separar de quem são as obrigações nesse negócio da China.

Considero uma brincadeira de mau gosto esse tipo de negociata. Claro, do ponto de vista exclusivamente financeiro é espetacular para o clube. Metem um anúncio "estamos atrás do craque Fulano". A torcida sabe quem é o Fulano, adora o Fulano, Fulano é Seleção, Fulano põe o Messi no chinelo, etc. Daí, maquiavelicamente a diretoria diz: "Bom, se quiser Fulano, tem que contribuir. O time anda sem recursos, crise internacional, sabe como é..."

Vale ressaltar que o fato do torcedor comprar uma "cota" não significa que ele será "cotista", ou seja, um investidor direto no atleta. Explicando melhor: Caso Fulano seja contratado por 5 milhões e futuramente seja vendido por 10 milhões, a grana é do time, do empresário, da empresa que gerencia o atleta e ponto. Não há um retorno proporcional ao investimento. O que fica claro é que o valor da cota somente será restituído se a negociação não se concretizar.

Torcedor não tem obrigação nenhuma de atrair para si uma responsabilidade que é do clube. É como o Código de Defesa do Consumidor ou na relação de trabalho, ora. O empregado não assume o risco da atividade da empresa, isso é um problema do manda-chuva. Aquela taxa indecente que alguns estabelecimentos cobram por perda de comanda é absurda. Quem tem que zelar pelo controle do que é consumido/comercializado é o bar/restaurante/o que for. 

Além disso, aproveitando o embalo do caso Wesley, quem garante que, se contratado, vai jogar bem, ser campeão, virar ídolo, Rei da Cocada Preta? Hein? Ou o sonho de todo palmeirense é ver o Wesley com o manto do Verdão? Duvido. 

Apreensão não falta àquele velho apaixonado, trabalhador, que sua sangue para batalhar sua imprescindível renda mensal. Lê jornal, ouve notícias e começa a se achar culpado pela fase do time, que poderia fazer algo para ajudar, afinal, vai ao estádio só umas 3-5 vezes por ano e compra uma camiseta oficial a cada 2 ou 3 temporadas mesmo...

Pronto. O caos. Tudo que o clube quer: sequestrar a paixão do camarada, botar uma faca em seu pescoço e esperar pela ajuda "humanitária". Transferir à torcida o ônus da contratação de reforços é tão obsceno quanto o BBB.

Por mais que a intenção seja louvável, não vejo com bons olhos o MOP. Se a diretoria abre mão de cumprir minimamente seu papel para contratar reforços de qualidade, o próximo passo qual vai ser? MOP para pagamento de salários atrasados?!

Vou além: E se a torcida reunir grande volume de dinheiro e a diretoria perceber que falta pouco para atingir o limite? Já imaginaram que o clube poderia escalar uns "laranjas" para comprar um punhado de cotas cada um e finalizar o negócio? Só para não ter que devolver a grana da torcida.

Ilustro: Negócio na base de 5 milhões. Torcida arrecada 4. Vai a diretoria e rapidamente gasta 1 milhãozinho nas cotas restantes. Já era. O produto que custava 5 vai ser comprado por 1. Entenderam a sacada? Isso às custas da torcida! Cara, isso me deu nos nervos!

Teorias da conspiração à parte, todos os clubes do Brasil focam no Verdão e em como será o desfecho da negociação com Wesley. Se eu pudesse criar o final ideal haveria a devolução das cotas aos torcedores e o clube firmaria alguma parceria para viabilizar o negócio. Mas já estou grandinho para acreditar em Papai Noel e espero sempre o pior de qualquer situação.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um autêntico CHOQUE-Rei.

Mais um domingo de sol, calor e clássico no Campeonato Paulista. Na senegalesca Presidente Prudente, Palmeiras e São Paulo disputaram um eletrizante Choque-Rei.

Com Lucas, que rendeu uma baita dor de cabeça à Juvenal Juvêncio nos últimos dias para liberá-lo, o Tricolor buscava reabilitação após a derrota no clássico contra o Corinthians. Aliás, jogar clássico tem sido motivo de muita preocupação no Morumbi. Nos últimos dois anos, poucas vitórias e uma série de atuações desastrosas.

