sábado, 31 de março de 2012

Análise de Elenco - Fluminense

Campeão em 2010, 3º colocado em 2011, um ataque avassalador, um camisa 9 capitão-artilheiro-líder-ídolo-tudo, o único 100% na Copa Libertadores até o momento e campeão da Taça Guanabara. Em suma, Fluminense.

Há dois anos o futebol carioca está em ascensão. O Brasileirão foi para o Rio em 2009 e 2010, no ano passado, emplacaram 3 clubes dentre os 4 primeiros. E o Fluminense é quem aproveita a maré boa para sonhar alto. Aposta suas fichas na Libertadores com um elenco bem servido em todas os setores. No banco, Abel comanda uma das equipes mais endinheiradas do país, que investe pesado acreditando no retorno.

Vejamos a fundo o que o Fluminense reserva para o Brasileirão:


GOLEIROS - Diego Cavalieri, Ricardo Berna, Klever e Leo - Cavalieri, revelado no Palmeiras, é o titular. Após uma fracassada passagem pelo Liverpool, desembarcou nas Laranjeiras para assumir a instável camisa 1. Depois de um forte rodízio na titularidade e um início abaixo da crítica, Cavalieri deu a volta por cima e mostra a segurança que o destacou no futebol. Não há dúvida que é um bom goleiro. Bons reflexos, bom posicionamento. Tem alguma dificuldade na saída de gol, comete alguns deslizes mas evoluiu, o gol está bem protegido. Berna já viveu seus dias de heroi. E de vilão. No banco, de longe faz sombra a Cavalieri. Para o banco, serve. 

LATERAIS - Bruno, Thiago Carleto, Stéfano, Carlinhos, Wallace - Bruno, recém-chegado do Figueirense, não faz a torcida sentir saudades de Mariano. Compõe bem e auxilia o ataque com qualidade. Regular, não compromete. Wallace, promessa de Xerém, é visto como o "Marcelo da direita", em alusão ao lateral-esquerdo do Real Madrid, cria da base do Flu. Pelo lado esquerdo, Carleto e Carlinhos brigam pela vaga. Carleto surgiu bem no Santos, passou apagado pela Espanha, não se firmou no São Paulo e começou bem no Tricolor Carioca. Rápido e portador de um potente chute de canhota, apenas peca pela falta de vocação defensiva. Carlinhos é mais equilibrado, mas também prega alguns sustos na defesa. Aparece bem no ataque e recompõe melhor.

ZAGUEIROS - Gum, Leandro Euzébio, Anderson, Digão, Elivélton, Márcio Rosário - Paredão. Todos altos e fortes, verdadeiros muros. Uns mais rápidos e lúcidos. Outros mais limitados. Mas todos puxados para o estilo rebatedor e fortes no jogo aéreo. Gum e Leandro Euzébio eram titulares. Faziam uma dupla sólida, embora batessem cabeça uma vez ou outra. Anderson chegou do Atlético-GO e ganhou uma vaga. Com muita raça e disciplina tática, desarma com precisão e se posiciona bem. Esses três estão um degrau acima dos reservas. Márcio Rosário e Digão não inspiram tanta confiança, mas não destoam tanto do trio titular. Vejo bem postada essa zaga do Tricolor.

VOLANTES - Jean, Diguinho, Edinho, Fábio, Ewerton, Valencia - Edinho e Valencia são os carrapatos, encarregados pelo trabalho sujo da marcação. Edinho pode até ser recuado para atuar como zagueiro, eventualmente. São bons marcadores. Entretanto, apenas bons. Nada além disso. O colombiano é uma versão mais rápida de Edinho e que sai com mais qualidade. No mais, são bem parecidos. Jean, ex-São Paulo, fez de tudo um pouco e não se especializou em nada. Volante de formação, tem boa saída de jogo, mas sem tanto vigor na marcação. Os tempos de improvisação na lateral do clube paulista mostraram sua deficiência na marcação e falta de efetividade no apoio. Tem sérios problemas de finalização de fora-da-área, trunfo importante para volantes. Diguinho. Eu, particularmente, gosto dele. Faz o simples: desarma bem e sai para o jogo com simplicidade. 

