segunda-feira, 17 de março de 2014

Grafite, in memoriam

Craque e ídolo são termos cruelmente banalizados atualmente, principalmente o primeiro. No entanto, para ser ídolo não é preciso talento igual ao de um craque. Basta ser raçudo. Ou sortudo. Ou oportunista. Ou eficiente. Ou engraçado. Ou grosso. Ou gordinho. Não importa, há infinitas variantes. Mas, infelizmente, tão importante quanto ser ídolo é não ser o vilão, o judas, o Grafite.

2004. Paulistão. O Corinthians jogava sua permanência na elite do futebol paulista dependendo somente de si. Recebeu a Portuguesa Santista e perdeu. Ao mesmo tempo, orava para que o São Paulo não perdesse para o Juventus. Do contrário, seria rebaixado. O Tricolor venceu o Moleque Travesso com dois gols de Grafite e salvou o rival. 

O atacante sofreu certa perseguição por ter demonstrado aplicação acima do normal em uma partida tão especial para a torcida. A chance de rebaixar o rival e impor tal humilhação contagiava a todos os demais rivais em conjunto. Grafite foi profissional, guardou seus gols, fez seu papel e somente veio a reencontrar a paz com as arquibancadas após muitos outros gols e boas atuações.

No entanto, seu feito jamais foi esquecido. Lembrar seu nome traz à tona o surreal episódio, muito mais marcante que sua convocação para a Copa do Mundo em 2010.

2014. Paulistão. Corinthians faz campanha irregular e precisa vencer seus dois duelos e torcer por pelo menos um tropeço do Ituano. Foi encarar a já classificada Penapolense e empatou. Ao mesmo tempo, torcia para o São Paulo segurar o Ituano para que pudesse sonhar com a classificação. Eis que o Tricolor perdeu em casa e o Timão está eliminado do Paulistão.

Por mais que sejam atiradas pedras nos bizarros regulamentos do Paulistão, gostei desta fórmula. A divisão por grupos sem que os seus integrantes joguem entre si acirra a briga pela classificação de maneira saudável. Evitando-se os confrontos diretos, cabe à própria equipe cumprir seu papel se quiser seguir na competição. Já para efeitos de rebaixamento, as 4 piores no geral que sejam despachadas para a A-2. Justo o bastante, convenhamos.

Se o intuito era que as melhores campanhas gerais fossem às quartas-de-final não haveria por que estabelecer a divisão por grupos. É um tanto óbvio. Pois bem.

Nesse contexto, é bom que se diga que o Corinthians foi garimpando sua eliminação ao longo do Paulistão. Não se esqueça que o Timão precisava vencer e não venceu. Convém refrescar a memória: o Corinthians ficou 6 rodadas sem vencer tendo conquistado irrisórios 2 empates. Daí transferir a culpa para quem quer que seja é o cúmulo da irresponsabilidade. 

E o São Paulo? Bem, é verdade no futebol tudo é possível. Toda sorte de teorias conspiratórias são válidas para que torcedores, dirigentes, jogadores e treinadores depositem sua crença e tirem parte da culpa que carregam.

Também é certo que o São Paulo tinha tanto apetite em vencer esse jogo quanto Walter tem por frutas e verduras. Mas a oscilação é uma marca registrada desse São Paulo bipolar. Capaz de vencer o próprio Corinthians e fazer jogo duro com o Santos, porém, ser dominado pelo Palmeiras e encontrar extrema dificuldade cognitiva contra adversários da estirpe de um São Bernardo.

Pode-se exaltar a postura de jogo do Ituano, culpar a chuva, a limitação patológica de Ademílson no trato com a bola, a irregularidade de Ganso, a fragilidade do sistema defensivo, a hilária apresentação de Luis Ricardo como boneco de posto. Estão aqui presentes um mar de justificativas para perceber que o São Paulo não venceria o Ituano por mais que quisesse.

Muito será dito. Acusações variadas serão feitas. Debates intermináveis e inconclusivos serão realizados. Ficará no ar o "se". Se o São Paulo vencesse ou empatasse, ainda haveria tempo para uma reviravolta na última rodada, e mais isso, e mais aquilo, patati, patatá. 

Disso tudo, creio que apenas uma coisa seja certa: não existirão mais Grafites.



sexta-feira, 14 de março de 2014

A América pulsa

Finda a 3ª rodada da Libertadores e o panorama que se apresenta não é nada alentador a brasileiros, exceção feita a Atlético Mineiro.

