segunda-feira, 23 de junho de 2014

Enfim, o início.

Agora sim! A Copa propriamente dita finalmente começou!

Depois de uma vitória controversa sobre a Croácia e um empate modorrento contra o México, o Brasil fez 4 a 1 em Camarões e garantiu o primeiro lugar o grupo. 

O Brasil jogou em cima durante toda a partida. O primeiro gol não tardou a sair. Aos 16 minutos, Luiz Gustavo desmarcou na esquerda e cruzou na medida para Neymar só tirar do goleiro. O tento trouxe tranquilidade e alguma desatenção. Aos 25, Matip, livre na área, empatou o confronto.

Daí em diante foi só Brasil novamente. Quase dez minutos depois, Neymar faz o segundo em bela jogada individual. No segundo tempo, Fred e Fernandinho deram números finais ao duelo. 

Aliás, Fernandinho entrou no lugar de Paulinho e arrebentou! Distribuiu passes, mostrou muita garra na marcação, disposição tática e tudo que se espera de um segundo volante participativo e, sobretudo, útil. Fred dessa vez não foi cone. Foi cone artilheiro. Brigou um pouco mais, tentou um pouco mais e foi premiado com mais um lance polêmico. Gol de cabeça irregular no qual depositamos nossas crendices diversas para a quebra da zica que perseguia nosso 9.

O adversário do Brasil será, mais uma vez, o Chile. Tal como em 2010 e 1998, os chilenos cruzam o caminho canarinho justamente nas oitavas. A FIFA já admite transformar este confronto em cláusula pétrea no regulamento da Copa a valer a partir do próximo Mundial. Ah, a tendência é de vitória tranquila nossa. 

Espera-se que o Chile faça aquele já conhecido papel de baranga no final da noite, de ex recente ou de peguete da vez. Apertou, vai lá, liga, chega junto, xaveca bonitinho e rola aquele alívio redentor.

Por mais qualidade que seja essa equipe chilena tenha com Vidal, Alexis Sánchez e Vargas sob a batuta do competente Jorge Sampaoli, não vejo La Roja capaz de - neste momento - superar o maior dos tabus que cerca o confronto: jamais ter vencido o Brasil em solo tupiniquim.

Isso porque o Brasil acorda para a vida no principal momento da Copa. Chegar com confiança nas oitavas é o primeiro passo para começar a superar as etapas seguintes. A equipe se tocou que é preciso mais vibração em campo e tal evolução foi notória. Não somente pelos 4 gols. Salvo aqueles 10-15 minutos de branco súbito, o Brasil se mostrou Brasil.

Já o Chile vem de classificação heroica no grupo B tendo despachado a Espanha. Motivação não falta, óbvio. Contudo, a derrota para a Holanda na última rodada por 2 a 0, mesmo com a equipe já classificada mostra que não tem tanta força quanto parece.

A derrota não muda a respeitável campanha, porém, ressalta que, no frigir dos ovos, o Chile - mesmo com seus méritos próprios - passou por cima de uma Espanha apática, completamente fora do habitualmente visto nos últimos anos. Não tendo sido capaz de superar um adversário mais forte em melhor fase, caso da Holanda. 

A defesa chilena é bem esforçada, ponto. Seu ponto fraco é a bola aérea. Apertou? Chove na área deles pra você ver o deus-nos-acuda! A meia-cancha é obreira, fato que pode trazer alguma dificuldade para o Brasil construir seu jogo a seu bel prazer. O triunfo da Holanda somente foi construído nos últimos 15 minutos de jogo, para se ter uma ideia. O ataque depende muito dos lampejos de Sánchez mesmo tendo um veloz Vargas no setor. Haverá perigo se souberem como explorar as costas de Daniel Alves e Marcelo. 

Em vez de uma vitória elástica, aposto em uma classificação mais na conta do chá. Mas nada que vá infartar brasileiros por aí. Esse duelo com o Chile vem muito a calhar. É um time que vai testar nossos nervos e nossa versatilidade dentro do campo. Um teste de luxo que pode nos dar a perspectiva do que podemos esperar do Brasil nas quartas-de-final. E, a depender dos cruzamentos, já podemos ver mais tangível uma vaga nas semifinais.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

A mais surreal das Copas

Há quem prefira chamar de "Copa da Zoeira", mas eu vejo essa Copa como a mais surreal que já vi. Faço esse post após a partida entre Costa Rica x Itália válida pela segunda rodada do grupo D e enquanto a França faz 3 a 0 na Suíça. Então, nada melhor que resumir o que rolou em cada grupo até aqui pra explicar o nível de surrealismo desse Mundial.


