Mostrando postagens com marcador Santos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Santos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #10

A Copa do Mundo é igual aquela ex-namorada-amante-caso-o-que-for que aparece de tempos em tempos, rola uma recaída, a gente jura que não vai mais acontecer mesmo sabendo que vai e esperamos com uma certa expectativa esse dia.

Nosso amor de verão - ou inverno, para os mais meteorologicamente críticos - se foi e voltamos aos braços da nossa amada.

A 10ª rodada do Brasileirão foi boa e já causou certa bagunça na tabela logo de cara.

Eis os destaques:


CERVEJA GELADA

SPORT - Na Ilha do Retiro, o Sport bateu o Botafogo e manteve a equipe carioca flertando perigosamente com o rebaixamento. Mais que isso, os pernambucanos enfileiraram mais destaques! A começar pelo golaço de Neto Baiano. Pouco depois do meio-campo, fez o tal gol que o Pelé não fez. Encobriu o goleiro e fez o senhor gol da partida. E vai além. A vitória colocou o Sport no G-4, exatamente na 4ª posição, com 17 pontos.

CRICIÚMA - Às vésperas da Copa, o Criciúma perdeu 3 pontos no tapetão, sabiam? Pois é. Pela escalação irregular de Cristiano na derrota para o Goiás por 1 a 0 lá na segunda rodada. Mas, tudo bem, quem tem Paulo Baier pode dormir tranquilo. O Tigre recuperou com juros esses 3 pontos em grande atuação do interminável meia, autor de dois gols e uma assistência precisa na vitória por 3 a 2 sobre o Fluminense, em Santa Catarina. Os carvoeiros voltam aos 11 pontos, 4 à frente do Z-4, e vão para a 13ª posição.   

LÍDERES - O Cruzeiro segue nadando de braçada. Manteve sua vantagem de 3 pontos para os vice-líderes ao bater o Vitória por 3 a 1, no Mineirão. Ricardo Goulart guardou um, salvou meu cartola e assumuiu a liderança da artilharia com 6 gols. Fungando no cangote da Raposa chegam Corinthians e São Paulo, empatados com 19 pontos. O Timão finalmente venceu na sua nova Arena! 2 a 1 sobre o Internacional, que despencou para 8º. Já o Tricolor foi encarar o Bahia e trouxe 3 pontos da Nova Fonte (de gols) Nova. 2 a 0, com gols de Rogério Ceni, de pênalti, e outro do estreante Alan Kardec.

SANTOS - Menção honrosa ao Peixe! Venceu o clássico contra o Palmeiras na Vila Belmiro por 2 a 0, gols de Bruno Uvini e Alisson. O Santos encosta no G-4, em 5º, mesma pontuação de Sport. 



CERVEJA QUENTE

CORITIBA - Recebeu o Figueirense e deu uma força para o ex-lanterna do Brasileirão. Perdeu por 2 a 0 e ainda viu o ex-lanterna igualar os 7 pontos, mas ultrapassá-lo na tabela pelos critérios de desempate. Interessante que todos no G-4 possuem 7 pontos com somente 3 times à frente numa distância de menos de 3 pontos. Ou seja, nada está perdido e vem tumulto do bom por aí.

FLAMENGO - Nesse Brasileirão tudo indica que o Mengão será figurinha carimbada aqui no Cerveja Quente. Derrotado em casa para o Atlético Paranaense, 2 a 1. Perdeu Samir, autor do gol, machucado. Para piorar, assumiu a lanterna do campeonato! Nuvens negras na Gávea! O risco de rebaixamento começa a se mostrar razoável.

GRÊMIO - Empatou em casa por 0 a 0 com o Goiás. Nem a estreia de Giuliano ajudou o Tricolor Imortal a acompanhar a evolução na parte de cima da tabela. Essa oscilação já permite dizer que o G-4 será o céu gremista esta temporada.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #9

9 rodadas e 27 pontos disputados depois chegou a hora de dar um tempo no Brasileirão para respirar Copa do Mundo. Em homenagem ao melhor campeonato nacional da galáxia, um carregamento especial de cervejas geladas e quentes com o que aconteceu de melhor nessa rodada e no torneio até o momento.

Saquem só!


CERVEJA GELADA


CRUZEIRO - Vai descansar líder absoluto do Brasileirão. 19 pontos conquistados, 3 pontos a mais que os vices. Cartel de 6 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, com 18 gols marcados, 10 sofridos, Ricardo Goulart e Marcelo Moreno dividem a artilharia com 5 gols cada. Neste fim de semana, precisou de somente 45 para debulhar o Flamengo por 3 a 0. Ou seja, a máquina cruzeirense tem grandes chances de revalidar o título esta temporada. 

SÃO PAULO - Venceu o Atlético Mineiro da maneira mais insólita possível. Aos 44 do segundo tempo, Pabón bateu falta de longe e o goleiro Giovanni aceitou. Um frangaço que valeu o triunfo tricolor por 2 a 1. O São Paulo entra novamente no G-4 e divide a virtual vice-liderança com Fluminense, Corinthians e Internacional, todos com 16 pontos.

SANTOS - Após muito empatar, o Peixe emplacou sua segunda vitória consecutiva e entra no bololô intermediário à espreita de uma chance de beliscar uma vaga no G-4. A vitória sossegada contra o Criciúma por 2 a 0 deixa o Santos na 9ª posição com 14 pontos mantendo vivo o sonho por alguma coisa nesse Brasileirão.

CAOS - O Brasileirão está interessante porque se organiza no caos. Em um intervalo de 3 pontos pode acontecer qualquer coisa. Consagrar um novo lider, mudar significativamente o Z-4 e até bagunçar legal a tábua de classificação. Com apenas uma vitória é possível subir, olha, brincando, brincando, umas 4 posições. Isso mostra que ainda não está exatamente claro onde está aquele corte que define quem briga lá em cima e lá embaixo.


CERVEJA QUENTE


CORINTHIANS - De novo. Outro evento teste lá no Itaquerão. Estava o Corinthians no seu lugar. Veio o Botafogo lhe fazer mal. O resto da música todo mundo já sabe de cor e salteado. O Timão anotou o primeiro tento na nova casa com Jadson. "Um baita gol, diga-se de passagem" NETO, "Craque". Mas daí o Corinthians entregou-se àquele acadelamento que lhe é peculiar e permitiu o empate do Botafogo. Amargo 1 a 1 em nova decepção no seu novo campo. Pelo menos ainda se segura lá no G-4 nessa parada para a Copa.

FIGUEIRENSE - É impossível não servir uma cerveja quente e não pensar no Figueirense. Mais uma derrota em casa. O baile no Orlando Scarpelli foi comandado por Douglas Coutinho, autor dos 3 gols da vitória do Atlético Paranaense por 3 a 1. Lanterna absoluto do Brasileirão com apenas 4 pontos, o Figueira já pode começar a pensar na Série B em 2015 porque tá na cara que vai cair.

GRÊMIO 0 x 0 PALMEIRAS - Foi um festival de finalizações grotescas. Pior que isso, só a arbitragem que anulou gol legal de Diogo. Pode ser que o árbitro tenha se assustado com o fato de Diogo estar fazendo um gol já que isso por si só configura um motivo razoável para encontrar alguma irregularidade no universo. Mas o gol era legal e o Verdão poderia estar melhor nesta segunda-feira. Assim como o Grêmio, que perdeu pontos preciosos em casa e vai ter que se contentar ficar na cola do Inter durante todo o recesso.

Z-4 - Vitória, Coritiba e Flamengo dividem os mesmos 7 pontos que lhe credenciariam a passagem para a Segundona ano que vem, caso o Brasileirão acabasse hoje. O Flamengo pediu para estar na zona da degola já que trocou Jayme de Almeida por Ney Franco no momento mais inadequado possível, posto que o treinador não leva culpa exclusiva pelo time carioca ser incrivelmente limitado. Coritiba e Vitória pagam o preço de seus times mais ou menos. Embora conte com Alex e um punhado de jogadores mais experimentados, o Coxa padece de Zé Love, Keirrison e um esforçado Julio Cesar no ataque e Celso Roth na casamata. Nada animador, portanto. Já o Vitória tem um time bem estranho. Faz jogo duro mas não vence. Ganhou apenas uma e empatou outras 4. Parece certo que vai brigar por aí durante todo o certame.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Botecadas

LUSA RUMO À C? - O começo de Série B que a Portuguesa faz é realmente espantoso. Tudo bem que o time da Lusa é meio medonho mas daí ter conquistado somente 5 pontos em 8 jogos é assustador. Atualmente na vice-lanterna, a situação da Lusa só não é pior porque o 8º colocado, o América-RN, tem 10 pontos. Ou seja, dá para se salvar e tal. Mas dá pinta de que vai brigar lá embaixo por toda a Segundona.

