segunda-feira, 14 de julho de 2014

Todo carnaval tem seu fim

Os dois últimos dias de Copa não poderiam ser menos surreais que tudo aquilo que aconteceu no último mês por aqui. 

O mini-atropelamento promovido pela Holanda na disputa pelo terceiro lugar foi a última pá de cal sobre nossas cabeças. Incontestáveis 3 a 0 numa Seleção que se perdeu em algum lugar entre o segundo tempo da partida contra a Colômbia e o início do jogo com a Alemanha.

Novamente jogamos mal. O abatimento era esperado, óbvio. Contudo, um abatimento tamanho a ponto de permitir uma nova derrota sonora ninguém esperava. Cada um de nós esperava que se fosse para perder, que fosse lutando, jogando dignamente. Pfff...

À medida em que a Holanda abriu fáceis 2 a 0 ficou no ar a iminente goleada que não veio. Mortos e visivelmente perdidos, o Brasil sequer esboçou ameaçar o adversário. Outra partida ridícula para coroar um catado capaz de sofrer 10 gols e 2 jogos.

Enquanto cambaleamos à procura de um rumo e tentamos encontrar um remédio para essa doída ressaca, voltamos nossas atenções para a grande final. 

Para nossa alegria - ou sorte - a Alemanha confirmou o favoritismo virtual que a trouxe até aqui. 

Uma final tensa, bem (ou mal, a depender do ponto de vista) disputada. A Alemanha esteve muito abaixo de seu potencial real e contou com a proteção de todos os orixás baianos. Somente eles podem ter feito Higuaín perder um gol daqueles. Aliás, o que mais poderia explicar a bola de Messi ter triscado a trave e não ter entrado por milímetros? E aquela pane cerebral que Palácio sofreu na prorrogação justo na área, frente-a-frente com Neuer?

Surreal. A Argentina, que se resumia a Messi e mais 10, levava mais perigo efetivo àquela Alemanha moderna e letal. 

Mas história é história. Schürrle, bem limitado ao meu ver, depois de perder boa chance, puxou um ataque pela esquerda e cruzou. A pelota encontrou o gigante Götze, de assustadores 1,70m aproximadamente. Livre no meio da zaga, o garoto matou no peito e, de canhota, livrou nossa cara.

O gol de Götze premia o trabalho bem feito. Comprometimento e seriedade resgataram o futebol alemão. Prova disso foram as constantes presenças nas fases decisivas dos campeonatos que disputou. O investimento na base e consciência de que o resultado não virá a curto prazo. A manutenção da filosofia de jogo, de trabalho, desde a presença de Low como técnico a quase 10 anos até ver que Neuer, Lahm, Schweinsteiger, Özil, Podolski, Khedira, Klose, Kroos estão jogando juntos há um puta tempo. 

Götze botou um sorriso de alívio em nossa cara. A Alemanha nos havia imposto a maior vergonha de nossa história, ora! Esse feito corria o risco de ser potencializado com um eventual título argentino em solo brasileiro. Dá pra ter noção disso? 

O apito final tirou o peso de nossas costas, porém não o desgosto. Esse título alemão nos escancara o que está errado em nosso futebol e, ao mesmo tempo, indica a fórmula de como fazer as coisas de um modo decente, competente. 

Agora deixa eu dormir. Obrigado, Alemanha! Obrigado, Götze! 






quinta-feira, 10 de julho de 2014

Inexplicável

Eu ainda não sei o que aconteceu ou o que pensar. Dentro de uma derrota dessas, 7 a 1, é da nossa natureza buscar justificativas e explicações minimamente plausíveis para nos confortarmos. Na onda justiceira que passamos, a trupe de caça a culpados também está a postos. Até aqui, Felipão vem sendo o grande bode expiatório. Há tantos outros, é verdade. Mas é certo que não há muito o que ser dito, em que pese nossa eterna mania insistente de tentar.

O placar em si abre uma gama infindável de "se". Se o Neymar isso, se o Thiago Silva aquilo, se o Felipão escolhesse Fulano em vez de Beltrano, se o Fred não sei o que. Só que o resultado está aí e temos que trabalhar com o que temos. Isto posto, a primeira grande certeza - que só pode ser empiricamente comprovada com a bola rolando - é que Scolari cagou.

