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domingo, 23 de março de 2014

A pegadinha do regulamento

O burburinho tomou conta do clássico entre Santos x Palmeiras neste domingo. O Peixe bateu o Verdão por 2 a 1 e ficou com a melhor campanha geral do Paulistão. Mais que a vantagem de decidir as finais em casa estava em jogo uma possível fuga do São Paulo nas semi-finais. Quem perdesse poderia ter caminho facilitado até a final. Assim, o Palmeiras seria o grande beneficiado com a derrota. Porém, o regulamento indica que não é bem assim.

A fórmula intrigante do Paulistão-14 e as campanhas irregulares de São Paulo e Corinthians, em tese, premiaram o Palmeiras, segundo colocado geral dessa primeira fase. Uma derrota pontual, justa e conveniente para o Santos nesta última rodada estenderia um tapete vermelho no caminho do Verdão até a final.

Nas quartas, os líderes de cada grupo enfrentarão seus respectivos segundos. Temos, então: São Paulo x Penapolense; Botafogo x Ituano; Santos x Ponte Preta; e Palmeiras x Bragantino.

Nas semi-finais, a melhor campanha encara a pior dentre os classificados. Se os jogos forem decididos dentro dos 90 minutos com a vitória dos primeiros colocados Santos x São Paulo devem brigar por uma vaga, enquanto o Palmeiras simplesmente confirma sua vaga na final contra Botafogo ou Ituano.

Leiam o parágrafo anterior novamente.

"Se os jogos forem decididos dentro dos 90 minutos com a vitória dos primeiros colocados".

Observem que o São Paulo terminou a primeira fase com 27 pontos. Botafogo e Ituano com 28. 

Agora vamos destacar o regulamento do Paulistão:

"Art. 10 - Nas partidas da fase de quartas de final e fase semifinal, o Clube que tiver obtido a melhor campanha na somatória de todas as fases anteriores, realizará a partida na condição de mandante. 
Parágrafo Único. Entende-se por melhor campanha, para efeitos deste Artigo, o quanto disposto no Artigo 14, Parágrafo 3º deste REC."

Os critérios de desempate na forma do art. 14:

"Art. 14 - Ocorrendo igualdade em pontos ganhos entre 02 (dois) ou mais Clubes aplicam-se sucessivamente, na primeira fase, os seguintes critérios técnicos de desempate:

a) Maior número de vitórias;
b) Maior saldo de gols;
c) Maior número de gols marcados;
d) Menor número de cartões vermelhos recebidos;
e) Menor número de cartões amarelos recebidos;
f) Sorteio público na sede da FPF.

§ 1º - No caso de haver empate nas partidas da fase de quartas de final e semifinal da Competição, a partida será decidida através de disputa de pênaltis, conforme procedimento estabelecido nas regras do jogo de futebol, tal como definidas pela International Football Association Board - IFAB.

§ 2º - Aplicam-se, no caso de igualdade por pontos ganhos na fase final da Competição, os critérios do caput deste artigo, até a alínea “b”, somente na fase em questão. Persistindo a igualdade a partida do returno será decidida através de disputa de pênaltis, conforme procedimento estabelecido nas regras do jogo de futebol, tal como definidas pela International Football Association Board - IFAB.

§ 3º - Entende-se por melhor campanha, o maior número de pontos ganhos acumulado pelo Clube, seguindo, se necessário, a ordem de critérios de desempate prevista no caput deste artigo, considerando-se todas as fases da Competição."

Vamos supor que o São Paulo vença o Penapolense. Somará 3 pontos totalizando 30. Se Botafogo e Ituano empatarem vão decidir nos penais e vaga e computar apenas um ponto indo a 29. Vencer nos pênaltis não garante três pontos como uma vitória "normal". Além disso, o regulamento indica que será levado em conta a somatória de pontos das fases anteriores.

