domingo, 18 de março de 2012

O despertar tricolor por um voto de confiança.

Outro domingo de sol, calor e clássico em São Paulo. Nesta 14ª rodada tivemos no Morumbi um San-São de tirar o fôlego. A vitória do São Paulo por 3 a 2 com um jogador a menos e confirmada somente depois do gol chorado de Lucas aos 41 minutos do 2º tempo, e graças à excelente defesa de Denis em falta batida por Elano aos 47 selam um pacto de união entre equipe e torcida.

O primeiro tempo foi inteiro Tricolor. Há muito não se via um São Paulo tão envolvente e dominante em um clássico. Não tardou a abrir o placar com Casemiro logo aos 8 minutos de jogo. O tiro de canhota de fora da área desviou na cabeça de Edu Dracena e estufou as redes do Peixe. Casemiro e Cícero ainda perderam grandes oportunidades de ampliar o placar. 1 a 0 foi pouco em razão de tantas boas jogadas criadas.

Mas veio a segunda etapa para mudar tudo que se tinha visto até então. Muricy sacou Ibson e colocou Elano, que sempre faz grandes jogos contra o São Paulo. Foram precisos menos de 10 minutos para a partida ganhar emoção e contornos dramáticos. Aos 5, Elano bateu escanteio, Denis, que fazia um bom e seguro jogo, espalmou fraco e a bola encontrou Edu Dracena sozinho na linha do gol para igualar o marcador.

No lance seguinte, Rodrigo Caio, então suposto lateral-direito e carrapato de Neymar, tomou o segundo amarelo e foi para o chuveiro. Uma perda considerável pois fazia uma ótima partida na marcação da Joia. Muricy logo tirou Adriano para colocar Felipe Anderson. E a expulsão fez Leão trocar Jadson, discreto para variar, por Piris. Pior que deu certo.

Quando tudo parecia questão de tempo para o Santos construir sua vitória, o São Paulo achou um gol. Em ótimo contra-ataque orquestrado pela dupla Lucas-Luís Fabiano, a tabelinha resultou em passe longo do meia para a área. Ao chegar na bola, Fabuloso põe na frente e é derrubado por Rafael. A imprudência e a afobação do goleiro no lance resultaram na penalidade convertida por Luís Fabiano: 2 a 1 com 25 minutos ainda a serem jogados.

Dez minutos mais tarde e Alan Kardec, que entrou no lugar do lateral Paulo Henrique Soares, encontrou Neymar sozinho no meio da zaga tricolor. O atacante recebeu, limpou Denis e mandou para o gol. Tudo igual no placar e maré para Peixe!

Assustado, Leão substitui Luís Fabiano pelo zagueiro Edson Silva. 

Talvez fosse mera questão de tempo para a partida terminar empatada ou o Santos virar o jogo. Porém, o mais improvável aconteceu. Aos 41, Lucas recebeu na direita, invadiu a área e viu Cortez livre. O cruzamento rasteiro veio na perna 'ruim' do lateral e de direita carimbou a trave. No rebote, a sorte. A bola cai nos pés de Lucas e deles para o gol. 

Ainda deu tempo para Elano bater falta frontal ao gol de Denis. O chute vem baixo e o goleiro faz ótima intervenção para se redimir da falha no 1º tento santista e segurar o placar. São Paulo 3 x 2 Santos.

Era a vitória que a torcida do São Paulo tanto queria. A equipe finalmente mostrou um mínimo de garra e disposição em buscar reverter um quadro desfavorável. Houve superação e entrega. Com isso, finalmente, o time mostra aos adeptos que merecem um voto de confiança. Inclusive Lucas, que começava a ser visto com certa desconfiança pelo desempenho mostrado até aqui e pelos recentes atritos com o treinador Emerson Leão. 

A derrota, na prática, não faz a menor diferença para o Peixe. Contudo, ao meu ver, expõe que não é um time imbatível. A facilidade como o Santos foi dominado na primeira etapa é algo raro de se ver. Um pouquinho de organização tática e disciplina na marcação podem anular Neymar e Ganso. Por outro lado, prova que, quando quer, o time vai lá e complica. O revés pode até entrar na conta do azar. Mas a displicência não passou longe não.

