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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Seleção, Mundial e Sul-Americana

Para buscar a retomada da velha rotina e ao hobby de repartir um pouco o que penso sobre futebol, deixo umas pinceladas sobre alguns temas que surgiram esses dias:


CAI MANO, ENTRA FELIPÃO?

É possível que haja essa confirmação nesta quinta-feira. Felipão vem de trabalhos medianos. No Chelsea, foi esmagado. Nos cafundós-do-Judas nem vale a pena relevar, mas no Palmeiras conquistou uma Copa do Brasil com um time bom (ao meu ver) cujo elenco se mostrava bastante frágil. Abandonou o clube em meio a uma crise, deixou clima ruim nos vestiários e desmotivou grande parte do grupo. E ainda por cima vai ganhar a vaga de treinador da Seleção.

Há quem defenda que, às vésperas da Copa, o ideal é mesmo contar com algum treinador experiente e ciente de como as coisas funcionam no futebol brasileiro. Por isso Felipão derrubou todos os demais concorrentes de maneira tão fácil. Ganhará o apoio do também "macaco velho" Parreira, na coordenação técnica. Enfim, Abelão e Tite, em momento infinitamente melhor, deverão aguardar. Ou melhor, manter-se no topo por mais tempo. (Afinal, Muricy já teve dias melhores e pouco se lembrou dele em razão da oscilação de seu Santos).

Eu entendo que futebol, apesar de gerência, bastidores e tudo mais ainda é decidido dentro das quatro linhas. Logo, indispensável a contratação de um treinador de ponta e capaz de fazer a Seleção desempenhar-se bem. Melhor ainda se estiver em bom momento. Tite, Abelão, Guardiola, qualquer um. Mas Felipão, não.


CORINTHIANS X CHELSEA

Evidente que a lógica indica que este será o duelo na final do Mundial. Mesmo em péssima fase e sob nova direção, o Chelsea merece algum esboço de respeito. Idem Rafa Benítez. O treinador vivia bom momento no Liverpool quando perdeu o Mundial para o São Paulo. E estava na corda bamba quando venceu o torneio com a Internazionale em 2010. 

No entanto, o grande momento de Tite e do Corinthians pesam no otimismo. E com razão. Paulinho está jogando muita bola, Guerrero vai se firmando como centroavante e mesmo descompromissado o Timão quase chegou entre os 4 primeiros. 

Não acredito que o Chelsea será essa baba toda. Nem mesmo uma subliminar aversão que os europeus tem em relação a esse tipo de competição, uma vez que a partida terá projeção mundial, creio que os ingleses entrarão dispostos a apagar a imagem negativa que paira sobre a atual campeã da Champions League, virtualmente eliminada na edição desta temporada. Aliás, pode ser a primeira vez que um campeão é eliminado ainda na fase de grupos na temporada seguinte. 

Em suma, menos oba-oba e mais pés-no-chão para o Timão.


SÃO PAULO NA FINAL DA SUL-AMERICANA

A semi-final da Sul-Americana foi tensa para o São Paulo. No jogo de ida, empate por 1 a 1. Ainda há pouco, um novo empate no Morumbi - dessa vez sem gols - decretou a classificação do Tricolor para a final. 

Nos dois jogos a superioridade do São Paulo foi esmagadora. E nas duas partidas o Tricolor abusou das chances perdidas e brincou com a sorte. No Chile, marcou apenas 1 e levou outro em falha generalizada da zaga. No Morumbi, sucessivos erros de finalização e falta de tranquilidade nas conclusões quase comprometeram a classificação do time.

Agora, o Tricolor aguarda Tigre ou Millonarios. E acende uma vela para os argentinos. Pois assim foge dos colombianos, algozes de Palmeiras e Grêmio, e pode realizar a segunda partida da decisão em casa.

Contudo, não obstante a euforia da classificação, o desempenho da equipe contra LDU Loja e Universidad Católica no Morumbi deixou uma pulga atrás da orelha.

 

domingo, 23 de setembro de 2012

Ganso: entre a fênix e o mico.

Sexta-feira tivemos o encerramento de uma das novelas mais surreais do futebol brasileiro nos últimos tempos. Mais uma vez, o São Paulo protagonizou uma intrincada negociação envolvendo um grande nome do futebol brasileiro. Dessa vez, sentou junto com o Santos e a DIS para viabilizar a contratação do meia Paulo Henrique Ganso, maestro santista nos recentes títulos do Peixe. Após muito insistir, prevaleceu a vontade do jogador, que irá defender o Tricolor pelas próximas cinco temporadas. Mas, sob que condições?

Provavelmente mais irritante que a novela Oscar, o caso Ganso tem suas peculiaridades. Descontente em não ter recebido uma proposta tão atraente quanto a de Neymar, Ganso diversas vezes manifestou desejo em deixar o clube já que seu talento não era devidamente reconhecido financeiramente. Depois de recusar diversas propostas do Santos, o São Paulo resolveu investir.

Arredondando a conta são 24 milhões de reais por aproximadamente 40% de Ganso (exatos 38%, um pouco menos do que o Santos detinha, pois a DIS ficará com mais uma parte do jogador). Uma análise matemática nos faz crer que o valor total do meia seria equivalente a 60 milhões. Ocorre que o valor real de Ganso mal chega à metade desta quantia.

Desde a Libertadores-11 Ganso não faz jus à pompa toda que recebe. Há quem diga que as 3-4 intervenções cirúrgicas que sofreu nos joelhos o balearam, embora os médicos do São Paulo tenham ouvido de Runco, médico da Seleção Brasileira, que Ganso não sofre de nenhuma lesão crônica. Curiosamente, nem mesmo essas agravantes fizeram o meia perder seu valor de mercado. Muito pelo contrário, parece ter valorizado.

Não consigo entender por que o São Paulo vai atrás de Ganso pouco depois de ter contratado Jadson para a criação. Bem ou mal, o camisa 10 Tricolor é o líder de assistências da equipe. Aliás, é o setor defensivo da equipe que continua sofrendo. Ora o meio perde pegada, ora a zaga bate cabeça. Aparentemente, ou Juvenal Juvêncio crê piamente que Ganso dará a volta por cima com direito a lucro, ou trata o novo camisa 8 como um "negócio de ocasião" e apenas torce por algum retorno em campo sem maiores esperanças.

Fato é que Ganso chega sem apresentar algo próximo de bom futebol há, pelo menos, um ano. De lá para cá, perdeu espaço na Seleção, entrou em rota de colisão com a diretoria santista, "cativou" a fúria da torcida do Peixe e, agora, sobe a serra para um novo início no Morumbi sob a desconfiança dos novos adeptos.

Como diz a canção "se ela faz com ele, vai fazer comigo". O risco de reviver o fantasma de Ricardinho faz os tricolores serem contidos ao celebrar a contratação de Ganso. Se ele vai retomar aquela fase espetacular, se vai fazer birra para sair quando pintar a primeira grande proposta, se vai engatar grandes sequências de jogos...tantos "se" para uma única certeza: Ganso tem uma oportunidade única de ressurgir como uma fênix. Do contrário, dará mais um passo para mudar seu apelido no futebol.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Rapidinhas

Resolvi pegar uma nota aqui outra dali que pipocou na internet durante esses dois dias e comentar brevemente alguns assuntos:

- Onde o Palmeiras quer chegar com a contratação de Leandro "Bochecha"? Ok, a equipe precisa de um reserva para a lateral e se trata de um atleta experiente, vivido e com passagem de relativo sucesso pelo próprio Verdão. Contudo, se o Palmeiras está realmente desesperado e em busca de reforços para evitar o rebaixamento por não confiar inteiramente em seu elenco, que busque jogadores que irão fazer a diferença.

Repito: não acho o time do Palmeiras essa draga toda como gostam de pintar. Nem o time, nem os reservas principais. Apesar de ficar à mercê do departamento médico, creio que seria plenamente possível acertar a equipe e escapar da degola com relativa tranquilidade. Insisto na tese de que falta seriedade e comprometimento com o presente, em vez de seguir sonhando com a Libertadores-13.


- Gosto muito do Túlio Maravilha. Sério. O cara conhece a brincadeira e foi um matador de primeira. Agora, esse carnaval que está fazendo em busca do milésimo gol é um tanto humilhante diante de uma carreira tão rica. Porém, dou meu braço a torcer, se for verdade o que dizem a respeito de sua condição física, poderia reforçar o elenco profissional do Botafogo com um pé amarrado nas costas. 

O Fogão do dia para a noite perdeu Loco Abreu e Herrera. Ficou sem referência na área e não tinha um homem-gol à disposição. Elkesson é bom jogador, quebra um galho, mas é meia de origem. Então, por que não colocar o Túlio lá? O Botafogo já fez tanta coisa mais bizonha, como insistir no Jobson um punhado de vezes...


- Deivid foi contratado pelo Coritiba. De longe, é o melhor atacante do grupo. Vale lembrar que o Coxa foi castigado na final da Copa do Brasil 2011 por não saber aproveitar dignamente as chances ofensivas que teve. É uma equipe que cria muito, mas peca demais nas conclusões. Nem vale a pena entrar na discussão sobre a arbitragem da primeira partida. Os gols perdidos nos primeiros 30 minutos de jogo deveriam ser passíveis de treino extra no "paredão".


- Essa polêmica do MMA que circula sobre a sequência interminável de "arregadas", ao meu ver, não tem fundamento. Jon Jones fez certo ao recusar a luta contra Sonnen, já que o falastrão (para não dizer coisa pior) tomou dois coros do Anderson Silva na decisão dos médios. Então, não é razoável que tivesse uma chance de disputar outro cinturão logo de cara.

Machida e Shogun não abriram mão de seus descansos pós-combate e antecipar a preparação poderia acarretar riscos desnecessários aos atletas. Tanto de lesão como de preparo técnico. Afinal, Jones é um cara muito talentoso. Daí colocar Belfort ou seja lá quem fosse é um problema da organização e a escolha pelo brasileiro não me parece de todo mal. Boa jogada de Dana White, que aproveita a febre brasileira no esporte e vai arrecadar uns bons trocados.


