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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #15

Como aperitivo da rodada do meio de semana, vamos aos destaques da rodada passada!


CERVEJA GELADA

CRUZEIRO e INTERNACIONAL - Rodada boa para os líderes do Brasileirão. Sábado, o Inter bateu o Goiás por 1 a 0 e dormiu na liderança. Mas no dia seguinte, o Cruzeiro recuperou-se dos dois jogos sem vitória com uma bela atuação diante do Santos: 3 a 0, retomando a ponta. Beneficiados pelos tropeços de Corinthians e Fluminense, a dupla consolidou-se na ponta.

SÃO PAULO - A sorte sorriu para o Tricolor. Mesmo não fazendo uma grande partida, venceu o Palmeiras por 2 a 1 e encostou no G-4, com os mesmos 26 pontos do Fluminense. 

FLAMENGO e BOTAFOGO - A dupla carioca tem motivos para comemorar. Ambos venceram partidas importantes e dormem fora do Z-4. O Fogão fez bonito e, apesar da crise que assola o clube, levou a melhor no clássico contra o Fluminense, 2 a 0. Já o Mengão derrotou o Coritiba, fora de casa, por 1 a 0. Os dois times contabilizam 16 pontos, 2 acima da zona da degola.


CERVEJA QUENTE

CORINTHIANS - O Corinthians ainda parece estar se adaptando à nova arena pois insiste em tropeçar em seus domínios. Desta vez, empatou 1 a 1 com o Bahia, agora vice-lanterna. O Timão ainda dorme no G-4 mas já dorme com o perigo de sair a qualquer momento.

CORITIBA - Perdeu em casa para o Flamengo. Lanterna com 12 pontos, exatos 3 abaixo do Vitória, 16º, primeiro fora da zona da degola. Precisa dizer mais?

VITÓRIA - Amargou um empate por 0 a 0 em casa contra a Chapecoense e vai ficar coladinho no Z-4, apenas 1 ponto à frente de Palmeiras, Figueirense e o rival Bahia.

PALMEIRAS - Não pela derrota no clássico, mas pela conjuntura. 9 jogos sem vencer. Perdeu o clássico que era mandante no Pacaembu. Teve a bola do jogo nos pés momentos antes do gol tricolor, mas Leandro e Henrique esbanjaram falta de tranquilidade na conclusão. Pra piorar, o gol da vitória foi marcado por Alan Kardec, ex-Verdão e pivô de uma famigerada saída conturbada. Sim, é possível ficar pior. O time cai para a 17ª posição e inaugura o Z-4. Pe-ri-go! 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Empáfia, bipolaridade e outras drogas

Futebol é fascinante. A tensão que permeia o ar durante 90 minutos seja em um embate contra um rival tradicional seja em uma peleja contra algum enviado do inferno na forma de time inexpressivo do interior é indescritível. Ganhar é superlegal. Erguer taças, então, nem se fala. Nos confere o ápice do prazer esportivo como se tivéssemos penhorado nossas almas no campo. Mas a verdade nos é arremessada na cara tão logo os próximos 90 minutos iniciem. Estamos sempre a dançar na linha tênue da glória e do ostracismo toda quarta, todo domingo.

Todo prolegômeno do mundo não seria suficiente para tentar expor o que é torcer para um time bem estruturado, vencedor, tradicional, arrogante e de vanguarda cuja torcida insiste em julgá-lo a cada 90 minutos de jogo. Uma torcida apaixonada, acostumada com os louros da vitória e se vê sente na iminente necessidade de forjar ídolos e condenar jogadores ao exílio eterno duas vezes por semana. 

Essa bomba emocional atende pela torcida do São Paulo. É espantosa a capacidade dos adeptos comparecerem ao estádio previamente munidos de sua corneta e esperarem com mais ansiedade o momento de soá-las do que de comemorar um gol. Contudo, também merece a devida consignação que o próprio São Paulo ultimamente clama pela desaprovação popular.

Respaldada pela soberba de ter ido um tico mais além que uma meia dúzia de rivais, o São Paulo acostumou-se a acreditar que a camisa daria cabo de colocar o time constantemente na rota dos títulos. Tal pensamento gerou uma verdadeira caça às bruxas culminando com uma sequência assombrosa de treinadores degolados.

Por seu turno, muitos jogadores que aterrissavam em solo tricolor caíram na tentação de acomodarem-se diante da boa estrutura oferecida pelo clube. Entretanto, tal comportamento não passa batido por quem se dispõe a atravessar a cidade, comprar ingresso e encarar aquela friaca maldita das arquibancadas. Apesar as constantes renovações do elenco e do comando técnico, o São Paulo chegou em um ponto no qual sua bipolaridade o impede de seguir adiante.

Mesmo tendo conquistado a Sul-Americana em 2012, sobrevivido a uma temporada horrível ano passado e repatriado o comandante Muricy Ramalho, o São Paulo dá sinais que parou no tempo. Ou desaprendeu a ser uma equipe competitiva ou caiu nas mãos de pessoas despreparadas ou demasiado preguiçosas ou ainda teimosas o bastante para não perceber o óbvio ululante.

Poderíamos começar pelo estádio. Cobrir o Morumbi não vai fazer do estádio uma referência em modernidade nem adequar à realidade do futebol em que vivemos. A arquitetura grandiosa do estádio comporta 70-80 mil torcedores e nas raras vezes quando atinge sua plena capacidade (em torno de 60 e tantos mil) não gera a sensação de pressão no adversário e também deixa visíveis alguns buracos em certos setores.

O maldito processo de arenização dos estádios está se mostrando um mal necessário. A readequação do estádio para 40-45 mil torcedores aparenta ser mais que suficiente se a média de público do time bate nos 20 e poucos, 30 mil, ou nem isso. Além disso, se 20 mil torcedores forem ao estádio, conseguirá dar a impressão de estar mais cheio e eventualmente gerar mais pressão no adversário, o que não acontece com as arquibancadas de hoje que estão a poucos quilômetros da lua em relação ao campo.

Porém, o futebol é o que importa. O mau momento do Tricolor encontra culpados em todos os níveis. Vamos começar pela diretoria? Reforçar o ataque é bom. Foi uma estratégia ousada a aposta em Pato, a contratação de Alan Kardec para suprir a constante ausência ou omissão de Luis Fabiano, até aí, tudo certo. Só que o sistema defensivo do São Paulo como um todo é sofrível. Não é culpa exclusiva da zaga. Falta uma amarração melhor do sistema, faltam volantes mais combativos, laterais mais obreiros. Qual foi a atitude que Aidar tomou diante disso? Contratou Kaká. Outro meia avançado. 

É insano, sério. Nem se fosse o Kaká de 2007 essa contratação se mostra pertinente nesse momento. O mais razoável a fazer é buscar algum meio de fazer o time defender-se melhor, e aqui pulamos para outro culpado.

Apontar o dedo e cornetar o trabalho de Muricy no São Paulo virou tabu daqueles passíveis de excomungação tal como criticar uma falha ou apoiar a aposentadoria de Rogério Ceni. Porém, Muricy dá sopa para o azar. O treinador sempre foi conhecido pela regularidade defensiva. Foi assim em sua primeira passagem. 3 zagueiros, uns volantes voluntariosos, disciplina tática. Aí ele me começa a armar o time com surreais 3 atacantes, sendo que invariavelmente Osvaldo e Ademílson acabam por figurar no setor. 

Sério, isso tá virando caso de internação. Pelo menos Muricy se mostra atento e tenta consertar. A solução então foi voltar ao 4-4-2 e deixar o Ganso mais à vonts pra jogar. Tudo bem. Só que a meia-cancha continua mais fácil que baranga às 3 da manhã, caramba! Se ele está esperando o milagre da velotização do Maicon para ajustar a volância, pode esquecer.

Na última partida, Muricy lançou Denílson e, mesmo com Souza e Maicon - 3 volantes, portanto, ainda que com Maicon mais avançado - tropeçou novamente em casa. As constantes mudanças desse pós-Copa preocupam. Preocupam porque o time já perdeu um bom punhado de pontos em casa e sugere que todo o trabalho feito durante o Mundial não serviu de nada. É como se não soubesse o que fazer e está usando os jogos para treinar, fazer testes, quando seria o local adequado para trazer resultados (positivos).

Da mesma fonte de bipolaridade que bebe o São Paulo, bebem os jogadores. São incapazes de manter regularidade satisfatória ou de atuarem em nível aceitável. Alexandre Pato puxa a fila. Nos últimos jogos, não foi mal, verdade seja dita. Mostrou velocidade, criou oportunidades. Entretanto, abusou do direito de desperdiçar chances.

Ganso também evoluiu. Está mais participativo e carimba todas as bolas no meio-campo. Mas insiste em não chutar, não entrar na área, não buscar algo diferente em prol do time. Luis Fabiano está lesionado desde 2011. Osvaldo e Ademílson estão abaixo da crítica. A zaga individualmente não é ruim, porém a falta de colaboração do meio-campo expõe os equívocos de posicionamento de Antônio Carlos e a afobação de Rodrigo Caio em certos momentos.

Os outros, no geral, não fedem, nem cheiram e isso é pior que ter um jogador essencialmente ruim no elenco. É inadmissível que jogador profissional constantemente isolem os chutes de fora da área, errem passes primários ou não ofereçam alternativas de jogo (entenda-se "aparece pra receber, já que tá todo mundo espalhado escondido atrás da marcação").