O parágrafo primeiro define que o empate levará a decisão aos pênaltis. Empate. E os empates valem um ponto. Isso está no Regulamento Geral do Paulistão, artigo 11:

"Art. 11 - Nas Competições oficiais, salvo disposição em contrário estabelecida nos  respectivos RECs, serão atribuídos: 
I. 3 (três) pontos por vitória; 
II. 1 (um) ponto por empate. 
Parágrafo Único - Os critérios de desempate constarão dos RECs. "

Não há nada no regulamento específico que contabilize três ponto a uma vitória nos pênaltis, principalmente depois de frisar que o resultado de uma partida decidida nos pênaltis é um empate.

Neste raciocínio, zebras fora, é certo que Palmeiras ou Santos estará na final. Se Botafogo e Ituano empatarem, o Peixe assegura a 6ª final consecutiva. Caso os líderes de cada grupo confirmem o favoritismo nos 90 minutos protocolares, teremos o Palmeiras na final. 




quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Gilson Kleina à la Celso Roth

Muito comum ouvir por aí que há técnicos que, de tão instáveis, já estão ameaçados de demissão logo após a assinatura do contrato. Celso Roth é o exemplo mais usado. Adilson Batista outro mais recente. A gracinha popular faz mais uma vítima: Gilson Kleina, ex-Ponte Preta, é o escolhido para comandar o Palmeiras.

O fato do treinador ter firmado contrato com o Verdão até o final de 2013 não significa dizer que cumprirá pelo menos metade do acordado. Gilson Kleina terá pela frente um desafio interessantíssimo que poderá, dentro de 1 ano e 3 meses, colocá-lo no rol dos ótimos treinadores do Brasil e abandonar o rótulo de treinador de times pequenos/médios.

Caso livre o Palmeiras da degola, faça uma campanha digna na Libertadores, conquiste o Paulistão (quem sabe!) ou até deixe o Verdão no G-4 em 2013 a vida de Kleina mudará para sempre, com certeza. Será visto com novos olhos. Ainda que repita as fórmulas usadas nos times pequenos, tudo no futebol gira em torno de resultados.

Agora, por outro lado, eu não acredito que Kleina siga no Palmeiras se a equipe cair para a Série B. Embora o treinador tenha feito um bom trabalho na Macaca, inclusive conquistando o acesso para a Série A, não creio que a diretoria manterá o bastão com ele. Digo isso porque tenho ouvido de muitos palmeirenses que o time já está pensando em 2013, mesmo se for degolado.

Chego a essa simples conclusão porque qualquer um sabe que a bola da vez era Jorginho, atualmente no Bahia. Meu palpite é que Jorginho assuma o Palmeiras caso venha a cair. Kleina foi contratado por ser barato, não ser um nome de impacto e pelo desempenho que a Ponte Preta teve durante essas duas temporadas em suas mãos.

Gilson Kleina depende não apenas de um milagre, mas de um desempenho formidável para se manter no Palmeiras e quebrar o preconceito do torcedor ao ouvir seu nome.


domingo, 29 de abril de 2012

Paulistão 12 - Semi-finais

Domingo nublado, chuvoso. Dia feio que seria agraciado com dois clássicos para definição dos finalistas do melhor estadual do país. O mais competitivo, claro. Pois o formato...

Bom, como no outro post, resenha das partidas e palpite para a grande final. A título de curiosidade e descontração, vale dizer que acertamos os palpites cravados (hehe). 


SÃO PAULO 1 x 3 SANTOS

Mais um San-são eletrizante. Outro show de Neymar. O Santos não tomou conhecimento do São Paulo e atropelou o Tricolor em pleno Morumbi. O resultado foi justo e traduziu a competência e eficiência do melhor time. 