SANTOS À FRENTE - Após a excelente campanha no Paulista cruelmente vitimada pelo Ituano, o Peixe caiu de produção e desenvolveu um vício perturbador: empatar. No Brasileirão, empatar nem sempre é bom negócio. Pois lá vem o Santos com 8 pontos e 5 empates em 7 jogos. Pouco menos de 6 meses de trabalho e Oswaldo vive um momento de questionamento no Santos, com direito a troca de farpas em público. Bom, o treinador não mexeu substancialmente na estrutura do time. Assim, se a equipe joga mal ou não consegue produzir decentemente no ataque não deve ser culpa exclusiva do treinador. Agora o Santos perde Cícero, peça fundamental para Oswaldo. Dessa bagunça toda transparece o empenho conjunto de comissão técnica, jogadores e diretoria em deixar o Santos inofensivo no meio da tabela para pensarem em 2015 cada um no seu canto. 

RICARDO GARECA - O novo técnico do Verdão é o argentino Ricardo Gareca, ex-Vélez. Fez um trabalho digno por lá. Ajudou a ganhar títulos nacionais, conseguiu formar uma base decente no time argentino. Se considerarmos que nos últimos anos o futebol nacional da Argentina vem conseguindo ser pior que o nosso, Gareca pode dar certo no Palmeiras (entenda-se ganhar alguma coisa). No entanto, não se esqueça que o Palestra teve Muricy Ramalho, Luxemburgo, Felipão e, apesar do Paulistão-08 e da Copa do Brasil-12, conseguiu ser rebaixado. Em suma: deixem o cara lá uns 2-3 anos trabalhando sossegado antes de trocar por outro Kleina da vida.

MUNDIAL DE CLUBES 2014 - Após o milagre realizado pelo Real Madrid na final da Champions é de se esperar que os merengues disputem a final do Mundial de Clubes no final do ano. Agora, pergunto: Contra quem? Se a Libertadores surreal que temos não permite apontarmos um campeão aqui, imagine prever se ele estará na final do Mundial. Bolívar, San Lorenzo, Nacional Querido e Defensor podem ter problemas contra algum Monterrey, Mazembe ou Raja Casablanca da vida. A única certeza é que será um Mundial bem divertido neste aspecto.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #5

5 rodadas e 15 pontos disputados depois a tabela começa a esboçar quem vai brigar pelo que.
Vejamos então os destaques desta 5ª rodada:


CERVEJA GELADA


GOIÁS - Era meu favorito a Z-4. Porém, faz um belo início de Brasileirão. Encarou o Botafogo praticamente em campo neutro (Juiz de Fora-MG) e venceu por 2 a 0, gols de Ramon e Danilo, ambos na segunda etapa. O clube esmeraldino dorme no G-4 com 10 pontos. 

GRÊMIO - Outro clube de também vai a 10 pontos e entra na zona da Libertadores é o Grêmio. Em casa, o Tricolor Gaúcho penou para vencer o Fluminense por 1 a 0, gol de Rodriguinho. 

PALMEIRAS - Perdeu Kardec, demitiu Kleina, não sabe quem virá e não vive seus melhores dias. Mesmo em meio a tanta tormenta o Verdão venceu. 3 preciosos pontos trazidos de Salvador contra o Vitória graças ao gol de Marquinhos Gabriel e às excelentes intervenções de Fábio, novo titular da meta palestrina. Palmeiras sobe para 9 pontos e entra na bagunça lá cima.



CERVEJA QUENTE


CORINTHIANS - Inauguração do Itaquerão. Festa. Empolgação. Time lá em cima na tabela e tal. Expectativa em torno de quem faria o primeiro gol, aquela coisa toda. Pois é. Só esqueceram de avisar o Figueirense. O ex-pior time do campeonato surpreendeu. Após 4 jogos sem vitória e sequer ter o gosto de gritar gol, o Figueirense bateu o Timão em sua nova casa. Água no chope corintiano servido por Giovanni Augusto, autor do único gol do jogo.

SANTOS - O mando de jogo era seu e cada um faz o que quer com seu mando, certo? Dito isso, o Santos recebeu o Atlético Mineiro na Arena Pantanal. E tudo ia bem. Vencia por 1 a 0, gol de Cícero. Só que foi vitimado por um ex-santista. André comandou a virada do Galo pra cima do Peixe: 2 a 1. Início decepcionante do time paulista que mais prometeu pelo desempenho no Paulistão.

ATLÉTICO PARANAENSE - Tudo bem que encarar a Chapecoense aparentemente está virando sinônimo de jogo ruim pela frente. Mas empatar em casa com os catarinenses é assinar um atestado de quem não quer ir muito longe nesse Brasileirão. Tanto que a diretoria do Furacão acaba de anunciar a demissão do técnico Miguel Ángel Portugal. Dias de tormenta por aí...

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #3

Ah, o Brasileirão.

Mal começou e já gera todo tipo de revolta e euforia.

Foi uma rodada bem interessante pois deu uma bagunçada legal na tábua de classificação.

Chega de blábláblá, vamos aos destaques:


CERVEJA GELADA

CORINTHIANS - Venceu a Chapecoense, na Arena Condá, por 1 a 0 graças a um gol pra lá de duvidoso de Guerrero. Polêmicas à parte e 3 pontos no bolso, o Timão pula para a liderança virtual do Brasileirão com 7 pontos., seguido por um batalhão de outros três times com a mesma pontuação.

CRUZEIRO - A força do elenco do Cruzeiro não se limita ao papel. Jogando em território neutro - estádio Mané Garrincha, na longínqua Brasília - os reservas da Raposa deram cabo do Atlético Paranaense. O triunfo por 3 a 2 sobre o Furacão mantém os mineiros no G-4 com 7 pontos. E quarta tem titulares na Liberta contra Los de Papa.

FLAMENGO - Virada com direito a goleada sobre o Palmeiras! O Verdão abriu o placar com Wesley. Paulinho igualou para o Mengão. Henrique, estreante, colocou o Palestra na frente. Daí em diante, só deu Flamengo. O segundo tempo foi todo carioca. Márcio Araújo - o próprio - empatou, comemorou etc e tal. A revolta palmeirense foi ainda maior após Alecsandro anotar duas vezes e fechar a conta: 4 a 2. Flamengo contabiliza seu 4º ponto enquanto o Palmeiras estacionou nos 3 pontos.


CERVEJA QUENTE

SANTOS - O vice do Campeonato Paulista ainda ecoa no Peixe. Apesar de ter sido a sensação do Estadual, o Santos simplesmente não engrenou. Em 3 rodadas, 3 empates e apenas um gol marcado.  

FLUMINENSE - Derrotado em pleno Maracanã pelo Vitória, por 2 a 1. Não só perdeu a liderança como deixou o G-4. 

FIGUEIRENSE - 3 jogos, 0 gols marcados, 0 pontos conquistados. É o lanterna isolado do Brasileirão. Para piorar, o carrasco desta rodada foi outro catarinense: o Criciúma, que venceu por 1 a 0, gol de Silvinho.

ATLÉTICO MINEIRO - Excepcionalmente, uma quarta opção aqui no Cerveja Quente pelo conjunto da obra. Eliminado da Libertadores no meio de semana, o Galo caiu novamente no Horto. Derrota para o Goiás, 1 a 0. Além do revés, viu Jô sair machucado ainda no primeiro tempo. Tempos nebulosos por aí.




segunda-feira, 21 de abril de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #1

Brasileirão iniciou e retomo aqui o velho hábito de destacar o melhor e o pior da rodada. É o retorno da distribuição de cerveja aqui no blog!


CERVEJA GELADA

SÃO PAULO E FLUMINENSE - Os tricolores venceram seus jogos pelo maior placar da rodada: 3 a 0. Enquanto os cariocas bateram o Figueirense com boa atuação de Fred - um gol e uma assistência - os paulistas deram cabo do Botafogo cujo destaque foi o tridente formado por Ganso, Pato e Luis Fabiano. Bom início para a dupla que ano passado flertou forte com a degola. 

PALMEIRAS - No retorno à elite, o Palmeiras estreou fora de casa contra o Criciúma. Os primeiros 45 minutos foram medonhos. Mas reagiu. Contou com a ajuda da arbitragem e da estrela de Kleina para bater os catarinenses por 2 a 1. O treinador lançou Leandro e Wesley no segundo tempo. O atacante fez o tento do empate. Já o volante bateu falta na medida para Kardec cabecear e decretar a virada.