- O problema do São Paulo é aquele sistema defensivo sofrível e a diretoria insiste em focar em reforços para o ataque. Ganso é um meia de talento indiscutível e de temperamento misterioso. Ou seja, pode ser uma grande contratação, mas, no momento, é desnecessária. Jadson, bem ou mal, vai acumulando assistências e subindo de produção pouco a pouco. Evidente que o meia santista e o atual camisa 10 tricolor podem jogar juntos. Porém, ao meu ver, seria um suicídio tático na parte defensiva, que já fica bastante exposta com dois volantes e um meia que mais fica do que vai.

Ney Franco teria que fazer um milagre para acertar o sistema defensivo sem prejudicar o rendimento da possível dupla de armadores. Ou provar que a melhor defesa é o ataque.


- Adriano, mais uma vez, vai decepcionando quem tanto apostou nele. Eu fico decepcionado com quem ainda aposta em sua recuperação.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Soberanamente incontrolável

Não é novidade alguma que o São Paulo atravessa um péssimo momento. A crise parece ter encontrado no Morumbi a estabilidade que precisava para trabalhar tranquilamente, pois consegue impor ao clube a instabilidade e a irregularidade que lhe compete sem se ver ameaçada. Além disso, coloca em xeque o rendimento de um dos seus principais artilheiros, faz com que seu ídolo maior falhe bizonhamente e escancara os erros cometidos pela diretoria ao longo desses 4 anos de jejum. Porém, ao meu ver, um grave equívoco é o principal responsável pelo rendimento pífio do São Paulo dentro do campo: por incrível que pareça, sim, é o comando técnico.

Na minha opinião, o pior erro da diretoria foi a demissão do técnico Muricy Ramalho. De longe foi a maior cagada de Juvenal e sua trupe de conselheiros cornetas que o cerca. A soberba soberana não podia permitir que o São Paulo continuasse sob comando de um técnico que insistia em cair na Libertadores para rivais nacionais. Quanta ironia ser eliminado pelo Internacional em 2010 sem o rabugento treinador no comando...

Ao dispensar Muricy, o São Paulo não pensou em ser diferenciado. Preferiu cair na vala comum. Em vez de criar um mito sobre o treinador, que tem notória identificação com o clube desde os tempos de jogador, transformá-lo numa espécie de Ferguson brasileiro e dar sequência a uma era que, de cara, rendeu três títulos nacionais consecutivos, o Tricolor optou por renovar. Taí o que o "renovar" rendeu.

O São Paulo começou a se perder quando achou que a estrutura ditaria o rumo do time independente de quem se postasse ao lado do campo. Esse foi o principal erro do São Paulo, que passou a contratar uma série de treinadores medianos para administrar um elenco bom, mas sem entrosamento capaz de construir uma boa equipe.

Por baixo, o Tricolor passou por duas grandes reformulações no elenco. Uma cacetada de jogadores foram contratados. Até um bendito camisa 10 que a torcida esperava desde Danilo. Na mesma proporção, outra leva de treinadores mais ou menos deram as caras no Morumbi. Essa irregularidade do time não impressiona, é apenas reflexo do comando técnico.

É possível contar nos dedos os bons treinadores que temos em solo nacional. BONS. Muricy, Felipão e, graças à Libertadores, Tite. Dorival e Luxemburgo dos que sobram se sobressaem. O resto é resto, ponto. Não consigo entender como a diretoria do São Paulo consegue ficar satisfeita em conseguir tirar um treinador mediano da comissão técnica da Seleção Brasileira sub-qualquer coisa.

Técnico bom ganha jogo e campeonato. Olha o que o Felipão fez com o Palmeiras. De desacreditado a copeiro. No Corinthians, Tite ganhou o grupo, manteve um padrão tático, treinou à exaustão e foi premiado com a América. Só o São Paulo acha que com um punhado de atletas renomados e de qualidade aliados a uma boa estrutura pode se dar o luxo de contratar qualquer cara para figurar como treinador.

Repito: não consigo achar o elenco do São Paulo essencialmente ruim. Tem suas limitações, óbvio. No entanto, é possível fazer um time minimamente competitivo, coisa que nem Ney Franco e tampouco seus antecessores conseguiram. Não é crível que o Cortez nem chute ao gol, nem cruze. O sistema defensivo sem pegada no meio campo não se deve somente a uma mera vocação ofensiva de alguns meias. A falta de capricho na organização das tramas ofensivas não pode ser vista somente como algo circunstancial. Tudo isso se resume a uma coisa: falta de treino adequado.

Pelo andar da carruagem, a cada partida fica mais evidente o quanto Ney Franco é limitado. Na humilhação sofrida frente o Náutico há pouco, o treinador teve a "coragem" de substituir João Filipe com 10 minutos de jogo depois do zagueiro ter tomado um cartão amarelo. Por mais cautela que se tenha em poupar a equipe de uma expulsão tosca, dez minutos é muito pouco e tem cara de arrependimento na escolha da formação ideal.

4 vitórias, 1 empate e 5 derrotas. Creio eu que Juvenal e sua trupe não queria esse nível de aproveitamento para seu novíssimo treinador (ou melhor chamar de "aposta"?). E, a julgar pelo início "arrasador", tudo indica que Ney Franco deve durar mais 4, 5, 8 rodadas. E a pergunta que fica é: quem virá depois?






quinta-feira, 26 de julho de 2012

Avenida Tricolor

Tal como a novela das 8 - e não vem ao caso discutir se começa as 9 ou seja lá que horário - o São Paulo vive uma fase dramática. O folhetim tricolor retrata um clube gerenciado por um folclórico presidente sedento pelo poder e por títulos, porém sofre para controlar a crise que assola sua Instituição. Recheada de drama, intrigas e uma comédia com uma pitada de pastelão, nessa novela só há vilões.

Há quatro anos sem título e fora da Libertadores desde 2011, os últimos dois anos do São Paulo foram patéticos. Nem reformulação no elenco, tampouco as sucessivas demissões de treinadores foram capazes de orientar o time a retornar ao caminho das glórias.

A partir daí é possível identificar que o primeiro grande vilão da história é a diretoria. Adeus, planejamento! Adeus, clube diferenciado! Daqui para frente é tudo para ontem.  

Não bastasse amargar o jejum de conquistas, teve que engolir a seco as conquistas dos rivais ainda no primeiro semestre de 2012. 

Então, entra em ação a torcida, claramente dividida entre organizados e "comuns", protesta, cobra, esperneia. Com justiça. Entretanto, sua atitude não é bem digerida pelo elenco, que responde mal após as críticas disparadas das arquibancadas. 

Só que o elenco, embora interessante no papel, não é capaz de formar um conjunto minimamente respeitável, o que gera a insatisfação dos líderes do elenco. Em especial, Luis Fabiano. A união entre a frustração por um time capenga e a pressão da torcida faz com que Luis Fabiano consiga se tornar cada vez mais ídolo e, na mesma proporção, odiado.

Contrariado com as críticas - justas, a rigor - o centroavante já deu declarações dissimuladas quanto a sua permanência no Morumbi. Postura dúbia de quem é idolatrado, faz juras de amor ao clube, luta, deixa a alma em campo - o que, até aqui, não devia ser mais do que obrigação - mas não aceita estar no mesmo barco dos demais. 

Em meio a tudo isso, as partidas. Reina a instabilidade no plano tático e a irregularidade no aproveitamento. 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, independente da formação padrão ou de quem está à beira do campo algo parece conspirar contra o São Paulo que insiste em cometer erros crassos de posicionamento, de fundamentos básicos e ter sérios déficits de atenção, na zaga principalmente.

Tais deficiências dão margem à comédia. Afinal, os rivais sempre podem esperar uma agradável surpresa vindo dos subalternos de Juvenal. 

Não deixa mentir a derrota por 4 a 3 para o lanterna do campeonato. Por certo, o placar mascara o que foi a partida. Decorridos 45 minutos, a partida já estava liquidada. Os dois gols paulistas na segunda etapa criam uma ilusória impressão de raça e disposição inexistentes em grande parte desse grupo de jogadores.

É possível contar nos dedos quem se desdobra para tornar a Avenida Tricolor algo mais agradável, contudo, a falta de colaboração profissional dentro de um esporte essencialmente passional faz com que todos sejam taxados como vilões. 

Só que, como toda novela, sempre rola aquele final meio sem-graça, manjado. O grupo se une, mobiliza torcedores, faz uns bons joguinhos aqui outros ali, cria aquela expectativa. Aí acaba em 5º ou 8º só para, no ano seguinte, repetir o ciclo.









terça-feira, 17 de julho de 2012

Próxima vítima: Ney Franco

Esperei o clássico de domingo para comentar qualquer coisa sobre a nova aquisição do São Paulo: o técnico Ney Franco. Não por comodismo, mas somente para checar meus pré-conceitos com relação ao novo comandante tricolor. Bem, posso dizer que meus achismos não mudaram e arrisco prever o futuro do treinador. Sim, cedo ou tarde, vai terminar como Muricy Ramalho, Ricardo Gomes, Adilson Batista, Sergio Baresi, Carpegiani e Leão.

A apatia do São Paulo transformou-se numa doença crônica mais ou menos em 2010, quando caiu para o Inter na semi-final da Libertadores. Foi a última vez que o Tricolor mostrou algo parecido com disposição dentro do campo. 

Já que os resultados (entenda-se títulos) não aparecem, o reino de Juvenal Juvêncio começa a caça às bruxas e incia uma era de terror para o comando técnico. Sem dó, a guilhotina tricolor canta alto fracasso após fracasso.

Hoje, fica a impressão que o São Paulo é um time de peladeiros organizados. Um time forte, até. Só que de peladeiros, ora. Reina a displicência partida após partida. Jogam sem apetite, meio que por hobby. 

Preocupado com o clima de resort, JJ promove uma senhora reformulação no elenco para a temporada 2012. O descompromisso segue no ar e os "resultados" insistem em não vir. Para piorar, até o desempenho nos clássicos cai consideravelmente. Neste cenário, razoável imputar ao técnico a culpa por um novo fracasso, não é?

Então, chega Ney Franco. Comentaristas não se cansam de elogiar o treinador, sua postura, seu trabalho, seu trato com jovens promessas, engrandecem o título mundial com a Seleção Sub-20, dizem que o São Paulo acertou em cheio e vai entrar nos eixos. Aham.

Na minha opinião, Ney Franco é um técnico médio. Tão médio quanto Carpegiani, Ricardo Gomes e Leão. Logo, por que o São Paulo buscou uma solução média, se eram os médios que não davam resultado?