Não tardou para a instável defesa do São Paulo deixar o torcedor com o coração na boca e comprometer o desempenho do time. Desta vez, na primeira descida logo a 1-2 minutos de jogo,  Paulo Miranda novamente cometeu um pênalti infantil à direita do ataque santista. O carrinho imprudente e desnecessário em Alan Kardec foi a senha para o 100º gol de Neymar com a camisa do Peixe. E o prelúdio de outro espetáculo do craque.

A princípio, o São Paulo não sentiu o gol. Dominou o meio-campo e passou a ditar o rumo da partida. Pouco produziu e abriu o contra-ataque, é verdade, mas não fazia uma má partida. Só que o Santos tinha Neymar. E o São Paulo, Paulo Miranda. Ganso recebeu e acionou Neymar. O atabalhoado zagueiro saiu mal no bote, perdeu o tempo da bola, Neymar passou como quis e tocou na saída de Denis. 2 a 0.

Atrás no placar, o segundo tempo reservava mais emoção. Na volta do intervalo, Leão saca Jadson e Piris para as entradas de Fernandinho e Rodrigo Caio. Ao meu ver, acertou parcialmente. Jadson não fazia uma má partida e virou referência nas bolas paradas. Cícero estava mal e já tinha cartão. Piris, também amarelado, novamente foi mal e foi bem substituído.

Mal começa a segunda etapa e quase o São Paulo iguala. Paulo Miranda fura cruzamento venenoso. No troco, Denis rebate bola nos pés de Neymar que manda na trava, quase sozinho. Enquanto o SPFC sai desesperado para o ataque, o Santos deita e rola nos contra-ataques, jogo franco.

Então a arbitragem começou a se complicar. Aos 12 minutos, Ganso escora de cabeça para a área. A bola encontra Kardec que manda para as redes. Contudo, o juiz pegou uma falta (ao meu ver, inexistente) de Edu Dracena em Paulo Miranda na jogada. Pouco depois, aos 18, Casemiro encontra Willian José impedido. O centroavante tricolor limpa a marcação e bate no canto de Aranha (entrou no lugar de Rafael, machucado) : 2 a 1.

A pressão do São Paulo não foi suficiente para parar Neymar, impossível esta tarde. Aos 32 minutos, o atacante santista arrisca da entrada da área, Denis erra a espalmada e a bola morre macia no gol tricolor. Vale ressaltar que Denis, embora jovem, não é mais garoto. É capaz de grandes defesas e falhas bestas, tanto nas vitórias como nas derrotas. Hoje, não foi diferente. Tal como contra o Palmeiras, Denis deu sua contribuição ao placar num clássico.

Cumpre destacar inclusive o equilíbrio do Santos ao longo da partida. O aproveitamento ofensivo e a tarde inspiradíssima de Neymar roubam grande parte dos holofotes que o sistema defensivo merecia. Arouca e Adriano protegeram bem a zaga e deram contribuição fundamental para Ganso e Elano organizarem o ataque ao seu bel prazer. Elano mais apagado, é verdade.

O gol esfriou o ímpeto tricolor. Os ânimos se exaltaram. Deu tempo para Cícero levar o segundo amarelo e ser expulso. Lucas? Correu, tentou e lembrou aquele fominha que Leão tanto pegou no pé. Muito individualista, perdeu boas chances de distribuir melhor o jogo. Neymar? O Brasil não é mais páreo para ele. Sim, é o momento de sair. Encarar novas zagas, evoluir e, quem sabe, ser na Seleção o craque que é no Santos. 


GUARANI 3 x 1 PONTE PRETA

Um dérbi de arrepiar! A Ponte Preta, recém-promovida à Série-A, foi visitar o eterno rival Guarani após eliminar o Corinthians em pleno Pacaembu. Já o Bugre fez a 4ª melhor campanha do Paulistão e eliminou o Palmeiras nas quartas-de-final. Vive bom momento sob comando de Vadão.

Acima de tudo, foi um resultado justo. O Guarani dominou a partida desde o começo. A proposta da Macaca foi parecida com a da partida contra o Timão. Bem retrancada, apostava nos contra-ataques e no toque de bola para conquistar seu espaço.

