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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Carta ao Dunga nº1

Caro Dunga,

Muita expectativa para esta primeira convocação, né? Sei como der ter sido complicado elaborar essa lista já que boa parte dos jogadores virtualmente melhorzinhos que temos estavam com a Seleção há uns meses, naquele evento surreal que passou por aqui.

Também entendo que inauguramos uma nova caminhada até 2018 e o grupo precisa ser renovado aos poucos. No entanto, não podemos perder de vista que quem hoje tem 29 anos, em quatro anos terá 33, idade um tanto avançada demais para a disputa de uma Copa do Mundo. E não me venha com Kloses e Lahms que ninguém aqui tem a qualidade deles nessa faixa etária.

Ainda que na coletiva você tenha defendido os critérios "qualidade" e "rendimento" para justificar alguns desses jogadores mais velhos, digo, experientes - e concordo - fico com uma pulga atrás da orelha sobre o que foi visto em nomes como Hulk, Elias e Diego Tardelli.

Vá lá que podem ser peças de fácil descarte. Porém, apesar de estarmos iniciando esse período de testes, parece um tanto evidente que esses nomes não possuem tanta qualidade a ponto de serem figurinhas carimbadas em futuras convocações.

Creio que, se for para a realização de testes, sejam chamados jogadores jovens, com idade olímpica, ou não tão próximo dos 30 anos para que sejam potencialmente úteis no médio-longo prazo. Não é preciso lembrar que as Olimpíadas são daqui a dois anos, apenas. Seria bacana dar cancha a alguns caras daquele grupo.

Compreendo que era necessário fazer justiça a Filipe Luis e Miranda, embora esbarrem no que acabei de dizer. Em contrapartida, não houve justiça ao manter a volância, praticamente a mesma da Copa. Seria interessante ter pelo menos mais um nome diferente para iniciar a renovação do setor que praticamente sentenciou nossa sorte na Copa do Mundo. A mesma coisa sobre Hulk, que se mostrou um cara forte, bundudo, rápido, mas péssimo finalizador, dentre outras deficiências técnicas crônicas. 

Bom, gostei do Rafael no gol. Com 24 anos já tem Libertadores nas costas e se mostra bastante seguro. Sabemos que não será unanimidade. Aliás, foi-se o tempo de unanimidades ou titulares indiscutíveis na meta canarinho. Portanto, fique tranquilo. Pode chamar quem quiser para essa posição pois realmente a fonte de excelentes goleiros secou por ora.

Sobre Danilo e Alexsandro, ambos ex-Santos e laterais do Porto, não sei como estão a jogar mas eis bons exemplos de apostas válidas. Assim como Everton Ribeiro, Coutinho e até Ricardo Goulart. Só que sou obrigado a te cornetar. Chamou também o Willian. Assim, temos 87 meias que correm com a bola e, novamente, só o Oscar para cadenciar. Faltou mais um Ganso da vida para, eventualmente, saber como prender a bola, passar, lançar e não só correr, driblar e cavucar um espaço aqui ou acolá, entende?

Mas, fique frio, Dunga. Estamos só começando e muito trataremos sobre isso. Vai dar tudo certo, tenho Neymar, ops, certeza.

Tamo junto.



quarta-feira, 23 de julho de 2014

O Conde da Granja Comary

Dunga voltou. Aquela coletiva água-com-açúcar não me engana, não. Os sorrisos e comentários descontraídos - por vezes até revidados por um ou outro jornalista - não vão me enganar, Dunga. Eu sei que por trás daquela cara de "rá! olha quem voltou?! chupa todo mundo!" tem um sujeito carrancudo e sedento por vingança. E no que precisar, meu chapa, tamo junto!

Sei que sou minoria. Somos poucos mas estaremos contigo. Esquece esse papo de torcida padrão FIFA ou de patriotismo de Copa do Mundo. O que eles querem é comemorar uma estrela no peito ou queimar culpados na fogueira em caso de derrota. Estou falando de torcida mesmo, aquela parada que só sentimos pelo nosso time do coração.

Lembra o caminho até 2010, Dunga? Lembra? Puta merda, meu amigo, você e aquele seu Catado Mecânico me levaram à loucura! Seu estilo me cativou. Resgatou meu amor pela Seleção que estava em coma profundo desde 1994. Juro, Dunga, eu nunca me recuperei bem do fiasco de 96, por isso perdi totalmente o encanto da equipe da CBF/Nike, mesmo com o penta anos depois.

Tua postura de trancar treino, boicotar privilégios, manter jogadores de nível médio e pra lá de duvidoso em prol do grupo e de um sistema de jogo que estava longe de ser futebol-arte, mas era letal, enfim, fazer com que no meio de tanto business a Seleção jogasse com traços de garra e vontade, cara, foi foda.

Aliás, esse papinho saudosista de futebol-arte é uma grande bobagem. No fundo, queremos vencer não importa como, a que custo. Ficar tocando bola pra lá e pra cá é, literalmente, bonito? Nem a pau! Mas gostam de lamber o saco da Espanha porque dominaram seus jogos, envolveram os adversários e convenientemente esquecem que sua campanha foi bem enxuta ofensivamente. 

É bem verdade que essa Alemanha aí é diferente. Além de tocarem bem a bola, sabem como atacar e fazer o tal "futebol-arte" que jornalista adora encher a boca pra falar. Eu mesmo gosto muito dessa geração alemã. Reconheço nela uma versão modernista de futebol-arte não somente pelos acachapantes 7-1 ou pela forma como construiu a campanha do tetra. É resultado de muito comprometimento, estudo, dedicação...trabalho mesmo, sabe?

Só que estou preocupado, Dunga. Temo que não temos jogadores para te ajudarem nesse re-resgate da Seleção. Não há mais Elanos para laborar com afinco na meia-cancha. Nem os Robinhos ou Júlios Baptistas da vida que, sabe-se-lá-como-ou-por-que, insistiam em fazer bons jogos com o manto amarelo de modo a acumularem convocações merecidas pelo que produziam juntos, independente do que faziam ou deixavam de fazer onde jogavam.

Agora você vai ter um indispensável Neymar. Não esquente com quem se preocupa em como jogaremos sem ele. Todo mundo sabe que a Argentina depende de Messi, Portugal de Cristiano Ronaldo, a Colômbia de James Rodríguez, ou seja, é óbvio que é complicado. Evidente que qualquer time perde sem seus grandes astros. Porém, tente treinar aí algum plano B, pra acalmar o povo que clama pela sua cabeça há 4 anos.

Não me importa se você vai ficar de bem com a imprensa, nem se vai continuar convocando o Fred, o Hulk, o Ramires, seja quem for, só me prometa que vai colocar em campo 11 homens. 11 indivíduos capazes de entender que futebol exige respeito com o jogo, com o adversário e com os fãs. 11 atletas que deixem algo além de suor, chuteiras coloridas e penteados excêntricos em campo. Você me deu um voto de confiança para acreditar na Seleção, Dunga. Agora chegou a hora de retribuir esse trato. O hexa começa agora.



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Todo carnaval tem seu fim

Os dois últimos dias de Copa não poderiam ser menos surreais que tudo aquilo que aconteceu no último mês por aqui. 

O mini-atropelamento promovido pela Holanda na disputa pelo terceiro lugar foi a última pá de cal sobre nossas cabeças. Incontestáveis 3 a 0 numa Seleção que se perdeu em algum lugar entre o segundo tempo da partida contra a Colômbia e o início do jogo com a Alemanha.

Novamente jogamos mal. O abatimento era esperado, óbvio. Contudo, um abatimento tamanho a ponto de permitir uma nova derrota sonora ninguém esperava. Cada um de nós esperava que se fosse para perder, que fosse lutando, jogando dignamente. Pfff...

À medida em que a Holanda abriu fáceis 2 a 0 ficou no ar a iminente goleada que não veio. Mortos e visivelmente perdidos, o Brasil sequer esboçou ameaçar o adversário. Outra partida ridícula para coroar um catado capaz de sofrer 10 gols e 2 jogos.

Enquanto cambaleamos à procura de um rumo e tentamos encontrar um remédio para essa doída ressaca, voltamos nossas atenções para a grande final. 

Para nossa alegria - ou sorte - a Alemanha confirmou o favoritismo virtual que a trouxe até aqui. 

Uma final tensa, bem (ou mal, a depender do ponto de vista) disputada. A Alemanha esteve muito abaixo de seu potencial real e contou com a proteção de todos os orixás baianos. Somente eles podem ter feito Higuaín perder um gol daqueles. Aliás, o que mais poderia explicar a bola de Messi ter triscado a trave e não ter entrado por milímetros? E aquela pane cerebral que Palácio sofreu na prorrogação justo na área, frente-a-frente com Neuer?

Surreal. A Argentina, que se resumia a Messi e mais 10, levava mais perigo efetivo àquela Alemanha moderna e letal. 

Mas história é história. Schürrle, bem limitado ao meu ver, depois de perder boa chance, puxou um ataque pela esquerda e cruzou. A pelota encontrou o gigante Götze, de assustadores 1,70m aproximadamente. Livre no meio da zaga, o garoto matou no peito e, de canhota, livrou nossa cara.

O gol de Götze premia o trabalho bem feito. Comprometimento e seriedade resgataram o futebol alemão. Prova disso foram as constantes presenças nas fases decisivas dos campeonatos que disputou. O investimento na base e consciência de que o resultado não virá a curto prazo. A manutenção da filosofia de jogo, de trabalho, desde a presença de Low como técnico a quase 10 anos até ver que Neuer, Lahm, Schweinsteiger, Özil, Podolski, Khedira, Klose, Kroos estão jogando juntos há um puta tempo. 

