quarta-feira, 11 de junho de 2014

GRUPO H - Bélgica, Argélia, Rússia e Coréia do Sul

Finalmente chegamos ao último grupo! Infelizmente, o grupo mais tosco da Copa. O sorteio tem dessas coisas. Uns com muito e outros com tão pouco. O nível de competitividade aqui é bem baixo. Entretanto, se serve como consolo, é o grupo que reserva a maior candidata a surpresa da Copa. Trata-se da Bélgica.

A seleção belga é disparada a melhor desse grupo e deve avançar com um pé nas costas. Além de ser muito superior, tem uma geração promissora - muitos nomes certamente se repetirão por mais uma ou duas Copas - e pode complicar a vida de quem vier lá do grupo G nas oitavas. Conquistou sua passagem para o Brasil com relativa facilidade ao liderar seu grupo nas Eliminatórias deixando pra trás Sérvia e Croácia.

É uma equipe bem equilibrada com ótimos talentos em todas as posições. Na meta, Courtois, de apenas 22 anos, já desponta como um dos melhores goleiros do mundo. A zaga não é refém do veterano Van Buyten. Vermaelen, Kompany e Vertonghen cuidam bem do setor.

Da meia-cancha em diante desfilam jogadores jovens mas que já contam com vasta bagagem internacional tanto pela seleção como pelos seus clubes onde figuram constantemente na titularidade. Destacam-se Witsel, Mirallas, De Bruyne, Fellaini, Lukaku, o garoto Januzaj (pronuncia-se "Ianuzái"), todos eles liderados pelo astro Eden Hazard, do Chelsea.

Tudo indica que a Bélgica vai sobrar na primeira fase e tem uma chance razoável de alcançar as quartas-de-final.

A Rússia surge como principal postulante à segunda vaga do grupo. Apesar do elenco todo atuar no endinheirado e controverso futebol russo, os russos não precisaram de repescagem para vir à Copa. Quem ficou em segundo naquele grupo foi Portugal, que teve que bater a Suécia para se classificar.

Os principais nomes desse aguerrido time russo são o goleiro Akinfeev, Denisov, Zhirkov, Dzagoev e o experiente atacante Kerzhakov. A confiança na qualidade do time faz com que Capello se permita abrir mão dos experientes Arshavin, Pogrebnyak e Pavlyuchenko para esta Copa.

Longe de ser espetacular como a Bélgica, a Rússia se dá o luxo de montar um time capaz de sobreviver à fase de grupos e figurar nas oitavas.

Quem sonha surpreender novamente é a Coréia do Sul. Desde aquela roubalheira desenfreada que culminou no 4º lugar na Copa de 2002 a seleção coreana tem se mostrado um adversário traiçoeiro. Em 2006 caiu na primeira fase, um ponto atrás da França, 2ª melhor do grupo naquela ocasião. Já em 2010, caiu nas oitavas para o Uruguai.

A representatividade do futebol coreano ficou mais difícil desde a aposentadoria de Park Ji-Sung. Heung-Min Son surge como um novo ícone. Aos 21 anos, o atacante atua pelo Bayer Leverkusen, sendo o clube alemão o melhorzinho dentre os demais times onde seus companheiros atuam.

O futebol asiático sempre há de ser visto com alguma ressalva, mas dessa vez não deve oferecer resistência frente a Bélgica e Rússia.

Mais ignorada que farelo de pão, a Argélia chega para compor o grupo. Há alguns destaques que merecem um breve registro: os zagueiros Ghoulam e Mesbah, o atacante Feghouli e o jovem Bentaleb. No entanto, a Argélia é bem fraquinha embora tenha seu elenco alguns atletas atuando na Itália, Espanha e Inglaterra.

Sejamos francos, o nível do grupo é realmente meio bizarro e a probabilidade de zebra da zebra aqui é pouquíssimo provável.


PALPITE
1º - Bélgica
2º - Rússia


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Grupo G

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terça-feira, 10 de junho de 2014

GRUPO G - Alemanha, Portugal, Gana e Estados Unidos

Rapaz, esse grupo G é um dos mais engraçadinhos dessa Copa! Há um traço de grupo da morte embora tal característica não esteja muito evidente. Isso porque temos a sempre favorita Alemanha e sua geração de altíssimo nível. Além dela, Portugal de Cristiano Ronaldo, ora pois; a melhor seleção africana dentre as qualificadas; e o ascendente futebol norte-americano. Dar-se-ão brigas boas aqui.