Enquanto o Guarani produzia grandes oportunidades, Bruno Fuso dava início à boa atuação desta noite. Com boas intervenções, salvou a pátria da Ponte Preta em vários lances de perigo. Sem Fumagalli, que saiu machucado aos 28 do primeiro tempo, o Guarani caiu um pouco de produção. Foi a deixa para a Ponte arriscar-se no ataque. Aos 39, Caio recebe, limpa a marcação, fuzila cruzado e faz a festa dos visitantes: 0 a 1. 

No segundo tempo, o Bugre foi em busca o resultado. A Macaca voltou à estratégia anterior de defender-se e sair cautelosamente. Após o milagre de Neto, goleiro do Guarani, o Bugre mandou no jogo. Aos 8, linda trama pela esquerda resultou no cruzamento de Fabinho para Fabio Bahia igualar o placar. Um minuto depois, Fabinho carimba a trave após bela defesa de Bruno.

O Guarani sentiu o bom momento e seguiu mandando na partida. Tanto que o gol da virada não tardou. Aos 23 minutos, Danilo Sacramento encontra Medina, que entrou no lugar de Fumagalli, para bater firme no canto e botar o Bugre em vantagem.

A Macaca sentiu o gol e a pressão em ter que buscar o gol que levaria a partida aos pênaltis. Desequilibrada, não foi sombra da equipe bem postada que eliminou o Corinthians. E quem estava com a Macaca era Medina. Aos 40 minutos, completou de cabeça cruzamento perfeito de Oziel e decretou a classificação do Guarani. 3 a 1 e festa no Brinco de Ouro!



PALPITE: Santos x Guarani - O Santos é infinitamente superior ao Guarani. A decisão ser em dois jogos também deixa todo o favoritismo ao lado do Peixe. O Bugre, que já foi campeão brasileiro em 78 e vice em 86, não ostenta a grandeza de outrora. Envolto à crise financeira e problemas administrativos, a superação é  o combustível desta aguerrida equipe.

Infelizmente, o Guarani já fez um milagre ao alcançar a grande final e terá que se contentar em ter surpreendido São Paulo ao menos por uma temporada. Quem sabe o bom trabalho de Vadão também não se repete na campanha da Série-B do Brasileirão? 

Parabéns, Guarani. Mas vai dar Santos.   


sábado, 28 de abril de 2012

Final do Paulistão se decide amanhã



Depois de três meses de jogos incessantes finalmente neste domingo sai os dois finalistas do Paulistão. O clássico entre São Paulo e Santos, no Morumbi, já rende algumas polêmicas antes mesmo do apito inicial. O time da Vila Belmiro viajou e jogou na altitude da Bolívia, sofreu com a mudança de clima e com o mau comportamento da torcida adversária, fora as pancadas em campo.

Emerson Leão, treinador do São Paulo, afirmou durante a semana que as duas equipes poderiam entrar em campo amanhã um pouco desgastadas. O tricolor do Morumbi tinha compromisso no meio de semana contra a Ponte Preta, em Campinas, mas a chuva caiu violentamente na cidade do interior, o que impossibilitou a realização do confronto pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Nesse casso, acredito que a arbitragem e os representantes da Federação Paulista agiram de forma correta, o campo do Moises Lucarrelli estava encharcado, diversas poças de água. Ainda falam que nós somos o país da Copa. A culpa também não é do time da Ponte Preta, mas daqueles que cuidam dos fundos financeiros. Quem sabe com uma verba extra e com ajuda também da Federação, a macaca não poderia reformar o estádio.