MEIAS - Deco, Thiago Neves, Lanzini, Souza, Wágner, Wellington Nem, Lucas Patinho - A criação mora aqui. Deco, mesmo sem o vigor físico da juventude, dá o tom da meia-cancha. Passa a bola e cadencia o jogo como poucos. Thiago Neves é formidável. Apoiador perigosíssimo nos tiros de fora da área, na bola parada, nas rápidas tabelas e movimentações ao redor da intermediária adversária. Sua perna esquerda não cansa de fazer estrago. Wellington Nem voltou após boa temporada no Figueirense. Rápido e habilidoso, é útil ao abrir espaços na zaga rival. Wágner é uma versão mais lenta de Thiago Neves. Explodiu no Cruzeiro e ainda não encontrou a bola que o despontou em Minas. Todavia, tem características parecidas, como a qualidade no passe, no chute e na bola parada. Lanzini é um promissor meia argentino que fica em segundo plano diante da qualidade dos companheiros. Costuma ser opção de banco e nem sempre consegue dar novo tom ao jogo. Souza anda esquecido, mas é muito útil. Polivalente, pode atuar como ala e segundo volante. Habilidoso, também é boa opção para bolas paradas, principalmente nos cruzamentos. 

ATACANTES - Fred, Rafael Sóbis, Rafael Moura, Araújo, Matheus Carvalho, Samuel - Grandes opções. Fred dispensa comentários. É o grande nome deste guerreiro Fluminense. Goleador, capitão e ídolo, sua regularidade encontra-se nas atuações em alto nível. Sóbis, grande segundo atacante, parte para cima da zaga e finaliza com frieza. Rápido, puxa contra-ataques e costuma organizar boas jogadas de ataque. Rafael Moura, o He-Man, não faz feio mesmo no banco. Autêntico homem de área, usa sua força para se posicionar bem na área e concluir com qualidade. Boa referência para jogadas aéreas. Araújo, veterano, é segundo atacante que pode até atuar mais recuado. Distribui bem o jogo e também finaliza bem, embora esteja mais abaixo que os primeiros companheiros. 

TÉCNICO - Abel Braga - Campeão da Libertadores e do Mundo com o Inter em 2006, Abel provou que é bom treinador. Arma bem seus times, embora tenha uns tiques de Joel e queira travar a vocação ofensiva desta máquina de atacar que é o Fluminense. Está fazendo um ótimo trabalho no Tricolor Carioca. Apesar das cobranças da torcida, o time joga muito bem, não compromete e corresponde bem sob pressão. 

ANÁLISE GERAL - Só de ler os nomes já se nota que a parte ofensiva é extremamente perigosa. Com meias criativos e atacantes finalizadores por vocação, o Fluminense dificilmente não vai marcar um gol. O miolo de zaga agrada. É sólido e joga sério, sem sustos. Vejo certa falta de pegada no meio campo e um sistema defensivo fragilizado em razão disso e do cacoete ofensivo da lateral esquerda. No entanto, nada absurdamente preocupante. Ajustes podem solucionar esse problema.

RESULTADO - O momento que o Fluminense atravessa é especial. Tem elenco e qualidade para ir longe. Vai brigar pelo título.


Gostaram? Vejam outras análise de equipes clicando aqui.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Paulistão 12 - Rodada #16

A interminável primeira fase do Paulista chega a sua 16ª rodada. Agora, restam somente 3 rodadas para o campeonato realmente começar. 6 equipes já estão classificadas mas dificilmente os atuais detentores da 7ª e 8ª vagas irão perdê-las.

Já na zona da degola as emoções devem persistir até a última rodada, embora a luta tenha ficado restrita a 5 equipes.

Chega de blablabla, vamos às cervejas:


CERVEJA GELADA

FERNANDINHO e NEYMAR - Fernandinho entrou no intervalo no lugar de Jadson e levou o São Paulo à vitória. Fez o primeiro e armou a jogada para o gol contra de Cléber. Os 2 a 0 mantiveram o Tricolor na ponta do Paulistão. Por sua vez, Neymar foi show à parte. Na goleada do Santos sobre o Guaratinguetá, Neymar fez "apenas" 3 gols. Juan e Borges fecharam o placar. O Peixe segue na 4ª colocação com 33 pontos.

GUARANI, PONTE PRETA e BRAGANTINO - A dupla de Campinas e o Bragantino deram passos importantes rumo à classificação. Enquanto o Mogi Mirim já carimbou presença nas quartas-de-final, o Guarani bateu o Linense por 2 a 1 e também confirmou sua vaga. A Ponte Preta derrotou a Portuguesa por 3 a 1 também está virtualmente classificada. Por fim, o Bragantino, fora de casa, venceu o Mirassol por 3 a 2 e é outro com presença praticamente assegurada no mata-mata.


