quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sem estresse.

Libertadores e Corinthians estão unidos pelo estresse. A fase de grupos é retiro espiritual perto do que o mata-mata reserva. Por mais confortável que seja determinado resultado, enquanto a bola não parar de rolar haverá uma eterna faca em seu pescoço.

Nesta noite, em duelo válido pelas oitavas-de-final, o Corinthians tinha que lutar contra o nervosismo de jamais ter ganho o torneio e contra a ansiedade em buscar os gols para construir um resultado seguro. O empate sem gols conquistado no Equador era ótimo. 

No entanto, um inesperado empate com gols daria a vaga ao Emelec, que já havia operado dois pequenos milagres ao bater o Flamengo e conquistar sua vaga sobre o Olimpia com gols nos acréscimos. A julgar pela atuação regular dos comandados de Tite, esperava-se controle do meio-campo, poucos sustos e chegadas constantes no ataque.

Por sorte, o Timão nem deu oportunidade para sua torcida preparar os terços. Demorou somente 6 minutos para perceberem que o ponto fraco do Emelec era o lado direito. Alex lançou Emerson, que cruzou para a área. A zaga vacilou, Fabio Santos brigou como um centroavante e abriu o placar. Fácil como no videogame.

Desfeita a adversidade no placar, esperava-se que o Timão começasse a jogar como gosta. Colocar a bola embaixo do braço e trabalhá-la como bem entender. Não foi bem assim. O gol acordou os equatorianos e até os 20 minutos ameaçaram incomodar o clube paulista. Porém, quando atacado, defendia-se bem encurtando espaços e, logo ao recuperar a bola, já buscava lançar Willian e Emerson para puxar os contra-ataques.

Nitidamente o Corinthians parecia ter pisado no freio tão logo abriu o placar. Aquele ar de "vou resolver quando eu quiser" tomou força quando Paulinho recebeu na área, dominou bonito e bateu forte para linda defesa de Dreer. No lance seguinte, exploraram o frágil lado direito do adversário com Emerson cruzando para Willian antecipar-se à marcação mas bater por cima.

Então o jogo ficou morno. Limitado, o Emelec não sabia como atacar. Muito superior, o Corinthians tropeçava no preciosismo para concluir suas tramas ofensivas. Contudo, o que qualquer alma no Pacaembu sabia era que  o segundo gol tinha que sair o quanto antes. Correr o risco de levar um gol besta e bater aquele desespero em ter que virar o jogo era um pensamento de arrepiar. Um golzinho do Emelec significaria mais um ano na fila.

Se o lado direito defensivo era precário, o ofensivo mostrou-se insinuante. Ainda que um tanto desorganizados, os equatorianos ensaiavam chuveirinhos por ali. O máximo que conseguiram foi pseudo-assustar a torcida com alguns escanteios ou bolas alçadas na área. No mais, mais do mesmo. 

Quando o Emelec sonhava crescer no jogo, o Corinthians lhe dava um cascudo para acordar. Aos 40, Danilo é lançado e ajeita de cabeça para Paulinho, livre, escorar na trave. Foi o retrato do primeiro tempo. Um Corinthians regular, seguro, mas displicente nas finalizações. Cássio? Mero espectador. 

Para a segunda etapa, uma baixa: Edenílson machucou e Alessandro entrou. Seis por meia dúzia. O Emelec voltou à procura de um gol e sonhando em repetir a sorte defensiva dos primeiros 45 minutos. Logo no primeiro minuto, Chicão faz jogada perigosa na entrada da área. Na cobrança, Cássio espalma pancada de Valencia e tranquiliza a torcida.

Cinco minutos mais tarde, Paulinho cruza da direita e Alex, sozinho no meio da área, erra o voleio e isola. Mais lúcido, os equatorianos começaram a se arriscar mais. Embora não criassem chances concretas de gol e exigissem intervenções de Cássio, rodeavam os flancos de maneira inconveniente.

Estranhamente, o Corinthians recuou. Abriu um pequeno abismo entre o meio-campo e o ataque de tal maneira que os contra-ataques saíam um tanto capengas. Emerson e Willian, pilares do ataque, estavam muito distantes um do outro. Para piorar, Danilo não estava em noite iluminada. Alex, mesmo pouco produtivo, aparecia para tentar alguma coisa.