Pelo lado palestrino, uma vitória poderia coroar a evolução do trabalho de Felipão, que ainda molda o Palmeiras à espera de Valdívia, Roman e, provavelmente, Wesley. Embalado com o triunfo sobre o Peixe no mesmo estádio, o Verdão contava com a bola parada e Barcos para surpreender.

E foi a bola parada, tão temida pelo instável São Paulo, que inaugurou o placar logo aos 5 minutos. Para variar, o Palmeiras alcança o gol valendo-se deste expediente. Já o Tricolor aproveitou a oportunidade para sofrer mais um gol desta modalidade. Falta na entrada da área pelo lado direito. Assunção e Daniel Carvalho no lance. Denis arma a barreira para cobrir o seu canto esquerdo. Daniel vem na bola, bate por fora da barreira, rasteiro e a bola morre no canto defendido por Denis.

Presumo existirem duas regras básicas universais para goleiros: 1-) bola na pequena área é dele; e 2-) tomar gol de falta no canto que você opta defender é falha estúpida. Denis falhou e comprometeu o início de jogo do São Paulo. Leão deve ter esboçado ligeiro sorriso. Explico já já.

Até a parada técnica, com uns 20 minutos de bola rolando aproximadamente, o jogo ficou meio morno. Na volta, o Tricolor melhorou. Lucas era o principal nome do time, embora jogasse praticamente sozinho. Jadson e Cícero estavam mais sumidos. Casemiro aparecia bem na frente com arremates de fora da área.

Aos 30 minutos, o São Paulo iguala o marcador. Casemiro avança pela esquerda e cruza para Cícero completar. A fase artilheira do meia contrasta com seu rendimento contestável na meia cancha. Contudo, novamente o Tricolor voltou a vacilar.

Pouco depois do gol, 7 minutos para ser mais exato, Barcos recebe na área. Paulo Miranda escorrega, Piris entra seco na jogada acreditando que o atacante chutaria. Ledo engano. Leve corte para a esquerda e chute firme para as redes: Verdão 2 x 1 Tricolor. Então, Leão deve ter feito uma cara de "não disse"? Agora explico o motivo para tais reações.

Vale lembrar que o treinador já se manifestou sobre a necessidade de querer mais uma opção para a lateral-direita e andou dizendo que gostaria de contar com mais um goleiro. Pois é. A diretoria foi atrás do promissor Douglas, detalhe: mesmo lesionado. Contudo, resolveu bancar Denis, reserva imediato de Ceni, que até o momento não havia demonstrado insegurança.

Porém, após dois jogos com falhas da dupla, a torcida reza para que o Reffis não falhe novamente e coloque Douglas em campo o mais rápido possível. Enquanto isso, a paciência com Denis vai se esgotando na medida em que a volta de Rogério parece cada vez mais distante. Entretanto, antes de crucificar o arqueiro é preciso calma. Sempre que entrou o arqueiro não comprometeu. Fez, inclusive, boas atuações. Pode ser apenas uma fase ruim, não pode?

Questionamentos à parte, Leão sacou Jadson, discretíssimo, e voltou com Fernandinho para o segundo tempo. Novamente o camisa 10 Tricolor deixou a desejar e, sinceramente, começo a desconfiar do seu potencial. Felipão manteve a formação vencedora e já que tinha o placar favorável, era só administrar.

O São Paulo melhorou um pouco. O Palmeiras trabalhava a bola à busca do contra-ataque perfeito e rondava a área, sem muito perigo. Errava passes ou se afobava e acabava perdendo a bola. E olha que Denilson à frente da área do São Paulo não era um cão-de-guarda que impunha medo.

Mas logo aos 10 minutos, a jogada que deixou o jogo realmente emocionante. Cortez recebe na esquerda, tenta o drible e Cicinho deixa o braço no lateral tricolor. Pênalti discutível, mas infantil. Por mais que o movimento do palestrino tenha sido meramente para girar o corpo, o braço denuncia a irregularidade. Willian José pegou a bola e não decepcionou. Bateu firme e igualou o marcador: 2 a 2.

