domingo, 11 de maio de 2014

Brasileirão-14 - Rodada #4

O Brasileirão começa a engrenar! 12 pontos já foram disputados e o sobe-e-desce na tabela começa a ser constante. 

Vejamos os destaques da 4ª rodada:


CERVEJA GELADA

INTERNACIONAL - No teste do Beira-Rio para a Copa, o Inter bateu o Atlético Paranaense por 2 a 1, de virada, e assumiu a ponta do Brasileirão. Marcos Guilherme abriu para o Furacão, enquanto D'Alessandro e Alan Patrick fizeram os gols da virada colorada que valeu a liderança isolada do campeonato com 10 pontos.

BOTAFOGO - Atropelou violentamente o Criciúma por inapeláveis 6 a 0. Emerson Sheik, duas vezes; Daniel, três vezes; e Wallyson deram a primeira vitória ao Botafogo na competição. Alma lavada!

FLUMINENSE - O Fluminense confirma o ótimo início no Brasileirão-14 com mais uma vitória. Os 3 pontos tiveram sabor especial já que foram conquistados sobre o rival Flamengo. Fred e Chiquinho anotaram os gols do triunfo tricolor por 2 a 0 que catapulta o clube para a vice-liderança com 9 pontos.


CERVEJA QUENTE

CORITIBA - Em casa, foi derrotado pelo Sport por 1 a 0, gol de Rithely. Os pernambucanos estão se mostrando um visitante bastante indesejável. 

CATARINENSES - Criciúma goleado no Maracanã no sábado. No domingo, Chapecoense e Figueirense foram derrotados em casa. Seus carrascos foram, respectivamente, Grêmio (2 a 1) e Santos (2 a 0). O trio consta no G-4 e já é certo que vão brigar até o fim contra a degola. Vale dizer que o Figueira não pontuou e não marcou um gol sequer.

FERNANDA COLOMBO - Uma linda bandeirinha. Gostosa e tudo o mais. Mas horrível na sua função. No meio de semana, abusou dos erros e minou uma série de jogadas do São Paulo em jogo válido pela Copa do Brasil. Neste domingo, assassinou impiedosamente um contra-ataque do Cruzeiro que poderia lhe valer o empate no clássico contra o Galo, que venceu por 2 a 1. Outro erro crasso em dois jogos seguidos. Quantos mais será preciso até que seja afastada?

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Libertadores Vorazes

Venho falar da Libertadores. Das batalhas travadas pelos campos espalhados pela América do Sul não se tira nenhuma conclusão após o término desses primeiros 90 minutos, senão uma: é uma Libertadores especial.

Já havíamos alertado quanto à edição sui generis desse ano, todavia, é certo que depois dos jogos de ida desta semana aumenta-se a expectativa em relação a termos uma semi-final com representantes de países que há muito não lembram o que é erguer La Copa.

Há, sim, certa efervescência sobre a concreta possibilidade de paraguaios, uruguaios e até bolivianos conquistarem o título.

Observem:


NACIONAL 1 x 0 ARSENAL DE SARANDÍ - O Nacional Querido ficou todo assanhado com a primeira participação nos mata-matas da Libertadores! Em casa, bateu o Arsenal, também debutante nessa guerra campal pós-grupos por 1 a 0, gol de Orué. Um placar magro para ambos. Os paraguaios mereciam melhor sorte, uma vitória mais elástica. Criaram um bom punhado de oportunidades tendo inclusive desperdiçado um pênalti. Pelo lado argentino houve também um bocado de investidas nos contra-ataques que poderiam ter culminado no providencial empate. A partida de volta na Argentina será outra prova de fogo ao copeirismo de ambos. Enquanto o Nacional Querido resguarda-se na vantagem do empate, Martín Palermo terá de ministrar uma aula magna de Libertadores para que seu Arsenal siga vivo na Copa e não seja outra vítima paraguaia, né, Vélez?