Nem o irritante pragmatismo de Tite foi capaz de instigar o Emelec. Pelo contrário, só corroborou a naturalidade com a qual sua equipe joga. Aos 16, a primeira escapada decente do segundo tempo. Claro, pela esquerda. Danilo avança, cruza para o meio, Emerson faz o corta-luz e Paulinho invade a área, se atrapalha e perde a bola. 

Três minutos depois, o Timão finalmente resolveu a parada. Em cobrança de falta, Chicão levanta na área e encontra Paulinho para, sem marcação, desviar para o gol. 2 a 0, sem susto, sem nervosismo. 

Daí em diante é história. O Emelec saiu desesperado e sequer conseguiu uma finalização decente. Desta vez, pelo menos testou as saídas de gol de Cássio, que respondeu bem em todas elas. Para mim, impressionou seu posicionamento e a segurança que transmite. Isso contrasta bastante com o clima de Libertadores e tal frieza é indispensável para a posição.

Deu tempo para Alex receber de Danilo e bater cruzado para vencer Dreer e dar números finais à partida: 3 a 0, repita-se, sem sustos, sem nervosismo.

Fato é que essa vitória tranquila diz muito sobre o Corinthians e, ao mesmo tempo, pouco face o nível do adversário. Uma equipe forte no meio-campo e com um ataque perigosíssimo. Estável, regular, segura. Tem as laterais como ponto fraco e exagera na retranca e na cautela quando atua fora de casa. 

Esbanjou tranquilidade e competência para construir o resultado diante de um rival tosco. E é aqui que mora o perigo. Não era um placar complicado de reverter e o adversário era simplesmente ridículo ofensivamente. Mesmo com muitas virtudes, a impressão final depois da classificação às quartas-de-final é a de que o Corinthians ainda não foi devidamente testado no torneio. 

Vasco? Sim, este pode causar algum estresse.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O porco subiu no telhado.

Desmanche não. Reformulação. É um termo mais pomposo e menos traumático para referir-se àquelas mudanças providenciais no elenco. O Palmeiras, que deixou bem encaminhada sua classificação às quartas-de-final da Copa do Brasil, passa por uma. A 12 dias do início do Brasileirão, seis atletas já saíram (o que comprometeu consideravelmente nossa Análise de Elenco, veja aqui) e nada de reposição. Sinal amarelo piscante pelos lados do Palestra...

Tinga, Gerley, Fernandão, Ricardo Bueno, Chico e Pedro Carmona foram os escolhidos para puxar a fila. Se o intuito era deixar o elenco mais enxuto, a diretoria acertou em cheio. Agora, se a ideia era substituir peças não muito boas por outras melhores não é o que parece até aqui.

Felipe, que estava no Mogi, volta de empréstimo. Mazinho e Fernandinho vieram do Oeste. Com todo o respeito aos recém-chegados, o Palmeiras hoje precisa de alguém que chegue, vista a camisa e resolva. Pá-pum! Para ontem. 

Podem surpreender e calar todos que observam suas qualidades com canto de olho? Sim. Só que uma coisa não tira a necessidade de outra. São rapazes que se destacaram em agremiações menores e, de repente, caem de para-quedas num clube grande, de torcida e diretoria apaixonadas sendo que ambas, invariavelmente, perdem o controle ou a noção em suas manifestações.

É bem verdade e merece a devida consideração que o momento financeiro do clube não permite extravagâncias. E isso, apesar de ir de encontro ao que disse acima, obriga o Verdão a fazer suas apostas. Só que me chama atenção o clube ter dispensado alguns atletas que, ao meu ver, seriam perfeitamente úteis dentro do elenco.

Fernandão, grandalhão, pouca mobilidade, referência na área. Pode não ter a estrela de um Washington e, mesmo contestado e na reserva, marcou 3 gols no Paulistão. Um deles na virada contra o Santos. No aperto, joga ele na área! Segura até o final da temporada ou até encontrar alguém melhor, com as mesmas características.

Chico, volante, cabeça-de-área, alto, pegador. Limitado? Com certeza. Mas era alguém! Aumentava a pegada no meio e ajudava na bola aérea. Foi pouco aproveitado, foi inconstante quando entrou, mas era alguém!

Além de Fernandão e Chico, estaria propenso a segurar Carmona no elenco nem que fosse para dar uma derradeira chance. Ele é tão pior assim que Felipe? No mais, concordo com os afastamentos.

