terça-feira, 29 de maio de 2012

Campo, campo meu...

A 16 dias do primeiro confronto entre Santos x Corinthians válido pelas semi-finais da Copa Libertadores uma polêmica rola solta: o local onde o Peixe exercerá seu mando de campo no jogo de ida.

Tudo começou no duelo contra o Vélez quando santistas tiveram sérias dificuldades na aquisição de ingressos para o jogo. Muitos sócios e torcedores ficaram de fora da emocionante partida que valeu a classificação do Peixe para mais uma fase decisiva da Libertadores.

Com a classificação, o apelo e a promessa de jogos pra lá de eletrizantes contra um dos seus maiores rivais deixaram o presidente santista com uma pulga atrás da orelha. Afinal, trata-se de excelente oportunidade de lucrar mais, ora. 

Contudo, a majoração significativa no valor do ingresso não é o bastante. Como dito, é um clássico, é a chance de impor ao rival mais um ano de fila. Para contar com maior apoio da torcida e maior renda a alternativa é sair da Vila Belmiro e vir a São Paulo mandar seu jogo.

Mas vale a pena?

O Morumbi comporta seus 60, 60 e poucos mil torcedores, campo amplo, gramado impecável e histórico recente favorável. Poderia ser uma boa. O estilo de jogo ofensivo e insinuante se desenrolaria melhor. Além disso, conhecendo Tite, atuar em um campo maior será crucial para abrir espaços no ferrolho do Timão. Porém, a arquibancada mais alta e distante da cancha desvirtua o conceito de "caldeirão", o que pode dar a impressão de atuar em campo neutro.

Pacaembu? Palco da final do ano passado é última das últimas alternativas. Afinal, é a casa do Corinthians. Além de conhecer bem o estádio, ainda que conte com a minoria da torcida, ali o Timão poderia se sentir mais confortável ainda.

A Vila Belmiro, casa natural do Santos, comporta aproximadamente 15 mil pessoas e tem a questão de ter muitos sócios para poucos lugares. Transferir o mando para a capital vai gerar revolta da mesma forma. No entanto, a troca, apesar de incômoda, pode ser a alternativa razoável para conseguir apoio maciço de seus adeptos.

Ao meu ver, o jogo tem que ser na Vila Belmiro. Casa é casa e ponto final. Jogar no Morumbi ou em qualquer outro lugar certamente não vai deixar o jogo com cara de "mando do Santos". Jogar na Vila lotada é a cara da Libertadores. Estádio acanhado, torcida em cima, com Neymar encapetado, então...

Mesmo analisando friamente o estilo de jogo das equipes e chegando à conclusão que a Vila Belmiro pode se tornar uma vilã para o Peixe, creio que a essa altura do campeonato o "fator casa" não pode ser suprimido mesmo às custas de um bom retorno financeiro.

Tite vai armar o time para não perder. Nas dimensões menores do glorioso Urbano Caldeira, o treinador do Timão pode conseguir mais êxito na tentativa de anular Neymar ou encurtar seu campo de atuação, é verdade.

Por seu turno, jogar no Morumbi pode dar a Neymar e Cia. os espaços esperados para organizarem tabelas, partirem em velocidade e cadenciarem a partida como bem entenderem. Sua torcida certamente ocupará muito bem o estádio e cumprirá seu papel tão bem quanto na Baixada.

Entretanto, ainda que lote as arquibancadas, os bolsos de grana e consiga alguns metros de campo a mais para jogar, ainda vejo com ressalvas transferir um jogo desta grandeza para qualquer outro estádio por mais familiarizado que esteja.

Rivalidade, Libertadores, pressão. Vale lembrar que o Santos tem nas mãos a chance de seguir rumo ao tetra inédito no âmbito nacional e eliminando um inimigo histórico e que segue na busca de seu primeiro caneco da principal competição internacional.