GRUPO A - Aqui tudo mais ou menos dentro da normalidade. O Brasil bateu a Croácia com uma força da arbitragem no segundo gol. Daí encarou o México e ficou no 0-0 graças ao goleiro Ochoa, que pegou até pensamento naquele jogo. A Croácia enfiou 4 em Camarões e, só se vencer o México na última rodada se classifica. O Brasil corre um risco remoto de ficar fora mas nem mesmo a má fase de alguns jogadores deve contribuir para isso. Brasil avança e México e Croácia que se resolvam.

GRUPO B - Tal como esperado, o Grupo B poderia reservar doses cavalares de emoção na mesma proporção do Grupo da Morte. E não decepcionou, culminando com a degola da atual campeã e favorita Espanha. O cartão de visitas foi dado pela Holanda com uma goleada humilhante - e de virada - sobre a Espanha, atual campeã. Impiedosos 5 a 1. Por sua vez, o Chile venceu a Austrália. Na segunda rodada, a Fúria repetiu a atuação desastrosa da estreia e perdeu por 2 a 0 para La Roja, que garantiu presença nas oitavas devendo ser, possivelmente e novamente, a adversária do Brasil nas oitavas, confronto este que a FIFA já estuda classificar como cláusula pétrea nos mundiais. A Holanda também está classificada após vencer a Austrália em um jogo eletrizante e cheio de viradas: 3 a 2. 

GRUPO C - No grupo mais surreal, a Colômbia reina soberana e classificada. Venceu Grécia e Costa do Marfim e estará nas oitavas-de-final. Na última rodada, todos podem se classificar. A Costa do Marfim venceu o Japão e está em segundo com 3 pontos. Os Samurais Azuis ficaram no 0-0 com a Grécia e ambos somam 1 ponto. Na última rodada, Japão x Colômbia, Grécia x Costa do Marfim. Se o africanos empatarem, o Japão precisa vencer por 2 gols para avançarem. Grécia classifica em caso de vitória e se o Japão não vencer a Colômbia. Muitas possibilidades em jogo.

GRUPO D - O GRUPO DO SURREALISMO EM PESSOA. Não, esqueçam a nomenclatura "Grupo da Morte". É Grupo do Surrealismo. A única equipe classificada aqui É A COSTA RICA. A Costa Rica simplesmente meteu 3 a 1, de virada, no Uruguai e acabou de vencer a Itália por 1 a 0 jogando melhor, inclusive. Merecido! Já é a maior surpresa dessa Copa! A decepção ficou a cargo da Inglaterra. Perdeu para a Itália e Uruguai ambas partidas por 2 a 1 e está eliminada. Vale dizer que na partida entre Uruguai e Inglaterra teve de tudo. Gol de Rooney (finalmente!), dois gols de Suárez, Álvaro Pereira nocauteado e brigando para não ser substituído, um show de coisas surreais, portanto. Na derradeira rodada, Uruguai x Itália fazem uma verdadeira final pelo muito provável SEGUNDO LUGAR DO GRUPO (a Costa Rica tem 3 gols de saldo, Itália tem 0 e Uruguai -1). Ou seja, italianos jogam pelo empate.   

GRUPO E - A França abriu 3 a 0 na Suíça e encaminha sua classificação. Mais tarde Equador e Honduras jogam pelo direito de pressionarem a Suíça na tabela. Na primeira rodada, suíços venceram equatorianos por 2 a 1, de virada e nos acréscimos em contra-ataque letal após o Equador desperdiçar ótima chance. Aqui, tudo mais ou menos dentro dos conformes.Ainda que perca, a Suíça ainda tem boa chance de classificar já que vai encarar Honduras na última rodada.

GRUPO F - A Argentina passou algum apuro mas venceu a Bósnia por 2 a 1, com gol de Messi. Irã e Nigéria fizeram um jogo terrível que não poderia ter outro placar senão 0-0. É possível que os palpites dados se concretizem. A Bósnia deve passar pela Nigéria e tudo indica que a Argentina fará uns 20 no Irã. Ou não.