Belluzzo arrombou os cofres do Palmeiras? Sim. Mas gastou com Valdívia, Kleber, Muricy, Diego Souza, Vagner Love. Por que não deu certo? A defesa era ruim? Não havia reposição? Boicote do elenco? Sei lá, escolham uma desculpa aí.

Tirone herdou o clube falido e, na sua única manobra mais ousada, foi traído pelo acaso. Ah, Wesley...que hora para se lesionar! Em seguida, eliminação para o Guarani. Pronto. Caos.

E no meio do turbilhão, sobrou voltar os olhos para a política do "bom e barato" - também conhecida como "peloamordedeus dê certo" - foi a única saída para buscar controlar a crise. 

Vale lembrar que o time do Palmeiras continua competitivo. Contudo, o elenco está perigosamente fragilizado, principalmente o meio-campo. Sem grandes opções, só resta aguardar o início do Brasileirão, a vinda de mais um ou outro reforço e ver quais surpresas esses jogadores preparam para a torcida.

(Em tempo: Mantenho o palpite. Palmeiras, mesmo com forte tendência a ficar na zona intermediária, vai brigar por uma vaga na Libertadores)









domingo, 6 de maio de 2012

Paulistão 12 - Final (1º jogo - Guarani 0 x 3 Santos)

Domingo de final no Paulistão e em muitos estaduais Brasil adentro. 

Guarani e Santos foram os mais competentes este ano e chegaram para uma inesperada final. Inesperada por parte do Bugre, claro. Mas, sobretudo, uma final justa. Quer dizer, justa até a página dois. Afinal, a decisão da FPF em colocar ambas partidas no Morumbi tirou força considerável principalmente do Guarani em buscar equilibrar o confronto. 

Bom, a julgar pelo potencial de cada clube o triunfo santista era questão de tempo. Otimistas pregavam que o Bugre poderia complicar a vida do Peixe em ambos jogos. Já os mais xiitas apostavam que o Santos já colocaria uma mão na taça hoje. 

Infelizmente, foi o que aconteceu. O placar é incontestável. O suposto domínio campineiro em meados do primeiro tempo sucumbiu com o tiro de Ganso aos 42 minutos da primeira etapa. Até o gol, a única grande jogada de perigo criada pelo Santos foi em cobrança de falta de Elano aos 2 minutos de bola rolando que encontrou o travessão.

A primeira etapa, em tese, foi do Guarani. Marcou bem, anulava as ações ofensivas do Peixe e vinha para o ataque como dava. Sentiu demais a ausência da Oziel na direita e Fumagalli na articulação. Para piorar, perdeu o zagueiro Neto, um dos destaques do time, também lesionado. Tivesse um pouco mais de qualidade e tranquilidade poderia ter aberto o placar com Medina, aos 15 minutos.

No mais, o Bugre era muito coração, muita correria para pouca organização. Tranquilo, o Santos defendia-se de maneira competente e avançava sem afobação. Foi assim que chegou ao gol. Neymar escapa pela esquerda e toca para o meio. Arouca protege e Ganso, da entrada da área, começa a reger o show.

O segundo tempo reservava mais Santos, mais Neymar e menos Guarani. A sina do Bugre estava selada e foi facilmente possível perceber isso logo no primeiro lance. Bruno Recife recebe na esquerda e solta o pé. Aranha salta, defende com um braço, faz que vai no canto e...na trave! Pronto. Azedou de vez.

Elano bate outra falta no capricho e Emerson manda para escanteio. Pressão do Santos. Guarani passa a errar passes bobos e não se encontra ofensivamente. Era a deixa que o Peixe queria. Aos 20, Juan dá passe açucarado para Ganso, que invade a área e é desarmado pelo bote do goleiro Emerson. Mas a estrela de Neymar começou a brilhar. No rebote, o craque bate cruzado e amplia: 2 a 0.

Pane em Campinas, festa na Baixada. Perdido em campo, o Guarani não conseguia ameaçar Aranha nem em sonho. E viu o campeonato cair no colo do Santos no finalzinho da partida. Aos 46, Neymar novamente recebe na esquerda, limpa dois marcadores e fulmina alto, sem chances para Emerson. 

Três a zero. Três vezes Santos, o virtual tricampeão paulista.


(Ainda sobre o Santos, você pode conferir a 'Análise de Elenco' do Peixe clicando aqui. Confira!)




 

Análise de Elenco - Santos

O Brasileirão está chegando e nossa "Análise de Elenco" está prestes a alcançar o 20º clube. Restam somente 4 clubes a serem servidos e o de hoje é todo especial.