Para mim, a Alemanha divide com o Brasil a condição de principal postulante ao título. Todavia, meu palpite pessoal tende a apostar mais num título alemão que brasileiro pelo histórico recente de ambas seleções. Explico. Enquanto o Brasil enfileirou 3 finais seguidas entre 94 e 2002, com direito a dois títulos, a Alemanha desde 2002 acumulou fracassos e vive uma fase desgraçadamente pipoqueira cujo início ocorreu justamente na final que valeu o penta canarinho.

Daquela final em diante, a Alemanha terminou em 3º no Mundial em 2006, realizado em seus domínios. Perdeu a Euro-08 para uma Espanha que ainda esboçava sua copeirice no cenário internacional. Repetiu o 3º lugar na Copa-2010 e também fechou a Euro-12 na terceira colocação. Apenas para constar, o último título mundial da Alemanha data de 1990.

Há doze anos a Alemanha vem apresentando um futebol extremamente vistoso, de franca mentalidade ofensiva mas tem falhado constantemente nos momentos decisivos, o que causa estranheza ante a tradição e força do futebol alemão. Nesse contexto, acredito que quanto mais se perde, mais próximo da vitória se está. Sim, creio que a Alemanha está prestes a novamente figurar no posto de campeã do mundo. 

(O Brasil é favorito por tudo aquilo que disse na análise do grupo A. Pelo fator casa, equipe, etc. e tal. Mas, em que pese as quedas sucessivas nas quartas-de-final em 06 e 2010, ter conquistado 2 títulos tão recentemente me fazem apostar que um terceiro triunfo não virá tão cedo assim. Com relação à Argentina, aquele probleminha defensivo pode selar sua sorte quando se deparar com uma seleção do calibre dessa alemã)

Voltando. A Alemanha tem um time excelente de ponta a ponta. Neuer no gol, Hummels e Boateng na zaga e do meio pra frente eu teria que falar uns 300 nomes pra ser justo. Schweinsteiger, Götze, Ozil, Muller, etc., etc., etc. À propósito, olho em Klose! O veterano centroavante tem a chance de se tornar o maior artilheiro em Copas do Mundo caso anote dois gols. O posto atual é de Ronaldo, com 15 gols. O alemão tem um a menos que o brasileiro.

Uma pena foi o corte do meia Reus, que fez uma temporada ótima com o Borussia Dortmund. Contudo, nem mesmo essa baixa deixa a Alemanha menos favorita.

Em busca de um lugar ao sol, Portugal deposita suas fichas no momento iluminado de Cristiano Ronaldo. O fantástico ano de 2013 lhe rendeu o posto de melhor jogador do mundo pela segunda vez e sua temporada culminou com o título da Champions League com o Real Madrid. Porém, o gajo teve atuação discreta na final, embora tenha anotado um gol de pênalti. Isso se deve ao evidente esgotamento físico a que foi submetido durante esse tempo.

Mesmo refém da condição de Cristiano Ronaldo, Portugal tem em seu grupo uma meia dúzia de jogadores que podem auxiliá-lo na missão de levar a seleção lusa o mais longe possível. A boa fase de Pepe e Coentrão dão alguma estabilidade lá atrás, ao passo que Moutinho, Meireles, Postiga, Nani e Varela são as melhores opções para as lides ofensivas.

Portugal tem um time bom, ponto. Não é uma Brastemp, é apenas uma seleção competitiva. Com ou sem Cristiano Ronaldo as chances de Portugal alcançar as semi-finais me parecem um tanto utópicas. Mas vão engrossar, fazer jogo duro, o que é bom para a Copa, sem sombra de dúvidas.

Agora entro nos reais motivos que justificam a graça do grupo.

Gana é uma seleção perigosa. Em 2006, chegou às oitavas num grupo que também tinha os EUA. Caiu para o Brasil naquela ocasião. 4 anos mais tarde, Gana protagonizou uma das paradas mais surreais que eu vi em Copas do Mundo.

Quartas-de-final. Gana e Uruguai empatavam por 1 a 1. No último minuto do segundo tempo da prorrogação falta para os africanos. Bola alçada na área. Começa um fuzuê danado na área uruguaia. Muslera, goleiro Celeste, sai mal. A bagunça persiste. Eis que surge uma cabeçada certeira e o atacante Suárez, na linha do gol, espalma no puro reflexo e evita o gol. Pênalti. NO ÚLTIMO MINUTO DA PRORROGAÇÃO, PÊNALTI. Toda a África agora reunida em Gana, última seleção viva do continente e prestes a ser uma das 4 melhores da competição. Tudo nos pés de Gyan. Ele corre, bate e CARIMBA O TRAVESSÃO. A bola vai embora. A partida vai para os pênaltis e o Uruguai vence, com direito a cavadinha de Loco Abreu para colocar a Celeste na semi-final.

