domingo, 25 de março de 2012

Regularidade 2 x 1 Sensação

Mais um domingo de clássico no moroso Paulistão. Desta vez, Corinthians e Palmeiras realizaram o dérbi paulistano no Pacaembu. O jogo colocou frente-a-frente a regularidade do Timão de Tite e o Verdão de Barcos, então líder invicto e sensação do Paulistão.

[Pago com a língua o que disse no amistoso do Palmeiras com o Ajax no início da temporada (ler mais aqui). O desempenho da "Famiglia Scolari" impressionava, embora, de fato, não convencesse tanto (dito aqui) ]


Em razão do falecimento de Chico Anysio, o Palmeiras entrou com nomes de personagens consagrados pelo humorista estampados nas costas dos jogadores. Atitude muito bacana do clube para o assumido palmeirense.

A partida começou quente com o Palmeiras tomando a iniciativa ofensiva. A pressão deu certo e Marcos Assunção, sempre ele,  colocou o Verdão em vantagem. Valdívia carrega e entrega para Assunção que arriscou a bomba de muuuuito longe. A bola bate na zaga e encobre Julio Cesar. Foi um belo gol, o tiro contou com desvio e tal. Mas não tirou muito a sensação de que o arqueiro corinthiano falhou.

Com o gol, o Palmeiras passou a cadenciar mais o jogo. Bem na marcação, os comandados de Felipão conseguiam anular bem o ataque rival. Danilo não mostrava a estrela dos outros jogos, Liedson continuava a amargar o jejum de gols e Sheik não justificava a titularidade. 

Contudo, veio o segundo tempo. E acabou rápido. Foram precisos 6 minutos para o jogo mudar e praticamente dar-se por encerrado. A sorte sorriu para o Timão logo aos 3 minutos. Jorge Henrique levantou na área, no bate-e-rebate a bola pega na mão de Márcio Araújo e sobra para Paulinho estufar as redes.

No lance seguinte, nem o mais otimista corinthiano poderia acreditar no que estaria por vir. Nova bola alçada na área, Henrique vacila ao errar o tempo do lance e a pelota encontraria Liedson livre. Encontraria, pois Márcio Araújo novamente protagonizou o gol alvinegro e com um leve toque empurrou contra as próprias redes.

A virada abalou definitivamente os nervos dos invictos que perderam completamente o domínio do jogo. Aí a partida ficou do jeito que Tite gosta. Sheik e Jorge Henrique pelas pontas infernizavam em contra-ataques sempre perigosos. Valdívia fazia um bom jogo, porém Barcos não foi sombra do matador que se viu nos últimos jogos.

Felipão fez o que deveria fazer, mexer no time. Sacou Cicinho, João Vitor e Maikon Leite para as entradas de Pedro Carmona, Artur e Ricardo Bueno. Carmona ajudou mesmo sem ter sido efetivo. Artur não fez nada diferente de Cicinho. E Ricardo Bueno foi Ricardo Bueno. 

Tite colocou as barbas de molho e fez suas alterações mais para o fim do jogo quando trocou Danilo, Jorge Henrique e Liedson por Douglas, Gilsinho e Elton, que pouco apareceram. 

O segundo tempo atípico pelos gols relâmpagos do Timão colocou em xeque o rendimento palestrino no ataque. Sob pressão, o time não respondeu bem. Desconsidero até a tarde azarada de Márcio Araújo, carrasco da própria equipe nos lances capitais. A verdade é que o Palmeiras voltou do intervalo como quem já se considerava vencedor do clássico. Parecia subestimar o poder de reação do adversário. Pagou caro.

Tite apenas inverteu o posicionamento de Danilo, Sheik e Jorge Henrique para inacreditavelmente virar uma partida em surreais 6 minutos. Deu sorte? Muita. Só que novamente, com o placar favorável, continuou a praticar o melhor de seu jogo: defender bem e contra-atacar perigosamente. A frieza e a regularidade aumentam a moral do clube na luta pelo topo do Paulistão e para conseguir uma boa posição nas oitavas pela Libertadores.