Em tempo, nem Rogério deixou de ser contaminado. Entre uma intervenção aqui e ali, acabou por participar negativamente no gol sofrido contra o Criciúma.

Todo esse contexto caótico legitima a torcida a pregar o apocalipse jogo após jogo. Porque o São Paulo tem tudo e merece ter dirigentes antenados e competentes, um técnico mais perspicaz e jogadores eficientes. Não quero nem pensar o que vai ser quando a própria torcida perceber que esse comportamento é tão maléfico quanto ter Paulo Miranda como opção para a zaga.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #13

Outra rodada do Brasileirão-14 que se vai. Como sempre, destaques positivos e negativos na mesa! Se liguem:


CERVEJA GELADA

CHAPECOENSE - A Chapecoense acordou e esboça uma arrancada importante rumo a qualquer lugar que não seja a Série B ano que vem. Em casa, venceu o complicado duelo com o também ameaçado Flamengo. A vitória por 1 a 0 deixa os catarinenses com 14 pontos, 3 a frente do Coritiba, primeiro no Z-4. Além disso, empurrou o Mengão para a lanterna, empatado com Bahia e Figueirense, com 10 pontos.

FLUMINENSE - Aproveitou o empate do Cruzeiro (1-1 com o Botafogo) para encostar no líder. No Maraca, venceu o tinhoso Goiás por 2 a 0 e assumiu a vice-liderança, 25 pontos, 4 a menos que a Raposa. Com a meia-cancha de respeito que tem, vai incomodar bastante até o fim.

INTERNACIONAL - Também se beneficiou da cochilada do Cruzeiro. Recebeu o Santos e bateu o Peixe por 1 a 0, gol de Rafael Moura He-Man. Igualou os 25 pontos dos cariocas e volta à briga por alguma coisa na ponta de cima da tabela.


CERVEJA QUENTE

SÃO PAULO - Novamente decepcionou. 46 mil torcedores viram o Tricolor empatar com o Criciúma por 1 a 1. Embora tenha jogado relativamente bem, o São Paulo abusou dos gols perdidos e, numa falha de Rogério, teve que amargar outro tropeço em casa. Pontos que farão falta e não voltam mais.

PALMEIRAS - 7º jogo sem vitória. Dessa vez, mereceu estar aqui. A partida era no Pacaembu contra o desesperado Bahia. E o Palmeiras empata por 1 a 1, soma seu 14º ponto e já começa a vivenciar a tensão do risco da degola. O perigo voltou e é real.

SPORT - O Sport, assim como o Goiás, está sendo uma grata surpresa nesse Dilmão-14. Porém, foi visitar o Figueirense, que está estacionado no Z-4 desde o big bang desse campeonato, e levou sonoros 3 a 0. A ver se essa derrota vai significar o início de uma indesejada derrocada.


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #11

11 rodadas e 33 pontos em jogo se foram. Essa rodada prestou um pequeno desserviço ao campeonato. O líder já ensaia seu distanciamento natural da ralé, em que pese a briga pelo G-4 esteja fervendo. Lá embaixo, bom, a coisa segue feia e indefinida, ainda bem.


CERVEJA GELADA

CRUZEIRO - Creio que essa será a última vez que coloco o Cruzeiro no "Cerveja Gelada". Afinal, toda rodada eles estão aqui! Como todo mundo sabe que o Cruzeiro deve deitar e rolar nesse Brasileirão, guardemos os louros para a rodada que vier o título. Sim, falta muito ainda, mas parece bem perto da Toca da Raposa novamente. Ah, os três pontos da vez vieram contra o Palmeiras, no Pacaembu, triunfo por 2 a 1.

ATLÉTICO PARANAENSE - O Furacão engatou a terceira vitória consecutiva no Brasileirão e alcançou o bando dos 5 clubes que hoje contabilizam 19 pontos. Os 2 a 0 sobre o Criciúma, bom destacar, colocam o Atlético no G-4.

GRENAL - A dupla gaúcha venceu e ambos integram a patota dos 19 pontos. O Inter aplicou impiedosos 4 a 0 no Flamengo, ainda lanterna. E o Grêmio venceu o Figueirense, fora de casa, por 1 a 0.



CERVEJA QUENTE

SÃO PAULO - Mais de 40 mil torcedores presenciaram o vexame tricolor no Morumbi. A derrota para a Chapecoense por 1 a 0 deixou o São Paulo 6 pontos atrás do líder e fora do G-4. 

ATLÉTICO MINEIRO - Empatou em casa com o Bahia por 1 a 1. Está perto da bagunça mas se tivesse feito a lição de casa poderia tumultuar mais a tábua de classificação.

AGRESSÃO - André Santos, lateral do Flamengo, foi agredido por torcedores do seu time após o atropelamento sofrido contra o Inter. Sempre lamentável. Por mais que o momento do jogador seja ruim, não vai ser meter porrada no camarada que vai fazê-lo jogar bem. A tendência é que seu rendimento caia ainda mais. Aliás, não é improvável que todo o time sinta o baque pelo colega e faça o Flamengo iniciar uma bela arrancada rumo à Série B.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #10

A Copa do Mundo é igual aquela ex-namorada-amante-caso-o-que-for que aparece de tempos em tempos, rola uma recaída, a gente jura que não vai mais acontecer mesmo sabendo que vai e esperamos com uma certa expectativa esse dia.

Nosso amor de verão - ou inverno, para os mais meteorologicamente críticos - se foi e voltamos aos braços da nossa amada.

A 10ª rodada do Brasileirão foi boa e já causou certa bagunça na tabela logo de cara.

Eis os destaques:


CERVEJA GELADA

SPORT - Na Ilha do Retiro, o Sport bateu o Botafogo e manteve a equipe carioca flertando perigosamente com o rebaixamento. Mais que isso, os pernambucanos enfileiraram mais destaques! A começar pelo golaço de Neto Baiano. Pouco depois do meio-campo, fez o tal gol que o Pelé não fez. Encobriu o goleiro e fez o senhor gol da partida. E vai além. A vitória colocou o Sport no G-4, exatamente na 4ª posição, com 17 pontos.

CRICIÚMA - Às vésperas da Copa, o Criciúma perdeu 3 pontos no tapetão, sabiam? Pois é. Pela escalação irregular de Cristiano na derrota para o Goiás por 1 a 0 lá na segunda rodada. Mas, tudo bem, quem tem Paulo Baier pode dormir tranquilo. O Tigre recuperou com juros esses 3 pontos em grande atuação do interminável meia, autor de dois gols e uma assistência precisa na vitória por 3 a 2 sobre o Fluminense, em Santa Catarina. Os carvoeiros voltam aos 11 pontos, 4 à frente do Z-4, e vão para a 13ª posição.   

LÍDERES - O Cruzeiro segue nadando de braçada. Manteve sua vantagem de 3 pontos para os vice-líderes ao bater o Vitória por 3 a 1, no Mineirão. Ricardo Goulart guardou um, salvou meu cartola e assumuiu a liderança da artilharia com 6 gols. Fungando no cangote da Raposa chegam Corinthians e São Paulo, empatados com 19 pontos. O Timão finalmente venceu na sua nova Arena! 2 a 1 sobre o Internacional, que despencou para 8º. Já o Tricolor foi encarar o Bahia e trouxe 3 pontos da Nova Fonte (de gols) Nova. 2 a 0, com gols de Rogério Ceni, de pênalti, e outro do estreante Alan Kardec.

SANTOS - Menção honrosa ao Peixe! Venceu o clássico contra o Palmeiras na Vila Belmiro por 2 a 0, gols de Bruno Uvini e Alisson. O Santos encosta no G-4, em 5º, mesma pontuação de Sport. 



CERVEJA QUENTE

CORITIBA - Recebeu o Figueirense e deu uma força para o ex-lanterna do Brasileirão. Perdeu por 2 a 0 e ainda viu o ex-lanterna igualar os 7 pontos, mas ultrapassá-lo na tabela pelos critérios de desempate. Interessante que todos no G-4 possuem 7 pontos com somente 3 times à frente numa distância de menos de 3 pontos. Ou seja, nada está perdido e vem tumulto do bom por aí.

FLAMENGO - Nesse Brasileirão tudo indica que o Mengão será figurinha carimbada aqui no Cerveja Quente. Derrotado em casa para o Atlético Paranaense, 2 a 1. Perdeu Samir, autor do gol, machucado. Para piorar, assumiu a lanterna do campeonato! Nuvens negras na Gávea! O risco de rebaixamento começa a se mostrar razoável.

GRÊMIO - Empatou em casa por 0 a 0 com o Goiás. Nem a estreia de Giuliano ajudou o Tricolor Imortal a acompanhar a evolução na parte de cima da tabela. Essa oscilação já permite dizer que o G-4 será o céu gremista esta temporada.

domingo, 15 de junho de 2014

Kaká vai fechar com o São Paulo!

O meia Kaká está próximo de retornar ao São Paulo, clube que o revelou. Especulações à parte, quem afirmou o acerto foi o próprio jogador. Se mentiu, reclamem com ele, não com quem repassa a fofoca.