ATLÉTICO NACIONAL 0 x 2 DEFENSOR - O jogo mais alucinante e atraente das quartas-de-final teve um resultado improvável. Mais que improvável, implacável. A Libertadores tem dessas coisas. Em uma partida que o Atlético Nacional atacou impiedosamente, foi vitimado por dois contra-ataques mortais que podem ter que custado a eliminação. Era sabido que são dois times leves, com dois-três jogadores de frente que tratam a redonda com o devido respeito. Pelo lado cafetero, Cárdenas, Cardona e Duque espezinharam o quanto puderam a defesa uruguaia. Fechadinho, o ferrolho uruguaio só ameaçou no primeiro tempo em dois tiros perigosos do brasileiro Gedoz. De Arrascaeta não estava em um dia inspirado. Já a segunda etapa foi toda colombiana. A trave foi sua maior traiçoeira impedindo dois tentos. E em duas escapadas, o ataque violeta foi letal. Pais, de cabeça, e Olivera (depois de receber, tropeçar, cair, levantar e chutar) deram ao Defensor o privilégio de até perder o jogo de volta em casa por um gol de diferença.


SAN LORENZO 1 x 0 CRUZEIRO - Na conta do chá, Los de Papa venceram o Cruzeiro por 1 a 0. Novamente é possível colocar o triunfo na conta da benção papal ou no fator casa, pois o ataque propriamente dito não merece predicados de destaque. Apesar de controlarem boa parte do jogo, pouco ameaçaram Fábio. Nas três grandes chances, uma entrou e as outras duas pararam no arqueiro da Raposa. Bipolar como de praxe, o Cruzeiro dá outra dose cavalar de sopa para o azar. Pouco incisivo e alterando os seguidos erros em cada contra-ataque com alguma frouxidão na marcação. O placar é reversível. Contudo, cautela. Assim também era para o Grêmio.


LANÚS 1 x 1 BOLÍVAR - Catarse na Bolívia. O Lanús, sob a batuta de Schelotto, começou em cima dos visitantes ciente de que teria que vencer para não ter que passar por maiores infortúnios na altitude de La Paz. Abriram o placar logo aos 7 minutos com Benítez, mas pararam por aí. O Bolívar foi se soltando e novamente mostrou qualidade no desenrolar do jogo. Sofreu alguma pressão, porém administrou com a sabedoria de quem sabe que pode reverter o prejuízo em sua casa, alguns milhões de pés acima do nível do mar. Lá pelos quarenta e acréscimos, sabe-se-lá-o-que passou pela cabeça do meia Ferreira. Pegou a bola e, provavelmente com intuito de isolá-la longe o bastante para que o árbitro encerrasse logo a peleja depois do tiro de meta, mandou um canudo de longe. O tirambaço foi certeiro no gol. Marchesín, bom goleiro, ainda chega a tocá-la sem nada interferir seu destino. Sim, amigos, a Bolívia está perto de emplacar um dos seus entre os 4 melhores do continente.


Pelo panorama apresentado, o Brasil (leia-se Cruzeiro) não merece levar o título mais uma vez, ainda que isso custe um feito inédito na história da competição. Nosso representante sequer merece persistir na competição pelo que se prontificou a jogar ao longo do torneio. 

A invasão argentina nas quartas, com 3 times, tem entre eles o San Lorenzo. Seria bacana ver banda do Papa libertadora da América. Porém, foram os hermanos os últimos a erguerem o trofeu antes da hegemonia brasileira (Estudiantes, 2009).

Os últimos triunfos de Paraguai e Uruguai vieram, respectivamente, com o Olímpia em 2002 e Nacional no longínquo ano de 1988. Colombianos ainda se recordam do feito do Once Caldas em 2004. Bolivianos? Zero conquistas.

Finalmente uma Libertadores realmente imprevisível!

Semana que vem saem os semifinalistas. Depois disso, parada para a Copa do Mundo. Que pena.

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Crente na descrença

Ontem Felipão formalizou a convocação dos 23 atletas que vão representar o Brasil na Copa do Mundo em pouco mais de um mês. Como já se previa, a Seleção mais sal, sem sabor, sem polêmica, sem absolutamente nada dos últimos anos foi chancelada por Scolari em uma cerimônia na qual o protocolo deu lugar ao tédio. À expectativa em saber que Henrique será o quarto zagueiro, Victor o terceiro goleiro, Maxwell na reserva de Marcelo, além de Hernanes e Jô no grupo. Muito chato, muito previsível, muito duvidoso. Talvez esse seja o trunfo para o hexa.