Finalista do Paulistão, atual campeão da Copa Libertadores, atual bicampeão estadual, o Santos é o time do momento desde 2010 quando levou Paulistão e Copa do Brasil. Ano passado, repetiu a dose regional e reconquistou a América. Perdeu o Mundial, mas e daí? Tem Ganso, tem Neymar - disparado o melhor jogador brasileiro em atividade - tem um elenco de qualidade e um técnico de ponta. 

Em suma, parafraseando Milton Neves, hoje, "torcer para o Santos é uma grande moleza".  


GOLEIROS - Aranha, Rafael, Vladimir, Gabriel Gasparotto - Às vésperas de completar 22 anos, Rafael é, ao meu ver, o goleiro do futuro da Seleção. Titular do Peixe desde o segundo semestre de 2010, já computa uma Libertadores no currículo. Jovem, ainda tem muito a evoluir. Contudo, o semblante sério, o bom posicionamento e os reflexos apurados transmitem segurança sob as traves. Aranha, ex-Ponte, talvez seja um dos melhores goleiros reservas à disposição. Mesmo à sombra do garoto, também tem qualidade. Ainda que visivelmente acima do peso, Aranha colaborou no triunfo sobre o São Paulo que colocou o time na final do Paulistão. Experiente, não sente a pressão por substituir o titular e faz partidas regulares, sem sustos. Vladimir, 3º goleiro, fecha o setor pouco aparecendo.


LATERAIS - Crystian, Fucile, Juan, Léo, Maranhão, Paulo Henrique - Bons nomes. A emblemática lateral-direita que perdeu os improvisados Danilo e Pará, hoje parece arrumada. Fucile chegou e deu estabilidade. Não enche os olhos, porém não compromete. Não é um primor no apoio tampouco um defensor nato. Regular, apenas. Maranhão, que vive uma onda titular, tem aparecido bem. Melhor à frente, claro. Defensivamente preocupa. Juan, ex-São Paulo, também ajeitou o lado esquerdo. Como a maioria dos bons laterais-esquerdos brasileiros, muito bom no apoio e uma lástima na defesa. A passagem apagada pelo São Paulo fez Juan subir de produção no Santos. Não é aquele Juan do Flamengo, mas melhorou consideravelmente. Léo, veterano, ainda tem lenha para queimar. Pouca, é verdade. Experiente e parte das principais conquistas o Peixe, o ídolo só perde para Juan na parte física. Técnica, tem de sobra. 


ZAGUEIROS - Bruno Rodrigo, Durval, Edu Dracena, Jubal, Rafael Caldeira, Vinícius - Boa, porém carente. Dracena, capitão, e Durval são os titulares. Bons zagueiros, sem dúvida. No chão e no alto, firmes no desarme, jogam com seriedade e posicionam-se bem. Ponto fraco: um tanto lentos. Precisam de proteção porque, se saírem cara-a-cara com o velocista adversário, um abraço. Bruno Rodrigo, reserva imediato, não faz feio. Embora inferior aos titulares, não costuma falhar quando exigido. A questão é que falta mais alguém no grupo. Por mais qualidade que os três garotos tenham, é necessário alguém mais experiente para fortalecer o setor.  


VOLANTES - Adriano, Henrique, Alan Santos, Alison, Anderson Carvalho, Arouca, Gerson Magrão - Ótimos. Adriano, um carrapato na marcação. Faz o trabalho sujo do time que mais encanta o Brasil ofensivamente. Arouca encontrou no Santos o time que precisava para seu talento florescer de vez. Ao aprimorar a marcação, tornou-se um dos melhores volantes do Brasil. Corre o campo todo, marca, distribui o jogo e aparece bem o ataque. Ótimo jogador. Henrique, ex-Cruzeiro, é grande opção. Tem estilo semelhante ao de Arouca. Marca e sai para o jogo. Bom reserva, sem sombra de dúvidas. Gerson Magrão pode, inclusive, atuar na lateral-esquerda. Ainda sem jogar, pouco se sabe de suas atuações pelo Dínamo de Kiev. Se lembrar aquele que saiu do Cruzeiro, bom reforço. 