GRUPO G - Outro ponto surreal foi a estreia de Alemanha e Portugal. Foi um massacre alemão e o placar de 4-0 ficou barato. Pepe foi expulso idiotamente ainda no primeiro tempo. Muller fez 3 gols. Foi um vareio e a prova de que a Alemanha vem forte. No outro jogo, os EUA surpreenderam e venceram Gana, nossa candidata maior a surpresa desse grupo. 2 a 1, mesmo depois de sofrerem muita pressão dos africanos. Vai entender.

GRUPO H - O grupo mais bunda dessa Copa começou com a Argélia marcando um gol na Bélgica. Contudo, os belgas viraram e venceram por 2 a 1 mantendo sua condição de favorita no grupo mas já tendo perdido o título de surpresa da Copa para a Costa Rica. No outro jogo, Rússia e Coréia do Sul ficaram no 1 a 1. Destaque para o frango espetacular engolido pelo goleiro russo.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Empate sensacionalista

Brasil 0-0 México. Um enfadonho empate sem gols frustrou a nação brasileira sedenta continuamente por espetáculo seguido de espetáculo. Mas não é o resultado em si que abre uma fresta de possibilidades negativas ao escrete canarinho. Brasil e torcida precisam de uma bela dose de simancol e acertar os ponteiros de sua ingrata relação.

Esse maldito costume de se criar uma grande expectativa em torno da Seleção em partidas contra adversários, digamos, mais modestos. Já passou da hora disso ser revisto, principalmente em se tratando de Copa do Mundo, torneio no qual o mais importante é, a princípio, classificar-se para a segunda fase. Um time esforçado e bem postado pode aprontar, isso é natural, não é propriamente uma zebra, embora a boa lógica indique o contrário, ou seja, que o Brasil tinha o dever moral de somar no mínimo 9 pontos nessa primeira fase.

Superada essa fenda na lógica futebolística nos deparamos com a realidade. Ao contrário do que dizem, creio que há uma meia dúzia de bobos no futebol mas o México não é mais um deles. O histórico recente mostra que são um adversário duro para nosso estrelado esquadrão. Então, o empate não foi de todo ruim.

Analisando o grupo também notamos que o risco de eliminação ou mesmo de perder a liderança não se mostra lá muito concreto e tem mais cara de profecia apocalíptica. A posição do Brasil ainda é relativamente confortável. Depende de si, joga em casa, tem um time melhor e Felipão não vai deixar que essa não-derrota vire um monstro para o elenco.

Preocupa a forma como alguns jogadores oscilam nesse time, casos de Oscar, Paulinho e Fred, principalmente. O meia vive de lapsos pontuais durante o jogo. Tem alguma coisa errada com Paulinho, ele não tá batendo aquela bola dos últimos dois anos. E Fred está guardando seus gols para as fases decisivas e enquanto isso fica de peso morto no ataque. Para piorar, ele não tem reserva. No mais, o time está redondo e supera essa instabilidade.

Precisamos ter consciência de que um jogo abaixo do normal pode acontecer em qualquer circunstância. E um tanto melhor que tenha sido agora. Antes esse susto agora do que mais tarde. É bom que o grupo sinta na pele a sensação de não ser imbatível.

Se serve de consolo, vamos considerar que o Brasil só não venceu porque o goleiro Ochoa viveu uma noite iluminada e bateu o recorde de pontuação do Cartola! Mesmo com a boa atuação da defesa do México, foi Ochoa quem garantiu o zero no placar. A má pontaria dos avantes mexicanos também contribuiu para o 0-0, bom que se diga.

Imprensa, torcida e equipe precisavam desse baque. Percebemos que temos problemas internos e precisamos de outras alternativas já que jogar no Neymar e esperar que ele resolva não é um método 100% eficaz. Se vai reforçar o meio, se vai colocar o Willian, efetivar o Bernard, cara, cabe ao Felipão resolver. E a nós torcer, sem criar o mito de que a Seleção tem que golear um jogo sim o outro também. O que vale é a vitória, é pontuar. Em seguida, as classificações ao longo da rota da Taça. Jogo bonito hoje é bônus, pô! O que vale é ganhar e levar o caneco!