O Santos, grande time que é, não vai morrer se deixar de lucrar com essa partida especificamente. E outra, a Vila Belmiro não será palco de eventual final por não ter o mínimo de 40 mil lugares, logo, já será forçado a procurar outra casa. Portanto, Peixe, pelo bem o duelo, mandem essa partida na sua verdadeira casa!

domingo, 27 de maio de 2012

Brasileirão 12 - Rodada #2

Segunda rodada do Brasileirão! Agora, somente dia 06/06 a bola volta a rolar pelo Campeonato Nacional mais disputado do planeta. Enquanto aguardamos, vamos acompanhar jogos incríveis dessa fantástica Seleção Brasileira! Uou!

Antes que a depressão nos domine, vamos aos destaques da rodada torcendo para o tempo voe!

Vale destacar que nem sempre é possível cravar muitos destaques. Portanto, sua participação nos comentários deixando sua opinião sobre quem também merecia uma cerveja gelada ou quente é sempre bem recebida!



CERVEJA GELADA

VASCO - Conquistou sua segunda vitória no campeonato em plena ressaca da eliminação da Libertadores. O golaço de Alecsandro, de bicicleta, garantiu o triunfo sobre a Lusa em pleno Canindé.

BOTAFOGO - Repete a dose e faz outra partida de encher os olhos. Foi visitar o Coritiba e, numa partida movimentada e com muitos gols, derrotou os mandantes por 3 a 2. Gols marcados pelo lateral Lucas, duas vezes, e por Vitor Júnior. Lincoln e Lucas Mendes descontaram para o Coxa.

ATLÉTICO MINEIRO - Outra equipe que também largou na frente e abocanhou seu 6º ponto. A vítima foi o embalado Corinthians de Tite. A vitória suada por 1 a 0 veio graças a Danilinho, que marcou de cabeça encobrindo o bom goleiro Cássio.



CERVEJA QUENTE

ATLÉTICO GOIANIENSE - Empatou em casa com a Ponte Preta por 1 a 1. Resultado ruim para o Dragão pois a Macaca é, em teoria, um dos times mais fracos do torneio. Assim, perdeu boa chance de pontuar e conquistar pontos preciosos para o futuro.

FLUMINENSE - Mesmo desfalcado, vencia o Figueirense por 2 a 1. Até que tomou o empate e deixou a vitória escapar.

FLAMENGO - Outro clube carioca que vacilou. No Engenhão, o Mengão batia o Inter por 3 a 1. Com direito a gols de Ronaldinho e Love. Mas o Colorado cresceu e foi buscar a igualdade, em grande partida do lateral Fabrício.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Santos vai à semi!

Após a classificação emocionante do Corinthians ontem, o Brasil parou para ver o Santos. A derrota para o Vélez, na Argentina, por 1 a 0 deu à partida uma roupagem especial. O Peixe jogaria fora de sua zona de conforto contra um rival capaz de defender-se bem. 

Desde o início da partida o Santos foi para cima, fiel à sua filosofia de jogo. Encontrou um Vélez recuado e que explorava os contra-ataques sem desespero.  Todas as tramas ofensivas passavam por Neymar. O lado esquerdo foi exaustivamente acionado, porém, pouco produtivo. O Santos tinha grande volume de jogo mas criava poucas chances efetivas.

Na pressão, quem tem Neymar não perde as esperanças. Cedo ou tarde, o craque poderia aprontar das suas e tranquilizar a torcida. Dito e feito. Aos 39 minutos, Neymar invadia a área em velocidade pelo meio até ser derrubado pelo estabanado  Barovero que ignorou a bola e foi direto no corpo do atacante. Falta perigosa e cartão vermelho para o goleiro.

O tiro de Elano saiu ao lado. No entanto, a expulsão do goleiro forçou o Vélez a sacar Obolo, autor do gol argentino na partida de ida, para a entrada de Montoya. Com o final da primeira etapa, restava uma missão simples de fazer pelo menos um golzinho. Tinha Neymar, meio caminho andado, certo? Errado.

Mesmo recuado, quem surpreendeu foi o Vélez. Aos 8 minutos, Rafael quase foi surpreendido por um tiro despretensioso do meio-campo. Apesar de dominar o jogo, o Santos tinha sérias dificuldades em penetrar na defesa argentina. Para piorar, o Vélez sempre subia ao ataque com alguma gracinha, ainda que sem tanto perigo.