CRUZEIRO - Ainda concentrado na Libertadores, o Cruzeiro levou os reservas a campo contra o Bahia, na Fonte Nova, e fez valer a força do seu elenco. Ignoraram o fator campo e impuseram a força de seu elenco. 2 a 1, gols de Nilton e Marcelo Moreno. 


CERVEJA QUENTE

FLAMENGO - Recebeu o Goiás e não saiu de um sonolento 0 a 0. Mostrou limitações na articulação das tramas ofensivas.

SANTOS - Na ressaca da perda do Paulistão, o Peixe foi surpreendido pelo Sport. Os Meninos da Vila não conseguiram aproveitar a força de seus domínios e ficaram no 1 a 1 com os pernambucanos. É bom que o Oswaldo acerte logo o psicológico da molecada antes que uma série de tropeços indesejados coloque em xeque as pretensões santistas.

0 x 0 - Chapecoense x Coritiba e Atlético Mineiro e Corinthians também terminaram sem gols em partidas um tanto modorrentas.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Milagre do Galo

Conhecem a lenda do Galo de Barcelos, certo? Aquele galo português colorido, símbolo de sorte, felicidade, honestidade, etc e tal. Não? Bom, era uma vez a cidade de Barcelos e um crime misterioso que intrigava a população. Um peregrino foi acusado de ser o criminoso e de pronto foi condenado à forca. Enquanto tentava provar sua inocência, vislumbrou um galo assado sobre a mesa e bradou que era tão inocente a ponto de fazer o galo cantar. Pois quando ia ser enforcado, o galo levantou-se e cantou. Mas e a história do milagre do Galo de Itu, vocês conhecem?

Há uma semana, o Ituano nos pregou uma peça. Fez com que acreditássemos que poderia ser campeão paulista.  Evidente que qualquer homem médio partilhava das ponderações racionais de que o Santos era melhor time, tinha melhores opções, praticava um futebol mais insinuante de talento ofensivo avassalador e que dificilmente faria dois jogos abaixo da crítica.

Disposto a validar o protocolo, o Santos tratou logo de pressionar o Ituano desde os primeiros minutos de jogo. Para conter tanto ímpeto, o Ituano abriu a caixa de ferramentas e canalizou seu nervosismo em truculência. Então o juiz tratou de desequilibrar as forças para o lado santista e distribuiu 3 amarelos aos mais exagerados. Ciente da colaboração do árbitro, o Peixe também passou a distribuir suas cacetadas mas nem todas passaram pelo crivo amarelo do apitador.

O Ituano tentava sair no contra-ataques, porém só assustou em duas faltas alçadas na área as quais exigiu de Aranha intervenções arrepiantes em dois tempos, evitando o rebote dos sedentos avantes do Ituano. Lá pelos 30 da primeira etapa, o Peixe resolveu acelerar o ritmo e aumentar a pressão para cima dos visitantes.

Foi aí que novamente a estrela, digo, competência de Vagner começou a aparecer. Provavelmente abençoado por uma infinidade de galos, abriu seu repertório de milagres ao espalmar falta de Cícero, parar cabeçada de Damião com o peito e travar nova investida de Cícero pelo meio. 

Quando nada parecia dar certo, o juiz resolveu dar uma força. Cícero recebe na área, toma a falta e é assinalado o pênalti. Marcação correta se Cícero não estivesse 35 quilômetros impedido e voltava para receber o passe que culminou na penalidade. O próprio meia bateu e fez.

Na virada para o segundo tempo, o Ituano esboçou algum domínio da partida e deixou o Santos longe de seus domínios por uns 20 minutos. O Santos respondeu à ousadia interiorana com Rildo, que entrou no lugar de Thiago Ribeiro, servindo Geuvânio que desperdiçou dentro da área.

A partida ficou truncada até o final, embora o Ituano lidasse melhor com a pressão de ter que cozinhar o tempo e o placar sem se expor. Apesar de uma escapada ou outra de Rildo, foi novamente o Galo quem quase marcou com Anderson Salles em cobrança de falta. 

Nas últimas investidas das duas equipes, Rildo se atrapalhou ao invadir a área e jogou fora a última chance do Peixe. Aos 46 minutos, quando o Ituano preparava o último avanço, o juiz entendeu ser uma puta ideia não aplicar a lei da vantagem por preferir expulsar Cicinho. O lateral do Santos, provavelmente desinteressado em bater pênalti, deu um carrinho desnecessário no campo de ataque que lhe rendeu a expulsão e, assim, uma chuveirada mais tranquila no vestiário.

Se o Galo de Itu já havia realizado milagres ao evitar a vitória santista no tempo normal e que a atuação irregular o árbitro prejudicasse seus protegidos, faltava a consagração final. 

Nos pênaltis, a primeira série terminou empatada: Jackson, Marcelinho, Esquerdinha e Marcinho Aquele (isso, ex-Corinthians, Palmeiras, etc e tal) converteram. Ironicamente, Anderson Salles parou em Aranha. Pelo Peixe, Cícero, Alan Santos, David Braz e Gabriel guardam, enquanto Rildo carimbou a trave.

Nas cobranças alternadas, Jean Carlos e Arouca fizeram. Dener e Alisson também. Josa convertou para o Ituano. A história encerra que o zagueiro Neto foi para a bola e Vagner, esse Galo travestido de goleiro, defendeu e calou o Pacaembu. 

Ituano. Campeão Paulista de 2014.

 


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Iludir-se é preciso

Futebol é paixão, é talento, é emoção, é todo tipo de sentimento lindo de cantar em verso e prosa entre sorrisos e abraços de amigos ou ilustres desconhecidos numa propaganda qualquer. Esquecem que o futebol também é feito de ilusão. Sem dúvida nenhuma, é esse ingrediente que temperou e trouxe algum sabor às partidas finais de um tal Paulistão.

Quem parou para assistir ao primeiro duelo da final do Paulistão o fez por instinto, pela praxe de se sentar em frente à tevê às 16 horas. Silencioso, murmurou quão legal seria ver o simpático clube de Itu campeão Paulista mas já ciente de que iria ter que se contentar em ver o Santos dominar completamente a partida enquanto o Ituano esboçaria certa solidez defensiva configurando nada além do que uma honrosa resistência ao ataque adversário mas que, cedo ou tarde, sucumbiria diante da artilharia pesada dos Meninos da Vila. Ao final, todos se lembrariam que não se tratava propriamente de uma final. Era tão somente um protocolo.

Só que aos 20 minutos do primeiro tempo, Cristian acendeu o fogo da ilusão na mente de cada um de nós. A jogada fantástica, digna daqueles garotos a trajar branco, resulta na finalização cruzada do meia. Então uma enxurrada de pensamentos vem à tona. Coisas como "é só segurar" seguidas de "tomara que encaixem mais um contra-ataque" contrastaram com a ponderação de que "hmft, é cedo. Logo o Santos empata, vira e goleia". 

Tal consideração tomou força quando foi assinalado pênalti mandrake para o Santos apenas 15 minutos depois do gol. Lembranças de um aguerrido Guarani atropelado em duas partidas em 2012 deram o ar da graça.

Porém, Cícero, certamente em sinal de protesto ou confuso com qual modalidade de futebol exercia seu ofício, anotou um field goal de aproximadamente 59 quilômetros. Uma vez garantia a manutenção do placar, a televisão insistia a nos iludir com aquele resultado surreal.

O Peixe tentou de tudo. Oswaldo apelou para Rildo e Stéfano Yuri mas, inexplicavelmente, não seu certo. Inclusive, até permitiu algumas investidas dos rivais nos contra-ataques. O Ituano provou porque possui a melhor defesa do Paulistão e garantiu o 1 a 0. Ao mudar de canal, o mantra agora ensaiado mentalmente remetia ao Santo André que em 2010 chegou muito perto de realizar o milagre do título.

Domingo que vem o Ituano joga pelo empate. Se o Santos devolver a vitória por um gol de diferença, o jogo irá para os pênaltis. A qualidade e a regularidade do Santos dão a certeza de que a atuação fora do normal não deve se repetir. Que diga o São Caetano em 2007. Abriu 2 a 0 e na semana seguinte caiu pelo mesmo placar. 

A história ratifica que o triunfo dos bravos de Itu é uma ilusão. Mas o que tem? A verdade é que é possível.


domingo, 30 de março de 2014

Não haverá final

O Paulistão por uma vez mais não terá final. Haverá, conforme o protocolo, duas partidas a serem disputadas com algum nível subjetivo de equilíbrio mas o campeão está decidido. A união entre os Meninos da Vila e o bruxo Oswaldo de Oliveira levou o Santos à 6ª final de Paulistão consecutiva e ao 4º título. Sim, será isso. Ou fiquem com a ilusão de que teremos uma última e definitiva zebra nesse insano Campeonato Paulista.