Kaká foi visto semana passada em um escritório de advocacia aqui em São Paulo. E, pelo que me foi dito, irá mesmo se divorciar.

Assediado pelos funcionários, foi perguntado se jogaria mesmo no São Paulo. E aí, eis que o meia crava, de pronto: "Por seis meses".

Minha fonte? Também sou advogado e tenho amigo(s)(as) nesse tal escritório.  

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #9

9 rodadas e 27 pontos disputados depois chegou a hora de dar um tempo no Brasileirão para respirar Copa do Mundo. Em homenagem ao melhor campeonato nacional da galáxia, um carregamento especial de cervejas geladas e quentes com o que aconteceu de melhor nessa rodada e no torneio até o momento.

Saquem só!


CERVEJA GELADA


CRUZEIRO - Vai descansar líder absoluto do Brasileirão. 19 pontos conquistados, 3 pontos a mais que os vices. Cartel de 6 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, com 18 gols marcados, 10 sofridos, Ricardo Goulart e Marcelo Moreno dividem a artilharia com 5 gols cada. Neste fim de semana, precisou de somente 45 para debulhar o Flamengo por 3 a 0. Ou seja, a máquina cruzeirense tem grandes chances de revalidar o título esta temporada. 

SÃO PAULO - Venceu o Atlético Mineiro da maneira mais insólita possível. Aos 44 do segundo tempo, Pabón bateu falta de longe e o goleiro Giovanni aceitou. Um frangaço que valeu o triunfo tricolor por 2 a 1. O São Paulo entra novamente no G-4 e divide a virtual vice-liderança com Fluminense, Corinthians e Internacional, todos com 16 pontos.

SANTOS - Após muito empatar, o Peixe emplacou sua segunda vitória consecutiva e entra no bololô intermediário à espreita de uma chance de beliscar uma vaga no G-4. A vitória sossegada contra o Criciúma por 2 a 0 deixa o Santos na 9ª posição com 14 pontos mantendo vivo o sonho por alguma coisa nesse Brasileirão.

CAOS - O Brasileirão está interessante porque se organiza no caos. Em um intervalo de 3 pontos pode acontecer qualquer coisa. Consagrar um novo lider, mudar significativamente o Z-4 e até bagunçar legal a tábua de classificação. Com apenas uma vitória é possível subir, olha, brincando, brincando, umas 4 posições. Isso mostra que ainda não está exatamente claro onde está aquele corte que define quem briga lá em cima e lá embaixo.


CERVEJA QUENTE


CORINTHIANS - De novo. Outro evento teste lá no Itaquerão. Estava o Corinthians no seu lugar. Veio o Botafogo lhe fazer mal. O resto da música todo mundo já sabe de cor e salteado. O Timão anotou o primeiro tento na nova casa com Jadson. "Um baita gol, diga-se de passagem" NETO, "Craque". Mas daí o Corinthians entregou-se àquele acadelamento que lhe é peculiar e permitiu o empate do Botafogo. Amargo 1 a 1 em nova decepção no seu novo campo. Pelo menos ainda se segura lá no G-4 nessa parada para a Copa.

FIGUEIRENSE - É impossível não servir uma cerveja quente e não pensar no Figueirense. Mais uma derrota em casa. O baile no Orlando Scarpelli foi comandado por Douglas Coutinho, autor dos 3 gols da vitória do Atlético Paranaense por 3 a 1. Lanterna absoluto do Brasileirão com apenas 4 pontos, o Figueira já pode começar a pensar na Série B em 2015 porque tá na cara que vai cair.

GRÊMIO 0 x 0 PALMEIRAS - Foi um festival de finalizações grotescas. Pior que isso, só a arbitragem que anulou gol legal de Diogo. Pode ser que o árbitro tenha se assustado com o fato de Diogo estar fazendo um gol já que isso por si só configura um motivo razoável para encontrar alguma irregularidade no universo. Mas o gol era legal e o Verdão poderia estar melhor nesta segunda-feira. Assim como o Grêmio, que perdeu pontos preciosos em casa e vai ter que se contentar ficar na cola do Inter durante todo o recesso.

Z-4 - Vitória, Coritiba e Flamengo dividem os mesmos 7 pontos que lhe credenciariam a passagem para a Segundona ano que vem, caso o Brasileirão acabasse hoje. O Flamengo pediu para estar na zona da degola já que trocou Jayme de Almeida por Ney Franco no momento mais inadequado possível, posto que o treinador não leva culpa exclusiva pelo time carioca ser incrivelmente limitado. Coritiba e Vitória pagam o preço de seus times mais ou menos. Embora conte com Alex e um punhado de jogadores mais experimentados, o Coxa padece de Zé Love, Keirrison e um esforçado Julio Cesar no ataque e Celso Roth na casamata. Nada animador, portanto. Já o Vitória tem um time bem estranho. Faz jogo duro mas não vence. Ganhou apenas uma e empatou outras 4. Parece certo que vai brigar por aí durante todo o certame.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Ensaio sobre a bipolaridade

O juiz apita o final do jogo. Perco o olhar no campo na imensidão de um infinito intervalo entre 3 e 5 segundos. Enquanto os jogadores mal esboçam os cumprimentos e sua retirada aos vestiários eu estou ali me recuperando de uma bola na trave que poderia nos ter dado a vitória, os 3 pontos, a salvação, quiçá o título e tentando, em vão, disfarçar minha decepção e revolta em ter perdido dois pontos em casa. Conheço bem essa estranha sensação e hei de conviver com ela ao longo de mais uma temporada.

É assim desde 2009. Na ressaca do tricampeonato brasileiro, o São Paulo especializou-se ano após ano em ser um time revestido de uma bipolaridade irritante. Atualmente, esse maldito transtorno é perceptível em outros clubes mas nem de longe se compara ao estrago que faz no Tricolor.

Terceira rodada do Brasileirão e lotamos o Pacaembu para o duelo contra o Coritiba. Muricy decide ousar e aposta no que denomina ou acredita ser um esquema tático com 4 atacantes dos quais apenas 2 prezam pelo trato aceitável com a redonda, Pato e Luis Fabiano. De Osvaldo e Pabón espera-se muita correria e que não ponham tudo a perder. Atrás, uma linha defensiva no qual Luis Ricardo e Rodrigo Caio posicionam-se lado a lado. Ou seja, simplesmente um oásis para o adversário. Um território fadado a gerar calafrios e sustos nos tricolores cada vez que a bola por lá resolve se meter.

Não vem ao caso perder tempo dizendo que saímos na frente, tomamos a virada e somente empatamos graças a alguma entidade divina ter iluminado o improvável Ademílson que, provavelmente em razão de uma fisgada no cérebro, esticou a perna, encobriu o goleiro e anotou um golaço. No derradeiro lance, o mesmo Ademílson mostra qualidade até então dormente no cruzamento que encontrou Luis Fabiano. Nosso camisa 9 omisso durante 90 minutos apostou tudo naquela último lance. Esgueirou-se todo para cabecear uma bola que caprichosamente opta por encontrar a trave em um ângulo preciso o suficiente para não dar rebote a Pato.

Quando o árbitro trilou o apito e pôs termo àquele sofrimento, e tendo encerrada a busca pela vitória tão certa em nossas mentes, lembrei das últimas temporadas. Tão repletas de pretensões vitimadas por uma incompetência tão nossa, tão particular que hoje nem nos surpreendemos tanto quando tropeçamos em nossos próprios passos novamente.

Somos tão oscilantes que no final de um ano terminamos campeões e favoritos a levar a próxima Libertadores, já no outro brigamos contra o rebaixamento. Nossa diretoria é ardil o bastante para reforçar seu ataque com Pato e Kardec, porém esquece o quão nosso sistema defensivo é precário. As temerárias saídas de bola com Rodrigo Caio, saber que as opções para a direta se resumem a Douglas, Luis Ricardo ou mediante improvisação de Paulo Miranda, ver uma volância capenga, incapaz de conter o ávido ataque adversário compõe um complexo teste cardíaco realizado diversas vezes em pouco mais de 90 minutos.

Estamos de saco cheio em olhar para o elenco individualmente e nos encher de esperança em ver em campo algo que possa ser chamado de time de futebol. Cansamos de ver aquele motim de jogadores em campo perdidos e esperar que alcancem vitórias e títulos somente porque há no banco o semblante de Muricy Ramalho. É inadmissível entrarmos favoritos em todo tipo de competição e dela ser despachado por adversários melhor organizados que exploram com eficiência nossa própria arrogância.

Quantos Libertad, Avaís, Coritibas, Pontes Pretas, Penapolenses serão precisos para que o São Paulo pare com essa estranha obsessão em jogar contra seu próprio torcedor? Ganhar e perder, aceitamos, é do jogo. Mas não em casa. Não para a Penapolense. Não para o Coritiba. Não assim. Não tão agora.

Sei que o Brasileirão é um campeonato difícil, nivelado por níveis controversos, recheado de vais e vens. É cedo para jogar a tolha. Sim, podemos. Veja nosso elenco! Olha o Kardec chegando! Temos o Muricy! Ainda não perdemos, veja só! Estamos a menos de 3 pontos dos líderes! Vamo, São Paulo!