Götze botou um sorriso de alívio em nossa cara. A Alemanha nos havia imposto a maior vergonha de nossa história, ora! Esse feito corria o risco de ser potencializado com um eventual título argentino em solo brasileiro. Dá pra ter noção disso? 

O apito final tirou o peso de nossas costas, porém não o desgosto. Esse título alemão nos escancara o que está errado em nosso futebol e, ao mesmo tempo, indica a fórmula de como fazer as coisas de um modo decente, competente. 

Agora deixa eu dormir. Obrigado, Alemanha! Obrigado, Götze! 






quinta-feira, 10 de julho de 2014

Inexplicável

Eu ainda não sei o que aconteceu ou o que pensar. Dentro de uma derrota dessas, 7 a 1, é da nossa natureza buscar justificativas e explicações minimamente plausíveis para nos confortarmos. Na onda justiceira que passamos, a trupe de caça a culpados também está a postos. Até aqui, Felipão vem sendo o grande bode expiatório. Há tantos outros, é verdade. Mas é certo que não há muito o que ser dito, em que pese nossa eterna mania insistente de tentar.

O placar em si abre uma gama infindável de "se". Se o Neymar isso, se o Thiago Silva aquilo, se o Felipão escolhesse Fulano em vez de Beltrano, se o Fred não sei o que. Só que o resultado está aí e temos que trabalhar com o que temos. Isto posto, a primeira grande certeza - que só pode ser empiricamente comprovada com a bola rolando - é que Scolari cagou.

Num primeiro momento me iludi, confesso. Pensei que a entrada de Bernard, por mais improvável que fosse, talvez se configurasse a mais razoável considerando sua velocidade e habilidade serem as mais anos-luz próximas as de Neymar. A aposta de Felipão na manutenção da distribuição ofensiva e no modus operandi da defesa que, mesmo com a constante oscilação da equipe durante os jogos, bem ou mal, funcionava, me fez dar ao treinador 11 minutos de crédito.

O erro ganhou proporções astronômicas diante do óbvio ululante. A Alemanha era mais forte no meio-campo tanto tecnicamente quanto fisicamente. Além disso, isolou Bernard na ponta, largou Oscar sozinho no meio para marcar como não sabe e criar/apoiar como não conseguiu durante toda a Copa. Ou seja, quis manter a tática mudando a tática, o que nada mais é, em português claro, do que uma puta cagada. 

Toda essa conjuntura de más escolhas também passa pela inversão de posição de David Luiz. Isso pode explicar seu erro no primeiro gol alemão. Escanteio batido, a movimentação do cada-um-no-seu falha, Müller recebe sozinho e manda pro gol. Em seguida, uma série de erros em cadeia resultam numa goleada-relâmpago inacreditável.

Fernandinho erra a antecipação na jogada do segundo gol, Marcelo não dá combate, Maicon não acompanha Klose, gol. Cruzamento no setor de Marcelo, a bola atravessa o universo até encontrar Kroos livre. O defensável chute - já que Júlio César chega a tocar na bola - entra. De resto, como explicar os gols surgindo em progressão geométrica com direito a tabelinhas dentro da nossa área? Precisa falar do sexto gol e do chute despretensioso que culminou no sétimo? 

Oscar ainda teve a pachorra de fazer um gol. E o maldito costume nos obriga a chamá-lo de "gol de honra", é mole? 

Lá se vão quase dois dias do ocorrido e ainda não sei como reagir, o que pensar. Tudo parece demasiado simplório. Jogar a culpa toda no Felipão, na má jornada dos jogadores, na lesão do Neymar, no PT, nas estrelas. O Brasil tomou 7 a 1, em casa, a maior derrota da sua história, o meu Maracanazzo e eu realmente não sei por que isso aconteceu, como aconteceu ou mesmo como eu deveria reagir a isso.

Há um turbilhão de emoções que passeia entre a humilhação, a raiva, a incredulidade, a resignação até se perder num enorme vazio. Vai ver todos esses sentimentos se anulam com intuito de servir (ou pelo menos deveria servir) de incentivo para analisarmos definitivamente tudo que acontece no nosso futebol, identificarmos os pontos críticos e promover uma reformulação definitiva.

Quem sabe seja isso. Agora é o momento de buscar resgatar o futebol para que volte a ser mais futebol e menos business. Apontar, por exemplo e a princípio, onde estão os principais equívocos na formação dos jogadores e por que eles são tão mal desenvolvidos taticamente e, sobretudo, tecnicamente. Afinal, o caboclo só pensa em encher o rabo de dinheiro e jogar na Europa ao mesmo tempo que ele mal consegue chutar decentemente com ambas pernas. 

Lá no fundo sabemos que dentro desse jogo brutal de interesses negociais instalado ferozmente nos meandros boleiros tal ideia é mera utopia. No entanto, é preciso tomar alguma providência - aliás, qualquer providência - não somente para que outra humilhação dessas não se repita. Mas para que algo seja feito como prova de que aprendemos com as imbecilidades da vida e estamos realmente interessados em resgatar nossa dignidade futebolística perante o mundo. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A dois passos do paraíso

Estamos a dois jogos de conhecer o novo campeão mundial. Podemos levantar o hexa em casa e exorcizar o fantasma do Maracanazzo. Ou ver a Argentina conquistar o tri em nossas terras. Quem sabe o tetra alemão ou o título inédito da Holanda.

Pra variar, eis meus pitacos. E seja o que deus quiser.


BRASIL X ALEMANHA - Em meio a tantos palpites furados, minha aposta em ver o Brasil entre os quatro melhores se confirmou. Aos trancos e barrancos, aqui estamos. Perdemos Neymar. E não teremos o ótimo zagueiro Capitão Chorão, suspenso. Teremos (?) Fred, o instável Oscar, o imprevisível Hulk e sabe-se-lá-quem no lugar de Neymar. Talvez Bernard. Possivelmente William. Provavelmente Daniel Alves na lateral e Paulinho mantido no time formando uma trinca de volantes. Independente da escolha de Felipão, novamente o emocional, o psicológico dos jogadores e todas nossas velhas deficiências irritantes serão postas à prova contra os alemães. 

Alemanha. Ah, Alemanha. Regular, cirúrgica e bipolar. Capaz de golear Portugal, passar sufoco contra Gana, sofrer para bater a Argélia e eliminar a França de maneira protocolar. É uma Seleção segura, sólida. Mesmo quando deu asas à bipolaridade foi bem. Sua maior preocupação é se Lahm vai jogar na lateral ou no meio-campo, e onde ele jogar, vai corresponder. Isso lá é problema? Sem grandes astros mas com bons jogadores em cada posição. Vive um bom momento e chega fortalecida nessa semifinal. O triunfo sobre os franceses veio na boa, sem muita emoção. Levou alguma pressão no final, desperdiçou uns contra-ataques mas longe de ser uma partida cardíaca.

Estamos no limite. Fred pode desde desembestar a marcar 3 gols amanhã a repetir as atuações pífias de praxe. Dante é bom zagueiro, porém, nada paga o entrosamento de Thiago Silva e David Luiz. Minto, paga sim, pergunta lá pro PSG. Oscar fez aquele gol perdido contra a Croácia e só. E, sem Neymar, a reação da equipe em campo é inimaginável. A perda de força ofensiva, onde tudo passava pelo garoto, é evidente. Não duvido que o Brasil jogue para não perder. Jogue por uma bola. No contra-ataque, quem sabe. Por outro lado, lembro, mais uma vez, que a Alemanha está batendo na trave desde 2002. Será sua terceira semifinal de Copa do Mundo consecutiva. Perdeu as outras duas. Por essa sina maldita não me faz crer que a Alemanha novamente ficará fadada a disputar o terceiro lugar.

Palpite: Brasil 0-2 Alemanha


HOLANDA X ARGENTINA - Não levava muita fé nessa Holanda aí. E eis que chegam novamente nas semifinais. Esbanjaram força na fase de grupos. No entanto, deram sinais de fraqueza nesse mata-mata. A bela virada contra o México mascara o mau jogo que fizeram. Já nas quartas, o contrário. A Holanda martelou, martelou, carimbou a trave três vezes, Navas fez 786 milagres, só que não teve jeito: precisou dos pênaltis para despachar a Costa Rica. 

A Argentina está diferente. Esperava-se que Messi seria o líder de um ataque avassalador, intimidador e insinuante, capaz de limpar a barra daquela defesa meio medonha que ostentam de uns bons anos pra cá. Mas, curiosamente, em que pese Messi estar sendo decisivo com passes ou gols, seu desempenho vem bem abaixo do que se esperava. Sim, dele esperávamos um pouco mais que gol ou assistência no final do jogo. Queríamos mais gols e jogadas desconcertantes. O ataque não encanta, ao passo que a defesa dá seus sustos mesmo sendo forçoso reconhecer sua eficiência. Os hermanos tiraram Suíça e Bélgica na conta do chá. Dois protocolares 1-0. 

O lance é que eu não acredito nessa defesa argentina. Permaneço com aquela impressão de que cedo ou tarde vão entregar a rapadura como foi exaustivamente levantado por vários profetas do apocalipse. A rigor, será o primeiro grande teste dessa zaga no Mundial contra um ataque veloz e perigoso, à atual maneira holandesa, claro. Messi vem atuando de maneira estranha. Parece recusar o protagonismo que lhe foi conferido por natureza, ao mesmo tempo em que segue genialmente decisivo. Por seu turno, a Holanda vem no velho estilo de quem se faz de morta para enganar o coveiro. Compacta atrás, perigosa na frente. Sei não, vem barulho grande aí. 