Ney Franco é mediano inclusive nos resultados. Fez trabalhos razoáveis por onde passou e suas conquistas se resumem a três Estaduais, uma Série B e uma Copa do Brasil. Não me venham dizer que são torneios difíceis, pois muito técnico meia-boca já ganhou esses campeonatos. E mais, entendo que torneio mundial sub-20 não engrandece currículo de ninguém.

Logo em sua estreia, o treinador mostra toda sua, digamos, falta de sorte. Vencia por 1 a 0 e tomava pressão do Palmeiras. Mérito verde, incontestável. Nem mesmo a defesa de Denis no pênalti de Valdívia livrou o treinador de sofrer o empate. Detalhe: com um jogador a mais. Nem para manter a fórmula mágica, hein, professor? 

Supostamente a troca no comando técnico deveria motivar os jogadores, ventilar novos ânimos. Balela! No São Paulo, a farra não tem fim. Troca elenco, troca técnico, não adianta. A soberba e a crença de que Instituição e camisa jogam por si só parecem incrustadas nas mentes soberanas dos conselheiros e nas paredes do Morumbi.

Afinal de contas, o clube é tão diferenciado que, em tempos de crise, se dá até o luxo de esnobar uma proposta de 38-40 milhões de euros por sua maior promessa que em dois anos de profissional nada conquistou e ainda perdeu espaço na Seleção para a outra prata-da-casa que saiu do clube pela porta dos fundos. 

Mas já saquei qual é a de Juvenal Juvêncio, expoente do futebol. Seu negócio é ter sempre munição para fazer o que mais entende: Substituir jogadores e, seu alvo predileto, o técnico. 



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fórmula mágica

Crise no São Paulo. Chega a ser estranho aos olhos deparar com tais palavras assim tão juntas uma da outra. Uma temerária sensação de estar quebrando um dogma futebolístico sobre o mito de que o São Paulo é organizado, estruturado, diferenciado etc e tal vem à tona. Mas não tem jeito. Desde 2009 o clube não acerta e, somente 3 anos depois, dá o primeiro passo a retomar a velha forma: retorna ao 3-5-2.

Quando Leão assumiu a equipe em 2004 marcada pelas sucessivas derrotas em jogos decisivos, logo tratou de fechar a defesa postando Rodrigo, Lugano e Fabão à frente da zaga. Até ali não eram lá grandes zagueiros, mas juntos faziam um trabalho decente. Aliás, em linha, o ídolo uruguaio sofreu um bocado e cansou de ser advertido em seu início de carreira aqui no Brasil.

Ao povoar o meio-campo e explorar o ótimo apoio dos alas Cicinho e Junior, o São Paulo ganhou corpo, personalidade e adentrou 2005 com a seriedade necessária para iniciar um período de glórias que só terminou em 2008.

Entrou ano, saiu ano e até Muricy Ramalho desistiu de postar a equipe no 4-4-2. Não teve jeito. O 3-5-2 ficou enraizado e criou estigma de time vencedor pelos lados do Morumbi. Leão perdeu seus melhores marcadores, teimou em armar um time ofensivo e sem pegada alguma no meio-campo e foi alvo fácil para a diretoria escolher um culpado por, mais uma vez, colocar em risco o planejamento da temporada. 

Milton Cruz, o eterno interino, nem precisava das dicas de Juvenal para ver o óbvio: tem que reforçar a defesa! E qual a melhor maneira de se reforçar a defesa sem perder ofensividade? Hein? Exatamente, o 3-5-2. 

O fato de se plantar 3 beques na frente da defesa não implica dizer que o time abriu mão de atacar. Com mais homens no meio-campo, a equipe pode não só defender-se melhor como também trabalhar melhor a bola. Por conseguinte, o volume de jogo tende a aumentar e as jogadas de ataque podem sair mais constantemente.

Contudo, na prática a teoria é outra. A terrível zaga tricolor seguiu firme com seus apagões e fez um esforço tremendo para sair derrotado contra o Cruzeiro. O ataque cumpriu seu papel com eficiência e salvou o time de um desastre. Douglas e Cortez jogaram mais soltos, Lucas e Jadson foram mais participativos, Luis Fabiano deixou sua marca e, de repente, a crise foi embora.

O honroso 6º lugar, com 12 pontos conquistados e a apenas 4 do lider deram um novo ânimo a esse turbulento Tricolor. Que se danem os técnicos demitidos, as eliminações na Copa do Brasil, os títulos que não dão o ar da graça há 4 anos! Que se exploda o Morumbi fora da Copa, o eterno mandato de Juvenal, as contratações equivocadas, os jogadores descompromissados! 

Novamente o 3-5-2 reaparece para acender a chama da esperança num grupo manchado tal como aquele em 2004. Crise? Com esse esquema não mais!



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Como devia ser

Um dia após mais uma quarta-feira decisiva no futebol brasileiro a sensação era de alívio pois tudo saiu como deveria ter saído. Os deuses do futebol agiram e fizeram justiça com as próprias mãos. Se Muricy consagrou a máxima "a bola pune", ontem não foi bem assim.

No Pacaembu, o jogo que interessava. O Corinthians recebeu o Santos para o segundo duelo pelas semi-finais da Libertadores. A vantagem conquistada na Vila Belmiro era ótima, porém relativamente frágil. Tite, coerente, postou o Timão da velha forma. Atrás, fechadinho e saindo perigosamente no contra-ataque. Avançando só na maciota. Ao Peixe só restava o ataque, claro. Tanto que Muricy tratou de barrar Elano e colocar Borges. 

Como toda partida decisiva, a tensão dirimiu o ritmo do jogo. Ao meu ver, impossível dizer que houve pleno domínio de uma das equipes. Houve bons momentos de ambos lados. O Santos proporcionalmente tomou mais sustos, aliás. Mesmo assim, abriu o placar num gol chorado de Neymar aos 35 minutos do primeiro tempo.

O sonho do tetra ficou mais longe logo aos 2 minutos da segunda etapa. Alex cobrou falta venenosa, a bola encontrou Danilo, o predestinado, que não perdoou. O Mr. Libertadores mais uma vez foi decisivo e calou de uma vez por todas seus ferrenhos críticos. 

Foi um empate assustadoramente justo. O Santos não justificou em nenhum momento por que merecia o segundo gol. O Timão, por seu turno, repetiu a fórmula sólida e precisamente cirúrgica para avançar na Libertadores. Tite, Corinthians e torcida esfregam as mãos. A final vem aí e o título é plenamente tangível. 

Em Curitiba, o jogo de fundo. O São Paulo foi até o Paraná encarar o Curitiba sonhando com a vaga na final e o título inédito da Copa do Brasil. A vitória magra por 1 a 0 conquistada no Morumbi dava ao Tricolor a vantagem do empate.

Só que o Coxa, mais uma vez, mostrou o mesmo futebol envolvente do ano passado quando chegou à final da mesma Copa do Brasil contra o Vasco. Mantida a base, o trabalho de Marcelo Oliveira continua rendendo seus frutos. Quem mostrou toda sua força também foi o Couto Pereira e a torcida, simplesmente fantásticos.

Vale lembrar que o Coritiba terminou a partida no Morumbi com um atleta a menos e jogando melhor que o São Paulo. Perdeu depois de um golaço de Lucas em jogada individual, mas dominou grande parte do jogo.  O inconveniente foi resolvido para a partida de volta. Os deuses não deixaram a injustiça prevalecer novamente e trataram de dar ao Coritiba uma pitada a mais de sorte à sua competência.

Aos 28 minutos do primeiro tempo, Emerson, bom zagueiro, abriu o placar. E aos 16 da etapa complementar explorou a péssima noite do Tricolor para garantir sua vaga sem sustos com um gol de cabaça do "gigante" Everton Ribeiro. Do alto dos seus 1,65 sai a classificação para mais uma final de Copa do Brasil. 

Apático e perdido, o São Paulo foi mais do mesmo. A culpa é plenamente distribuível em partes iguais. Da diretoria ao último reserva o fracasso acumulado ao longo desses últimos 3-4 anos escancara uma crise então tratada veladamente. Reforços, sucessivas trocas de técnico, reformulações e nada fez o Tricolor resgatar um mínimo de raça.

No entanto, o mérito é todo do Coritiba já que não tem nada a ver com isso. Provou por A + B que futebol se ganha no campo e pode conquistar o título que escapou por pouco ano passado. 



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Ídolos

A invasão do futebol pela trupe de empresários e grupos de investimentos trucidaram os últimos resquícios de amor à camisa colocando valores exorbitantes de transferências e salários acima de qualquer sentimento que o atleta possa cogitar sentir. Diante de um cenário que molda o pensamento do jogador a buscar o quanto antes uma transferência ao exterior e obsta o surgimento de ídolos, os termos "ídolo" e "craque" foram perigosamente banalizados.

Levando-se em conta que é mais razoável compreender quando uma jovem promessa realmente desponta e eleva-se ao status de craque, prefiro focar na questão da relação ídolo x torcida. Aliás, esta sabe bem como e quem ungir como ídolo. Contudo, em um universo dinâmico como o futebol, prefiro classificar os ídolos em duas categorias: os ídolos históricos e os ídolos passageiros.

No primeiro grupo encontram-se os principais jogadores responsáveis por marcos e glórias do clube. Para figurar neste seleto rol a primeira condição indispensável é ter conquistado títulos. Óbvio que me refiro a títuloS, no plural, e faço um adendo: títulos de expressão.

Superada a primeira condicionante pode-se aplicar alguns fatores relativizantes, por exemplo, número de jogos com a camisa do time, número de gols marcados. Enfim, fatores secundários que justifiquem direta e claramente por que aquele sujeito foi tão importante para aquela agremiação. O vínculo de identificação também é imprescindível.

Por outro lado, e já entrando na realidade do futebol brasileiro, há os ídolos passageiros. Aqueles jogadores que ficam lá suas 3-4 temporadas no time, mal conquistam títulos (por vezes nenhum, ou um ou dois em caráter regional e olhe lá - logo, praticamente sem expressão), não alcançam marcas expressivas, mas cativou a torcida seja por sua habilidade, seus gols, sua irreverência, seu gênio, enfim. Um belo dia são negociados, dali uns anos bate a saudade, voltam e a lua-de-mel entre jogador e torcida novamente é restabelecida.