Aos 20 minutos, a sensação de "tudo ou nada" contaminou o time santista. Rentería entrou no lugar de Adriano. O Peixe era todo ataque e o Vélez desencanou de tentar prender a bola. Começaram os exageros na linha de fundo, cruzamentos, chuveirinhos. Neymar? Bem marcado, não conseguia driblar nem distribuir assistências.

Então, Muricy resolveu trocar Juan por Léo quando faltavam 17 minutos para o final do jogo. O ídolo do Peixe deu mais gás e mobilidade ao ataque. Dois minutos após a alteração, Kardec recebe cara-a-cara com Montoya e fez o impossível: chutou em cima do goleiro e desperdiçou A oportunidade. Um filme com Deivid e Diego Souza começou a passar na mente do torcedor santista.

Mas o Santos, que tinha Neymar apagado no segundo tempo, tinha também Léo. Aos 37 anos, Léo orquestrou a jogada que culminaria no precioso gol mínimo tão almejado. Recebeu na esquerda e passou para Ganso. Correu e tão logo recebeu na entrada da área, rolou para Kardec que, de canhota, não perdoou. 

Do céu ao inferno, Kardec mostrou porque Borges amarga a reserva. Salvou sua pele graças ao passe açucarado de Léo que, quem diria, incendiou a partida!

O Santos ainda permaneceu no ataque, mas sem sucesso. A defesa do Vélez não cometeu novo vacilo e, na medida do possível, fez partidas ótimas. Anulou Neymar, ora. E tudo seria decidido nos pênaltis.

Martínez abriu para o Vélez. Kardec não se mostrou disposto a bancar o Diego Souza ou Robben. Bateu e guardou. Canteros mandou por cima. Ganso, que jogou no sacrifício, fez partida muito abaixo do esperado em razão da lesão no joelho. Mesmo assim, não desperdiçou sua cobrança. Rafael, goleiro de excelente potencial, defendeu o tiro de Papa. Elano (quem diria?) bateu bem e ampliou a vantagem do Peixe.

Sebá, da família "Aquele" (ex-Corinthians), tinha que converter para manter o sonho argentino vivo de encarar o Boca nas semi-finais. Encheu o pé no meio do gol e guardou. Restando ainda duas cobranças, Léo veio para a quarta cobrança. 37 anos, 7-8 anos de Santos, mais de 400 jogos pelo clube e presente nas principais conquistas do Peixe. Responsabilidade recebida com a tranquilidade de quem sabe da importância daquela bola. Léo parte e carimba a classificação do Santos!

Vendo bem, não foi uma grande partida do Santos. Mesmo com um Vélez recuado, o domínio do jogo não foi suficientemente capaz de abrir grandes brechas na zaga adversária. Houve momentos em que o time abusou de bolas alçadas na área e jogadas pela linha de fundo bem bloqueadas pelos argentinos.

Foi bom ver o modo como Léo entrou e praticamente atuou como meia. Ótima opção para o segundo tempo em situações complicadas, como a de hoje. Com tabelas curtas e rápidas, o time encontrou uma brecha no ferrolho argentino e achou o gol. Conseguiram se virar mesmo sem Neymar em noite iluminada. E sem Ganso, baleado. 

Agora, terão o Corinthians pela frente. Sem Ganso, a tendência é a entrada de Bernardo. Depois de hoje, Léo pode ser improvisado? Bem, parece uma variação tática com a cara do Muricy. Transição rápida para o ataque e um atleta interessante para tentar conter os avanços de Paulinho. Enfim, impossível saber.