Seis minutos mais tarde, Cícero, de falta, carimba o travessão de Deola. Na resposta, Maikon Leite isola tiro da entrada da área. Até a parada técnica, o São Paulo foi melhor, teve mais controle da bola e volume de jogo. Quando o Palmeiras chegou no ataque, tropeçava nas próprias pernas. Não era difícil rodear a área adversária, no entanto, as finalizações e os passes deixavam a desejar.

Leão trocou Casemiro por Rodrigo Caio. Felipão tirou Daniel Carvalho e colocou Patrik. 

Então Willian José protagonizou o 3º gol palmeirense. Não, não foi contra. 25 minutos da segunda etapa, Lucas escapa pela direita e encontra o centroavante livre. Era dominar, avançar e bater. Mas o autor do 2º gol tricolor errou o tempo da bola, o domínio e sua equipe pagou com o placar. No minuto seguinte, bola alçada na área, pane na alta zaga do São Paulo e a bola encontra o matador Barcos. Segundo dele no jogo e Verdão na frente: 3 a 2. 

Os Deuses do Futebol estavam impossíveis esta tarde e operaram um milagre. O canhoto Fernandinho, notório jogador de velocidade e corte seco, aquele que eu canso de dizer que é habilidoso, rápido e pouco inteligente, recebeu na esquerda, avançou e soltou a bomba de perna direita. A bola viajou firme no canto esquerdo de Deola. Belo gol Tricolor e tudo igual no placar: 3 a 3. 

A resposta palestrina não tardou. Marcos Assunção cobrou falta perigosa para boa intervenção de Denis. Cada descida era motivo de esperança e agonia para ambas torcidas. Deola fez duas boas defesas em falta cobrada por Lucas e cabeceio de Paulo Miranda. Felipão substituiu João Vitor por Chico e Maikon Leite por Ricardo Bueno. Com pouco menos de 5 minutos para o final, qualquer coisa podia acontecer.

Contudo, não aconteceu. A igualdade prevaleceu em um clássico realmente muito bom. Jamais um 3 a 3 será tosco. A partida refletiu o melhor da bola parada e cruzamentos palestrinos e do rendimento ofensivo tricolor. Por outro lado, confirma a péssima fase defensiva do São Paulo. Um meio-campo sem pegada e uma zaga em frangalhos com sérios problemas nas bolas aéreas preocupam demais.

No Verdão, entre reclamações sobre o pênalti e lamentações pelo gol espírita de Fernandinho, a zaga cochilou no gol de Cícero e o meio-campo precisa de acertos. Wesley pode ser a peça que falta para equilibrar a marcação e melhorar a qualidade do passe no setor, resta torcer por sua contratação. Entre mortos e feridos, se serve de consolo, o resultado manteve a invencibilidade da equipe no Paulistão.




quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Clássicos marcantes de São Paulo

Hoje é aniversário da Cidade de São Paulo. Para celebrar seu 458º ano de vida, seleciono os clássicos mais marcantes que acompanhei envolvendo seus três principais clubes.


PALMEIRAS x CORINTHIANS: 
Palmeiras 3 (5) x (4) 2 Corinthians - Semi-final da Copa Libertadores de 2000. Simplesmente impossível não mencionar. Na partida de ida, vitória do Timão por eletrizantes 4 a 3. Na volta, o Verdão deu o troco e, pela igualdade no saldo de gols, o jogo foi para os pênaltis. E aí o mito de São Marcos começou a surgir. Na última cobrança, Marcos defende o tiro de Marcelinho e classifica o Palmeiras para a decisão.   

Corinthians 2 x 2 Palmeiras - Final do Campeonato Paulista de 1999 - Outro jogo marcado na história pelas "embaixadinhas do Edílson". No primeiro jogo, Timão passeia por 3 a 0. Na finalíssima, o empate garantia o título, quando Edílson teve a "brilhante" ideia de fazer umas embaixadinhas na lateral e colocar a bola atrás do pescoço. Confusão generalizada e taça para o Timão.


SÃO PAULO x CORINTHIANS: 
São Paulo 3 x 1 Corinthians - Final do Campeonato Paulista de 1998 - O São Paulo havia perdido o primeiro jogo por 2 a 1. Para a partida de volta, contou com o retorno de Raí, que mal treinou com o time e foi para o campo. Resultado: vitória tricolor com dois gols do meia.