Por fim, um destaque negativo: a arbitragem. Foi desproporcional. Amarelou a defesa inteira do Santos (6 cartões amarelos ao todo) e distribuiu 3 para o São Paulo, sendo 2 para Rodrigo Caio, expulso, e um para Cicero. Não que o Tricolor não merecesse outros tantos. Mas o zagueiro Durval e o goleiro Rafael escaparam de um merecido cartão vermelho. Durval acertou um carrinho feio em Lucas, que partia rumo ao gol. E Rafael era o último homem no pênalti em Luís Fabiano. Puniria lá pela violência e cá pela clara oportunidade de gol. 






Supreende mas não convence.

Início do ano fui ao Pacaembu acompanhar o amistoso entre Palmeiras x Ajax (leiam aqui - aliás, foi o primeiro post deste blog) e saí com a clara sensação de que o Verdão não teria um ano muito promissor. No entanto, o que se vê após 14 rodadas do Paulistão é uma equipe completamente diferente daquela que disputou o sofrido amistoso.

Com sutis alterações, Felipão ganhou reforços interessantes para o decorrer da temporada. Chegou o zagueiro Román, que ainda não provou muita coisa mas acrescenta; Juninho deu à lateral-esquerda uma outra cara; Artur fez três gols nos três primeiros jogos com a camisa verde, mostrou qualidade no jogo aéreo e passou a ameaçar Cicinho, então titular indiscutível; Daniel Carvalho superou a desconfiança quanto ao seu peso e mobilidade mostrando que é capaz de orquestrar bem a meia ofensiva da equipe; Valdívia aos poucos retoma o bom futebol; por fim, Barcos é o novo ídolo recente da torcida. Frio nas conclusões e demonstrando muita garra em campo, o Pirata é cada vez mais querido pelos palestrinos, órfãos de Marcos.

Contudo, como disse acima, foram-se apenas 14 rodadas do Paulistão. Ter um desempenho notável aqui é bastante relativo. Para um time grande não passa de mera obrigação. Impressiona o fato da equipe ostentar uma invencibilidade de 16 jogos (computados aqui o amistoso e a partida de ida da Copa do Brasil) e dentre essas partidas estarem os clássicos contra Santos (virada sensacional nos minutos finais) e o empate eletrizante contra o São Paulo.

Ou seja, não é um time que afinou ou se apequenou nos jogos mais importantes. Só que o oba-oba em torno do Verdão começa a ganhar contornos exagerados. Repito: é apenas a primeira fase do Paulistão. Nas quartas, um dia mais azarado e adeus invencibilidade, campeonato, etc. O mesmo vale para a Copa do Brasil.

Pode ser que esse desempenho acima do normal se confirme no Brasileirão. Ou não. Vai saber. O registro que realmente entendo ser pertinente é de que ainda é muito cedo para classificar o Palmeiras como time a ser batido. Outras equipes vivem um momento mais estável e transmitem mais segurança com a bola nos pés, como o Santos, o Corinthians e o Fluminense.

(O fato de estarem na Libertadores é secundário, ok? As apresentações pelos torneios continental e estadual retratam bem meu posicionamento.)

Então, por enquanto, o Palmeiras há de se contentar, no máximo, com o título de "sensação do 1º semestre" e olhe lá.



sexta-feira, 16 de março de 2012

Análise de Elenco - Coritiba

O próximo elenco a entrar no raio-x do blog é o Coritiba. Na temporada passada, foi uma das sensações do primeiro semestre por ter sido campeão paranaense invicto (aliás, em 2012, até o momento ainda não perdeu) e chegou às finais da Copa do Brasil quando sucumbiu perante o Vasco. 

Ao meu ver, o Coritiba ilustra bem o divisor de águas que significa disputar o Estadual muito bem e dar algumas patinadas no Brasileirão. Ano passado, não fez feio, embora tenha ficado na zona intermediária. Os 57 pontos conquistados renderam uma honrosa 8ª colocação. Faltaram somente 3-4 pontos para entrar na zona da Libertadores. 

Vejamos se o torcedor coxa-branca terá condições de chegar mais longe em 2012:


GOLEIROS - Vanderlei, Edson Bastos, Rafael Martins, Victor Brasil - Vanderlei fez um bom Brasileirão-11 e ostenta a titularidade. Fez grandes jogos na temporada passada demonstrando ótimos reflexos e segurança. Edson Bastos também não faz feio sob as traves. Já foi titular do Coxa, inclusive conquistando alguns títulos. É uma posição que não preocupa. Os demais garotos são da base e devem aparecer no banco em caso de lesão de Vanderlei ou Edson. 