Num primeiro momento me iludi, confesso. Pensei que a entrada de Bernard, por mais improvável que fosse, talvez se configurasse a mais razoável considerando sua velocidade e habilidade serem as mais anos-luz próximas as de Neymar. A aposta de Felipão na manutenção da distribuição ofensiva e no modus operandi da defesa que, mesmo com a constante oscilação da equipe durante os jogos, bem ou mal, funcionava, me fez dar ao treinador 11 minutos de crédito.

O erro ganhou proporções astronômicas diante do óbvio ululante. A Alemanha era mais forte no meio-campo tanto tecnicamente quanto fisicamente. Além disso, isolou Bernard na ponta, largou Oscar sozinho no meio para marcar como não sabe e criar/apoiar como não conseguiu durante toda a Copa. Ou seja, quis manter a tática mudando a tática, o que nada mais é, em português claro, do que uma puta cagada. 

Toda essa conjuntura de más escolhas também passa pela inversão de posição de David Luiz. Isso pode explicar seu erro no primeiro gol alemão. Escanteio batido, a movimentação do cada-um-no-seu falha, Müller recebe sozinho e manda pro gol. Em seguida, uma série de erros em cadeia resultam numa goleada-relâmpago inacreditável.

Fernandinho erra a antecipação na jogada do segundo gol, Marcelo não dá combate, Maicon não acompanha Klose, gol. Cruzamento no setor de Marcelo, a bola atravessa o universo até encontrar Kroos livre. O defensável chute - já que Júlio César chega a tocar na bola - entra. De resto, como explicar os gols surgindo em progressão geométrica com direito a tabelinhas dentro da nossa área? Precisa falar do sexto gol e do chute despretensioso que culminou no sétimo? 

Oscar ainda teve a pachorra de fazer um gol. E o maldito costume nos obriga a chamá-lo de "gol de honra", é mole? 

Lá se vão quase dois dias do ocorrido e ainda não sei como reagir, o que pensar. Tudo parece demasiado simplório. Jogar a culpa toda no Felipão, na má jornada dos jogadores, na lesão do Neymar, no PT, nas estrelas. O Brasil tomou 7 a 1, em casa, a maior derrota da sua história, o meu Maracanazzo e eu realmente não sei por que isso aconteceu, como aconteceu ou mesmo como eu deveria reagir a isso.

Há um turbilhão de emoções que passeia entre a humilhação, a raiva, a incredulidade, a resignação até se perder num enorme vazio. Vai ver todos esses sentimentos se anulam com intuito de servir (ou pelo menos deveria servir) de incentivo para analisarmos definitivamente tudo que acontece no nosso futebol, identificarmos os pontos críticos e promover uma reformulação definitiva.

Quem sabe seja isso. Agora é o momento de buscar resgatar o futebol para que volte a ser mais futebol e menos business. Apontar, por exemplo e a princípio, onde estão os principais equívocos na formação dos jogadores e por que eles são tão mal desenvolvidos taticamente e, sobretudo, tecnicamente. Afinal, o caboclo só pensa em encher o rabo de dinheiro e jogar na Europa ao mesmo tempo que ele mal consegue chutar decentemente com ambas pernas. 

Lá no fundo sabemos que dentro desse jogo brutal de interesses negociais instalado ferozmente nos meandros boleiros tal ideia é mera utopia. No entanto, é preciso tomar alguma providência - aliás, qualquer providência - não somente para que outra humilhação dessas não se repita. Mas para que algo seja feito como prova de que aprendemos com as imbecilidades da vida e estamos realmente interessados em resgatar nossa dignidade futebolística perante o mundo. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A dois passos do paraíso

Estamos a dois jogos de conhecer o novo campeão mundial. Podemos levantar o hexa em casa e exorcizar o fantasma do Maracanazzo. Ou ver a Argentina conquistar o tri em nossas terras. Quem sabe o tetra alemão ou o título inédito da Holanda.

Pra variar, eis meus pitacos. E seja o que deus quiser.


BRASIL X ALEMANHA - Em meio a tantos palpites furados, minha aposta em ver o Brasil entre os quatro melhores se confirmou. Aos trancos e barrancos, aqui estamos. Perdemos Neymar. E não teremos o ótimo zagueiro Capitão Chorão, suspenso. Teremos (?) Fred, o instável Oscar, o imprevisível Hulk e sabe-se-lá-quem no lugar de Neymar. Talvez Bernard. Possivelmente William. Provavelmente Daniel Alves na lateral e Paulinho mantido no time formando uma trinca de volantes. Independente da escolha de Felipão, novamente o emocional, o psicológico dos jogadores e todas nossas velhas deficiências irritantes serão postas à prova contra os alemães. 