Venceremos Camarões e estaremos nas oitavas, em primeiro, como manda o figurino. Fiquem tranquilos e reservem as cornetas para os mata-matas.

domingo, 15 de junho de 2014

Kaká vai fechar com o São Paulo!

O meia Kaká está próximo de retornar ao São Paulo, clube que o revelou. Especulações à parte, quem afirmou o acerto foi o próprio jogador. Se mentiu, reclamem com ele, não com quem repassa a fofoca.

Kaká foi visto semana passada em um escritório de advocacia aqui em São Paulo. E, pelo que me foi dito, irá mesmo se divorciar.

Assediado pelos funcionários, foi perguntado se jogaria mesmo no São Paulo. E aí, eis que o meia crava, de pronto: "Por seis meses".

Minha fonte? Também sou advogado e tenho amigo(s)(as) nesse tal escritório.  

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ainda não estreamos

Olá, meu nome é Gabriel, tenho 26 anos e tenho um problema de disfunção erétil emocional com a Seleção Brasileira. 

Sei quando isso aconteceu, mas deixe eu ir do começo, tá bem? Eu era garoto, tinha 6 anos e o Brasil disputava a Copa de 94. É bem daí as minhas primeiras memórias futebolísticas. Eu poderia dizer que lembro bem onde vi cada jogo do Brasil naquela campanha, dos gols, coisa e tal.

Então o Brasil ganhou o tetra. Tava na casa da minha madrinha e, cara, foi um troço louco. Fogos, todo mundo gritando na rua, uma parada que eu nunca vou esquecer do alto daquela laje. Foi empatia à primeira vista. Um time que vencia! Um time imbatível.

Só que logo depois vieram os Jogos Olímpicos de 96. Eu ainda tenho cravado na minha retina a hora que o Kanu entra na área e fulmina nosso sonho dourado que perdura até hoje. Perder para a Nigéria? Assim, de virada? Quem é Nigéria? Foi um baque forte. Eu parei de torcer pra Seleção ali. É, parei.

Lembro em 98 eu azucrinando minha mãe por causa da minha alegriazinha com a vitória da França. Passei a viver do amor ao clube e ter na Seleção um símbolo de ódio, de decepção. Flertei com a Azzurra, ensaiei apoio aos nosso rivais argentinos pela vontade com que jogavam, enfim, perambulei mundo afora sempre desafiando o Brasil.

Em 2002 não foi diferente. Porém, não nutria mais ódio pela Seleção. Era indiferença. Quer dizer, se perdesse, um tanto melhor. Já aborrecente, passei a receber aquele turbilhão de informações sobre dinheiro, transferências e Europa, falta de comprometimento e chinelinhos. Isso me fez desanimar e não mais ver na Seleção um símbolo interessante para torcer. Quem eu ia zoar se o Brasil ganhasse? Não tem graça, todos ganham. Eu não vou cruzar com um alemão, um argentino, na padaria e dar uma aquela aloprada camarada.

Eu não consegui vibrar com a campanha do penta. Simplesmente não consegui. Vencemos e tal mas eu não via motivo para celebrar. 

Então chegamos a 2006. Nesse ponto eu havia aceitado que o futebol é o que faz meu coração bater e passei a curtir mais os jogos da Seleção, contudo, sempre com a corneta rente à boca e de olhos sedentos à procura de um bode expiatório.

Perdemos. Aquele quadrado mágico era realmente escroto. Não consigo acreditar até agora que o Parreira bancou um time com Kaká, Adriano, Ronaldinho e Ronaldo.

Mas veio 2010. Rapaz, eu amava aquela Seleção! Sim, eu reconquistei meu amor à amarelinha com Dunga e aquele time marrento. Era insano. Dunga só não ganhou o ouro olímpico. Enfileirou Copa das Confederações, Copa América, deu show nas Eliminatórias, fez o diabo! E batia de frente com a imprensa, convocava jogadores estranhos mas, por incrível que pareça, dava certo! O time respondia!

Aquela equipe era aguerrida! Marcava demais, saía pro jogo e, sobretudo, resolvia! Era Seleção de decisão! Não tinha tempo ruim. Entrava lá e sentava o pau em quem quer que fosse. Enjoamos de bater na Argentina, vencemos todas as campeãs do mundo, era simplesmente show!