O que deve ficar claro até aqui, e talvez muitos já tenham compreendido, é que o ídolo passageiro, a rigor, não é um ídolo propriamente dito. Usa-se o termo, muito embora não o seja. Ele é o ícone de um tempo, mas não um ídolo consagrado. A polêmica surge quando se colocam todos - históricos e passageiros - no mesmo cesto.

Talvez os melhores exemplos para ilustrar a questão sejam Kaká e Valdívia, eternamente vinculados a São Paulo e Palmeiras, respectivamente. É possível enquadrar o meia merengue como um ídolo efetivo da história tricolor? Na minha opinião, hoje, não. Aparição meteórica, título Rio-São Paulo, aquele Super Paulistão estranho de 2002, um punhado de grandes atuações, uma porção de eliminações e foi-se para o Milan. Que legado deixou em seu favor senão as lembranças de um tempo em que o São Paulo era conhecido como "time de pipoqueiro"?

E Valdívia? Chegou, arrebentou, ganhou o Paulistão de 2008, saiu para as Arábias e voltou sem apresentar o mesmo futebol. Seus chutes no ar, polêmicas e uma boa atuação aqui outra ali conferem um green card para figurar junto a Marcos, Evair, Edmundo etc? Repito: não. Com a grandeza que o Palmeiras ostenta, não é crível que um jogador tão instável e de currículo tão pobre possa ser endeusado como é. O palestrino precisa de títulos grandiosos, e da conquista destes seus ídolos naturalmente brotem.

Quem vive uma situação delicada é Luis Fabiano. Com 141 gols, é o oitavo maior artilheiro da história do São Paulo. Sonha superar a marca de Serginho Chulapa que lidera com 242 tentos. Porém, mais do que a artilharia, tenta ingressar no palco de ídolos pelos títulos. De que adianta ser o maior artilheiro se tudo que se tem são duas conquistas regionais mequetrefes?

Títulos ficam tatuados na memória do torcedor. No fundo, pouco importa quem fez mais jogos, mais gols, ficou mais tempo no comando da equipe. No frigir dos ovos, contam-se as conquistas, os triunfos, os troféus. O reconhecimento de quem é lembrado como um vencedor dura para sempre não sendo preciso a ajuda de um almanaque.








sexta-feira, 15 de junho de 2012

São Paulo com um pé na final. Palmeiras virtualmente classificado.

A grande fase do futebol paulista não se reflete somente na Libertadores com Corinthians x Santos disputando uma vaga na final. A Copa do Brasil também pode ter um clássico paulistano em sua final. Palmeiras e São Paulo venceram as partidas de ida e jogam por empates para avançarem à decisão.

Na quarta, o Verdão fez bonito. Foi até o Sul encarar o Grêmio de Luxemburgo e Kleber. Quando a partida encaminhava para um truncado empate sem gols, a estrela palestrina brilhou. Mazinho aos 41 e Barcos aos 45 minutos do segundo tempo decretaram o triunfo por 2 a 0 e praticamente garantiram sua vaga na finalíssima.

Nesta noite, o São Paulo recebeu o perigoso Coritiba e passou apuros. Mais ainda quando Paulo Miranda novamente comprometeu o rendimento da equipe ao ser expulso por uma voadora estúpida aos 13 da segunda etapa. O Coxa era mais organizado e chegava com perigo. Conseguiu até carimbar o travessão de Denis. Mas, Lucas, em linda jogada individual, marcou um golaço aos 44 minutos do segundo tempo e salvou o Tricolor de um tropeço em casa.

Sejamos francos e deixemos um pouco de lado a nem tão batida assim tese de que o "futebol é uma caixinha de surpresas": O Palmeiras praticamente garantiu sua vaga. O São Paulo vai sofrer mais 90 minutos e tende a avançar, dada a vantagem conquistada.

Já vivemos demais sobre o muro em muitos aspectos. Minha proposta aqui é cutucar, arriscar, manifestar minha opinião, meu pensamentos, meus achismos sem ter tanto compromisso com o discurso polido e politicamente correto de quem ama colocar um "e se" em qualquer hipótese.

Óbvio que há situações em que a cautela merece ser levada em conta, como é o caso do Tricolor, que venceu por somente 1 a 0. Leva a vantagem do empate e de não ter sofrido gol em casa. Tratando-se de um clube com a grandeza e qualidade do São Paulo, sem dúvida é uma missão ingrata. Mas o Coritiba, ao meu ver, mesmo mais fraco em relação à campanha que culminou no vice da própria Copa do Brasil em 2011, pelo que apresentou esta noite pode surpreender.

Tivesse um pouco mais de qualidade no ataque, mais capricho na organização ou nas conclusões e o Coxa poderia ter feito, pelo menos, dois gols. Incontáveis vezes finalizou em posição frontal ao gol e falhou. No Couto Pereira, se repetir a atuação de hoje e acertar pequenos detalhes ofensivos, pode vencer, levar o jogo aos penais, ficar com vaga, até.

Bem diferente é a situação do Palmeiras. Derrotou o copeiro Grêmio em pleno Olímpico por uma significativa diferença de 2 gols. E sem levar nenhum. Ou seja, os gaúchos terão que vir arrancar a vaga do colo do Verdão. Pior ainda é ver que no banco está Felipão, que sabe como poucos fazer seu time jogar bem trancadinho e dificultando cada movimento do adversário.

Pela consistência com a qual o Palmeiras atua na Copa do Brasil, ainda que sua defesa não seja aquele paredão intransponível, a vaga está assegurada. No entanto, já não se pode dizer o mesmo do instável São Paulo, que insiste em dar sopa para o azar e brincar com a própria sorte. O magro placar feito em casa reserva emoção aos tricolores.

Por fim, só para não dizer que fiquei no muro quanto a um palpite para a final, cravo o clássico Choque-Rei na decisão!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Quarenta milhões de euros

Semanas atrás saiu uma notícia que passou meio despercebida e só agora parei para refletir um bocado nela. "Juvenal Juvêncio recusa proposta de 40 milhões de euros do Chelsea por Lucas". Pô, hoje, quem se dá o luxo de recusar QUARENTA MILHÕES DE EUROS? Vou apimentar: 40 milhões de EUROS, HOJE, pelo Lucas? O São Paulo já deveria ter vendido e contratado uns dois ou três reforços de ponta para zaga, meio-campo e ataque!

Em tempo: Vários portais circularam mas vou relacionar somente o link da ESPN porque a maioria das informações esportivas que tomo conhecimento invariavelmente chegam por seus colaboradores (ler aqui). 

Quarenta milhões de euros é tanto dinheiro que é impossível não ficar repetindo esse valor feito um mantra até que ele invada nossa própria conta bancária. Pode não parecer tanto assim para um clube, só que para um jogador é. E muito. Considero nociva essa irrealidade em convencionar valores estratosféricos para atletas, principalmente em tempos de crise. 

O próprio Chelsea vai investir 38 milhões de Libras, o equivalente a 118,5 milhões de reais, em Hulk, atualmente no Porto e figura frequente nas convocações de Mano Menezes. É um bom jogador, mas, caramba, ele vale tudo isso? (ver aqui) É preciso ter em mente, inclusive, que transações envolvendo valores desse nível para jogadores em atividade no Brasil são casos esparsos. Denílson, Robinho e Pato são os principais exemplos de transferências milionárias.

À parte meu inconformismo quanto a números, no caso específico de Lucas vou além. Fossem 40 milhões de euros no Neymar, ainda que a quantia seja surreal, seria compreensível. A título de constatação, o craque santista tem multa estipulada em 65 milhões de euros. Neymar, 20 anos, é tricampeão paulista, campeão da Libertadores, campeão da Copa do Brasil, maior artilheiro do Santos pós-Pelé, além de principal jogador brasileiro em território nacional e titular da Seleção. 

Objeto de desejo de grandes potências do universo, o jovem craque quer ficar no Brasil até a Copa porque tira seus 3 milhõezinhos mensais, bate sua bola com alegria e ousadia, faz chover, é aclamado e paparicado por onde passa e seu futebol fala por si só. Está amadurecendo sua presença na Seleção e tem reais condições de se tornar um ícone histórico do futebol mundial.

Agora, 40 milhões de euros em um meia promissor, rápido, habilidoso, com cacoetes individualistas, preterido na Seleção para Hulk, Oscar ou Ganso, e sem títulos de expressão cuja multa rescisória é exatamente o DOBRO da proposta recebida que, curiosamente, é ainda maior que a de Neymar? São Paulo Futebol Clube, isso se chama bênção!

Ao meu ver, das duas, uma: ou o São Paulo acredita piamente que vai baixar o santo no Lucas e ele vai engatar uma sequência arrasadora de títulos como protagonista da equipe e consolidar-se como jogador indispensável na meia-cancha da Seleção ou Juvenal blefou. Diante da ascensão meteórica de Neymar, o mandatário tricolor não quis que seu patrimônio desvalorizasse tanto ou ficasse tão atrás do principal talento brasileiro.

Astuto, Juvenal pode ter ido além e quis que sua declaração soasse como um pedido: "peloamordedeus, apareçam com essa grana AGORA que vocês até levam o Paulo Miranda de brinde!" Tudo bem, que não fosse tão desesperado, mas que tivesse cara de recado direto a interessados: "só vendo por um bom dinheiro, não me venham com ninharias". 

Enfim, resguardo-me o direito de achar insano a aplicação de tanto dinheiro sobre um atleta. Mais insano ainda quem se dispõe a recusar tal oferta. E o cúmulo do surreal é mobilizar tamanho investimento em quem não provou absolutamente NADA no futebol. Se a proposta foi real, eu no lugar do Abramovich demitia o gerente de futebol na hora! E por justa causa!

Evidente que Lucas merece entrar na mira dos olheiros europeus pela qualidade que tem com a redonda nos pés. Entretanto, o investimento deveria ser compatível com sua atual condição. Quem acena com a possibilidade de pagar 40 milhões de euros nele pode até manjar de futebol. Quem recusa, perde boa oportunidade de equilibrar a saúde financeira do clube. Mas, nesse caso, ambos não entendem nada de economia. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Agora ou nunca mais?

"Se o Timão não ganhar a Libertadores esse ano, esquece! Nunca mais!" "Olha os times que sobraram! Se o Tricolor não levar essa Copa do Brasil, nunca mais!" O tabu de jamais ter vencido tais torneios faz os torcedores de Corinthians e São Paulo reduzirem suas chances a tais extremismos.