Alemanha. Ah, Alemanha. Regular, cirúrgica e bipolar. Capaz de golear Portugal, passar sufoco contra Gana, sofrer para bater a Argélia e eliminar a França de maneira protocolar. É uma Seleção segura, sólida. Mesmo quando deu asas à bipolaridade foi bem. Sua maior preocupação é se Lahm vai jogar na lateral ou no meio-campo, e onde ele jogar, vai corresponder. Isso lá é problema? Sem grandes astros mas com bons jogadores em cada posição. Vive um bom momento e chega fortalecida nessa semifinal. O triunfo sobre os franceses veio na boa, sem muita emoção. Levou alguma pressão no final, desperdiçou uns contra-ataques mas longe de ser uma partida cardíaca.

Estamos no limite. Fred pode desde desembestar a marcar 3 gols amanhã a repetir as atuações pífias de praxe. Dante é bom zagueiro, porém, nada paga o entrosamento de Thiago Silva e David Luiz. Minto, paga sim, pergunta lá pro PSG. Oscar fez aquele gol perdido contra a Croácia e só. E, sem Neymar, a reação da equipe em campo é inimaginável. A perda de força ofensiva, onde tudo passava pelo garoto, é evidente. Não duvido que o Brasil jogue para não perder. Jogue por uma bola. No contra-ataque, quem sabe. Por outro lado, lembro, mais uma vez, que a Alemanha está batendo na trave desde 2002. Será sua terceira semifinal de Copa do Mundo consecutiva. Perdeu as outras duas. Por essa sina maldita não me faz crer que a Alemanha novamente ficará fadada a disputar o terceiro lugar.

Palpite: Brasil 0-2 Alemanha


HOLANDA X ARGENTINA - Não levava muita fé nessa Holanda aí. E eis que chegam novamente nas semifinais. Esbanjaram força na fase de grupos. No entanto, deram sinais de fraqueza nesse mata-mata. A bela virada contra o México mascara o mau jogo que fizeram. Já nas quartas, o contrário. A Holanda martelou, martelou, carimbou a trave três vezes, Navas fez 786 milagres, só que não teve jeito: precisou dos pênaltis para despachar a Costa Rica. 

A Argentina está diferente. Esperava-se que Messi seria o líder de um ataque avassalador, intimidador e insinuante, capaz de limpar a barra daquela defesa meio medonha que ostentam de uns bons anos pra cá. Mas, curiosamente, em que pese Messi estar sendo decisivo com passes ou gols, seu desempenho vem bem abaixo do que se esperava. Sim, dele esperávamos um pouco mais que gol ou assistência no final do jogo. Queríamos mais gols e jogadas desconcertantes. O ataque não encanta, ao passo que a defesa dá seus sustos mesmo sendo forçoso reconhecer sua eficiência. Os hermanos tiraram Suíça e Bélgica na conta do chá. Dois protocolares 1-0. 

O lance é que eu não acredito nessa defesa argentina. Permaneço com aquela impressão de que cedo ou tarde vão entregar a rapadura como foi exaustivamente levantado por vários profetas do apocalipse. A rigor, será o primeiro grande teste dessa zaga no Mundial contra um ataque veloz e perigoso, à atual maneira holandesa, claro. Messi vem atuando de maneira estranha. Parece recusar o protagonismo que lhe foi conferido por natureza, ao mesmo tempo em que segue genialmente decisivo. Por seu turno, a Holanda vem no velho estilo de quem se faz de morta para enganar o coveiro. Compacta atrás, perigosa na frente. Sei não, vem barulho grande aí. 

Palpite: Argentina 1-2 Holanda

O direito ao fracasso

Última semana de Copa. Passada a euforia dos jogos das quartas e já sentindo na pele a ansiedade pelas semifinais vejo que a aura de dúvidas e questionamentos que perambulou a Seleção durante todo o Mundial acaba por criar o clima perfeito para que o Brasil tenha o direito de perder, fracassar. Tudo isso, claro,  só nos foi possível enxergar graças à joelhada de Zuñiga. 