Não fosse a sorte o Corinthians teria virado o jogo? Talvez. A julgar pela postura do Palmeiras no segundo tempo é provável. A acomodação nos primeiros minutos custou caro. Para quem ostentava uma bela marca invicta, o Verdão tropeçou de maneira imperdoável aos olhos da torcida. 

Já pelo lado do Timão, além de contar com sorte mostrou muita competência ao aproveitar as chances que teve e explorar o desespero do eterno rival em bons contra-ataques.

Destaques finais da partida: Pelo Corinthians, Danilo estava contido. Jorge Henrique e Sheik, ao meu ver, arrebentaram com Cicinho e Juninho. Paulinho foi o homem do jogo ao dominar o meio-campo. Já do lado verde, Assunção provou que apesar de não ser tão rápido ou de não marcar tão bem é imprescindível na meia-cancha palmeirense. Ricardo Bueno entrou e novamente não fez absolutamente nada. Barcos sumiu esta tarde. Carmona mostrou certo empenho. Acho que merece ser melhor testado.

O clássico não eleva o Corinthians a Barcelona. Nem rebaixa o desempenho do Palmeiras ao de um time medíocre. Todavia, a forma como o resultado foi construído acende a luz amarela em ambos. Um por exagerar na sorte. Outro por abusar dela.

sábado, 24 de março de 2012

Análise de Elenco - Figueirense

Chegou a vez do Figueirense entrar na roda d'O Boteco! No primeiro ano após o acesso conquistado em 2010, uma campanha sensacional em 2011 que levou à 7ª colocação com 58 pontos, somente 3 abaixo da zona da Libertadores, o Figueira luta para seguir evoluindo.

Trocou o comando técnico (saiu Jorginho e veio o ex-lateral-esquerdo Branco) e, a princípio, o trabalho do novo treinador agrada. No Campeonato Catarinense, a equipe venceu o primeiro turno e até o momento divide a liderança do segundo turno com o Joinville.

Por outro lado, perdeu peças importantes (praticamente meio time) como o lateral-esquerdo Juninho para o Palmeiras, os meias Maicon para o São Paulo e Wellington Nem, que retornou ao Fluminense, os zagueiros Edson Silva e Roger Carvalho. Enfim, será que o Figueira repete o desempenho do ano passado?


GOLEIROS - Ricardo, Wilson, Neto - Wilson, 5 anos de clube, titular, ídolo e, acima de tudo, um bom goleiro. Sempre bem posicionado e com reflexos apurados, Wilson falha muito pouco e tem grande desempenho sob as traves. Contudo, os reservas Ricardo e Neto não fazem sombra ao camisa 1. Portanto, sua ausência vai causar espanto.

LATERAIS - Helder, Leonardo Rodrigues, Pablo, Guilherme, Saldívar - A dupla que chegou de Minas saiu na frente pelas laterais. Pablo, ex-Cruzeiro, e Guilherme, ex-Galo, são os melhores mesmo. No entanto, em que pese serem os melhores, não significa que são acima da média. Saíram de clubes de maior projeção para ganhar experiência no emergente futebol do Figueirense. Saldívar ainda é uma incógnita. Helder surgiu no Grêmio e fez um bom Brasileirão-08, apesar dos altos e baixos. Passou por Bahia e Sertãozinho. Pode ser útil.  Não tenho informações consistentes sobre Leonardo Rodrigues.

ZAGUEIROS - João Paulo, Canuto, Fred, Guti - Uma zaga nova. A saída de Edson Silva e Roger Carvalho ainda não foi sentida, pois o Estadual não testa efetivamente o potencial desses atletas. Fred e Canuto chegaram esta temporada e começaram no time principal. A dupla agradou, até em razão da boa campanha até o momento. João Paulo, reserva imediato, pouco apareceu até o momento. Guti, vindo da base, fecha o setor como opção no elenco.