A taça descerá a serra porque o Santos tem o melhor time, vive a melhor fase e tem no banco alguém que não só enxerga bem o jogo como está esbanjando sorte. É, sorte. Quando perguntado sobre o sucesso que teve na partida com suas alterações, limitou-se a dizer "sorte!" e sorrir como se piscasse para tela sugerindo ter certeza do que aconteceria após cada substituição.

Cícero chuta de fora da área, a bola desvia na defesa, trai o goleiro e abre o placar. O Penapolense ousa tentar modificar o destino ao empatar cobrando um pênalti bem estranho e virar o marcador após uma trapalhada de Aranha e David Braz. Então, Oswaldo, o bruxo, troca Gabriel por Rildo. Na primeira jogada dele, escapa pela esquerda e levanta na medida para Damião cumprimentar de cabeça e igualar o marcador.

Daí o camisa 9 desperdiçou alguns milhões de chances. Quantidade suficiente para Oswaldo promover a entrada de Stéfano Yuri no lugar do badalado centroavante. Certamente como oferenda a algum demônio ou entidade pagã a habitar os arcabouços de Urbano Caldeira, pois logo o primeiro contato da bola no garoto de nome controverso resulta no gol da virada e, por conseguinte, da classificação do título.

Em seguida, as atenções foram direcionadas ao Pacaembu, palco de Palmeiras x Ituano onde se esperava a classificação verde e sua confirmação como virtual campeão. Entretanto, os reflexos da bruxaria santista foram vistos serra acima quando, logo antes do apito inicial, notou-se que Valdívia emprestava sua habilidade ao banco de suplentes.

O Palmeiras martelou boa parte do primeiro tempo parando no arqueiro Wagner, provavelmente um vodoo nas mãos de Oswaldo de Oliveira. Lá pelas tantas da primeira etapa as coisas começaram a desandar. Uma pancada tirou Alan Kardec da partida. Kleina optou por Vinícius, claro.

Na virada para a segunda etapa, outra baixa. Fernando Prass teve que dar lugar a Bruno. Ainda que o Ituano ostentasse a periculosidade de um hamster, ter Bruno sob as traves é sempre razão para não ficar tranquilo.

Sem o Mago, Bruno César era o cérebro e, por incrível que pareça, o coração da equipe. Correu, chutou, tentou de tudo e mais um pouco para ajudar o time. Mas precisava de Valdívia, que entrou aos 25 minutos no lugar de um tal de Mendieta. Todavia, o chileno precisou de 6 minutos para ser amarelado e mostrar toda sua falta de interesse em mudar o panorama do jogo, já extremamente favorável aos visitantes.

À medida que o cronômetro avançava, assim o Palmeiras se postava em campo e mais espaços aos contra-ataques eram cedidos. Depois de um punhado de investidas sem cálculo prévio, um rapaz de vermelho rasga pela direita e toca no meio. O tiro bate na zaga e se oferece para Marcelinho. O atacante atravessou uns 4 países no cooper até chegar livre e solitário na bola para bater colocado tirando de Bruno, o amaldiçoado, enquanto todos os palestrinos em campo tentavam bloquear o chute na base do olhar.

Eis a pequena diferença entre o vexame e a decepção. O Palmeiras decepcionou. Havia muita expectativa mas foi traído pela noite ruim em uma decisão em partida única, pela ausência física ou espiritual de alguns atletas, enfim.

Resta agora o protocolo. Dois jogos-treino separam o Santos do 21º título paulista. Após a impecável campanha da primeira fase e da demonstração de força no mata-mata, é certo que, de uma vez por todas, o Santos não permitirá que a zebra roube seu triunfo.








sexta-feira, 28 de março de 2014

Visita à academia

Ninguém entrou em campo mais pressionado que o Palmeiras. Após deleitar-se com as eliminações de Corinthians e São Paulo, viu o Santos atropelar a Ponte Preta e precisava a todo custo evitar uma decepção retumbante em pleno centenário. Deu-se que nos protocolares 90 minutos que correram contra o Bragantino, o Verdão cumpriu a contento e com louvor sua missão, despachou a Massa Bruta com um seguro 2 a 0 e mira uma final eletrizante com o Santos, tal como nos tempos de Academia.

O Santos de Pelé tinha rivais pontuais nos anos 60 e início da década de 70. Para ficar nos mais badalados, o Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes, e o Palmeiras. A Primeira Academia que já contava com Ademir da Guia, o Divino, Dudu, Djalma Santos e por aí vai. Portanto, aqui em São Paulo, se havia uma equipe que conseguia medir forças com o melhor time do Estado, era o Palmeiras.

Não restam dúvidas que o Peixe é o melhor time de SP. Nem mesmo Damião conseguiu engessar as engrenagens de uma equipe rápida, envolvente e bem compactada quando atacada. Garotos como Alan Santos e Alisson contam com a experiência de um incansável Arouca e de Cícero, que encontrou sua grande fase no Santos. Gabriel não deixa Damião dormir tranquilo na titularidade e é opção quando Thiago Ribeiro não vai vem. Geuvânio já se torna indispensável pelo talento na organização ou finalização das tramas ofensivas. Tudo isso bem azeitado pelo repaginado Osvaldo de Oliveira.

Entretanto, do outro lado está o Palmeiras a carregar o fardo da história, o verde da camisa e um rancor que vai sendo libertado em doses homeopáticas após uma temporada de expiação na Série B. Falta um grande jogo, falta um título, uma demonstração de poder em meio a tanta efervescência emocional. 

Kleina faz um trabalho deveras satisfatório. Classificou muito bem a equipe. Venceu tranquilamente o São Paulo, deu mostras de reação ao empatar com o Corinthians, e perdeu o duelo e a melhor campanha para o Santos quando mais nada importava naquele momento. Valdívia em 2 meses já jogou mais que o ano passado inteiro. Está mais participativo e útil do que nunca. Kardec está em uma fase tão iluminada quanto seu nome. Wesley volta a apresentar regularidade. Ou seja, mais uma vez, só o Palmeiras pode tumultuar a vida do Santos.

Nunca é demais lembrar que o Campeonato Paulista está tão manjado que o Santos deve alcançar sua 6ª final consecutiva. Desde 2009, o Peixe entregou dois troféus ao Corinthians e ficou com outros três. O último campeão antes do monopólio preto e branco foi verde, em 2008. 

A essa altura do campeonato, considerando que todas as surpresas já deram o ar da graça, a final será Santos x Palmeiras, com favoritismo do Santos mas, agora, uma forte tendência de título ao Palmeiras abre-se no horizonte disposta a quebrar tabus, superar zebras, favoritos e lavar sua honra. Em nome da Academia.





domingo, 23 de março de 2014

A pegadinha do regulamento

O burburinho tomou conta do clássico entre Santos x Palmeiras neste domingo. O Peixe bateu o Verdão por 2 a 1 e ficou com a melhor campanha geral do Paulistão. Mais que a vantagem de decidir as finais em casa estava em jogo uma possível fuga do São Paulo nas semi-finais. Quem perdesse poderia ter caminho facilitado até a final. Assim, o Palmeiras seria o grande beneficiado com a derrota. Porém, o regulamento indica que não é bem assim.

A fórmula intrigante do Paulistão-14 e as campanhas irregulares de São Paulo e Corinthians, em tese, premiaram o Palmeiras, segundo colocado geral dessa primeira fase. Uma derrota pontual, justa e conveniente para o Santos nesta última rodada estenderia um tapete vermelho no caminho do Verdão até a final.

Nas quartas, os líderes de cada grupo enfrentarão seus respectivos segundos. Temos, então: São Paulo x Penapolense; Botafogo x Ituano; Santos x Ponte Preta; e Palmeiras x Bragantino.

Nas semi-finais, a melhor campanha encara a pior dentre os classificados. Se os jogos forem decididos dentro dos 90 minutos com a vitória dos primeiros colocados Santos x São Paulo devem brigar por uma vaga, enquanto o Palmeiras simplesmente confirma sua vaga na final contra Botafogo ou Ituano.

Leiam o parágrafo anterior novamente.

"Se os jogos forem decididos dentro dos 90 minutos com a vitória dos primeiros colocados".

Observem que o São Paulo terminou a primeira fase com 27 pontos. Botafogo e Ituano com 28. 