Fato é que o futebol brasileiro será contemplado com essa grande partida. A regularidade e o pragmatismo do Timão frente o futebol envolvente e alegre do Peixe. A exemplo de 2000, o Corinthians terá um rival do seu estado nas semi-finais. Pode não ser o eterno inimigo verde, mas é o Santos. Ou melhor, é esse Santos. Alguém arrisca dizer quem irá à final? 




quinta-feira, 24 de maio de 2012

Paixão corinthiana

Paixão. Sentimento geralmente associado a amor, arroubos de euforia e atitudes impensadas. Também sinônimo de dor, sofrimento. Nesta quarta, o Corinthians recebeu o Vasco para decidir seu destino na Copa Libertadores. Após o empate sem gols em São Januário, o Timão dependia de uma vitória simples para avançar. Novo empate sem gols levava a partida aos pênaltis e empates com gols eram do Vasco. 

Mas nada na vida do Corinthians é simples. Nada é tranquilo, na maciota. Tudo exige uma quantidade significativa de...paixão. Hoje não foi diferente, ora. 

A partida toda foi bastante estudada e ambas equipes tiveram suas oportunidades de gol. No primeiro tempo, vantagem ligeira para os mandantes que tiveram grandes chances com Emerson e Paulinho, de cabeça. Não que o Vasco tenha ficado encolhido atrás, apenas não foi tão incisivo nas tramas ofensivas.

Na segunda etapa, sobrou paixão no Pacaembu para todos os lados. 

Ao trocar Thiago Feltri por Felipe, Cristóvão Borges dava um recado aos críticos de plantão e sinais de que faria o Vasco brigar de igual para igual com o Timão mesmo fora de casa. Tite não mexeu no time, mas logo aos 10 minutos exagerou no bate-boca com a arbitragem e foi expulso. Foi ver o jogo com a Fiel, curtir a paixão das arquibancadas.

O empate persistia e os ânimos começavam a se exaltar. Jogo truncado, nervoso. Defesas bem postadas e os goleiros faziam intervenções pontuais. Então, veio o 17º minuto de jogo e com ele o 1º lance crucial da partida. 

O Corinthians atacava. A bola parou em Alessandro no meio-campo. Quando o lateral bateu na bola, surge Diego Souza. Trava o chute e liga contra-ataque. Era Diego Souza, ele mesmo e mais ninguém contra Cássio e o gol. O meia avançou rapidamente, Cássio foi para a marca do pênalti e esperou. Diego veio e deu um tapinha na bola para o canto direito. Ágil e preciso, Cássio se estica, desvia a rota da bola que passa tirando tinta da trave. 

É impossível traduzir em palavras como foi o lance. É bizarro. Mais difícil ainda é imaginar como Diego Souza conseguiu tamanha proeza. Vejam o vídeo abaixo e tirem suas conclusões;


Ao meu ver, por maior que seja o mérito do ótimo goleiro Cássio, o vacilo é todo do meia. Diego Souza, com a qualidade que tem (ou dizem que esbanja) tinha obrigação de guardar a bola nas redes. Fosse de dedão, driblando o goleiro, encobrindo-o, enfim. Aliás, não só Diego Souza, QUALQUER UM que apareça naquela condição e desperdiça não merece perdão. É igual pênalti, tem que fazer e ponto.

No escanteio, Nilton subiu mais que a zaga do Timão e carimbou o travessão. 

Após esses lances fatídicos, o Vasco sumiu. E o Corinthians cresceu. Dominou o meio-campo e não mais foi assustado em nenhum momento. Começou a gostar do jogo, pressionar. Chuveirinho, jogada pelos flancos, troca de passes na entrada da área, tudo.

O Vasco se segurava como podia. Depois daquele lance, melhor que viessem logo os pênaltis. Contudo, o Timão não estava disposto a colocar o tabu de jamais ter sido eliminado pelo Vasco em mata-matas à prova. 

Tanta paixão, ou melhor, pressão deu resultado. Depois de tanto bater e voltar, surge um escanteio aos 42 minutos. Alex manda para a área e a bola encontra Paulinho que cabeceia bonito no canto sem chances para Fernando Prass.

Explosão nas arquibancadas. Tite é abraçado, o time se abraça e comemora o gol da classificação. Entregue, o Vasco só dependia de uma bola restando aproximadamente 5 minutos para acabar o jogo. Juninho ainda levantou na área mas Rômulo cabeceou para fora.