Pelo bem da competição a maioria dos grupos buscaram manter uma organização semelhante à de uma suruba no escuro. Tentemos visualizar como a balbúrdia se apresenta no momento:


GRUPO 1 - 3 times repartem a liderança com 6 pontos. Bullying desumano sobre o Universitario, único time da Libertadores a não conseguir somar um maldito ponto sequer. Em primeiro, o The Strongest com 2 gols pró e somente mais um jogo na altitude de La Paz (justamente o último contra o Atlético Paranaense). Nesta rodada, enfiou 2 a 0 no segundo colocado, o sempre perigoso Vélez, que contabiliza 1 gol na conta e 2 jogos pendentes em sua cancha. E na espreita está o Furacão. Saldo zerado graças à vitória por 1 a 0 sobre o Universitario lá no Peru. Porém, terá os dois próximos jogos em casa. Si se puede.  

GRUPO 2 - O Botafogo foi apresentado à derrota pelo Independiente del Valle, no Equador. Por essas coisas que só acontecem ao Botafogo, a derrota por 2 a 1 não tirou a ponta do grupo dos cariocas. Porém, agora tem dupla companhia: os mesmos 4 pontos são contabilizados por equatorianos e pelo abençoado San Lorenzo, que empatou em casa contra a Unión Española e desperdiçou a chance de tomar a liderança do grupo. O caos está instaurado pois os lanternas chilenos somam 3 pontos. Para o Fogão só interessa vencer os dois próximos duelos consecutivos em casa para chegar confortável para a última rodada contra os argentinos em território hermano.

GRUPO 3 - Bater o olho na tábua de classificação do grupo 3 é achar curioso o Lanús ostentar a lanterna com 1 ponto conquistado. Não é surpreendente o Deportivo Cali ter imposto a segunda derrota seguida aos argentinos e assumido a liderança soberana com 6 pontos. Em segundo lugar vem o chileno O'Higgins que vacilou feio esta rodada. Vencia o famigerado Cerro Porteño por 2 a 0 mas permitiu o empate paraguaio. Agora, os chilenos tem 5 e paraguaios 4 pontos. 

GRUPO 4 - Nadando de braçada, o Atlético Mineiro lidera com 7 pontos e está seguro na primeira posição. É infinitamente superior aos rivais e já está virtualmente classificado. Trouxe do Paraguai um ponto contra o Nacional Querido e abriu 4 de vantagem para os últimos do grupo. O dito empate elevou o Nacional ao segundo lugar (4 pontos) superando o Independiente Santa Fé, que foi derrotado pelo Zamora e trouxe os venezuelanos de volta à Libertadores. Essa briga pela segunda vaga há de ser bem interessante.

GRUPO 5 - Para alegria do Galo, o Cruzeiro está em maus lençóis e corre risco de ficar fora. Por mais que tenha dois duelos em casa dos três restantes, importante considerar que, hoje, a Raposa estaria eliminada. Eis aqui um grupo no qual a classificação provavelmente virá pela análise do saldo de gols. Defensor e Universidad de Chile dividem a liderança com 6 pontos. Uruguaios em vantagem com 4 gols pró de saldo. A goleada sofrida ante o Cruzeiro deixa La U com preocupantes -2 gols em conta. Na rabeira, mineiros (+1) e Real Garcilaso (-3) com 3 pontos.

GRUPO 6 - O Grêmio só não está tão bem quanto o Atlético Mineiro posto habitar o grupo de morte e as circunstâncias o obrigarem a dormir com um olho fechado e outro bem aberto. Empatou em casa com o Newell's consolidando-se na ponta com 7 pontos. Nada mau. Só que os argentinos estão em segundo com 4 pontos e 3 gols na carteira. E o engraçadinho Atlético Nacional também tem 4 pontos embora esteja devendo dois gols. Eis que o Grêmio terá agora 2 jogos fora justamente contra os famintos rivais que distam protocolares 3 pontos ou, como preferirem, uma vitória. E o Nacional jogou fora dois pontos e a chance de iniciar uma revolução no grupo. Vencia os cafeteros lá na Colômbia por 2 a 0. Os mandantes jogaram toda a partida com um jogador a menos - graças a uma expulsão relâmpago - mas reagiram e Bocanegra fez os dois tentos que valeram o suado empate.