As conquistas de 1994 e 2002 vieram após muita desconfiança. A relação de amor e ódio que temos com a Seleção Brasileira é posta à prova a cada quatro anos. Parece que ficou a clara impressão de que o Brasil precisa vir sob crise, pressão e desconfiança para superar-se em 7 jogos e calar 200 milhões de cornetas.

Estão ai as campanhas de 2006 e 2010 que não nos deixa mentir. O quadrado mágico de Parreira e o time pilhado de Dunga, que chegava à Copa com inúmeros títulos na bagagem, cederam. Chegaram embalados e caíram. Vá lá que o escrete de Dunga era demasiado controverso, porém os resultados davam respaldo ao comandante de chamar quem bem entendesse.

Um fenômeno semelhante ocorre com Felipão. Paizão da Família Scolari, Felipão está fechado com os que fecham com ele. Pegou o bonde andando, faturou a Copa da Confederações ano passado e ganhou o direito de fazer o que quiser nessa Seleção.

Não é de hoje que essa Seleção também sofre de uma bipolaridade às avessas. O time é bom. O elenco é bom. É extremamente cativante. Só que não empolga. Pelo menos não a mim. Sem uma pimentinha, uma intriga, uma ausência de alguém ungido pelo clamor popular força meu olhar para que eu analise o Brasil com um toque de desconfiança.

A euforia em torno da Copa e da expectativa de levar o título em casa me faz duvidar da capacidade desse time que surpreendeu nas Confederações-13. Entretanto, pouco menos de um ano depois, às vésperas do Mundial, não se reinventa. Todo mundo sabe o time de cor e salteado. E até saca as alterações a serem feitas pelo desenrolar da partida. 

Sobram tanto pragmatismo e coerência a ponto de questionar se não é o caos o elemento faltante. Isso. O caos, a zona, o barulho, a azucrinação, a tensão do povo sobre a convocação, preparação e escalação cria uma atmosfera favorável à motivação do grupo, que sedento por vingança, ganhará a Copa só para terem o deleite e a satisfação de terem ido à forra. E felizes, contentes todos ostentam seus sorrisos alegres pelo tapa na cara sofrido à base de pura psicologia reversa.

É complexo. Não reputo bom sinal chegarmos tão tranquilos, tão eufóricos na Copa. Esse mar de tranquilidade e Felipão "paz e amor" preocupa. Muito. Bem, quem sabe aí resida o trunfo que tanto queremos. A Seleção com esses 23 chamados sob a égide da Lei do Não Tem Tu, Vai Tu Mesmo corrobora tudo que sento.

O grupo é bom, o time é bom. Mas, é isso? É Fred? É Jô? É Luiz Gustavo? É Henrique? É sério?

Pior que é. Além disso, provavelmente é esse cenário cinzento que confere à Seleção Brasileira alguma chance razoável de levantar o caneco pela sexta vez.


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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Ensaio sobre a bipolaridade

O juiz apita o final do jogo. Perco o olhar no campo na imensidão de um infinito intervalo entre 3 e 5 segundos. Enquanto os jogadores mal esboçam os cumprimentos e sua retirada aos vestiários eu estou ali me recuperando de uma bola na trave que poderia nos ter dado a vitória, os 3 pontos, a salvação, quiçá o título e tentando, em vão, disfarçar minha decepção e revolta em ter perdido dois pontos em casa. Conheço bem essa estranha sensação e hei de conviver com ela ao longo de mais uma temporada.

É assim desde 2009. Na ressaca do tricampeonato brasileiro, o São Paulo especializou-se ano após ano em ser um time revestido de uma bipolaridade irritante. Atualmente, esse maldito transtorno é perceptível em outros clubes mas nem de longe se compara ao estrago que faz no Tricolor.

Terceira rodada do Brasileirão e lotamos o Pacaembu para o duelo contra o Coritiba. Muricy decide ousar e aposta no que denomina ou acredita ser um esquema tático com 4 atacantes dos quais apenas 2 prezam pelo trato aceitável com a redonda, Pato e Luis Fabiano. De Osvaldo e Pabón espera-se muita correria e que não ponham tudo a perder. Atrás, uma linha defensiva no qual Luis Ricardo e Rodrigo Caio posicionam-se lado a lado. Ou seja, simplesmente um oásis para o adversário. Um território fadado a gerar calafrios e sustos nos tricolores cada vez que a bola por lá resolve se meter.