Bem, 3 rodadas se foram. São 5 pontos em 9 disputados. Não, não é ruim. Podia ser melhor. É. Vamos ver. Mas, puts, se aquela bola entrasse...


terça-feira, 29 de abril de 2014

Todos queríamos ser Kardec

A surreal especulação virou interesse e transformou-se em negociação (praticamente) concreta. Alan Kardec deixa o Palmeiras e pula o muro para defender o São Paulo. Do discurso dos presidentes de ambos clubes em suas coletivas nas quais esbanjaram cavalheirismo com troca mútua de gentilezas e congratulações pelo negócio nota-se a inteligência de todos os envolvidos, inclusive e principalmente Kardec.

Comecemos pelo mandatário do Verdão, Paulo Nobre. Ele mais do que ninguém sabe a pindaíba que assola o clube. Ao anunciar que Alan Kardec não mais atuaria pelo Palmeiras - e tendo revelado o acerto do atacante com o São Paulo - Nobre posa de mártir. 

Paulo Nobre vem a público e expõe sua versão: estava otimista com o acerto pois os valores estavam próximos dos pretendidos pelo atacante e pelo fato de ter até o final de maio para resolver a questão. Foi quando teria sido surpreendido pelo pai - e representante - do atacante de que já havia acertado sua transferência para o São Paulo.

O presidente disparou contra o Tricolor, diz que foram sujos, antiéticos, isso e aquilo, mas, veja. Prestemos atenção em um detalhe: Nobre diz que os valores estavam próximos. Ora, se os valores estavam tão próximos assim, por que o pai de Kardec resolveu colocar o atacante no mercado? Que motivação teria para trocar de clube, principalmente um rival da mesma cidade, vizinho de centro de treinamento, se os valores estavam próximos daqueles pretendidos pelo atacante?

Para justificar a saída de seu goleador, Paulo Nobre puxa os holofotes para sua administração. Diz que tem zelo com as finanças do clube e defende com unhas e dentes o contrato de produtividade por uma questão de justiça. Tudo bem que não venham títulos, mas se quer ganhar tanto, dedique-se e esteja em campo. Lindo só na teoria.

Realmente me parece bem claro que os valores não estavam lá tão próximos assim. Tanto que vem o pai de Kardec dizer que só colocou o filho no mercado depois de ver o Palmeiras modificar um ponto já acertado anteriormente. Uma diferença de 5 mil reais. 

Sim, 5 mil reais é, de fato, um valor próximo. Contudo, foi uma diferença de cinco mil após outros tantos mil que Kardec teria aberto mão. E, para que se entre na discussão ética da coisa, tal valor foi reduzido após as partes terem chegado a um denominador comum. Algo como: beleza, fechamos em 10. Daí você vem e me aparece com 5. Não foi o combinado. E isso fez com que Kardec pai negociasse com quem bem entendesse.

A intransigência de Kardec pai passa pelo momento e importância do filho no Palmeiras. Valdívia não tem contrato por produtividade. Joga quando quer, joga bem quando consegue ou tem disposição para (embora esteja fazendo um aceitável 2014) e ganha incrivelmente bem. Alan Kardec entra em campo, come grama, marca gols de tudo quanto é jeito e não merece uma valorização à altura? É revoltante, sim!

Por mais que as finanças não permitissem, Kardec tinha que se impor e exigir uma efetiva valorização. Trocando em miúdos, reconhecimento travestido de dinheiro. Fazer valer sua importância para o clube. E, ao que consta, fez sua parte. Fez concessões, permitiu-se negociar para permanecer onde teve destaque, onde é ídolo (não é?). Mas foi seduzido pelos 350 mil reais mensais (sem contar luvas, não reveladas) oferecidos pelo São Paulo, que desembolsará 4,5 milhões de euros pelo atacante.

Ciente de que deus e o mundo queriam o centroavante, o São Paulo tomou a frente, acertou valores com o jogador, com o Benfica (dono do "passe" do atacante) e ponto. Teve de vir à público somente para passar um recibo que todos já sabiam.

Coube a Carlos Miguel Aidar limitar-e a escancarar a incompetência negocial do Palmeiras em segurar seu principal jogador, explicou que só foi atrás do atacante quando ouviu o brado do pai de Kardec que seu filho tava na pista para negócio e mostrou-se confortável em explicar o ganha-e-perde no mundo dos negócios do futebol. Inclusive, lembrou as saídas de Cafu e Antônio Carlos que pararam no próprio Palmeiras e até Dagoberto. 

Dessa algazarra toda, não dá para entender por que o São Paulo queria tanto Kardec, se o ataque não é sua principal deficiência. Vai se dar ao luxo de não precisar mais de Ademílson, quem sabe. Mais complicado ainda buscar explicações por que gastar tanto com um bom jogador, ponto. Nada além disso. Nada de extraordinário. Por esse valor - ou até menos - talvez fosse possível um atacante tão bom quanto, um volante para acertar a meia-cancha, um zagueiro, ou simplesmente alguém que valha esse furdúncio todo.

Um insano reconhecimento financeiro para um bom funcionário. Quem não queria ser Kardec?



segunda-feira, 21 de abril de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #1

Brasileirão iniciou e retomo aqui o velho hábito de destacar o melhor e o pior da rodada. É o retorno da distribuição de cerveja aqui no blog!


CERVEJA GELADA

SÃO PAULO E FLUMINENSE - Os tricolores venceram seus jogos pelo maior placar da rodada: 3 a 0. Enquanto os cariocas bateram o Figueirense com boa atuação de Fred - um gol e uma assistência - os paulistas deram cabo do Botafogo cujo destaque foi o tridente formado por Ganso, Pato e Luis Fabiano. Bom início para a dupla que ano passado flertou forte com a degola. 

PALMEIRAS - No retorno à elite, o Palmeiras estreou fora de casa contra o Criciúma. Os primeiros 45 minutos foram medonhos. Mas reagiu. Contou com a ajuda da arbitragem e da estrela de Kleina para bater os catarinenses por 2 a 1. O treinador lançou Leandro e Wesley no segundo tempo. O atacante fez o tento do empate. Já o volante bateu falta na medida para Kardec cabecear e decretar a virada.

CRUZEIRO - Ainda concentrado na Libertadores, o Cruzeiro levou os reservas a campo contra o Bahia, na Fonte Nova, e fez valer a força do seu elenco. Ignoraram o fator campo e impuseram a força de seu elenco. 2 a 1, gols de Nilton e Marcelo Moreno. 


CERVEJA QUENTE

FLAMENGO - Recebeu o Goiás e não saiu de um sonolento 0 a 0. Mostrou limitações na articulação das tramas ofensivas.

SANTOS - Na ressaca da perda do Paulistão, o Peixe foi surpreendido pelo Sport. Os Meninos da Vila não conseguiram aproveitar a força de seus domínios e ficaram no 1 a 1 com os pernambucanos. É bom que o Oswaldo acerte logo o psicológico da molecada antes que uma série de tropeços indesejados coloque em xeque as pretensões santistas.

0 x 0 - Chapecoense x Coritiba e Atlético Mineiro e Corinthians também terminaram sem gols em partidas um tanto modorrentas.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Ademílson, o profeta do vexame

14 minutos do segundo tempo. Muricy saca Pabón e lança Ademílson. Se o São Paulo até aquele momento já superava etapas rumo à eliminação, esta alteração praticamente sacramentou a queda precoce do São Paulo contra o bravo Penapolense. Acréscimos. A bola se oferece para Ademílson. O atacante chega cheio de vontade, mete a canhota nela e isola. Pênaltis? Mera formalidade. O São Paulo teria que cair porque é um time ruim e tem um elenco limitado, restrito a uma meia dúzia de bons jogadores que, no conjunto, não são capazes de fazer nada além do que incentivar o torcedor namorar com a expectativa e casar com a decepção.

Qualquer homem médio que acompanha futebol percebe que há no meio do futebol jogadores simplesmente incapazes de exercer aquele ofício. Estranhos no ninho. Tem uma cacetada deles por aí. Nesse São Paulo que inicia muito bem sua segunda temporada de desilusões, o vexame tem uma a cara de... Ademílson.

Ademílson deve ser um bom sujeito. Um cidadão de respeito. Quiçá, um bom companheiro com um ar engraçado graças àquele bigodinho controverso. Entretanto, começo a desconfiar do amor platônico que diretoria e comissão técnica sentem pelo Henry de Cotia. Impressiona o nível de inutilidade do atacante cujas boas partidas não contabilizam uma mão cheia.

Quando se olha para o banco e sua primeira opção é o Ademílson é evidente que seu time está à beira de uma catástrofe. Pior que isso é analisar o elenco e constatar com aquele ar reflexivo que os jogadores ali presentes não são exatamente ruins. Porém, o óbvio salta aos olhos: o time é horroroso. Esse paradoxo do elenco razoável para bom virar um time ridículo jamais será respondido.

Muricy Ramalho viveu uma primavera de alguns bons jogos ano passado, salvou o time do rebaixamento e elevou o astral da torcida. De repente, o time é eliminado humilhantemente pela Ponte Preta na Sul-Americana e toma um choque de realidade. Em seguida, sobram discursos contemporizadores de relativizar o óbvio ululante. E nada foi feito para mudar esse quadro!