VOLANTES - Jackson, Coutinho, Túlio, Ygor, Sandro, Toró - Muita pegada. Túlio, ex-Botafogo, Corinthians e Grêmio, é limitado, mas é reconhecido pela raça, disposição e, digamos, virilidade na marcação. Ygor, cria do futebol carioca, passou por Vasco e Fluminense, passou apagado pela Lusa até parar no Figueirense. Bom marcador. Não é um primor e nem deixa a desejar. Faz sua parte com simplicidade. Mas não preza pela saída de jogo. Toró, também cria do Rio, foi bem no Fluminense e teve melhor fase no Flamengo, quando foi recuado para volante. Rápido, marca bem e tem qualidade no apoio. Um bom motor no meio-campo do Figueira.

MEIAS - Fernandes, Roni, Pittoni, Botti, Luiz Fernando, Deretti, Doriva, Guilherme Lazaroni - Carente. Fernandes é o principal articulador do time. O 10 toma conta da armação, das bolas paradas, da organização do ataque. Faz com muita competência, diga-se. Roni, recém-chegado, faz um bom início de temporada. Mostra velocidade, qualidade no passe, no arremate. Ótima opção. Doriva tem jogado mais recuado e feito a transição defesa-ataque. Botti, outro recém-chegado, tem aparecido bem quando entra na equipe. Não é um setor fraco, mas tem poucas boas opções. 

ATACANTES - Héber, Aloísio, Júlio César, Niell, Pottker - Interessantes. Júlio César, centroavante, fez um ótimo Brasileirão-11 e quase parou no Corinthians. Forte e frio nas finalizações, é o mais importante do ataque. Aloísio tem jogado bem. Nesta temporada colocou o próprio Júlio César em segundo plano. Alia velocidade e qualidade nas conclusões. Boa opção também. Niell, o baixinho argentino, apareceu no Argentinos Jrs., ano passado, ao fazer dois gols no Fluminense. Detalhe: de cabeça. "Enjoado" como todo atacante hermano, é rápido, abusado e tenta compensar a falta de estatura com muita garra e disposição. No momento, é a melhor opção de banco.

TÉCNICO - Branco - Ex-coordenador técnico do Fluminense, Branco desembarcou no Figueirense para provar a primeira experiência como técnico. Assume o lugar deixado por Jorginho, ex-parceiro de Dunga na Seleção Brasileira. Incógnita total. É inexperiente no comando. Porém, é boleiro. Vivenciou Copas e situações que ajudam a aproximar a realidade que viveu ao trato com os atletas. O começo de temporada é animador, empolga, mas não se pode criar expectativas demais com relação a isso. Até porque, como se sabe, os Estaduais são a pior armadilha para um time.

ANÁLISE GERAL - O time não é ruim. É limitado, porém, organizado. Prova disso é esse começo de ano proveitoso embora sob comando de um novo treinador. O meio campo defensivo é pegador. A meia de criação é mais contida. O setor defensivo como um todo é novo, carece de entrosamento e de boa apresentações contra equipes melhores. Em suma, o time precisa ser melhor testado. Certezas, apenas 3: Wilson, Fernandes e Júlio César.

RESULTADO - O Campeonato Catarinense é substancialmente fraco. O desempenho do Figueirense ser acima da média não enche os olhos de quem vê de fora. Por isso não há como medir a real força desta equipe que é completamente nova. A estrutura deixada pelo time que chegou ao honroso 7º lugar do Brasileirão não existe mais. Branco, o inexperiente treinador, inicia um trabalho literalmente "do zero" com um grupo renovado. Ao meu ver, esses fatores (desmanche + reformulação de elenco e de comando técnico) comprometem a evolução de um trabalho que havia sido muito bom em 2011. Assim, vejo dificuldades ao Figueirense em 2012 e, com este elenco, vai brigar para não cair. 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Simplesmente Futebol

Futebol. Uma bola, uns rapazes distribuídos igualmente e proporcionalmente por um campo ou uma quadra e eis o futebol. A expressão máxima do joguinho inglês sem graça que aprimoramos e transformamos em arte, em paixão. 