Essa história mostra que se não fosse a bisonha defesa de Suárez, Gana teria sido semi-finalista 4 anos atrás. Seria uma das quatro melhores seleções daquela Copa, portanto. E não é uma seleção de todo ruim, pelo contrário. Traz para esse Mundial peças presentes naquele dia fatídico e uma equipe que conta com jogadores de bom nível.

Capitaneados por Essien, Muntari e Kevin-Prince Boateng (irmão do zagueiro Boateng da Alemanha - aliás, vão se enfrentar novamente na fase de grupos, tal como em 2010), merecem atenção o próprio atacante Gyan, Ayew, os meias Atsu e Asamoah e o zagueiro Mensah. 

Não acredito que Portugal vá perder sua vaga para Gana. Mas, porém, contudo, todavia, há uma chance razoável de Gana aprontar e ir lá meter o bedelho na segunda fase.

Restam os Estados Unidos. Chegam com sede de vingança. Como dito, caíram no grupo de Gana em 2006 e perderam por 2 a 1. Na última Copa, foram eliminados pelos ganeses nas oitavas pelo mesmo placar. Para 2014, os EUA não empolgam.

A grande surpresa é a ausência de Donovan, grande astro do futebol norte-americano. Assim, os destaques ficam por conta do veterano goleiro Howard, o zagueiro Beasley e os atacantes Dempsey e Altidore. 

A MLS tem investido no futebol local com a constante contratação de veteranos para promover o futebol local. Isso desde Pelé quando atuou pelo Cosmos. É possível notar a evolução dos norte-americanos. Em 2009 chegaram à final da Copa das Confederações e o Brasil tomou um suadouro desgraçado para virar o jogo e sagrar-se campeão.

Talvez se não caísse num grupo tão traiçoeiro os EUA tivessem uma perspectiva melhor. Mas quando se tem Alemanha, Portugal e Gana pela frente, o futuro não parece muito animador para essa seleção.


PALPITE
1º - Alemanha
2º - Portugal 

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segunda-feira, 9 de junho de 2014

GRUPO F - Argentina, Bósnia, Irã e Nigéria

O grupo do bilhete premiado. A sorte sorriu para a Argentina de Messi, infelizmente. Os hermanos foram contemplados com um grupo fácil e um cruzamento que, dentro das CNTP, os colocam diretamente nas quartas-de-final.

Nunca é demais lembrar que a Argentina não se resume a Messi. Da volância em diante há um verdadeiro desfile de qualidade. Mascherano, Di María, Agüero, Lavezzi, Higuaín. E olha que Tevez e Pastore não foram lembrados. Ou seja, é inegável que quando eles tiverem a posse de bola todo cuidado do mundo será pouco.

Seus pontos fracos residem na defesa e no gol. Seus defensores, laterais e goleiros não são lá essas coisas. Não há nenhum nome que cause frisson e imponha respeito assim de cara. Dessa forma, a Argentina terá que dobrar sua atenção e esforços defensivos para superar tais deficiências. Raça, como de praxe, não faltará.

Sem dúvida é uma das grandes favoritas ao título. Porém, repito, os flancos e o miolo da zaga podem entregar a rapadura. 

Enquanto os argentinos sorriem à toa, o restante do grupo se coça para conquistar a segunda vaga.

A grande favorita a ir até as oitavas é a Bósnia, do astro Dzeko, centravante do Manchester City.

Dzeko é um atacante de muita presença de área e frieza nas conclusões. Quem divide o protagonismo da Seleção com ele é o meia Pjanic e o atacante Ibsevic. Já os demais perambulam basicamente pelo futebol alemão, italiano e turco.

Não é o fato de ser favorita a uma das vagas que faz da Bósnia um bicho-de-sete-cabeças. Basta lembrar que ela disputa sua classificação com Irã e Nigéria, seleções bem mais inferiores. Todavia, vale registrar que a Bósnia classificou-se em primeiro do seu grupo nas Eliminatórias da UEFA superando a Grécia no saldo de gols: 24 a 8!