Palpite: Argentina 1-2 Holanda

O direito ao fracasso

Última semana de Copa. Passada a euforia dos jogos das quartas e já sentindo na pele a ansiedade pelas semifinais vejo que a aura de dúvidas e questionamentos que perambulou a Seleção durante todo o Mundial acaba por criar o clima perfeito para que o Brasil tenha o direito de perder, fracassar. Tudo isso, claro,  só nos foi possível enxergar graças à joelhada de Zuñiga. 

Todo nervosismo foi deixado de lado dentro do campo. Temporariamente. Paulinho herdou a vaga de Luiz Gustavo, suspenso, e Maicon veio reforçar a lateral no lugar de Daniel Alves. E Thiago Silva parecia predestinado à glória e redenção quando marcou logo aos 6 minutos. À frente do placar, a Seleção conseguiu de certo modo neutralizar bem as investidas cafeteras com sucesso.

David Luiz, de falta, um golaço, ampliou aos 22 do segundo tempo e, finalmente, parecia que o Brasil tinha se encontrado. Era aquela vitória para dar moral e passar aquele recado ao mundo de quem manda nessas bandas. Até mesmo aquele cartão amarelo bobo para o Capitão Chorão minutos antes não seria mais sentido.

Mas, àquela altura, perdido por 2, perdido por 10. A Colômbia se lançou ao ataque e o tal James Rodríguez diminuiu, de pênalti, aos 34. 

Dali em diante o Brasil não foi mais Brasil. Apesar da gana em se defender, os contra-ataques eram incrivelmente descoordenados, burros mesmo. Durante a eterna briga naqueles minutos infinitos de deus-nos-acusa, a bola se ofereceria para Neymar. Zuñiga chegou forte, por trás, para matar o lance potencialmente fatal. 

Enquanto Oscar carregava a bola inutilmente para o ataque até que a defesa colombiana desse cabo da situação, Neymar estava estendido no chão. Dessa vez não era mais uma valorização da falta, que passou impune. Não pela lei da vantagem, correta, mas bem que o juiz poderia ter voltado lá e levantado o amarelo pela truculência exagerada.

A fratura na terceira vértebra lombar tira Neymar da Copa. O jogo acabou, o Brasil classificou e não há mais Neymar. Malhar Zuñiga, além de burrice, é desvio de foco para nossos problemas. Falta feia mas de jogo. Acontece toda hora. Todo marcador brucutu vem e dá o tranco. O joelho levantado ou abaixado não importa. Era um contra-ataque, a bola vinha ali pronta a ser dividida, enfim. 

Não ter mais Neymar, único diferenciado do elenco, alimenta aquele sentimento esquecido 20 dias atrás de que não somos imbatíveis. Sabemos o quanto Fred é um cone inoperante no ataque, nos acostumamos a odiar os apagões de Oscar e a tremer nas bases a cada investida inimiga sobre nossos laterais. Lembramos de como Hulk é terrível nas finalizações e de não termos opções de qualidade para sanar esses problemas.

Assumimos um risco em depositar todas as fichas naquele profeta de bigode e no menino de moicano. Restou agora o papel de torcedores. De torcer para que Dante ou Henrique ou seja lá quem não diminua a qualidade de nossa ótima defesa e que William ou Bernard cumpram seus deverem a contento.

Por isso, a atmosfera de otimismo no hexa começa a preparar o cenário para uma queda. Honrosa, porém, lá no fundo, esperada.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Quartas de meudeusdocéu

Sexta e sábado vão rolar as quartas-de-final da Copa. E aqui vão os meus pitacos sobre os jogos:


BRASIL X COLÔMBIA

O Brasil fez das tripas coração para estar aqui. Aquela ilusória goleada sobre Camarões não foi capaz de fazer a equipe se encontrar e engrenar e passar confiança rumo ao hexa e choro e emoção e aquela coisa toda que tudo mundo tá careca de saber. Passou um aperto danado contra o Chile vindo a classificar-se nos pênaltis. Sem Luiz Gustavo, a preocupação de Felipão é em como ajustar a defesa contra o veloz - e eficiente - ataque colombiano. A tendência é que Paulinho volte ao time e, juntamente com Fernandinho, corram o meio inteiro para acompanhar a correria cafetera e tentar uma transição mais rápida, explorando espaços deixados nas subidas de Cuadrado, Zuñiga, Armero, James Rodríguez e cia. Mas não está descartada a entrada de Dante na zaga para liberar David Luiz para avançar como volante e fechar como zagueiro. Ou colocar Henrique para fazer essa função e manter David onde está. Um Felipão cheio de dúvidas, Oscar, Fred, Hulk e Daniel Alves na mira da torcida, equipe com emocional à flor da pele e jogando muito aquém de seu potencial, completamente refém de Neymar resume a situação atual da equipe.

A Colômbia é a única seleção que sobrou até o momento. Sobrou na primeira fase e despachou o Uruguai por 2 a 0 sem maiores dificuldades. Como dito, é um time veloz de franca vocação ofensiva. Levaram apenas dois gols até aqui, mas isso não sugere que seja uma defesa tão eficiente já que não foi lá muito bem posta à prova. Sofreu um gol de Costa do Marfim e outro do Japão, pra se ter uma ideia. Contudo, joga um futebol regular, com James Rodríguez voando (atual artilheiro isolado com 5 gols), ofensivo até a tampa e atravessa grande fase. Tudo isso contrasta com a falta de tradição e camisa em Copas do Mundo.

Palpite: Tentado a apostar na zebra cafetera, me rendo ao peso da camisa que enverga varal: Brasil 2-1 Colômbia


FRANÇA X ALEMANHA

A França veio desacreditada. Aí mostrou que seu ataque vai muito bem, obrigado, mesmo sem Ribéry e Nasri. O meio-campo muito bem organizado por Deschamps tem Cabaye e Matuidi equilibrando a defesa e auxiliando com competência o ataque. Contra a Nigéria, a vitória por 2 a 0 veio depois de muito martelar o gol africano. Não foi uma partida fácil ou favas contadas como parece. Entendo que vem motivada mas não encarou um grande desafio. Sofrer para derrotar a Nigéria e aquele empate modorrento com o Equador dão sinais de que os bleus não são lá muito confiáveis.

Quem começa a ser vista com desconfiança é a Alemanha. Embora conte com bons nomes em todas as posições e, ao meu ver, seja uma equipe bastante regular, sofreu demais para vencer a aguerrida Argélia. O triunfo por 2 a 1 veio somente na prorrogação. Deu alguma sopa para o azar mas foi melhor e, fosse mais competente, teria matado o jogo no tempo normal. A Alemanha mostrou força ao golear Portugal (mesmo que a qualidade de Portugal seja discutível e que a expulsão tenha contribuído para o resultado final, 4-0 foi um exagero de bola) e soube lidar com a pressão no empate bem jogado contra Gana e em ter nervos no lugar para despachar a Argélia. 

Palpite: Alemanha 1-0 França


HOLANDA X COSTA RICA

Um duelo surreal. A eterna Laranja Mecânica passeou na primeira fase em um grupo muito forte. 3 boas vitórias com direito a goleada sobre a Espanha. Contudo, suou sangue para eliminar o México. Perdia até os 42 do segundo tempo, quando Sneijder lembrou que tava tendo Copa e empatou. Nos 48, Huntelaar converteu pênalti sofrido por Robben, outro que tá arrebentando esse Mundial. Virada e amplo favoritismo contra a Costa Rica.  

Maior surpresa dessa Copa - mais até que a tal Melhor Geração Belga - a Costa Rica foi a foice do grupo da Morte, por mais surreal que isso pareça. Venceu Uruguai, Itália, amarrou um 0-0 com a Inglaterra e deu-se o luxo de testar o coração de seu torcedor. Ganhava da Grécia até os 45 do segundo tempo por 1 a 0, quando levou o empate. Com um a menos durante boa parte do segundo tempo, a Costa Rica segurou-se bem e eliminou os gregos nos pênaltis (5-3). Deu aulas magnas nessa Copa de organização, respeito, oportunismo e até cobrança de pênaltis. 

Palpite: A Melhor Geração Costarriquenha que me perdoe, mas eu não consigo imaginar essa zebra indo mais além. Holanda 3-0 Costa Rica.


ARGENTINA X BÉLGICA

Seguindo a filosofia do sofrer para avançar, a Argentina também empenhou parte da alma para classificar-se sem as penalidades. A vitória por 1 a 0 sobre a Suíça saiu dos pés de Di María aos 12 do segundo tempo da prorrogação. A Argentina ainda viu sua trave balançar no último lance de jogo. Ao longo dessa Copa a Argentina não foi a Argentina que se esperava. Em que pese as 4 vitórias, a dependência de Messi e os constantes sustos defensivos e apagões de Higuaín levantam a sobrancelha de todos para essa equipe.

A famigerada melhor geração belga chegou até onde se esperava. Mesmo com bons talentos individuais, não é um time empolgante, fica a sensação de que muito se falou e pouco se viu essa equipe fazer. Até fez uma boa partida contra os EUA mas também sofreu um tanto para avançar. Howard pegou até pensamento, porém não conseguiu evitar a queda americana por 2 a 1, todos os gols na prorrogação. 

Palpite: Argentina 2-1 Bélgica

segunda-feira, 30 de junho de 2014

À flor da pele

Tendo a FIFA já dado entrada no processo de transformar o duelo entre Brasil e Chile nas oitavas-de-final da Copa em cláusula pétrea no regulamento do Mundial, restou aos brasileiros esfregarem as mãos com a iminente quartas que se seguiriam.