Agora vamos destacar o regulamento do Paulistão:

"Art. 10 - Nas partidas da fase de quartas de final e fase semifinal, o Clube que tiver obtido a melhor campanha na somatória de todas as fases anteriores, realizará a partida na condição de mandante. 
Parágrafo Único. Entende-se por melhor campanha, para efeitos deste Artigo, o quanto disposto no Artigo 14, Parágrafo 3º deste REC."

Os critérios de desempate na forma do art. 14:

"Art. 14 - Ocorrendo igualdade em pontos ganhos entre 02 (dois) ou mais Clubes aplicam-se sucessivamente, na primeira fase, os seguintes critérios técnicos de desempate:

a) Maior número de vitórias;
b) Maior saldo de gols;
c) Maior número de gols marcados;
d) Menor número de cartões vermelhos recebidos;
e) Menor número de cartões amarelos recebidos;
f) Sorteio público na sede da FPF.

§ 1º - No caso de haver empate nas partidas da fase de quartas de final e semifinal da Competição, a partida será decidida através de disputa de pênaltis, conforme procedimento estabelecido nas regras do jogo de futebol, tal como definidas pela International Football Association Board - IFAB.

§ 2º - Aplicam-se, no caso de igualdade por pontos ganhos na fase final da Competição, os critérios do caput deste artigo, até a alínea “b”, somente na fase em questão. Persistindo a igualdade a partida do returno será decidida através de disputa de pênaltis, conforme procedimento estabelecido nas regras do jogo de futebol, tal como definidas pela International Football Association Board - IFAB.

§ 3º - Entende-se por melhor campanha, o maior número de pontos ganhos acumulado pelo Clube, seguindo, se necessário, a ordem de critérios de desempate prevista no caput deste artigo, considerando-se todas as fases da Competição."

Vamos supor que o São Paulo vença o Penapolense. Somará 3 pontos totalizando 30. Se Botafogo e Ituano empatarem vão decidir nos penais e vaga e computar apenas um ponto indo a 29. Vencer nos pênaltis não garante três pontos como uma vitória "normal". Além disso, o regulamento indica que será levado em conta a somatória de pontos das fases anteriores.

O parágrafo primeiro define que o empate levará a decisão aos pênaltis. Empate. E os empates valem um ponto. Isso está no Regulamento Geral do Paulistão, artigo 11:

"Art. 11 - Nas Competições oficiais, salvo disposição em contrário estabelecida nos  respectivos RECs, serão atribuídos: 
I. 3 (três) pontos por vitória; 
II. 1 (um) ponto por empate. 
Parágrafo Único - Os critérios de desempate constarão dos RECs. "

Não há nada no regulamento específico que contabilize três ponto a uma vitória nos pênaltis, principalmente depois de frisar que o resultado de uma partida decidida nos pênaltis é um empate.

Neste raciocínio, zebras fora, é certo que Palmeiras ou Santos estará na final. Se Botafogo e Ituano empatarem, o Peixe assegura a 6ª final consecutiva. Caso os líderes de cada grupo confirmem o favoritismo nos 90 minutos protocolares, teremos o Palmeiras na final. 




domingo, 23 de fevereiro de 2014

Algo no ar

São Paulo e Santos empataram por 0 a 0. Um resultado justo posto que os times exageraram na incompetência ofensiva. Porém, deixa uma pontinha de esperança a um esfacelado São Paulo que ainda necessita de ajustes.

Sem vencer um clássico desde o final de 2012 (aquele 3 a 1 contra o Corinthians, com dois de Maicon e boa atuação de Ganso), o São Paulo entrou em campo de olho bem aberto para não tomar aquela surra que o Santos aplicou no mesmo Corinthians umas semanas atrás. Ganso no banco, Douglas e Paulo Miranda na titularidade, Pabón, Osvaldo e Luis Fabiano para se virarem.

E o Peixe, arrumadinho, veio tinindo para impor mais um revés ao rival. Cícero, Thiago Ribeiro, Geuvânio e Damião apenas na espreita por uma oportunidade de festejar no Morumbi mais uma vez.

Parecia que o Santos seria o dono do jogo. A pressão foi feroz. Aos 8 minutos, Ceni sai jogando errado e salva o tiro de Cícero. No rebote, Rodrigo Caio trava Damião. Haja coração. O Santos tinha volume, sufocava o Tricolor e o desespero já tomava conta das arquibancadas.

No entanto, nos minutos que se seguiram, o São Paulo inexplicavelmente cresceu. Mudou de postura e teve atitude de quem é o mandante da partida. Por seu turno, o Santos passou a ver o São Paulo jogar e esboçar escapadelas eventuais.

Após equilibrar o meio-campo, veio o lance capital do jogo. Aos 17, Luis Fabiano é acionado, invade a área, é derrubado, pênalti, mas pera. Assinalado impedimento. O inferno chega ao Morumbi pelo apito da arbitragem. A condição de Luis Fabiano era legal. Pouco depois, Osvaldo é acionado, evita a saída da bola mas o auxiliar dá o lateral para o Santos. Realmente a arbitragem pecou demais no primeiro tempo.

A partida pegou fogo. Antonio Carlos e Paulo Miranda levaram perigo em arremates de fazer inveja a todos os atacantes do Tricolor juntos. Damião poderia dar o troco com juros, mas foi travado quando certamente colocaria a bola na casinha.

Quem contava com a superação dos Meninos da Vila, enganou-se. O São Paulo voltou mordendo tal como no primeiro tempo. Aranha mostrou elasticidade em arremates perigosos de Maicon e Pabón. Claro que quem não faz, corre o risco de tomar. Damião cabeceou envenenadamente e Rogério fez grande intervenção. 

O jogo terminou a mil. Em cobrança de falta, Rogério isolou. Gabriel levou perigo em chute que bateu na rede pelo lado de fora. E, finalmente, a redenção da arbitragem. Rildo recebeu, invadiu a área e foi derrubado. Pênalti claro. Entretanto, o atacante estava impedido e o juiz corretamente anulou a jogada. No mais, os últimos minutos foram reservados para inúmeros erros de passe em cada trama ofensiva.

À parte as reclamações de ambos os lados, teve-se a impressão de que o São Paulo foi ligeiramente superior. E também mostrou que o Santos sabe se defender e ser perigoso nos contra-ataques. Não foi um puta resultado para nenhum deles, principalmente para o Tricolor, que ainda espera por Pato para melhorar o ataque e pela ressurreição de Ganso, em coma futebolístico desde 2012. Ou 2011, que seja.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Guerrero errou

Prefiro interpretar a goleada aplicada pelo Santos sobre o Corinthians por 5 a 1 de outra forma. Exaltar méritos de um time e elencar trocentos erros do adversário não me parece justo o bastante para a construção de um placar que, via de regra, é composto por uma noite atípica de ambos lados. A questão é não se deixar enganar pelas circunstâncias e ser realista quanto à qualidade de cada time.

Até a página dois é possível concordar quando Guerrero afirma que o Corinthians tem o melhor time de São Paulo. Para mim, é um tanto evidente. No papel, o Corinthians tem um bom time, equilibrado e com peças interessantes de reposição. Porém, o atacante faz a ressalva "mas temos de demonstrar no campo". (a matéria tá aqui)

Pato atravessa um momento terrível, Sheik já se procura uma árvore para morrer tranquilo, Romarinho, Douglas e Rodriguinho tem qualidade mas não empolgam como antes. Diego Macedo e Uendel não são laterais fora-de-série. Sobra a soberba. O que no papel é bom precisa de treino, disposição e dedicação para se tornar o melhor no campo.

Eis o segredo do Santos. Um elenco repleto de jovens, um treinador esbanjando motivação e fome. Uma equipe que reconhece sua condição e dela tira sua motivação para superar-se dentro quatro linhas. Bruno Peres é o novo Roberto Carlos? O Geuvânio virou a solução para o lado direito do ataque da seleção depois de nos refrescar a memória quanto ao que era um drible da vaca? Não e não. 

Futebol é para ser jogado e quem decide não é a equipe que tiver mais jogadores renomados. Daí decorre o principal erro de Guerrero no clássico de ontem. Ao receber de Romarinho, achou uma boa ideia fazer uma caminhada com a bola até a área, ganhar um tranco e sofrer um pênalti. Antes tivesse dominado direito para finalizar ou chutado direto, pois o desarme de Gustavo Henrique (puta zagueiro!) foi preciso.

O Corinthians não é o pior, o Santos não é o melhor. Não há motivo para maiores empolgações ou decepções. É um sinal dos deuses do futebol que, invariavelmente, fazem todos os prognósticos errarem.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Surge um novo ídolo

Ele não é atacante. Nem meia armador. Tampouco um marcador implacável. Meu novo ídolo é o ex-treinador de futebol mais pacato do universo: Oswaldo de Oliveira.