Esqueçam essas coisas de marca, de trequinhos bonitinhos, arrumadinhos. Estou falando de camisa contra sem-camisa, várzea, casados versus solteiros. Isso que efetivamente faz o futebol pular do campo do entretenimento direto para o coração. 

Amor. O futebol nasceu para ser amado e respeitado. Malditos sejam os empresários, as cotas de patrocínio, a busca incansável por receitas astronômicas, o comércio estratosférico de camisas na América, na Europa, na Ásia, em Marte. Quem manda no futebol esqueceu que ele é um ente familiar. Todo dia ele está ali. As notícias, os videos, os debates, as conversas no café, no bar, no almoço, no barbeiro, no trânsito, na tevê, no rádio. 

O mundo precisa de mais futebol. Chega de discussões intermináveis sobre uso de tecnologias, quantos cartões distribuir, quantos jogos de gancho vai pegar, qual a gravidade do lance, meu deus, parem com isso! Lembrem por um instante de como é sublime o futebol.

Chutar a bolinha de plástico com o pai ainda segurando seus braços, pois as pernas mal tinham forças para sustentar o corpo ereto; improvisar meia, lata, garrafinha na hora do recreio e juntar as mochilas simulando duas traves; a tensão na escolha dos times; a alegria do gol; o riso no tropeço; a emoção do pênalti.

O futebol cresceu conosco. A emoção de ver o time na tevê, no campo, sorrir com o gol, frustrar-se com a derrota, aprender a tiração de sarro nos clássicos, reunir os amigos em casa para acompanhar a rodada.

Sempre que vou ao estádio perco uns bons minutos encarando tudo. A arquitetura, as arquibancadas, os bancos, as bandeiras, as marcas, as traves, a torcida, enfim, cada detalhe. Por um minuto, imagino aquele estádio inteiro vazio, como se o time dependesse exclusivamente do meu apoio para seguir lutando. Como se tudo que importasse era quem ia levar a melhor depois dos 90 minutos.

Arriscaria um grito. Um "uhhh!", talvez. Resmungaria, cuspiria no chão após outra jogada mal sucedida e cruzaria os braços reprovando o lance. Ou então tiraria minha camisa e a rodaria enquanto freneticamente canto como se minha voz fizesse o chute sair mais perfeito, a corrida ser mais longa, a intervenção ser mais precisa. Não sei. 

Sei que não vi o futebol clássico. Não vi Pelé, não vi a Seleção de 82-86, nem sou do tempo no qual havia um traço mínimo de amor à camisa nos duelos entre clubes. Tampouco imagino como seria se as torcidas conseguissem compartilhar o mesmo espaço respeitosamente, independente do que estivesse em jogo.

Por mais que me doa na alma tudo que vejo de errado em campeonatos, diretorias, federações, cúpula de arbitragem, esquema de apostas, dentre outros bastidores (infelizmente tão influentes atualmente) tenho comigo a única certeza que carrego nessa vida além da morte:

Eu sei muito bem o que é futebol.


quinta-feira, 22 de março de 2012

Um sonho possível.

"Corinthians na Libertadores é igual o programa Chaves: todo mundo já sabe o que vai acontecer, mas sempre assiste novamente porque é engraçado". "Raspadinha do Corinthians: Se aparecer 'Libertadores' você vai à padaria e troca por um sonho". Piadinhas não faltam sobre o calcanhar de aquiles do Timão, único grande de São Paulo a não ter em sua galeria a taça continental. Contudo, após a vitória sobre o Cruz Azul nesta quarta por 1 a 0, fica cada vez mais clara a impressão de que a gozação pode estar com os dias contados.