Fui voto vencido. Pensava que seria um jogo tranquilo. Podia não ser aquela farra do boi com direito a goleada, mas uma vitória dentro do protocolo. Simplesmente não conseguia acreditar que a equipe chilena conseguiria abrir uma fenda na história das Copas e eliminar o todo-poderoso-Brasil em seu próprio quintal, diante de sua torcida e tudo o mais.

Eis que queimei a língua. Sampaoli e seu Chile Mecânico estiveram a poucos centímetros das quartas-de-final e de impor ao Brasil um vexame ainda mais imensurável que o famigerado Maracanazzo.

Quando David Luiz - ou o zagueiro chileno, tanto faz - abriu o placar com 18 minutos de jogo eu bem que respirei triunfante, confiante no meu palpite. Mas Hulk fez uma presepada daquelas uns 15 minutos depois. Devolveu errado uma bola no lado esquerdo e praticamente ligou o contra-ataque chileno. Sánchez recebeu livre na área e empatou.

Segundo tempo que deveria ser nosso, não foi. Júlio César começou a pagar as últimas parcelas de sua dívida com a nação ao fazer intervenções importantes. Bravo também mantinha o Chile no jogo com defesas não menos espetaculares. O improvável equilíbrio deu a tônica do jogo e criou um ambiente de tensão para a prorrogação.

Prorrogação atrai pênaltis. A prorrogação é aquela meia hora que antecede o momento mais sublime e cruel do futebol, salvo raras exceções. A epopeia vivida por 200 milhões de brasileiros e sei lá quantos outro milhões de chilenos quase acabou com vitória visitante se o chute de Pinilla fosse 5 ou 10 centímetros mais baixo. O tiro que abalou travessão e o coração da massa foi disparado aos 14 minutos do segundo tempo da tal prorrogação.

120 minutos de um Brasil tenso, encaixotado pela marcação chilena, incapaz de criar boa situações de gol. Oscar omisso, Fred - e depois Jô - mortos no comando de ataque, Hulk brigador mas sem qualidade para dividir as responsabilidades com Neymar. Seguir vivo na Copa seria ter que lidar com todos esses problemas por novos eternos 90 minutos. Mas cair agora seria um fracasso ainda mais retumbante. Que essas deficiências nos vitimem em momento mais apropriado, pode ser?

Teríamos que encarar pênaltis com todo esse pano de fundo. Não concordo com quem diz que pênalti é loteria. Entendo que é competência. É um tiro direto para o gol e só tem o goleiro lá. Chutar para fora, por exemplo, é o cúmulo do inaceitável. Foi o que William fez. O importante é manter os nervos no lugar e o Brasil, nós brasileiros, aliás, somos bastante emocionais.

Contudo, se ser emocional é bom, ser emotivo demais é ruim. E essa Seleção é mais emotiva que emocional. Sentir o nervosismo da situação é natural e o faz ligar o sinal de alerta, o deixa mais atento. Ver o elenco chorando à beira do campo minutos antes das cobranças foi desesperador. A postura de Thiago Silva, afastado da roda dos atletas, desolado, sentado em cima da bola e olhando para o nada foi a prova de que ele não tem a menor condição de ser o capitão desse time. Minto. De qualquer time.

Naqueles minutos em que os deuses do futebol confabulavam e definiam quem seriam os herois e vilões e o choro tupiniquim rolava solto enquanto Felipão elaborava a lista de batedores, tentei prestar atenção nesse cenário tão único.

O nervosismo dando lugar ao pânico. O choro copioso do goleiro Júlio César, do capitão Thiago Silva ter fugido da lista e ter se recusado a ser o eventual e imediato sexto batedor. Tantos líderes em campo mas tão poucos homens lá dentro a incentivar, dar força e transformar aquela tensão e confiança. Se eu fosse parte do time, só de ver o Thiago Silva, meu capitão, ali, naquele estado, eu me borraria.
  
Bom, o resto é história. Vencemos por 3 a 2. Júlio César defendeu duas, outra foi na trave. Ao término, mais choro. Agora, o momento mais adequado para esse tipo de desabafo.





segunda-feira, 23 de junho de 2014

Enfim, o início.

Agora sim! A Copa propriamente dita finalmente começou!

Depois de uma vitória controversa sobre a Croácia e um empate modorrento contra o México, o Brasil fez 4 a 1 em Camarões e garantiu o primeiro lugar o grupo. 

O Brasil jogou em cima durante toda a partida. O primeiro gol não tardou a sair. Aos 16 minutos, Luiz Gustavo desmarcou na esquerda e cruzou na medida para Neymar só tirar do goleiro. O tento trouxe tranquilidade e alguma desatenção. Aos 25, Matip, livre na área, empatou o confronto.

Daí em diante foi só Brasil novamente. Quase dez minutos depois, Neymar faz o segundo em bela jogada individual. No segundo tempo, Fred e Fernandinho deram números finais ao duelo. 

Aliás, Fernandinho entrou no lugar de Paulinho e arrebentou! Distribuiu passes, mostrou muita garra na marcação, disposição tática e tudo que se espera de um segundo volante participativo e, sobretudo, útil. Fred dessa vez não foi cone. Foi cone artilheiro. Brigou um pouco mais, tentou um pouco mais e foi premiado com mais um lance polêmico. Gol de cabeça irregular no qual depositamos nossas crendices diversas para a quebra da zica que perseguia nosso 9.

O adversário do Brasil será, mais uma vez, o Chile. Tal como em 2010 e 1998, os chilenos cruzam o caminho canarinho justamente nas oitavas. A FIFA já admite transformar este confronto em cláusula pétrea no regulamento da Copa a valer a partir do próximo Mundial. Ah, a tendência é de vitória tranquila nossa. 

Espera-se que o Chile faça aquele já conhecido papel de baranga no final da noite, de ex recente ou de peguete da vez. Apertou, vai lá, liga, chega junto, xaveca bonitinho e rola aquele alívio redentor.

Por mais qualidade que seja essa equipe chilena tenha com Vidal, Alexis Sánchez e Vargas sob a batuta do competente Jorge Sampaoli, não vejo La Roja capaz de - neste momento - superar o maior dos tabus que cerca o confronto: jamais ter vencido o Brasil em solo tupiniquim.

Isso porque o Brasil acorda para a vida no principal momento da Copa. Chegar com confiança nas oitavas é o primeiro passo para começar a superar as etapas seguintes. A equipe se tocou que é preciso mais vibração em campo e tal evolução foi notória. Não somente pelos 4 gols. Salvo aqueles 10-15 minutos de branco súbito, o Brasil se mostrou Brasil.

Já o Chile vem de classificação heroica no grupo B tendo despachado a Espanha. Motivação não falta, óbvio. Contudo, a derrota para a Holanda na última rodada por 2 a 0, mesmo com a equipe já classificada mostra que não tem tanta força quanto parece.

A derrota não muda a respeitável campanha, porém, ressalta que, no frigir dos ovos, o Chile - mesmo com seus méritos próprios - passou por cima de uma Espanha apática, completamente fora do habitualmente visto nos últimos anos. Não tendo sido capaz de superar um adversário mais forte em melhor fase, caso da Holanda. 

A defesa chilena é bem esforçada, ponto. Seu ponto fraco é a bola aérea. Apertou? Chove na área deles pra você ver o deus-nos-acuda! A meia-cancha é obreira, fato que pode trazer alguma dificuldade para o Brasil construir seu jogo a seu bel prazer. O triunfo da Holanda somente foi construído nos últimos 15 minutos de jogo, para se ter uma ideia. O ataque depende muito dos lampejos de Sánchez mesmo tendo um veloz Vargas no setor. Haverá perigo se souberem como explorar as costas de Daniel Alves e Marcelo. 

Em vez de uma vitória elástica, aposto em uma classificação mais na conta do chá. Mas nada que vá infartar brasileiros por aí. Esse duelo com o Chile vem muito a calhar. É um time que vai testar nossos nervos e nossa versatilidade dentro do campo. Um teste de luxo que pode nos dar a perspectiva do que podemos esperar do Brasil nas quartas-de-final. E, a depender dos cruzamentos, já podemos ver mais tangível uma vaga nas semifinais.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Empate sensacionalista

Brasil 0-0 México. Um enfadonho empate sem gols frustrou a nação brasileira sedenta continuamente por espetáculo seguido de espetáculo. Mas não é o resultado em si que abre uma fresta de possibilidades negativas ao escrete canarinho. Brasil e torcida precisam de uma bela dose de simancol e acertar os ponteiros de sua ingrata relação.

Esse maldito costume de se criar uma grande expectativa em torno da Seleção em partidas contra adversários, digamos, mais modestos. Já passou da hora disso ser revisto, principalmente em se tratando de Copa do Mundo, torneio no qual o mais importante é, a princípio, classificar-se para a segunda fase. Um time esforçado e bem postado pode aprontar, isso é natural, não é propriamente uma zebra, embora a boa lógica indique o contrário, ou seja, que o Brasil tinha o dever moral de somar no mínimo 9 pontos nessa primeira fase.

Superada essa fenda na lógica futebolística nos deparamos com a realidade. Ao contrário do que dizem, creio que há uma meia dúzia de bobos no futebol mas o México não é mais um deles. O histórico recente mostra que são um adversário duro para nosso estrelado esquadrão. Então, o empate não foi de todo ruim.

Analisando o grupo também notamos que o risco de eliminação ou mesmo de perder a liderança não se mostra lá muito concreto e tem mais cara de profecia apocalíptica. A posição do Brasil ainda é relativamente confortável. Depende de si, joga em casa, tem um time melhor e Felipão não vai deixar que essa não-derrota vire um monstro para o elenco.