MEIAS - Breitner, Elano, Felipe Anderson, Ibson, Paulo Henrique Ganso, Pedro Castro, Bernardo - De cara, Ganso, o meia mais cerebral do Brasil. Visão de jogo ímpar, coloca a bola onde quer. Finaliza pouco, eis algo que poderia aperfeiçoar. No entanto, seu passe preciso e as tabelas inteligentes que articula compensam quaisquer deficiências. Elano e Ibson duelam pela vaga ao seu lado. Para mim, Elano é a melhor opção. Além de participar efetivamente das tramas ofensivas, fecha bem na marcação. Compõe bem o meio-campo, dá equilíbrio. E pega bem na bola, outro ponto que lhe é favorável. Ibson, que pode deixar o time rumo ao Flamengo, melhorou em 2012. Mais participativo esta temporada, também é notado pela qualidade na armação e nos arremates. Entretanto, sem a eficiência defensiva de Elano. Bernardo, ex-Vasco, chega para ser opção de velocidade e habilidade na articulação. É outro que ainda não atuou e espera-se que repita as atuações do clube carioca. Felipe Anderson, garoto da base, fecha o grupo e é opção semelhante a de Bernardo. 


ATACANTES - Alan Kardec, Borges, Neymar, Dimba, Renteria, Tiago Alves - Neymar ponto. Pela obediência à proposta do post saliento os fatos notórios e já sabidos de cor e salteado. Rápido, habilidoso, mortal. Dribla com facilidade e arremata com precisão. Frio. Decisivo. E alegre. Sem ele o Santos perde muito, por melhor que seja seu elenco. Borges vive péssima fase. Ao meu ver, é limitado. Contudo, reconheço que protege bem a bola e faz bom pivô. Artilheiro do Brasileirão passado, desnecessário ressaltar que é um grande matador. Só que a bola precisa chegar redonda. Faz mais o estilo oportunista que brigador. Tanto que é facilmente anulável. Alan Kardec está em grande fase. Alto e rápido, deu mobilidade ao ataque que ficava preso à inércia de Borges. Tem feito gols importantes, como no empate contra o Inter, no Beira-Rio, pela Libertadores. Renteria chegou e pouco atuou. Não lembrou aquele bom atacante do Inter. Dimba, outra promessa da base, é opção ainda a evoluir.

TÉCNICO - Muricy Ramalho - Ótimo treinador. Tricampeão brasileiro pelo São Paulo, também levou o caneco pelo Fluminense em 2010. Chegou ao Santos em 2011 e já levou Paulistão e Libertadores. No Peixe, não está tão irritadiço como nos tempos de Morumbi. Também abandonou as famigeradas "muricyces", aquela invencionice que só o treinador entendia ou julgava interessante. Muricy foi uma das melhores contratações do Santos nos últimos anos. O fantástico time de 2010 dava show, porém sofria gols com a mesma facilidade que os fazia. Sem abrir mão de uma boa marcação, Muricy provou que sabe jogar bonito, para frente, sem descuidar da defesa. Explora o máximo do talento ofensivo de sua equipe e posiciona bem os jogadores para defender. 

ANÁLISE GERAL - Ótimos jogadores em todas as posições. De um goleiro jovem - e já experiente - a um ataque composto pela maior promessa do futebol brasileiro, o Peixe tem um elenco "santástico". De urgente, falta um reforço para a zaga, No mais, boas reposições para volante, meio, ataque. Até para as laterais quebra-se um galho! É uma equipe que ataca incrivelmente bem e defende-se com segurança. Muricy, excelente treinador, faz boas leituras de jogo e tem subsídios para efetuar boas substituições. Sobretudo, é um time maduro, focado e acostumado à decisões. 

RESULTADO - A maré do Santos está em alta e sabe-se lá onde vai parar. Não é somente pelo fato de contar com Neymar. É ter o jovem craque e toda uma gama de atletas que auxiliam a Joia a arrebentar partida após partida. Como dito, é uma equipe regular e madura. Portanto, impossível não credenciá-la ao título nacional.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Diretoria são paulina “poupa” Paulo Miranda de criticas


O torcedor são paulino que acompanha O Boteco Esportivo deve estar acompanhando toda a polêmica sobre o afastamento temporário de Paulo Miranda do time do Morumbi. O zagueiro foi cortado da concentração no dia do jogo contra a Ponte Preta e deu lugar a Edson Silva. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, disse que o corte aconteceu horas antes da partida pela Copa do Brasil porque a relação dos titulares só foi passada pelo treinador Emerson Leão durante o almoço na concentração. (Leia entrevista completa)

A justificativa dada para o afastamento do jogador é que ele precisa ser “preservado”. O diretor Adalberto Baptista disse durante entrevista ao programa Jogo Aberto, da TV Bandeirantes, que Paulo Miranda ficará fora também do próximo jogo contra a Ponte Preta e que o “caso vai ser analisado posteriormente”. Portanto, dá a entender que a volta dele ainda é uma incógnita.