GRUPO 7 - O Flamengo parece ser o brasileiro em situação mais delicada. Empatou com o Bolívar no Maracanã. Lá, já havia vencido o Emelec. Portanto, 4 pontos em dois jogos em casa. Resta apenas um em três, logo, vai ter que buscar pontos América afora. (Ah, isso significa ter que capinar pontos na altitude). No mais, aquela derrota pouco pesou ao Emelec porque os equatorianos fizeram a lição de casa duas vezes e lideram com 6 pontos. Com os mesmos 4 pontos do Flamengo vem o León. No entanto, os mexicanos terão 2 duelos em casa dos três a serem feitos. E o Bolívar conquista seu 2º ponto sustentando a utopia de conseguir uma vaga.

GRUPO 8 - Por fim, o grupo mais chato da Libertadores. Santos Laguna lidera com 7 pontos. O Arsenal de Sarandí na cola com 6 pontos. Anos-luz atrás, Deportivo Anzoátegui tem 2 pontos e, pausa. O Nacional estar comendo o pão que o diabo amassou desde o sorteio pode ser consideravelmente aceitável. Entretanto, o Peñarol em um grupo desse ter somado apenas um ponto é a grande decepção da competição.  

quinta-feira, 13 de março de 2014

Botecadas

NA CONTA DO CHÁ - Palmeiras e São Paulo estrearam com vitória na Copa do Brasil mas não conseguiram eliminar o jogo de volta. Ambos derrotaram Vilhena e CSA, respectivamente, por 1 a 0. Era mais obrigação do Verdão sair com a vitória por mais de dois gols pela fragilidade óbvia do adversário. Coube a Leandro superar a insalubridade do local de jogo e a truculência exagerada dos mandantes para anotar o tento da vitória a 3 minutos do fim. Embora o CSA tenha lá seu renome e tendo no currículo a eliminação do Santos, em plena Vila Belmiro nos idos de 2009 e Neymar engatinhando, o São Paulo não jogou o suficiente a ponto de fazer jus ao 2º gol, em que pese a boa participação de Pato, que iniciou a jogada do gol de Osvaldo. Os jogos de volta estão previstos no meio da semana entre as duas finais do Paulistão. Ou seja, desgaste à vista.


SEM SURPRESAS, SEM SUSTOS - Barcelona, Paris Saint-Germain e Bayern de Munique confirmaram a vantagem obtida nos jogos de ida e carimbaram passaporte para as quartas-de-final da UEFA Champions League. O Manchester City, mesmo com investimentos infinitos e uma ótima equipe, mais uma vez, não foi longe. Após duas quedas na primeira fase, os citizens morrem nas oitavas para um ainda ótimo Barcelona. PSG bateu o Leverkusen por 2 a 1 e o insano Bayern amarrou um empate com o Arsenal por 1 a 1. 


COM SURPRESA, COM HUMILHAÇÃO - O Atlético de Madri havia batido o Milan, no San Siro, por 1 a 0. Em seus domínios protagonizou um verdadeiro massacre sobre os comandados de Seedorf. Estrondosos 4 a 1, com dois gols de Diego Costa. Os colchoneros seguem muito vivos na Champions e revela-se um adversário complicado para qualquer endinheirado que apareça. Kaká fez o de honra para o Milan.


APRENDE, BRASIL! - O presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, foi condenado a 3 anos e meio de prisão por sonegar aproximadamente 27 milhões de euros. Sentença cabe recurso, tal, mas a justiça alemã já deu exemplos de que não é de aliviar a barra de figurões tão facilmente. Breno, zagueiro ex-São Paulo, botou fogo na casa e foi para o xilindró sem choro nem vela. Mais um exemplo que o Brasil não vai seguir.



 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Apenas um grande jogo

Corinthians 2 x 3 São Paulo. Cinco gols em um clássico sugerem um jogão digno da grandeza dos envolvidos. E, de fato, foi uma grande partida. Com requintes surreais do início ao fim, quando o árbitro encerrou o jogo a única certeza que ali se extraía era que o triunfo tricolor colocava ponto final a um jejum de mais de um ano sem vitórias em clássicos. Só e nada além disso.

A pane tricolor nos 10 minutos iniciais culminou com um golaço contra do zagueiro Antonio Carlos. De letra, o beque completou cruzamento de Luciano e inaugurou a atividade paranormal da tarde.