Só que veio a Copa de 2010, as saídas erradas de Júlio César, a expulsão de Felipe Melo, os gols de Sneijder e a consequente eliminação. Dunga, óbvio, foi demitido injustamente. E eu passei a perseguir a Seleção novamente. Não era justo! Essa pressão desgraçada da imprensa, da politicagem da CBF, de quem quer que fosse. Caramba, olha nosso cartel! Ele tá pagando por um jogo!

Mano Menezes fez aquele trabalho tosco de transição e quando começou a fazer alguma coisa aparentemente certa, foi degolado para o retorno de Felipão. Felipão e seu estilo familiar. Com Parreira e Murtosa como escudeiros e tudo que tem direito. Mesmo em má fase tá lá o velho bigode a nos dar confiança.

E eu me vi numa sinuca. Copa no Brasil. Um técnico que gosto, mesmo tendo vindo de um trabalho que não justificasse sua presença ali. Jogadores de nível controverso, como Hulk, na titularidade. Gosto desse tipo de coisa. Mas...e carisma? Cativa-me, Brasil!

Estamos a um longo caminho de nos acertarmos, Brasil. Aquele arremate caprichosamente preciso de Neymar, o pênalti mandrakíssimo convertido por ele, o bico do Oscar...foi uma vitória! Eu gostei. Eu torci, de verdade. Eu comprei a ideia de te apoiar mesmo sendo contra o Mundial aqui e toda roubalheira desenfreada que gerou. 

Só que, Brasil, me escuta. Olha esse grupo. Não me iluda. Não se iluda. Não nos iludamos. Estrearemos somente nas oitavas. E, lá, Brasil, lá eu estarei contigo.





quarta-feira, 11 de junho de 2014

GRUPO H - Bélgica, Argélia, Rússia e Coréia do Sul

Finalmente chegamos ao último grupo! Infelizmente, o grupo mais tosco da Copa. O sorteio tem dessas coisas. Uns com muito e outros com tão pouco. O nível de competitividade aqui é bem baixo. Entretanto, se serve como consolo, é o grupo que reserva a maior candidata a surpresa da Copa. Trata-se da Bélgica.

A seleção belga é disparada a melhor desse grupo e deve avançar com um pé nas costas. Além de ser muito superior, tem uma geração promissora - muitos nomes certamente se repetirão por mais uma ou duas Copas - e pode complicar a vida de quem vier lá do grupo G nas oitavas. Conquistou sua passagem para o Brasil com relativa facilidade ao liderar seu grupo nas Eliminatórias deixando pra trás Sérvia e Croácia.

É uma equipe bem equilibrada com ótimos talentos em todas as posições. Na meta, Courtois, de apenas 22 anos, já desponta como um dos melhores goleiros do mundo. A zaga não é refém do veterano Van Buyten. Vermaelen, Kompany e Vertonghen cuidam bem do setor.

Da meia-cancha em diante desfilam jogadores jovens mas que já contam com vasta bagagem internacional tanto pela seleção como pelos seus clubes onde figuram constantemente na titularidade. Destacam-se Witsel, Mirallas, De Bruyne, Fellaini, Lukaku, o garoto Januzaj (pronuncia-se "Ianuzái"), todos eles liderados pelo astro Eden Hazard, do Chelsea.

Tudo indica que a Bélgica vai sobrar na primeira fase e tem uma chance razoável de alcançar as quartas-de-final.

A Rússia surge como principal postulante à segunda vaga do grupo. Apesar do elenco todo atuar no endinheirado e controverso futebol russo, os russos não precisaram de repescagem para vir à Copa. Quem ficou em segundo naquele grupo foi Portugal, que teve que bater a Suécia para se classificar.

Os principais nomes desse aguerrido time russo são o goleiro Akinfeev, Denisov, Zhirkov, Dzagoev e o experiente atacante Kerzhakov. A confiança na qualidade do time faz com que Capello se permita abrir mão dos experientes Arshavin, Pogrebnyak e Pavlyuchenko para esta Copa.

Longe de ser espetacular como a Bélgica, a Rússia se dá o luxo de montar um time capaz de sobreviver à fase de grupos e figurar nas oitavas.

Quem sonha surpreender novamente é a Coréia do Sul. Desde aquela roubalheira desenfreada que culminou no 4º lugar na Copa de 2002 a seleção coreana tem se mostrado um adversário traiçoeiro. Em 2006 caiu na primeira fase, um ponto atrás da França, 2ª melhor do grupo naquela ocasião. Já em 2010, caiu nas oitavas para o Uruguai.