Paulo Miranda treina com reservas no CCT da Barra Funda
Foto: Luiz Pires/Vipcomm

Jogadores logicamente estão incomodados com a postura da diretoria, mas não assumem publicamente temendo represálias. A presidência de Juvenal Juvêncio passa a ser, novamente, alvo de críticas pela “truculência” adotada. Não é a primeira vez que atletas são “preservados” no São Paulo. Nesse ano, já passaram por processo parecido, o lateral direito Piris e também o meia Jadson. Mas, no caso deles não existiu tanta repercussão porque os jogadores foram “vetados” dias antes de partidas que o São Paulo disputaria pelo Campeonato Paulista ou até mesmo pela Copa do Brasil.

Nessa sexta-feira, o São Paulo treinou e o diretor de futebol, Adalberto Baptista, apareceu no CCT da Barra Funda, mas não concedeu coletiva para os jornalistas. O treinador Emerson Leão que deu as explicações e falou o teor da conversa com o dirigente são paulino.

"Hoje o assunto foi Paulo Miranda. Ele(Adalberto Baptista) disse que realmente foi um caso maior do que se pensava".

Pois é, a repercussão foi grande e desastrosa para a imagem do São Paulo. E vocês são paulinos acharam certa a decisão???? Agora, no foco do "furacão" está também na famosa briga sem fim pela taça das bolinhas, que hoje está em poder do São Paulo. Mais uma vez, ela tem que ser devolvida e já foi autorizada até a força policial, se necessário. Qual vai ser a postura dessa vez???


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Corinthians e São Paulo vivos.

Nesta fria quarta-feira, Corinthians e São Paulo entraram em campo para exorcizar o fantasma da eliminação do Paulistão. Enquanto o Tricolor enfrentou o algoz do Timão, a Ponte Preta, o Corinthians foi até o Equador encarar o Emelec.

Não foram grandes partidas. Mas tiveram suas doses de emoção.

O Corinthians travou um duelo contra os próprios nervos. Suportou o esforçado catado equatoriano sem se expor tanto. Poderia até ter arriscado mais. 

Motivado pela torcida, o Emelec atacava como podia. Deu ótima contribuição para testar Cássio, novo titular da meta corinthiana. É bem verdade que carimbou o travessão do clube paulista. E que o Timão voltou nervoso para o segundo tempo. Que o diga Jorge Henrique, expulso. 

Só que os equatorianos são muuuuito limitados. A partida de volta tem tudo para ser tranquila. Com Pacaembu lotado, Cássio mais leve em relação à estreia e os pés de Liédson calibrados o Corinthians atropela e fica na espreita para ver quem sai de Vasco x Lanús (vitória cruz-maltina por 2 a 1, em São Januário, com direito a golaço de Diego Souza).

A impressão que ficou da partida morna de hoje é que o Corinthians deu sopa para o azar. Deixou um time infinitamente inferior gostar do jogo. Parecia preguiça em impor seu ritmo cadenciado, trabalhar as jogadas com calma. Tivesse o adversário um tiquinho assim a mais de qualidade e o Timão poderia ter cavado a própria cova.

Após a expulsão de Jorge Henrique era rezar para o jogo acabar logo e resolver em São Paulo. Deu certo. Todavia, grande parte dos pequenos sustos de hoje são evitáveis e os vejo atrelados muito mais ao nervosismo do que à displicência propriamente dita. Como dito em outros posts, atenção!

E o Tricolor foi até Campinas encarar a Ponte Preta. 

Horas antes da partida, a diretoria comunica o afastamento do então titular e intocável Paulo Miranda. Ficou um clima azedo no ar, uma espécie de mal entendido. A princípio, não se esperava uma reação negativa por parte do elenco. De Leão, talvez. 

Depois de um primeiro tempo bastante movimentado, com chances e bolas na trave de ambos os lados, com ligeiro domínio tricolor, a Ponte acordou. A Macaca simplesmente dominou a segunda etapa e chegou ao gol com Roger. 