Não vem ao caso perder tempo dizendo que saímos na frente, tomamos a virada e somente empatamos graças a alguma entidade divina ter iluminado o improvável Ademílson que, provavelmente em razão de uma fisgada no cérebro, esticou a perna, encobriu o goleiro e anotou um golaço. No derradeiro lance, o mesmo Ademílson mostra qualidade até então dormente no cruzamento que encontrou Luis Fabiano. Nosso camisa 9 omisso durante 90 minutos apostou tudo naquela último lance. Esgueirou-se todo para cabecear uma bola que caprichosamente opta por encontrar a trave em um ângulo preciso o suficiente para não dar rebote a Pato.

Quando o árbitro trilou o apito e pôs termo àquele sofrimento, e tendo encerrada a busca pela vitória tão certa em nossas mentes, lembrei das últimas temporadas. Tão repletas de pretensões vitimadas por uma incompetência tão nossa, tão particular que hoje nem nos surpreendemos tanto quando tropeçamos em nossos próprios passos novamente.

Somos tão oscilantes que no final de um ano terminamos campeões e favoritos a levar a próxima Libertadores, já no outro brigamos contra o rebaixamento. Nossa diretoria é ardil o bastante para reforçar seu ataque com Pato e Kardec, porém esquece o quão nosso sistema defensivo é precário. As temerárias saídas de bola com Rodrigo Caio, saber que as opções para a direta se resumem a Douglas, Luis Ricardo ou mediante improvisação de Paulo Miranda, ver uma volância capenga, incapaz de conter o ávido ataque adversário compõe um complexo teste cardíaco realizado diversas vezes em pouco mais de 90 minutos.

Estamos de saco cheio em olhar para o elenco individualmente e nos encher de esperança em ver em campo algo que possa ser chamado de time de futebol. Cansamos de ver aquele motim de jogadores em campo perdidos e esperar que alcancem vitórias e títulos somente porque há no banco o semblante de Muricy Ramalho. É inadmissível entrarmos favoritos em todo tipo de competição e dela ser despachado por adversários melhor organizados que exploram com eficiência nossa própria arrogância.

Quantos Libertad, Avaís, Coritibas, Pontes Pretas, Penapolenses serão precisos para que o São Paulo pare com essa estranha obsessão em jogar contra seu próprio torcedor? Ganhar e perder, aceitamos, é do jogo. Mas não em casa. Não para a Penapolense. Não para o Coritiba. Não assim. Não tão agora.

Sei que o Brasileirão é um campeonato difícil, nivelado por níveis controversos, recheado de vais e vens. É cedo para jogar a tolha. Sim, podemos. Veja nosso elenco! Olha o Kardec chegando! Temos o Muricy! Ainda não perdemos, veja só! Estamos a menos de 3 pontos dos líderes! Vamo, São Paulo!

Bem, 3 rodadas se foram. São 5 pontos em 9 disputados. Não, não é ruim. Podia ser melhor. É. Vamos ver. Mas, puts, se aquela bola entrasse...


Brasileirão-14 - Rodada #3

Ah, o Brasileirão.

Mal começou e já gera todo tipo de revolta e euforia.

Foi uma rodada bem interessante pois deu uma bagunçada legal na tábua de classificação.

Chega de blábláblá, vamos aos destaques:


CERVEJA GELADA

CORINTHIANS - Venceu a Chapecoense, na Arena Condá, por 1 a 0 graças a um gol pra lá de duvidoso de Guerrero. Polêmicas à parte e 3 pontos no bolso, o Timão pula para a liderança virtual do Brasileirão com 7 pontos., seguido por um batalhão de outros três times com a mesma pontuação.

CRUZEIRO - A força do elenco do Cruzeiro não se limita ao papel. Jogando em território neutro - estádio Mané Garrincha, na longínqua Brasília - os reservas da Raposa deram cabo do Atlético Paranaense. O triunfo por 3 a 2 sobre o Furacão mantém os mineiros no G-4 com 7 pontos. E quarta tem titulares na Liberta contra Los de Papa.