Aparentemente é uma equipe que, quando ataca, não se faz de rogada. Entretanto, complicado avaliar a real qualidade de sua defesa. Em se tratando de primeira fase, parece seguro afirmar que tem um conjunto mais sólido que suas demais concorrentes o que a credencia às oitavas-de-final.

Basta saber que uma delas é o Irã. Nem se eles trouxerem armas nucleares e químicas terão um time suficientemente poderoso para alcançar as oitavas-de-final. Para dificultar ainda mais sua empreitada, a maioria esmagadora de seu elenco atua no desconhecido futebol iraniano. Enfim, que desfrutem da viagem ao Brasil e divirtam-se da melhor maneira que puderem.

Já a Nigéria pode se permitir sonhar. Sonhar mas nada além disso. É quem pode, em tese, medir forças com a Bósnia e tentar conquistar uma boquinha na segunda fase.

Contudo, a Nigéria já teve times melhores. Os tempos de Kanu, Amokachi, Babangida, Ikpeba, Okocha e West já foram. A realidade dessa Nigéria-2014 passa por Mikel, Onazi, Moses e só. E esses três nem de longe limpam a chuteira dos ídolos mencionados. 

Ano passado foi possível ver bem o nível do selecionado africano. Na Copa das Confederações de 2013, caiu no grupo de Espanha, Uruguai e Taiti. Fez o desfavor de golear impiedosamente os amadores do Taiti e pagou caro quando confrontou a realidade: derrotas para Espanha e Uruguai e adeus à competição.

Enfim, ainda que passar pelo Irã seja certo, a Nigéria não parece ser forte o suficiente para superar a Bósnia nesse grupo.


PALPITE
1º - Argentina
2º - Bósnia

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

GRUPO E - Suíça, Equador, França e Honduras

Um grupo skol litrão às avessas. Chama a atenção o fato de que a cabeça-de-chave do grupo é a Suíça e não a França. Isso porque a FIFA se baseia em seu ranking de seleções para definir quem serão os cabeças-de-chave e, à época, a Suíça estava à frente da Seleção Francesa.

Bom, é um grupo de virtual equilíbrio mas sem a roupagem de um grupo da morte. No frigir dos ovos é de se esperar que as equipes europeias triunfem nesse bloco.

Sempre favorita, a França terá a baixa do craque feioso Ribéry. Além dele, Nasri, meia habilidoso do Manchester City, não foi convocado pelo técnico Didier Deschamps. A ausência desses dois atletas já indica uma equipe com déficit considerável no setor ofensivo.

Para compensar tal carência, a Seleção Francesa aposta alto nos gols de Benzema, centroavante do Real Madrid. Além disso, investe pesado no meio-campo que conta com Pogba, Cabaye e Matuidi. A defesa também merece respeito. Os jovens Varane e Mangala aliados à experiência de Evra e Sagna garantem que os Bleus seguirão uma pedra no sapato de quem cruzar seu caminho.

Outra Seleção chatinha de se encarar é a Suíça. Antes de tudo, uma curiosidade. A Suíça já conseguiu o feito surreal de ter sido eliminada de uma Copa sem levar nenhum gol. Em 2006, a equipe se classificou em primeiro lugar com 4 gols marcados e nenhum sofrido. Aliás, por coincidência, também tinha a França naquele grupo. Nas oitavas, foi eliminada pela Ucrânia nos pênaltis, após empate por 0-0 no tempo normal e prorrogação.

Em 2010 novamente se classificou para a Copa. Contudo, caiu na primeira fase. Nem por isso o desempenho defensivo deixou de ser destaque. Só levou um gol.

Ou seja, o ataque pode não ser lá essas coisas, porém é inegável que é um time que sabe como se defender. Liderada por Lichtsteiner e Senderos, a Suíça concentra seus jogadores basicamente entre Itália e Alemanha, como Behrami (Napoli) e o veloz Shaqiri (Bayern de Munique).

Vale dizer que esse time chato bateu o Brasil ano passado em amistoso realizado na Basileia por 1 a 0, gol contra da Daniel Alves. Creio que tá mais que mostrado como é que eles devem se apresentar em campo.

Nadando contra a maré vem o Equador. 

É muito complicado apostar no Equador como eventual surpresa porque o time não é lá essas coisas. Quer dizer, em se tratando de América do Sul o Equador vira-e-mexe emplaca uma campanha razoável e se classifica para a Copa. Para este ano, contou com a ausência do Brasil e fase ridícula do Paraguai para assegurar sua vaga.