Todo nervosismo foi deixado de lado dentro do campo. Temporariamente. Paulinho herdou a vaga de Luiz Gustavo, suspenso, e Maicon veio reforçar a lateral no lugar de Daniel Alves. E Thiago Silva parecia predestinado à glória e redenção quando marcou logo aos 6 minutos. À frente do placar, a Seleção conseguiu de certo modo neutralizar bem as investidas cafeteras com sucesso.

David Luiz, de falta, um golaço, ampliou aos 22 do segundo tempo e, finalmente, parecia que o Brasil tinha se encontrado. Era aquela vitória para dar moral e passar aquele recado ao mundo de quem manda nessas bandas. Até mesmo aquele cartão amarelo bobo para o Capitão Chorão minutos antes não seria mais sentido.

Mas, àquela altura, perdido por 2, perdido por 10. A Colômbia se lançou ao ataque e o tal James Rodríguez diminuiu, de pênalti, aos 34. 

Dali em diante o Brasil não foi mais Brasil. Apesar da gana em se defender, os contra-ataques eram incrivelmente descoordenados, burros mesmo. Durante a eterna briga naqueles minutos infinitos de deus-nos-acusa, a bola se ofereceria para Neymar. Zuñiga chegou forte, por trás, para matar o lance potencialmente fatal. 

Enquanto Oscar carregava a bola inutilmente para o ataque até que a defesa colombiana desse cabo da situação, Neymar estava estendido no chão. Dessa vez não era mais uma valorização da falta, que passou impune. Não pela lei da vantagem, correta, mas bem que o juiz poderia ter voltado lá e levantado o amarelo pela truculência exagerada.

A fratura na terceira vértebra lombar tira Neymar da Copa. O jogo acabou, o Brasil classificou e não há mais Neymar. Malhar Zuñiga, além de burrice, é desvio de foco para nossos problemas. Falta feia mas de jogo. Acontece toda hora. Todo marcador brucutu vem e dá o tranco. O joelho levantado ou abaixado não importa. Era um contra-ataque, a bola vinha ali pronta a ser dividida, enfim. 

Não ter mais Neymar, único diferenciado do elenco, alimenta aquele sentimento esquecido 20 dias atrás de que não somos imbatíveis. Sabemos o quanto Fred é um cone inoperante no ataque, nos acostumamos a odiar os apagões de Oscar e a tremer nas bases a cada investida inimiga sobre nossos laterais. Lembramos de como Hulk é terrível nas finalizações e de não termos opções de qualidade para sanar esses problemas.

Assumimos um risco em depositar todas as fichas naquele profeta de bigode e no menino de moicano. Restou agora o papel de torcedores. De torcer para que Dante ou Henrique ou seja lá quem não diminua a qualidade de nossa ótima defesa e que William ou Bernard cumpram seus deverem a contento.

Por isso, a atmosfera de otimismo no hexa começa a preparar o cenário para uma queda. Honrosa, porém, lá no fundo, esperada.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Quartas de meudeusdocéu

Sexta e sábado vão rolar as quartas-de-final da Copa. E aqui vão os meus pitacos sobre os jogos:


BRASIL X COLÔMBIA

O Brasil fez das tripas coração para estar aqui. Aquela ilusória goleada sobre Camarões não foi capaz de fazer a equipe se encontrar e engrenar e passar confiança rumo ao hexa e choro e emoção e aquela coisa toda que tudo mundo tá careca de saber. Passou um aperto danado contra o Chile vindo a classificar-se nos pênaltis. Sem Luiz Gustavo, a preocupação de Felipão é em como ajustar a defesa contra o veloz - e eficiente - ataque colombiano. A tendência é que Paulinho volte ao time e, juntamente com Fernandinho, corram o meio inteiro para acompanhar a correria cafetera e tentar uma transição mais rápida, explorando espaços deixados nas subidas de Cuadrado, Zuñiga, Armero, James Rodríguez e cia. Mas não está descartada a entrada de Dante na zaga para liberar David Luiz para avançar como volante e fechar como zagueiro. Ou colocar Henrique para fazer essa função e manter David onde está. Um Felipão cheio de dúvidas, Oscar, Fred, Hulk e Daniel Alves na mira da torcida, equipe com emocional à flor da pele e jogando muito aquém de seu potencial, completamente refém de Neymar resume a situação atual da equipe.