O gol fez o São Paulo sair para o jogo e dominar a posse de bola. Porém, quanto mais a bola rodava no ataque, menos objetividade havia nas conclusões. Isso muito se deve porque o Timão abdicou de explorar os contra-ataques para direcionar seus esforços exclusivamente no âmbito defensivo.

Foi quando no 38º minuto de jogo foi possível ver uma fenda no céu que distorceu o tempo e o espaço a ponto de mudar a ordem então vigente dentro das quatro linhas. A bola encontrou Ganso na entrada da área. Subitamente, desafiando as leis da obviedade, Ganso desfere um tiro de canhota. O trajeto cruzado encontra o ângulo e iguala o clássico.

Ao final do primeiro tempo, Mano Menezes conseguiu ser expulso por ter exagerado nas reclamações com o árbitro, com seu time que teria que voltar a atacar, com a falta de sorte em sofrer um gol de um meia que nunca chuta a gol, com a ausência de Jadson, dentre outras frustrações quaisquer. 

O festival de surrealidades persistiu na segunda etapa. 

Logo aos 5 minutos, Douglas, simplesmente o recordista histórico de cornetadas de seus próprios adeptos, tira dois jogadores do Timão da jogada, liga Pabón na direita que cruza para Luis Fabiano completar. Virada tricolor!

Sem Mano no banco e atrás no placar, o Corinthians arregaçou as mangas e foi lá se assanhar no ataque. No minuto seguinte, quase Luciano iguala o marcador. Mas aos 14 minutos não teve jeito. Guerrero, que entrou no lugar de Renato Augusto, invadiu a área pela esquerda, bateu para o meio e, de novo ele, Antonio Carlos, amaldiçoado da tarde, tira de Rogério e empata para o Timão.

Faltando 30 minutos para o final era de se prever uma pressão dos mandantes em fazer valer o tabu e impor mais uma derrota ao rival, freguês histórico. Contudo, a partida curtiu bons momentos de um lá e cá bem interessante que deixava a torcida crente estar diante de um possível gol, embora o Tricolor se postasse de uma maneira um pouco mais segura que o habitual.

E o gol saiu. Dos pés rápidos e tortos de Osvaldo que tantas vezes sacrificaram boas oportunidades de gol saiu um cruzamento da esquerda que atravessou a grande área para encontrar a cabeça de um improvável Rodrigo Caio no bico da pequena área, à sombra de Uendel. O cabeceio cruzado vence os 4,85m de Cássio e salva o companheiro de zaga do linchamento pós-Majestoso. 

Quinze minutos protocolares depois, o fim de uma grande partida que terminou nem tão saborosa para um e nem tão amarga para outro.

Dois pontos separam Ituano e Corinthians. Entre esses dois pontos, o São Paulo. Domingo que vem o Tricolor recebe o Ituano. E o Corinthians vai visitar o Penapolense. Dificilmente o Tricolor vai tropeçar em casa novamente, especialmente diante de uma circunstância dessa. Em prol das relações cordiais que foram retomadas com a troca Jadson x Pato, é de se esperar um novo "efeito Grafite" que culmine na classificação do Timão. Claro, desde que o Corinthians faça sua parte - o que deve ocorrer.

Com isso, pelo lado do São Paulo há de ser celebrado o fim do jejum e o empenho da equipe em um clássico mesmo nas condições mais adversas. No mais, se não fosse o tropeço do Ituano contra o quase rebaixado Atlético Sorocaba (1x1, em Itu) certamente o resultado do Majestoso teria implicações bem mais traumáticas ao Timão.






quinta-feira, 6 de março de 2014

Domingo no Pacaembu

Na guerra travada em todos os campeonatos o pior inimigo e o principal aliado vem das arquibancadas. Geralmente os duelos entre clube e torcida são travados com alguma parcimônia durante o primeiro semestre reservando uma generosa dose de truculência para os meses finais do ano, quando nada mais resta senão o rancor pela acumulação de maus resultados. Quis o destino que a 3 rodadas do término da primeira fase do Paulistão, Corinthians e São Paulo se enfrentassem com possibilidade concreta de negociar com seus adeptos um dos pactos mais importantes que as partes podem selar: um voto de confiança.

Domingo no Pacaembu. Tricolor bipolar, ê, José. Timão em ascensão, ê, João. Tricolor já tá lá, ê, José. E o Timão ainda não, ê João. 