Enquanto a imprensa desce a lenha no time que vence mas não encanta, pouco se repara na forma como o Corinthians tem construído suas vitórias. É um time sólido, compacto e, o mais importante, entrosado. A manutenção da base campeã brasileira em 2011 aliada à chegada de reforços pontuais para compor o grupo foi a saída mais viável que Tite encontrou para desbravar a América.

O pragmatismo do treinador tem tudo para dar certo. A campanha no Paulistão é muito boa mesmo escalando uma equipe mista na maioria dos jogos. Entretanto, o que mais impulsiona a caminhada rumo ao sonhado título é a surreal consistência defensiva. Ao todo são 18 jogos (14 pelo Paulistão e 4 pela Libertadores), 23 gols marcados e somente 10 sofridos. Se o ataque não enche os olhos, a defesa ofusca o continente.

Recentemente fiz a análise do elenco do Timão para o Brasileirão (clique aqui) e, além de constatar o óbvio ululante que o time seria postulante ao bicampeonato, ressaltei que o time conta com muitas opções. Ter muitos atacantes deveria pressupor um aproveitamento ofensivo maior. No entanto, contraditoriamente o que mais aparece é o dedo de Tite ao trancar o time e saborear as vitórias sob doses homeopáticas.

Na partida desta quarta-feira, o Corinthians mandou do começo ao fim. Um lance aqui outro ali dos mexicanos e só. Controle, posse de bola, tramas ofensivas, chutes, volume de jogo, marcação...foi mis um banho tático do Timão sobre o Cruz Azul. O magro resultado não traduziu a superioridade do time na partida. Sem entrar no mérito de que "o que conta mesmo é o gol", jogo a jogo o Corinthians se mostra cada vez mais e mais favorito.

Crucificar a produção ofensiva e criticar o eficientíssimo sistema defensivo, pilar das seguras atuações, para mim, é não querer reconhecer a força evidente de quem entrou na Libertadores para enfim disputá-la como se deve. 

A participação contínua do torneio traz a malícia. O empata fora-ganha em casa está sendo seguido à risca. Sem encantar, sem comprometer, no melhor estilo Libertadores. Os sustos deram lugar à segurança. O medo transformou-se em esperança. Por mais que se fale nas qualidades de Fluminense, Santos e Inter, nenhum deles encarou um sistema defensivo como o do Corinthians*. E, em uma Libertadores, a defesa pode ser o principal trunfo rumo ao título. Taí o Once Caldas-2004 que não me deixa mentir.


*Vale lembrar que na 12ª rodada do Paulistão, o Santos venceu o Corinthians por 1 a 0, na Vila Belmiro. Nesta oportunidade, o Timão poupou alguns titulares. 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Só falta a Copa, Messi.

Para falar de Messi não é preciso muito. Seus números, recordes e títulos falam por si. Com apenas 24 anos o craque argentino já é um dos melhores jogadores da história. Infinitas virtudes e nenhuma fraqueza, fato. Acabou de tomar a artilharia máxima do Barcelona em jogos oficiais: 314 jogos/234 gols, média de 0,74 gol/jogo. Vem muito mais por aí, sem sombra de dúvida. Mas a polêmica é inevitável: e a Copa do Mundo? 

É impossível fechar os olhos para o brilhantismo de Messi, certamente um dos melhores jogadores que eu já vi em minha vida. Contudo, para classificar onde o jovem mito se encaixa atualmente não há outra saída senão trazer à baila a velha discussão sobre uma conquista de Mundial.

Na minha opinião, por mais que Messi vença 10 vezes a Champions League, o Mundial de Clubes da FIFA, faça mais 200-300-500 gols, uma Copa do Mundo é determinante para consagrar um mito. O que seria de Ronaldo sem as duas Copas e a artilharia histórica do torneio? Ou Romário sem a taça de 94? 

E a cara de frustração de quem lembra de Zico, Sócrates, Careca, Falcão e Cia.? Os escretes derrotados em 82 e 86 carregarão eternamente o fardo do ótimo futebol perdedor, infelizmente. Cruyff, a Laranja Mecânica e outro punhado de feras holandesas são outros exemplos com asterisco na história.