A Colômbia é a única seleção que sobrou até o momento. Sobrou na primeira fase e despachou o Uruguai por 2 a 0 sem maiores dificuldades. Como dito, é um time veloz de franca vocação ofensiva. Levaram apenas dois gols até aqui, mas isso não sugere que seja uma defesa tão eficiente já que não foi lá muito bem posta à prova. Sofreu um gol de Costa do Marfim e outro do Japão, pra se ter uma ideia. Contudo, joga um futebol regular, com James Rodríguez voando (atual artilheiro isolado com 5 gols), ofensivo até a tampa e atravessa grande fase. Tudo isso contrasta com a falta de tradição e camisa em Copas do Mundo.

Palpite: Tentado a apostar na zebra cafetera, me rendo ao peso da camisa que enverga varal: Brasil 2-1 Colômbia


FRANÇA X ALEMANHA

A França veio desacreditada. Aí mostrou que seu ataque vai muito bem, obrigado, mesmo sem Ribéry e Nasri. O meio-campo muito bem organizado por Deschamps tem Cabaye e Matuidi equilibrando a defesa e auxiliando com competência o ataque. Contra a Nigéria, a vitória por 2 a 0 veio depois de muito martelar o gol africano. Não foi uma partida fácil ou favas contadas como parece. Entendo que vem motivada mas não encarou um grande desafio. Sofrer para derrotar a Nigéria e aquele empate modorrento com o Equador dão sinais de que os bleus não são lá muito confiáveis.

Quem começa a ser vista com desconfiança é a Alemanha. Embora conte com bons nomes em todas as posições e, ao meu ver, seja uma equipe bastante regular, sofreu demais para vencer a aguerrida Argélia. O triunfo por 2 a 1 veio somente na prorrogação. Deu alguma sopa para o azar mas foi melhor e, fosse mais competente, teria matado o jogo no tempo normal. A Alemanha mostrou força ao golear Portugal (mesmo que a qualidade de Portugal seja discutível e que a expulsão tenha contribuído para o resultado final, 4-0 foi um exagero de bola) e soube lidar com a pressão no empate bem jogado contra Gana e em ter nervos no lugar para despachar a Argélia. 

Palpite: Alemanha 1-0 França


HOLANDA X COSTA RICA

Um duelo surreal. A eterna Laranja Mecânica passeou na primeira fase em um grupo muito forte. 3 boas vitórias com direito a goleada sobre a Espanha. Contudo, suou sangue para eliminar o México. Perdia até os 42 do segundo tempo, quando Sneijder lembrou que tava tendo Copa e empatou. Nos 48, Huntelaar converteu pênalti sofrido por Robben, outro que tá arrebentando esse Mundial. Virada e amplo favoritismo contra a Costa Rica.  

Maior surpresa dessa Copa - mais até que a tal Melhor Geração Belga - a Costa Rica foi a foice do grupo da Morte, por mais surreal que isso pareça. Venceu Uruguai, Itália, amarrou um 0-0 com a Inglaterra e deu-se o luxo de testar o coração de seu torcedor. Ganhava da Grécia até os 45 do segundo tempo por 1 a 0, quando levou o empate. Com um a menos durante boa parte do segundo tempo, a Costa Rica segurou-se bem e eliminou os gregos nos pênaltis (5-3). Deu aulas magnas nessa Copa de organização, respeito, oportunismo e até cobrança de pênaltis. 

Palpite: A Melhor Geração Costarriquenha que me perdoe, mas eu não consigo imaginar essa zebra indo mais além. Holanda 3-0 Costa Rica.


ARGENTINA X BÉLGICA

Seguindo a filosofia do sofrer para avançar, a Argentina também empenhou parte da alma para classificar-se sem as penalidades. A vitória por 1 a 0 sobre a Suíça saiu dos pés de Di María aos 12 do segundo tempo da prorrogação. A Argentina ainda viu sua trave balançar no último lance de jogo. Ao longo dessa Copa a Argentina não foi a Argentina que se esperava. Em que pese as 4 vitórias, a dependência de Messi e os constantes sustos defensivos e apagões de Higuaín levantam a sobrancelha de todos para essa equipe.