Aproveitando que estamos falando do interior, o outro finalista do Paulistão sai do jogo entre Ponte Preta e Guarani. Ambos eliminaram na semana passada os grandes de São Paulo, Corinthians e Palmeiras. Isso mostra que o futebol do interior ainda tem forças. O derby campineiro tem tudo para ser um ótimo jogo, mas seria completo com uma divisão de 50% dos ingressos para cada time, o que infelizmente nos dias de hoje é impraticável. Essa carga de ingressos só voltará a ser dividido pela metade quando realmente houver uma vontade política para a implantação de um sistema de registro do torcedor. Torcemos para que para o bem do futebol isso aconteça nos próximos anos. Vamos aguardar.....

domingo, 22 de abril de 2012

Paulistão 12 - Quartas-de-final

Finalmente o Paulistão começou! Começou e, para alguns, já terminou.

Após exaustivas 19 rodadas, a fase do "mata" começou. Mata porque as quartas-de-final e as semi-finais do Paulistão são decididas em somente uma partida. Como toda decisão de partida única, a zebra sempre fica a postos querendo aparecer. Neste Paulistão ela deu o ar da graça e tirou logo dois dos grandes favoritos ao título. 

Vale dizer que a moda de termos gols nos minutos finais foi seguida. Nas partidas deste domingo, 4 gols marcados nos últimos 5 minutos.

Enfim, abaixo uma breve resenha sobre os quatro confrontos, quem pega quem nas semi-finais do torneio e o palpite do blog:


CORINTHIANS 2 x 3 PONTE PRETA - Olha a zebra aí. Ou melhor, a macaca. A Ponte aprontou para cima do favorito Corinthians e eliminou o Timão em pleno Pacaembu. Foi uma partida madura da Macaca. Ocupou bem os espaços, travou as investidas do Timão e armou a equipe para explorar os contra-ataques. A proposta escancaradamente defensiva deu certo. Porém, contou com a colaboração direta do goleiro Julio César. Willian Magrão abriu o placar após cobrar falta de longe e o arqueiro aceitar o tiro. A bola passou no curto espaço que havia entre ele e a trave. Falha feia nº 1. Quando o Timão melhorava na partida, veio a ducha de água fria. Uendel recebeu na esquerda e mandou a área. Roger antecipou-se à marcação e desviou fora do alcance de Julio César. No segundo tempo só deu Corinthians. Na base da pressão, Willian diminuiu aos 29 minutos em chute cruzado. Porém, novamente Julio César contribuiu com o adversário. Depois de bater mal um tiro de meta, Rodrigo Pimpão foi lançado na esquerda. Enquanto o goleiro saía desesperado, Pimpão bateu por baixo e só não morreu na rede porque Ralf tentou afastar. Em vão. Já havia ultrapassado a risca e a Ponte ganhava fôlego para suportar os últimos minutos. Até parece. No minuto seguinte, Alex recebeu de frente para o gol e mandou no ângulo de Bruno. A bola bateu na trave direita e entrou sem chances para o bom goleiro da Ponte. A dramática partida terminou com a heroica classificação da Ponte que, embora não tenha tido maior volume de jogo, seguiu seu roteiro à risca de maneira muito competente. Aproveitou as oportunidades que teve e, mesmo sofrendo 2 gols, defendeu-se bem. O revés acende parcialmente a luz amarela no Timão. Ainda que esta derrota seja mais uma a ser colocada na conta de seu goleiro mediano, joga na cara da equipe que é preciso mais atenção a detalhes em jogos decisivos.