O Timão teve boas chances em 2003, o quinteto Carlos Alberto-Roger-Ricardinho-Tevez-Nilmar em 2006, Ronaldo em 2010-2011. Resultado: Duas eliminações para o River Plate,  uma para o Flamengo e outra para o Tolima.

Já o São Paulo foi eliminado pelo Corinthians em 2002, que faria uma final "tranquila" contra um desconhecido Brasiliense. No ano seguinte, caiu para o Goiás nas quartas-de-final. Após sete anos disputando a Libertadores, caiu para o Avaí na edição 2011 também nas quartas.

Coincidentemente, ambas competições encontram-se nas quartas-de-final. Enquanto o Timão recebe o Vasco precisando de uma vitória simples para avançar em razão do empate sem gols conquistado em São Januário. Por seu turno, o Tricolor abriu 2 a 0 frente o Goiás e decide a vaga no Serra Dourada.

As circunstâncias parecem favoráveis para ambos. O Corinthians tem um time extremamente organizado e experiente. Tem plenas condições de fazer, pelo menos, dois gols e se dar o luxo de sofrer um. E o São Paulo pode até perder por um gol de diferença que estará classificado. Sem contar que, se encontrar um gol na casa do adversário, obrigará o Esmeraldino a fazer 4 gols para sonhar com classificação.

O problema é a sequência. O destino do Timão passa por Santos, talvez Vélez ou até mesmo Libertad ou Universidad de Chile. O panorama ideal é sonhar com as eliminações de Fluminense e Santos e aguardar Libertad ou Universidad de Chile, teoricamente mais fracos, para ter um argentino na final: Vélez ou Boca, pois o cruzamento argentino seria direcionado nas semi-finais.

Tendo-se em conta que a Copa do Brasil invariavelmente degola favoritos, o São Paulo, virtual favorito em seu lado da chave do mata-mata, terá pela frente Coritiba ou Vitória. Sem dúvida, equipes mais modestas. Mas só no papel. São bastante aguerridas e dispostas ofensivamente. Projetando eventual final, a probabilidade é que Grêmio ou Palmeiras disputem uma vaga na decisão.

Mas, na prática, a teoria é outra.

Independente de cruzamentos, uma coisa é certa e beira o clichê: futebol só se resolve nas quatro linhas. Óbvio que o Corinthians tem um grande time para sonhar com o título. Da mesma forma o São Paulo, mesmo com suas limitações defensivas. Só que do outro lado sempre haverá outra equipe tão competente quanto.

Esse reducionismo a 8 ou 80 apenas contribui para inflar os nervos da torcida, e desta para o time, gerando uma eterna pressão sobre o clube durante essa competição.

A expectativa e a ansiedade em erguer um título inédito é natural. Entretanto, a forma como Corinthians e São Paulo as alimentam durante a Copa Libertadores e a Copa do Brasil, respectivamente, influencia diretamente suas pretensões no torneio.

Enquanto durar essa pressão doentia em torno desses campeonatos a torcida pode tirar o cavalo da chuva e desencanar do caneco. Para quem acredita em energia negativa, eu tenho lá minhas crenças que tamanha expectativa pode até virar contra o time, transformar-se em algo extremamente prejudicial. O apoio jamais deve transcender e desaguar em neura, obsessão.

Título jamais será obrigação. É decorrência de trabalho, competência, comprometimento. E uma pitada de sorte, claro.





sábado, 19 de maio de 2012

Botequeiros falam sobre Libertadores, Copa do Brasil e Champions League

Fala Galera!!!!

Gravamos um podcast especial com os botequeiros de plantão Gabriel Casaqui e Luis Cesar para falarmos dos campeonatos nacionais e internacionais que rolaram durante a semana e os nossos palpites sobre Bayern e Chelsea. Será que alguém acertou no "chutometro" quem iria vencer a partida e conquistar o título???? Essa edição também contou com a participação especial da nossa orientadora no curso de locução do Senac Santana, Fabianna Ribeiro, locutora e apresentadora da Jovem Pan FM.

Entrem e ouçam os nossos comentários. Vocês concordam com o que falamos durante o nosso podcast??? Participe conosco e deixem seus comentários....


terça-feira, 15 de maio de 2012

Análise de Elenco - São Paulo

Semana decisiva em nosso espaço "Análise de Elenco"! Faltam apenas 3 equipes e 5 dias para o início do tão aguardado Campeonato Brasileiro.

Hoje temos pela frente o São Paulo Futebol Clube, seis vezes campeão nacional. Sob a batuta de Leão, a equipe fez uma boa primeira fase do Paulistão e caiu diante do poderoso Santos. Na Copa do Brasil, segue vivo, e encara o Goiás nas quartas-de-final do torneio. Embora tenha passado por bons apuros na fase anterior contra a Ponte Preta.

Ultimamente, viveu algumas polêmicas no elenco com o afastamento de Paulo Miranda, e tem sofrido com o departamento médico um tanto congestionado. No entanto, crise é palavra proibida pelos lados do Morumbi. Na busca pelo hepta e pelo título inédito da Copa do Brasil, vamos tentar medir a força do elenco tricolor para 2012:


GOLEIROS - Rogério Ceni, Denis, Leo, Leonardo - Lesionado, o líder, capitão, goleiro e artilheiro Rogério Ceni desfalca a equipe até julho/agosto, ou seja, meia temporada longe da meta Tricolor. Mesmo às vésperas da aposentadoria, Rogério ainda esbanja qualidade. A experiência sob as traves ainda é crucial em seu posicionamento e segurança. Sua qualidade com os pés também é notória. Não somente pelos gols, mas pela reposição rápida e precisa da bola. Invariavelmente contra-ataques saem de seus pés. Contudo, resta saber como voltará da grave lesão no ombro. Denis herdou a condição de titular respaldado por boas atuações quando exigido. Porém, alternou grandes intervenções com falhas grotescas. Não demonstra insegurança, mas deixou a torcida com um pé atrás, especialmente após a falha contra o Santos, na semi-final do Paulistão. Que fique claro que Denis não é mau goleiro. Há muito a evoluir e pode até vir a suceder Ceni. Entretanto, precisa ser mais regular e assustar menos.

LATERAIS - Douglas, Piris, Cortez, Henrique Miranda - O ponto fraco da equipe há alguns anos. Para esta temporada chegaram Douglas e Piris. O paraguaio veio com a pompa de ter feito atuações razoáveis pelo Cerro Porteño ao marcar Neymar. De fato, não é dos melhores apoiadores. Só que defensivamente também não é lá essas coisas. É esforçado e só. Deixa muitas brechas pelo setor e nem sempre é efetivo nos desarmes. Douglas, ex-Goiás, entrou na equipe recentemente e agradou. Rápido, tornou-se boa opção à frente. Atrás, também peca na marcação. Mas é mais útil que o rival de posição. O lado esquerdo tem dono: Cortez, ex-Botafogo, chegou e tomou conta do setor. Encheu os olhos da torcida com sua disposição física, chegada ao ataque e presença defensiva. É mais regular atrás, ainda que o ataque seja sua vocação. Ao meu ver, não é ainda aquele Cortez do Botafogo, falta produzir mais ofensivamente, criar chances mais claras de gol. Porém já fez a torcida tricolor esquecer a péssima passagem de Juan no clube. Obs: O garoto Henrique Miranda, promessa da base, é pouco aproveitado, vive cercado de convocações e deixa o São Paulo sem um bom reserva imediato, obrigando o time a improvisar.

ZAGUEIROS - Rhodolfo, Paulo Miranda, Edson Silva, João Filipe, Luiz Eduardo - Setor regular. Rhodolfo está anos-luz acima dos companheiros. Alto, rápido, firme no desarme e no jogo aéreo e um dos líderes do time. É o pilar da zaga. O problema é encontrar um parceiro. Edson Silva, ex-Figueirense, começou a temporada, mostrou segurança, seriedade e bom posicionamento inclusive ofensivo. É mais troncudo, menos ágil, rebatedor. Perdeu espaço para Paulo Miranda, que se mostrou um desastre. Estabanado, posiciona-se mal consequentemente marca mal e acaba cometendo faltas e pênaltis desnecessários. Cartões infantis também vão no pacote. Foi afastado, reintegrado e deve voltar a assombrar a torcida. João Filipe caiu em desgraça com Leão após o fraco desempenho no clássico com o Corinthians. Na minha opinião, opção razoável. Alto e rápido, poderia ser mais útil não fossem as trapalhadas no posicionamento e na saída de jogo. 

VOLANTES - Wellington, Fabrício, Denílson, Rodrigo Caio, Casemiro - Wellington começou bem a temporada e era um dos mais regulares do time. Contudo, sofreu uma séria lesão no joelho e é baixa certa para o decorrer da temporada. Um leão na marcação, precisa aprimorar a saída de jogo, principalmente o passe. Denílson está de malas prontas para voltar ao Arsenal. Não teve um bom 2011 mas nesta temporada subiu de produção e supriu a ausência de Wellington com competência. Fabrício chegou e praticamente não jogou. Constantemente lesionado, era para ser sinônimo de raça e liderança no meio-campo tricolor, carente de pegada. Rodrigo Caio é jovem e mostrou ter qualidade na marcação. Entretanto, precisa ganhar mais massa e experiência para se tornar um verdadeiro coadjuvante no elenco. Casemiro vive uma relação de amor e ódio com a torcida. Qualidade indiscutível com a bola nos pés e disposição discutível em campo. Visão de jogo apurada, lançamentos precisos e alguma displicência na marcação e na composição defensiva. Se jogasse com um pouco mais de garra, teria condições de ser tornar ídolo.