CERVEJA QUENTE

MIRASSOL - Perdeu em casa para o Bragantino, 3 a 2. Se vencesse, manteria o sonho da classificação vivo. A derrota confirma a campanha mediana da equipe.

COMERCIAL - Derrotado em casa para o Oeste, segue na lanterna com somente 8 pontos e somente três vitórias e muita sorte livram o time do rebaixamento.

BOTAFOGO - Na onda do rival de Ribeirão,o Botafogo também deve fazer companhia ao inimigo na Série A-2. Também perdeu em casa. O carrasco foi o inofensivo São Caetano: 3 a 2. Se serve de consolo, a chance do Botafogo se salvar é um pouco mais razoável que a do Comercial.

Lei Geral da Copa transfere responsabilidade de bebidas alcoólicas


Horas e mais horas de discussão dentro do plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, para a aprovação da Lei Geral da Copa de 2014. Os parlamentares, que pediam a palavra, estufavam o peito dizendo que será a melhor “Copa de todos os tempos”, mas acabaram se esquecendo ou se esquivando do ponto polêmico sobre o consumo de bebidas alcoólicas dentro dos estádios brasileiros.

Muitos diziam ser a “favor do texto”, porém, ressaltavam ser contra a venda de álcool. Se maioria dizia ser contra, por que não se chegou a um consenso e derrubava de vez esse pedido da Fifa? Para se ter uma ideia do pensamento dos parlamentares, 161 deputados votaram a favor da "suspensão temporária" do artigo 13 do Estatuto do Torcedor, que proíbe a comercialização de álcool nos estádios.

Em entrevista há dois anos ao jornalista Cosme Rimoli, do Portal R7, o promotor do Ministério Público de São Paulo, Paulo Castilho, já demonstrava ser contrário a venda de bebidas alcoólicas dentro das sedes dos jogos de 2014. Na época, o promotor usou o seguinte argumento: "as ocorrências dentro dos estádios diminuíram 80% depois que a cerveja foi banida". (Leia entrevista completa) 
Deputados parecem ter virado as costas para o povo brasileiro
Foto: Valter Campanato /Agência Brasil 

Nós todos sabemos que existe uma grande marca de cerveja por trás do Mundial de futebol e que a pressão é grande nos bastidores para que esse tema seja aprovado o quanto antes. O que não dá é fazer o povo brasileiro de bobo. Afinal, para que existe o Estatuto do Torcedor? Em maioria dos casos para nada, porque cansamos de ver situações de desrespeito ao que está escrito.

O problema maior não é a questão do consumo da cerveja ser liberado durante o Mundial, mas as consequências futuras de uma determinação desse porte. Uma lei, mesmo que negociada com os estados sedes, poderá abrir portas para que retornemos ao passado. 

Tudo bem que existe claramente o consumo de álcool na porta dos estádios, basta ir a qualquer jogo e constatar o comércio, mas de certa forma existe um "controle", já que pessoas alcoolizadas não deveriam ter acesso aos estádios, pelo menos na teoria.

Agora o texto vai para analise do Senado, que deve votar igualmente aos colegas deputados e deixar a questão do consumo de bebidas alcoólicas cair no colo dos estados. Dessa forma, eles não criam atritos com os representantes da Fifa.

O que foi aprovado?

O texto base da Copa do Mundo de 2014 serve basicamente para dizer o que se pode fazer durante o Mundial e quais as punições para os desvios de conduta. Na votação de ontem, deputados conseguiram a façanha de reservar "1% dos ingressos para pessoas portadores de deficiência". Eles são distribuídos gratuitamente. A medida reforça a ideia de que realmente a Copa de 2014 não tem nada de inclusiva e que não será para o povo local.

Uma conta rápida aos amigos d´O Boteco Esportivo, um jogo de uma Seleção A contra uma Seleção B poderá ter capacidade de 45 mil torcedores. De acordo com o texto aprovado, dessa carga total, apenas 450 serão destinados aos portadores de deficiência. Será que o torneio vai ser realmente inclusivo?

Outro ponto já decido pelos deputados é com relação a meia entrada. Só os idosos terão direito ao benefício. Estudantes, pela proposta, terão os chamados "ingressos populares". Essa categoria também engloba os brasileiros que forem atendidos pelos programas do governo. O custo do bilhete será de US$ 25, pela cotação atual pouco mais de R$40. Resumo de conversa, benefício que é bom, nada.