Não é necessário criar mais versinhos para saber que o desenlace da história tende a ser trágico, tal como a canção. É só olhar a tabela, ver os jogos que faltam, fazer as contas e perceber onde o desejo da torcida repousa.

Animado e em ascensão, o Corinthians parece ter engolido seco o mau começo de Paulistão, a invasão e as polêmicas extra-campo para se reinventar e lutar por um espaço nas quartas-de-final. Para tanto, precisa vencer e torcer por tropeços de Botafogo e, principalmente, do Ituano para beliscar uma vaga.  

Jadson azeitou a meia-cancha, Luciano mostrou estrela e Bruno Henrique reparte o serviço sujo com Ralf e Guilherme, Cléber deu estabilidade à zaga. Embora Jadson não entre em campo como parte da bizarra negociação que envolveu a troca do meia e Pato é inegável que o Timão tem um conjunto mais harmonioso. Por mais bagunçado que esteja o ambiente é possível ver algum equilíbrio nesse grupo.

Tem uns buracos nos flancos, pois é. Só que também tem alternativas, como: Sheik, Renato Augusto, Romarinho, Danilo. Enfim, até dá para seguir no embalo dos bons resultados, derrotar o São Paulo e fungar mais fundo no cangote do Ituano. Mano sabe que vai ter que deixar de lado o retranqueirismo dos clássicos porque precisa desesperadamente dessa vitória.

Já o São Paulo vive de um bipolarismo irritante. Está classificado mas não tem o primeiro lugar garantido. Ataque e defesa batem cabeça constantemente. Parece que não conseguem funcionar bem simultaneamente. Entretanto, o que mais aflige sua torcida - à parte o futebol de oscilação - é o pífio desempenho nos clássicos e jogos decisivos.

A última vez que o Tricolor venceu um clássico foi em 2012, justamente contra o Corinthians, naquela que seria a última vez que o Ganso fez um grande jogo. Daí em diante acumularam-se derrotas e empates modorrentos. Acrescente a eliminação na semi da Sul-Americana para a Ponte e, pronto, tem-se um caldeirão de insatisfação curtida rodada após rodada.

É bem verdade que a volância tricolor não cumpre dignamente seu papel defensivo e não colabora na evolução da equipe até o ataque. No entanto, surge uma oportunidade de fazer as pazes com a torcida. Luis Fabiano aparentemente bem fisicamente e reencontrando as redes com frequência, Pabón encaixou bem no ataque, Álvaro Pereira agregou à transição e a motivação extra: é possível eliminar o Corinthians. 

Caso o Tricolor vença o Majestoso e perca seu jogo seguinte, coincidentemente contra o Ituano, que está rigorosamente um ponto na frente do Timão, elimina o alvinegro do Paulistão.

Se tem uma coisa que pode acalmar os ânimos da torcida são-paulina é levar o caos ao rival. Se tem uma coisa que pode acalmar a Fiel é uma vitória seguida da classificação. A definição da cota de confiança ou tolerância a ser administrada até o final da temporada pelas torcidas tem data para ser conhecida: Domingo no Pacaembu. 





terça-feira, 4 de março de 2014

Cordialidade europeia

Na como a cordialidade europeia. Você chega na casa do cara e se sente à vontade com aquele ambiente tão "hospitalar" (valeu, Zanata!). De tão confortável, que tal praticamente assegurar uma vaga nas quartas-de-final do segundo maior torneio de clubes de futebol no Mundo? Boa, né? Foi isso que seis clubes fizeram na Champions League.

Semana passada nós bem vimos o que houve. Faltou apenas lembrar que o Paris Saint-Germain foi visitar o Bayer Leverkusen e enfiou logo quatro bolas nas redes germânicas. Nesta semana, apenas um time teve culhão suficiente de vencer em casa. E logo quem menos se esperava.

O guerreiro Olympiacos explorou o fator casa e o apoio dos deuses mitológicos para esfregar a desgraça na cara do Manchester United, que vive um terror em sua primeira jornada sem Alex Ferguson. Um 6º lugar no Inglesão não soa de todo mal, porém uma derrota para o franco atirador grego colocam os Diabos Vermelhos em alerta para o futuro. Ou David Moyes vira a partida e tenta encerrar a temporada de maneira honrosa ou pode ser o primeiro degolado da nova era do United.