Ninguém põe em xeque a qualidade de grandes craques que tiveram a oportunidade de vencer uma Copa do Mundo. Entendo que para entrar no hall da fama supremo é necessário levar a taça máxima para seu país. Se nivelarmos todos pelo talento, a comparação dos mitos perde objetividade. Basta lembrar de George Weah, da Libéria, melhor jogador do Mundo em 1995. Ele realmente merece entrar na "vala comum" dos craques?

Creio ser necessário arbitrar alguns critérios para apontarmos sem generalizações exageradas quem foram efetivamente os melhores, quem realmente fez a diferença no campo, quem conquistou mais. No campo das conquistas, sendo o futebol um esporte essencialmente coletivo, ficam em segundo plano as conquistas pessoais, por mais sensacionais que sejam. Portanto, a Copa do Mundo torna-se o principal critério de desempate. Ou melhor, o primeiro critério para separar "os craques-craques" dos "craques comuns".

Messi terá, por baixo, mais uns 10 anos de carreira e 3 Copas pela frente. Ou seja, tem mais três chances de calar parte do planeta que insiste em apontar uma falha em seu currículo e entrar definitivamente no espaço reservado às lendas. Ninguém mandou ser tão perfeito, Messi. Agora aguenta...








segunda-feira, 19 de março de 2012

Análise de Elenco - Cruzeiro

O 7º clube na mesa d'O Boteco Esportivo é o Cruzeiro. O lado azul de Minas Gerais foi campeão da Taça Brasil em 66, campeão do primeiro Brasileirão sob a fórmula dos pontos corridos em 2003 e fez um campanha desastrosa ano passado.

Escapou da degola somente na última rodada do Brasileirão em grande estilo e em grande polêmica. Após um segundo turno pífio, massacrou o rival Atlético-MG por nada mais nada menos que 6 a 1. A goleada renderam os 3 misericordiosos pontos que salvaram a Raposa da guilhotina. No entanto, muito se fofoca a respeito de um suposto acerto das equipes, algo que envolveria a ação do patrocinador de ambos. Enfim, não sei. Quem sabe?

Vejamos o que a Raposa traz para que 2012 seja melhor e menos torturante:


GOLEIROS - Fabio, Rafael, Axel - Fabio é ótimo. Alto, firme na saída de gol, líder, reflexos apurados, é um dos melhores em atividade no país. Apesar de sua indiscutível qualidade, vejo com ressalvas quem defende sua integração ao trio de goleiros da Seleção Brasileira. Porém, sem alongar a questão, fato é que o gol celeste está bem protegido. O problema está na ausência de Fabio. Rafael não inspira a mesma confiança e, quando jogou, não fez nada de extraordinário. Axel, garoto da base, compõe o elenco, nada além disso. Sem constar no site oficial, Gabriel, destaque das categorias de base da Seleção parece muito mais goleiro que os reservas imediatos.

ZAGUEIROS - Victorino, Léo, Cribari, Thiago Carvalho, Mateus - Bons nomes. O uruguaio Victorino é nome certo em muitas convocações de sua seleção. Bastante técnico e rápido para um zagueiro, não demorou a se firmar na equipe. A briga pela vaga ao lado de Victorino, no momento, é de Léo. Léo foi bem no Grêmio, passagem mediana pelo Palmeiras e está em boa forma no Cruzeiro. Uma lesão aqui, outra ali, mas sempre atuando com muita raça e disposição. Posicionamento e cabeceio também em bom nível. Mateus fez uma boa temporada 2011 na zaga da Barcelusa. Resta acompanhar eventuais chances e checar se pode manter o nível na Série A. Thiago Carvalho, ex-Boa Esporte, também terá que superar a desconfiança de ter atuado somente em equipes menores. Cribari chegou ano passado com status de ótima contratação. No entanto, demorou a pegar ritmo de jogo, não se adaptou bem e gerou desconfiança. Mas é experiente e fez carreira no futebol italiano, então, deve ter um 2012 melhor.