Para se ter uma noção, o zagueiro Erazo mal figura no banco de reservas do Flamengo e tá lá convocadinho da Silva, percebem? O grande nome dessa Seleção é Antonio Valencia, meia-atacante do Manchester United. De resto, é só a nata da desconhecida boleiragem equatoriana.

Pior ainda é tentar dizer alguma coisa sobre Honduras. Não adianta tentar defender o pobre catado hondurenho usando como desculpa a Copa América de 2001 quando eliminaram uma tal Seleção Brasileira por humilhantes 2 a 0. É um time ruim e ponto.

Entre atletas escondidos pelo submundo do futebol (tipo o paraguaio e o norte-americano), Figueroa, García, Espinoza e Palacios atuam em modestas equipes do futebol inglês. Ou seja, tal como a Costa Rica, vai ser a mãe do grupo.


PALPITE:
1° - França
2° - Suíça

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quarta-feira, 4 de junho de 2014

GRUPO D - Uruguai, Costa Rica, Inglaterra e Itália

Grupo D. O autêntico Grupo da Morte. Aqui é onde o filho chora e o Mundo inteiro vê. A composição desse grupo leva três seleções que já foram campeãs da Copa. A parte mais interessante vem agora: Daqui possivelmente sairá o adversário do Brasil nas quartas-de-final.

Há o choque entre seleções tradicionais, duras na queda e detentoras de 7 títulos ao todo. Serão partidas muito interessantes e todos tem o dever cívico de acompanhar esse grupo de perto.

A primeira regra para definir quem vai às oitavas passa pela moribunda Costa Rica. Quem realmente quiser seguir vivo na Copa tem a obrigação de vencer seu duelo com essa seleção. A explicação é simples: a Costa Rica perto dessas outras tem nível parecido de um time participante da Copa Kaiser (tradicional torneio de futebol amador).

É um tanto óbvio que quem conseguir a proeza de não vencer a Costa Rica, vai acabar eliminado. Mas há outro detalhe: o saldo de gols. Não basta ganhar da Costa Rica. Tem que enfiar uma tonelada de gols. 5, 6, 8, infinitos gols. Afinal, dada a dificuldade que Itália, Inglaterra e Uruguai terão nos confrontos entre si, o saldo de gols pode ser determinante para classificar às oitavas.

O Uruguai, protagonista do tal Maracanazzo em 1950 que lhe valeu seu segundo título, tem um time extremamente encardido. O espírito aguerrido não se confunde com seguidos chutões e botinadas. Basta lembrar que a Celeste terminou em 4º lugar na Copa em 2010 e conquistou a Copa América em 2011.

Falemos da qualidade dessa equipe. Sobra experiência já que o Uruguai manteve parte considerável do elenco participante das campanhas mencionadas acima. Qualidade também não falta. Óscar Tabárez montou uma equipe bem equilibrada que se defende com decência e trata a pelota com respeito na frente.

A defesa conta com Godín, ótimo zagueiro e parceiro do Miranda no Atlético de Madrid, além de Lugano. Há também jogadores versáteis que podem auxiliar a volância como Maxi Pereira e Álvaro Pereira. Entretanto, os principais destaques dessa equipe não vivem grande momento. O trio formado por Forlán, Suárez e Cavani preocupa. Forlán, veterano, não está no seus melhores dias. Suárez fez uma temporada espetacular com o Liverpool mas ainda se recupera de lesão. Já Cavani foi bem na França embora tenha vivido à sombra de Ibrahimovic no Paris Saint-Germain. 

Bom, se todos estiverem 100%, o Uruguai tem boas chances de fazer um belo fuzuê nesse grupo.

Enquanto isso, a Itália chega para essa Copa em uma eterna reformulação e ainda em busca de reencontrar sua identidade perdida em 2006, ano do seu tetracampeonato. Em 2010, conseguiu ser eliminada ainda na fase de grupos. Detalhe: não era um grupo com dificuldade semelhante a este. Sucumbiu diante de Paraguai, Nova Zelândia e Eslovênia. Simplesmente ridículo.

Mas chegou 2014. Ano novo, Copa nova e alguns velhos conhecidos. Um repertório de veteranos e demais jogadores na casa dos 30 vem ao Brasil tentar recolocar a Itália nos eixos neste Mundial. No gol, Buffon segue titular absoluto. A defesa conta com uma trinca de zagueiros da Juventus: Barzagli, Bonucci e Chiellini. A meia-cancha terá os marcadores De Rossi e Thiago Motta (brasileiro naturalizado italiano) e Pirlo para organizar o rodízio de pancadas e distribuir a redonda pelo campo, além de ser peça fundamental na bola parada. No ataque, a esperança se resume a Balotelli. 