Preocupa a forma como alguns jogadores oscilam nesse time, casos de Oscar, Paulinho e Fred, principalmente. O meia vive de lapsos pontuais durante o jogo. Tem alguma coisa errada com Paulinho, ele não tá batendo aquela bola dos últimos dois anos. E Fred está guardando seus gols para as fases decisivas e enquanto isso fica de peso morto no ataque. Para piorar, ele não tem reserva. No mais, o time está redondo e supera essa instabilidade.

Precisamos ter consciência de que um jogo abaixo do normal pode acontecer em qualquer circunstância. E um tanto melhor que tenha sido agora. Antes esse susto agora do que mais tarde. É bom que o grupo sinta na pele a sensação de não ser imbatível.

Se serve de consolo, vamos considerar que o Brasil só não venceu porque o goleiro Ochoa viveu uma noite iluminada e bateu o recorde de pontuação do Cartola! Mesmo com a boa atuação da defesa do México, foi Ochoa quem garantiu o zero no placar. A má pontaria dos avantes mexicanos também contribuiu para o 0-0, bom que se diga.

Imprensa, torcida e equipe precisavam desse baque. Percebemos que temos problemas internos e precisamos de outras alternativas já que jogar no Neymar e esperar que ele resolva não é um método 100% eficaz. Se vai reforçar o meio, se vai colocar o Willian, efetivar o Bernard, cara, cabe ao Felipão resolver. E a nós torcer, sem criar o mito de que a Seleção tem que golear um jogo sim o outro também. O que vale é a vitória, é pontuar. Em seguida, as classificações ao longo da rota da Taça. Jogo bonito hoje é bônus, pô! O que vale é ganhar e levar o caneco!

Venceremos Camarões e estaremos nas oitavas, em primeiro, como manda o figurino. Fiquem tranquilos e reservem as cornetas para os mata-matas.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ainda não estreamos

Olá, meu nome é Gabriel, tenho 26 anos e tenho um problema de disfunção erétil emocional com a Seleção Brasileira. 

Sei quando isso aconteceu, mas deixe eu ir do começo, tá bem? Eu era garoto, tinha 6 anos e o Brasil disputava a Copa de 94. É bem daí as minhas primeiras memórias futebolísticas. Eu poderia dizer que lembro bem onde vi cada jogo do Brasil naquela campanha, dos gols, coisa e tal.

Então o Brasil ganhou o tetra. Tava na casa da minha madrinha e, cara, foi um troço louco. Fogos, todo mundo gritando na rua, uma parada que eu nunca vou esquecer do alto daquela laje. Foi empatia à primeira vista. Um time que vencia! Um time imbatível.

Só que logo depois vieram os Jogos Olímpicos de 96. Eu ainda tenho cravado na minha retina a hora que o Kanu entra na área e fulmina nosso sonho dourado que perdura até hoje. Perder para a Nigéria? Assim, de virada? Quem é Nigéria? Foi um baque forte. Eu parei de torcer pra Seleção ali. É, parei.

Lembro em 98 eu azucrinando minha mãe por causa da minha alegriazinha com a vitória da França. Passei a viver do amor ao clube e ter na Seleção um símbolo de ódio, de decepção. Flertei com a Azzurra, ensaiei apoio aos nosso rivais argentinos pela vontade com que jogavam, enfim, perambulei mundo afora sempre desafiando o Brasil.

Em 2002 não foi diferente. Porém, não nutria mais ódio pela Seleção. Era indiferença. Quer dizer, se perdesse, um tanto melhor. Já aborrecente, passei a receber aquele turbilhão de informações sobre dinheiro, transferências e Europa, falta de comprometimento e chinelinhos. Isso me fez desanimar e não mais ver na Seleção um símbolo interessante para torcer. Quem eu ia zoar se o Brasil ganhasse? Não tem graça, todos ganham. Eu não vou cruzar com um alemão, um argentino, na padaria e dar uma aquela aloprada camarada.

Eu não consegui vibrar com a campanha do penta. Simplesmente não consegui. Vencemos e tal mas eu não via motivo para celebrar. 

Então chegamos a 2006. Nesse ponto eu havia aceitado que o futebol é o que faz meu coração bater e passei a curtir mais os jogos da Seleção, contudo, sempre com a corneta rente à boca e de olhos sedentos à procura de um bode expiatório.

Perdemos. Aquele quadrado mágico era realmente escroto. Não consigo acreditar até agora que o Parreira bancou um time com Kaká, Adriano, Ronaldinho e Ronaldo.

Mas veio 2010. Rapaz, eu amava aquela Seleção! Sim, eu reconquistei meu amor à amarelinha com Dunga e aquele time marrento. Era insano. Dunga só não ganhou o ouro olímpico. Enfileirou Copa das Confederações, Copa América, deu show nas Eliminatórias, fez o diabo! E batia de frente com a imprensa, convocava jogadores estranhos mas, por incrível que pareça, dava certo! O time respondia!

Aquela equipe era aguerrida! Marcava demais, saía pro jogo e, sobretudo, resolvia! Era Seleção de decisão! Não tinha tempo ruim. Entrava lá e sentava o pau em quem quer que fosse. Enjoamos de bater na Argentina, vencemos todas as campeãs do mundo, era simplesmente show!

Só que veio a Copa de 2010, as saídas erradas de Júlio César, a expulsão de Felipe Melo, os gols de Sneijder e a consequente eliminação. Dunga, óbvio, foi demitido injustamente. E eu passei a perseguir a Seleção novamente. Não era justo! Essa pressão desgraçada da imprensa, da politicagem da CBF, de quem quer que fosse. Caramba, olha nosso cartel! Ele tá pagando por um jogo!

Mano Menezes fez aquele trabalho tosco de transição e quando começou a fazer alguma coisa aparentemente certa, foi degolado para o retorno de Felipão. Felipão e seu estilo familiar. Com Parreira e Murtosa como escudeiros e tudo que tem direito. Mesmo em má fase tá lá o velho bigode a nos dar confiança.

E eu me vi numa sinuca. Copa no Brasil. Um técnico que gosto, mesmo tendo vindo de um trabalho que não justificasse sua presença ali. Jogadores de nível controverso, como Hulk, na titularidade. Gosto desse tipo de coisa. Mas...e carisma? Cativa-me, Brasil!

Estamos a um longo caminho de nos acertarmos, Brasil. Aquele arremate caprichosamente preciso de Neymar, o pênalti mandrakíssimo convertido por ele, o bico do Oscar...foi uma vitória! Eu gostei. Eu torci, de verdade. Eu comprei a ideia de te apoiar mesmo sendo contra o Mundial aqui e toda roubalheira desenfreada que gerou. 

Só que, Brasil, me escuta. Olha esse grupo. Não me iluda. Não se iluda. Não nos iludamos. Estrearemos somente nas oitavas. E, lá, Brasil, lá eu estarei contigo.





domingo, 1 de junho de 2014

GRUPO A - Brasil, Croácia, Camarões e México

Passada a euforia do sorteio e já com a convocação em mãos é hora de ver o que esperar de cada grupo.

Do bloco A, destinado ao país-sede, coube o Brasil o privilégio de encarar seleções nada além de esforçadas. Ou seja, o escrete canarinho tem uma bela teta pela frente. 

É evidente que o Brasil vai avançar. E em primeiro. E qualquer outra combinação senão esta é zebra. Não tem discussão. As três seleções que fazem número no grupo que se matem pela outra vaga. Aliás, podiam tirar a segunda vaga desse grupo e dar para alguém lá no grupo B ou D.

Importante levar em conta que torcida, cancha, país-sede e política são elementos a serem considerados para ter uma ideia até onde determinada seleção vai. Abre parênteses: Por isso o Brasil deve chegar, no mínimo do mínimo, até as quartas-de-final e só morre nessa fase se baixar um santo em algum desalmado do grupo D. Entendo ser praticamente certo que estará entre os 4 melhores. Fecha parênteses.

A Croácia conquistou sua classificação na repescagem. Após terminar em segundo no seu grupo das Eliminatórias (1º lugar para a Bélgica), tirou a sorte grande de ter pela frente a Islândia. Empatou o primeiro jogo, venceu o segundo por 2 a 0 e ganhou a passagem para o Brasil. Só que não é um time lá essas coisas.

Vá lá que nesse grupo ninguém é lá essas coisas, mas a Croácia só teve a Bélgica e Sérvia como páreos duros nas Eliminatórias. Prosperar somente diante da Sérvia e ter despachado a Islândia não parece muito animador.

De destaque, trará Modric, meia do Real Madrid, e os avantes Olic (ex-Bayern) e Mandzukit (atualmente 9 do Bayern). No mais, conta com atletas experientes e atuantes nos principais centros boleiros da Europa. O trio mencionado a ser usado nesse grupo tal como se apresenta pode ser suficiente para avançar. Aliás, é minha aposta.

Obs: Mandzukit não joga a estreia contra o Brasil.

Curioso é que o nível dessas outras seleções não destoa tanto assim da minha virtual favorita. Mais curioso ainda, ambos já derrotaram o Brasil nos Jogos Olímpicos, adiando o sonho dourado canarinho.

Comecemos pelo México. Ganhou notoriedade por ser um carrasco tupiniquim contemporâneo. Dos triunfos mais recentes e impactantes, fiquemos com a final olímpica em Londres-12. Mas agora estamos no Brasil, caramba! Clima de Copa e tudo mais! Acho pouco provável que os mexicanos aprontem gracinhas quaisquer em nossos domínios. Exceto Chaves. Essa é a única gracinha permitida aqui ad eternum.