FLAMENGO - Virada com direito a goleada sobre o Palmeiras! O Verdão abriu o placar com Wesley. Paulinho igualou para o Mengão. Henrique, estreante, colocou o Palestra na frente. Daí em diante, só deu Flamengo. O segundo tempo foi todo carioca. Márcio Araújo - o próprio - empatou, comemorou etc e tal. A revolta palmeirense foi ainda maior após Alecsandro anotar duas vezes e fechar a conta: 4 a 2. Flamengo contabiliza seu 4º ponto enquanto o Palmeiras estacionou nos 3 pontos.


CERVEJA QUENTE

SANTOS - O vice do Campeonato Paulista ainda ecoa no Peixe. Apesar de ter sido a sensação do Estadual, o Santos simplesmente não engrenou. Em 3 rodadas, 3 empates e apenas um gol marcado.  

FLUMINENSE - Derrotado em pleno Maracanã pelo Vitória, por 2 a 1. Não só perdeu a liderança como deixou o G-4. 

FIGUEIRENSE - 3 jogos, 0 gols marcados, 0 pontos conquistados. É o lanterna isolado do Brasileirão. Para piorar, o carrasco desta rodada foi outro catarinense: o Criciúma, que venceu por 1 a 0, gol de Silvinho.

ATLÉTICO MINEIRO - Excepcionalmente, uma quarta opção aqui no Cerveja Quente pelo conjunto da obra. Eliminado da Libertadores no meio de semana, o Galo caiu novamente no Horto. Derrota para o Goiás, 1 a 0. Além do revés, viu Jô sair machucado ainda no primeiro tempo. Tempos nebulosos por aí.




sexta-feira, 2 de maio de 2014

Era uma vez na América

2014. Há pouco perdemos Luciano do Valle. E a Morte parece ter retornado de sua hibernação disposta a ceifar mais algumas vidas pelos campos da América Latina. Como vimos, Lanús x Bolívar já estavam certos nas quartas-de-final. Mas ainda restavam pelejas a serem disputadas América Latina adentro.

Sem Boca, sem River, mas 3 argentinos nas quartas. Apenas 2 campeões dentre os 8 classificados, as quatro melhores campanhas da primeira fase já eliminadas, somente um brasileiro. Não tem jeito: essa Libertadores é a mais imprevisível e surreal dos últimos anos.

VÉLEZ SARSFIELD 2 x 2 NACIONAL - Debutante na segunda fase da Libertadores, o Nacional Querido plagiou La Puente Negra e protagonizou a maior zebra dessa edição. A magra vitória conquistada no Paraguai permitia que o Nacional jogasse pelo empate em solo hermano. E assim foi. O Vélez pressionou de todas as formas, mas esbarrou no bem postado time paraguaio. Defendia com garra e buscava prender a bola no ataque para gastar o precioso tempo. Nos quinze minutos finais o jogo pegou fogo. Os argentinos abrem o placar aos 29. Quatro minutos depois, o Nacional iguala de pênalti. Com um jogador a menos, o Vélez anota o segundo e ainda precisava de outro para avançar. Porém, no último lance, com outro atleta expulso e o goleiro no ataque para buscar o gol da classificação, os argentinos sofrem um contra-ataque letal que culminou no empate paraguaio e em mais uma eliminação precoce e, de certo modo, vexatória.


UNIÓN ESPAÑOLA 0 x 1 ARSENAL DE SARANDÍ - Unión Española e Arsenal fizeram um jogo bastante parelho. Um duelo muito interessante, principalmente pelos treinadores envolvidos. Sierra montou um time bem chato pelo lado chileno, só que não soube superar a própria bipolaridade tampouco explorar dignamente o fator casa. Já os argentinos esbanjaram raça e disposição, ou seja, o mínimo que se espera de uma equipe que tenha Martín Palermo na casamata. Braghieri, aos 21 da segunda etapa, fez um gol à feição dos bons tempos de seu treinador e garantiu a classificação argentina às quartas.


ATLÉTICO MINEIRO 1 x 1 ATLÉTICO NACIONAL - No confronto mais atrativo dessa fase em nossa análise, o Galo caiu no próprio Horto. Precisou de apenas 20 minutos para Fernandinho abrir o placar. Havia tempo de sobra para buscar reverter o marcador. Entretanto, faltou sorte e tranquilidade para superar os cafeteros que assustaram e obrigaram Victor a intervenções importantes novamente. Quando tudo parecia levar aos pênaltis ou ao segundo gol do Galo, no 43º minuto do segundo tempo, Cardona cruzou, Victor espalmou mal, para o meio, e deixou a bola na medida para Duque chegar empurrando para as redes e encerrar o sonho do bicampeonato. Tardelli, substituído, reclamou bastante de ter sido substituído. Levir sacou Fernandinho quando este fazia uma partida aceitável. Bom, parece claro que o técnico já inicia seu trabalho no Galo em crise e sob a desconfiança geral após tal atrito e eliminação.


