Relutei em comentar algo sobre o caso Oscar pois achava que já tinha muita coisa pipocando na rede a respeito. Contudo, meus dedos sentiram-se provocados a tecer algumas considerações após constatar que muitos torcedores podem estar fazendo uma leitura equivocada da situação, como o "Blog do Torcedor do Internacional", no portal Globo.com expressou recentemente.
Em seu post, o autor aduz que o São Paulo sacaneou Oscar. A postura de um torcedor justifica qualquer manifestação passional, "pacheca". No entanto, ao meu ver, a partir do ponto em que há o comprometimento por parte de uma pessoa em ser o porta-voz da torcida em um portal renomado que recebe alguns milhões de acessos todos os dias deveria existir um mínimo de senso crítico com as publicações ali disponibilizadas.
Ter o bom senso na hora de elogiar ou criticar o time quando necessário não é o bastante. Não é isso que o torna racional ou diferenciado. Mas ao abordar determinado conflito ou polêmica, ainda que envolvendo seu clube do coração, a imparcialidade e o respeito máximo à veracidade são imprescindíveis sob pena de desvirtuar completamente o teor da informação veiculada.
O Blog do Navarro faz um trabalho extremamente competente desde o início do 'caso Oscar'. Mesmo são-paulino, não elevou a postura do clube ao de dogma inquestionável. Tampouco limitou-se a malhar o Judas na figura do meia.
Ou seja, a transmissão da informação correta e expressar sua opinião a repeito é válido. Ao passo que distorcer fatos descompromissadamente fere sua condição de potencial formador de opinião.
Pois bem, como começou o caso Oscar?
Era uma vez o São Paulo que tinha uma jovem promessa em seu elenco. Aos 16 anos, de acordo com a Lei Pelé, o atleta pode firmar seu primeiro contrato profissional que deverá ter prazo máximo de 5 anos, conforme constam os arts. 29 e 30 da referida Lei. Porém, de acordo com a FIFA em seu Regulamento, menores de idade não poderiam firmar contratos cuja duração ultrapassasse 3 anos.
Foi quando o São Paulo teve a ideia "brilhante" de sugerir a emancipação de Oscar e assim firmar um contrato mais longo, como se maior de idade fosse. Evidente que não se passou de mera camaradagem. Uma boa parcela de luvas e aumentos periódicos foram estabelecidos. Em suma, o jogador recebeu "algum" para bancar a maracutaia e ter a certeza de que ficaria um bom tempo em um grande clube. Era só deixar o talento fluir.
Daí veio seu então empresário tumultuar e manipular o atleta para que este dedurasse o esquema. Provavelmente uma boa grana e uma promessa de ganhar mais em outros clubes - do Brasil ou não - deixaram Oscar tentado a entrar na Justiça alegando que foi forçado por dirigentes a proceder desta forma. Quer dizer que o cúmplice agora virou vítima?!
Conforme bem lembrado pelo jornalista Cosme Rímoli, o mesmo empresário também sondou outro atleta Tricolor em estratégia semelhante (ler aqui). Navarro também comentou o ocorrido (ler aqui).
E onde entra o Inter nessa história? Bom, tão logo a Justiça deu uma liminar a Oscar declarando que seu contrato não teria validade o clube gaúcho correu atrás da promessa e fechou com ele. Bancou uma contratação de risco em razão de estar muito ciente do imbróglio que envolvia atleta e São Paulo. Logo, assumiu o risco de sua contratação. Então temos outro culpado aqui agora?!
Fácil pegar o garoto de carinha dócil e que está jogando muita bola, colocar uma voz triste e dizer que foi coagido por dirigentes do São Paulo. Coitadinho. Tem como não se comover? Se aparecesse no programa da Sônia Abraão ia receber até doações.
Eis a resposta mais óbvia ao título proposto. A única verdade palpável na polêmica é a de que ninguém é santo. Todo mundo tem sua culpa no cartório. O São Paulo por buscar um mecanismo "dentro/fora da lei" para manter Oscar, o meia por dar de joão-sem-braço e se fazer de coitado quando a situação não mais lhe parecia favorável, e o dito-cujo do empresário.
O que menos me importa é como, quando ou onde a história vai terminar. Pode ser que o Inter recorra à FIFA, pode ser que as partes façam um acordo, pode ser, Pespi, ué. Nas mãos da Justiça certamente será dada razão ao menos errado. Mas o que realmente (me) importa são os fatos concretos e seus desdobramentos. Não os rótulos negligentes frutos da mera preguiça em se obter uma informação mais condizente à realidade.