E foi só. Hoje, o Corinthians foi o velho Corinthians. Aquele time vibrante, da garra, da vontade, da superação, que luta até o fim. Defendeu-se bem e tomou sustos circunstanciais. Arrancou a vitória na marra para não depender de pênaltis e vê despontar um grande goleiro candidato a novo ídolo. Alcança as semi-finais do torneio com moral, confiante e vendendo paixão.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Agora ou nunca mais?

"Se o Timão não ganhar a Libertadores esse ano, esquece! Nunca mais!" "Olha os times que sobraram! Se o Tricolor não levar essa Copa do Brasil, nunca mais!" O tabu de jamais ter vencido tais torneios faz os torcedores de Corinthians e São Paulo reduzirem suas chances a tais extremismos.

O Timão teve boas chances em 2003, o quinteto Carlos Alberto-Roger-Ricardinho-Tevez-Nilmar em 2006, Ronaldo em 2010-2011. Resultado: Duas eliminações para o River Plate,  uma para o Flamengo e outra para o Tolima.

Já o São Paulo foi eliminado pelo Corinthians em 2002, que faria uma final "tranquila" contra um desconhecido Brasiliense. No ano seguinte, caiu para o Goiás nas quartas-de-final. Após sete anos disputando a Libertadores, caiu para o Avaí na edição 2011 também nas quartas.

Coincidentemente, ambas competições encontram-se nas quartas-de-final. Enquanto o Timão recebe o Vasco precisando de uma vitória simples para avançar em razão do empate sem gols conquistado em São Januário. Por seu turno, o Tricolor abriu 2 a 0 frente o Goiás e decide a vaga no Serra Dourada.

As circunstâncias parecem favoráveis para ambos. O Corinthians tem um time extremamente organizado e experiente. Tem plenas condições de fazer, pelo menos, dois gols e se dar o luxo de sofrer um. E o São Paulo pode até perder por um gol de diferença que estará classificado. Sem contar que, se encontrar um gol na casa do adversário, obrigará o Esmeraldino a fazer 4 gols para sonhar com classificação.

O problema é a sequência. O destino do Timão passa por Santos, talvez Vélez ou até mesmo Libertad ou Universidad de Chile. O panorama ideal é sonhar com as eliminações de Fluminense e Santos e aguardar Libertad ou Universidad de Chile, teoricamente mais fracos, para ter um argentino na final: Vélez ou Boca, pois o cruzamento argentino seria direcionado nas semi-finais.

Tendo-se em conta que a Copa do Brasil invariavelmente degola favoritos, o São Paulo, virtual favorito em seu lado da chave do mata-mata, terá pela frente Coritiba ou Vitória. Sem dúvida, equipes mais modestas. Mas só no papel. São bastante aguerridas e dispostas ofensivamente. Projetando eventual final, a probabilidade é que Grêmio ou Palmeiras disputem uma vaga na decisão.

Mas, na prática, a teoria é outra.

Independente de cruzamentos, uma coisa é certa e beira o clichê: futebol só se resolve nas quatro linhas. Óbvio que o Corinthians tem um grande time para sonhar com o título. Da mesma forma o São Paulo, mesmo com suas limitações defensivas. Só que do outro lado sempre haverá outra equipe tão competente quanto.

Esse reducionismo a 8 ou 80 apenas contribui para inflar os nervos da torcida, e desta para o time, gerando uma eterna pressão sobre o clube durante essa competição.

A expectativa e a ansiedade em erguer um título inédito é natural. Entretanto, a forma como Corinthians e São Paulo as alimentam durante a Copa Libertadores e a Copa do Brasil, respectivamente, influencia diretamente suas pretensões no torneio.

Enquanto durar essa pressão doentia em torno desses campeonatos a torcida pode tirar o cavalo da chuva e desencanar do caneco. Para quem acredita em energia negativa, eu tenho lá minhas crenças que tamanha expectativa pode até virar contra o time, transformar-se em algo extremamente prejudicial. O apoio jamais deve transcender e desaguar em neura, obsessão.