ZAGUEIROS - Diego, Demerson, Emerson, Pereira, Cleiton, Luccas Claro - Os nomes que tiveram mais destaque e são mais conhecidos são Pereira, ex-Santos e Grêmio, e Emerson, titular absoluto ano passado. Pereira é bem limitado mas parece que encontrou seu melhor futebol no Paraná. Emerson é bom zagueiro, forte no jogo aéreo e bastante técnico. Demerson, Cleiton e Luccas são as opções mais imediatas mas que não passam tanta segurança ao torcedor e a quem vê de fora. Setor instável.

LATERAIS - Bernardo, Jackson, Jonas, Timbó, Eltinho, Lucas Mendes - Bem servido, principalmente do lado esquerdo. Jonas, lateral-direito, foi alvo de Santos e Palmeiras. Para os padrões brasileiros, não é mau lateral. Participa bem tanto defensivamente quanto ofensivamente. Contudo, os grandes trunfos do Coxa estão na outra lateral. Lucas Mendes e Eltinho duelam pela camisa 6. No momento, Lucas Mendes sai na frente. Jovem promessa, é nome praticamente certo para ir aos Jogos Olímpicos. Eltinho teve uma boa passagem pelo Avaí. Rápido e habilidoso, atua melhor como ala no auxílio do ataque. 

VOLANTES - Artur, Junior Urso, Lima, Gil, Djair, Willian - Sem Léo Gago e Leandro Donizete que foram negociados, a parte defensiva do meio-campo do Coritiba está bastante fragilizada. Junior Urso até marca razoavelmente bem. No entanto, deixa a desejar na distribuição do jogo. Willian é outro que se destaca. Porém, também não iguala a qualidade dos antigos titulares. Gil teve passagens discretas pelo interior de São Paulo. O jovem Djair foi bem no Figueirense e passou Inter, sem muito sucesso. É uma posição que preocupa bastante.

MEIAS - Lincoln, Emerson Santos, Renan Oliveira, Rafinha, Tcheco, Everton Ribeiro, Rafael Silva - De longe, as melhores opções para o time. Os veteranos Lincoln e Tcheco organizam bem o jogo, possuem uma bola parada de qualidade e sempre rondam a área adversária com perigo. Rafinha, ex-São Paulo, é veloz e muito habilidoso. Invariavelmente dita o ritmo do time na partida com suas arrancadas para o gol. Renan Oliveira é cria do Atlético-MG com boas passagens pelas categorias de base da Seleção. Muito já se falou deste jovem talento. Bom articulador e finalizador, Renan Oliveira não viveu boa fase no Galo e agora busca retomar o bom futebol no Coritiba. Será muito útil, certamente. Everton Ribeiro lembra o estilo de Rafinha. Boa opção para a segunda etapa ou para puxar contra-ataques.

ATACANTES - Roberto, Geraldo, Anderson Aquino, Marcel, Caio Vinicius, Everton Costa - Roberto, recém-chegado, mal estreou e já é apontado como esperança do Coxa na temporada. Apareceu bem no Figueirense, há dois anos. Marcel é o mesmo que defendeu São Paulo, Santos e Grêmio. Centroavante de qualidade discutível. Mal comparando, tem um quê de Washington (Coração Valente). Faz pivô, é referência na área, mas faz tudo sem esbanjar muita categoria. Anderson Aquino também merece destaque. Com a camisa do Coxa, não deixou a desejar e costuma ir às redes com frequência. Geraldo e Everton Costa correm por fora na disputa por uma vaga ainda que no banco de reservas. Enfim, há opções interessantes.

TÉCNICO - Marcelo Oliveira - É um técnico médio. Teve experiências pelo Atlético-MG e pelo Paraná, por exemplo. O único destaque que se faz com a devida justiça foi a temporada passada. O Coritiba jogou um futebol alegre, ofensivo, venceu o Estadual de maneira invicta e calhou de perder a final da Copa do Brasil para o Vasco. Ainda assim, conseguiu levar o time à 8ª colocação a frente de equipes como Santos, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras. Dentro das limitações do elenco, creio que Marcelo Oliveira consegue fazer um bom trabalho no comando do Coritiba.