MEIAS - Lucas, Cícero, Cañete, Maicon, Jadson - Lucas dispensa apresentações. O status de segunda grande promessa do futebol brasileiro é justa. Habilidoso, rápido, voluntarioso. Abusado. A bem da verdade Lucas também tem abusado da habilidade e muitas vezes passa por fominha. Por jogar na direita entrando em diagonal pelo meio, precisa aprimorar a perna esquerda, que lhe deixa na mão em algumas tramas ofensivas. Cícero foi a grata surpresa da temporada. Ora mais avançado ora mais recuado, Cícero é o ponto de equilíbrio do meio-campo. Bom no apoio e na marcação, eficiente na distribuição do jogo e opção para bolas paradas. Maicon, ex-Figueirense, pouco apareceu. Deveria fazer função parecida com a de Cícero pela direita mas por não ter a mesma qualidade, perdeu espaço e virou opção. Cañete é outro que está no estaleiro desde quando chegou em 2011 e não se sabe como voltará. A julgar pelo que mostrou no Boca, pode ser útil e boa opção a Lucas, pois também faz o estilo rápido-habilidoso na articulação do ataque. Por fim, Jadson. Contratado para ser o sonhado meia que a torcida há anos aguardava, Jadson ainda busca ritmo de jogo. Na base das bolas paradas, já é o principal assistente do time. Entretanto, não conseguiu justificar o alto investimento. Com atuações regulares, Jadson parece tímido na armação das jogadas. Ainda não acertou o ponto certo entre cadenciar e acelerar o jogo. Sem seu toque refinado, o São Paulo sobrecarrega Lucas e Cícero, além de exagerar nas investidas em velocidade de Fernandinho. Ou seja, Jadson precisa adaptar-se o quanto antes ao time pois veio para ser o cérebro do ataque tricolor.

ATACANTES - Luis Fabiano, Fernandinho, Osvaldo, Willian José, Rafinha, Ademílson - Luis Fabiano. Recuperado das lesões, Luis Fabiano voltou! Continua o mesmo matador implacável que estamos acostumados. Com a mesma garra que o consagrou, Fabuloso assumiu a condição de capitão e segue infernizando as zagas com seus dribles curtos e finalizações precisas. Fernandinho é o homem da velocidade. Ao meu ver, rápido, habilidoso e pouco inteligente. É boa opção, mas muitas vezes corre demais, repete a velha jogada na linha de fundo e desperdiça bons contra-ataques. Osvaldo, reserva velocista, é um "Fernandinho destro". Willian José, embora mais limitado, fez um bom Paulistão no lugar de Luis Fabiano e anotou 11 gols. Pode não ser uma Brastemp mas mostrou ser bom reserva. Completam o grupo os garotos Rafinha e Ademilson. Aliás, Ademilson é tido como grande promessa para o ataque e em breve pode começar a ter mais chances no ataque tricolor.

TÉCNICO - Emerson Leão - Ultrapassado, obsoleto, motivador, teimoso. É possível encontrar infinitos adjetivos a Emerson Leão. Merece destaque que, mesmo após o grande período longe dos campos, foi novamente o grande responsável pelo resgate do São Paulo. Abalou o grupo e fez com que o time fosse novamente vibrante em campo. Conseguiu armar um São Paulo rápido e mortal no ataque. Contudo, precisa encaixar Jadson na equipe de um modo em que o meia consiga render o esperado. Outro ponto crítico em seu trabalho é o sistema defensivo. A zaga já não é lá essas coisas, sem um sistema de marcação no meio decente, a defesa mostra-se bastante vulnerável.

ANÁLISE GERAL - O elenco é bom. No entanto, o time é regular. É instável demais. Sem Jadson, a organização ofensiva fica capenga. Lucas e Fernandinho nas pontas dão velocidade, criam boas jogadas mas, algumas vezes, são individualistas demais. Como dito, o sistema defensivo é frouxo. É pouco pegador, talvez em razão das lesões que acometeram os principais marcadores do grupo. As laterais, pelas características de Cortez e Douglas, abrem pequenas avenidas para os adversários explorarem. Em linhas gerais, o ataque é ótimo, mas a defesa é bastante frágil.  

RESULTADO - Para ganhar o Campeonato Brasileiro é preciso um bom time e um bom elenco. A irregularidade do São Paulo pode minar suas pretensões como ocorreu nas temporadas anteriores. Todavia, com Leão no comando, se superar as limitações defensivas, pode esperar algo mais esta temporada. Ao meu ver, a falta de pegada no meio-campo vai sabotar o time. Por isso, arrisco dizer que a Libertadores é o destino tricolor em 2012.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Diretoria são paulina “poupa” Paulo Miranda de criticas


O torcedor são paulino que acompanha O Boteco Esportivo deve estar acompanhando toda a polêmica sobre o afastamento temporário de Paulo Miranda do time do Morumbi. O zagueiro foi cortado da concentração no dia do jogo contra a Ponte Preta e deu lugar a Edson Silva. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, disse que o corte aconteceu horas antes da partida pela Copa do Brasil porque a relação dos titulares só foi passada pelo treinador Emerson Leão durante o almoço na concentração. (Leia entrevista completa)

A justificativa dada para o afastamento do jogador é que ele precisa ser “preservado”. O diretor Adalberto Baptista disse durante entrevista ao programa Jogo Aberto, da TV Bandeirantes, que Paulo Miranda ficará fora também do próximo jogo contra a Ponte Preta e que o “caso vai ser analisado posteriormente”. Portanto, dá a entender que a volta dele ainda é uma incógnita.

Paulo Miranda treina com reservas no CCT da Barra Funda
Foto: Luiz Pires/Vipcomm

Jogadores logicamente estão incomodados com a postura da diretoria, mas não assumem publicamente temendo represálias. A presidência de Juvenal Juvêncio passa a ser, novamente, alvo de críticas pela “truculência” adotada. Não é a primeira vez que atletas são “preservados” no São Paulo. Nesse ano, já passaram por processo parecido, o lateral direito Piris e também o meia Jadson. Mas, no caso deles não existiu tanta repercussão porque os jogadores foram “vetados” dias antes de partidas que o São Paulo disputaria pelo Campeonato Paulista ou até mesmo pela Copa do Brasil.

Nessa sexta-feira, o São Paulo treinou e o diretor de futebol, Adalberto Baptista, apareceu no CCT da Barra Funda, mas não concedeu coletiva para os jornalistas. O treinador Emerson Leão que deu as explicações e falou o teor da conversa com o dirigente são paulino.

"Hoje o assunto foi Paulo Miranda. Ele(Adalberto Baptista) disse que realmente foi um caso maior do que se pensava".

Pois é, a repercussão foi grande e desastrosa para a imagem do São Paulo. E vocês são paulinos acharam certa a decisão???? Agora, no foco do "furacão" está também na famosa briga sem fim pela taça das bolinhas, que hoje está em poder do São Paulo. Mais uma vez, ela tem que ser devolvida e já foi autorizada até a força policial, se necessário. Qual vai ser a postura dessa vez???


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Corinthians e São Paulo vivos.

Nesta fria quarta-feira, Corinthians e São Paulo entraram em campo para exorcizar o fantasma da eliminação do Paulistão. Enquanto o Tricolor enfrentou o algoz do Timão, a Ponte Preta, o Corinthians foi até o Equador encarar o Emelec.

Não foram grandes partidas. Mas tiveram suas doses de emoção.

O Corinthians travou um duelo contra os próprios nervos. Suportou o esforçado catado equatoriano sem se expor tanto. Poderia até ter arriscado mais. 

Motivado pela torcida, o Emelec atacava como podia. Deu ótima contribuição para testar Cássio, novo titular da meta corinthiana. É bem verdade que carimbou o travessão do clube paulista. E que o Timão voltou nervoso para o segundo tempo. Que o diga Jorge Henrique, expulso. 

Só que os equatorianos são muuuuito limitados. A partida de volta tem tudo para ser tranquila. Com Pacaembu lotado, Cássio mais leve em relação à estreia e os pés de Liédson calibrados o Corinthians atropela e fica na espreita para ver quem sai de Vasco x Lanús (vitória cruz-maltina por 2 a 1, em São Januário, com direito a golaço de Diego Souza).

A impressão que ficou da partida morna de hoje é que o Corinthians deu sopa para o azar. Deixou um time infinitamente inferior gostar do jogo. Parecia preguiça em impor seu ritmo cadenciado, trabalhar as jogadas com calma. Tivesse o adversário um tiquinho assim a mais de qualidade e o Timão poderia ter cavado a própria cova.

Após a expulsão de Jorge Henrique era rezar para o jogo acabar logo e resolver em São Paulo. Deu certo. Todavia, grande parte dos pequenos sustos de hoje são evitáveis e os vejo atrelados muito mais ao nervosismo do que à displicência propriamente dita. Como dito em outros posts, atenção!

E o Tricolor foi até Campinas encarar a Ponte Preta. 

Horas antes da partida, a diretoria comunica o afastamento do então titular e intocável Paulo Miranda. Ficou um clima azedo no ar, uma espécie de mal entendido. A princípio, não se esperava uma reação negativa por parte do elenco. De Leão, talvez. 

Depois de um primeiro tempo bastante movimentado, com chances e bolas na trave de ambos os lados, com ligeiro domínio tricolor, a Ponte acordou. A Macaca simplesmente dominou a segunda etapa e chegou ao gol com Roger. 

Visivelmente abalados, abatidos o time do São Paulo não encontrou forças para esboçar reação. Poucas chances criadas, um pênalti não marcado em Luis Fabiano, muito nervosismo e pouco futebol. Aliás, após a partida, Fabuloso disse que o grupo sentiu o baque do afastamento do zagueiro e reconheceu a má atuação. Dica para o desempenho relapso desta noite?

Na coletiva, Leão sutilmente mostrou sua insatisfação, no entanto, sem fazer estardalhaço. Por fim, preferiu fazer o discurso otimista de que é possível reverter o resultado.


Ao meu ver, a missão do Corinthians é mais tranquila. Caldeirão, vitória simples garante, ou seja, vivinho da silva. Basta controlar a ansiedade e o nervosismo, chaves para quem quer chegar longe na Libertadores.

Já a parada do São Paulo é mais ingrata. Precisa de dois gols para avançar, não pode sofrer gol, precisa controlar os problemas internos e a pressão de também correr atrás de um título inédito. Ainda que no caso do São Paulo a pressão seja por uma conquista qualquer, pois não dá as caras desde 2008.

Terminarão como o ditado "entre mortos e feridos todos se salvaram"?




domingo, 29 de abril de 2012

Paulistão 12 - Semi-finais

Domingo nublado, chuvoso. Dia feio que seria agraciado com dois clássicos para definição dos finalistas do melhor estadual do país. O mais competitivo, claro. Pois o formato...