A representatividade do futebol coreano ficou mais difícil desde a aposentadoria de Park Ji-Sung. Heung-Min Son surge como um novo ícone. Aos 21 anos, o atacante atua pelo Bayer Leverkusen, sendo o clube alemão o melhorzinho dentre os demais times onde seus companheiros atuam.

O futebol asiático sempre há de ser visto com alguma ressalva, mas dessa vez não deve oferecer resistência frente a Bélgica e Rússia.

Mais ignorada que farelo de pão, a Argélia chega para compor o grupo. Há alguns destaques que merecem um breve registro: os zagueiros Ghoulam e Mesbah, o atacante Feghouli e o jovem Bentaleb. No entanto, a Argélia é bem fraquinha embora tenha seu elenco alguns atletas atuando na Itália, Espanha e Inglaterra.

Sejamos francos, o nível do grupo é realmente meio bizarro e a probabilidade de zebra da zebra aqui é pouquíssimo provável.


PALPITE
1º - Bélgica
2º - Rússia


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Grupo G

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terça-feira, 10 de junho de 2014

GRUPO G - Alemanha, Portugal, Gana e Estados Unidos

Rapaz, esse grupo G é um dos mais engraçadinhos dessa Copa! Há um traço de grupo da morte embora tal característica não esteja muito evidente. Isso porque temos a sempre favorita Alemanha e sua geração de altíssimo nível. Além dela, Portugal de Cristiano Ronaldo, ora pois; a melhor seleção africana dentre as qualificadas; e o ascendente futebol norte-americano. Dar-se-ão brigas boas aqui.

Para mim, a Alemanha divide com o Brasil a condição de principal postulante ao título. Todavia, meu palpite pessoal tende a apostar mais num título alemão que brasileiro pelo histórico recente de ambas seleções. Explico. Enquanto o Brasil enfileirou 3 finais seguidas entre 94 e 2002, com direito a dois títulos, a Alemanha desde 2002 acumulou fracassos e vive uma fase desgraçadamente pipoqueira cujo início ocorreu justamente na final que valeu o penta canarinho.

Daquela final em diante, a Alemanha terminou em 3º no Mundial em 2006, realizado em seus domínios. Perdeu a Euro-08 para uma Espanha que ainda esboçava sua copeirice no cenário internacional. Repetiu o 3º lugar na Copa-2010 e também fechou a Euro-12 na terceira colocação. Apenas para constar, o último título mundial da Alemanha data de 1990.

Há doze anos a Alemanha vem apresentando um futebol extremamente vistoso, de franca mentalidade ofensiva mas tem falhado constantemente nos momentos decisivos, o que causa estranheza ante a tradição e força do futebol alemão. Nesse contexto, acredito que quanto mais se perde, mais próximo da vitória se está. Sim, creio que a Alemanha está prestes a novamente figurar no posto de campeã do mundo. 

(O Brasil é favorito por tudo aquilo que disse na análise do grupo A. Pelo fator casa, equipe, etc. e tal. Mas, em que pese as quedas sucessivas nas quartas-de-final em 06 e 2010, ter conquistado 2 títulos tão recentemente me fazem apostar que um terceiro triunfo não virá tão cedo assim. Com relação à Argentina, aquele probleminha defensivo pode selar sua sorte quando se deparar com uma seleção do calibre dessa alemã)

Voltando. A Alemanha tem um time excelente de ponta a ponta. Neuer no gol, Hummels e Boateng na zaga e do meio pra frente eu teria que falar uns 300 nomes pra ser justo. Schweinsteiger, Götze, Ozil, Muller, etc., etc., etc. À propósito, olho em Klose! O veterano centroavante tem a chance de se tornar o maior artilheiro em Copas do Mundo caso anote dois gols. O posto atual é de Ronaldo, com 15 gols. O alemão tem um a menos que o brasileiro.

Uma pena foi o corte do meia Reus, que fez uma temporada ótima com o Borussia Dortmund. Contudo, nem mesmo essa baixa deixa a Alemanha menos favorita.