A famigerada melhor geração belga chegou até onde se esperava. Mesmo com bons talentos individuais, não é um time empolgante, fica a sensação de que muito se falou e pouco se viu essa equipe fazer. Até fez uma boa partida contra os EUA mas também sofreu um tanto para avançar. Howard pegou até pensamento, porém não conseguiu evitar a queda americana por 2 a 1, todos os gols na prorrogação. 

Palpite: Argentina 2-1 Bélgica

segunda-feira, 30 de junho de 2014

À flor da pele

Tendo a FIFA já dado entrada no processo de transformar o duelo entre Brasil e Chile nas oitavas-de-final da Copa em cláusula pétrea no regulamento do Mundial, restou aos brasileiros esfregarem as mãos com a iminente quartas que se seguiriam.

Fui voto vencido. Pensava que seria um jogo tranquilo. Podia não ser aquela farra do boi com direito a goleada, mas uma vitória dentro do protocolo. Simplesmente não conseguia acreditar que a equipe chilena conseguiria abrir uma fenda na história das Copas e eliminar o todo-poderoso-Brasil em seu próprio quintal, diante de sua torcida e tudo o mais.

Eis que queimei a língua. Sampaoli e seu Chile Mecânico estiveram a poucos centímetros das quartas-de-final e de impor ao Brasil um vexame ainda mais imensurável que o famigerado Maracanazzo.

Quando David Luiz - ou o zagueiro chileno, tanto faz - abriu o placar com 18 minutos de jogo eu bem que respirei triunfante, confiante no meu palpite. Mas Hulk fez uma presepada daquelas uns 15 minutos depois. Devolveu errado uma bola no lado esquerdo e praticamente ligou o contra-ataque chileno. Sánchez recebeu livre na área e empatou.

Segundo tempo que deveria ser nosso, não foi. Júlio César começou a pagar as últimas parcelas de sua dívida com a nação ao fazer intervenções importantes. Bravo também mantinha o Chile no jogo com defesas não menos espetaculares. O improvável equilíbrio deu a tônica do jogo e criou um ambiente de tensão para a prorrogação.

Prorrogação atrai pênaltis. A prorrogação é aquela meia hora que antecede o momento mais sublime e cruel do futebol, salvo raras exceções. A epopeia vivida por 200 milhões de brasileiros e sei lá quantos outro milhões de chilenos quase acabou com vitória visitante se o chute de Pinilla fosse 5 ou 10 centímetros mais baixo. O tiro que abalou travessão e o coração da massa foi disparado aos 14 minutos do segundo tempo da tal prorrogação.

120 minutos de um Brasil tenso, encaixotado pela marcação chilena, incapaz de criar boa situações de gol. Oscar omisso, Fred - e depois Jô - mortos no comando de ataque, Hulk brigador mas sem qualidade para dividir as responsabilidades com Neymar. Seguir vivo na Copa seria ter que lidar com todos esses problemas por novos eternos 90 minutos. Mas cair agora seria um fracasso ainda mais retumbante. Que essas deficiências nos vitimem em momento mais apropriado, pode ser?

Teríamos que encarar pênaltis com todo esse pano de fundo. Não concordo com quem diz que pênalti é loteria. Entendo que é competência. É um tiro direto para o gol e só tem o goleiro lá. Chutar para fora, por exemplo, é o cúmulo do inaceitável. Foi o que William fez. O importante é manter os nervos no lugar e o Brasil, nós brasileiros, aliás, somos bastante emocionais.

Contudo, se ser emocional é bom, ser emotivo demais é ruim. E essa Seleção é mais emotiva que emocional. Sentir o nervosismo da situação é natural e o faz ligar o sinal de alerta, o deixa mais atento. Ver o elenco chorando à beira do campo minutos antes das cobranças foi desesperador. A postura de Thiago Silva, afastado da roda dos atletas, desolado, sentado em cima da bola e olhando para o nada foi a prova de que ele não tem a menor condição de ser o capitão desse time. Minto. De qualquer time.

Naqueles minutos em que os deuses do futebol confabulavam e definiam quem seriam os herois e vilões e o choro tupiniquim rolava solto enquanto Felipão elaborava a lista de batedores, tentei prestar atenção nesse cenário tão único.

O nervosismo dando lugar ao pânico. O choro copioso do goleiro Júlio César, do capitão Thiago Silva ter fugido da lista e ter se recusado a ser o eventual e imediato sexto batedor. Tantos líderes em campo mas tão poucos homens lá dentro a incentivar, dar força e transformar aquela tensão e confiança. Se eu fosse parte do time, só de ver o Thiago Silva, meu capitão, ali, naquele estado, eu me borraria.
  