Bom, como no outro post, resenha das partidas e palpite para a grande final. A título de curiosidade e descontração, vale dizer que acertamos os palpites cravados (hehe). 


SÃO PAULO 1 x 3 SANTOS

Mais um San-são eletrizante. Outro show de Neymar. O Santos não tomou conhecimento do São Paulo e atropelou o Tricolor em pleno Morumbi. O resultado foi justo e traduziu a competência e eficiência do melhor time. 

Não tardou para a instável defesa do São Paulo deixar o torcedor com o coração na boca e comprometer o desempenho do time. Desta vez, na primeira descida logo a 1-2 minutos de jogo,  Paulo Miranda novamente cometeu um pênalti infantil à direita do ataque santista. O carrinho imprudente e desnecessário em Alan Kardec foi a senha para o 100º gol de Neymar com a camisa do Peixe. E o prelúdio de outro espetáculo do craque.

A princípio, o São Paulo não sentiu o gol. Dominou o meio-campo e passou a ditar o rumo da partida. Pouco produziu e abriu o contra-ataque, é verdade, mas não fazia uma má partida. Só que o Santos tinha Neymar. E o São Paulo, Paulo Miranda. Ganso recebeu e acionou Neymar. O atabalhoado zagueiro saiu mal no bote, perdeu o tempo da bola, Neymar passou como quis e tocou na saída de Denis. 2 a 0.

Atrás no placar, o segundo tempo reservava mais emoção. Na volta do intervalo, Leão saca Jadson e Piris para as entradas de Fernandinho e Rodrigo Caio. Ao meu ver, acertou parcialmente. Jadson não fazia uma má partida e virou referência nas bolas paradas. Cícero estava mal e já tinha cartão. Piris, também amarelado, novamente foi mal e foi bem substituído.

Mal começa a segunda etapa e quase o São Paulo iguala. Paulo Miranda fura cruzamento venenoso. No troco, Denis rebate bola nos pés de Neymar que manda na trava, quase sozinho. Enquanto o SPFC sai desesperado para o ataque, o Santos deita e rola nos contra-ataques, jogo franco.

Então a arbitragem começou a se complicar. Aos 12 minutos, Ganso escora de cabeça para a área. A bola encontra Kardec que manda para as redes. Contudo, o juiz pegou uma falta (ao meu ver, inexistente) de Edu Dracena em Paulo Miranda na jogada. Pouco depois, aos 18, Casemiro encontra Willian José impedido. O centroavante tricolor limpa a marcação e bate no canto de Aranha (entrou no lugar de Rafael, machucado) : 2 a 1.

A pressão do São Paulo não foi suficiente para parar Neymar, impossível esta tarde. Aos 32 minutos, o atacante santista arrisca da entrada da área, Denis erra a espalmada e a bola morre macia no gol tricolor. Vale ressaltar que Denis, embora jovem, não é mais garoto. É capaz de grandes defesas e falhas bestas, tanto nas vitórias como nas derrotas. Hoje, não foi diferente. Tal como contra o Palmeiras, Denis deu sua contribuição ao placar num clássico.

Cumpre destacar inclusive o equilíbrio do Santos ao longo da partida. O aproveitamento ofensivo e a tarde inspiradíssima de Neymar roubam grande parte dos holofotes que o sistema defensivo merecia. Arouca e Adriano protegeram bem a zaga e deram contribuição fundamental para Ganso e Elano organizarem o ataque ao seu bel prazer. Elano mais apagado, é verdade.

O gol esfriou o ímpeto tricolor. Os ânimos se exaltaram. Deu tempo para Cícero levar o segundo amarelo e ser expulso. Lucas? Correu, tentou e lembrou aquele fominha que Leão tanto pegou no pé. Muito individualista, perdeu boas chances de distribuir melhor o jogo. Neymar? O Brasil não é mais páreo para ele. Sim, é o momento de sair. Encarar novas zagas, evoluir e, quem sabe, ser na Seleção o craque que é no Santos. 


GUARANI 3 x 1 PONTE PRETA

Um dérbi de arrepiar! A Ponte Preta, recém-promovida à Série-A, foi visitar o eterno rival Guarani após eliminar o Corinthians em pleno Pacaembu. Já o Bugre fez a 4ª melhor campanha do Paulistão e eliminou o Palmeiras nas quartas-de-final. Vive bom momento sob comando de Vadão.

Acima de tudo, foi um resultado justo. O Guarani dominou a partida desde o começo. A proposta da Macaca foi parecida com a da partida contra o Timão. Bem retrancada, apostava nos contra-ataques e no toque de bola para conquistar seu espaço.

Enquanto o Guarani produzia grandes oportunidades, Bruno Fuso dava início à boa atuação desta noite. Com boas intervenções, salvou a pátria da Ponte Preta em vários lances de perigo. Sem Fumagalli, que saiu machucado aos 28 do primeiro tempo, o Guarani caiu um pouco de produção. Foi a deixa para a Ponte arriscar-se no ataque. Aos 39, Caio recebe, limpa a marcação, fuzila cruzado e faz a festa dos visitantes: 0 a 1. 

No segundo tempo, o Bugre foi em busca o resultado. A Macaca voltou à estratégia anterior de defender-se e sair cautelosamente. Após o milagre de Neto, goleiro do Guarani, o Bugre mandou no jogo. Aos 8, linda trama pela esquerda resultou no cruzamento de Fabinho para Fabio Bahia igualar o placar. Um minuto depois, Fabinho carimba a trave após bela defesa de Bruno.

O Guarani sentiu o bom momento e seguiu mandando na partida. Tanto que o gol da virada não tardou. Aos 23 minutos, Danilo Sacramento encontra Medina, que entrou no lugar de Fumagalli, para bater firme no canto e botar o Bugre em vantagem.

A Macaca sentiu o gol e a pressão em ter que buscar o gol que levaria a partida aos pênaltis. Desequilibrada, não foi sombra da equipe bem postada que eliminou o Corinthians. E quem estava com a Macaca era Medina. Aos 40 minutos, completou de cabeça cruzamento perfeito de Oziel e decretou a classificação do Guarani. 3 a 1 e festa no Brinco de Ouro!



PALPITE: Santos x Guarani - O Santos é infinitamente superior ao Guarani. A decisão ser em dois jogos também deixa todo o favoritismo ao lado do Peixe. O Bugre, que já foi campeão brasileiro em 78 e vice em 86, não ostenta a grandeza de outrora. Envolto à crise financeira e problemas administrativos, a superação é  o combustível desta aguerrida equipe.

Infelizmente, o Guarani já fez um milagre ao alcançar a grande final e terá que se contentar em ter surpreendido São Paulo ao menos por uma temporada. Quem sabe o bom trabalho de Vadão também não se repete na campanha da Série-B do Brasileirão? 

Parabéns, Guarani. Mas vai dar Santos.   


sábado, 28 de abril de 2012

Final do Paulistão se decide amanhã



Depois de três meses de jogos incessantes finalmente neste domingo sai os dois finalistas do Paulistão. O clássico entre São Paulo e Santos, no Morumbi, já rende algumas polêmicas antes mesmo do apito inicial. O time da Vila Belmiro viajou e jogou na altitude da Bolívia, sofreu com a mudança de clima e com o mau comportamento da torcida adversária, fora as pancadas em campo.

Emerson Leão, treinador do São Paulo, afirmou durante a semana que as duas equipes poderiam entrar em campo amanhã um pouco desgastadas. O tricolor do Morumbi tinha compromisso no meio de semana contra a Ponte Preta, em Campinas, mas a chuva caiu violentamente na cidade do interior, o que impossibilitou a realização do confronto pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Nesse casso, acredito que a arbitragem e os representantes da Federação Paulista agiram de forma correta, o campo do Moises Lucarrelli estava encharcado, diversas poças de água. Ainda falam que nós somos o país da Copa. A culpa também não é do time da Ponte Preta, mas daqueles que cuidam dos fundos financeiros. Quem sabe com uma verba extra e com ajuda também da Federação, a macaca não poderia reformar o estádio.

Aproveitando que estamos falando do interior, o outro finalista do Paulistão sai do jogo entre Ponte Preta e Guarani. Ambos eliminaram na semana passada os grandes de São Paulo, Corinthians e Palmeiras. Isso mostra que o futebol do interior ainda tem forças. O derby campineiro tem tudo para ser um ótimo jogo, mas seria completo com uma divisão de 50% dos ingressos para cada time, o que infelizmente nos dias de hoje é impraticável. Essa carga de ingressos só voltará a ser dividido pela metade quando realmente houver uma vontade política para a implantação de um sistema de registro do torcedor. Torcemos para que para o bem do futebol isso aconteça nos próximos anos. Vamos aguardar.....

domingo, 22 de abril de 2012

Paulistão 12 - Quartas-de-final

Finalmente o Paulistão começou! Começou e, para alguns, já terminou.

Após exaustivas 19 rodadas, a fase do "mata" começou. Mata porque as quartas-de-final e as semi-finais do Paulistão são decididas em somente uma partida. Como toda decisão de partida única, a zebra sempre fica a postos querendo aparecer. Neste Paulistão ela deu o ar da graça e tirou logo dois dos grandes favoritos ao título. 

Vale dizer que a moda de termos gols nos minutos finais foi seguida. Nas partidas deste domingo, 4 gols marcados nos últimos 5 minutos.