GUARANI 3 x 2 PALMEIRAS - O confronto mais parelho das quartas-de-final terminou com a classificação também homérica do Guarani. O Palmeiras contava com o retorno de Luan e deixava Valdívia no banco. Nada que significasse maior poderio ofensivo. Depois de um primeiro tempo bastante truncado com chances perdidas dos dois lados, a segunda etapa naturalmente ganhou emoção visto que a igualdade levava aos pênaltis. E põe emoção nisso! Apenas 9 minutos após a bola voltar a rolar 3 gols foram marcados. Aos 6, Fumagalli fez um golaço. Olímpico. Simples assim. Bateu o córner da esquerda, a bola bate no 2º pau e morreu na rede. No lance seguinte, escapada de Oziel pela direita que cruzou para Fabinho só empurrar para o gol. A resposta do Palmeiras foi imediata. Luan bate cruzado e Marcos Assunção completa o rebote. 2 a 1 e dá-lhe drama! A partida continuou lá e cá, ambos times com suas chances de gol. O Verdão da capital pressionava enquanto o Bugre era mais comedido no avanço. Contudo, o Palmeiras não conseguiu vencer o relógio e o nervosismo. Aos 45 minutos, bola boba perdida pelo lado esquerdo sobrou para Oziel orquestrar outro contra-ataque pela direita. O cruzamento atravessou a área e encontrou Fabinho, sozinho, que deu a vaga ao Bugre. Deu tempo para Henrique diminuir para o Palmeiras e dar números finais ao placar: 3 a 2. Apesar da insistência no jogo pelos flancos e nas bolas cruzadas, Vadão conseguiu bloquear bem a criação palestrina e levou o Bugre às semi-finais. O Palmeiras mostrou sérios problemas defensivos e limitação no meio-campo. As laterais tão elogiadas, foram o calcanhar de aquiles de equipe. Juninho teve uma noite para esquecer. O miolo de zaga deixou os atacantes do Bugre invadirem sem incômodo. Felipão terá trabalho para o Brasileirão...


Semi-final: Guarani x Ponte Preta. 

Palpite: O dérbi campineiro promete. Ao derrubarem o dérbi da capital, Guarani e Ponte atraem os holofotes para uma semi-final digna de anos 70-80. O Bugre leva ligeira vantagem por jogar em casa. Vadão faz um trabalho excepcional no Guarani e conta com lado direito muito bom, além da experiência de Fumagalli e do oportunista Fabinho. Nome a nome, a Ponte tem um time mais interessante. Tanto que foi recém-promovida à Série-A do Brasileirão e terá o São Paulo pela frente na Copa do Brasil. Ambos estão em momento ótimo, mas apostarei no fator momento e no diferencial do mando de campo: Guarani. 

OBS: A expectativa que envolve o dérbi campineiro tem uma preocupação por trás: violência. Invariavelmente o clássico maior de Campinas é repleto de violência, mortes e incidentes entre as torcidas. Esperamos que a partida transcorra normalmente, com a devida segurança.


SÃO PAULO 4 x 1 BRAGANTINO - No sábado, o São Paulo inaugurou as quartas-de-final e classificou-se sem sustos. A goleada sobre o Bragantino foi construída na base de muita velocidade e bom aproveitamento nas finalizações. O grande destaque da partida foi Luis Fabiano, autor de dois gols, sendo um deles numa primorosa cobrança de falta. Além disso, o matador tricolor perdeu um pênalti e tomou um bobo cartão amarelo que o suspende para o confronto das semi-finais. Fernandinho e Osvaldo fecharam a conta. Destaque para as assistências de Jadson para Fernandinho e de Casemiro para o segundo gol de Fabuloso. Passes precisos para as finalizações. No mais, não há muito que se alongar. O resultado traduz a superioridade do São Paulo no duelo. No entanto, o gol do Bragantino nasceu em bola alçada na área. O Tricolor precisa ter mais atenção nesse tipo de lance. 


SANTOS 2 x 0 MOGI MIRIM - Passeio discreto do Santos. Foi uma partida burocrata, sem qualquer ameaça à superioridade do Peixe. Logo aos 22 da primeira etapa, Neymar fez lindo lançamento que encontrou a cabeça de Maranhão na entrada da área. O cabeceio cruzado enganou o goleiro e fez a alegria do Peixe. No segundo tempo, Neymar fez das suas. Recebeu pela direita, driblou a zaga do Mogi como quis e tocou no canto para fechar o placar. Agora, antes de decidir uma vaga na final, encara o Bolívar na altitude no duelo de ida válido pelas oitavas-de-final da Libertadores.