Em busca de um lugar ao sol, Portugal deposita suas fichas no momento iluminado de Cristiano Ronaldo. O fantástico ano de 2013 lhe rendeu o posto de melhor jogador do mundo pela segunda vez e sua temporada culminou com o título da Champions League com o Real Madrid. Porém, o gajo teve atuação discreta na final, embora tenha anotado um gol de pênalti. Isso se deve ao evidente esgotamento físico a que foi submetido durante esse tempo.

Mesmo refém da condição de Cristiano Ronaldo, Portugal tem em seu grupo uma meia dúzia de jogadores que podem auxiliá-lo na missão de levar a seleção lusa o mais longe possível. A boa fase de Pepe e Coentrão dão alguma estabilidade lá atrás, ao passo que Moutinho, Meireles, Postiga, Nani e Varela são as melhores opções para as lides ofensivas.

Portugal tem um time bom, ponto. Não é uma Brastemp, é apenas uma seleção competitiva. Com ou sem Cristiano Ronaldo as chances de Portugal alcançar as semi-finais me parecem um tanto utópicas. Mas vão engrossar, fazer jogo duro, o que é bom para a Copa, sem sombra de dúvidas.

Agora entro nos reais motivos que justificam a graça do grupo.

Gana é uma seleção perigosa. Em 2006, chegou às oitavas num grupo que também tinha os EUA. Caiu para o Brasil naquela ocasião. 4 anos mais tarde, Gana protagonizou uma das paradas mais surreais que eu vi em Copas do Mundo.

Quartas-de-final. Gana e Uruguai empatavam por 1 a 1. No último minuto do segundo tempo da prorrogação falta para os africanos. Bola alçada na área. Começa um fuzuê danado na área uruguaia. Muslera, goleiro Celeste, sai mal. A bagunça persiste. Eis que surge uma cabeçada certeira e o atacante Suárez, na linha do gol, espalma no puro reflexo e evita o gol. Pênalti. NO ÚLTIMO MINUTO DA PRORROGAÇÃO, PÊNALTI. Toda a África agora reunida em Gana, última seleção viva do continente e prestes a ser uma das 4 melhores da competição. Tudo nos pés de Gyan. Ele corre, bate e CARIMBA O TRAVESSÃO. A bola vai embora. A partida vai para os pênaltis e o Uruguai vence, com direito a cavadinha de Loco Abreu para colocar a Celeste na semi-final.

Essa história mostra que se não fosse a bisonha defesa de Suárez, Gana teria sido semi-finalista 4 anos atrás. Seria uma das quatro melhores seleções daquela Copa, portanto. E não é uma seleção de todo ruim, pelo contrário. Traz para esse Mundial peças presentes naquele dia fatídico e uma equipe que conta com jogadores de bom nível.

Capitaneados por Essien, Muntari e Kevin-Prince Boateng (irmão do zagueiro Boateng da Alemanha - aliás, vão se enfrentar novamente na fase de grupos, tal como em 2010), merecem atenção o próprio atacante Gyan, Ayew, os meias Atsu e Asamoah e o zagueiro Mensah. 

Não acredito que Portugal vá perder sua vaga para Gana. Mas, porém, contudo, todavia, há uma chance razoável de Gana aprontar e ir lá meter o bedelho na segunda fase.

Restam os Estados Unidos. Chegam com sede de vingança. Como dito, caíram no grupo de Gana em 2006 e perderam por 2 a 1. Na última Copa, foram eliminados pelos ganeses nas oitavas pelo mesmo placar. Para 2014, os EUA não empolgam.

A grande surpresa é a ausência de Donovan, grande astro do futebol norte-americano. Assim, os destaques ficam por conta do veterano goleiro Howard, o zagueiro Beasley e os atacantes Dempsey e Altidore. 

A MLS tem investido no futebol local com a constante contratação de veteranos para promover o futebol local. Isso desde Pelé quando atuou pelo Cosmos. É possível notar a evolução dos norte-americanos. Em 2009 chegaram à final da Copa das Confederações e o Brasil tomou um suadouro desgraçado para virar o jogo e sagrar-se campeão.

Talvez se não caísse num grupo tão traiçoeiro os EUA tivessem uma perspectiva melhor. Mas quando se tem Alemanha, Portugal e Gana pela frente, o futuro não parece muito animador para essa seleção.


PALPITE
1º - Alemanha
2º - Portugal 

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