LATERAIS - Diego Renan, Gilson, Marcos, Jackson - Assusta. À exceção de Diego Renan, lateral-esquerdo rápido, habilidoso e de boa chegada no ataque, os demais não inspiram confiança. Gilson, seu reserva, passou apagado pelo Grêmio e sem muito destaque pelo América-MG. Do lado direito, Marcos, que surgiu no próprio Cruzeiro, não fez uma má temporada pelo Bahia ano passado. Porém não fez nada de encher os olhos. Enquanto Jackson é cria do São Paulo e não chegou a ser efetivamente aproveitado no elenco profissional. Colecionou empréstimos por clubes paulistas, jogou no Dallas FC até desembarcar no Cruzeiro. A princípio, não vai resolver eventual carência na posição.

VOLANTES - Leandro Guerreiro, Diego Arias, Everton, Amaral, Rudnei, Marcelo Oliveira - Gosto do Leandro Guerreiro. Como o apelido aduz, é incansável na marcação e compõe muito bem defensivamente. Diego Arias foi outro que chegou cheio de pompa mas ainda tem muito a provar. Fazer parte da Seleção Colombiana não quer dizer muito hoje em dia. Amaral fez um bom Brasileirão-11 no América-MG, apesar do rebaixamento. Mostrou bom condicionamento físico e muita força na marcação. Everton, rápido, faz bem a transição entre a defesa e o ataque, mas deixa a desejar na contenção. Pode jogar mais adiantado ou ser improvisado na lateral-esquerda. Marcelo Oliveira cresceu no Corinthians e viveu o título de 2005 e o rebaixamento em 2007. Capacidade técnica bastante duvidosa, até porque nunca chegou a ser unanimidade no Timão. 

MEIAS - Roger, Montillo, Elber - Poucos articuladores. Vamos aos principais: Montillo é o cara. Habilidoso, decisivo, bola parada perigosa, rápido, visão de jogo apurada. É um dos melhores meias-armadores do Brasil disparado. Roger "chinelinho" alterna grandes jogos com grandes hibernações. No geral, não tem feito mau trabalho no Cruzeiro. Distribui e cadencia bem o jogo, além de ser outro talento na bola parada. Ao meu ver, parece muito com o Douglas. Talentoso mas meio relapso. 

ATACANTES - Wellington Paulista, Anselmo Ramon, Keirrison, Bobô, Wallyson, Fabio Lopes, Walter - O melhor e o pior do time. Pelos nomes, boas opções. Contudo, o rendimento invariavelmente fica abaixo do esperado. Wellington Paulista é aquilo que todos já viram no Juventus, no Santos, no Palmeiras e agora no Cruzeiro. Pouca mobilidade, pivôzão, tabelas curtas e referência na área. Gol aqui, perde outro ali, dá nos nervos acolá. Bobô saiu pela porta dos fundos do Corinthians. Virou ídolo na Turquia e até agora nada. Outro centroavante limitado mas que, na teoria, deveria fazer o feijão-com-arroz na área. Walter apareceu bem no Inter, foi para o Porto, deu uma sumida, e busca retomar o rumo da carreira em Minas. Dos centroavantes é o mais lúcido, em que pese ser jovem e não ter ido tão bem em Portugal. Wallyson e Anselmo Ramon são os responsáveis por dar velocidade ao ataque e o fazem muito bem. Além disso, finalizam com qualidade, melhor que muito segundo-atacante por ai. Por fim, Keirrison. Eu particularmente ainda acredito nele. Mesmo com tantos fracassos, com um pouquinho de esforço, se ele se dedicar um tiquinho mais pode até figurar mais vezes no time principal. Se o Adriano que é o Adriano tem tantas chances, por que não tentar mais uma vez com Keirrison? 