Aproveitando o gancho de preços, sabe qual é o valor do ingresso mais caro para assistir a Copa no Brasil? Quem estiver a fim e tiver condições financeiras desembolsará por volta de US$ 900. Será que vale a pena?Para se ter uma ideia do "superfaturamento" no Brasil, a final da Super Copa entre Real Madrid e Barcelona teve ingressos custando R$216.

Para fechar, os nobres deputados validaram questões de interesse da própria Fifa, com relação a marca da entidade maior do futebol. Resumo de conversa com os amigos d´O Boteco Esportivo, a maioria dos brasileiros não levará vantagem em nada e terá que assistir os jogos, se quiser, pela televisão ou em telões espalhados pelas cidades.

Análise de Elenco - Flamengo

Agora na mesa d'O Boteco chegou a vez de apreciarmos o time brasileiro com maior torcida. O clube da massa, do amor, das crises, das confusões, de vexames, de viradas, de glórias, de tudo um muito. Exagero, afinal, "isso é Mengão!"

Flamengo é Flamengo. A força da torcida é capaz de embalar o time de maneira pouco vista, dando poder descomunal inclusive a equipes médias. Ultimamente, o amor e o ódio convivem. A chegada de Love, a Libertadores e a esperança em contar com Adriano em breve mobilizam a torcida favoravelmente. Porém, a instabilidade de Ronaldinho, os vacilos em casa, um meio-campo fragilizado e uma zaga ainda capenga frustram a apaixonada torcida.

Até o momento, o Flamengo foi derrotado nas semi-finais da Taça Guanabara mas está na briga por uma vaga nas finais da Taça Rio. O Botafogo lidera seu grupo com 13 pontos seguido de perto pelo rubro-negro e pelo Macaé, com 12 pontos. Campanha regular assim dizendo. Já na Libertadores, o Mengo segue bem vivo na luta pelo bi. Seu grupo está embolado mas há grandes chances de classificação.

Chega de lenga-lenga, vamos ver o que o Flamengo traz para o Brasileirão:


GOLEIROS - Felipe, Paulo Victor, César e Marcelo Carné - Bons goleiros. Felipe, polêmico e um tanto circense em suas defesas, protege bem o gol rubro-negro. Transmite segurança, catimba bem o jogo e, apesar de colecionar alguns rebaixamentos, firmou-se como um dos melhores goleiros do país. Paulo Victor  não é um mau reserva. Mas também não faz nada de extraordinário. Contudo, o garoto César tem futuro. Por coincidência, assisti à final da Copa São Paulo ano passado entre Flamengo e Bahia, com vitória rubro-negra por 2 a 1 e César encheu meus olhos. Mostrou um talento impressionante sob as traves. Olho nele! 

ZAGUEIROS - David Braz, Welinton, Frauches, Gustavo, González, Marllon - A zaga é boa, mas as pixotadas recentes, especialmente contra o Olímpia, no Engenhão, quando abriu 3 a 0 e permitiu a reação dos visitantes deixam o torcedor com uma pulga atrás da orelha. David Braz e Welinton foram uma dupla alta, vigorosa e forte na bola aérea. González, da Seleção Chilena, chegou para dar mais experiência e estabilidade ao setor composto por muitos jovens. Outro bom zagueiro. Os demais compõem o elenco sem a qualidade dos titulares, além de serem bem mais jovens. Por mais promissores que sejam, há juventude demais no miolo de zaga.

LATERAIS - Léo Moura, Galhardo, Digão, João Felipe, Junior Cesar, Magal, Rodrigo Alvim - Outro setor de qualidade. Léo Moura pela direita e Junior Cesar na esquerda são velozes e apoiam muito bem. Deixam a desejar um pouco na marcação e ocasionalmente abrem algumas avenidas, mas compensam pela disposição e presença ofensiva. Galhardo e Magal, respectivos reservas, são úteis. Entretanto, quebram um galho somente a curto prazo, ou seja, não comprometem enquanto durar uma suspensão por cartão, por exemplo. 