O São Paulo 2014 é um clone mal tirado da equipe do ano passado. Volantes limitados, sistema defensivo frouxo, uma baciada de jogadores esforçados mas essencialmente ruins, privilégio que não alcança somente nosso amigo Ademílson. Não se vê nesse grupo um mínimo traço de qualidade, de tranquilidade e elegância no trato com a redonda seja ganhando, seja perdendo. É apenas um time ruim em ação sem uma solução imediata.

Seria possível direcionar a corneta a Muricy e questioná-lo por que ele insiste em fazer o time jogar tanto para frente quando o meio-campo não morde deixando a defesa extremamente e constantemente exposta. Cadê os três zagueiros, aquela bagunça na meia-cancha onde todo mundo marcava? A cadência aliada à velocidade ao sair para o ataque? O São Paulo virou um motim de 11 jogadores sem saber como e quem marcar nem como organizar uma trama ofensiva decente.

Sim, acabei de resumir todo o jogo de ontem em um parágrafo. O São Paulo pouco produziu, aceitou a marcação do adversário que, se tivesse 2% mais de capricho, qualidade ou capacidade intelectual teria repetido o feito da Macaca meses atrás. 

O fato de decidir sua sorte nos pênaltis após um empate sem gols somente potencializa o grau de mediocridade do time. Luis Fabiano morto entre a marcação; Ganso lá no meio querendo bater o recorde de tempo cochilado em campo e o de passes errados; Osvaldo, o de sempre, muita correria sem qualquer esboço de qualidade, buscou exaustivamente a mesma jogada do gol de Rodrigo Caio contra o Corinthians. E Ademílson, que dispensa comentários.

Aliás, coitado do Rodrigo Caio. Assumiu-se zagueiro, titular incontestável e, se não bastasse a cota de sustos por partida resolveu dar o ar da graça nas penalidades. Com a mesma qualidade do meia Oscar, parou no goleiro. A jovialidade lhe traiu. Quis assumir uma responsabilidade que, a essa altura, deveria estar nos pés de Álvaro Pereira, um dos que melhor tratam a bola nesse time e ausentou-se do rol de cobradores iniciais. 

Não vai ser a entrada de Pato que vai resolver. Nem a volta de Souza à volância. Basta lembrar que terão a companhia dos Denílsons, Maicons, Paulos Mirandas, Wellingtons da vida. O São Paulo não tem um grupo bom o bastante para elevar a produção da equipe, é fato. Enquanto não resolve seu problema que já ganha contornos crônicos, o Morumbi viverá de lapsos pontuais em campo até que venha o momento da substituição: ergue-se a placa, Ademílson vem aí. 



















domingo, 23 de março de 2014

A pegadinha do regulamento

O burburinho tomou conta do clássico entre Santos x Palmeiras neste domingo. O Peixe bateu o Verdão por 2 a 1 e ficou com a melhor campanha geral do Paulistão. Mais que a vantagem de decidir as finais em casa estava em jogo uma possível fuga do São Paulo nas semi-finais. Quem perdesse poderia ter caminho facilitado até a final. Assim, o Palmeiras seria o grande beneficiado com a derrota. Porém, o regulamento indica que não é bem assim.

A fórmula intrigante do Paulistão-14 e as campanhas irregulares de São Paulo e Corinthians, em tese, premiaram o Palmeiras, segundo colocado geral dessa primeira fase. Uma derrota pontual, justa e conveniente para o Santos nesta última rodada estenderia um tapete vermelho no caminho do Verdão até a final.

Nas quartas, os líderes de cada grupo enfrentarão seus respectivos segundos. Temos, então: São Paulo x Penapolense; Botafogo x Ituano; Santos x Ponte Preta; e Palmeiras x Bragantino.

Nas semi-finais, a melhor campanha encara a pior dentre os classificados. Se os jogos forem decididos dentro dos 90 minutos com a vitória dos primeiros colocados Santos x São Paulo devem brigar por uma vaga, enquanto o Palmeiras simplesmente confirma sua vaga na final contra Botafogo ou Ituano.

Leiam o parágrafo anterior novamente.

"Se os jogos forem decididos dentro dos 90 minutos com a vitória dos primeiros colocados".

Observem que o São Paulo terminou a primeira fase com 27 pontos. Botafogo e Ituano com 28. 

Agora vamos destacar o regulamento do Paulistão:

"Art. 10 - Nas partidas da fase de quartas de final e fase semifinal, o Clube que tiver obtido a melhor campanha na somatória de todas as fases anteriores, realizará a partida na condição de mandante. 
Parágrafo Único. Entende-se por melhor campanha, para efeitos deste Artigo, o quanto disposto no Artigo 14, Parágrafo 3º deste REC."

Os critérios de desempate na forma do art. 14:

"Art. 14 - Ocorrendo igualdade em pontos ganhos entre 02 (dois) ou mais Clubes aplicam-se sucessivamente, na primeira fase, os seguintes critérios técnicos de desempate:

a) Maior número de vitórias;
b) Maior saldo de gols;
c) Maior número de gols marcados;
d) Menor número de cartões vermelhos recebidos;
e) Menor número de cartões amarelos recebidos;
f) Sorteio público na sede da FPF.

§ 1º - No caso de haver empate nas partidas da fase de quartas de final e semifinal da Competição, a partida será decidida através de disputa de pênaltis, conforme procedimento estabelecido nas regras do jogo de futebol, tal como definidas pela International Football Association Board - IFAB.

§ 2º - Aplicam-se, no caso de igualdade por pontos ganhos na fase final da Competição, os critérios do caput deste artigo, até a alínea “b”, somente na fase em questão. Persistindo a igualdade a partida do returno será decidida através de disputa de pênaltis, conforme procedimento estabelecido nas regras do jogo de futebol, tal como definidas pela International Football Association Board - IFAB.

§ 3º - Entende-se por melhor campanha, o maior número de pontos ganhos acumulado pelo Clube, seguindo, se necessário, a ordem de critérios de desempate prevista no caput deste artigo, considerando-se todas as fases da Competição."

Vamos supor que o São Paulo vença o Penapolense. Somará 3 pontos totalizando 30. Se Botafogo e Ituano empatarem vão decidir nos penais e vaga e computar apenas um ponto indo a 29. Vencer nos pênaltis não garante três pontos como uma vitória "normal". Além disso, o regulamento indica que será levado em conta a somatória de pontos das fases anteriores.

O parágrafo primeiro define que o empate levará a decisão aos pênaltis. Empate. E os empates valem um ponto. Isso está no Regulamento Geral do Paulistão, artigo 11:

"Art. 11 - Nas Competições oficiais, salvo disposição em contrário estabelecida nos  respectivos RECs, serão atribuídos: 
I. 3 (três) pontos por vitória; 
II. 1 (um) ponto por empate. 
Parágrafo Único - Os critérios de desempate constarão dos RECs. "

Não há nada no regulamento específico que contabilize três ponto a uma vitória nos pênaltis, principalmente depois de frisar que o resultado de uma partida decidida nos pênaltis é um empate.

Neste raciocínio, zebras fora, é certo que Palmeiras ou Santos estará na final. Se Botafogo e Ituano empatarem, o Peixe assegura a 6ª final consecutiva. Caso os líderes de cada grupo confirmem o favoritismo nos 90 minutos protocolares, teremos o Palmeiras na final. 




segunda-feira, 17 de março de 2014

Grafite, in memoriam

Craque e ídolo são termos cruelmente banalizados atualmente, principalmente o primeiro. No entanto, para ser ídolo não é preciso talento igual ao de um craque. Basta ser raçudo. Ou sortudo. Ou oportunista. Ou eficiente. Ou engraçado. Ou grosso. Ou gordinho. Não importa, há infinitas variantes. Mas, infelizmente, tão importante quanto ser ídolo é não ser o vilão, o judas, o Grafite.

2004. Paulistão. O Corinthians jogava sua permanência na elite do futebol paulista dependendo somente de si. Recebeu a Portuguesa Santista e perdeu. Ao mesmo tempo, orava para que o São Paulo não perdesse para o Juventus. Do contrário, seria rebaixado. O Tricolor venceu o Moleque Travesso com dois gols de Grafite e salvou o rival. 

O atacante sofreu certa perseguição por ter demonstrado aplicação acima do normal em uma partida tão especial para a torcida. A chance de rebaixar o rival e impor tal humilhação contagiava a todos os demais rivais em conjunto. Grafite foi profissional, guardou seus gols, fez seu papel e somente veio a reencontrar a paz com as arquibancadas após muitos outros gols e boas atuações.

No entanto, seu feito jamais foi esquecido. Lembrar seu nome traz à tona o surreal episódio, muito mais marcante que sua convocação para a Copa do Mundo em 2010.

2014. Paulistão. Corinthians faz campanha irregular e precisa vencer seus dois duelos e torcer por pelo menos um tropeço do Ituano. Foi encarar a já classificada Penapolense e empatou. Ao mesmo tempo, torcia para o São Paulo segurar o Ituano para que pudesse sonhar com a classificação. Eis que o Tricolor perdeu em casa e o Timão está eliminado do Paulistão.

Por mais que sejam atiradas pedras nos bizarros regulamentos do Paulistão, gostei desta fórmula. A divisão por grupos sem que os seus integrantes joguem entre si acirra a briga pela classificação de maneira saudável. Evitando-se os confrontos diretos, cabe à própria equipe cumprir seu papel se quiser seguir na competição. Já para efeitos de rebaixamento, as 4 piores no geral que sejam despachadas para a A-2. Justo o bastante, convenhamos.