Visivelmente abalados, abatidos o time do São Paulo não encontrou forças para esboçar reação. Poucas chances criadas, um pênalti não marcado em Luis Fabiano, muito nervosismo e pouco futebol. Aliás, após a partida, Fabuloso disse que o grupo sentiu o baque do afastamento do zagueiro e reconheceu a má atuação. Dica para o desempenho relapso desta noite?

Na coletiva, Leão sutilmente mostrou sua insatisfação, no entanto, sem fazer estardalhaço. Por fim, preferiu fazer o discurso otimista de que é possível reverter o resultado.


Ao meu ver, a missão do Corinthians é mais tranquila. Caldeirão, vitória simples garante, ou seja, vivinho da silva. Basta controlar a ansiedade e o nervosismo, chaves para quem quer chegar longe na Libertadores.

Já a parada do São Paulo é mais ingrata. Precisa de dois gols para avançar, não pode sofrer gol, precisa controlar os problemas internos e a pressão de também correr atrás de um título inédito. Ainda que no caso do São Paulo a pressão seja por uma conquista qualquer, pois não dá as caras desde 2008.

Terminarão como o ditado "entre mortos e feridos todos se salvaram"?




terça-feira, 1 de maio de 2012

Análise de Elenco - Portuguesa

Na sequência da seção 'Análise de Elenco', falemos do time que encantou e decepcionou o Brasil em questão de meses. Campeã da Série-B ano passado, a Portuguesa ganhou o apelido de "Barcelusa" pelo ótimo futebol apresentado na campanha do título. Um futebol ofensivo, repleto de tabelas, gols...

Mas veio 2012 e, inexplicavelmente - nem tanto assim, talvez - o futebol envolvente desapareceu. Com a saída de peças importantes, a Lusa não repôs o elenco com qualidade e surpreendentemente terminou rebaixada no Paulistão-12.

A queda culminou com o afastamento de alguns atletas do elenco sob a estranha alegação de "falta de comprometimento" (que nesta análise serão considerados integrantes, para efeito de eventual reaproveitamento) e na saída de Jorginho (embora este tenha pedido as contas). Em suma, céu nebuloso pelos lados do Canindé. Vamos radiografar o elenco para verificar até onde pode a Lusa se superar neste Brasileirão:


GOLEIROS - Weverton, Tom, Rodrigo Calaça - Problemas. Weverton é muito bom goleiro. Um dos grandes destaques do time campeão ano passado, Weverton chegou a barrar o emprestado Bruno, hoje titular do Palmeiras. Está envolvido em uma polêmica atualmente. Por ter assinado um pré-contrato com o Atlético-PR, foi afastado alguns jogos em razão da negociação. Rodrigo Calaça entrou e foi um fiasco. Falhou constantemente, não passou segurança alguma e Jorginho voltou com Weverton à posição. Não se sabe se conseguirá a anulação do pré-contrato e permanecer na Lusa. A única certeza é que se sair, é necessário contratar com urgência.

ZAGUEIROS - Diego, Rogério, Renato, Leandro Silva, Gustavo - Limitados. Gustavo, afastado, viria como bom reforço para o setor. A experiência de quem foi coadjuvante em Palmeiras, Cruzeiro, Vasco e Botafogo poderia ser de grande valia para a Lusa. Rogério viveu bom momento ao lado de Mateus, negociado com o Cruzeiro. Não é técnico como o antigo parceiro mas, ao meu ver, não deve para outros zagueiros médios de "time grande". Joga sério e com raça. Costuma aparecer bem nas bolas aéreas. Renato, criado nas bases do Corinthians, após alguns empréstimos chega à Lusa para ganhar, finalmente, uma boa sequência de jogos. Muito jovem, mas bem regular, ainda tem muito a evoluir. Diego e Leandro Silva fecham o setor.

LATERAIS - Luis Ricardo, Ivan, Marcelo Cordeiro, Raí, Alê - Luis Ricardo era atacante, fazia lá seus golzinhos, mas se encontrou na lateral. Sem brincadeira, considero-o um dos melhores do Brasil. Não faz feio na marcação, ainda que não seja seu forte, apoia com qualidade e velocidade. Bom jogador! Marcelo Cordeiro é outro que me agrada bastante. Rápido e habilidoso, é arma para contra-ataques e tramas ofensivas. Pelo estilo, também peca na marcação. Ao meu ver é outro bom jogador que sempre ficou à sombra de outros um tanto melhores. Kleber no Inter, Cortez no Botafogo são dois exemplos de laterais-esquerdos acima da média que ofuscavam o rendimento de Cordeiro. Enquanto ele se recupera de lesão, Raí atua no setor e não tem ido mal não. Ivan, jovem da base, é opção para o lugar de Luis Ricardo.