Pois bem. Eles tem o Chicharito Hernández e o (muito) Peralta no ataque. Giovani dos Santos para a ligação. Sem contar um amontoado bem organizado deveras chato de se enfrentar, que ataca bem e preenche os espaços com alguma inteligência. Apesar da escola latina, não sei se é bom o suficiente para agarrar a segunda vaga.

Sei lá, falta um Blanco na meia, um Borghetti ou um Hernández nesse ataque.  Por mais que o México tenha tomado corpo como vimos nos últimos embates com o Brasil, não acredito que irá avançar. Pode surpreender, claro, mas já dei meu palpite e não vou mudar.

Sobra Camarões. Que tem Eto'o e só. Ele e mais 10. Ou 22, no caso. Camarões já foi asa negra do Brasil nas Olimpíadas de 2000. Em contrapartida, se serve de bom presságio, Camarões esteve em nosso grupo na campanha do tetra em 1994.

Camarões se resume a Eto'o e ponto. Não adianta enganar aqui falando que jogam assim, assado, cozido ou frito. Futebol africano é essencialmente força e velocidade. O resto é mais do mesmo. Deve ser a mãe do grupo, a menos que brotem uns outros 2 ou três Eto'os na equipe capazes de fazê-los jogar tão bem a ponto de bagunçar o grupo.

Palpite:
1º - Brasil
2º - Croácia

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Crente na descrença

Ontem Felipão formalizou a convocação dos 23 atletas que vão representar o Brasil na Copa do Mundo em pouco mais de um mês. Como já se previa, a Seleção mais sal, sem sabor, sem polêmica, sem absolutamente nada dos últimos anos foi chancelada por Scolari em uma cerimônia na qual o protocolo deu lugar ao tédio. À expectativa em saber que Henrique será o quarto zagueiro, Victor o terceiro goleiro, Maxwell na reserva de Marcelo, além de Hernanes e Jô no grupo. Muito chato, muito previsível, muito duvidoso. Talvez esse seja o trunfo para o hexa.

As conquistas de 1994 e 2002 vieram após muita desconfiança. A relação de amor e ódio que temos com a Seleção Brasileira é posta à prova a cada quatro anos. Parece que ficou a clara impressão de que o Brasil precisa vir sob crise, pressão e desconfiança para superar-se em 7 jogos e calar 200 milhões de cornetas.

Estão ai as campanhas de 2006 e 2010 que não nos deixa mentir. O quadrado mágico de Parreira e o time pilhado de Dunga, que chegava à Copa com inúmeros títulos na bagagem, cederam. Chegaram embalados e caíram. Vá lá que o escrete de Dunga era demasiado controverso, porém os resultados davam respaldo ao comandante de chamar quem bem entendesse.

Um fenômeno semelhante ocorre com Felipão. Paizão da Família Scolari, Felipão está fechado com os que fecham com ele. Pegou o bonde andando, faturou a Copa da Confederações ano passado e ganhou o direito de fazer o que quiser nessa Seleção.

Não é de hoje que essa Seleção também sofre de uma bipolaridade às avessas. O time é bom. O elenco é bom. É extremamente cativante. Só que não empolga. Pelo menos não a mim. Sem uma pimentinha, uma intriga, uma ausência de alguém ungido pelo clamor popular força meu olhar para que eu analise o Brasil com um toque de desconfiança.

A euforia em torno da Copa e da expectativa de levar o título em casa me faz duvidar da capacidade desse time que surpreendeu nas Confederações-13. Entretanto, pouco menos de um ano depois, às vésperas do Mundial, não se reinventa. Todo mundo sabe o time de cor e salteado. E até saca as alterações a serem feitas pelo desenrolar da partida. 

Sobram tanto pragmatismo e coerência a ponto de questionar se não é o caos o elemento faltante. Isso. O caos, a zona, o barulho, a azucrinação, a tensão do povo sobre a convocação, preparação e escalação cria uma atmosfera favorável à motivação do grupo, que sedento por vingança, ganhará a Copa só para terem o deleite e a satisfação de terem ido à forra. E felizes, contentes todos ostentam seus sorrisos alegres pelo tapa na cara sofrido à base de pura psicologia reversa.

É complexo. Não reputo bom sinal chegarmos tão tranquilos, tão eufóricos na Copa. Esse mar de tranquilidade e Felipão "paz e amor" preocupa. Muito. Bem, quem sabe aí resida o trunfo que tanto queremos. A Seleção com esses 23 chamados sob a égide da Lei do Não Tem Tu, Vai Tu Mesmo corrobora tudo que sento.

O grupo é bom, o time é bom. Mas, é isso? É Fred? É Jô? É Luiz Gustavo? É Henrique? É sério?

Pior que é. Além disso, provavelmente é esse cenário cinzento que confere à Seleção Brasileira alguma chance razoável de levantar o caneco pela sexta vez.


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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Seleção sem sal

Nunca fui um fervoroso torcedor da Seleção. Foi-se o tempo em que torcer para o Brasil dava graça. Quer dizer, é fácil falar da Seleção de 82 e 86, achar muito bonito, muito bacana e que naquele tempo era espetacular ver o escrete canarinho em ação. Eu não vi, apenas suponho. Mas vivo a ressaca das campanhas do tetra e do penta sem qualquer empatia pela Seleção. Esse sentimento contido dá uma colorida no mês da Copa, mas, essa Seleção aí simplesmente não cativa.

Descartemos as polêmicas, os desvios de verba, os conchavos políticos, os black blocs. Felipão entrou, deu corpo à Seleção e nos colocou como favoritos. Sim, favoritos. Temos um time forte e, sobretudo, equilibrado. No entanto, no meio a tanto equilíbrio vejo um time insosso. Sem polêmicas, sem maiores brigas por posição, sem alternativas que faça o torcedor ficar apreensivo ou esperançoso.

Isso é o que mais chama atenção. Não tem ninguém que seja ungido pelo clamor popular. Hernane afiou sua broca um tanto tarde. Walter tem carisma, bola e um porte físico que o afasta do catado nacional. Quem mais? Podem procurar, não tem. Esse ano não teremos um Romário ou um Adriano a criar expectativa até o último nome.

As discussões resumem-se a "não temos um reserva para o Oscar, o mais perto disso é o Hernanes que pode até quebrar um galho de segundo volante". "Qual dos três (Dedé, Réver ou Marquinhos) deveria figurar na 4ª vaga da zaga". E só. Lamentam que o Rafinha está bem no Bayern mas já estamos bem resolvidos na direita. 

Polemize, Felipão! Leve o Rafinha no lugar do Maxwell e improvise o Daniel Alves do lado esquerdo. Improvise outro se for mais do teu agrado, mas me faça sentir alguma coisa pelo teu time! 

Júlio César. Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo. Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar. Hulk, Fred e Neymar. Esse é o time. E se não for, vai de Maicon na direita. Quem sabe Fernandinho na cabeça-de-área. E Dante na zaga só se alguém machucar. Ponto. É isso. É realmente tudo isso?

Apesar da campanha vitoriosa na Copa das Confederações ano passado, com direito a baile na Espanha por 3 a 0, a impressão que fica é de uma falsa superioridade. Bernard e Willian são ótimos jogadores, mas alguém acredita piamente que vão entrar e resolver a parada, mudar a cara do jogo? São jovens, a experiência pode pesar, quem sabe na próxima Copa ou se esta fosse ano que vem...

E no gol? O Júlio César vai chegar questionado pela real condição técnica. Escolheu pegar ritmo de jogo na ascendente Major League Soccer. Tudo bem, é experiente, pode não ser um bicho-de-sete-cabeças, afinal, qualquer coisa temos Jefferson e Cavalieri (ou Victor). Ó, céus, já tivemos goleiros melhores. Foi-se o tempo das boas trincas: Marcos, Dida e Rogério; Taffarel, Zetti e Gilmar Rinaldi (sim, ele mesmo).  

Jô é o reserva imediato de Fred, que corre razoável risco de jogar a Copa baleado. O Fred já não é essas coisas, caramba! Cadê aquela safra monstra de atacantes realmente bons? Romário, Ronaldo, Bebeto, Túlio Maravilha, Edmundo, Evair, Muller, Careca? Hein? Puta brincadeira de mau gosto. Vamos depender de Fred meia bomba e Jô? Vamos acreditar que vamos ganhar com isso?

Vamos.

Vamos nos iludir. Torcer conscientes de que Felipão faz um trabalho ótimo, sempre optando pela justiça e coerência em suas convocações. Teremos fé supersticiosa em seu estilo carrancudo e teimoso colhedor de frutos. Uma pena que, diante de tudo isso, a emoção da Copa só vá começar mesmo em junho.





quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Seleção, Mundial e Sul-Americana

Para buscar a retomada da velha rotina e ao hobby de repartir um pouco o que penso sobre futebol, deixo umas pinceladas sobre alguns temas que surgiram esses dias:


CAI MANO, ENTRA FELIPÃO?

É possível que haja essa confirmação nesta quinta-feira. Felipão vem de trabalhos medianos. No Chelsea, foi esmagado. Nos cafundós-do-Judas nem vale a pena relevar, mas no Palmeiras conquistou uma Copa do Brasil com um time bom (ao meu ver) cujo elenco se mostrava bastante frágil. Abandonou o clube em meio a uma crise, deixou clima ruim nos vestiários e desmotivou grande parte do grupo. E ainda por cima vai ganhar a vaga de treinador da Seleção.