Resumindo, a Itália sempre leva pra Copa um time experiente que joga um futebol mais pegado, de marcação mais firme. Só que esse ano a Azzurra está refém de seus volantes. Não há um meia como era Totti, que fazia o elo com o ataque decentemente. Sequer há um segundo atacante mais espertinho que quebre um galho e ajude na armação. Fato é que o setor ofensivo italiano vive uma entressafra. Não há nessa geração atletas que podem gerar alguma euforia na torcida e preocupação nos adversários.

Portanto, a Itália chega com camisa, tradição, marcação, Balotelli e pronta para um deus-nos-acuda miserável para não repetir o vexame da Copa passada.

Para apimentar o caldeirão do bloco D, temos a Inglaterra.

O futebol inglês rivaliza com o espanhol qual é o mais bacana de ser ver no momento. A Terra da Rainha proporciona uma rivalidade e uma concentração financeira que deixa a Premier League mais interessante. Em La Liga, tudo acaba se resumindo a Barcelona e Real Madrid, salvo uma ou duas vezes na década quando surge um Atlético de Madrid da vida a mudar esse cenário previsível.

Mas vamos ao que interessa. A Inglaterra tem um time muito bom e muito equilibrado. Há alguma deficiência nos flancos e alguma incerteza com relação à zaga. No entanto, do meio pra frente é um time a se observar com carinho.

Os veteranos e excelentes meias Gerrard e Lampard terão a ajuda de uma meninada bem disposta na organização do meio-campo, como Wilshere e Milner. O ataque fica sob responsabilidade de Rooney, claro. Felizmente, dessa vez o dublê de Shrek terá Sterling e Sturridge, dupla de avantes do Liverpool, para auxiliá-lo com a devida competência.

O English Team certamente será um páreo duro como sempre foi. Um time bem consciente na ocupação dos espaços com saída rápida para o ataque. 

Levo em conta uma série de pequenos fatores para dar meu palpite. Não creio que o Uruguai vá repetir a excelente forma que apresentou 4 anos atrás. Além disso, a condição física duvidosa de Forlán e Suárez e a qualidade questionável de seus suplentes não me fazem crer que a Celeste tumultuará as bancas de apostas. Também duvido que a Itália repetirá o desempenho medonho da última Copa. Um fracasso retumbante é perdoável, já o segundo em sequência me soa demasiado surreal. Por fim, a Inglaterra tem um time mais arredondado, um ataque explosivo e costuma ser figurinha carimbada nos mata-matas.


PALPITE
1º - Inglaterra
2º - Itália

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terça-feira, 3 de junho de 2014

Grupo C - Colômbia, Grécia, Costa do Marfim e Japão

Eis o grupo mais skol litrão da Copa. O preciso conceito consagrado pelo ex-meia e hoje filósofo da bola Perdigão (ex-Inter e Corinthians) sintetiza bem o que esperar desse grupo tão surreal.

A cabeça-de-chave foi a Colômbia (2ª colocada nas Eliminatórias). Ter o selecionado cafetero na posição 1 do grupo abre com chave de ouro a caixa de Pandora presente na ala C da Copa do Mundo. Na sequência, Grécia, Costa do Marfim e Japão. Todas essas Seleções colecionam participações em Copas do Mundo sempre na condição de coadjuvante e nada além disso. Aliás, estão mais para figurantes de Malhação. 

No entanto, essa Copa permitirá que duas delas avancem até as oitavas sob a famigerada condição de zebra que lhes conferem o direito de tentar chocar o Mundo. Afinal, seus respectivos adversários virão do grupo D, ainda a ser visto de perto, mas, já adianto, se alguma Seleção do grupo C chegar às quartas-de-final será uma surpresa e tanto.

Tenho comigo alguma certeza de que, ao final do sorteio dos grupos, Valderrama teria se esbaldado de sambar. A Colômbia tem uma equipe bastante interessante revestida de traços de alegria e ousadia no ataque.

A grande baixa é Falcao García. O centroavante não se recuperou de lesão e está cortado do Mundial. Mesmo assim, os cafeteros contam com um conjunto respeitável e experiente. Na ausência de seu matador, os nomes a serem vistos de perto atendem por Guarín, Cuadrado, James Rodríguez, Jackson Martínez. O elenco ainda conta com o irreverente Pablo Armero, ex-lateral do Palmeiras (clique para lembrar dele).