ANÁLISE GERAL - Os meias de criação e os atacantes de velocidade são os trunfos do Coxa. Tem que explorar o potencial ofensivo de Tcheco, Lincoln, Rafinha, Aquino, Renan Oliveira. Nos pés deles reside o trunfo para as vitórias. Só assim Roberto e Marcel serão bem servidos e terão reais condições de marcar. No entanto, a falta de opções de qualidade para a zaga e, sobretudo, para o meio defensivo (volantes) desequilibram a balança para o lado da preocupação.

RESULTADO - Não creio que o Coritiba fará uma temporada tão boa quanto a do ano passado, até em razão das carências em seu elenco. Porém, não vou exagerar e dizer que o time briga para não cair. Como dito, no ataque, é uma equipe perigosa. Portanto, zona intermediária para o Coxa.


quinta-feira, 15 de março de 2012

5 vitórias consecutivas, 1 gol sofrido e 1 dívida.

Vencer o Independente do Pará é obrigação para qualquer time das Séries A e B. OBRIGAÇÃO, nada mais que isso. Quando o São Paulo derrotou a equipe em questão semana passada lá no Norte por simbólicos 1 a 0, cumpriu seu papel. Mal, mas cumpriu.

Nesta quarta-feira, ao golear o mesmo Independente no Morumbi, o único destaque que realmente merece tal denominação é Luís Fabiano, autor dos 4 gols do triunfo tricolor. E vamos combinar que, tirando aquele no qual Fabuloso recebe, dribla o goleiro e manda para as redes, os outros 3 gols foram verdadeiras bizarrices da tosca zaga do atual campeão paraense. Sim, acredite se quiser, eu disse "campeão".

Após empatar com o Palmeiras na 10ª rodada, o São Paulo acumula 5 vitórias: Independente (2x), Guaratinguetá, XV de Piracicaba e Portuguesa. Sofreu um gol apenas. Justamente para a equipe melhorzinha, a Lusa. E, mesmo diante deste favorável histórico recente, não consigo aceitar numa boa a ideia de que houve uma baita evolução no plano de jogo tricolor.

Apesar de ter sido vazado somente uma vez em 5 partidas, o meio-campo ainda não inspira confiança. Tanto que o gol sofrido foi logo para um time atualmente mediano. Fosse a Barcelusa-11 e eu queria ver como terminaria aquele jogo. Há muitos buracos, muito espaço para o adversário chegar. O sistema defensivo sobrevive graças à muita reza e secadas da arquibancada. Já do meio para frente, tudo maravilha. Poxa, ilusão é achar que o futebol se limita a fazer gols. Evitá-los também faz parte do jogo, caramba! Se é para defender, que defenda direito!


Ao meu ver, acompanhar um jogo do São Paulo hoje é alternar da euforia à raiva em poucos instantes. Enquanto o ataque faz seu papel, o sistema defensivo prega susto atrás de susto. Aquele lado direito com Piris e Paulo Miranda é de chorar de desespero. Improvisar um volante da base não vai tranquilizar. A ausência de um camisa 5 à frente da zaga com cara de mau para distribuir uns pontapés, roubar a bola e proteger efetivamente o time contribui para a falta de credibilidade/combatividade da meia-cancha tricolor.


Entretanto, o que mais falta a este São Paulo é uma grande partida. Por mais que os números soem animadores, falta aquele jogo que traga o torcedor para perto, que o faça vibrar, ter orgulho, que o faça acreditar. Poderia ser contra o Corinthians, mas perdeu. Contra o Palmeiras, um jogaço, mas empatou. Contra o Santos, no domingo? Só se vierem com os titulares. Do contrário, nem de parâmetro deve servir.

Em vez de cobrar publicamente seus jogadores, Leão deveria conscientizar cada atleta do seu elenco disso. "Estamos devendo, não necessariamente evoluindo". Afinal, nos jogos que "realmente valiam" o São Paulo deixou a desejar, fato. 

Infelizmente, num Paulistão repleto de times abaixo da crítica, sobram os clássicos para medir a equipe. No mais, a Copa do Brasil faria esse papel, porém, nesta primeira fase não colocou o potencial do time à prova. Resta esperar para acompanhar o desempenho nos mata-matas do Estadual.

Parece fácil receber tudo isso que acabo de despejar acima como uma simples cornetada. Só que é muito mais difícil reconhecer uma dívida.


terça-feira, 13 de março de 2012

A Seleção não merece minha torcida. Nem Messi.