DEFENSOR 2 x 0 THE STRONGEST - nos pênaltis: 4 a 2 para o Defensor. - A dupla De Arrascaeta e Gedoz segue impossível e ganhou um aliado na expedição pela América: Oliveira. Tinham uma missão ingrata de reverter a derrota por dois gols na altitude boliviana. Foi na segunda etapa que tudo aconteceu. De Arrascaeta recebeu, invadiu a área, driblou o goleiro e mandou para as redes. Menos de 5 minutos depois, Oliveira acertou belo chute de fora da área e igualou o placar agregado. Nas penalidades, 4 a 2 para os uruguaios e fim do sonho boliviano de ter outro representante nas quartas-de-final.


GRÊMIO 1 x 0 SAN LORENZO - nos pênaltis: 4 a 2 para o San Lorenzo - Só há um responsável pela classificação do San Lorenzo e esse alguém é Mario Bergoglio, vulgo Papa. O Grêmio foi muito superior, criou chances infinitas, pressionou, perdeu gols (Barcos, em noite terrível, perdeu duas grandes chances) e batia de frente na barreira invisível erguida pelo Sumo Pontífice alguns mil quilômetros pra lá do oceano. Em um momento de vacilo papal, Rodriguinho cruzou e a bola encontrou a cabeça de Dudu. Gol do Grêmio a pouco menos de 10 minutos do fim. Foi inevitável a decisão do destino de ambos parar na marca da cal. E aí, brilhou fé hermana. Barcos e Maxi Rodríguez pararam em Torrico, os argentinos converteram todos os tiros e avançam às quartas.

CERRO PORTEÑO 0 x 2 CRUZEIRO - Chiqui Arce flertou forte com as quartas. Muito forte. Uma pena que do outro lado estava o Cruzeiro. Ao longo da Libertadores, a Raposa se mostrou extremamente bipolar. Nessa fase não foi diferente. Não restava outra escolha ao Cruzeiro senão atacar. E ao Cerro, travar o jogo ao seu bel prazer. Lá pelos 32 do segundo tempo, os gandulas já gozando licença prêmio e tal, Bruno Rodrigo é expulso. Armou-se o cenário para mais um paraguaio nas quartas. Eis que a sorte resolve sorrir e solucionar o transtorno maldito que inexplicavelmente acomete o clube mineiro. Dedé, 3 minutos depois, acha um gol de cabeça e tumultua o final do jogo. O jogo de gato e rato havia se invertido a 10 minutos do fim. Então, devidamente atordoados e precisando do gol que levaria a disputa para os pênaltis, o Cerro se lançou ao ataque. Não apenas fracassou como viu Dagoberto dar o golpe de misericórdia aos 48 minutos e manter a Raposa no torneio.


QUARTAS DE FINAL:

DUELO: NACIONAL x ARSENAL DE SARANDÍ - O Nacional Querido surpreendeu pela luta e aplicação em campo. Defende-se com dedicação e o modo simplório como avança é revestido de alguma eficiência. O Arsenal é todo entrega e disposição. Longe de ser um time de primor técnico, aposta no principal ingrediente para triunfar na Copa: raça. 

PALPITE: ARSENAL

DUELO: ATLÉTICO NACIONAL x DEFENSOR - Disparado o melhor jogo dessas quartas-de-final. De um lado, Cardona e Cárdenas. Do outro, De Arrascaeta e o brasileiro Gedoz. Times que jogam para frente. Jogam e deixam jogar. Os meias trabalham bem, em que pese o ataque em si pecar constantemente nas finalizações. 

PALPITE: ATLÉTICO NACIONAL

DUELO: SAN LORENZO x CRUZEIRO - O instável e longe de ser confiável Cruzeiro sobrevive. Terá pela frente a dura parada de encarar um time literalmente abençoado. Óbvio que o time brasileiro é superior no elenco, na técnica, no papel, no tudo. Mas a Libertadores não admite tamanha bipolaridade com picos preocupantes de apatia. Se tiver aprendido a lição da fase de grupos e do susto das oitavas, avança. Não sei se será o bastante para brecar o poder da fé.