Há quem defenda que, às vésperas da Copa, o ideal é mesmo contar com algum treinador experiente e ciente de como as coisas funcionam no futebol brasileiro. Por isso Felipão derrubou todos os demais concorrentes de maneira tão fácil. Ganhará o apoio do também "macaco velho" Parreira, na coordenação técnica. Enfim, Abelão e Tite, em momento infinitamente melhor, deverão aguardar. Ou melhor, manter-se no topo por mais tempo. (Afinal, Muricy já teve dias melhores e pouco se lembrou dele em razão da oscilação de seu Santos).

Eu entendo que futebol, apesar de gerência, bastidores e tudo mais ainda é decidido dentro das quatro linhas. Logo, indispensável a contratação de um treinador de ponta e capaz de fazer a Seleção desempenhar-se bem. Melhor ainda se estiver em bom momento. Tite, Abelão, Guardiola, qualquer um. Mas Felipão, não.


CORINTHIANS X CHELSEA

Evidente que a lógica indica que este será o duelo na final do Mundial. Mesmo em péssima fase e sob nova direção, o Chelsea merece algum esboço de respeito. Idem Rafa Benítez. O treinador vivia bom momento no Liverpool quando perdeu o Mundial para o São Paulo. E estava na corda bamba quando venceu o torneio com a Internazionale em 2010. 

No entanto, o grande momento de Tite e do Corinthians pesam no otimismo. E com razão. Paulinho está jogando muita bola, Guerrero vai se firmando como centroavante e mesmo descompromissado o Timão quase chegou entre os 4 primeiros. 

Não acredito que o Chelsea será essa baba toda. Nem mesmo uma subliminar aversão que os europeus tem em relação a esse tipo de competição, uma vez que a partida terá projeção mundial, creio que os ingleses entrarão dispostos a apagar a imagem negativa que paira sobre a atual campeã da Champions League, virtualmente eliminada na edição desta temporada. Aliás, pode ser a primeira vez que um campeão é eliminado ainda na fase de grupos na temporada seguinte. 

Em suma, menos oba-oba e mais pés-no-chão para o Timão.


SÃO PAULO NA FINAL DA SUL-AMERICANA

A semi-final da Sul-Americana foi tensa para o São Paulo. No jogo de ida, empate por 1 a 1. Ainda há pouco, um novo empate no Morumbi - dessa vez sem gols - decretou a classificação do Tricolor para a final. 

Nos dois jogos a superioridade do São Paulo foi esmagadora. E nas duas partidas o Tricolor abusou das chances perdidas e brincou com a sorte. No Chile, marcou apenas 1 e levou outro em falha generalizada da zaga. No Morumbi, sucessivos erros de finalização e falta de tranquilidade nas conclusões quase comprometeram a classificação do time.

Agora, o Tricolor aguarda Tigre ou Millonarios. E acende uma vela para os argentinos. Pois assim foge dos colombianos, algozes de Palmeiras e Grêmio, e pode realizar a segunda partida da decisão em casa.

Contudo, não obstante a euforia da classificação, o desempenho da equipe contra LDU Loja e Universidad Católica no Morumbi deixou uma pulga atrás da orelha.

 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Pá-pum.

Tiro curto sobre algumas coisas que senti vontade de dizer mas sem me alongar demais:


- KAKÁ NA SELEÇÃO - De volta à Seleção após a fatídica derrota para a Holanda, Kaká não devia ser convocado. Não devia porque não joga e ponto. É impossível acreditar que o meia não venha sendo escalado por birra de Mourinho. A grande verdade é que Kaká joga bem contra times medíocres mas não repete boas atuações contra equipes mais gabaritadas. Além disso, se realmente estivesse em uma forma aceitável, dificilmente seria banco de nomes como Özil e Modric.


- LEANDRO CASTÁN NA SELEÇÃO - Bom zagueiro. Se ainda estivesse no Corinthians mereceria uma convocação para o "Superclássico das Américas". Porém, não vejo tanta bola assim no beque que justifique seu chamado. Aliás, sua convocação somente após a transferência para a Roma é bem estranha, não?


- JOBSON - Volta ao Botafogo e deve ter seu aproveitamento avaliado novamente. Ridículo. Se reintegrado, podem começar a contagem regressiva para a próxima polêmica.


- CORINTHIANS NO MUNDIAL - O adversário do Timão sai do confronto entre o campeão da África e o vencedor de Auckland City x campeão japonês. Dizem que houve comemoração por não ter pela frente o Monterrey. Piada, né? Os mexicanos, embora tenham uma seleção de respeito e ótimo retrospecto recente contra o Brasil, não são um bicho-de-sete-cabeças. Muito mais perigosos são os times africanos - vide Mazembe - e eventual campeão asiático, que caiu na chave do Chelsea. São equipes mais fortes fisicamente e geralmente contam atletas mais rápidos, que podem surpreender.  


- FULECO, AMIJUBI, ZUZECO - Um desses será o nome do mascote da Copa do Mundo no Brasil em 2014. Todos feios, para dizer o minimo.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Uma Joia de menino

Eu me rendo. O Neymar é craque. Claro que está em um patamar inferior a outros tantos craques que atuam no futebol europeu. Tem muito a evoluir e, finalmente, poder ser comparado a tais astros. Mas é craque. A forma como carrega sozinho um enfraquecido Santos reflete quanto seu futebol transcende seus limitados adversários. Entretanto, apesar de craque, ainda se trata de uma jovem realidade de 20 anos e a forma como exploram seu potencial cada vez mais me parece um tanto imprudente. 

Dono de vencimentos estratosféricos, fruto da engenharia financeira santista aliada à parcerias e trocentos contratos de patrocínio, Neymar virou sinônimo de negócio. Aquele cabelo ridículo, o sorriso pronto, o jeitão moleque e descolado caíram no gosto do Brasil de tal forma que a credibilidade do produto só de estar ao lado do cara que faz aqueles malabarismos todos com a bola aumenta exponencialmente.

Para justificar tanto investimento, a "Joia" divide seu preciso tempo em treino, gravações de comercial, aparições aqui e acolá. Enfim, faz o diabo dentro e fora das quatro linhas. Descanso? Nem pensar. Senão aquele trocadinho maroto não pinga fim do mês.

Daí vem a Seleção e toma o menino emprestado. Quebra as pernas do Santos que vendeu a alma ao diabo para manter o garoto aqui, bota uma pressão infernal em seus ombros para que ele repita o mesmo nível das atuações com a camisa do Peixe, desgasta o atleta e devolve às vésperas de mais uma rodada do Brasileirão na qual Neymar terá que entrar e corresponder.

Se na Seleção Neymar nem sempre vai bem - ganhando algum destaque somente contra adversários de médios para ruins - no Santos ele é o cara e não tem conversa. Porém, é visível o cansaço que se percebe no garoto. A cada pique, a cada gol, viagem, amistoso, jogo oficial, comercial, o que for, dá pra sentir as mãos impiedosas de quem guia a carreira do garoto com mãos de ferro.

Fato é que cedo ou tarde o corpo do menino vai responder. Uma lesãozinha leve para ganhar umas duas semanas de descanso ou algo mais grave, que o prejudique por um ou dois meses. O pato será pago pelo Santos, evidente. Mas, caso isso aconteça (tomara que não), o que fazer com a parcela de culpa por tudo que cerca o atleta?

Passou da hora do Santos ser mais diligente com seu patrimônio, da Seleção em preservar Neymar de jogos caça-níquel e testá-lo em partidas que realmente o farão evoluir e ser a referência que precisamos e do próprio Neymar em compreender que precisa adequar melhor seus afazeres comerciais para simplesmente se permitir um merecido descanso.

domingo, 12 de agosto de 2012

Vexame indiscutível.

Chega ao fim os Jogos Olímpicos de Londres 2012. Entre surpresas e decepções, o Brasil bate recorde de medalhas em uma edição (17 ao todo, sendo 3 de ouro) e termina em uma amarga 22ª posição no quadro geral. A colocação indigesta tem justificativa na ponta da língua de qualquer torcedor: o vexame que as seleções masculinas de futebol e vôlei proporcionaram.

A primeira fase do futebol olímpico foi o prenúncio de que havia algo estranho no ar, só não notou quem não quis. Prematuramente, a toda-poderosa Espanha e o aguerrido Uruguai deram adeus à competição ainda na fase de grupos. Disposta a encerrar o tabu dourado, a Seleção Brasileira garimpava sua trilha rumo ao sonho com ótimo aproveitamento ofensivo e grandes sustos defensivos.

Há alguns anos o vôlei é nossa segunda principal modalidade esportiva. Os resultados obtidos em quadra tanto pelos homens quanto pelas mulheres enchem o coração brasileiro de orgulho e esperança em tempos de Olimpíadas. Sob a batuta do iluminado José Roberto Guimarães, as meninas levaram o bicampeonato olímpico. Cabia a Bernardinho guiar os meninos à glória máxima também.

No caso do futebol, quando duas das três claras favoritas ao título caíram assim, sem mais nem menos, sem que nem por quê, duvido se houve algum brasileiro que não tivesse pensado "Esse ano é nosso!". Se 2012 é o ano do fim - e isso acaba justificando resultados e títulos dos mais improváveis - o ouro sonhado desde sempre estava cada vez mais tangível. No entanto, a derrota do Brasil para o México foi na contramão da lógica e apenas ratificou o tabu olímpico.

Durante a ressaca do fracasso da paixão nacional, o domingo amanheceu lindo, com sol, céu aberto e Bernardinho, Giba e Cia. vencendo a Rússia por 2 sets a 0. Subitamente, o Brasil travou. Pura e simplesmente parou de jogar. Perdeu o 3º set, depois o 4º e sofreu uma virada história no tie break com direito a massacre: 15 a 9.