Corinthians 3 x 2 São Paulo - Semi-final do Campeonato Brasileiro de 1999 - No primeiro jogo das semi-finais do Brasileirão-99, o Timão se vinga de Raí. Dida defende dois pênaltis batidos pelo eterno camisa 10 do Morumbi. Na partida seguinte, um empate selou a classificação do Timão, futuro campeão.


PALMEIRAS x SÃO PAULO
São Paulo 2 x 1 Palmeiras - Oitavas-de-final da Copa Libertadores de 2006 - O São Paulo vencia a partida por 1 a 0 e encaminhava sua classificação, pois empatou o primeiro jogo por 1 a 1. Contudo, o Verdão igualou e cresceu no jogo com a expulsão de Leandro (SPFC). Só que o improvável aconteceu. Foi marcado um pênalti para o São Paulo que foi convertido por Rogério Ceni. Detalhe: teve que cobrar duas vezes por causa de uma paradinha.

Palmeiras 2 x 0 São Paulo - Semi-final do Campeonato Paulista de 2008 - Uma semi-final bastante farta em detalhes surreais. No primeiro jogo, vitória do São Paulo por 2 a 1, com um gol de Adriano. Tudo normal não fosse o detalhe que foi de mão. Precisando reverter o quadro, o Verdão fez o resultado, eliminou o Tricolor e seguiu firme na campanha do título. No intervalo deste jogo, um misterioso gás teria sido espalhado no vestiário do São Paulo, atrapalhando o desempenho dos atletas na segunda etapa. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Não foi garra, nem coração. Foi sorte.

Sábado tive a infeliz ideia de acompanhar ao amistoso entre Palmeiras x Ajax, no Estádio do Pacaembu. O que podia ser divertido e interessante do ponto de vista futebolístico transformou-se em um programa de índio em pouco menos de 40 minutos.

Não é novidade para ninguém que o Palmeiras atravessa sérios problemas administrativos, seja financeiramente, seja organizacionalmente. Porém, espanta a capacidade que sua apaixonada torcida tem em piorar uma situação já bastante crítica.

O incidente com Vagner Love, a novela Kleber e as sucessivas manifestações nem um pouco pacíficas deixaram o clima no Palestra Itália realmente insuportável. A dificuldade em contratar reforços não espanta diante de um cenário tão sombrio.

À margem de tudo isso, o Verdão recebeu o Ajax e jogou na cara da sua torcida qual será a tônica da temporada: mais sofrimento. A dificuldade em trocar 5 passes consecutivos e chegar com perigo ao ataque não é justificada somente pelo adversário ser um grande (hoje nem tanto) time europeu. A técnica de mais da metade do elenco alvi-verde sequer é questionável, chega a ser duvidosa mesmo.

A sorte ditou o rumo da partida. O Ajax desperdiçou, pelo menos, duas ótimas oportunidades no primeiro tempo. O Palmeiras 2012 buscou a estratégia de 2011 para surpreender e quase Marcos Assunção anotou de falta. No segundo tempo houve sutil melhora palestrina. Mas a afobação e a bem postada defesa holandesa impedia as tramas ofensivas.

Valdívia foi péssimo. O estreante Juninho deixou a desejar. Henrique não estava em uma tarde feliz. Para piorar, muitas vezes os volantes adversários carregavam a bola com tranquilidade da intermediária defensiva à ofensiva. Era uma brincadeira de mau gosto.

Quando tudo parecia perdido para um horrível empate sem gols, o Palmeiras saiu para o ataque, escancarando o meio-campo. No final da partida, Deola incorporou o Santo aposentado e fez duas excelentes intervenções. Era o fim? Não. 

No último suspiro do relógio, Luan escapa pela esquerda e levanta na área. A bola cruza quase toda a extensão da área, o goleiro não sai, o zagueiro vacila e Pedro Carmona aparece para cabecear e salvar o sábado de aproximadamente 25 mil palmeirenses. 

O gol tira o amargo do empate mas não disfarça o que houve durante todo o jogo. Felipão pode escalar o time como quiser. Com esse elenco, vai ter que jogar fechadinho e rezar. Muito.