PALPITE: SAN LORENZO

DUELO: LANÚS x BOLÍVAR - Último boliviano vivo tem um time enjoado. Explora a altitude com competência e se mostra abusado fora dela. Foi líder do grupo do Flamengo, só pra lembrar. Tem pela frente o atual campeão da Sul-Americana que foi se encontrando no decorrer da competição. 

PALPITE: LANÚS

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Gripe madrilenha varre a Europa

Uma pandemia originária em Madrid foi a responsável por dizimar alemães, ingleses, italianos e também vitimou conterrâneos. Em Lisboa, local destinado a encerrar tal moléstia, conheceremos a última vítima. Ou, se preferirem, o campeão sobrevivente.

Esse mal avassalador ganhou destaque nesta semana pelos requintes de crueldade com o qual deu cabo de fortes alemães e aplicados ingleses.

O Real Madrid nem precisou considerar o suado empate obtido em casa para despachar a sensação Bayern de Munique. Na Alemanha, os merengues aplicaram sonoros 4 a 0 sobre os bávaros. Guardiola foi vencido pela velocidade e qualidade do contra-ataque madrilenho que precisou de meio tempo para acabar com o sonho alemão.

45 minutos jogados, dois gols de Sergio Ramos, ambos de cabeça, e outro de Cristiano Ronaldo eram mais que suficientes para o Real vingar-se do comandante rival, tantas vezes carrasco nos tempos de Barcelona. Porém, CR7 impiedosamente marcou seu segundo gol no jogo dando ares de humilhação à vitória conquistada no território rival.

Mas a fúria madrilenha não parou por aí. 

Mourinho atingia a semi-final pela 4ª vez consecutiva. Dessa vez, na casamata do Chelsea, levava os blues com estratégia semelhante àquela que consagrou a equipe londrina em 2012. Muita marcação e saída contida para o ataque, refém de contra-ataques.

No entanto, do outro lado havia o Atlético de Madrid, que faz uma temporada impressionante. Simeone não abriu mão da forte marcação. Tampouco de tratar a bola com decência quando tinha posse dela.

Embora fosse um jogo pegado, chances começaram a brotar. Numa delas, o fator casa pareceu sorrir para o Chelsea. Bola cruzada na área encontrou Fernando Torres. El Niño bate, agradece o desvio na zaga e abre a contagem para os ingleses.

Só que a alegria sequer durou até o intervalo. Jogando com inteligência e tranquilidade, o Atlético empatou com Adrián. Na volta do intervalo, o massacre. Eto'o mal entrava em campo e já cometia pênalti em Diego Costa. Ele mesmo bateu e ampliou a vantagem espanhola. 

Precisando da virada, o Chelsea lançou-se ao ataque. David Luiz carimbou a trave. Stamford Bridge à espera de um milagre. Mas não veio. Pouco depois, Arda Turan cabeceou, tabelou com a trave e empurrou livre para as redes. 3 a 1 ficou barato para Mourinho, morto pela 4ª vez na semi da Champions League.

O reencontro entre Real e Mourinho foi adiado. Ficou pra uma próxima oportunidade. A Champions ganha sua primeira final entre clubes da mesma cidade. Uma decisão apimentada pela rivalidade.

A busca do Real Madrid por La Décima nunca esteve tão perto. Carlo Ancelotti equilibrou a equipe. Pepe, Di María, Bale e Cristiano Ronaldo atravessam excelente fase. Ataque e contra-ataque praticamente infalíveis. Ora, como não apostar tudo nos merengues?

Do outro lado, Simeone armou um esquema de jogo no qual a equipe se defende com eficiência sem abdicar de trabalhar a bola com qualidade até o ataque. O grande destaque talvez seja o ótimo goleiro Courtois. E fico apenas nele pois seria impossível apontar apenas 3-4 grandes jogadores desse time que funciona incrivelmente bem como um todo. 

A excelente temporada de Cristiano Ronaldo, Bale e cia frente-a-frente com um velho inimigo detentor de um conjunto capaz de surpreender.

Minha torcida é pelo Atlético. Todavia, acredito que dê Real Madrid.