Semi-final: São Paulo x Santos.
Palpite: O Tricolor não terá Luis Fabiano. O Peixe irá à Bolívia encarar a altitude pela Libertadores. Será o duelo de um São Paulo desfalcado contra um Santos possivelmente baleado pela desgastante viagem. Ao meu ver, mesmo ciente da falta que Fabuloso faz ao ataque do São Paulo, vale ressaltar que o time baseia seu ataque na velocidade. Fernandinho, Osvaldo e Lucas podem infernizar a zaga do Santos, não tão veloz. E tem Willian José, que não é a mesma coisa, mas já anotou 10 gols no Paulistão. Do outro lado, há Neymar, Ganso, Muricy e Cia., a força do conjunto, do entrosamento, enfim, indiscutivelmente fazem a diferença. Bom, já que clássico é clássico e vice-versa, ainda que Leão faça um bom trabalho no comando do SPFC, os vacilos defensivos não serão perdoados. Santos avança.


Enquanto aguardamos ansiosamente o próximo domingo, recomendo a seção "Análise de Elenco" na qual já passaram os seguintes clubes: Corinthians, Palmeiras, Ponte Preta.

sábado, 21 de abril de 2012

Análise de Elenco - Ponte Preta

Estaduais entrando na reta final e com eles nossa seção 'Análise de Elenco' também vai chegando ao fim. No clima das quartas-de-final do Paulistão que começam neste domingo, mais um clube paulista será protagonista aqui n'O Boteco.

A Ponte Preta, recém-promovida à Série A, fez a 8ª melhor campanha do Paulistão e vai encarar o Corinthians. Pode não ser a Macaca de outros tempos, mas costuma vender caro suas derrotas. Mostrou estrela na Copa do Brasil ao despachar o Atlético-GO nos pênaltis e vai encarar outra potência estadual no torneio, o São Paulo.

Se o destino no Paulistão e na Copa do Brasil tendem a ser a eliminação diante dos favoritos grandes de São Paulo, vejamos se o torcedor pode sonhar alto no segundo semestre:


GOLEIROS: Lauro, Bruno Fuso, Felipe, Reynaldo - Lauro, que apareceu para o futebol na própria Ponte, estava no Inter. No Colorado, nunca foi unanimidade. No entanto, quem é unanimidade no gol do Inter hoje? Enfim, experiente, alto, Lauro não faz feio. Só que falha com muita frequência. É capaz de uma partida espetacular e outra pífia. Não é regular e não transmite "aquela" segurança. Bruno ganhou a posição recentemente e teve boa atuação na partida que classificou a Macaca às oitavas-de-final da Copa do Brasil. O trunfo sobre o Atlético-GO deu moral e Bruno não compromete sob as traves, embora ainda não tenha demonstrado ser acima da média.

ZAGUEIROS - Diego Sacoman, Ferron, Gian, Wescley - Rodada. Diego Sacoman, cria do Corinthians, destacou-se no Ceará. Ágil e bastante técnico, também é forte no jogo aéreo. Gian apareceu bem no Ipatinga em 2008 e foi campeão da Série B no Vasco na temporada seguinte. É mais limitado, mas compõe bem o setor. Wescley e Ferron ao meu ver, estão mais abaixo e são opções mais preocupantes. Como dito, são zagueiros rodados, porém é preciso reforços urgentes no setor.

LATERAIS - Cicinho, Renan, Guilherme, Uendel - Sinceramente, não vejo grande potencial nas laterais da Macaca. Contudo, esse Uendel, lateral-esquerdo, é muito bom lateral. Forte no apoio, rápido e habilidoso, é uma arma constante nas investidas ofensivas da Ponte. Já os demais jogadores, ao meu ver, são simplesmente regulares.