Tranquilo. Calmo. Pacato. Adjetivos não faltam para definir Oswaldinho. As passagens por Corinthians, São Paulo e Santos deixaram no torcedor paulista a imagem de um treinador apático. Vê-lo à beira do campo era invariavelmente desesperador. E as coletivas pós-jogo? Uma serenidade irritante independente do resultado.

Depois de colocar o Botafogo na rota da América, Oswaldo de Oliveira retorna ao Peixe e logo nas primeiras rodadas do Paulistão abandonou seu lado contido para se permitir extravasar e ser algo além de um ser humano. Mostrou-se capaz de reagir ao que se passa no campo e a compreender melhor a paixão das arquibancadas.

Ao mandar uma banana aos próprios adeptos e erguer o dedo médio ao adversário, Oswaldo de Oliveira, ao meu ver, dá seu recado: "Vai ser do meu jeito". Quem quiser espernear, vaiar, reclamar, que o faça. Porém, vai ser do jeito do cara. 

Por outro lado, convenhamos, é início de temporada, de trabalho e um pouco de apoio vai bem, obrigado. É justamente esse estouro de miolos nesse momento que tanto chama a atenção.

À parte questões desportivas, fair play ou a falta de educação propriamente dita, todo mundo sabe que profissional do futebol é o melhor quando ganha e o pior quando perde devendo sempre relevar os gritos das arquibancadas.

O ponto aqui é que Oswaldo está mudado! Tem alguma coisa nesse cara! Não é rabugento como Muricy, não é carrancudo igual o Mano e não faz o tipo boa-praça de Kleina. Vai saber que motivação foi essa, que remedinho mágico ele tá tomando, e também não importa. Tudo indica que Oswaldo volta a São Paulo disposto a fazer com que os torcedores mudem de ponto de vista a respeito dele.

A rigor, Oswaldo não é um técnico ruim. Não é dos melhores, concordo. Mas é experiente e parece ter trazido uma boa bagagem do Japão, onde ficou por 4 anos. Basta ver o que fez com o Botafogo (com o Botafogo, caramba!) ano passado. Campeão estadual, vinha bem no Brasileirão, caiu um pouco é verdade, Seedorf colaborou demais, e terminou na zona da Libertadores, isso é um trabalho muito interessante!

Nesta temporada, Oswaldo terá um elenco parecido com o do Botafogo. Sem um Seedorf, o Santos terá um punhado de jovens promissores no elenco, jogadores experientes em posições pontuais para repartir a responsabilidade e Leandro Damião no ataque. É possível realizar boas campanhas nos campeonatos a disputar, embora eu considere arriscado ter tantos garotos no elenco.

Diante de tantas interrogações, Oswaldo chega para ser a exclamação. Vai dar personalidade ao grupo e não importa o que aconteça, vai ser do jeito dele.

domingo, 23 de setembro de 2012

Ganso: entre a fênix e o mico.

Sexta-feira tivemos o encerramento de uma das novelas mais surreais do futebol brasileiro nos últimos tempos. Mais uma vez, o São Paulo protagonizou uma intrincada negociação envolvendo um grande nome do futebol brasileiro. Dessa vez, sentou junto com o Santos e a DIS para viabilizar a contratação do meia Paulo Henrique Ganso, maestro santista nos recentes títulos do Peixe. Após muito insistir, prevaleceu a vontade do jogador, que irá defender o Tricolor pelas próximas cinco temporadas. Mas, sob que condições?

Provavelmente mais irritante que a novela Oscar, o caso Ganso tem suas peculiaridades. Descontente em não ter recebido uma proposta tão atraente quanto a de Neymar, Ganso diversas vezes manifestou desejo em deixar o clube já que seu talento não era devidamente reconhecido financeiramente. Depois de recusar diversas propostas do Santos, o São Paulo resolveu investir.

Arredondando a conta são 24 milhões de reais por aproximadamente 40% de Ganso (exatos 38%, um pouco menos do que o Santos detinha, pois a DIS ficará com mais uma parte do jogador). Uma análise matemática nos faz crer que o valor total do meia seria equivalente a 60 milhões. Ocorre que o valor real de Ganso mal chega à metade desta quantia.

Desde a Libertadores-11 Ganso não faz jus à pompa toda que recebe. Há quem diga que as 3-4 intervenções cirúrgicas que sofreu nos joelhos o balearam, embora os médicos do São Paulo tenham ouvido de Runco, médico da Seleção Brasileira, que Ganso não sofre de nenhuma lesão crônica. Curiosamente, nem mesmo essas agravantes fizeram o meia perder seu valor de mercado. Muito pelo contrário, parece ter valorizado.

Não consigo entender por que o São Paulo vai atrás de Ganso pouco depois de ter contratado Jadson para a criação. Bem ou mal, o camisa 10 Tricolor é o líder de assistências da equipe. Aliás, é o setor defensivo da equipe que continua sofrendo. Ora o meio perde pegada, ora a zaga bate cabeça. Aparentemente, ou Juvenal Juvêncio crê piamente que Ganso dará a volta por cima com direito a lucro, ou trata o novo camisa 8 como um "negócio de ocasião" e apenas torce por algum retorno em campo sem maiores esperanças.

Fato é que Ganso chega sem apresentar algo próximo de bom futebol há, pelo menos, um ano. De lá para cá, perdeu espaço na Seleção, entrou em rota de colisão com a diretoria santista, "cativou" a fúria da torcida do Peixe e, agora, sobe a serra para um novo início no Morumbi sob a desconfiança dos novos adeptos.

Como diz a canção "se ela faz com ele, vai fazer comigo". O risco de reviver o fantasma de Ricardinho faz os tricolores serem contidos ao celebrar a contratação de Ganso. Se ele vai retomar aquela fase espetacular, se vai fazer birra para sair quando pintar a primeira grande proposta, se vai engatar grandes sequências de jogos...tantos "se" para uma única certeza: Ganso tem uma oportunidade única de ressurgir como uma fênix. Do contrário, dará mais um passo para mudar seu apelido no futebol.



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Uma Joia de menino

Eu me rendo. O Neymar é craque. Claro que está em um patamar inferior a outros tantos craques que atuam no futebol europeu. Tem muito a evoluir e, finalmente, poder ser comparado a tais astros. Mas é craque. A forma como carrega sozinho um enfraquecido Santos reflete quanto seu futebol transcende seus limitados adversários. Entretanto, apesar de craque, ainda se trata de uma jovem realidade de 20 anos e a forma como exploram seu potencial cada vez mais me parece um tanto imprudente. 

Dono de vencimentos estratosféricos, fruto da engenharia financeira santista aliada à parcerias e trocentos contratos de patrocínio, Neymar virou sinônimo de negócio. Aquele cabelo ridículo, o sorriso pronto, o jeitão moleque e descolado caíram no gosto do Brasil de tal forma que a credibilidade do produto só de estar ao lado do cara que faz aqueles malabarismos todos com a bola aumenta exponencialmente.

Para justificar tanto investimento, a "Joia" divide seu preciso tempo em treino, gravações de comercial, aparições aqui e acolá. Enfim, faz o diabo dentro e fora das quatro linhas. Descanso? Nem pensar. Senão aquele trocadinho maroto não pinga fim do mês.

Daí vem a Seleção e toma o menino emprestado. Quebra as pernas do Santos que vendeu a alma ao diabo para manter o garoto aqui, bota uma pressão infernal em seus ombros para que ele repita o mesmo nível das atuações com a camisa do Peixe, desgasta o atleta e devolve às vésperas de mais uma rodada do Brasileirão na qual Neymar terá que entrar e corresponder.

Se na Seleção Neymar nem sempre vai bem - ganhando algum destaque somente contra adversários de médios para ruins - no Santos ele é o cara e não tem conversa. Porém, é visível o cansaço que se percebe no garoto. A cada pique, a cada gol, viagem, amistoso, jogo oficial, comercial, o que for, dá pra sentir as mãos impiedosas de quem guia a carreira do garoto com mãos de ferro.

Fato é que cedo ou tarde o corpo do menino vai responder. Uma lesãozinha leve para ganhar umas duas semanas de descanso ou algo mais grave, que o prejudique por um ou dois meses. O pato será pago pelo Santos, evidente. Mas, caso isso aconteça (tomara que não), o que fazer com a parcela de culpa por tudo que cerca o atleta?

