sexta-feira, 9 de março de 2012

Entrevista - Fabiana Murer

Nesta quinta-feira, a I Jornada de Direito Desportivo promovida pela PUC-SP contou com a presença da atleta Fabiana Murer do salto com vara. Tive a oportunidade de conversar rapidamente com ela e surgiu a oportunidade de inaugurar a seção de entrevistas do blog.

Extremamente simpática, Fabiana falou sobre suas reais chances de conseguir trazer ouro para o Brasil, como começou no esporte e elogiou o Centro de Alto Rendimento mantido pelo Pão de Açúcar.

Abaixo, o resumo da entrevista e a foto que tiramos. Por enquanto fico devendo o áudio da entrevista feita no improviso providencial do celular, mas será disponibilizado em breve. ***

(***ATUALIZAÇÃO: Exatamente à 1:53 deste sábado, 10.03, inseri ao final do post o áudio no youtube, cujo link também segue abaixo.)

Com a palavra, Fabiana Murer:


O Boteco Esportivo: Você é destaque de um esporte que é praticamente desconhecido para a maioria da população. Como você se sente sendo tão prestigiada mundo afora e às vezes não ter o devido reconhecimento nacionalmente?

Fabiana Murer: Hoje eu sinto que tenho reconhecimento aqui no Brasil. Lógico que quando eu comecei era um esporte que as pessoas nem sabiam o que era, confundiam com outras provas do atletismo, como salto em altura e até lançamento de dardos. Mas depois do Pan-Americano do Rio de Janeiro em 2007 as pessoas começaram a conhecer um pouco mais do salto com vara, entender um pouco mais da prova...foi muito legal porque o estádio estava cheio e tinham pessoas lá que foram assistir mas não entendiam nada e estavam lá torcendo. Foi o primeiro contato delas com o salto com vara e a partir daí passaram a conhecer mais, claro, graças aos meus resultados e às transmissões. Mas hoje em dia eu vejo que tenho reconhecimento, sim, aqui no Brasil como tenho lá fora e tô contente com o trabalho que venho fazendo.

OBE: Por ser um esporte diferente, afinal, geralmente as meninas no colégio vão jogar handebol, vôlei, basquete...qual foi seu primeiro contato com esse esporte?

FM: Bom, antes eu fazia ginástica artística/olímpica. E quando estava com 16 anos comecei a me sentir alta e velha também porque na ginástica, naquela época, as meninas com 18-19 anos já estavam parando. Hoje nós temos a Daiane dos Santos e a Daniele Hypólito que levam a ginástica até um pouco mais adiante. Naquela época eu pensei "bom, eu já não tenho muito futuro na ginástica..." mas eu queria continuar no esporte porque eu estava desde os 7 anos praticando. Foi quando meu pai viu que estavam montando escolinha de atletismo em Campinas, minha cidade natal, e fui fazer o teste pensando em fazer corrida de velocidade ou salto em distância pois eram as primeiras coisas que me vieram à cabeça quando pensava em atletismo. Fiz os testes, foi super tranquilo, e o Elson, meu treinador até hoje, foi conversar comigo e me sugeriu o salto com vara. Tratava-se de uma modalidade nova para mulheres, com recordes ainda baixos e aí comecei mesmo. Ele que me encaminhou para o salto com vara. 

OBE: Quando foi que seus treinadores, ou mesmo você, perceberam que você era uma atleta de alto rendimento e poderia ter condição de projetar, representar o Brasil internacionalmente?

FM: Bom, Eu comecei a treinar em 97 e depois de um ano eu já consegui fazer índice para o Mundial Juvenil. A partir daí eu pensei "opa, acho que levo jeito para isso!". Dentro do Brasil eu estava indo bem, bati recorde brasileiro mas sem chegar perto de índice mundial adulto ou Olimpíadas. Então comecei a fazer o trabalho com o Vitaly Petrov em 2001, aprendi novamente a saltar, levai mais 2 anos para me adaptar, para enfim conseguir melhorar os resultados. E em 2005 eu consegui índice para o Mundial Adulto. Subi mais esse degrau que me permitiu sonhar mais alto, inclusive com Olimpíadas.

OBE: Entrando no assunto do treinamento com o Petrov, recentemente você treinou com ele. Já dá para perceber alguma evolução do seu trabalho às vésperas dos Jogos Olímpicos?

FM: Vejo uma melhora no meu salto. Claro, muito sutil, porque faz mais de 10 anos que faço trabalho com ele. Então, não é que tenha uma mudança muito grande, são pequenos detalhes em alguns movimentos ou durante a corrida que estão me ajudando na hora no salto. Ainda não estou com a minha corrida toda de salto. Eu salto com 18 passadas, fiz o período todo em Portugal com 12 passadas, agora que fui para 16, então estou começando a chegar na minha corrida de competição e tá melhorando. Eu não consigo falar com relação à altura que estou saltando porque estou usando uma vara muito fraca para aquele treinamento que estou fazendo. Mas sinto que o salto está melhor.

OBE: Ontem o Loturco Filho palestrou aqui no evento e falou sobre o Centro de Alto Rendimento (CAR) mantido pelo Pão de Açúcar. Falou mil maravilhas, de como é moderno e auxilia o atleta de alto rendimento. Gostaria de ter o depoimento de uma atleta que efetivamente usa o espaço. É realmente tudo aquilo? É realmente de outro mundo? Existe algo parecido no mundo?

FM: É o primeiro do Brasil. Tem uma universidade em Colônia, na Alemanha, que tem bastante equipamento também, eles fazem medições, estudos, tem faculdade de educação física bem forte, mas é só lá que sei que tem essa tecnologia de avaliação. E no CAR é muito bom. Fizeram uma pista de salto com vara, a primeira fechada do Brasil. Fiz todo meu treinamento lá. Foi muito bom porque não tive que me preocupar com vento, com chuva, tive uma tranquilidade melhor para estar treinando. E tem a sala de musculação e os aparelhos avaliação. Fiz a avaliação antes do começo dos treinamentos e agora vou fazer antes de começar a competir para ver o quanto eu melhorei, como está minha musculatura, o que precisa melhorar, então é realmente muito bom. Vejo muitos atletas indo lá fazer avaliação e usufruindo da tecnologia que a gente tem aí que é importante para a evolução do esporte. 

OBE: Li recentemente que a russa Isinbayeva bateu o 5º (quinto) metro. É uma marca realmente expressiva. Agora, falando em Olimpíadas, que altura você tem que atingir para falar "aqui o ouro é meu"?

FM: É um pouco difícil falar porque é uma competição específica. Eu avalio como que está a temporada, os resultados para ter essa noção. Acredito que tem que saltar em torno de 4,95m, talvez 5 metros para o ouro. Então eu ainda tenho que melhorar bastante. Minha melhor marca é 4,85 que eu acho daria medalha de bronze, e se eu quiser garantir uma medalha sei que preciso fazer mais que isso. Estou treinando para isso, vai uma prova muito competitiva, tem muitas atletas com chance de medalha - mais ou menos 6-7 atletas - assim, meu primeiro objetivo é garantir uma medalha. Não penso na medalha de ouro, é garantir uma medalha e ir subindo passo a passo.


(Gabriel Casaqui e Fabiana Murer)


Vídeo/Áudio da entrevista no youtube: 





3 comentários:

  1. Legal Biel, parabens pelo blog. Abraços.

    ResponderExcluir
  2. Parabéns Gabriel!
    Vai firme...
    Irajá

    ResponderExcluir
  3. Muito obrigado pela partilha de informação.
    Abraço e força from Portugal

    ResponderExcluir