Bom, o resto é história. Vencemos por 3 a 2. Júlio César defendeu duas, outra foi na trave. Ao término, mais choro. Agora, o momento mais adequado para esse tipo de desabafo.





sexta-feira, 27 de junho de 2014

Assim terminou a fase de grupos

A mais surreal das Copas encerra sua fase de grupos e entra no mata-mata. Vou resumir o que rolou nos grupos e, logo mais, sobe post com os pitacos das oitavas.


GRUPO A - Como era esperado, o Brasil fechou a primeira fase em primeiro. O empate contra o México foi um ponto fora da curva, porém, a goleada sobre Camarões com a entrada de Fernandinho no meio nos dá esperança em um futuro melhor. O México surpreendeu. Soube se reinventar e se mostrou um time compacto, inteligente e perigoso. No comando de Giovanni dos Santos e Peralta, com direito a Chicharito no banco, o México também somou 7 pontos. Na última rodada, mandou a Croácia de volta para casa com um imponente 3 a 1.

Balanço dos Palpites - Acertei o Brasil em 1º mas esperava 3 vitórias independente de circunstâncias especiais. Não contava com tamanha organização mexicana a trucidar a Croácia.

GRUPO B - A Holanda não deu chances para o Chile e confirmou a liderança com uma vitória por 2 a 0. La Roja controlou bem o jogo no primeiro tempo e boa parte do segundo, contudo, não conseguia criar boas chances. Já a eterna Laranja Mecânica defendeu-se bem e conectou bons contra-golpes. Encontrou um gol de cabeça e, no apagar das luzes, Robben puxou contra-ataque e serviu o companheiro para o segundo gol. Na outra partida que nada valia, a Espanha fez 3 a 0 na Austrália. Vitória que não apaga seu desempenho tosco, aquém do que se esperava de uma atual campeã.

Balanço dos Palpites: Não esperava uma Holanda tão sólida a ponto de liderar o grupo. Espanha fora foi só o segundo dos meus erros no meu bolão pessoal.

GRUPO C - Skol litrão do início ao fim, o grupo C consagrou a favorita Colômbia. Os cafeteros fizeram uma campanha impecável na primeira fase e apresentaram um futebol bastante interessante. Seus 9 gols em 3 jogos não foram obra do acaso. É um time rápido e bastante insinuante ofensivamente. James Rodríguez vem sendo o diferencial da equipe que perdeu Falcao García lesionado. Bom, na derradeira rodada, enquanto o Japão era goleado pela Colômbia, Costa do Marfim segurava como podia o empate com Grécia que lhe daria a classificação. Porém, aos 47 do segundo tempo, o árbitro viu pênalti em Samaras. Ficou a impressão de que o atacante grego tropeçou na própria falta de habilidade, se chutou e acabou cavando o pênalti. Ele mesmo bateu e colocou a improvável Grécia nas oitavas.

Balanço dos Palpites: Acertei a Colômbia em primeiro. Surpreenderam as 3 vitórias e a média redonda de 3 gols, além da competência ofensiva que já a coloca como adversária perigosa em uma eventual quartas-de-final. A Costa do Marfim estaria classificada não fosse o pênalti pra lá de mandrake convertido nos acréscimos. Bah.

GRUPO D - Aposentem o Grupo D! Depois de tantas surpresas e emoções, sério, tem que ser eternizado. A Costa Rica terminou surpreendentemente em primeiro. Contra tudo e todos, o maior bug dos bolões somou 7 pontos depois de vencer Uruguai, Itália e amarrar um 0-0 com a Inglaterra, esta sim a grande decepção do grupo. O Uruguai ressuscitou após a derrota na estreia e venceu Inglaterra, com show de Suárez, e bateu a Itália em jogo impróprio para cardíacos por 1 a 0. Assim, a Celeste avançou e entrou na rota do hexa.

Balanço dos Palpites: Ó...uma bosta! Acreditei no ataque inglês e caí do cavalo. Apostei que a Azzurra não repetiria uma campanha ruim em Copas e errei. Bem, Uruguai em segundo muitos podem ter acertado, mas Costa Rica em primeiro, ah, eu quero conhecer esse guru hoje milionário que quebrou sites de apostas!