Eu não pretendia voltar no assunto Seleção Brasileira tão cedo. Lá pelos Jogos Olímpicos e olhe lá. Mas o Sr. Ricardo Teixeira fez o favor de renunciar ao cargo de presidente da CBF e de membro do COL (Comitê Organizador Local - responsável pela Copa-14 no Brasil). Então, sinto-me na obrigação de comentar o episódio. De cara, infelizmente, não partilho da euforia que acometeu a imprensa. Pelo contrário, só aumentou meu asco pela cúpula da CBF.

José Maria Marin assume o cargo. Grande coisa. Muito se diz que não será uma troca de 6 por meia-dúzia. No entanto, não vai ser nada muito diferente que trocar 6 por 5,7 ou 5,8. Nenhum dirigente será tão vencedor e trambiqueiro quanto Ricardo Teixeira. Porém, até as eleições em 2015, nada muda. É, nada muda. Marin é do esquema, ou vão dizer o contrário? Faltando 2 anos para a Copa e vão colocar um estranho no ninho? Abraça...

Para piorar, a imagem daquele que sucede é bizarra. O cara teve a coragem de pegar uma medalha da premiação dos campeões da Copa São Paulo de Futebol Junior! "Ah, mas era uma só". Bicho, o jogador do Corinthians ficou sem a medalha! Amanhã ou depois esse moleque não vinga, acaba a carreira dele, e ai? Que lembrança ele vai ter para contar para os netos? "Um cartola roubou minha medalha?!"

A queda de Teixeira coroa a impunibilidade pela administração supostamente corrupta. Um novo presidente a 2 anos da Copa do Mundo no Brasil é uma mera marionete do esquema montado para receber o circo do futebol. 

Enquanto se comemora a saída do ditador que ficou 23 anos à frente do futebol brasileiro, duvido que algo será feito para diminuir os desvios de verba, os superfaturamentos, obras e melhorias que efetivamente deixem um legado à população. 

Mudança de gestão, filosofia, disso, daquilo, balela! Por mais ranzinza que meu discurso pareça simplesmente não consigo sorrir diante de uma palhaçada esbofeteando minha cara. Teorias da conspiração à parte, impossível não observar tudo isso e não imaginar que tudo não passa de uma armação para a manutenção dos interesses dos principais envolvidos.

Querem mudar de filosofia? Que tal começar por prestigiar um treinador e seguir com um trabalho a longo prazo? Que tal umas belas desculpas públicas pelo trabalho sensacional do Dunga no comando da Seleção Brasileira, crucificado por uma tarde infeliz do então "melhor goleiro do mundo"?  Ou melhor, e se acabassem as pressões e as mutretas com empresários para convocação de determinados jogadores? Não é mais razoável? É pedir muito?

Torcer para a Seleção tornou-se algo secundário. A relação patriótica agora começa em junho e termina em julho a cada 4 longos anos. Entretanto, perder uma Copa é imperdoável, crime hediondo. Qualquer resultado que não seja Brasil campeão é crise na certa e sobra para todo mundo. Engraçado perceber que apesar dessa fatalidade expor nosso esporte bretão, a preocupação recai somente em analisar como nosso time do coração está. 

Minha geração não viu o Brasil de Telê, os times magníficos de 82-86. Lembra da superação em 94 e 02. Viveu a decepção desconfiada de 98. Os vexames de 06 e 2010. Vive a era dos empresários, das grandes transações, da falta de amor à camisa, do amor ao dinheiro em dia, da falta de ídolos identificados com as cores de apenas um ou dois clubes. Pena.

Por tudo isso, a Seleção só conquista meu desdém. Um revés em casa, na minha opinião, seria um favor. Um tapa na cara bem dado em todos que querem aproveitar-se da paixão do povo para encher seus já enriquecidos bolsos. Torço por um Maracanazzo de grandes proporções. Perder nos pênaltis ou com gol em flagrante impedimento seria sublime. Ver a cara de tacho de Ronaldo, Sanchez, Teixeira e Cia. diante das câmeras seria impagável.

Contudo, Messi, nem adianta se animar. Torcer para a Argentina ganhar aqui no meu quintal já é demais.



segunda-feira, 12 de março de 2012

Acabou o chá! Precisamos comprar mais?

Ricardo Teixeira caiu. Com essa notícia, tive um almoço bastante agradável. Não é novidade para ninguém que acompanha minimamente o futebol brasileiro o quanto é simbólico e importante esse fato.