Se o intuito era que as melhores campanhas gerais fossem às quartas-de-final não haveria por que estabelecer a divisão por grupos. É um tanto óbvio. Pois bem.

Nesse contexto, é bom que se diga que o Corinthians foi garimpando sua eliminação ao longo do Paulistão. Não se esqueça que o Timão precisava vencer e não venceu. Convém refrescar a memória: o Corinthians ficou 6 rodadas sem vencer tendo conquistado irrisórios 2 empates. Daí transferir a culpa para quem quer que seja é o cúmulo da irresponsabilidade. 

E o São Paulo? Bem, é verdade no futebol tudo é possível. Toda sorte de teorias conspiratórias são válidas para que torcedores, dirigentes, jogadores e treinadores depositem sua crença e tirem parte da culpa que carregam.

Também é certo que o São Paulo tinha tanto apetite em vencer esse jogo quanto Walter tem por frutas e verduras. Mas a oscilação é uma marca registrada desse São Paulo bipolar. Capaz de vencer o próprio Corinthians e fazer jogo duro com o Santos, porém, ser dominado pelo Palmeiras e encontrar extrema dificuldade cognitiva contra adversários da estirpe de um São Bernardo.

Pode-se exaltar a postura de jogo do Ituano, culpar a chuva, a limitação patológica de Ademílson no trato com a bola, a irregularidade de Ganso, a fragilidade do sistema defensivo, a hilária apresentação de Luis Ricardo como boneco de posto. Estão aqui presentes um mar de justificativas para perceber que o São Paulo não venceria o Ituano por mais que quisesse.

Muito será dito. Acusações variadas serão feitas. Debates intermináveis e inconclusivos serão realizados. Ficará no ar o "se". Se o São Paulo vencesse ou empatasse, ainda haveria tempo para uma reviravolta na última rodada, e mais isso, e mais aquilo, patati, patatá. 

Disso tudo, creio que apenas uma coisa seja certa: não existirão mais Grafites.



quinta-feira, 13 de março de 2014

Botecadas

NA CONTA DO CHÁ - Palmeiras e São Paulo estrearam com vitória na Copa do Brasil mas não conseguiram eliminar o jogo de volta. Ambos derrotaram Vilhena e CSA, respectivamente, por 1 a 0. Era mais obrigação do Verdão sair com a vitória por mais de dois gols pela fragilidade óbvia do adversário. Coube a Leandro superar a insalubridade do local de jogo e a truculência exagerada dos mandantes para anotar o tento da vitória a 3 minutos do fim. Embora o CSA tenha lá seu renome e tendo no currículo a eliminação do Santos, em plena Vila Belmiro nos idos de 2009 e Neymar engatinhando, o São Paulo não jogou o suficiente a ponto de fazer jus ao 2º gol, em que pese a boa participação de Pato, que iniciou a jogada do gol de Osvaldo. Os jogos de volta estão previstos no meio da semana entre as duas finais do Paulistão. Ou seja, desgaste à vista.


SEM SURPRESAS, SEM SUSTOS - Barcelona, Paris Saint-Germain e Bayern de Munique confirmaram a vantagem obtida nos jogos de ida e carimbaram passaporte para as quartas-de-final da UEFA Champions League. O Manchester City, mesmo com investimentos infinitos e uma ótima equipe, mais uma vez, não foi longe. Após duas quedas na primeira fase, os citizens morrem nas oitavas para um ainda ótimo Barcelona. PSG bateu o Leverkusen por 2 a 1 e o insano Bayern amarrou um empate com o Arsenal por 1 a 1. 


COM SURPRESA, COM HUMILHAÇÃO - O Atlético de Madri havia batido o Milan, no San Siro, por 1 a 0. Em seus domínios protagonizou um verdadeiro massacre sobre os comandados de Seedorf. Estrondosos 4 a 1, com dois gols de Diego Costa. Os colchoneros seguem muito vivos na Champions e revela-se um adversário complicado para qualquer endinheirado que apareça. Kaká fez o de honra para o Milan.


APRENDE, BRASIL! - O presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, foi condenado a 3 anos e meio de prisão por sonegar aproximadamente 27 milhões de euros. Sentença cabe recurso, tal, mas a justiça alemã já deu exemplos de que não é de aliviar a barra de figurões tão facilmente. Breno, zagueiro ex-São Paulo, botou fogo na casa e foi para o xilindró sem choro nem vela. Mais um exemplo que o Brasil não vai seguir.



 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Apenas um grande jogo

Corinthians 2 x 3 São Paulo. Cinco gols em um clássico sugerem um jogão digno da grandeza dos envolvidos. E, de fato, foi uma grande partida. Com requintes surreais do início ao fim, quando o árbitro encerrou o jogo a única certeza que ali se extraía era que o triunfo tricolor colocava ponto final a um jejum de mais de um ano sem vitórias em clássicos. Só e nada além disso.

A pane tricolor nos 10 minutos iniciais culminou com um golaço contra do zagueiro Antonio Carlos. De letra, o beque completou cruzamento de Luciano e inaugurou a atividade paranormal da tarde.

O gol fez o São Paulo sair para o jogo e dominar a posse de bola. Porém, quanto mais a bola rodava no ataque, menos objetividade havia nas conclusões. Isso muito se deve porque o Timão abdicou de explorar os contra-ataques para direcionar seus esforços exclusivamente no âmbito defensivo.

Foi quando no 38º minuto de jogo foi possível ver uma fenda no céu que distorceu o tempo e o espaço a ponto de mudar a ordem então vigente dentro das quatro linhas. A bola encontrou Ganso na entrada da área. Subitamente, desafiando as leis da obviedade, Ganso desfere um tiro de canhota. O trajeto cruzado encontra o ângulo e iguala o clássico.

Ao final do primeiro tempo, Mano Menezes conseguiu ser expulso por ter exagerado nas reclamações com o árbitro, com seu time que teria que voltar a atacar, com a falta de sorte em sofrer um gol de um meia que nunca chuta a gol, com a ausência de Jadson, dentre outras frustrações quaisquer. 

O festival de surrealidades persistiu na segunda etapa. 

Logo aos 5 minutos, Douglas, simplesmente o recordista histórico de cornetadas de seus próprios adeptos, tira dois jogadores do Timão da jogada, liga Pabón na direita que cruza para Luis Fabiano completar. Virada tricolor!

Sem Mano no banco e atrás no placar, o Corinthians arregaçou as mangas e foi lá se assanhar no ataque. No minuto seguinte, quase Luciano iguala o marcador. Mas aos 14 minutos não teve jeito. Guerrero, que entrou no lugar de Renato Augusto, invadiu a área pela esquerda, bateu para o meio e, de novo ele, Antonio Carlos, amaldiçoado da tarde, tira de Rogério e empata para o Timão.

Faltando 30 minutos para o final era de se prever uma pressão dos mandantes em fazer valer o tabu e impor mais uma derrota ao rival, freguês histórico. Contudo, a partida curtiu bons momentos de um lá e cá bem interessante que deixava a torcida crente estar diante de um possível gol, embora o Tricolor se postasse de uma maneira um pouco mais segura que o habitual.

E o gol saiu. Dos pés rápidos e tortos de Osvaldo que tantas vezes sacrificaram boas oportunidades de gol saiu um cruzamento da esquerda que atravessou a grande área para encontrar a cabeça de um improvável Rodrigo Caio no bico da pequena área, à sombra de Uendel. O cabeceio cruzado vence os 4,85m de Cássio e salva o companheiro de zaga do linchamento pós-Majestoso. 

Quinze minutos protocolares depois, o fim de uma grande partida que terminou nem tão saborosa para um e nem tão amarga para outro.

Dois pontos separam Ituano e Corinthians. Entre esses dois pontos, o São Paulo. Domingo que vem o Tricolor recebe o Ituano. E o Corinthians vai visitar o Penapolense. Dificilmente o Tricolor vai tropeçar em casa novamente, especialmente diante de uma circunstância dessa. Em prol das relações cordiais que foram retomadas com a troca Jadson x Pato, é de se esperar um novo "efeito Grafite" que culmine na classificação do Timão. Claro, desde que o Corinthians faça sua parte - o que deve ocorrer.

Com isso, pelo lado do São Paulo há de ser celebrado o fim do jejum e o empenho da equipe em um clássico mesmo nas condições mais adversas. No mais, se não fosse o tropeço do Ituano contra o quase rebaixado Atlético Sorocaba (1x1, em Itu) certamente o resultado do Majestoso teria implicações bem mais traumáticas ao Timão.






quinta-feira, 6 de março de 2014

Domingo no Pacaembu

Na guerra travada em todos os campeonatos o pior inimigo e o principal aliado vem das arquibancadas. Geralmente os duelos entre clube e torcida são travados com alguma parcimônia durante o primeiro semestre reservando uma generosa dose de truculência para os meses finais do ano, quando nada mais resta senão o rancor pela acumulação de maus resultados. Quis o destino que a 3 rodadas do término da primeira fase do Paulistão, Corinthians e São Paulo se enfrentassem com possibilidade concreta de negociar com seus adeptos um dos pactos mais importantes que as partes podem selar: um voto de confiança.