TÉCNICO - Vagner Mancini - Fraco. Apareceu no Paulista de Jundiaí em 2005 ao conquistar a Copa do Brasil sobre o Fluminense. No mesmo ano, fez a final do Paulistão contra o São Caetano. Perdeu. Então a carreira promissora começou a degringolar. Uma média de dois clubes por ano desde 2009 mostra que o trabalho do treinador é irregular. Demora a dar um padrão tático estável. Não transmite pulso firme, segurança aos jogadores e, sobretudo, à torcida. Salvou o Cruzeiro do rebaixamento ano passado sabe-se-lá-como, põe essa na conta dos deuses do futebol. Em suma: fraco.

ANÁLISE GERAL - O elenco do Cruzeiro é bom. Mas o time já foi visto com mais respeito. A zaga é boa, mas as laterais são deficientes, meio capengas. Montillo não tem um reserva à altura. Os atacantes renomados custam a render o que a projeção dos seus nomes supostamente indicam. Para que possa crescer é necessário o dedo de um treinador mais vivido e com vocação ofensiva. Mancini deixa muito a desejar na organização da equipe e acaba comprometendo o desempenho como um todo.

RESULTADO - Não imagino outro sufoco para a torcida celeste. Porém, também não vejo um Cruzeiro forte a ponto de brigar pelo título. Pode até sonhar com Libertadores mas, ao meu ver, o destino celeste nesta temporada é novamente ficar pela zona intermediária.

Paulistão 12- Rodada #14

14 rodadas se foram. Restam apenas 5 para definir os 8 primeiros colocados e os confrontos das quartas-de-final deste Paulistão ainda sem graça. Eis os destaques:


CERVEJA GELADA

SÃO PAULO - Finalmente uma boa partida. Venceu o Santos no Morumbi por 3 a 2, com um jogador a menos. Rodrigo Caio, volante improvisado de lateral-direito, mais uma vez entrou na roubada de ter que parar Neymar. Fazia um bom jogo até ganhar o 2º cartão amarelo. Lucas e Casemiro dominaram o meio campo e foram protagonistas dos 3 gols tricolores. Casemiro abriu o placar, Lucas construiu a jogada para Luís Fabiano sofrer o pênalti que ele mesmo converteu, e depois o meia deixou o dele aos 41 minutos para selar a vitória. O triunfo colocou o Tricolor na vice-liderança com os mesmos 31 pontos do Corinthians e um a menos que o líder...

PALMEIRAS - Sim, o novo líder é o Verdão, que derrotou a Ponte Preta por 2 a 1 no Pacaembu e foi aos 32 pontos. Juninho e Marcos Assunção colocaram o Palmeiras na ponta e começam a afastar a desconfiança de quem via excesso de limitação técnica neste time.

OESTE - Em casa, perdia para a Portuguesa por 2 a 0. Mas virou o placar para 3 a 2! Tomou fôlego para tentar resistir ao rebaixamento. Ocupa a 15ª posição com 13 pontos, 3 a mais que o Botafogo, primeiro time na zona da degola. Curiosamente, a Lusa está na 14ª colocação, um ponto à frente.



CERVEJA QUENTE

COMERCIAL - Vencia o Timão até os 48 do segundo tempo. Os 3 a 2 tiravam o Comercial da lanterna. Porém, havia um Ramon no meio do caminho e o Corinthians empatou a partida. Enquanto o Bafo segue em último, o Timão escapou da derrota mas não da queda na tabela. Saiu da liderança para o 3º lugar.

SÃO CAETANO - Outro time vacilão. Em Itu, ganhava do Ituano por 2 a 0 até os 40 do segundo tempo quando sofreu uma pane e dois gols em seis minutos. O empate deixou ambas equipes na zona intermediária, sem maiores incômodos.

PORTUGUESA - Como dito, abriu 2 a 0 contra o Oeste e tomou a virada. A depender das próximas duas rodadas, a Lusa pode terminar o Paulistão na luta contra um repentino rebaixamento. Francamente, hein, Lusa?!