Assim, a Colômbia chega com uma zaga rodada, uma meia-cancha obreira e um ataque bastante rápido. Ao meu ver, deve ser o bastante para obter uma das duas vagas às oitavas.

Restam, portanto, outras 3 equipes para mais uma vaga.

Minha favorita é a Costa do Marfim. O futebol africano pode ser resumido a muita força e velocidade. Todavia, no time da Costa do Marfim é possível vislumbrar alguma qualidade graças à presença de jogadores diferenciados e experientes.

O veterano artilheiro Drogba merece respeito. Assim como Yaya Touré, um dos melhores meias em atividade. Além deles, Gervinho, Kalou e Kolo Touré são outras peças que acrescentam algum diferencial em relação aos rivais de grupo.

Mesmo tendo sido abençoadas com um grupo relativamente nivelado que permite almejar a classificação, considero Grécia e Japão os azarões dos azarões nesse bloco e não acredito que irão adiante na Copa.

A Seleção Grega não preza pela ofensividade. É uma equipe de clara vocação defensiva destinada a explorar contra-ataques com qualidade discutível. Nas Eliminatórias, ficaram em segundo de seu grupo, empatados com a Bósnia. Em 10 jogos, 8 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Porém, chama a atenção os 12 gols marcados e apenas 4 sofridos.

Mesmo tendo atuado diante de equipes bem mais modestas (ou medíocres, como preferirem) é um dado a ser relevado. Enfim, na repescagem os gregos bateram a Romênia pelo placar agregado (jogo de ida + jogo de volta) de 4 a 2. 

A merecerem algum destaque, fiquemos com o zagueiro Sokratis, o veteraníssimo meia Karagounis e Samaras e Mitroglou para o ataque.

Acho pouco provável que esse ferrolho espartano venha a segurar o ataque de Colômbia ou Costa do Marfim.

Da mesma forma que reputo improvável que o Japão surpreenda. A menos que tragam alguma engenhoca tecnológica que transformem seus atletas em verdadeiros transformers boleiros.

É indiscutível que o futebol japonês evoluiu consideravelmente. Basta notar que, embora grande parte dos 23 convocados atue em casa, uma boa meia-dúzia perambula pela Europa, especialmente no disputado futebol alemão.

Contudo, não é o bastante para credenciar o Japão a uma das duas vagas. Em que pese ter uns dois ou três talentos na parte ofensiva, como Honda, Kagawa e Okazaki, o sistema defensivo deixa a desejar. Prova disso foi o desempenho na Copa das Confederações ano passado. Por mais que tenha tido lapsos e equiparado forças em alguns momentos nos jogos contra México e Itália, não resistiu. Voltou para casa com 3 derrotas na mala. 

Após bater nos Samurais Azuis, assopro. Tem mais chances de eventualmente ficar com uma vaga que a Grécia.


PALPITE:
1º - Colômbia
2º - Costa do Marfim

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segunda-feira, 2 de junho de 2014

GRUPO B - Espanha, Holanda, Chile e Austrália

É um grupo da Morte. Quando usarem essa expressão para referirem-se ao grupo D, podem encher a boca pra falar que aqui no bloco B há um esconderijo da dita-cuja, pronta a levar precocemente algum descuidado. Sabemos que a Morte tem diversas facetas. Alerto sobre isso nos posts da Libertadores. Assim, um campeonato com uma fase curta de grupos e um mata-mata frenético potencializa as chances da foice cantar solta desde o início. 

De cara, uma observação. Daqui sai o rival do Brasil nas oitavas-de-final. Tendo-se em conta que o Brasil deve ser o 1º colocado no seu grupo, seu adversário nas oitavas será o segundo colocado desta chave. Anotem isso.

Comecemos então pela Espanha. Todo mundo sabe quem ela é. Ganhou a Copa do Mundo em 2010 e tomou um baile nosso na final da Copa das Confederações ano passado. Isso não significa que a Fúria virou uma teta. Pelo contrário, a Espanha segue forte e favorita ao bicampeonato.

A Espanha construiu uma equipe sólida cuja base vem desde 2008, quando levantou a Eurocopa. Em 2012, já campeã do Mundo, revalidou o caneco europeu. Em linhas gerais, só faltou a Copa das Confederações para essa geração espanhola multicampeã.

Pois bem, tanto os 11 iniciais quanto os suplentes são praticamente os mesmos que levantaram a taça 4 anos atrás. Uma equipe perigosíssima e, acima de tudo, entrosada. 