VOLANTES - Airton, Maldonado, Luiz Antonio, Muralha, Lorran, Rômulo, Williams - Todos inteiros são ótimos. Airton na proteção da zaga é um monstro. Alto, forte e pegador. Exagera na força em alguns momentos, é verdade. Williams, o carrapato. Desarma demais e sai para o jogo com simplicidade. Carrega o piano na meia-cancha. Maldonado já viveu melhor fase. Mais velho, vive no estaleiro e joga pouco. Muralha e Luiz Antonio, garotos, vão se acostumando a figurar no time principal e evoluem passo a passo. 

MEIAS - Renato Abreu, Adryan, Bottinelli, Camacho, Kleberson, Thomás - A versatilidade de meias e volantes que ora podem atuar mais recuados, ora mais avançados não esconde a dependência da equipe dos lampejos de Ronaldinho, que tem atuado mais à frente. Renato Abreu ajuda tanto na marcação quanto na distribuição do jogo, sem contar a qualidade na bola parada e nos arremates de fora da área. Bottinelli se esforça, contudo não é um meia cerebral. Conduz bem e chega bem no ataque mas é um tanto instável. Adryan e Thomás, promessas da base, são dois meias talentosos. Só que não tem suporte suficiente para assumir uma responsabilidade na qual ainda não é o momento adequado de aguentarem. Entradas esporádicas na equipe podem engrandecer os garotos e melhorar o rendimento da equipe. Kleberson vive situação parecida com a de Maldonado, todavia, tem mais estrela. Quando está em condições, rende bem e colabora positivamente para a equipe. Mostra que ainda tem lenha para queimar.

ATACANTES - Deivid, Diego Maurício, Negueba, Lucas, Ronaldinho, Vagner Love - Apesar dos altos e baixos de Ronaldinho e Deivid, não merecem ser subestimados. Ronaldinho, que já foi melhor do Mundo duas vezes, é craque. Embora seja um tanto desleixado, meio relapso dando a impressão de que joga quando quer, é diferenciado. O futebol brasileiro permite que seu talento desequilibre qualquer partida. Deivid, centroavante, é um matador em mau momento. Conhece bem da área, finaliza com qualidade, mas também desperdiça gols com frequência. O último vacilo do atacante até rendeu post especial (clique aqui). Ao contrário do que a torcida flamenguista canta e enaltece, o Flamengo não está na figura de Adriano. Está em Vagner Love. Sempre envolto a uma bela farra e uma polemicazinha o Artilheiro do Amor nunca deixou a desejar no campo. No Flamengo, vira protagonista de praticamente todas as tramas ofensivas, seja convertendo gols ou preparando jogadas. Atua bem tanto como segundo atacante quanto mais centralizado na área. Ótimo jogador. Negueba e Diego Maurício também equivalem à Adryan e Thomás. Promessas que  aos poucos são lançados no time titular, jogam nos mistões para poupar titulares, enfim. Contudo, ao meu ver, são bem limitados.

TÉCNICO - Joel Santana - Considero Joel um bom treinador. Sua mágica prancheta e seu jeitão de paizão falam bem com o elenco. Dificilmente Joel perde o controle do grupo. Entende muito de futebol. O problema é seu estilo. Mal comparando, é uma versão carioca do Tite. Trava o time e não consegue explorar o máximo do potencial ofensivo dos jogadores à disposição. Isso o sabotou no Cruzeiro, por exemplo. Além disso, a falta de títulos expressivos também pesa contra o treinador.

ANÁLISE GERAL - A base do Flamengo está em meia-cancha bem servida que alia experiência, força e qualidade na criação. O meio-campo equilibrado dá suporte ao ataque que conta com dois craques. As laterais também fazem a diferença. Contudo, o sistema defensivo deixa um pouco a desejar embora conte com boas peças. 

RESULTADO - O conjunto do Flamengo é forte e merece respeito. Mesmo instável, se embalar no Brasileirão, a torcida se encarrega de manter o time no topo. Há de se ressaltar o bom momento do futebol carioca com 3 representantes na Libertadores após terem ficado entre os 5 primeiros no Brasileirão. Pelo equilíbrio do elenco e pela evolução nos últimos campeonatos nacionais, não vejo o Flamengo fora da briga pelo título.

Seu time já passou pelo Boteco? Confira aqui as outras análises já feitas e que venha o Brasileirão!

terça-feira, 27 de março de 2012

Gladiador perde batalha e para até o segundo semestre


O atacante Kleber, popularmente conhecido como gladiador, e que hoje defende o time do Grêmio terá que ficar afastado dos gramados até o final de junho, período de que deve retornar aos treinamentos, segundo previsão do departamento médico do clube.