Domingo no Pacaembu. Tricolor bipolar, ê, José. Timão em ascensão, ê, João. Tricolor já tá lá, ê, José. E o Timão ainda não, ê João. 

Não é necessário criar mais versinhos para saber que o desenlace da história tende a ser trágico, tal como a canção. É só olhar a tabela, ver os jogos que faltam, fazer as contas e perceber onde o desejo da torcida repousa.

Animado e em ascensão, o Corinthians parece ter engolido seco o mau começo de Paulistão, a invasão e as polêmicas extra-campo para se reinventar e lutar por um espaço nas quartas-de-final. Para tanto, precisa vencer e torcer por tropeços de Botafogo e, principalmente, do Ituano para beliscar uma vaga.  

Jadson azeitou a meia-cancha, Luciano mostrou estrela e Bruno Henrique reparte o serviço sujo com Ralf e Guilherme, Cléber deu estabilidade à zaga. Embora Jadson não entre em campo como parte da bizarra negociação que envolveu a troca do meia e Pato é inegável que o Timão tem um conjunto mais harmonioso. Por mais bagunçado que esteja o ambiente é possível ver algum equilíbrio nesse grupo.

Tem uns buracos nos flancos, pois é. Só que também tem alternativas, como: Sheik, Renato Augusto, Romarinho, Danilo. Enfim, até dá para seguir no embalo dos bons resultados, derrotar o São Paulo e fungar mais fundo no cangote do Ituano. Mano sabe que vai ter que deixar de lado o retranqueirismo dos clássicos porque precisa desesperadamente dessa vitória.

Já o São Paulo vive de um bipolarismo irritante. Está classificado mas não tem o primeiro lugar garantido. Ataque e defesa batem cabeça constantemente. Parece que não conseguem funcionar bem simultaneamente. Entretanto, o que mais aflige sua torcida - à parte o futebol de oscilação - é o pífio desempenho nos clássicos e jogos decisivos.

A última vez que o Tricolor venceu um clássico foi em 2012, justamente contra o Corinthians, naquela que seria a última vez que o Ganso fez um grande jogo. Daí em diante acumularam-se derrotas e empates modorrentos. Acrescente a eliminação na semi da Sul-Americana para a Ponte e, pronto, tem-se um caldeirão de insatisfação curtida rodada após rodada.

É bem verdade que a volância tricolor não cumpre dignamente seu papel defensivo e não colabora na evolução da equipe até o ataque. No entanto, surge uma oportunidade de fazer as pazes com a torcida. Luis Fabiano aparentemente bem fisicamente e reencontrando as redes com frequência, Pabón encaixou bem no ataque, Álvaro Pereira agregou à transição e a motivação extra: é possível eliminar o Corinthians. 

Caso o Tricolor vença o Majestoso e perca seu jogo seguinte, coincidentemente contra o Ituano, que está rigorosamente um ponto na frente do Timão, elimina o alvinegro do Paulistão.

Se tem uma coisa que pode acalmar os ânimos da torcida são-paulina é levar o caos ao rival. Se tem uma coisa que pode acalmar a Fiel é uma vitória seguida da classificação. A definição da cota de confiança ou tolerância a ser administrada até o final da temporada pelas torcidas tem data para ser conhecida: Domingo no Pacaembu. 





domingo, 23 de fevereiro de 2014

Algo no ar

São Paulo e Santos empataram por 0 a 0. Um resultado justo posto que os times exageraram na incompetência ofensiva. Porém, deixa uma pontinha de esperança a um esfacelado São Paulo que ainda necessita de ajustes.

Sem vencer um clássico desde o final de 2012 (aquele 3 a 1 contra o Corinthians, com dois de Maicon e boa atuação de Ganso), o São Paulo entrou em campo de olho bem aberto para não tomar aquela surra que o Santos aplicou no mesmo Corinthians umas semanas atrás. Ganso no banco, Douglas e Paulo Miranda na titularidade, Pabón, Osvaldo e Luis Fabiano para se virarem.

E o Peixe, arrumadinho, veio tinindo para impor mais um revés ao rival. Cícero, Thiago Ribeiro, Geuvânio e Damião apenas na espreita por uma oportunidade de festejar no Morumbi mais uma vez.

Parecia que o Santos seria o dono do jogo. A pressão foi feroz. Aos 8 minutos, Ceni sai jogando errado e salva o tiro de Cícero. No rebote, Rodrigo Caio trava Damião. Haja coração. O Santos tinha volume, sufocava o Tricolor e o desespero já tomava conta das arquibancadas.

No entanto, nos minutos que se seguiram, o São Paulo inexplicavelmente cresceu. Mudou de postura e teve atitude de quem é o mandante da partida. Por seu turno, o Santos passou a ver o São Paulo jogar e esboçar escapadelas eventuais.

Após equilibrar o meio-campo, veio o lance capital do jogo. Aos 17, Luis Fabiano é acionado, invade a área, é derrubado, pênalti, mas pera. Assinalado impedimento. O inferno chega ao Morumbi pelo apito da arbitragem. A condição de Luis Fabiano era legal. Pouco depois, Osvaldo é acionado, evita a saída da bola mas o auxiliar dá o lateral para o Santos. Realmente a arbitragem pecou demais no primeiro tempo.

A partida pegou fogo. Antonio Carlos e Paulo Miranda levaram perigo em arremates de fazer inveja a todos os atacantes do Tricolor juntos. Damião poderia dar o troco com juros, mas foi travado quando certamente colocaria a bola na casinha.

Quem contava com a superação dos Meninos da Vila, enganou-se. O São Paulo voltou mordendo tal como no primeiro tempo. Aranha mostrou elasticidade em arremates perigosos de Maicon e Pabón. Claro que quem não faz, corre o risco de tomar. Damião cabeceou envenenadamente e Rogério fez grande intervenção. 

O jogo terminou a mil. Em cobrança de falta, Rogério isolou. Gabriel levou perigo em chute que bateu na rede pelo lado de fora. E, finalmente, a redenção da arbitragem. Rildo recebeu, invadiu a área e foi derrubado. Pênalti claro. Entretanto, o atacante estava impedido e o juiz corretamente anulou a jogada. No mais, os últimos minutos foram reservados para inúmeros erros de passe em cada trama ofensiva.

À parte as reclamações de ambos os lados, teve-se a impressão de que o São Paulo foi ligeiramente superior. E também mostrou que o Santos sabe se defender e ser perigoso nos contra-ataques. Não foi um puta resultado para nenhum deles, principalmente para o Tricolor, que ainda espera por Pato para melhorar o ataque e pela ressurreição de Ganso, em coma futebolístico desde 2012. Ou 2011, que seja.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Troca de risco

Tudo na vida envolve um certo tipo de risco. Mudar de emprego, comprar um carro usado, ter uma amante, investir na bolsa. Tudo. No futebol não é diferente. A contratação de atletas desconhecidos ou velhos figurões trazem os riscos naturais de qualquer negociação e até a influência da profissão em si, afinal, futebol se resolve no campo. Com a devida ciência dos riscos, Corinthians e São Paulo estão prestes a selar a troca mais polêmica dos últimos anos: Jadson (meia tricolor) por Alexandre Pato (dispensa comentários).

Antes de dar a minha opinião sobre o negócio em si é necessário pontuar algumas coisas que antecederam a troca: 

- Jadson tinha apenas mais um ano de contrato e já sinalizava que não iria renovar com o São Paulo. O Tricolor precisa de opções de qualidade para o ataque já que Ademílson e Osvaldo não suficientemente capazes de jogar bem regularmente

- Luís Fabiano precisa de uma sombra posto que passará dias lesionado, suspenso, poupado, dentre outros impedimentos quaisquer.

- O Corinthians investiu mais de 40 milhões de reais em Pato, sem contar os salários de um ano de contrato, e acumulou decepções com o jogador. (lembram-se da cavadinha contra o Grêmio? Precisa mais?)

- Sem Douglas (foi para o Vasco), o time está refém de Danilo na armação já que Renato Augusto virou pensionista do departamento médico. No mais, Romarinho, Rodriguinho e -inhos diversos são velocistas e não tem característica própria de municiar o ataque com a devida competência.

Isto posto, o Timão foi atrás de Jadson para solucionar o problema de seu meio-campo. Daí surgiu a possibilidade de incluir Pato na negociação e o resto todo mundo sabe. 

O UOL fez uma matéria interessante com pormenores contratuais que vale a pena uma passada de olhos (ver aqui). Embora eu tenha cá minhas dúvidas se não há mais detalhes contratuais que passaram batido ou não tenham sido divulgados, fato é que a troca é interessante para ambos.

Com Pato, o São Paulo ganha um atacante experiente, rápido, técnico e capaz. Sim, está em má fase, não é um guerreiro dentro de campo, mas é inegável que é diferenciado. Pode agregar e pode estourar, desde que queira, óbvio. Caso vá bem, tem totais condições de ser negociado novamente com o exterior e deixar definitivamente o Brasil e fugir de toda pressão que aqui tem passado.

Já o Timão ganha um meia inteligente, experiente, de bom passe e boa qualidade na bola parada e que pode reorganizar a meia-cancha alvinegra de acordo com as instruções de Mano Menezes, técnico que convocou Jadson para a Seleção.