VOLANTES - Guilherme, Léo Silva, Bruninho, Wilson Matias, Boquita - Regulares. A cabeça-de-área tornou-se um problema após a saída de Ferdinando e Ademir Sopa. Léo Silva não repete as boas atuações dos citados. Boquita, ex-Corinthians, é versátil. Pode jogar mais recuado ou mais avançado na meia. Particularmente, não o considero mau jogador. Contudo, apesar do bom chute, erra muitos passes. Wilson Matias chegou do Inter após a queda para no Paulistão. Depois da passagem apagada pelo Colorado, Wilson ainda se adapta à Lusa e não tem feito más partidas. Melhorou a qualidade da marcação e do passe na meia cancha. Guilherme é alvo da cobiça do Timão. Fez uma ótima temporada 2011, assim como toda a equipe. Bem na marcação e no apoio, tem boa presença física e distribui bem o jogo.

MEIAS - Henrique, Maylson, Jean Mota, Michael, Diego Souza - Três atletas estão dentre os afastados. Diego Souza, aquele ex-Palmeiras; Michael, também ex-Palmeiras e Santos, que pode atuar na lateral inclusive; e Maylson, meia promissor ex-Grêmio. Contesto a qualidade e o rendimento de Diego Souza. Agora, Michael pela polivalência e Maylson pela habilidade e velocidade poderiam trazer mais-valia ao grupo. Dos efetivamente aproveitáveis sobrou Henrique. Cria da própria base de Lusa, é um meia interessante. Rápido, habilidoso e bastante participativo. Boa arma para abrir brechas na defesa adversária.

ATACANTE - Vandinho, Rodriguinho, Ananias, Ricardo Jesus, Wilson Junior - Vandinho está entre os afastados. No currículo, empréstimos apagados por São Paulo e Flamengo. A fama de matador fica escondida diante de tantos clubes que já visitou. Ao que parece, ou tem problemas de adaptação ou é ruim mesmo. Ananias é o motorzinho do ataque. Pode atuar mais recuado e jogar como Henrique. Ricardo Jesus foi o 3º artilheiro da Série-B em 2011 pela Ponte Preta. Contratado para ser o homem-gol da Lusa, o centroavante é um tanto irregular. É capaz de fazer dois gols no jogo e desperdiçar outras dezenas. Rodriguinho, segundo atacante e ex-Fluminense, fecha o setor.

TÉCNICO - Geninho - Campeão Brasileiro em 2001 com o Atlético-PR. Eis o feito da carreira do experiente treinador. Experiência. Isso é tudo que Geninho tem a oferecer para uma Lusa em crise. Médio. Não banca o 'Professor Pardal' mas está longe de ser um estrategista nato. Desde 2004 tem uma média de dirigir 2 clubes por ano. Nem sempre pelo bom trabalho. Invariavelmente por não mais conseguir bons resultados. Pelas circunstâncias, é possível que Geninho possa organizar a Portuguesa, porém, não há material humano que o faça traçar grandes planos. Ou seja, se não fizer milagre, está com a corda no pescoço.

ANÁLISE GERAL - É bem verdade que a Lusa 2012 mudou consideravelmente em relação à Barcelusa 2011. As saídas de Mateus, Marco Antonio e Edno aliadas à falta de planejamento da diretoria em trazer reforços de qualidade começaram a render prejuízos logo no primeiro semestre. O elenco tem alguns valores individuais, principalmente nas laterais, ao meu ver. Falta mais pegada no meio, mais um meia de criação e outro matador que seja opção a Ricardo Jesus. A chegada de Geninho às vésperas do Brasileirão não é de todo animador. O time será montado às pressas e a base de muita pressão.

RESULTADO - Se no Paulistão não foi capaz de ficar entre os 8 melhores, como esperar algo melhor na principal competição do país? A inesperada queda no estadual, a saída de Jorginho e as ameaças a Guilherme compõem o turbulento cenário que Candinho, novo diretor de futebol, e Geninho terão que contornar para manter a Lusa na Série-A. Ou seja, brigará feio para não cair.