É covardia comparar o nível de investimento, cobrança e expectativas em torno das duas modalidades. Porém, inegável dizer que se tratam de dois vexames vergonhosos. Reduzir essas derrotas especificamente à singela máxima de que no esporte "se ganha e se perde", ao meu ver, desvia o foco de quem clamorosamente fracassou.

Com 2 sets a 0 de vantagem e 21 a 18 no placar, o vôlei masculino tão experiente não teve a tranquilidade necessária para administrar a vantagem. Tampouco suporte psicológico e tático para resistir ao arsenal russo no 4º set. Entregue, o Brasil não ofereceu resistência no 5º e decisivo set. Parou. Amarelou, literalmente.

Já o futebol masculino não fez uma má partida, muito menos um mal torneio olímpico. Embora a seleção mexicana tenha se defendido com primor e explorado com competência os contra-ataques, o Brasil criou, tentou, finalizou (mal, verdade seja dita), até esboçou um mínimo de vontade. Abusou das falhas individuais e péssimas escolhas táticas defensivas do treinador.  Resultado: por pensar que poderia vencer de qualquer maneira, novamente o Brasil tropeça na própria soberba.

Humildade. Entendo que faltou humildade para ambas equipes. Humildade para virar uma bola de cada vez, sem pensar na euforia do pódio. Humildade para organizar melhor o time no aspecto defensivo. Humildade para ser mais coerente nas escalações, substituições e convocações. Humildade em reconhecer que, do outro lado da quadra e do campo, havia uma seleção igualmente disposta a matar ou morrer pelo ouro.


terça-feira, 12 de junho de 2012

Mano na forca

Dias após a sova que o Brasil levou da Argentina por 4 a 3 com direito a show de Messi, autor de 3 belos gols, li por aí que Mano Menezes teria ganho uma sobrevida pelas condições nas quais a derrota foi construída. Tradução subliminar: após desperdiçar uma Copa América, vai ter crédito para gastar em um eventual fracasso nas Olimpíadas e, ainda assim, chegar "inteiro" no tão esperado Mundial em nosso solo tão amado. Só podem estar curtindo com a minha cara!

Hoje não pretendo cornetar ausências, escalação, variações táticas. Darei uma colher de chá para esse assunto por enquanto.

Contudo, não adianta. Antes de começar a dizer qualquer coisa sobre a Seleção vejo-me obrigado a abrir parêntesis e, in memoriam, rezar meu mantra ranzinza e saudosista em homenagem aos tempos do professor Dunga e repetir pela enésima vez o quanto aquele senhor, vítima do maldito folclore demissionista do nosso futebol, foi importante para o resgate do brio e do respeito pela camisa amarela. Fecha parênteses.

Desabafo feito, lá vai o Brasil defender a pátria contra nossos indesejáveis vizinhos. Sob o pretexto de entrosar a equipe que vai aos Jogos Olímpicos vimos uma zaga jovem e pouco confiável, continuamos sofrendo com a lateral-direita, e permanecemos à espera da dupla de volantes perfeita para sustentar nosso incrível arsenal ofensivo.

Faz um, toma dois, vai lá e faz mais dois e toma mais dois. Que jogo, hein? Reações espetaculares de ambos os lados, uma partida emocionante de dar orgulho até no lado derrotado. Porém, eu não me incluo nesse ponto.

Ficar orgulhoso com derrota virou dogma exclusivo para os escretes de 82 e 86. No mais, sempre que perdeu  um Judas foi malhado. Verdade seja dita, não houve outro elenco que comoveu tanto quanto aqueles. Mas enfim, se a queda nas quartas-de-final na Copa América para o Paraguai e as derrotas para a seleção principal da Argentina (duas vezes), França e Alemanha não são suficientes para credenciar alguém a Judas, a Olimpíada tem a obrigação de cumprir tal papel.

Em respeito à nossa cultura em imputar a desgraça alcançada dando-se nome aos bois, a cabeça de Mano Menezes já deve ser devidamente posicionada na guilhotina para ser devidamente arrancada sob qualquer hipótese, salvo - e somente neste caso - se conquistar o tão sonhado ouro olímpico. 




quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Seleção Brasileira e eu.

"Eu não gosto da Seleção Brasileira". É essa frase que grita em minha mente quando acompanho algum jogo da Seleção. Eu não consigo ter a mínima empolgação para torcer. Não me animo em ver "a pátria de chuteiras" desfilando seu futebol. Esse arroubo de patriotismo ao ver o escrete canarinho em campo, infelizmente, talvez, não me comove.

Busco na memória quando minha aversão pelo escrete canarinho começou e lembro de quando era ainda bem menino e vi a Seleção Olímpica de 1996 ser eliminada pela Nigéria. Óbvio que não recordo detalhes, mas lembro bem de ver o gol de Kanu e aquele clima de velório tomar conta do país. Pô, eu, no alto dos meus 8 anos sabia bem quem era o Brasil e quem era a Nigéria. Perder para a NIGÉRIA? Sacanagem! 

Engraçado. Em 1994, com 6 anos eu vi o Brasil ser tetracampeão mundial. Algumas imagens dessa Copa me marcaram bastante. Juro que se eu forçar um pouco sou capaz de lembrar, pelo menos, alguma coisinha de cada partida daquela vitoriosa campanha. Comemorei com minha família na casa da minha madrinha o feito inédito. Fogos, gritaria, sensacional!

Eu não tinha a mínima noção de tática. Para mim, importava ganhar. Se o time ganhasse era bom e estava de bom tamanho. Aquela formação de 94 que era limitada, amarrada e tão criticada despertou meu amor pelo futebol de resultado. Arte? Que mané arte! Eu quero ganhar!

E veio 1996. Depois disso, lembro de ter comemorado ironicamente a derrota para a França. É, eu ainda estava de mal do Brasil, time bobão. A partir dos anos 2000 comecei a amadurecer minha observação de futebol, a curtir mesmo a parada e em 2002 eu não tinha mais aquela birra infantil, era desdém. Não me preocupava em torcer contra. Não ia comemorar se ganhasse nem acharia de todo ruim se perdesse.

Hoje, vendo bem, aquele time tinha Felipão, que levou o time na unha construído na base do meu querido 3-5-2 (ou 7-0-3, como queiram) era composto por atletas que realmente jogavam com vontade, com culhões. Scolari peitou o país, levou quem quis e fez com que sua "família" repetisse o feito do desconfiado esquadrão do tetra.

Minha indiferença persistiu nos anos seguintes, mesmo com o penta. Ah, uma observação com cara de exceção. A Seleção somente ganhava meu apoio incondicional nos duelos contra a Argentina. No mais, tanto fazia. Afinal de contas, se o Brasil ganha, quem perde? Vou tirar sarro de quem? E quando ganha, todos ganham, ora. Não tem graça. Não me apetece.

Até que em 2006 veio o papo de Parreira e o quadrado mágico. E aquele time capenga. Muita farra na concentração, muito desinteresse, o início dos problemas físicos de Ronaldo e Adriano. E a porcaria de quadrado mágico. Parreira, técnico que admiro muito, deve ter sido forçado a escalar o time daquela forma, ninguém me tira isso da cabeça. O meio todo aberto, sem pegada, meio desorganizado, displicente. E o desdém voltou. Com aquele time especificamente eu, lá no fundinho, torci contra. Sentia-me ofendido, sem brincadeira.

Foi quando tive um surto de patriotismo. Quando Dunga assumiu o comando da Seleção e começou a colecionar massacres contra a Argentina e outras potências com um time recheado de atletas renegados, contestados, porém, besuntados no óleo da hombridade e esbanjando garra e disposição comecei a ver a Seleção com outros olhos.

O triste fim de Dunga, um vencedor com a Amarelinha seja dentro ou à beira das quatro linhas, fulminado pela ridícula cultura brasileira em se demitir treinador em razão de uma derrota inesperada (Oi? Em mata-mata de Copa a única coisa que se espera é a vitória?!) novamente me deixou órfão. 

Agora, sob a batuta de Mano, vejo o fantástico futebol brasileiro surrar o mediano time dos EUA. Vejo o rebelde Oscar jogar muita bola, Neymar e Marcelo infernizarem a zaga adversária pelo lado esquerdo. Hulk garimpar seu espaço jogando com eficiência. Torço o nariz para Damião e sua falta de tranquilidade nas conclusões ou de habilidade em fazer algo diferente do que ficar plantado no meio da zaga adversária, e com esse lado direito que parece ser o ponto fraco da esmagadora maioria dos clubes brasileiros.

Vem à tona o lance de Copa no Brasil. De construção dos estádios, dos investimentos que serão feitos, da corrupção em torno das verbas destinadas a tais fins. E fico mais puto em pensar em corrupção e toda aquela zona que fazem com o meu dinheiro. Paro e lembro que a Seleção de 70, eternamente cultuada pelo futebol apresentado, foi pano de fundo para a ditadura militar. Começo a enlouquecer ao estabelecer que o próprio futebol em si faz parte do maldito pão-e-circo que subliminarmente nos é distribuído.

Acaba o jogo. O Brasil goleia os EUA por 4 a 1. Um pênalti duvidoso, um gol de cabeça em falha da zaga e do goleiro, outros dois em belas tramas ofensivas. Sofreu um gol evitável. Um jogo agradável de se ver, bem movimentado. O juiz apita. Termino o post, atualizo o blog e vou dormir esperançoso. Agora, só faltam 7 dias para o Brasileirão voltar.