Porém, na prática, a teoria é outra. Ambos jogadores estão em uma fase desgraçada profissionalmente. Jadson nunca foi o meia que o São Paulo quis. Teve seus bons momentos, principalmente em 2012 quando o Tricolor levou a Sul-Americana. Mas sempre alternou demais, nunca foi constante. Com a chegada de Ganso, amargou o banco e não se empenhou tanto em sair dele.

E Pato, mesmo tendo sido vice-artilheiro do Timão ano passado, não justificou o investimento insano. Simplesmente não houve retorno. O atacante não adequou seu estilo à filosofia do bando de loucos e pouco a pouco sabotou seu futebol. Limitou-se a peregrinar pelo campo à espera da bola ou do passe perfeito e, com isso, finalizações e gols rarearam. Não por isso foi presença constante no banco e, quando chamado, foi pouco eficaz.

Para recuperar o bom futebol tem-se, então, que a troca, futebolisticamente falando, é boa para todo mundo, clubes e jogadores. Todavia, o negócio, ao meu ver, favorece o Timão.

Isso porque o Corinthians receberá o meia em definitivo. Vai emprestar Pato até o final de 2015 e seu contrato somente vence no final de 2016. Ou seja, terá mais um ano para resolver o que fazer com ele. É verdade que terá que arcar com 50% de seus vencimentos. E pagar Jadson integralmente. Mas está recebendo um jogador e repassando outro por empréstimo! Em princípio, é lógica.

Não é só. Vamos supor que Pato vá ao Morumbi e volte a ser aquele ótimo atacante e receba uma proposta irrecusável. O Timão vai poder vender! E o São Paulo só vai receber uma porcentagem do lucro que eventualmente o Corinthians tenha. Isso se receber, pois caso essa proposta do além venha até julho, o atacante sai na hora. Ora, Pato vai ter que comer grama e fazer o milagre da multiplicação dos gols no São Paulo para, quem sabe, trazer algum lucro ao Tricolor.

O São Paulo aposta alto na recuperação de Pato e na possibilidade de formar um ataque avassalador com Luís Fabiano e Pabón para retomar o caminho dos títulos. E o Timão recebe um meia rodado, disposto a ganhar uma nova sequência como titular sob comando de um treinador que confia em seu potencial. Tudo pode dar muito certo ou muito errado, ora.

Todos cantam em verso e prosa o prejuízo que o Corinthians teve - e ainda terá pois arcará com parte do empréstimo de Pato - mas o negócio é potencialmente ótimo para o Timão que tem condições reais de, no mínimo, reduzir seu déficit. Se o investimento não está trazendo o retorno necessário, deve-se criar alternativas para salvar o negócio, é business. 

A melhor das hipóteses indica que Pato vai jogar muito bem no São Paulo, receber uma boa proposta, ser vendido e adeus. Ele sai, o São Paulo fica desfalcado, o Corinthians enche o bolso e ainda fica com um meia. Isso se os times não fazerem um novo negócio da China que resulte na compra do atacante pelo Tricolor, a depender de seu desempenho. Vai saber.

Há, entretanto, um fator determinante para que isso aconteça: Pato.

Se Pato estiver disposto a recuperar seu espaço no futebol, na Seleção ou simplesmente querer se vingar de todas as críticas que vem recebendo, ele vai jogar bem no São Paulo a ponto de reconquistar a confiança dos europeus, dos russos, dos chineses, dos árabes e fugir dessa panela de pressão de cobranças justas.

É um risco, não dá pra saber o que vai ser. 

É o mesmo risco que o Corinthians corre com Jadson, mas em menor escala. Pode ser que o meia, tão low profile quanto Pato, continue a oscilar demais. Entretanto, é bem mais provável que Jadson tenha mais confiança e tranquilidade para voltar a jogar bem do que Pato, já criticado pela torcida do São Paulo sem nem ao menos ter sido apresentado oficialmente.

Qualquer tipo de manifestação contrária à troca e ofensiva a qualquer dos jogadores é bobagem. É indispensável esperar alguns jogos para dar início às críticas. São bons jogadores em péssima fase e merecem acolhida das torcidas pois, para reconstruírem suas carreiras, dependem de ajudar seus respectivos times. Por seu turno, a torcida deveria, no mínimo, apoiar primeiro e cobrar depois.

Por mais que seja uma questão de risco negocial, entendo que os times e jogadores podem se dar muito bem nos novos lares. Ainda que Pato tenha que superar uma desconfiança maior dos novos adeptos e Jadson possa receber uma dose a mais de tolerância. Só que eu não consigo não vislumbrar certa vantagem do Timão nesse negócio todo.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

100%

A manutenção dos 100% de aproveitamento do Palmeiras veio de forma incontestável. O triunfo por 2 a 0 sobre o São Paulo foi construído com frieza sádica e atuação competente de Valdívia e Lúcio. Como suspeitávamos, o Verdão não veio a passeio nesta temporada.

Após protocolares 15 minutos de estudo e respeito, o Palmeiras viu que poderia dominar o jogo e assim o fez. Ao perceber que Ganso estava muito concentrado buscando compreender a hipótese do Gato de Schrödinger, Ademilson e Osvaldo eram apenas velocistas desprovidos de inteligência e que a única válvula de escape era Álvaro Pereira, comandante Kleina soube explorar os flancos e deixar que o Mago cuidasse do resto.

Foi assim que saiu o primeiro gol. Falta em Valdívia. Bola alçada na área, a zaga tricolor acertou o deixa-que-eu-deixo e viu o Mago cabecear sozinho para as redes. Daí em diante foi só administrar. Leandro e Wesley causando calafrios em cada arranque e o São Paulo carente de algum lampejo milagroso para ao menos chutar a gol. Sem sucesso.

A segunda etapa foi cruel. Kleina fechou a casinha e seus constantes contra-ataques davam a impressão que a equipe não só controlava o jogo mas pressionava o já nervoso São Paulo. Ainda que a partida tenha ficado demasiado amarrada e sem chances grandes chances de gol, o Palmeiras logo tratou de resolver logo a parada e evitar emoções maiores.

O lado direito da defesa do São Paulo é o roteiro mais atraente para qualquer adversário que quer sair vencedor do duelo. Foi por ali que Kardec invadiu a área e enquanto desviava de alguns transeuntes sofreu um belo pênalti de letra assinado por Rodrigo Caio. Pênalti marcado e o árbitro poupou o beque são-paulino do merecido cartão vermelho e o time de uma possível goleada. O atacante dispensou a ajuda do além e converteu a cobrança. 2 a 0 e olé no Pacaembu.

Não foi uma partida brilhante mas era a vitória que o Palmeiras precisava. Jogando de maneira séria, segura que dá ao torcedor alguma esperança na temporada. O time respondeu em campo que é capaz! E, além de atrair holofotes da euforia, coloca o spot da desconfiança no Morumbi que segue com graves problemas defensivos tanto no miolo de zaga quanto na volância.






domingo, 19 de janeiro de 2014

Fé no trabalho

Time da fé. Assim é conhecido o São Paulo, apelidos cretinos à parte. A alcunha veio graças aos triunfos conquistados no passado em insólitas circunstâncias. Nesta década, o torcedor tricolor trocou a esperança de títulos por concentrar seu infinito crédito religioso em D. Sebastião do Morumbi. Acreditava-se que o regresso de Muricy Ramalho e sua filosofia laboral poderia recolocar a equipe no caminho das glórias. Mas, será o trabalho suficientemente capaz de transformar um time esforçadamente limitado em campeão? Duvido.

Uma coisa é Muricy chegar numa equipe desmotivada, que tem lá sua meia dúzia de valores individuais, dar uma chacoalhada geral e escapar da degola. Outra é ver o ano virar e não receber material humano capaz de transformar aquele amontoado de marmanjos em algo digno de se chamar time de futebol.

A crônica deficiência defensiva do São Paulo nos últimos anos esbarra não somente na contratação de zagueiros ou laterais de habilidade controversa. O meio-campo perdeu combatividade. Simplesmente não consegue sequer cogitar auxiliar a defesa. Até a criação oscila demais. Ganso não consegue manter a regularidade. Jadson, um ótimo jogador dentro das CNTP, é mais regular que o rival de posição pois é inoperante o tempo todo quando entra em campo.

Não bastasse a auto-sabotagem, o ataque deposita suas fichas em um Luis Fabiano desgastado fisicamente e emocionalmente com as arquibancadas. Para auxiliá-lo na missão maior do futebol, Muricy conta com avantes da estirpe de Osvaldo e Ademílson. Jogadores que não primam pelo melhor da técnica ou da inteligência com a bola nos pés.

E logo no início da temporada, uma derrota apática para o Bragantino, por 2 a 0. Não é motivo para promover o terrorismo de imediato, mas liga o sinal amarelo numa equipe que viu o fantasma do rebaixamento de perto há 3 meses. 

É nesse contexto que Muricy faz a única coisa que pode. Trabalhar. E fazer uma novena por reforços. Quem sabe uma terapia workaholic à lá Laranja Mecânica pode moldar esse elenco em um time. Pode ser. Mas, todos sabemos, mover montanhas é muito mais fácil.