Passou da hora do Santos ser mais diligente com seu patrimônio, da Seleção em preservar Neymar de jogos caça-níquel e testá-lo em partidas que realmente o farão evoluir e ser a referência que precisamos e do próprio Neymar em compreender que precisa adequar melhor seus afazeres comerciais para simplesmente se permitir um merecido descanso.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Como devia ser

Um dia após mais uma quarta-feira decisiva no futebol brasileiro a sensação era de alívio pois tudo saiu como deveria ter saído. Os deuses do futebol agiram e fizeram justiça com as próprias mãos. Se Muricy consagrou a máxima "a bola pune", ontem não foi bem assim.

No Pacaembu, o jogo que interessava. O Corinthians recebeu o Santos para o segundo duelo pelas semi-finais da Libertadores. A vantagem conquistada na Vila Belmiro era ótima, porém relativamente frágil. Tite, coerente, postou o Timão da velha forma. Atrás, fechadinho e saindo perigosamente no contra-ataque. Avançando só na maciota. Ao Peixe só restava o ataque, claro. Tanto que Muricy tratou de barrar Elano e colocar Borges. 

Como toda partida decisiva, a tensão dirimiu o ritmo do jogo. Ao meu ver, impossível dizer que houve pleno domínio de uma das equipes. Houve bons momentos de ambos lados. O Santos proporcionalmente tomou mais sustos, aliás. Mesmo assim, abriu o placar num gol chorado de Neymar aos 35 minutos do primeiro tempo.

O sonho do tetra ficou mais longe logo aos 2 minutos da segunda etapa. Alex cobrou falta venenosa, a bola encontrou Danilo, o predestinado, que não perdoou. O Mr. Libertadores mais uma vez foi decisivo e calou de uma vez por todas seus ferrenhos críticos. 

Foi um empate assustadoramente justo. O Santos não justificou em nenhum momento por que merecia o segundo gol. O Timão, por seu turno, repetiu a fórmula sólida e precisamente cirúrgica para avançar na Libertadores. Tite, Corinthians e torcida esfregam as mãos. A final vem aí e o título é plenamente tangível. 

Em Curitiba, o jogo de fundo. O São Paulo foi até o Paraná encarar o Curitiba sonhando com a vaga na final e o título inédito da Copa do Brasil. A vitória magra por 1 a 0 conquistada no Morumbi dava ao Tricolor a vantagem do empate.

Só que o Coxa, mais uma vez, mostrou o mesmo futebol envolvente do ano passado quando chegou à final da mesma Copa do Brasil contra o Vasco. Mantida a base, o trabalho de Marcelo Oliveira continua rendendo seus frutos. Quem mostrou toda sua força também foi o Couto Pereira e a torcida, simplesmente fantásticos.

Vale lembrar que o Coritiba terminou a partida no Morumbi com um atleta a menos e jogando melhor que o São Paulo. Perdeu depois de um golaço de Lucas em jogada individual, mas dominou grande parte do jogo.  O inconveniente foi resolvido para a partida de volta. Os deuses não deixaram a injustiça prevalecer novamente e trataram de dar ao Coritiba uma pitada a mais de sorte à sua competência.

Aos 28 minutos do primeiro tempo, Emerson, bom zagueiro, abriu o placar. E aos 16 da etapa complementar explorou a péssima noite do Tricolor para garantir sua vaga sem sustos com um gol de cabaça do "gigante" Everton Ribeiro. Do alto dos seus 1,65 sai a classificação para mais uma final de Copa do Brasil. 

Apático e perdido, o São Paulo foi mais do mesmo. A culpa é plenamente distribuível em partes iguais. Da diretoria ao último reserva o fracasso acumulado ao longo desses últimos 3-4 anos escancara uma crise então tratada veladamente. Reforços, sucessivas trocas de técnico, reformulações e nada fez o Tricolor resgatar um mínimo de raça.

No entanto, o mérito é todo do Coritiba já que não tem nada a ver com isso. Provou por A + B que futebol se ganha no campo e pode conquistar o título que escapou por pouco ano passado. 



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Afinal, Timão.

SantoseCorinthiansSantoseCorinthiansSantoseCorinthiansSantoseCorinthiansSantoseCorinthians. Por vinte tortuosos dias só se falava nisso. Finalmente, o dia do duelo chegou. Escalei meu querido Doritos, umas Buds...só faltou "aqueeeeele" futebol.

Fato é que quem esperava um jogo equilibrado, movimentado, Neymar pra lá e pra cá. Paulinho, Alex e Sheik e Jorge Henrique defendendo e atacando como um time de basquete ficou na curtição dos Doritos e das Buds.

Mal a partida começou e o Corinthians tratou de deixá-la com sua cara. Especialmente quanto ao controle da redonda. Muitas trocas de passes, calma, inversões e logo perceberam que o miolo da cabeça-de-área do Santos era um convite para um samba que poderia render frutos. Já o Peixe saía afobado em velocidade. Ao chegar ao ataque, a bola queimava nos pés e a troca de passes era horrenda. 

Mesmo assim, aos dez minutos, uma falta perigosa em favor dos mandantes só assustou pela posição. Elano bateu e Cássio defendeu sem dificuldades. Depois disso, o Corinthians rodava a bola, rondava a área e o Santos afastava, tentava contra-atacar mas sem sucesso.

O Santos não era nem sombra daquele time encantador. E o Corinthians era bem o Corinthians que todos estão cansados de ver. 

Então, no 27º minuto de partida, aquele probleminha na cabeça-de-área custou caro ao Peixe. Por ali o Corinthians chegou e a trama ofensiva encontrou Emerson na entrada da área do lado esquerdo. Sheik teve uma tranquilidade espantosa para o momento. Parou a bola e mandou no ângulo esquerdo sem chances para Rafael. 

A superioridade no placar se mostrava justa pela postura do Corinthians em campo. Porém, tão logo o Timão abriu o placar já tratou de ficar fechadinho atrás para explorar os contra-ataques. Sem escolha, o Santos foi para cima. O domínio virtual mudou de lado e, aos 42 quase o Peixe iguala. Juan cruza da esquerda e, no bate-rebate, quase Elano iguala.

Na segunda etapa, o domínio mudou de lado. A proposta do Timão, já bem conhecida por toda a galáxia, era a mesma. Fechadinho atrás e contra-ataques quando desse. Ciente disso, Muricy sacou Elano, colocou Borges e acendia uma vela para Neymar aparecer no jogo. Sim, o craque estava estranhamente desaparecido.

O Santos cresceu e criou algumas boas chances. No início do segundo tempo, alguns cruzamentos causaram arrepios nos visitantes. Cássio começou a fazer intervenções pontuais quando exigido. 

Aos 12 minutos, o Timão teve uma chance de ouro e desperdiçou. O tão sonhado contra-ataque chega nos pés de Emerson. Era ele e Durval, mano a mano. Botou na frente, invadiu a área e se jogou. Não foi pênalti, nem nada e só o início de minutos intermináveis de sofrimento.

Para piorar, o mesmo Emerson fez o favor de mudar seus status de heroi para vilão. Entrada forte e desnecessária em Neymar lhe custou o 2º amarelo e o consequente cartão vermelho. No lance seguinte, o Santos quase empatou com Juan. Após cobrança de escanteio, o lateral pegou firme e Cássio fez ótima defesa.

A pressão do Santos ficou comprometida com a interrupção da partida em razão da falta de iluminação em parte do estádio. Nem mesmo a volta da luz trouxe de volta o bom futebol. O Peixe foi presa fácil da ótima e eficiente defesa do Timão e saiu derrotado em seu campo neste primeiro jogo. 

Não gosto de discutir justiça de placar. Justiça é bola na rede, é competência em fazer mais gols que o adversário e defender-se melhor. No entanto, para satisfazer quem prefere analisar o jogo sob o prisma justiceiro, em tese, o Santos merecia melhor sorte e ser premiado com o empate. Pronto. Prêmio de consolação dado. 

Espantou a postura de Neymar em campo. Mal conseguiu ser um bom coadjuvante. Embora o conjunto santista tenha subido de produção no segundo tempo, não foi aquele time envolvente que estamos habituados a ver. Isso se deve, em parte, ao Corinthians. A proposta defensiva do Timão, ou melhor, a forma como a equipe se compacta em campo é surpreendente. 

E foi o pragmatismo de Tite que fez o Corinthians arrancar a vitória na Vila na marra. Fez seu feijão-com-arroz e deixa a pulga atrás da orelha de quem agora reflete se a Vila Belmiro foi mesmo a melhor escolha, se Ganso deveria ir para o jogo, se isso, se aquilo. 