Título jamais será obrigação. É decorrência de trabalho, competência, comprometimento. E uma pitada de sorte, claro.





segunda-feira, 21 de maio de 2012

Pipoca, Who?

Dias depois da final da UEFA Champions League ainda busco algo interessante a dizer sobre a partida. É difícil encontrar palavras ou pontos cruciais que culminaram no título do Chelsea sobre o virtual favorito Bayern de Munique. E, mesmo depois de muito pensar, a única coisa que me vem à tona é uma sigela pergunta: Quem é o pipoca agora?

O Chelsea era um chato coadjuvante até a aparição de Roman Abramovich em sua vida. Comprou o clube em 2003 e transformou o Blues em uma das grandes potências do futebol mundial. Entretanto, em que pese sempre ter formado esquadrões respeitáveis, as conquistas ainda ficavam restritas à Inglaterra. Por incontáveis vezes colecionou eliminações. Na temporada 07-08 o título escorreu pelos seus pés ao perder para o Manchester United nos pênaltis.

Quando o universo conspirava contra o Chelsea e sua eterna sina de amarelão no âmbito internacional, a sorte lhe sorriu. A temporada irregular culminou com a demissão de André Villas-Boas. Roberto di Matteo assume com a ingrata missão de reverter dolorosos 3 a 1 sofridos contra o Napoli, no jogo de ida pelas oitavas-de-final.

Veio a superação. Virada sobre os italianos por 4 a 1. Daí em diante despacharam o Benfica e o poderoso Barcelona. O estilo pragmático do futebol de resultado, de muita marcação, contra-ataques e bolas paradas eram a receita básica e primitiva da equipe.

Na final, o Bayern. Dono do palco da final, do ataque mais insinuante, das grandes promessas do futebol alemão, da velocidade, da precisão. No duelo dos desfalques, o Chelsea realmente acabou com sua zaga seriamente comprometida. Sem contar perder Ramires, o motorzinho da meia-cancha. O Bayern nem tanto, mas o ataque sempre foi seu diferencial.

A partida foi exatamente o que todos esperavam: ataque x defesa. E os goleiros, Cech e Neuer, foram do céu ao inferno. Quando Müller abriu o placar aos 38 minutos para o Bayern, os discursos e rótulos de pipoca estavam prontos a serem distribuídos. Cech errou o tempo da bola, da defesa e aceitou a cabeçada de Müller. Para o chão, a bola quica e encobre o monstro tcheco de 1,97.

Terry, que perdeu o pênalti que poderia ter dado o título em 2008, vacilou feio e foi expulso contra o Barcelona. Quase sabotou a classificação para a final e, por estar fora do duelo, sua parcela de culpa também estava reservada. E Drogba? Perdeu pênaltis decisivos pela Costa do Marfim e fazia uma partida discreta até os 44 do segundo tempo, quando resolveu se tornar o grande protagonista de decisão.

Escanteio certeiro, cabeçada certeira e Neuer, com a mão um tanto mole, não consegue defender o tiro do atacante. Empate dramático e o filme da pipoca continua. A briga pelo indesejável troféu segue acirrada. Disputa estranha.

Na prorrogação, Drogba roubou a cena novamente: comete pênalti infantil em Ribéry. Robben foi para a bola com o peso de já ter convertido contra o Real. E ter perdido outros tantos decisivos. Como contra o Borussia ou contra o Liverpool quando vestia a camisa do Chelsea. Pois é, o holandês partiu e Cech  redimiu-se da falha no gol de Müller e defendeu. Drogba curtiu isso.

O futebol alemão que sofre sucessivas derrotas desde 2002, inclusive com o próprio Bayern na final da Liga em 2010, apagou. Vieram os pênaltis. Neuer fez sua parte. Defendeu o tiro de Mata e converteu uma cobrança. Cech defendeu a cobrança de Olic e viu Schweinsteiger mandar na trave. Então, quis o destino que Drogba, perdedor de tantos pênaltis decisivos, acertasse um tiro seco no canto para dar ao Chelsea o tão sonhado título europeu.