Enfim, abaixo uma breve resenha sobre os quatro confrontos, quem pega quem nas semi-finais do torneio e o palpite do blog:


CORINTHIANS 2 x 3 PONTE PRETA - Olha a zebra aí. Ou melhor, a macaca. A Ponte aprontou para cima do favorito Corinthians e eliminou o Timão em pleno Pacaembu. Foi uma partida madura da Macaca. Ocupou bem os espaços, travou as investidas do Timão e armou a equipe para explorar os contra-ataques. A proposta escancaradamente defensiva deu certo. Porém, contou com a colaboração direta do goleiro Julio César. Willian Magrão abriu o placar após cobrar falta de longe e o arqueiro aceitar o tiro. A bola passou no curto espaço que havia entre ele e a trave. Falha feia nº 1. Quando o Timão melhorava na partida, veio a ducha de água fria. Uendel recebeu na esquerda e mandou a área. Roger antecipou-se à marcação e desviou fora do alcance de Julio César. No segundo tempo só deu Corinthians. Na base da pressão, Willian diminuiu aos 29 minutos em chute cruzado. Porém, novamente Julio César contribuiu com o adversário. Depois de bater mal um tiro de meta, Rodrigo Pimpão foi lançado na esquerda. Enquanto o goleiro saía desesperado, Pimpão bateu por baixo e só não morreu na rede porque Ralf tentou afastar. Em vão. Já havia ultrapassado a risca e a Ponte ganhava fôlego para suportar os últimos minutos. Até parece. No minuto seguinte, Alex recebeu de frente para o gol e mandou no ângulo de Bruno. A bola bateu na trave direita e entrou sem chances para o bom goleiro da Ponte. A dramática partida terminou com a heroica classificação da Ponte que, embora não tenha tido maior volume de jogo, seguiu seu roteiro à risca de maneira muito competente. Aproveitou as oportunidades que teve e, mesmo sofrendo 2 gols, defendeu-se bem. O revés acende parcialmente a luz amarela no Timão. Ainda que esta derrota seja mais uma a ser colocada na conta de seu goleiro mediano, joga na cara da equipe que é preciso mais atenção a detalhes em jogos decisivos.


GUARANI 3 x 2 PALMEIRAS - O confronto mais parelho das quartas-de-final terminou com a classificação também homérica do Guarani. O Palmeiras contava com o retorno de Luan e deixava Valdívia no banco. Nada que significasse maior poderio ofensivo. Depois de um primeiro tempo bastante truncado com chances perdidas dos dois lados, a segunda etapa naturalmente ganhou emoção visto que a igualdade levava aos pênaltis. E põe emoção nisso! Apenas 9 minutos após a bola voltar a rolar 3 gols foram marcados. Aos 6, Fumagalli fez um golaço. Olímpico. Simples assim. Bateu o córner da esquerda, a bola bate no 2º pau e morreu na rede. No lance seguinte, escapada de Oziel pela direita que cruzou para Fabinho só empurrar para o gol. A resposta do Palmeiras foi imediata. Luan bate cruzado e Marcos Assunção completa o rebote. 2 a 1 e dá-lhe drama! A partida continuou lá e cá, ambos times com suas chances de gol. O Verdão da capital pressionava enquanto o Bugre era mais comedido no avanço. Contudo, o Palmeiras não conseguiu vencer o relógio e o nervosismo. Aos 45 minutos, bola boba perdida pelo lado esquerdo sobrou para Oziel orquestrar outro contra-ataque pela direita. O cruzamento atravessou a área e encontrou Fabinho, sozinho, que deu a vaga ao Bugre. Deu tempo para Henrique diminuir para o Palmeiras e dar números finais ao placar: 3 a 2. Apesar da insistência no jogo pelos flancos e nas bolas cruzadas, Vadão conseguiu bloquear bem a criação palestrina e levou o Bugre às semi-finais. O Palmeiras mostrou sérios problemas defensivos e limitação no meio-campo. As laterais tão elogiadas, foram o calcanhar de aquiles de equipe. Juninho teve uma noite para esquecer. O miolo de zaga deixou os atacantes do Bugre invadirem sem incômodo. Felipão terá trabalho para o Brasileirão...


Semi-final: Guarani x Ponte Preta. 

Palpite: O dérbi campineiro promete. Ao derrubarem o dérbi da capital, Guarani e Ponte atraem os holofotes para uma semi-final digna de anos 70-80. O Bugre leva ligeira vantagem por jogar em casa. Vadão faz um trabalho excepcional no Guarani e conta com lado direito muito bom, além da experiência de Fumagalli e do oportunista Fabinho. Nome a nome, a Ponte tem um time mais interessante. Tanto que foi recém-promovida à Série-A do Brasileirão e terá o São Paulo pela frente na Copa do Brasil. Ambos estão em momento ótimo, mas apostarei no fator momento e no diferencial do mando de campo: Guarani. 

OBS: A expectativa que envolve o dérbi campineiro tem uma preocupação por trás: violência. Invariavelmente o clássico maior de Campinas é repleto de violência, mortes e incidentes entre as torcidas. Esperamos que a partida transcorra normalmente, com a devida segurança.


SÃO PAULO 4 x 1 BRAGANTINO - No sábado, o São Paulo inaugurou as quartas-de-final e classificou-se sem sustos. A goleada sobre o Bragantino foi construída na base de muita velocidade e bom aproveitamento nas finalizações. O grande destaque da partida foi Luis Fabiano, autor de dois gols, sendo um deles numa primorosa cobrança de falta. Além disso, o matador tricolor perdeu um pênalti e tomou um bobo cartão amarelo que o suspende para o confronto das semi-finais. Fernandinho e Osvaldo fecharam a conta. Destaque para as assistências de Jadson para Fernandinho e de Casemiro para o segundo gol de Fabuloso. Passes precisos para as finalizações. No mais, não há muito que se alongar. O resultado traduz a superioridade do São Paulo no duelo. No entanto, o gol do Bragantino nasceu em bola alçada na área. O Tricolor precisa ter mais atenção nesse tipo de lance. 


SANTOS 2 x 0 MOGI MIRIM - Passeio discreto do Santos. Foi uma partida burocrata, sem qualquer ameaça à superioridade do Peixe. Logo aos 22 da primeira etapa, Neymar fez lindo lançamento que encontrou a cabeça de Maranhão na entrada da área. O cabeceio cruzado enganou o goleiro e fez a alegria do Peixe. No segundo tempo, Neymar fez das suas. Recebeu pela direita, driblou a zaga do Mogi como quis e tocou no canto para fechar o placar. Agora, antes de decidir uma vaga na final, encara o Bolívar na altitude no duelo de ida válido pelas oitavas-de-final da Libertadores.


Semi-final: São Paulo x Santos.
Palpite: O Tricolor não terá Luis Fabiano. O Peixe irá à Bolívia encarar a altitude pela Libertadores. Será o duelo de um São Paulo desfalcado contra um Santos possivelmente baleado pela desgastante viagem. Ao meu ver, mesmo ciente da falta que Fabuloso faz ao ataque do São Paulo, vale ressaltar que o time baseia seu ataque na velocidade. Fernandinho, Osvaldo e Lucas podem infernizar a zaga do Santos, não tão veloz. E tem Willian José, que não é a mesma coisa, mas já anotou 10 gols no Paulistão. Do outro lado, há Neymar, Ganso, Muricy e Cia., a força do conjunto, do entrosamento, enfim, indiscutivelmente fazem a diferença. Bom, já que clássico é clássico e vice-versa, ainda que Leão faça um bom trabalho no comando do SPFC, os vacilos defensivos não serão perdoados. Santos avança.


Enquanto aguardamos ansiosamente o próximo domingo, recomendo a seção "Análise de Elenco" na qual já passaram os seguintes clubes: Corinthians, Palmeiras, Ponte Preta.

domingo, 8 de abril de 2012

O mesmo Leão. Um velho novo São Paulo.

Ultrapassado, turrão, limitado taticamente. Em outubro de 2011 pouco se lembrou de positivo daquele treinador que estava por trás da geração de Diego e Robinho campeã brasileira de 2002. Só se falava em motivador para lá, vaidoso pra cá, e morria ai. Porém, o velho Leão novamente deu uma nova cara ao São Paulo. A mesma que deu em 04-05. Ou seja, o conservador técnico está mais na moda do que nunca.

Voltemos a 2004. Leão herdava um São Paulo emocionalmente em frangalhos. O time acumulava fracassos em decisões e ainda lutava para apagar a sofrida eliminação nas semi-finais da Libertadores daquele ano, no último lance da partida contra o Once Caldas. E tem mais. Desde a Taça Rio-SP de 2001 o clube não erguia um título minimamente decente. (Superpaulistão 2002, sim, está sumariamente descartado)

Com um elenco muito limitado, Leão tratou de proteger a equipe e instaurou o sistema que futuramente reconquistou a América, o Mundo e o Brasil: lembram-se do 3-5-2 e de como se falou que nunca mais o São Paulo conseguiria adaptar-se a outra formação? Pois é. Além disso, incrustou no elenco o espírito guerreiro, de luta, entrega. Transformaram-se em "cascudos".

Sete anos mais tarde, Leão retorna. Mais experiente ainda, ostentando um ar mais tranquilo, um semblante menos nebuloso o técnico mostra-se reciclado mas sem abandonar seu estilo militar no comando do grupo. Sem títulos desde 2008 e com um elenco visivelmente acomodado, o Tricolor buscou no velho Leão a fórmula para tirar seus atletas da zona de conforto e querer algo a mais da vida. 

Inicialmente o susto não teve o efeito esperado. Contudo, mesmo fora da Libertadores, São Paulo e Leão permitiram-se uma segunda chance. Com o elenco devidamente reformado, aos poucos foi dando liga. A previsão do técnico concretizou-se. De fato, em abril o time estaria mais compacto, entrosado. Profeta? Não. Competente.

Esqueceu o 3-5-2 e apostou nas modernas variações do 4-3-3, 4-2-3-1, enfim, um time ofensivo, que joga para ganhar e não se entrega nas adversidades. As atuações contra Palmeiras (leia aqui) e Santos (leia aqui) mostram bem a evolução do trabalho do então obsoleto treinador, que mexe e remexe no time sem medo de ser feliz.

Na noite deste sábado, o São Paulo alcançou a 10ª vitória consecutiva, fato que não ocorria desde 2002. Os 2 a 0 sobre o Mogi Mirim na Arena Barueri foram construídos com a mesma solidez e pragmatismo dos times dirigidos por Emerson Leão. Pouco importa se Luís Fabiano e Lucas estiveram apagados, se Fabrício novamente estourou, se Casemiro entrou, fez gol e foi expulso, se Fernandinho marcou novamente e novamente desperdiçou algumas dezenas de gols. Importa o resultado. Hoje, tudo que o torcedor tricolor quer ou exige são resultados positivos. 

Apertou a saudade de Muricy, que blindava o time e conquistava vitórias das formas mais frias e feias possíveis. Mas vencia! E sem o querido treinador, a torcida volta seu carinho àquele velho turrão que sabe como poucos colocar seu time nos trilhos. Ainda que o time ainda não empolgue, passa segurança, determinação e vontade, tudo que a torcida minimamente espera. Claro que também quer títulos. Porém, é inegável que o trabalho do velho Leão, novamente, já está muito bem feito pelas bandas do Morumbi.