No final de semana, o jogador levou uma entrada por trás do zagueiro Léo Carioca, do Cruzeiro-RS. Aparentemente, nada se assemelhou a faltas violentas que estamos acostumados a ver no futebol mundial, mas o “golpe” derrubou o gladiador, que teve que enfrentar a mesa de cirurgia.

Essa talvez, tenha sido uma das piores e mais duradouras batalhas enfrentadas por Kleber. Explico o motivo de tal afirmação. Nada é pior para um jogador do que ficar longe dos campos, sem poder ajudar os companheiros.

Ele colecionou polêmicas pelos clubes brasileiros por onde passou. No Palmeiras, último time antes de chegar ao Grêmio, decidiu não viajar com a delegação depois da agressão sofrida pelo volante João Vitor. Começava uma verdadeira novela, com direito a afastamento, declarações polêmicas na imprensa e muita confusão interna no clube – o que particularmente, na minha opinião, afetou o desempenho palmeirense no ano passado.

 Travou-se um duelo, o jogador foi colocado para treinar em separado e veio a decisão da saída de Kleber do time alviverde. O destino foi o Grêmio. No Rio Grande do Sul, tem o seu segundo treinador em menos de seis meses. Caio Junior, contratado no início do ano, não agradou e foi mandado embora. O treinador “da vez” é Luxemburgo.

Essa mesma diretoria já fala em boicote ao campeonato gaúcho em 2013. O presidente do tricolor gaúcho, Paulo Odone, pede menos violência no estadual e exige uma mudança de postura da arbitragem. Ele acredita que os árbitros precisam ter pulso firme e coibir lances violentos.


Mas, voltando a lesão de Kleber. O jogador deve começar as sessões de fisioterapia na próxima semana no tornozelo fraturado. O certo é que a mesma raça, vontade e determinação que Kleber mostra dentro dos campos, agora têm que ser aplicada em sua fase de recuperação para firmar-se ainda mais como o “gladiador”.


Você não assistiu ao lance que afastou Kleber dos gramados??? Assista e dê a sua opinião.



segunda-feira, 26 de março de 2012

Caso Oscar: Uma verdade.

Relutei em comentar algo sobre o caso Oscar pois achava que já tinha muita coisa pipocando na rede a respeito. Contudo, meus dedos sentiram-se provocados a tecer algumas considerações após constatar que muitos torcedores podem estar fazendo uma leitura equivocada da situação, como o "Blog do Torcedor do Internacional", no portal Globo.com expressou recentemente.

Em seu post, o autor aduz que o São Paulo sacaneou Oscar. A postura de um torcedor justifica qualquer manifestação passional, "pacheca". No entanto, ao meu ver, a partir do ponto em que há o comprometimento por parte de uma pessoa em ser o porta-voz da torcida em um portal renomado que recebe alguns milhões de acessos todos os dias deveria existir um mínimo de senso crítico com as publicações ali disponibilizadas.

Ter o bom senso na hora de elogiar ou criticar o time quando necessário não é o bastante. Não é isso que o torna racional ou diferenciado. Mas ao abordar determinado conflito ou polêmica, ainda que envolvendo seu clube do coração, a imparcialidade e o respeito máximo à veracidade são imprescindíveis sob pena de desvirtuar completamente o teor da informação veiculada.

O Blog do Navarro faz um trabalho extremamente competente desde o início do 'caso Oscar'. Mesmo são-paulino, não elevou a postura do clube ao de dogma inquestionável. Tampouco limitou-se a malhar o Judas na figura do meia.

Ou seja, a transmissão da informação correta e expressar sua opinião a repeito é válido. Ao passo que distorcer fatos descompromissadamente fere sua condição de potencial formador de opinião.

Pois bem, como começou o caso Oscar?

Era uma vez o São Paulo que tinha uma jovem promessa em seu elenco. Aos 16 anos, de acordo com a Lei Pelé, o atleta pode firmar seu primeiro contrato profissional que deverá ter prazo máximo de 5 anos, conforme constam os arts. 29 e 30 da referida Lei. Porém, de acordo com a FIFA em seu Regulamento, menores de idade não poderiam firmar contratos cuja duração ultrapassasse 3 anos.

Foi quando o São Paulo teve a ideia "brilhante" de sugerir a emancipação de Oscar e assim firmar um contrato mais longo, como se maior de idade fosse. Evidente que não se passou de mera camaradagem. Uma boa parcela de luvas e aumentos periódicos foram estabelecidos. Em suma, o jogador recebeu "algum" para bancar a maracutaia e ter a certeza de que ficaria um bom tempo em um grande clube. Era só deixar o talento fluir.