VOLANTES - Agenor, João, Lucas, Sandro Silva, Xaves, Somália, Willian Magrão - Há alguns nomes interessantes. Xaves, ex-Atlético Mineiro, não é mau marcador. Supre a limitação técnica com bastante disposição e força na marcação. Agenor veio do Atlético-GO e é um jogador regular em todos os sentidos. Não compromete e nem se trata de um grande craque. Compõe bem e auxilia bem na distribuição de jogo. Somália, aquele ex-Botafogo e da lorota do sequestro, não é mau jogador. Corria o meio-campo durante todo o jogo e participava bem tanto atrás como na frente. Magrão veio do Grêmio com status mas não se firmou. É bom volante, principalmente na marcação. Encontrou alguma dificuldade neste início de temporada e tem atuado na zaga. Embora não renda o esperado, creio que seria o homem ideal a compor o meio da Macaca. João Paulo é outra opção interessante.

MEIAS - Caio, Enrico, Renato Cajá, Gerson, Márcio Diogo, Nadson, Nikão, Tony - É um meio-campo bastante leve e criativo. Enrico e Renato Cajá tiveram experiências no Rio sem muito sucesso, mas são meias bastante incisivos, podendo até atuar como segundo atacante. Cajá é o grande nome do time. Rápido e homem das bolas paradas, dá o tom do ataque da Ponte. Caio é aquele meia que fez um bom Brasileirão 2010 pelo Avaí. Cadencia bem o jogo e arremata com qualidade. Nikão veio do Atlético-MG e acumula alguns empréstimos por Vitória e Bahia. Vai compor elenco. 

ATACANTES - Roger, Bruno Nunes, Charles, Leandrão, Maranhão, Rodrigo Pimpão, Rossi - Não são uma Brastemp mas tem alguma qualidade. Leandrão, ex-Inter, é um centroavante nato. Alto, referência na área e frio nas conclusões. Pimpão, ex-Vasco, após uma passagem pelo Japão chega para dar velocidade na articulação do ataque. E tem Roger, prata da casa que passou por São Paulo, Palmeiras, Vitória e até o rival Guarani. Tem faro de gol e protege bem a bola. Não vejo tanta bola no Roger, mas impressiona como seu futebol rende com a camisa da Ponte. 

TÉCNICO - Gilson Kleina - É um treinador relativamente jovem (44 anos), com certa experiência em times do 2º ou 3º escalão do futebol brasileiro. Tem feito um bom trabalho na Ponte, clube onde está desde o ano passado. Conquistou o acesso, classificou a equipe para a segunda fase do Paulistão e está nas oitavas-de-final da Copa do Brasil com um grupo de qualidade discutível. Mostra qualidade na montagem dos times e dá sinais de que em breve pode ter uma chance em um clube de ponta. Vale lembrar que recusou convite do Fluminense para ser "técnico tampão" até a chegada de Abel Braga.

ANÁLISE GERAL - Ao meu ver, o grupo é mediano. A zaga precisaria de, no mínimo, mais um nome de qualidade. Não há reservas capazes de passar confiança no miolo defensivo. As laterais também são sofríveis. O meio-campo conta alguns nomes interessantes, porém, resta esperar como Kleina vai organizar o time extraindo o melhor de suas qualidades. Se acertar e povoar o meio, pode sobreviver e permanecer na Série A, já que a zaga não inspira confiança nenhuma. Por fim, o ataque tem poucos valores. A esperança é que o conjunto e o sistema ofensivo consagre os bons centroavantes Leandrão e Roger.

RESULTADO - Por ter sido recém-promovida e contar com um grupo de jogadores rodados mas que não vingaram em clubes maiores, em tese, trata-se de um time médio. Será preciso verificar como a equipe responderá nos duelos contra os principais clubes do Brasil. Entretanto, a realidade é que, num primeiro momento, a Macaca briga para não cair e o que vier é lucro.