Tirando o Galatasaray, que empatou com o Chelsea, os demais mandantes foram verdadeiras mães.

Russos e alemães abandonaram a frieza que lhes são peculiares para trazer um pouco de calor aos adversários. O Zenit, de Hulk, que fez um de pênalti, não segurou a artilharia pesada de Lewandowski, Reus e cia. Vice-campeão ano passado, o Borussia venceu por 4 a 2 e estará no bololô da Champions novamente.

Por fim, ninguém fez mais que o Schalke 04. Recebeu o Real Madrid e foi humilhado por impiedosos e inapeláveis 6 a 1. Huntelaar fez um golaço, justo o de honra. Depois de ver o trio Benzema, Bale e Cristiano Ronaldo anotarem dois belos gols cada.

Vejamos se a cordialidade será recíproca em algumas semanas.


domingo, 2 de março de 2014

Festa do Interior

Carnaval, folia, alegria, marchinhas e nada como o interior do Estado para curtir esse clima festivo longe da panela de pressão de São Paulo. E é lá mesmo que tem algumas cidades presenteadas com um futebol de primeira e que vem dando o que falar aqui na capital. 

No grupo A, o pior dos 4 disparado, o Penapolense divide a liderança do grupo com o São Paulo. O grande destaque é Alexandro, atacante que já anotou 5 tentos no Paulistão. A julgar pela instabilidade do Tricolor, a primeira posição só vai ser decidida na última rodada. Pode não ser um primor de time, porém, é bem organizadinho e, se confirmar a liderança, vai decidir em casa as quartas-de-final com totais condições de surpreender o São Paulo.

O grupo B foi premiado com um equilíbrio bastante sui generis. O grupo do Corinthians tem uma dupla peralta do interior a roubar uma vaga que, dentro das CNTP, deveria ser do Timão. Enquanto os rapazes da capital somam 17 pontos, mesma quantidade dos meninos ousados do Audax, o Botafogo de Ribeirão Preto conta 22 pontos. Logo atrás vem o Ituano com 21.

Bom, o Tricolor de Ribeirão tem em seu elenco o experiente Leandro Gianecchini e o goleiro Renan, aquele alemãozinho que explodiu no Avaí, foi para o Corinthians e, bem, taí no Botafogo. Nenhum deles é titular, mas nem por isso o time é ruim. Pelo contrário, Wagner Lopes armou um time que sabe explorar as duas melhores táticas boleiras: fechar a casinha e atacar com competência. Mike, atacante, também tem 5 gols no torneio.

Já Itu também vive bons momentos com seu clube. Com Doriva "Aquele" (ex-volante do São Paulo) na casamata, o Galo de Itu flerta maliciosamente com as quartas-de-final. Marcinho Aquele (ex-Furacão, Corinthians, Palmeiras, etc) e Cristian, meia ex-Palmeiras, aquele de cabelo enroladinho, são opções no elenco cujos destaques são o beque Anderson Salles e o atacante Rafael Silva com óbvios 5 gols cada.

O grupo C alijou a Portuguesa da disputa das primeiras posições e deixou o Santos dar as cartas sem dificuldades. Ponte Preta e São Bernardo brigam pela segunda posição. Favorita a confirmar a vaga, a Macaca, apesar das baixas que seu elenco sofreu ao término da temporada passada, conseguiu manter a estrutura que quase levou a Sul-Americana. Tem um punhado de Aqueles em seu elenco, como: Adrianinho e Bida, no entanto o destaque é o ex-menino da vila Alemão, artilheiro do time com evidentes 5 gols.

Por fim, o melhor grupo do Paulistão vê Rio Claro e Bragantino duelarem pela vice-liderança. Apenas dois pontos separam os engraçadinhos, com vantagem para os azuis de Rio Claro. Embora tenha no grupo os rodados Alex Bruno e Alex Afonso, quem se destaca é o meia Léo Costa, autor de 7 gols e atual artilheiro do Paulistão!

E pelo lado do sempre perigoso Bragantino brilha o treinador Marcelo Veiga, no comando da Massa Bruta desde 1900 e nada. Lincom, Léo Jaime e Cesinha são os encarregados em levar o caos às defesas adversárias enquanto um meio-campo voluntarioso busca atazanar a vida do rival. Aposto na regularidade do Braga, apesar da grata surpresa de Rio Claro.