O tal Diego Costa, centroavante brasileiro naturalizado espanhol, foi convocado. Terminou a temporada baleado e está fazendo tratamento para chegar inteiro para a Copa. Se estiver 100%, puta atacante. Melhor que o Fred e o Jô juntos, fácil.

A patota do Barcelona segue presente no selecionado espanhol. Conta com Piqué (isso, o marido da Shakira) na zaga, Xavi, Iniesta (autor do gol do título em 2010) e Cesc Fábregas (responsável por shows, festas e eventos culturais na concentração. Sim, a piada era um mau necessário).

Nomes como Xabi Alonso, Sérgio Ramos, Javi Martínez e David Silva agregam valor a essa Seleção, franca favorita ao título. Eu não levo muita fé nos reservas para o ataque. Villa tá velho, Pedro é um eterno talismã mas nunca uma solução e Fernando Torres, bem, o próprio nome indica sua função.

Quem divide o favoritismo da chave ao lado da Fúria é a Holanda, vice-campeã em 2010 e nossa carrasca nas quartas-de-final daquela Copa.

A Laranja Mecânica fez uma campanha soberba nas Eliminatórias. Classificou-se em primeiro com 9 vitórias e um empate em um grupo cujos rivais mais complicados atendiam por Turquia e Romênia. A mamata que pegou nas Eliminatórias teve seu preço na Euro-12. Foi eliminada ainda na primeira fase após 3 derrotas para Dinamarca, Alemanha e Portugal.

É uma Holanda bastante mudada com relação ao selecionado do Mundial passado, principalmente do meio para trás. A estrutura defensiva passa por jogadores que atuam no próprio futebol holandês e um ou outro a perambular pelo submundo do futebol inglês.

Os grandes destaques dessa versão 2014 da Holanda são o carniceiro De Jong (se esqueceu, clique para lembrar) tá no time juntamente com os experientes Sneijder, Robben e Van Persie. Do meio para a frente mantém a tradição de ser um time perigoso, só essa defesa que não aspira muita confiança. É uma Holanda bem mais apagada em relação aos times que apresentaram em 94, 98 e até 2010.

Cabe ao Chile aproveitar essa geração mais modesta dos holandeses.

A Morte pode encontrar no Chile um refúgio para degolar uma virutal favorita européia, senão vejamos:

Sob o comando de Jorge Sampaoli, o Chile vai levar alguns conhecidos nossos, a saber: Mena (Santos), Aránguiz (Internacional), Valdívia (Palmeiras). O treinador também convocou Johnny Herrera, o Super-Boy, aquela goleiro ridículo que jogou no Corinthians em 2006. Pois é, pelo que consta o arqueiro da Universidad de Chile vive fase boa o bastante para figurar no grupo da Roja para essa Copa.

A defesa não é lá essas coisas, porém a meia-cancha e o ataque não bastante explosivos. Grande parte do elenco atua na Europa, especialmente na Itália e Espanha. Implica dizer que estão acostumados a atuar sob forte marcação, além de sair para o jogo em velocidade. 

Uma boa exibição da seleção chilena passa basicamente por 4 jogadores: Vidal, ótimo volante da Juventus recupera-se de lesão e gera alguma apreensão quanto ao seu físico no Mundial; Aránguiz, outro volante obreiro capaz de correr o campo todo, marcar e aparecer lá na frente para dar uma força; Vargas, atacante com passagem recente pelo Grêmio, preza pela velocidade e habilidade mas não necessariamente pela eficiência; e do bom centroavante do Barcelona Alexis Sánchez.

O Chile tem um time engraçadinho e briga forte com a Holanda por essa segunda vaga. A favor dos chilenos há a mística de estarem fadados a encarar o Brasil nas oitavas (vide 98 e 2010, por exemplo). Entretanto, apesar da torcida pela seleção sul-americana creio que os europeus avançam.

Correndo por fora vem a Austrália. 

Deixou de disputar as eliminatórias da Oceania porque, convenhamos, não dava graça. Não havia rivais interessantes. Apenas para situar, o campeão das eliminatórias da Oceania disputa uma vaga na Copa contra o pior classificado de algum outro continente a ser definido por sorteio.

Não há dúvida que perto das 3 é a mais fraca. Os intermináveis Tim Cahill e Mark Bresciano foram convocados e de conhecidos mesmo são só esses. Se jogassem com cangurus talvez levassem mais perigo e tivessem mais chances de surpreender. 


Palpite:
1º - Espanha
2º - Holanda

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