GRUPO E - Enfim, um grupo que saiu relativamente dentro da normalidade. A França não apenas confirmou o favoritismo como mostrou um ataque bastante engraçadinho mesmo sem Ribéry. Benzema já fez 3 gols, vejam só. Em suma, a França bateu Honduras e Suíça com tranquilidade - 3-0 e 5-2, respectivamente - e cozinhou o desesperado Equador em banho-maria num raro bom jogo que acaba sem gols. A Suíça não repetiu a regularidade defensiva (levou 6 gols nesses 3 jogos) mas compensou com um ataque competente. Cumpriu seu papel ao vencer o Equador, de virada, por 2 a 1 e sapecar 3 em Honduras, que veio a passeio, pois também não foi páreo para os sul-americanos e terminou sem pontuar. 

Balanço dos Palpites: Finalmente um acerto em cheio! França jogando bem, ataque eficiente e meio-campo criativo. Suíça superior aos rivais mas não chega a empolgar a ponto de se credenciar como zebra.

GRUPO F - A Argentina pegou uma baba e quase se complicou, apesar das três vitórias. Venceu de modo protocolar a Bósnia por 2 a 1. Depois, abandonou o juízo e abraçou a sorte. O Irã perdeu 2-3 grandes chances de marcar (belas intervenções de Romero) até Messi resolver o caos daquela hora e meia em um chute preciso de fora da área no 91º minuto de jogo. Por fim, mostrou por que seu ataque é bom e sua defesa é preocupante: 3 a 2 sobre a Nigéria, que ficaram com a segunda posição. Os africanos empataram com o Irã e classificaram por terem vencido a Bósnia na 2ª rodada. Aliás, os bósnios decepcionaram. No seu debute em Copas, apenas uma vitória sobre o Irã quando nada mais lhe valia.

Balanço dos Palpites: A patota de Dzeko, minha aposta, não prosperou. A Nigéria, mesmo classificada, abusou da bipolaridade ao não conseguir superar o Irã, vencer a Bósnia e fazer jogo duro contra a Argentina. Hermanos tranquilos e, a julgar o chaveamento, não é demais imaginá-los nas semifinais.     

GRUPO G - Deste bloco triunfou a Alemanha. Como esperado, os alemães lideraram o grupo alternando espetáculo e regularidade com apagões súbitos. Atropelou Portugal, empatou com Gana num eletrizante 2 a 2, empate germânico anotado por Klose, igualando a marca de Ronaldo na artilharia máxima das Copas com 15 gols. E venceu os EUA por 1 a 0. Muller, 4 gols, é o principal destaque. Portugal de Cristiano Ronaldo decepcionou. Não superou a traulitada da primeira rodada e o amargo empate por 2 a 2 com os EUA o obrigava a golear Gana para avançar. Não conseguiu. Gana, minha aposta a zebra caso esta resolvesse dar o ar da graça, também deu sopa para o azar. Foi assim que os EUA conseguiram a vaga. Bateram os africanos na estreia, somaram um ponto com nossos patrícios e a derrota para a Alemanha não lhe custou a merecida vaga.

Balanço dos Palpites: A Alemanha confirmou o favoritismo. Mesmo com alguns apagões em certos momentos da partida contra Gana, o ataque e a consistência de sua equipe garantiu o empate e reforça sua candidatura ao título. EUA surpreenderam novamente. Regulares, aplicados taticamente e oportunistas. 

GRUPO H - A Bélgica sobrou, claro. Contudo, não foi essa maravilha toda que se esperava. O time penou um bocado para bater Argélia, Rússia e Coréia do Sul. A defesa levou apenas um gol, ao passo que o ataque anotou apenas 4 tentos. Na Copa do Surrealismo não podia faltar outra surpresa. A Argélia goleou a Coréia por 4 a 2 e arrancou um empate por 1 a 1 contra a Rússia para avançar às oitavas. Rússia foi muito mal. A próxima sede da Copa mandou um time bem meia boca que conquistou irrisórios 2 pontos. A Coréia superou os russos e mandou ainda pior: apenas um ponto.

Balanço dos Palpites: Alá agiu e classificou o arretado time da Argélia. Não é uma equipe tão songa como parece. Já a Bélgica, bem, numa Copa onde tudo parece fora do lugar, foi um tiro que não saiu pela culatra.