Sabemos que mudanças profundas e necessárias no nosso querido esporte não virão. O problema é estrutural. Não veremos melhoras nos gramados, nos estádios, no calendário, em nada. Ainda mais sabendo que quem substitui o Poderoso Chefão é José Maria Marin, mais conhecido por Zé das Medalhas*. Duvido, no entanto, que ele permaneça muito tempo à frente da Confederação, tendo em vista a movimentação já iniciada por algumas Federações fortes, como a gaúcha, a carioca, a mineira, a baiana, entre outras, para a realização de novas eleições na CBF.

Mais relevante do que a saída de Teixeira da CBF é a sua saída do COL (Comitê Organizador Local), órgão responsável pela realização da Copa do Mundo no Brasil. Abre-se espaço para uma organização mais transparente e para uma participação maior do governo federal, que custeia o evento.

Acabou o chá de cadeira**. Agora enjoei um pouco, prefiro esperar por mudanças sérias no futebol sentado, tomando uma gelada.

Ricardo Teixeira, ou "Tricky Ricky" para os mais chegados. Será que ele ri à toa agora? 


* O apelido Zé das Medalhas surgiu após Marin ter colocado "discretamente" uma medalha no bolso, na entrega da premiação aos jogadores do Corinthians, campeão da Copa SP de Futebol Júnior.

**Para os que não conhecem: o jornalista Juca Kfouri criou o "merchan" do chá de cadeira, para esperar a queda de Ricardo Teixeira.

domingo, 11 de março de 2012

Paulistão 12 - Rodada #13

A 13ª rodada do Paulistão foi realizada neste fim de semana e, como o próprio número indica, veio com alta carga de superstição. Para ficar nos exemplos mais rasos, o Timão empatou em casa e o Santos foi o primeiro clube grande a ser derrotado por uma equipe do interior do Estado.

Verifiquemos quem chutou a macumba e vai degustar uma gelada, e quem sofreu com a zica do número 13:


CERVEJA GELADA

PALMEIRAS e SÃO PAULO - Os únicos grandes de São Paulo a fazerem bonito na rodada. O Verdão goleou o frágil Botafogo em Ribeirão Preto por 6 a 2. Barcos, o Pirata-Matador, anotou mais dois tentos. Destaque também para Valdivia, autor do 1º gol da partida. O triunfo verde valeu a vice-liderança, 1 ponto atrás do Corinthians (30 pontos). Enquanto o Palmeiras goleava, o São Paulo sofria para virar o jogo contra a Lusa. A vitória de 2 a 1 veio em tarde iluminada de Jadson, que fez o gol de empate e armou a jogada para Luís Fabiano desencantar e fazer o Tricolor subir para 3º (28 pontos).

MOGI MIRIM e PONTE PRETA - O Sapão está impossível! Bateu o Santos por 3 a 1 e finalmente feriu o ego de algum time grande. Com 26 pontos, o Mogi segue na 5ª colocação e está virtualmente classificado dados os 8 pontos à frente do Linense, 9º colocado. Já a Macaca goleou o Paulista por 4 a 1 e também deixou bem encaminhada sua classificação para as quartas-de-final. 

XV DE PIRACICABA - Retornou à 1ª Divisão do futebol paulista este ano e vive o desespero de manter-se na elite. Em que pese a limitação da equipe, provou que pode surpreender. Jogando fora de casa, goleou o Linense por 4 a 0 e vislumbra uma luz no fim do túnel. 2 pontinhos separam a incômoda vice-lanterna da salvação.


CERVEJA QUENTE

COMERCIAL - Não fez a lição de casa e perdeu para o Ituano, 1 a 0. Manteve os 7 pontos e assumiu a lanterna.

LINENSE - Goleado em casa para um time que está na zona da degola por singelos 4 a 0. Para quem sonhava em encostar de vez no G-8 trata-se de um resultado inadmissível.

JUNINHO - O goleiro do Botafogo fez feio. Os mandantes apanhavam do Palmeiras por 5 a 2 quando o arqueiro teve a ideia genial de esquecer regras, fair-play, etc. e derrubou o xará, lateral-esquerdo do Verdão. Entrada ridicula, desnecessária. Cerveja quente pela agressão gratuita ao colega de profissão. A penalidade foi o último ato palestrino na partida, 6 a 2.