Resumo da ópera, o Chelsea perde a virgindade e conquista sua primeira Champions League. A vitória do pragmatismo sobre o show. Uma lição de futebol principalmente no âmbito tático. Finda o estigma de pipoqueiro e, definitivamente, começa a ser respeitado internacionalmente.

Sobrou para o Bayern e para o futebol alemão a dor de mais uma perda. Mais uma. Bayer Leverkusen em 2002, Bayern em 2010 e 2012, Seleção Alemã vice no Mundial de 02 e 3º em 06 e 2010. Vice da Euro-08. Por mais tradicional que seja, a frieza abandonou a Alemanha, crucificada em tantas decisões.  

A Euro-12 e a Copa do Mundo no Brasil em 2014 são os próximos desafios. Sinceramente? Por já ter chegado tão perto tantas vezes, creio que o azar deve bater mais cedo ainda em sua porta e amargar um jejum ainda maior. É, Alemanha...quem te viu, quem te vê...

domingo, 20 de maio de 2012

Brasileirão 12 - Rodada #1

Começou o Brasileirão! 

O campeonato nacional mais disputado do mundo teve início este fim de semana e já começou a mil! Vejamos quem fez bonito e merece uma cerveja bem gelada para celebrar a primeira de 38 rodadas emocionantes:


CERVEJA GELADA 

BOTAFOGO / HERRERA - Incrível virada do Fogão sobre o São Paulo. Jogando no Engenhão, viu o Tricolor abrir o placar no primeiro tempo com Jadson. Já no intervalo, Oswaldo de Oliveira sacou Loco Abreu e colocou Herrera. Para surpresa do uruguaio e da torcida ali presente, o argentino foi o nome do jogo. Primeiro empatou a partida. Depois de Luis Fabiano anotar o segundo dos visitantes, foi lá e marcou mais dois gols. Vitor Junior também deixou o dele. Linda vitória do Botafogo! 4 a 2, 3 de Herrera e muita esperança no coração botafoguense.

INTERNACIONAL - Começou bem o Brasileirão ao bater o Coritiba por 2 a 0, gols de Leandro Damião e Dagoberto. Ainda que o adversário ainda esteja preocupado com a Copa do Brasil, o Inter mostrou a força de campeão gaúcho e não deu sopa para o azar. 

ATLÉTICO MINEIRO - Foi visitar a Ponte Preta em Campinas (SP) e se deu bem. Deu boas-vindas à recém-promovida à elite sendo um indigesto visitante. Escudero, aos 45 do segundo tempo, fez a alegria do Galo e já deixou a Macaca com a pulga atrás da orelha.

VASCO - O mistão do Vasco bateu o Grêmio em São Januário por 2 a 1 com direito a pênalti defendido pro Fernando Prass. Fellipe Bastos e Alecsandro fizeram os gols cruz-maltinos enquanto Fernando descontou para o Tricolor Imortal.


CERVEJA QUENTE 

OSWALDO DE OLIVEIRA - O técnico do Botafogo jamais será unanimidade onde for. Carrega aquele semblante tranquilo, pacífico onde for. Hoje, iluminado, sacou o ídolo Loco Abreu e colocou Herrera. Mas os 3 gols do argentino na goleada por 4 a 2 sobre o São Paulo deixaram o treinador em parafuso e brigou desnecessariamente com a arbitragem e acabou expulso. Foi de 'jênio' a gênio e terminou 'jênio'.

CRUZEIRO - Estreou em casa e empatou sem gols com o Atlético-GO. Perdeu boa chance de tirar parte da zica que acompanha o clube desde as eliminações na Copa do Brasil e Campeonato Mineiro.

CORINTHIANS - Do meio para frente, ótimas opções. Do meio para trás, reservas interessantes. No duelo dos reservas contra o Fluminense, levou a pior. A derrota por 1 a 0 foi amarga. Nem Liedson, nem Willian, tampouco Douglas - aliás, este ainda não justificou seu retorno. Quem decidiu foi Leandro Euzébio, autor do gol dos visitantes. Pelas equipes que entraram em campo, o Timão era bem superior.