Vencer fora de casa e sem sofrer gols é um passo importantíssimo mas, sobretudo, firme rumo à classificação. Em que pese o Santos ter totais condições de reverter o quadro ora desfavorável, as circunstâncias provam justamente o contrário. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Quarenta milhões de euros

Semanas atrás saiu uma notícia que passou meio despercebida e só agora parei para refletir um bocado nela. "Juvenal Juvêncio recusa proposta de 40 milhões de euros do Chelsea por Lucas". Pô, hoje, quem se dá o luxo de recusar QUARENTA MILHÕES DE EUROS? Vou apimentar: 40 milhões de EUROS, HOJE, pelo Lucas? O São Paulo já deveria ter vendido e contratado uns dois ou três reforços de ponta para zaga, meio-campo e ataque!

Em tempo: Vários portais circularam mas vou relacionar somente o link da ESPN porque a maioria das informações esportivas que tomo conhecimento invariavelmente chegam por seus colaboradores (ler aqui). 

Quarenta milhões de euros é tanto dinheiro que é impossível não ficar repetindo esse valor feito um mantra até que ele invada nossa própria conta bancária. Pode não parecer tanto assim para um clube, só que para um jogador é. E muito. Considero nociva essa irrealidade em convencionar valores estratosféricos para atletas, principalmente em tempos de crise. 

O próprio Chelsea vai investir 38 milhões de Libras, o equivalente a 118,5 milhões de reais, em Hulk, atualmente no Porto e figura frequente nas convocações de Mano Menezes. É um bom jogador, mas, caramba, ele vale tudo isso? (ver aqui) É preciso ter em mente, inclusive, que transações envolvendo valores desse nível para jogadores em atividade no Brasil são casos esparsos. Denílson, Robinho e Pato são os principais exemplos de transferências milionárias.

À parte meu inconformismo quanto a números, no caso específico de Lucas vou além. Fossem 40 milhões de euros no Neymar, ainda que a quantia seja surreal, seria compreensível. A título de constatação, o craque santista tem multa estipulada em 65 milhões de euros. Neymar, 20 anos, é tricampeão paulista, campeão da Libertadores, campeão da Copa do Brasil, maior artilheiro do Santos pós-Pelé, além de principal jogador brasileiro em território nacional e titular da Seleção. 

Objeto de desejo de grandes potências do universo, o jovem craque quer ficar no Brasil até a Copa porque tira seus 3 milhõezinhos mensais, bate sua bola com alegria e ousadia, faz chover, é aclamado e paparicado por onde passa e seu futebol fala por si só. Está amadurecendo sua presença na Seleção e tem reais condições de se tornar um ícone histórico do futebol mundial.

Agora, 40 milhões de euros em um meia promissor, rápido, habilidoso, com cacoetes individualistas, preterido na Seleção para Hulk, Oscar ou Ganso, e sem títulos de expressão cuja multa rescisória é exatamente o DOBRO da proposta recebida que, curiosamente, é ainda maior que a de Neymar? São Paulo Futebol Clube, isso se chama bênção!

Ao meu ver, das duas, uma: ou o São Paulo acredita piamente que vai baixar o santo no Lucas e ele vai engatar uma sequência arrasadora de títulos como protagonista da equipe e consolidar-se como jogador indispensável na meia-cancha da Seleção ou Juvenal blefou. Diante da ascensão meteórica de Neymar, o mandatário tricolor não quis que seu patrimônio desvalorizasse tanto ou ficasse tão atrás do principal talento brasileiro.

Astuto, Juvenal pode ter ido além e quis que sua declaração soasse como um pedido: "peloamordedeus, apareçam com essa grana AGORA que vocês até levam o Paulo Miranda de brinde!" Tudo bem, que não fosse tão desesperado, mas que tivesse cara de recado direto a interessados: "só vendo por um bom dinheiro, não me venham com ninharias". 

Enfim, resguardo-me o direito de achar insano a aplicação de tanto dinheiro sobre um atleta. Mais insano ainda quem se dispõe a recusar tal oferta. E o cúmulo do surreal é mobilizar tamanho investimento em quem não provou absolutamente NADA no futebol. Se a proposta foi real, eu no lugar do Abramovich demitia o gerente de futebol na hora! E por justa causa!

Evidente que Lucas merece entrar na mira dos olheiros europeus pela qualidade que tem com a redonda nos pés. Entretanto, o investimento deveria ser compatível com sua atual condição. Quem acena com a possibilidade de pagar 40 milhões de euros nele pode até manjar de futebol. Quem recusa, perde boa oportunidade de equilibrar a saúde financeira do clube. Mas, nesse caso, ambos não entendem nada de economia. 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Campo, campo meu...

A 16 dias do primeiro confronto entre Santos x Corinthians válido pelas semi-finais da Copa Libertadores uma polêmica rola solta: o local onde o Peixe exercerá seu mando de campo no jogo de ida.

Tudo começou no duelo contra o Vélez quando santistas tiveram sérias dificuldades na aquisição de ingressos para o jogo. Muitos sócios e torcedores ficaram de fora da emocionante partida que valeu a classificação do Peixe para mais uma fase decisiva da Libertadores.

Com a classificação, o apelo e a promessa de jogos pra lá de eletrizantes contra um dos seus maiores rivais deixaram o presidente santista com uma pulga atrás da orelha. Afinal, trata-se de excelente oportunidade de lucrar mais, ora. 

Contudo, a majoração significativa no valor do ingresso não é o bastante. Como dito, é um clássico, é a chance de impor ao rival mais um ano de fila. Para contar com maior apoio da torcida e maior renda a alternativa é sair da Vila Belmiro e vir a São Paulo mandar seu jogo.

Mas vale a pena?

O Morumbi comporta seus 60, 60 e poucos mil torcedores, campo amplo, gramado impecável e histórico recente favorável. Poderia ser uma boa. O estilo de jogo ofensivo e insinuante se desenrolaria melhor. Além disso, conhecendo Tite, atuar em um campo maior será crucial para abrir espaços no ferrolho do Timão. Porém, a arquibancada mais alta e distante da cancha desvirtua o conceito de "caldeirão", o que pode dar a impressão de atuar em campo neutro.

Pacaembu? Palco da final do ano passado é última das últimas alternativas. Afinal, é a casa do Corinthians. Além de conhecer bem o estádio, ainda que conte com a minoria da torcida, ali o Timão poderia se sentir mais confortável ainda.

A Vila Belmiro, casa natural do Santos, comporta aproximadamente 15 mil pessoas e tem a questão de ter muitos sócios para poucos lugares. Transferir o mando para a capital vai gerar revolta da mesma forma. No entanto, a troca, apesar de incômoda, pode ser a alternativa razoável para conseguir apoio maciço de seus adeptos.

Ao meu ver, o jogo tem que ser na Vila Belmiro. Casa é casa e ponto final. Jogar no Morumbi ou em qualquer outro lugar certamente não vai deixar o jogo com cara de "mando do Santos". Jogar na Vila lotada é a cara da Libertadores. Estádio acanhado, torcida em cima, com Neymar encapetado, então...

Mesmo analisando friamente o estilo de jogo das equipes e chegando à conclusão que a Vila Belmiro pode se tornar uma vilã para o Peixe, creio que a essa altura do campeonato o "fator casa" não pode ser suprimido mesmo às custas de um bom retorno financeiro.

Tite vai armar o time para não perder. Nas dimensões menores do glorioso Urbano Caldeira, o treinador do Timão pode conseguir mais êxito na tentativa de anular Neymar ou encurtar seu campo de atuação, é verdade.

Por seu turno, jogar no Morumbi pode dar a Neymar e Cia. os espaços esperados para organizarem tabelas, partirem em velocidade e cadenciarem a partida como bem entenderem. Sua torcida certamente ocupará muito bem o estádio e cumprirá seu papel tão bem quanto na Baixada.

Entretanto, ainda que lote as arquibancadas, os bolsos de grana e consiga alguns metros de campo a mais para jogar, ainda vejo com ressalvas transferir um jogo desta grandeza para qualquer outro estádio por mais familiarizado que esteja.

Rivalidade, Libertadores, pressão. Vale lembrar que o Santos tem nas mãos a chance de seguir rumo ao tetra inédito no âmbito nacional e eliminando um inimigo histórico e que segue na busca de seu primeiro caneco da principal competição internacional.

O Santos, grande time que é, não vai morrer se deixar de lucrar com essa partida especificamente. E outra, a Vila Belmiro não será palco de eventual final por não ter o mínimo de 40 mil lugares, logo, já será forçado a procurar outra casa. Portanto, Peixe, pelo bem o duelo, mandem essa partida na sua verdadeira casa!