Daí veio seu então empresário tumultuar e manipular o atleta para que este dedurasse o esquema. Provavelmente uma boa grana e uma promessa de ganhar mais em outros clubes - do Brasil ou não - deixaram Oscar tentado a entrar na Justiça alegando que foi forçado por dirigentes a proceder desta forma. Quer dizer que o cúmplice agora virou vítima?!

Conforme bem lembrado pelo jornalista Cosme Rímoli, o mesmo empresário também sondou outro atleta Tricolor em estratégia semelhante (ler aqui). Navarro também comentou o ocorrido (ler aqui). 

E onde entra o Inter nessa história? Bom, tão logo a Justiça deu uma liminar a Oscar declarando que seu contrato não teria validade o clube gaúcho correu atrás da promessa e fechou com ele. Bancou uma contratação de risco em razão de estar muito ciente do imbróglio que envolvia atleta e São Paulo. Logo, assumiu o risco de sua contratação. Então temos outro culpado aqui agora?! 

Fácil pegar o garoto de carinha dócil e que está jogando muita bola, colocar uma voz triste e dizer que foi coagido por dirigentes do São Paulo. Coitadinho. Tem como não se comover? Se aparecesse no programa da Sônia Abraão ia receber até doações.

Eis a resposta mais óbvia ao título proposto. A única verdade palpável na polêmica é a de que ninguém é santo. Todo mundo tem sua culpa no cartório. O São Paulo por buscar um mecanismo "dentro/fora da lei" para manter Oscar, o meia por dar de joão-sem-braço e se fazer de coitado quando a situação não mais lhe parecia favorável, e o dito-cujo do empresário.

O que menos me importa é como, quando ou onde a história vai terminar. Pode ser que o Inter recorra à FIFA, pode ser que as partes façam um acordo, pode ser, Pespi, ué. Nas mãos da Justiça certamente será dada razão ao menos errado. Mas o que realmente (me) importa são os fatos concretos e seus desdobramentos. Não os rótulos negligentes frutos da mera preguiça em se obter uma informação mais condizente à realidade.


Paulistão 12 - Rodada #15

Lá se vai a 15ª rodada da interminável e insuportável primeira fase do Paulistão. Enquanto o G-8 parece já consolidado, a briga na rabeira é cada vez mais emocionante.


CERVEJA GELADA

CATANDUVENSE - Jogando fora de casa, venceu o São Caetano por 1 a 0 e saiu da zona da degola. Permanece ameaçado mas fez bonito esta rodada!

SÃO PAULO - No sufoco, bateu o Mirassol no interior paulista por 1 a 0 e assumiu a liderança do Paulistão. Embora o juiz não tenha dado pênalti claro em Jadson no primeiro tempo, Fernandinho sofreu outro no segundo o qual foi desperdiçado por Willian José. Mesmo assim, Rhodolfo salvou o Tricolor de cabeça e garantiu o 34º ponto que colocou o time na 1ª posição.

CORINTHIANS - Venceu o dérbi contra o Palmeiras de virada e com dois gols nos primeiros 6 minutos do 2º tempo. Paulinho e Márcio Araújo (contra) foram os encarregados de quebrarem a invencibilidade do Verdão. O triunfo valeu a vice-liderança com os mesmos 34 pontos do São Paulo.



CERVEJA QUENTE

LINENSE - Perdeu em casa para o Mogi Mirim por 2 a 0 e desperdiçou outra ótima chance de encostar no Bragantino, 8º colocado com 23 pontos e que também foi derrotado nesta rodada (Santos 2 x 0 Bragantino).

MÁRCIO ARAÚJO - O volante palmeirense estava "zicado". No primeiro gol do Timão, a bola bateu em sua mão e sobrou para Paulinho empatar o jogo. 3 minutos depois, completou cruzamento contra as próprias redes e virou o jogo para o rival.  

COME-FOGO - O clássico de Ribeirão Preto está cada vez mais próximo da Série A-2 do Paulistão. O Comercial é o lanterna com 8 pontos e perdeu para a Lusa, no Canindé, por 3 a 0. Já o Botafogo foi derrotado em casa pelo Ituano por 1 a 0 e amarga a vice-lanterna com 10 pontos.